Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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E. Cia & C. L. Salgado

O algodoeiro é uma das culturas anuais mais importantes do Brasil, pelo seu valor econômico e social, em que se utiliza mão-de-obra de custo relativamente alto. Estima-se que o consumo desta malvácea no Brasil será, aproximadamente, de 105.000 t de fibra no ano 2000, sendo que atualmente a produção brasileira está em torno de 800.000 t. Para que seja atingida esta meta, é necessário que haja aumento de produtividade e expansão das áreas de plantio. O alicerce básico para isso é a produção e distribuição de variedades selecionadas pelos órgãos de pesquisas.

Para a obtenção de uma variedade comercial, os melhoristas têm que levar em consideração várias características econômicas como produção, peso do capulho e semente, porcentagem de fibra e resistência a pragas e doenças. No caso específico de doenças, são vários os patógenos importantes relatados no Brasil que causam problemas sérios, limitantes para a cultura.
MOSAICO COMUM - “Abutilon mosaic vírus” - AbMV

Desde 1934/35 foram assinalados plantas com sintomas de viroses, que foram consideradas pseudoviroses. Em 1954, verificou-se que o vírus do mosaico comum era o mesmo que infectava malvácea nativa, causando mosaico de coloração amarelada e redução de até 50% na produção da planta. Em condições normais, no entanto, não é encontrada alta incidência nas lavouras. A partir de 1990, com a introdução e plantio de novas variedades de algodoeiro, como Deltapine Acala 90, CS 50 e, em menor escala, IAC 22, verificou-se um aumento na ocorrência do mosaico comum praticamente em todas as regiões produtoras, principalmente em culturas localizadas perto de plantios de citros. Em variedades mais suscetíveis pode-se observar incidência de até 50%.



Sintomas - Plantas afetadas apresentam redução no tamanho e podem tornar-se parcial ou totalmente estéreis. As folhas apresentam mosaico característico de coloração amarelada “gema-de-ovo” (Prancha 6.1). À medida que a planta se torna mais velha, os sintomas ficam menos visíveis e, em alguns casos, a coloração do mosaico pode ficar avermelhada.

Etiologia - O mosaico comum do algodoeiro é causado por um vírus da família Geminiviridae, do gênero “Subgroup III Geminivirus”. E transmitido na natureza somente pela mosca branca (Bemisia tabaci). Não é transmitido pela semente e nem através de inoculação mecânica.

Como hospedeiros do mosaico comum, além do algodoeiro, temos feijoeiro, soja, quiabeiro, tomateiro e malváceas nativas (Sida spp., por exemplo).



Controle - Não se justificam medidas especiais de controle pelos prejuízos que podem ocorrer. Por ocasião do raleio, plantas com sintomas devem ser eliminadas. Como medida profilática, recomenda-se eliminar plantas hospedeiras, principalmente malváceas nativas. Deve-se tomar cuidado na escolha da variedade a ser plantada, não se utilizando variedades suscetíveis. Os dados atuais mostram que as variedades IAC 20, IAC 21, IAPAR 71-PR3, CNPA Precoce 2, CNPA 7H, EPAMIG 4 e LAPAR 45 PR2 são resistentes, enquanto que IAC 22 e a linhagem IAC 20-233 são medianamente resistentes e CS 50 e Deltapine Acala 90 são suscetíveis.
MOSAICO DAS NERVURAS - Vírus

O mosaico das nervuras foi constatado pela primeira vez em 1937. Posteriormente, em 1962/63, foi detectada uma estirpe mais virulenta, denominada Ribeirão Bonito, identificada como de potencial altamente destrutivo. Com o plantio de variedades mais suscetíveis, o mosaico das nervuras tem sido detectado com maior freqüência causando, em determinados casos, sérios prejuízos em regiões de Mato Grosso e Paraguai.



Sintomas - O porte das plantas é reduzido devido ao encurtamento dos entrenós. As folhas das plantas afetadas apresentam mosaico das nervuras, rugosidade e curvatura dos bordos. Observando-se a folha contra a luz nota-se melhoro mosaico, caracterizado por leve amarelecimento ou palidez das nervuras.

A estirpe Ribeirão Bonito provoca sintomas mais acentuados, reduzindo drasticamente o porte e desenvolvimento das plantas. Nesse caso, é difícil que haja produção razoável. Em outras regiões algodoeiras ocorre uma virose, conhecida como mosaico azul, enfermidade azul ou doença azul (África, Paraguai), que pode ser a mesma doença.



Etiologia - O vírus causador do mosaico das nervuras ainda não foi isolado em sua forma pura e identificado. Verificou-se, no entanto, que o pulgão Aphis gossypii Glov. é capaz de transmitir esse vírus. Conseguiu-se sua transmissão também para Malva parviflora L.

Controle - Como medida preventiva, recomenda-se controlar ou manter baixa a população do inseto vetor. As variedades IAC e IAPAR têm mostrado reação de resistência a essa doença, enquanto que Deltapine Acala 90 e CS 50 têm-se mostrado suscetíveis.
MOSAICO TARDIO - “Tobacco streak vírus” - TSV

O mosaico tardio foi descrito pela primeira vez em 1954, após observação de plantas de algodoeiro com sintomas diferentes daqueles assinalados para o mosaico comum.

