Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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C. Kurozawa & M. A. Pavan



MOSAICO DO PIMENTÃO - “Potato virus Y” - PVY

O mosaico do pimentão está entre as viroses mais importantes. O vírus impede o plantio de pimentões suscetíveis no Centro-Sul do país. Sua incidência é mais acentuada no período em que a temperatura oscila entre 18-220C, quando a proliferação do vetor é abundante.



Sintomas - O mosaico causa uma redução acentuada no porte das plantas de pimentão e pimenta. Nas folhas, provoca redução da área foliar, enrugamento e mosaico severo (Prancha 62.1). Às vezes, pode aparecer também mosaico do tipo faixa das nervuras. Plantas doentes exibem enfezamento variável com a idade, mas tendem sempre a ter crescimento retardado e frutificação reduzida. Frutos são deformados, pequenos e manchados. Variedades tolerantes de pimentão e de pimenta apresentam sintomas de mosaico fraco muitas vezes imperceptíveis.

Etiologia - PVY pertence ao gênero Potyvirus. Caracteriza-se por partículas alongadas, flexuosas, medindo cerca de 760 nm. Não foi, até o momento, constatada sua transmissão por semente. No campo, é transmitido por afídeos, principalmente Myzus persicae, de maneira não-persistente.

Isolados de PVY que infetam o pimentão são classificados em dois grupos (Yn e YW) e estes ainda subdivididos em estirpes. A diferenciação entre grupos baseia-se em sintomas induzidos em tomate Santa Cruz, espécies e cultivares de Capsicum, fumo (Nicotiana tabacum L.) e em Nicandria physaloides. O grupo N causa lesões locais, pequenas e numerosas, em folhas inoculadas de N. physaloides. Sob condições naturais, não afeta tomateiro e batateira e não tem sido detectado com freqüência em pimentão. O grupo w é o principal, capaz de causar murcha em plantas de N. tabacum Turkish, sendo também responsável pela importante virose do tomateiro conhecida por “risca do tomateiro”. Pertencem a este grupo as estirpes Y”’, que prevaleceu na década de 1950, yf, que surgiu no inicio da década de 1960, e Y’t que é mais virulenta e quebrou a resistência dos cultivares Agronômico 4 e Agronômico 8. Recentemente, foi encontrada uma estirpe capaz de causar mosaico em plantas de pimentão Agronômico 10 G e de pimenteira P-11 (PL 264281).



Controle - O método de controle deve ser preventivo, evitando a entrada do vírus na cultura, através da fuga ou eliminação de possíveis fontes do vírus ou do vetor, O controle do pulgão obriga a aplicação de medidas simultâneas, as quais são citadas no capítulo de doenças do tomateiro (“risca do tomateiro”).

O uso de variedades resistentes é um método eficiente de controle. Dentre as fontes de resistência já relatadas, algumas foram utilizadas em programas de melhoramento, tais como PI 264281, SC 46252, Agronômico 8, AC 2121 e “Todo Ano”. Assim, surgiram os cultivares IKEDA, Avelar, Agronômico 10 G e seus derivados, como Magda, Margareth, Sul-Brasil, Ubatuba, Casca Dura Nadia, Casca Dura Nara e Híbrido Maíra. Com isto, o nível de infecção tem sido mantido abaixo de 5 %. Contudo, a resistência de pimentão a PVY não se tem mostrado durável. A ocorrência de diversas estirpes do patógeno é apontada como a causa da quebra da resistência de alguns cultivares. Em pimenta, o cultivar Verde Agronômico 11 apresenta resistência a algumas estirpes de PVY. -


VIRA-CABEÇA - Tospovirus

Embora seja mais importante na cultura do tomateiro, alguns casos de perdas significativas em pimentão têm sido constatados, principalmente nos plantios de novembro a fevereiro, no Estado de São Paulo.



