Xi congresso nacional de meio ambiente de poços de caldas 21 a 23 de maio de 2014 – poços de caldas – minas gerais




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XI CONGRESSO NACIONAL DE MEIO AMBIENTE DE POÇOS DE CALDAS

21 A 23 DE MAIO DE 2014 – POÇOS DE CALDAS – MINAS GERAIS

DIVERSIDADE DE FUNGOS OOMYCOTA EM REGIÕES DE LAGOAS EM TERESINA, PIAUÍ
Dhemeson de Sousa Silva(1); Osiel César da Trindade Junior(2)
(1) Graduando em Licenciatura em Química; Estudante Pesquisador; Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão; Zé Doca, Maranhão; dhemesson-@hotmail.com; (2) Biólogo MSc. em Desenvolvimento e Meio Ambiente; Professor Pesquisador; Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão; Zé Doca, Maranhão; osiel.junior@ifma.edu.br.
RESUMO – O trabalho teve como objetivo analisar a diversidade de fungos zoospóricos do grupo Oomycota em lagoas de Teresina, Piauí. Para o estudo da diversidade de Oomycota, amostras de água e de solo foram coletadas bimestralmente, de março de 2011 a julho de 2012, nas estações chuvosa e seca, em três lagoas na cidade de Teresina, Piauí. As amostras foram processadas pelo método de iscagem múltipla, utilizando-se substratos celulósicos, quitinosos e queratinosos. Foram obtidos 222 isolamentos de fungos zoospóricos, dos quais 20 espécies de Oomycota foram identificadas e descritas nesse estudo. Dos táxons de Oomycota, três ordens (Olpidiopsidales, Pythiales, Saprolegniales) e quatro famílias (Olpidiopsidaceae, Pythiaceae, Pythiogetonaceae, Leptolegniaceae, Saprolegniaceae) foram analisadas.
Palavras-chave: Identificação de fungos. Iscagem múltipla. Microorganismos aquáticos. Fungos zoospóricos.
Introdução

No Brasil, a maioria dos estudos com fungos zoospóricos está relacionada ao filo Oomycota. Diante disso, esse filo foi selecionado para o estudo da diversidade em lagoas de Teresina, sendo uma pesquisa inovadora, a qual busca relacionar quais os principais táxons encontrados nessas regiões.

O filo Oomycota, com apenas uma classe (Oomycetes), 12 ordens, 27 famílias, 92 gêneros e 808 espécies, está inserido no reino Straminipila (KIRK et al., 2001). No Brasil ainda são poucos os estudos realizados com este grupo de organismos (Schoenlein-Crusius et al. 1992, Pires-Zottarelli et al. 1993, Antunes et al. 1993, Milanez et al. 1994, Pires-Zottarelli 1999, Rocha 2002, Negreiros 2008, Pereira 2008, Sales 2009, Nascimento 2010, Miranda; Pires-Zottarelli 2012).

No Piauí, os estudos com fungos zoospóricos iniciaram-se com Rocha (2002), em áreas de Cerrado no Parque Nacional de Sete Cidades, isolando 76 taxa de organismos zoospóricos, sendo que 36 pertenciam ao filo Oomycota. Soares (2002) realizou um levantamento das espécies de Achlya no Parque Zoobotânico de Teresina, relatando a presença de oito espécies encontradas.

Apesar de vários estudos terem sido realizados no Piauí, ainda são de pouca frequência os relatos para fungos zoospóricos em Teresina. Esse estudo foi realizado com o objetivo de levantar novas contribuições para o conhecimento da diversidade do filo Oomycota em três lagoas de Teresina, Piauí.



Material e Métodos

O município de Teresina está localizado a 05°05’21”S 42°48’07”W (Mapa 1A). Encontra-se numa situação privilegiada em recursos hídricos, pois está situado na grande bacia do Parnaíba, permanentemente alimentada por águas subterrâneas oriundas de excelentes aquíferos. A área do município corresponde a 1.392km2, equivalendo a 0,55% da área do Estado do Piauí (Teresina 2011).