Sintomas - São observados principalmente nas folhas novas do ponteiro das plantas, consistindo de mosaico de manchas verde-claras entre as nervuras secundárias entremeadas de áreas normais. Pode ocorrer a morte do broto apical e mosaico nas folhas formadas em seguida. A produção da planta é reduzida devido ao aumento na queda de botões florais quando a infecção ocorre no início do florescimento. Quando a infecção dá-se no final do ciclo da planta, porém, as perdas não são tão elevadas. Em certas ocasiões plantas afetadas podem mostrar folhas sem sintomas aparentes.

O mosaico tardio pode ser diferenciado do mosaico das nervuras porque este mostra uma coloração verde-clara ou verde-amarelada somente nas nervuras das folhas, ou em pequena faixa ao longo destas. A diferença com o mosaico comum é que este apresenta uma coloração amarela bem mais acentuada. Muitas vezes os sintomas nas plantas são mais ou menos intermediários, necessitando, por isso, provas de inoculação para se fazer um diagnóstico correto.



Etiologia - O mosaico tardio é causado pelo vírus da necrose branca do fumo e ocorre em vários outros hospedeiros como fumo, hortaliças, leguminosas, Compositae e Chenopodiaceae. O TSV é membro da família Bromoviridae e gênero Ilarvirus.

Até 1975 não se conhecia vetor para a transmissão do TSV, nem foi observada sua transmissão através de sementes. A transmissão mecânica para o algodoeiro foi obtida a partir de plantas de fumo. Somente em 1976 conseguiu-se sua transmissão para o algodoeiro através do uso de tripes da espécie Frankliniella sp. coletados em inflorescência de cravorona (Ambrosia polystachya D.C.) infectada.

Em trabalhos de campo e casa-de-vegetação observou-se que, para a ocorrência do mosaico tardio, é necessário que a planta tenha sido previamente infectada pelo vírus do vermelhão ou “antocianose” do algodoeiro. Menor incidência de mosaico tardio foi obtida através da inoculação de uma estirpe menos virulenta. Por outro lado, verificou-se que existe uma estirpe rara de TSV que pode provocar sintomas semelhantes aos de mosaico comum.

Controle - Os dados mostram que o mosaico tardio só ocorre quando a planta é previamente infectada pelo vírus do vermelhão. Assim sendo, fazendo-se o controle desse vírus, estará sendo controlado, automaticamente, o vírus do mosaico tardio.
VERMELHÃO - “Cotton anthocyanosis vírus” - CAV

O vermelhão foi considerado a virose mais importante do algodoeiro, sendo detectado em todas as regiões produtoras. Plantas afetadas logo no início de seu desenvolvimento podem apresentar prejuízos na ordem de até 50%. Estimou-se anteriormente que o prejuízo à cotonicultura, em geral, era de 10%. Com a distribuição de novas variedades o problema do vermelhão passou a ter importância secundária, pois, nos últimos anos, sua incidência foi reduzida.



Sintomas - O início dos sintomas do vermelhão só pode ser detectado quando as plantas apresentam pelo menos 4 a 5 folhas definitivas, conforme estudos realizados em casa-de-vegetação mediante inoculação artificial.

Os sintomas mais visíveis consistem em áreas avermelhadas ou arroxeadas nas folhas inferiores e parte mediana da planta, geralmente limitada pelas nervuras. Antes de adquirir essa coloração, devido à incidência de luminosidade, ocorre uma clorose de difícil observação. Em algumas folhas pode ocorrer o avermelhamento por todo o limbo, exceto ao longo das nervuras principais e numa faixa estreita paralela a estas. Nos estádios mais avançados, os sintomas podem ser observados até em folhas superiores (Prancha 6.2).

Os sintomas provocados pelo vírus do vermelhão são semelhantes àqueles provocados por deficiência de magnésio. Vários outros fatores também provocam vermelhão como tombamento, broca da raiz, insetos e ácaros, queimadura do sol, algumas estirpes de AbMV, umidade do solo, toxicidade de produtos químicos, senescência das plantas e murchamento avermelhado. Deve-se considerar ainda, no caso do vírus, que existe também um teor de 30 a 40% menor de magnésio nas folhas, quando comparado a folhas sadias. Essa deficiência de magnésio não resulta da carência desse elemento no solo, mas sim de alterações metabólicas na planta.

Etiologia - O vírus do vermelhão (CAV) não é transmitido por sementes. E transmitido de planta à planta através do pulgão Aphis gossypii Glov., sendo a relação vírus-vetor do tipo persistente não-propagativa. O vírus pode manter-se de ano para ano em restos da cultura ou em plantas hospedeiras nativas como quiabeiro, kenaf (Hibiscus cannabinus), Sida micrantha, S. rhombifolia e Pavonia sp. O CAV é considerado uma possível espécie do gênero Luteovirus.

Controle - Realizando-se um bom controle do pulgão e destruindo-se plantas hospedeiras nativas, a doença será praticamente bem controlada.

Estudos têm mostrado que material genético de algodoeiro resistente a Xanthomonas campestris pv. malvacearum tem apresentado também bom comportamento para resistência ao vírus do vermelhão. As variedades atualmente em distribuição estão sendo plantadas sem problemas. Embora sem dados confirmatórios, a variedade mais recente, lançada em 1994 (IAC 22), deve apresentar bom comportamento a essa virose.


MANCHA-ANGULAR - Xanthomonas campestris pv. malvacearum (E.F. Smith) Dye.