Sintomas - A planta apresenta sintomas cerca de duas a três semanas após a infecção. Sintomas característicos compreendem clorose no topo (Prancha 62.2) e forte necrose nas folhas, hastes e frutos, freqüentemente com anéis concêntricos. Há uma paralisação do crescimento da planta e frutos com manchas necróticas perdem seu valor comercial.

Etiologia - O agente causal do vira-cabeça pertence ao gênero Tospovirus, família Bunyaviridae. Recentemente, três espécies de vírus pertencentes a este gênero foram encontrados em pimentão no Brasil: “Tomato spotted wilt virus” (TSWV), “Groundnut ring spot virus” (GRSV) e “Tomato chlorotic spot virus” (TCSV).

Vírus pertencentes ao gênero Tospovirus são transmitidos exclusivamente por tripes de maneira persistente. Das espécies reportadas, a mais importante pela sua ocorrência no Estado de São Paulo é Frankliniella schultzei. Recentemente, foram relatadas as espécies E occidentalis e Thrips palmi associadas a pimentão e outras solanáceas. Estas espécies são as principais vetoras do vírus em outros países. São polífagas, apresentam alta taxa reprodutiva e baixa sensibilidade a um grande número de inseticidas comerciais. Também são caracterizadas como importantes pragas em casa-de-vegetação. As fontes de inóculo podem ser plantas daninhas (beldroega, emilia, etc.) e plantas cultivadas e ornamentais. Demais informações são apresentadas no capítulo referente a doenças do tomateiro.



Controle - Como medida de controle, recomenda-se instalar o viveiro e a cultura em locais distantes de plantas hospedeiras do vírus e dos vetores. Na fase de canteiro, pode-se aplicar inseticidas sistêmicos. Não se conhecem ainda variedades de pimentão ou pimenta resistentes aos Tospovirus. Encontra-se fonte de resistência em populações de Capsicum. Para outras medidas vide a doença do “vira-cabeça” do tomateiro.
ANEL DO PIMENTÃO - “Pepper ringspot virus” - PepRSV

A ocorrência do vírus de anel do pimentão é bastante rara, sendo pouco disseminado nas regiões produtoras.



Sintomas - Sintomas são bem característicos, consistindo num mosaico amarelo, com pequenos anéis e desenhos de contornos sinuosos, de coloração verde e branca, sem causar deformação (Prancha 62.3). Frutos tornam-se menores e raramente observam-se manchas anulares amarelas.

Etiologia - PepRSV pertence ao gênero Tobravirus. Apresenta partículas baciliformes rígidas com 21 a 23 nm de diâmetro e comprimento bimodal, as mais longas medindo 185-195 nm e as curtas 45-115 nm. São reconhecidas três espécies deste gênero: “Pea early-browning virus” (PEBV), “Pepper ringspot virus” (PepRSV) e “Tobacco rattle virus” (TRV). Isolados do vírus do anel do pimentão foram, por muito tempo, denominados como estirpes ou sorotipos III de TRV. Recentes testes de hibridação de RNA revelaram pequena ou nenhuma homologia na seqüência de ácido nucléico com os isolados de PEBV e TRV. Justifica-se assim a separação do vírus do anel do pimentão como espécie distinta desse gênero, com a denominação de “Pepper ringspot virus”, primeiramente relatado em pimentão no Estado de São Paulo.

PepRSV é transmitido por nematóides do gênero Trichodorus. Há possibilidade de transmissão pela semente, uma vez que partículas do vírus são encontradas em grãos de pólen. Tem como hospedeiras, diversas plantas cultivadas ou não, como alcachofra, batateira, tomateiro, Columnea sp. e patchuli.

Na detecção do vírus, a planta diferenciadora Chenopodium quinoa mostra-se bastante sensível para baixas concentrações do vírus. N. tabacum “TNN” é excelente hospedeira para multiplicar o vírus.

