Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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Controle - Em virtude da limitação geográfica do problema, deve-se evitar a produção de estacas na região afetada e o trânsito de ferramentas e/ou material provenientes das áreas doentes. Nas áreas onde a doença ocorre, recomenda-se, antes da poda e do tratamento de inverno com calda sulfo-cálcica, a raspagem do tronco, retirando a casca seca, e a queima deste material, bem como de todos os restos da poda. Os ferimentos decorrentes da poda devem ser protegidos por um “banho” de solução concentrada de benomyl, tiofanato metílico ou thiabendazol. Na primavera, deve-se eliminar todos os esporões secos, que não brotaram.
FUSARIOSE - Fusarium oxysporum Schl. f. sp. herbemontis Tocchetto

A fusariose da videira foi constatada pela primeira vez no Estado do Rio Grande do Sul, em 1954, no cultivar Herbemont. No entanto, plantas com sintomas de fusariose já haviam sido observadas em 1940, sem que o agente causal fosse identificado. A doença continua ainda hoje causando sérios danos nas regiões vitícolas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com o declínio e morte de plantas, especialmente em porta-enxertos do grupo Vitis riparia x V berlandieri.



Sintomas - Os primeiros sintomas de plantas afetadas são atraso na brotação, na primavera, redução de vigor nos ramos e redução no tamanho das folhas, que podem apresentar necrose marginal. No verão, a sintomatologia pode aparecer de forma mais aguda onde as folhas, subitamente amarelecem, murcham, secam e caem. Os cachos podem também apresentar murcha, permanecendo aderidos à planta. Após alguns ciclos, a planta morre.

Internamente, há escurecimento da região do xilema, ocupada pelo fungo, e aparecimento de faixas longitudinais escuras que podem se estender desde as raízes até as ramificações do tronco



Etiologia - A doença é causada por Fusarium oxysporum f. sp. herbemontis, da sub-divisão Deuteromycotina. O fungo forma macroconídios curvos, com base pedicelada, e clamidósporos intercalares e terminais, estes últimos responsáveis pela sobrevivência do patógeno no solo. A infecção inicia-se pelas raízes, com ou sem ferimentos, e atinge o sistema vascular da planta, onde o patógeno se desenvolve. A disseminação do fungo na área contaminada pode se dar por ferramentas agrícolas, como tesoura de poda, pelo movimento do solo contaminado através de enxurradas ou pelo contato entre raízes de plantas doentes e sadias. A longas distâncias, estacas provenientes de mudas contaminadas representam a principal forma de propagação da doença.

Controle - Evitar a entrada do patógeno no campo, com o uso de material vegetativo sadio, é a principal medida de controle da doença em áreas ainda não afetadas pelo problema. Além disso, pode-se lançar mão de cultivares resistentes como Isabel e os porta-enxertos Paulsen 1103, R99 e Rupestris du Lot. Quando a doença já está instalada, deve-se erradicar as plantas doentes e queimar suas raízes, controlar a erosão e isolar a área contaminada. A desinfestação de ferramentas é medida complementar de controle da doença.
OUTRAS DOENÇAS

Infecções por Viróides - Nos vinhedos mundiais, já foram detectados cinco viróides distintos: “grapevine yellow speckle viroid 1”, “grapevine yellow speckle viroid 2”, “citrus exocortis viroid”, “hop stunt viroid” e “Australian grapevine viroid”. Os dois primeiros induzem sintomas de manchas amarelas salpicadas em algumas variedades de videira. Os demais não causam sintomas. O efeito desses agentes infecciosos sobre o desenvolvimento e a produção das plantas não é conhecido. No Brasil, foram detectados o “citrus exocortis viroid” e o “hop stunt viroid” em plantas da variedade Cabernet Sauvignon exibindo clorose foliar. A relação entre a presença desses agentes e os sintomas nas folhas ainda não foi estabelecida. A ocorrência dos viróides resulta da propagação vegetativa de plantas infectadas e da transmissão mecânica pelo uso de instrumentos do corte. São detectados por eletroforese em gel de poliacrilamida ou ainda por hibridação molecular. Esses agentes são resistentes às altas temperaturas.