A mancha-angular do algodoeiro ocorre de forma generalizada em todas as regiões produtoras de algodão da zona meridional. Dependendo do ano, pode provocar problemas mais sérios, principalmente nos Estados do Paraná e São Paulo. Devido à ampla disseminação e alta variabilidade do patógeno poderá constituir-se num grave problema para a cotonicultura, como já ocorre em outros países produtores.



Sintomas - Normalmente, a bactéria incide nas folhas, onde são observados lesões angulosas, inicialmente de coloração verde e aspecto oleoso e, posteriormente, de coloração parda, necrosada (Prancha 6.3). Comumente ocorre coalescência das lesões e, com o tempo, rasgadura do limbo foliar. Lesões angulosas podem ser observadas freqüentemente também ao longo das nervuras principais, e se a infecção ocorrer durante a formação da folha, estas podem engrunhir. Sintomas também podem ser encontrados em maçãs, onde, no início, observa-se uma mancha arredondada ou de forma irregular de coloração parda e deprimida na parte central. Normalmente, nessa lesão pode também ser encontrado o fungo Colletotrichum gossypii que, em conjunto com a bactéria, provoca a podridão das maçãs.

Etiologia - A mancha-angular é causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. malvacearum, que é muito resistente à dessecação, calor seco e radiação solar, podendo sobreviver por vários anos na semente, folha, caule e capulho infectados. A transmissão interna pela semente pode chegar a 4%, podendo o patógeno permanecer na mesma por até 56 meses. A disseminação da bactéria dentro do campo ocorre em razão de chuvas acompanhadas por ventos fortes. Essas condições favorecem também a infecção pois provocam encharcamento dos tecidos do hospedeiro e injúrias mecânicas, facilitando a penetração. Para ocorrer lesões nas folhas é preciso que os estômatos estejam abertos e os tecidos encharcados. Lesões nos ramos ocorrem geralmente pela movimentação das bactérias das lesões nas nervuras ou brácteas, através do parênquima cortical, para o córtex do caule.

Além da alta umidade (chuva) e vento, outro fator importante para o desenvolvimento de epidemias é a temperatura, que tem grande influência na manifestação dos sintomas, até mesmo em variedades resistentes. Nas condições do Estado de São Paulo e Paraná, sintomas da mancha-angular intensificam-se a partir de meados de dezembro, que corresponde à época chuvosa e de temperatura mais propícia ao desenvolvimento da doença. Até a presente data foram descritas 20 raças fisiológicas de X. campestris pv. malvacearum, baseando-se na reação em 10 hospedeiros diferenciais. No Brasil já foram identificadas 7 raças (3,7,8,10,13,18,19).



Controle - Há possibilidade de controle químico através de pulverizações de plantas com fungicidas cúpricos e/ou antibióticos, medida que tem sido adotada por muitos cotonicultores, mas que, por aumentar o custo operacional, só se justifica quando as condições forem extremamente favoráveis ao desenvolvimento de epidemias severas e quando a cotação do algodão no mercado estiver alta.

O tratamento de sementes através do deslintamento com ácido sulfúrico é uma das medidas de controle recomendáveis, visto que acarreta considerável redução do inóculo não só da bactéria, mas também de Colletotrichum gossypii, importante agente associado ao “damping-off”. Complementarmente, recomenda-se a rotação de cultura. Essas duas medidas, apesar de influenciarem apenas a quantidade de inóculo inicial, atrasando assim o início do desenvolvimento de epidemias, podem ser eficientes, pois a disseminação do patógeno dentro do campo não é muito fácil.

O método ideal de controle é o desenvolvimento de variedades comerciais resistentes, trabalho esse realizado principalmente pelo Instituto Agronômico cm Campinas, através da Seção de Algodão. As variedades CNPA Acala 1, H-10, H-182 e Deltapine Acala 90, cultivadas em algumas regiões, são altamente suscetíveis à X. c. malvacearum. Com o recente lançamento da variedade resistente IAC 22, as preocupações com o aumento de incidência da mancha-angular devem diminuir bastante. Esta variedade é recomendada para o plantio na zona meridional do Brasil (Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Bahia). A variedade IAPAR 71-PR3 também é resistente, ao passo que as variedades IAC 20 e IAC 21 mostram uma resistência relativamente menor.
MURCHA DE FUSARIUM - Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum (Atk.) Snyder & Hansen

A murcha de Fusarium ou fusariose é a principal doença do algodoeiro de ciclo anual, cultivado principalmente nos Estados de São Paulo e Paraná.

Conhecida no nordeste brasileiro desde 1935 e cm São Paulo desde 1957/58, a doença disseminou-se para outros estados. Sua importância gerou a necessidade de obtenção de variedades resistentes, pois é esta a única medida de controle economicamente viável.

Sintomas - Plantas doentes mostram um quadro sintomatológico bastante variável, dependendo do grau de resistência da variedade e das condições ambientais. Plantas afetadas são menores, com folhas e capulhos menores. Sintomas nas folhas iniciam-se pelas basais. Estas amarelecem, exibem crestamento do limbo e caem. Murcha das folhas e morte prematura das plantas ocorre em variedades suscetíveis. Em secção transversal do caule ou raiz, pode-se notar descoloração dos feixes vasculares, resultante da oxidação e polimerização dos compostos fenólicos do parênquima do xilema. Há obstrução do lume dos vasos pela formação de tilose, micélio géis vasculares, esporos, moléculas de dimensões coloidais, etc., resultando em resistência ao livre fluxo da seiva e, conseqüentemente, em sintomas de murcha (Prancha 6.4).