Controle - Recomenda-se à utilização de sementes livres de vírus e plantio em solos livres de nematóides.
MANCHA BACTERIANA - Xanthomonas campestris pv. vesicatoria (Doidge) Dye et al.

A mancha bacteriana é a principal doença bacteriana do pimentão em regiões ou épocas com alta umidade e temperatura na faixa de 25-280C. No Brasil, nas Regiões Sudeste e Sul, ocorre alta incidência da doença em pimentão durante o verão, principalmente porque chove muito e as variedades e híbridos mais plantados são suscetíveis. Em berinjela, jiló e pimenta a doença não é importante.



Sintomas - Plantas podem ser afetadas pela bactéria em quaisquer estádios de desenvolvimento e todos os órgãos aéreos são suscetíveis. Quando a incidência dá-se em muda no canteiro, provoca a queda dos cotilédones e das folhas, retardando seu crescimento. Mesmo assim, as mudas, quando transplantadas ao local definitivo, podem se recuperar, desde que as folhas não fiquem molhadas com água da chuva, de irrigação ou ainda de orvalho. Entretanto, se as condições ambientais forem de alta umidade com chuvas freqüentes, o patógeno pode provocar queda das folhas e flores e Lesões necróticas nos frutos e caule.

Sintomas iniciais nas folhas são pequenas manchas circulares ou irregulares, de tecido encharcado e bem definidas na face inferior das folhas, que depois passam para cor parda a cinza com bordos mais escuros. Freqüentemente, verifica-se sintomas de necrose ao longo do limbo foliar devido à penetração da bactéria através dos hidatódios. Em geral, as folhas caem facilmente quando apresentam algumas manchas. Frutos também são afetados pela bactéria e os sintomas iniciais surgem em forma de pequenas áreas encharcadas, seguidas de lesões esbranquiçadas e deprimidas, de bordos irregulares e halo pardo-escuro. A bactéria pode colonizar toda a espessura do fruto, atingir as sementes e contaminá-las, além de favorecer o apodrecimento dos frutos por Erwinia ou outros microrganismos secundários.



Etiologia - Xanthomonas campestris pv. vesicatoria é uma bactéria gram­negativa, baciliforme, móvel por meio de um flagelo polar, que forma colônia amarela lisa em meio de nutriente-ágar. A bactéria sobrevive em restos de cultura, sementes contaminadas ou infectadas e principalmente como epífita em outras solanáceas. A disseminação a longas distâncias ocorre através de sementes contaminadas ou infectadas. Numa cultura, a água da chuva e/ou de irrigação, associada ao vento, é a principal responsável por sua disseminação. Partículas de solo contaminadas Levadas pelo vento também constituem-se importantes meios de disseminação da bactéria na cultura e entre culturas próximas, além de provocarem ferimentos nos órgãos aéreos das plantas. Outra forma de introdução da bactéria em áreas não contaminadas é através de mudas infectadas.

Condições favoráveis ao desenvolvimento da doença são alta umidade e temperatura na faixa de 25-280C. Não é raro constatar folhas apresentando encharcamento na face inferior algumas horas após chuva pesada. Este fato ocorre porque a bactéria já havia penetrado pelos estômatos e colonizado o tecido, mas não o suficiente para provocar a necrose do tecido por falta de umidade.

A bactéria apresenta variação quanto à patogenicidade em relação aos hospedeiros da família Solanaceae. Sabe-se que ocorrem grupos que afetam: tomateiro e pimentão; somente pimentão; somente tomateiro; somente berinjela.