Viroses - Cerca de 45 vírus e 18 doenças de provável etiologia viral foram registrados nos vinhedos dos principais países vitícolas. Embora as doenças de maior importância tenham sido constatadas no Brasil, existem outras, ainda não assinaladas no país, que causam prejuízos nos locais onde foram identificadas, como por exemplo: (a) doenças degenerativas causadas pelos grupos de nepovirus prevalecentes na América do Norte, na Europa e na região do Mediterrâneo; (b) “ajinashika” disease (“tasteless”), que caracteriza-se por provocar grande redução no teor de açúcar dos frutos; (c) “enation disease”, comum em muitos países; (d) “asteroid mosaic”; (e) “vem mosaic”. A introdução de material propagativo, sem as devidas precauções, pode promover a entrada desses patógenos no Brasil.

Mal de Pierce - Xylella fastidiosa Wells et alii - Esta doença, ainda não constatada no Brasil, é o principal fator limitante da produção de Vitis labrusca e V vinifera em planícies da Califórnia, onde está presente desde 1892. A doença já foi identificada no México e em outros países da América Central. Os primeiros sintomas foliares aparecem próximos aos pontos de infecção, na forma de manchas cloróticas que rapidamente necrosam. E comum o aparecimento de necrose na margem do limbo, que evolui para a região central, tomando toda a folha. Quando o tecido do limbo torna-se completamente seco, ele cai, deixando o pecíolo ainda preso ao ramo. Ramos infectados não amadurecem normalmente, apresentando áreas verdes entremeadas de tecido maduro (marrom). Plantas com infecção crônica mostram brotação tardia e folhas pequenas. As primeiras 4 a 6 folhas formadas nos ramos jovens mostram nervuras de coloração verde-escura e o resto do limbo verde-claro. Plantas doentes podem morrer no primeiro ano após a infecção ou, dependendo do cultivar, da idade da planta e das condições do ambiente, permanecer vivas por 5 ou mais anos. Em condições tropicais, cultivares de V vinifera infectados freqüentemente morrem doze meses após o plantio. O agente causal desta anomalia é a bactéria Xylella fastidiosa, habitante do xilema das plantas. A disseminação é feita por insetos vetores, normalmente cigarrinhas. O controle da doença nas áreas endêmicas tem sido conseguido com o uso de cultivares resistentes. Em áreas onde ainda não foi constatada, como no Brasil, medidas de exclusão (quarentena) e erradicação (tratamento térmico de mudas pela imersão em água aquecida a 450C por 3 horas) são necessárias para evitar o estabelecimento do patógeno.

Mofo Cinzento - Botryotinia fuckeliana (de Bary) Whetzel (Botrytis cinerea Pers.: Fr.) - O mofo cinzento é problemático em regiões onde há predominância de temperaturas amenas (15 a 200C) e alta umidade na ocasião da maturação das uvas. Seu sintoma típico é a podridão do cacho, de extensão variável, com a produção de importante massa de esporos cinza-esverdeados, que confere o aspecto de mofo às bagas. O agente causal é o fungo Botrytis cinerea que corresponde, na fase teleomórfica, a Botryotinia fuckeliana. A infecção pode ocorrer na flor, onde o fungo permanece latente até a maturação do fruto, ou diretamente nas bagas maduras. Em regiões favoráveis à doença, como no vale do Rio do Peixe, em Santa Catarina, e em cultivares suscetíveis, recomenda-se a mesma estratégia de controle dos países europeus com quatro aplicações de fungicidas, nos estádios 25, 33, 35 e três semanas antes da colheita. Encontram-se registrados os seguintes produtos para o controle do mofo cinzento: captan, chlorothalonil, folpet, iprodione, tiofanato metílico e vinclozolin.

Botriodiplodiose - Botryodiplodia theobromae Pat. (sin. Diplodia natalensis Pole Evans) - A botriodiplodiose é uma doença que possui sintomas semelhantes aos do declínio. Sua constatação no Brasil foi feita em 1991, no município de Jales, SP. Plantas atacadas apresentam definhamento progressivo dos ramos que, em corte transversal, apresentam áreas necrosadas em forma de “v”. Sintomas típicos da doença são os cancros nos ramos e na base do engaço, que avançam para qualquer direção. Na casca dos ramos e dos esporões doentes pode-se observar pequenas pontuações negras que correspondem aos picnídios do fungo. As bagas também podem ser infectadas, apresentando, inicialmente, uma mancha de óleo que progride provocando rachaduras na casca e podridão. O agente causal é o fungo Botryodiplodia theobromae. Seu desenvolvimento é favorecido por temperaturas elevadas, com o ótimo na faixa de 27-330C. Medidas de controle recomendadas para o declínio são também eficientes para esta doença.
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