Etiologia - A doença é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum (Atk.) Snyder & Hansen. Entre as formas especializadas de F oxysporum existem algumas que mostram alta especificidade de hospedeiro. Outras, entretanto, como F oxysporum, f.sp. vasinfectum, não são altamente especializadas, podendo apresentar hospedeiros alternativos, chamados secundários. O Fusarium do algodoeiro apresenta como hospedeiros secundários Tithonia rotundifolia, Cassia tora, Medicago sativa, Physalis alkekengi, Nicotiana tabacum, Glycine max e Lupinus sp. Por outro lado, o algodoeiro pode servir de hospedeiro secundário para as formae speciales apii e cassiae. No Brasil, há relatos de reprodução de sintomas de murcha de Fusarium através de inoculação de F o. f.sp. vasinfectum cm quiabeiro, quiabeiro-de-cheiro (Abelmoschus moscatus L.) e papoula-do-são-francisco. Aventa-se ainda a possibilidade de labe­-labe (Dolichos lab lab L.) ser também um hospedeiro.

Uma vez contaminadas, as áreas de cultivo permanecem nessa condição por um longo período, não só pelo fato do fungo produzir esporos de resistência, os clamidósporos, como também devido à sua sobrevivência em variedades resistentes do próprio algodoeiro, amendoim, mamoneira, soja, quiabeiro, etc.

A disseminação do patógeno pode se dar pela semente, externa ou internamente contaminada, e por partículas de terra contaminadas, arrastadas pelo vento e pela água. A disseminação a longas distâncias é atribuída a sementes contaminadas.

A infecção ocorre pelas raízes, sendo enormemente favorecida por nematóides, particularmente Meloidogyne incognita, M. incognita acnita e Belonolaimus gracilis. A influência de nematóides na expressão da murcha de Fusarium é tão profunda que o controle tem de ser simultâneo, mesmo que se cultivem variedades resistentes. O efeito do nematóide não é o de simplesmente facilitar a penetração, mas também o de predispor fisiologicamente o hospedeiro à atuação do fungo.

Condições favoráveis ao desenvolvimento da murcha de Fusarium são, além dos nematóides, solos com alto teor de areia, de baixo pH, fertilidade desequilibrada, principalmente com baixo teor de potássio, temperaturas de 25 a 320C e alta umidade.

Foram determinadas seis raças fisiológicas de F o. f. sp. vasinfectum, assim distribuídas: EUA (1 e 2); Egito (3); Índia (4); Sudão (5); Brasil/Paraguai (6). Os hospedeiros diferenciais e as reações para as diferentes raças podem ser observados na Tabela 6.1.



Controle - Recomenda-se, em primeiro uso de variedades resistentes lugar, o obtidas a partir da década de 60 com as siglas RM, RM2, IAC RM3 e LAC RM4. Posteriormente, foram lançadas outras variedades com melhor produtividade e resistência, tais como a série IAC 16 a IAC 22. As variedades IAC 21 e LAC 22 apresentam bom grau de resistência à murcha de Fusarium, além de resistência a outras doenças importantes do algodoeiro (murcha de Verticillium, mancha-angular, nematóides e ramulose).

As variedades CNPA Acala 1, CS 50, Deltapine Acala 90 e CNPA Precoce 1 e 2 comportam-se como suscetíveis à murcha de Fusarium, sendo utilizadas atualmente em regiões onde a doença não ocorre de forma generalizada (Mato Grosso, parte de Goiás e Mato Grosso do Sul e Região Nordeste).

Além de variedades resistentes, recomenda-se rotação de cultura. Essa medida complementar é particularmente importante em solos com alto inóculo, tanto de Fusarium como de nematóides, pois, nessas condições, mesmo variedades resistentes podem sofrer graves danos. As rotações de culturas mais benéficas para o algodoeiro são com mucuna preta (Stizolobium aterrinum), amendoim (Arachis hypogea), Crotalaria spp.
MURCHA DE VERTICILLIUM - Verticillium dahliae Kleb

Embora seja observada com certa freqüência, esta doença é considerada de importância secundária porque ocorre em plantas isoladas, sendo, no entanto, muito importante nos E.U.A., México, Peru, Rússia, Argentina e Índia.



Sintomas - São muito semelhantes aos da murcha de Fusarium, sendo necessárias, para uma diagnose segura, técnicas laboratoriais que permitam o isolamento do patógeno e exame de sinais. Com as estirpes de Verticillium aqui existentes e plantio de variedades resistentes, sintomas desenvolvidos no campo são geralmente leves, manifestando-se somente em plantas adultas que sempre chegam a produzir um certo número de capulhos. Além disso, a murcha de Verticillium ocorre em plantas isoladas ou em pequenas reboleiras, notadamente em solos ricos de matéria orgânica. As estirpes mais severas, que surgiram nos Estados Unidos, podem induzir sintomas de clorose geral, com leve a extensa descoloração vascular no caule e epinastia, seguidos de repentino desfolhamento.

Etiologia - Verticillium dahliae é o agente causal desta enfermidade. O patógeno pode permanecer viável no solo por vários anos através da formação de microescleródios, mesmo na ausência de hospedeiros apropriados. Entretanto, por ser fraco competidor, tende a desaparecer rapidamente do solo. Sua disseminação é feita por sementes contaminadas, vento, água superficial e pelo próprio solo contaminado, que pode conter mais de 100 microescleródios/g.