Controle - São recomendadas medidas de controle para pimentão, pois para as demais solanáceas tratadas neste capítulo, a mancha bacteriana não tem importância econômica. Recomendam-se: a) utilização de sementes sadias; b) rotação de culturas com não solanáceas por 2 a 3 anos; c) utilização de genótipos de pimentão mais resistentes, tais como CNPH- 183, 187 e 703, como fonte de resistência nos programas de melhoramento; d) plantio em locais não sujeitos a cerração ou muito orvalho em épocas de temperaturas amenas e pouco chuvosas; e) plantio em ambiente protegido (plasticultura) em épocas quentes e chuvosas; as pulverização periódica com fungicida a base de cobre.
ANTRACNOSE - Glomerella cingulata (Ston.) Spauld et Schr. (Colletotrichum gloeosporioides Penz)

Esta doença é uma das mais importantes doenças fúngicas em condições de clima ameno a quente e alta umidade. Em locais com alta concentração de inóculo e em épocas chuvosas, a doença pode afetar 100% dos frutos em pouco tempo.



Sintomas - O fungo ataca todos os órgãos da parte aérea, mas somente os frutos exibem sintomas típicos. Nestes, manifestam-se em forma de depressão circular de diâmetro variável. Sob condições de ambiente úmido, aparecem cirros na parte deprimida, que são massas de conídios de cor rosada, produzidos em acérvulos (Prancha 62.4). Em folhas e ramos, sintomas manifestam-se em forma de pequenas lesões necróticas de contornos circulares a alongados.

Etiologia - Colletotrichum gloeosporioides é um fungo da sub-divisão Deuteromycotina, ordem Melanconiales e família Melanconiaceae. O fungo produz conídios unicelulares, hialinos, ovóides, em acérvulos. A fase perfeita do fungo é Glomerella cingulata. Conídios só são liberados dos cirros na presença de um filme de água, devido à presença de substância mucilaginosa que aglutina os conídios e inibe sua germinação. Conídios são facilmente disseminados pela água da chuva e ventos dentro e entre culturas. Sementes podem se constituir numa importante fonte de inóculo responsável pela introdução do fungo em áreas indenes.

Estudos recentes têm mostrado que o fungo apresenta especialização por cultura dentro das solanáceas. Assim, Colletotrichum que ataca o pimentão não apresenta agressividade ao jiló. Dados dessa natureza indicam a necessidade de estudos detalhados com grande número de isolados do fungo, pois podem trazer importantes subsídios aos melhoristas.



Controle - As medidas de controle recomendadas são: a) utilização de sementes sadias; b) rotação de culturas, evitando-se o plantio de outras solanáceas; c) aplicação de fungicidas sistêmicos (tiofanato metílico e outros) ou não-sistêmicos (mancozeb, chlorothalonil e outros); d) proteção da cultura (plasticultura) no período chuvoso e manejo ambiental adequado, evitando alta umidade.
REQUEIMA DO PIMENTÃO - Phytophthora capsici Leonian

Em pimentão, esta é uma doença altamente destrutiva em condições de alta umidade do ar e solo. O prejuízo é elevado porque o patógeno ataca a região do colo e as raízes, provocando murcha e morte das plantas em poucos dias. As variedades e híbridos mais plantados hoje são suscetíveis a esta doença.



Sintomas - O fungo ataca plantas em quaisquer estádios de desenvolvimento. Em plantas adultas, provoca podridão do colo e das raízes, provocando murcha de toda a parte aérea e morte. Em condições de alta umidade, o fungo pode causar necrose com rápido desenvolvimento em folhas, frutos e hastes. Em todos os tecidos colonizados, o fungo apresenta um desenvolvimento esbranquiçado, cotonoso, constituído de esporangióforos e esporângios. Lesões são bem delimitadas, observando-se nítida separação entre tecido doente e sadio.

Etiologia - Phytophthora capsici afeta diversas outras plantas, entre as quais abóbora, melão, melancia, cenoura, mandioca, berinjela e tomateiro. Condições que favorecem a doença são alta umidade com chuva, temperatura elevada entre 25-300C e locais pouco ventilados.

Em relação a fontes de resistência, diversos pesquisadores do Brasil vêm desenvolvendo trabalhos para a obtenção de cultivares e/ou híbridos resistentes, mas até o momento, não há nenhum comercialmente disponível.