Foram realizadas oito coletas bimestrais de água e solo nas lagoas Piçarreira do Cabrinha (bairro Matadouro), Piçarreira do Lourival (bairro São Joaquim) e Lagoa do Mocambinho (bairro Mocambinho), na zona Norte de Teresina (Mapa 1).

A técnica utilizada para a descrição dos oomicetos foi de Milanez (1989), consistindo na iscagem dos fungos por meio de diferentes substratos (celulósicos, queratinosos e quitinosos), em laboratório.

As amostras de água foram acondicionadas em recipientes de vidro esterilizados de boca larga (frascos de Wheaton de 100ml), com tampa plástica com furos para permitir a oxigenação da água. Em cada frasco foram adicionadas duas unidades de substratos celulósicos (palha de milho, sementes de sorgo, epiderme de cebola, papel celofane e papel filtro), quitinosos (asas de cupim) e queratinosos (ecdises de cobra e fios de cabelo humano), antes da coleta, os quais serviam como substratos de colonização dos fungos zoospóricos.

As amostras de solo foram coletadas com o auxílio de uma espátula metálica esterilizada, sendo armazenadas em sacos de polietileno de capacidade de 500g devidamente identificados com os respectivos pontos de coletas. Para as amostras de solo, foram removidas as camadas superficiais e utilizadas àquelas referentes a uma profundidade de aproximadamente 20 cm, coletando-se cerca de 250g de solo para cada ponto demarcado.

O material coletado foi transportado para o Laboratório de Fungos Zoospóricos da Universidade Federal do Piauí para as análises.

A manutenção das linhagens foi realizada com a troca de água e adição de novos substratos em cada placa. A preservação dos fungos zoospóricos foi feita com a incorporação de novos fungos à Coleção de Cultura no Laboratório de Fungos Zoospóricos da Universidade Federal do Piauí.


Mapa 1. Teresina com a indicação das lagoas Piçarreirado Cabrinha, Piçarreira do Lourival e Lagoa do Mocambinho, com os respectivos pontos de coletas.



Elaboração: Felipe Ferreira Monteiro.

Fonte: Google Earth, 2012.
Resultados e Discussão

De oito coletas realizadas de março de 2011 a julho de 2012, nas estações chuvosa e seca, foram obtidos 222 isolamentos de fungos zoospóricos, dos quais 20 espécies do filo Oomycota foram registradas. Dessas, uma pertencia a Olpidiopsidales, sete a Pythiales e doze a Saprolegniales (Tabela 1). Todos os táxons correspondem à primeira ocorrência nas áreas de estudo.




Tabela 1. Lista dos representantes do Reino Chromista (Oomycota), isolados em oito coletas nas lagoas da zona Norte de Teresina, Piauí.

conector de seta reta 2


Reino Chromista (Straminipila)

Filo Oomycota

Olpidiopsidales

Olpidiopsidaceae

OlpidiopsisachlyaeMcLarty

Pythiales

Pythiaceae

PythiumechinulatumMattheus

P. graminicolaSubramaniam

P.middletonii Sparrow



P.palingenesDrechsler

Pythiogetonaceae

PythiogetondicothomumTokunaga

P. ramosum Minden

P. uniformeLund**

Saprolegniales

Leptolegniaceae

AphanodichytiumpappilatumHaneycuttex Dick**

LeptolegniakeratinophilaHuneycutt

Saprolegniaceae

AchlyadubiaCoker

A. flagellataCoker

A. orion Coker& Couch

A. prolifera C.G. Nees

A. proliferoidesCoker

A. recurvaCornu

AphanomyceskeratinophilusÔokubo&Kobayasi

Brevilegnialinearis Coker & Braxton*

Dyctyuchuspseudodictyon Coker & Braxton ex Couch

Dconector de seta reta 1.sterileCoker
* primeira citação para o Piauí

** segunda citação para o Brasil


Conclusões

Os resultados obtidos nesse estudo mostram a natureza cosmopolita dos fungos zoospóricos, aqui representados pelo grupo dos Oomycota. Além disso, o estudo contribuiu para a ampliação do conhecimento de oomicetos em áreas impactadas na cidade de Teresina, Piauí.



Referências Bibliográficas

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