O fato da doença ainda não ter sido observada em São Paulo em proporções epidêmicas pode ser atribuído à menor agressividade das raças do patógeno aqui ocorrentes, relativa resistência das variedades cultivadas e ausência de condições ambientais favoráveis. Das variáveis climáticas que favorecem o desenvolvimento da murcha de Verticillium, a mais importante parece ser a temperatura. Sob temperaturas baixas, entre 18-220C, sintomas são igualmente severos tanto em linhagens tolerantes como suscetíveis, independente do grau de agressividade do isolado. Já em temperaturas elevadas (320C), todas apresentam-se resistentes, ao passo que sob temperaturas médias (250C) uma boa distinção pode ser feita entre linhagens e isolados. A predominância de temperaturas altas durante o período vegetativo de crescimento previne o desenvolvimento de sintomas de murcha e promove a recuperação da planta doente, tornando possível cultivar o algodoeiro em presença de Verticillium.



Controle - O método mais eficiente de controle é o uso de variedades resistentes. Variedades recomendadas para controle da murcha de Verticillium são as mesmas recomendadas para Fusarium. Mesmo que surja uma raça nova, semelhante à que ocorre nos Estados Unidos, ainda haverá a possibilidade de usar esse método de controle, pois já foram localizadas boas fontes de resistência, inclusive uma em Gossypium hirsutum subsp. mexicanum var. nervosum que mostrou ser de herança monofatorial dominante. Entre as variedades distribuídas para plantio, as que têm bom comportamento frente ao Verticillium são IAC 19, 20, 21 e 22.
DAMPING-OFF” Pellicularia filamentosa (Pat) Rogers (Rhizoctonia solani Kühn) e Glomerella gossypii (South) Edg. (Colletotrichum gossypii South)

Esta doença é de ocorrência generalizada em todas as regiões onde se cultiva o algodoeiro e, dependendo de condições ambientes, causa grandes prejuízos. É também conhecida como tombamento, meia, morte de mudas, rizoctoniose ou antracnose.



Sintomas - Sintomas nas plântulas são do tipo “damping-off”, de pré e pós-emergência, reduzindo bastante o estande de plantas sadias. Plântulas afetadas apresentam lesões deprimidas, pardo-avermelhadas a pardo-escuras, na raiz e no colo.

Etiologia - Vários patógenos podem causar esta doença, sendo Rhizoctonia solani e Colletotrichum gossypii os mais comuns. Fusarium spp. também tem sido isolado com certa freqüência. Se as condições ambientais forem favoráveis ao desenvolvimento da doença, com temperaturas variando entre 18 e 300C e umidade elevada por vários dias, a extensão das falhas pode tomar necessário novo plantio.

R. solani é um fungo parasita necrotrófico habitante do solo. Sob baixas temperaturas, sementes de algodoeiro exsudam maior quantidade de açúcares e aminoácidos, o que é sumamente favorável ao patógeno. Estas condições também mantêm a planta num estágio suscetível por um período maior, atrasando a germinação ou tornando mais lento seu desenvolvimento. A doença é mais severa quando ocorrem ferimentos tais como os provocados por insetos e nematóides.

Colletotrichum gossypii pode viver saprofiticamente em restos de cultura por um período de vários meses. Entretanto, são as sementes contaminadas que constituem a principal fonte de inóculo. O fungo, através das lesões nos capulhos, pode atingir o embrião da semente, onde permanece viável como micélio dormente por um período de até 3 anos, sob condições normais de armazenamento. As sementes também podem ser contaminadas externamente por conídios durante o beneficiamento. O número de conídios contaminantes pode alcançar a cifra de 80 mil por semente, porém a viabilidade deste propágulo é da ordem de 9 meses, bem menor, portanto, do que o micélio dormente.

Lesões nos cotilédones e caulículo da plântula fornecem esporos em abundância para iniciar o ciclo secundário. Os conídios do fungo, por estarem aglutinados por uma mucilagem hidrossolúvel, são disseminados principalmente por respingos de chuva. A penetração é favorecida por temperaturas baixas, altas umidades e ferimentos. Durante os períodos secos, o fungo permanece dormente e consegue sobreviver por muito tempo, na forma de micélio, dentro dos tecidos. Com o retorno de condições úmidas desenvolve-se em proporções epidêmicas, tornando-se destrutivo sobre os capulhos.



Controle - Recomendam-se o uso de sementes sadias e tratadas, variedades menos suscetíveis e emprego de práticas culturais adequadas. Entre estas, recomendam-se um bom preparo do solo, espaçamento adequado, semeadura rasa e em solo com boa umidade, rotação de cultura e atraso da semeadura para a 2a quinzena de outubro, fugindo das condições propícias ao desenvolvimento da doença. O tratamento de sementes pode ser feito com ou sem prévio deslintamento com ácido sulfúrico, com os fungicidas: carboxin+thiram, benomyl, benomyl+thiram, thiabendazole, iprodione e captan.
RAMULOSE - Glomerella gossypii South (Colletotrichum gossypii (South) var. cephalosporioides A. S. Costa)

Esta doença foi constatada pela primeira vez no município de Rancharia-SP, em 1936, e já se encontra disseminada praticamente por todas as regiões do país onde se cultiva o algodoeiro. Atualmente, vem causando problemas sérios nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e em algumas localidades do Nordeste brasileiro. Fora do Brasil, sua ocorrência é relatada somente na Venezuela e Paraguai.