Controle - Medidas de controle recomendadas são: a) evitar plantio em áreas onde já tenha sido constatada a doença; b) fazer rotação de culturas com gramíneas; c) evitar solos pesados, argilosos, de difícil drenagem ; d) utilizar sementes sadias tratadas com fungicidas; e) arrancar plantas doentes e aplicar fungicidas sistêmicos ou protetores recomendados na região do colo das plantas vizinhas.
SECA DOS RAMOS EM BERINJELA - Ascochyta phaseolorum Saccardo

Esta é uma doença bastante comum no Estado de São Paulo, principalmente no período mais fresco do ano, quando pode destruir toda uma plantação, a partir do estádio de frutificação. Sintomas desta doença podem ser confundidos com aqueles causados por Phomopsis vexans. Além da berinjela, o fungo pode atacar pimentão, jiló, tomateiro, feijoeiro, algodoeiro, feijão-vagem e outras.



Sintomas - O fungo ataca qualquer órgão aéreo da berinjela, mas verifica-se maior incidência na parte nova das hastes, na forma de áreas necróticas que acabam circundando o caule e provocando a murcha e secamento da parte acima dessa região. Nos tecidos necrosados mais velhos, constata-se grande quantidade de picnídios, na forma de pontos escuros. Quando a incidência ocorre na região do colo, há murcha e seca da planta. Nos frutos, o fungo geralmente penetra a partir da região peduncular, junto às sépalas, provocando necrose escura, enrugamento e secamento dos frutos. Assim como nas hastes, nos tecidos de frutos afetados verifica-se grande quantidade de picnídios. Nas folhas, sintomas em forma de manchas necróticas, contendo ou não círculos concêntricos, podem ser confundidos com manchas cansadas por Alternaria.

Etiologia - Ascochyta phaseolorum é um fungo da sub-divisão Deuteromycotina, ordem Sphaeropsidales e família Sphaeropsidaceae. O fungo cresce facilmente em meio de cultura BDA e forma micélio de coloração que pode variar de cinza a cinza-escuro. A faixa de temperatura ótima para esporulação está entre 21-240C.

A disseminação do fungo é feita a grande distância através de sementes contaminadas e dentro e entre culturas através da água da chuva e vento. O homem e implementos agrícolas também podem disseminá-lo dentro da cultura.



Controle - Medidas de controle compreendem: a) plantio em locais arejados; b) destruição de restos de cultura e utilização de sementes certificadas ou provenientes de culturas sadias; c) rotação de culturas com gramíneas; d) eliminação, logo no início, de plantas com sintomas ou poda das hastes doentes seguidas de pulverizações preventivas com fungicidas protetores como mancozeb, chlorothalonil e outros.
MURCHA DE VERTICILLIUM - Verticillium dahliae Kleb

A murcha de Verticillium é uma das mais importantes doenças da berinjela e do jiló. O fungo é polífago e permanece por muitos anos no solo. Isso faz com que o produtor abandone áreas infestadas.



Sintomas - Sintomas externos são bem visíveis nas folhas, onde se constata murcha e amarelecimento do tecido do limbo, a partir do seu bordo, em forma de V com o vértice voltado para a nervura principal, seguido de necrose do tecido. Como o fungo penetra pelas raízes e depois coloniza o xilema das plantas no sentido ascendente, os primeiros sintomas surgem nas folhas mais velhas. Ao examinar a região vascular, seja da haste ou do pecíolo, constata-se alteração na cor para marrom a preta. O fungo, via colonização vascular, pode atingir o interior dos frutos e também as sementes. Outra característica de fungos do solo é a ocorrência de plantas doentes em forma de reboleiras se, por ocasião do plantio, o patógeno ainda não estiver distribuído em toda área.