Sintomas - A ramulose pode manifestar-se em plantas de qualquer idade, desenvolvendo-se, de preferência, nos tecidos jovens. Os sintomas diretos aparecem primeiramente nas folhas novas, tanto na haste principal como nas laterais, na forma de manchas necróticas, mais ou menos circulares quando situadas no limbo entre as nervuras, e alongadas quando no sentido longitudinal. O tecido necrosado tende a cair, formando perfurações. As lesões, principalmente das nervuras, acarretam o desenvolvimento desigual dos tecidos foliares, ocasionando o enrugamento da superfície do limbo. O fungo afeta o meristema apical provocando sua necrose, o que estimula o desenvolvimento dos brotos laterais que se transformam em “galhos extranumerários”, conferindo à planta um aspecto de superbrotamento ou envassouramento. Os internódios, por via de regra, apresentam intumescimento. Plantas doentes ficam com porte reduzido.

Quando a doença afeta plantas novas, as gemas terminais dos ramos extranumerários podem sofrer novas infecções e, pela sua morte, estimulam o desenvolvimento de novas gemas. Esse carrear de energias para o crescimento vegetativo em resposta à sucessiva destruição das gemas apicais, exaure completamente a planta para a finalidade de frutificação. Plantas doentes podem ser então facilmente distinguidas das sadias pois estas derrubam as folhas e apresentam grande número de capulhos abertos, ao passo que plantas doentes apresentam densa massa de folhagem escura e poucos capulhos. Normalmente, observam-se na parte inferior de plantas com muitos sintomas, algumas folhas mais desenvolvidas, de coloração verde mais escuro e aspecto coriáceo ou quebradiço.

A manifestação tardia da doença originou a denominação ramulose tardia, de sintomas muito semelhantes. Entretanto, plantas doentes apresentam o superbrotamento só no ápice, não afetando muito a produtividade.

Etiologia - A doença é causada por uma variedade fisiológica do agente causal da antracnose, que recebeu o nome de Colletotrichum gossypii South. var. cephalosporioides. A principal via de disseminação do fungo é a semente, na qual pode ser veiculado externamente, na forma de conídios, ou internamente, na forma de micélio dormente. O fungo pode ainda sobreviver de um ano para outro em solo contaminado. Veiculado pela semente ou presente no solo, o inóculo primário causa lesões primárias em algumas plantas que vão servir como fonte de inóculo secundário. Lesões secundárias ocorrem nas plantas adjacentes, e o patógeno, propagando-se radialmente, forma reboleiras.

Condições favoráveis ao desenvolvimento da doença são alta pluviosidade e boa fertilidade do solo. A temperatura ótima para o crescimento do fungo in vitro está entre 25 e 300C.



Controle - A principal medida de controle é a utilização de variedades com resistência ao patógeno. As variedades distribuídas aos cotonicultores apresentam variações quanto à resistência, e podem ser classificadas como: a) resistentes: EPAMIG 3, EPAMIG 4, PR 380/82, IAC 21, CS 50, Deltapine Acala 90; b) medianamente resistentes: CNPA Precoce 1, LAC 19, LAC 22 e LAC 20; e c) suscetíveis: Nu-15-79/117, CNPA Acala 1, IAPAR 4 PR-1.

Outro método de controle é o uso de sementes sadias. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo adotou, a partir de 1949, a prática de não aproveitar sementes oriundas de campos de cooperação com sintomas severos de ramulose, aceitando uma tolerância de 5% de plantas doentes nos campos de produção de sementes. Complementarmente, recomendam-se a rotação de culturas e a queima dos restos de cultura.

Nos estádios iniciais da ramulose tardia, recomendam-se ainda as seguintes medidas: 1) inspeção freqüente do campo para localização e erradicação das plantas-foco; 2) poda e eliminação das extremidades das plantas doentes nas adjacências do foco; 3) pulverização preventiva, com tiocarbamatos ou cúpricos, das plantas sadias adjacentes às partes erradicadas.
NEMATOSE - Meloidogyne incognita (Kofoid & White) Chitwood

O algodoeiro está sujeito ao ataque de várias espécies de nematóides que causam sérios prejuízos ao seu desenvolvimento e produção. No Estado de São Paulo, o problema aumentou em importância a partir de 1980, quando foram observadas determinadas áreas com forte incidência do patógeno. Além de provocar problemas isoladamente, os nematóides tornam-se mais importantes quando associados à murcha de Fusarium. Aliás, costuma-se dizer que estas doenças são provocadas pelo complexo Fusarium x nematóides.



Sintomas - Plantas de algodoeiro infectadas por nematóides, de maneira geral, apresentam-se menos desenvolvidas, devido às lesões provocadas no seu sistema radicular. E comum observar-se folhas mostrando mosqueado de coloração amarelada, algumas vezes avermelhada, em contraste com o verde normal da folha. Esse sintoma é conhecido como “carijó” (Prancha 6.5).

Etiologia - No Brasil, Meloidogyne incognita é o principal agente causal de nematose. No estudo da reação de algodoeiros a nematóides e Fusarium oxysporum, isolados ou conjuntamente, observou-se que materiais com alta resistência a nematóides nem sempre são altamente resistentes a Fusarium. Existem materiais que são resistentes quando os patógenos estão isolados, mas suscetíveis quando em presença dos dois. Há outros ainda que são suscetíveis ao nematóide e resistentes a Fusarium e alguns resistentes aos dois patógenos tanto isolados como juntos.