Etiologia - Verticillium dahliae é um fungo da sub-divisão Deuteromycotina, ordem Moniliales e família Moniliaceae. O fungo produz nos bordos das colônias, em meio de cultura, ramificações verticiladas, formando, no geral, três conidióforos a partir do mesmo ponto, em cujas extremidades são formados conídios unicelulares hialinos. Nos micélios mais velhos, são formados clamidósporos e microescleródios de cor marrom-escura a preta. Nestas condições, o fungo pode permanecer vivo por muitos anos, mesmo na ausência do hospedeiro. Em condições de campo, o inóculo no solo mantém-se indefinidamente porque o fungo tem muitos hospedeiros não só solanáceas como também plantas cultivadas e ervas daninhas de outras famílias, tais como: beldroega, guanxuma, joá, maria-pretinha, datura, morangueiro, algodoeiro, quiabeiro, feijoeiro, tomateiro, abacateiro, mangueira, amendoim e outras. A doença é favorecida por temperaturas entre 22-260C. Umidade não é fator limitante, pois as condições de umidade do solo favoráveis às plantas também as são para o fungo. O patógeno penetra diretamente pelas raízes ou pelos ferimentos, colonizando o xilema das plantas.

No tomateiro, já foram constatadas pelo menos duas raças de Verticillium, mas em berinjela e em outras solanáceas, estudos são escassos, principalmente devido à existência de poucos materiais resistentes.



Controle - Na ausência de variedades e/ou híbridos resistentes, somente medidas preventivas de controle são eficientes para esta doença. Estas são: a) utilização de sementes certificadas; b) evitar plantio em solos onde foi constatada a doença ou áreas onde já foi plantado tomateiro, algodoeiro, amendoim ou quiabeiro; c) destruição de restos de cultura.
OUTRAS DOENÇAS

Amarelo do Pimentão - “Tomato curly top virus” - TCTV. Plantas infectadas apresentam enfezamento, espessamento das nervuras foliares, curvamento do limbo para cima e coloração amarelada. Frutos são achatados e reduzidos em tamanho. O vírus é transmitido pela cigarrinha Agallia albidula. O carrapicho-de-carneiro é o principal reservatório do vírus.

Mosaico Comum do Fumo - “Tobacco mosaic virus” - TMV. Os sintomas de mosqueado, afilamento das folhas e deformação dos frutos são bastante semelhantes aos causados por PVY e pelo vírus do mosaico do pepino. As fontes de inóculo podem ser sementes, cigarros-de-palha, restos de cultura e ferramentas. O uso de sementes livres de vírus e medidas profiláticas em campo durante tratos culturais podem reduzir a incidência do vírus.

Mosaico do Pepino - “Cucumber mosaic virus” - CMV. O vírus possui partículas isométricas de 30 nm, vasto círculo de hospedeiras e transmissão através do pulgão de maneira não-persistente. É uma virose importante em países de clima temperado. No Brasil é raro mesmo em cucurbitáceas. Sintomas são semelhantes aos causados por PVY e TMV.

Viroses da Berinjela e Jiló-Viroses destas plantas são pouco estudadas. No Brasil, em berinjela, foi relatado o vírus do mosaico da berinjela (“Andean Potato Mottle Virus” - APMoV), que pertence ao gênero Comovirus. O vírus apresenta morfologia isométrica com diâmetro entre 26 - 28 nm, constituído de dois componentes protéicos principais e genoma bipartido. O APMoV é restrito a solanáceas. Sintomas variam de mosqueado leve a severo nas folhas. Plantas infectadas podem se recuperar. Nas épocas de temperatura elevada o sintoma é imperceptível. O vírus do mosaico da berinjela é transmitido pelo besouro Diabrotica speciosa. Quatro estirpes são conhecidas: B, C, H e Lm. No Estado de São Paulo, somente a B foi registrada. Recentemente, no Estado do Rio de Janeiro, detectou-se a estirpe C.