Com respeito a raças fisiológicas, foi identificada com maior predominância a raça 3 de M. incognita nos Estados de São Paulo, Paraná e Goiás e a raça 1 em algumas localidades do Paraná. Além de M. incognita, ocorrem outros nematóides no algodoeiro, causando sérios problemas como Rotylenchulus reniformis, Pratylenchus brachyurus, Helicotylenchus, etc.



Controle - Entre os métodos de controle conhecidos, o mais prático e eficiente é o uso de variedades resistentes. Em muitos casos, recomendam-se ainda a aplicação de nematicidas e rotação de culturas. No tocante a variedades resistentes, o programa de melhoramento tornou-se importante a partir de 1982, quando foi verificado que a variedade IAC 17 apresentava problemas quando plantada em áreas onde ocorria alta infestação de nematóides, isoladamente. Com o lançamento das variedades IAC 19 e 20 naquele período, o problema dos nematóides foi relativamente resolvido, tanto é que IAC 20 está sendo cultivada atualmente. Em 1993 e 1994 foram obtidas e lançadas pelo Instituto Agronômico de Campinas duas novas variedades, respectivamente IAC 21 e 22, que apresentam ótimo nível para resistência a nematóides, aliado a boas características tecnológicas de fibra e produção. Variedades obtidas em outros órgãos de pesquisas têm mostrado resistência intermediária (IAPAR 71-PR3) e baixa (CNPA Precoce 1 e 2, IAPAR 45 PR-2, CNPA Acala 1, CNPA 7H, Deltapine Acala 90 e CS 50).

Recomenda-se sempre a rotação de culturas, mesmo para solos onde não ocorram nematóides. Ao utilizar rotação com culturas anuais, deve-se tomar cuidado na escolha da cultura, dando preferência a variedades resistentes ou que não sejam hospedeiras dos nematóides que ocorrem no algodoeiro. Uma boa rotação pode ser feita com Crotalaria spp. O uso de mucuna preta, mucuna preta e milho, mamoneira, amendoim e soja (resistente) tem apresentado bons resultados, mesmo em solo onde ocorre o complexo Fusarium x nematóides.


BRONZEAMENTO ou MURCHAMENTO AVERMELHADO

No ano agrícola de 1993/94 numerosos algodoais no Estado de São Paulo foram afetados por anormalidades referidas genericamente como “vermelhão”. Uma das causas reconhecidas foi o déficit hídrico e períodos prolongados com temperaturas anormalmente elevadas que ocorreram nos meses de novembro e dezembro, na maioria das regiões produtoras. Associados ou não a isso ocorreram também avermelhamentos de causas conhecidas habituais em nosso meio, como os provocados por broca-da­-raiz, percevejo castanho, virose (o verdadeiro “vermelhão”), nematóides, “murchas” causadas por fungos, deficiências nutricionais (nitrogênio, fósforo, potássio, magnésio), acidez, encharcamento, intoxicações por defensivos, solos compactados, etc. Nesses casos, com exceção da broca, do percevejo castanho e das “murchas”, não costuma ocorrer murchamento e, principalmente, morte das plantas.



Sintomas - As folhas mostram epinastia (dobradas para baixo, nas proximidades e paralelamente às duas nervuras maiores laterais) e coloração amarelada ou bronzeada, evoluindo ao vermelho. A cor avermelhada pode manifestar-se também nos pecíolos foliares e no caule das plantas. É comum também o murchamento intenso de algumas ou de todas as folhas, queda ou seca dos órgãos reprodutivos e, nos casos mais graves, secas ou morte completa das plantas, poucos dias após o aparecimento dos sintomas. Ao contato manual, percebe-se temperatura mais elevada das folhas afetadas, em relação às aparentemente normais, na mesma planta. Em casos mais severos, observa-se forte necrose das raízes, iniciando pelas pontas. A anormalidade pode ocorrer em plantas isoladas, em reboleiras ou em toda a gleba. Uma característica freqüente é a ocorrência em trechos de 0,5 a 1,0 m na extensão da linha de plantio, onde todas as plantas são afetadas, intercaladas com plantas normais. Finalmente, plantas afetadas podem rebrotar ou readquirir aparência normal, nos casos menos graves. Mesmo nesses casos, porém, foi observada queda de produtividade nas plantas, tanto maior quanto mais intensos os sintomas (nos casos mais severos, a queda atingiu quase 50%).

Etiologia - O agente causal desta doença ainda é desconhecido e várias possibilidades encontram-se sob investigação, embora haja pesquisadores aventando a possibilidade de tratar-se da bactéria Xylella fastidiosa.

Controle - As medidas de controle ainda não foram estudadas, mas sabe-se que das três variedades cultivadas no Estado de São Paulo (IAC 20, 21 e 22) a IAC 22 mostrou melhor comportamento frente a essa doença. Há, todavia, fonte de resistência em algumas linhagens ou variedades (Deltapine Acala 90, CNPA Acala 1, CS 50, IAC 22-340, Chaco 520, etc.).

OUTRAS DOENÇAS


Além das doenças já assinaladas, o algodoeiro está sujeito a outras doenças consideradas de importância secundária, embora isso não signifique que não possam vir a ser importantes num futuro próximo. Em casos isolados, essas doenças podem causar problemas relativamente sérios em determinado ano. Como exemplo, pode ser citada a ocorrência esporádica no município de Leme-SP, em 199 1/92 e em várias regiões produtoras em 1994/95, principalmente no Paraná, de intensa desfolha provocada pelo fungo Alternaria sp.

No Brasil, dentre as mais importantes doenças das folhas, excluídas as já assinaladas, podem ser destacadas as provocadas pelos fungos Alternaria tenuis Ness, (A. alternata), Ramularia areola Atk., Cerotelium desmium (Berk. e Br.) Arth, Cercospora gossypina Cke e Ascochyta gossypii Syd. Foram ainda relatados outros fungos que provocam manchas em folhas como Stemphylium spp., Phyllosticta gossypina Ell. & Mort., Sphaeroderma gossypina Atk., Oidium sp., Macrophomina sp. e Phomopsis sp. Em outros países foram mencionados ainda Rhizoctonia solani, Alternaria macrospora Zimm, Ovulariopsis gossypii e Phoma sp. Entre os fungos assinalados, os mais freqüentes no algodoeiro são Alternaria tenuis, Ramularia areola e Cercospora sp. e, no final do ciclo da planta, Cerotelium desmium.

A manifestação da mancha de Alternaria pode ocorrer nas plantas logo aos 20-30 dias de idade. No início, as folhas mostram áreas de coloração verde-claras e bordas indefinidas, evoluindo para coloração marrom e bordas bem definidas. Normalmente, observa-se nesta lesão anéis concêntricos de coloração escura, onde se encontram os esporos do fungo. Constatou-se que CNPA Precoce 1, variedade utilizada em várias regiões, principalmente onde ocorre o bicudo do algodoeiro, e as variedades IAPAR 3-PR1, LAPAR 71-PR3 e CS 50 mostraram alta suscetibilidade a Alternaria sp. Evidências de comprometimento da produção de até 29% foram verificadas pela comparação entre CNPA Precoce 1 (suscetível) e IAC 20.

O fungo Ramularia areola, causador da doença conhecida como ramularia, míldio, oídio, míldio areolado ou falso míldio ocorre, geralmente, em lavouras bem desenvolvidas, em lugares mais sombreados e úmidos. Nas folhas observam-se manchas angulosas de 1 a 4 mm, circunscritas pelas nervuras, de coloração branca ou amareladas e aspecto farináceo (pulverulento).

A incidência de Cerotelium desmium, agente da ferrugem nas folhas, ocorre geralmente na fase final do ciclo vegetativo. As plantas mostram folhas com pequenos pontos, de coloração vermelho-arroxeada, que com o decorrer do tempo liberam uma massa pulverulenta de esporos.

No tocante à infecção das maçãs, são vários os fungos que provocam podridões. Normalmente, o problema torna-se maior quando ocorrem períodos prolongados de chuva durante a formação das maçãs e na colheita. Esse fato foi observado no ano agrícola de 1990/91, na zona meridional, onde houve grande prejuízo durante a colheita, devido à podridão das maçãs, principalmente para o algodão que foi colhido à máquina. A podridão das maçãs é melhor detectada em lavouras mais densas e desenvolvidas. Maçãs afetadas não apresentam boa deiscência e o algodão colhido e a semente produzida são sempre de qualidade inferior.

A podridão das maçãs mais importante nas regiões da zona meridional é provocada pela interação de X. campestris pv. malvacearum e C. gossypii. No início dos sintomas observa-se na maçã uma lesão de forma arredondada ou irregular, de coloração verde e aspecto oleoso (X. campestris pv. malvacearum). Posteriormente, esta lesão torna-se deprimida e de coloração parda ou marrom, onde podem ser detectados esporos de C. gossypii. Além desses dois patógenos são relatados outros que provocam podridão nas maçãs no Brasil, como Peronospora gossypina Averna, Stilbum nanum (Masseé) f. sp. gossypina Averna, Verticillium sp., Fusarium sp., Cercospora gossypina Cooke, Nectria sp., Giberella gossypina Averna, Colletotrichum gossypinum Averna, Phyllosticta gossypina Ell. et Mart., Sphaeroderma gossypii Averna, Nematospora gossypii, Ovularia sp., Penicillium sp., Rhizopus, Cephalothecium roseum Cda., Alternaria sp., Botryodiplodia sp., Cladosporium sp., Rhizoctonia sp., Phomopsis sp., Phoma sp., Ascochyta sp., Diplodia sp., Neurospora sp., Monilia sp. e bactérias.

Considerando-se o ponto de vista econômico, a podridão das maçãs é a mais importante doença em vários países da África (República Central Africana, Uganda, etc.), principalmente quando provocada por X. campestris pv. malvacearum, Colletotrichum sp., Rhizopus sp., Aspergillus sp., Nigrospora sp. e Alternaria gossypina (Thum) Comb. Nok. Nesses países, no início dos sintomas, observa-se, geralmente, lesão de coloração marrom nas brácteas ou nas maçãs em formação. Ocorrendo boas condições de umidade essa lesão expande-se rapidamente, principalmente na base das maçãs. Posteriormente, observam-se lesões grandes, de coloração escura, podendo tomar toda a maçã.

Com respeito à mancha nas fibras, detectaram-se manchas provocada por fungos.

Esse problema cresce em importância quando a colheita do algodão é realizada em período chuvoso e o produto não é devidamente seco ou armazenado. Em condições boas de colheita (tempo seco com dias ensolarados) este problema não deve ocorrer. Estas manchas são provocadas principalmente pelos patógenos Aspergillus flavus Link., Aspergillus niger V. Tiegh, Rhizopus stolonifer (Ehr.ex.Fr.) Lind. e Nigrospora oryzae (Berk. & Br.) Petch.

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