Murcha Bacteriana ou Murchadeira - Pseudomonas solanacearum Smith. Pseudomonas solanacearum tem uma ampla gama de hospedeiros, mas existem relatos da ocorrência de formas especiais que afetam grupos de hospedeiros. Em geral, para berinjela, jiló, pimentão e pimenta, a bactéria não causa grandes prejuízos como no tomateiro e na batateira. Entretanto, há relatos de destruição das culturas, a ponto de limitar plantios em algumas áreas. Além da murcha das plantas, a bactéria provoca mais comumente necrose das raízes e escurecimento vascular próximo à região do colo. Quando se examina essa região, constata-se exsudação bacteriana. A bactéria é baciliforme, gram-negativa, móvel por um tufo de flagelos polares. No meio de nutriente ágar, forma colônias esbranquiçadas a creme-claras com bordos lisos. Em berinjela, entre os materiais com níveis elevados de resistência estão ‘P12’, ‘Nantou Nasu’, ‘Dingaras’, ‘Multiple Purple’, ‘Pl 8’ e ‘CNPH- 17’. Estes genótipos são indicados como fonte de resistência nos programas de melhoramento. Destes, somente ‘Nantou Nasu’ apresenta boas características agronômicas.

Podridão Mole e Canela Preta - Erwinia carotovora subsp. carotovora (Jones) Bergey et al.; E. c. subsp. atroseptica (Van Hall) Dye e E. chrysanthemi Burkholder et al. As bactérias afetam mais as plantas de pimentão, ocasionando podridão dos frutos e da haste. Na haste, causam desintegração aquosa da medula e, externamente, verifica-se necrose com aspecto encharcado da casca e exalação de cheiro fétido. Os frutos também são desintegrados por uma podridão mole. A penetração das bactérias ocorre principalmente através de ferimentos. As condições que predispõem à ocorrência da podridão mole são adubação desequilibrada (principalmente com nitrogênio), ferimentos, alta temperatura e umidade. Maiores detalhes são apresentados nos capítulos de doenças do tomateiro e da batateira.

Oídio - Oidium sp. e Oidiopsis sicula. Oidium sp. ocorre em berinjela e jiló, caracterizado por amarelecimento e crescimento branco pulverulento na superfície das folhas afetadas. Não é uma doença muito importante e maiores detalhes sobre o patógeno podem ser encontrados no capítulo sobre doenças das cucurbitáceas. Oidiopsis sicula causa uma doença também conhecida como oídio, mas é bem diferente, tanto nos sintomas como no formato dos conídios. O fungo ataca pimentão e tem sido constatado com muita freqüência em plasticultura no Estado de São Paulo, a partir de 1994. Sintomas iniciais na parte superior das folhas são pequenas áreas cloróticas com bordos irregulares que vão aumentando de tamanho, podendo atingir alguns centímetros de diâmetro. Na face inferior correspondente verifica-se um crescimento pulverulento esbranquiçado não muito denso (Prancha 62.5). Em ataques severos surgem pequenas áreas necróticas que, ao coalescerem, acarretam queda das folhas. O fungo ataca principalmente folhas já desenvolvidas e não tem sido verificado afetando ramos e frutos. Conídios não-catenulados são formados em conidióforos longos e têm formato bojudo e afilados na extremidade. São unicelulares, hialinos e de parede lisa.

Podridão Algodão - Pythium spp. e Phytophthora spp. Frutos de berinjela podem ser afetados pelos fungos Pythium miriatylum Drechsler e Pythium vexans De Bary, que causam podridões moles, deprimidas e profundas, com rápida colonização do tecido que toma-se pardo. No caso de Pythium, pode ser observado, em ambiente úmido, micélio aéreo branco, abundante, de aspecto cotonoso. No caso de Phytophthora, os sintomas são semelhantes, mas não ocorre formação de micélio branco abundante. Frutos de pimentão, pimenta e jiló também estão sujeitos ao ataque desses fungos, principalmente quando estão próximos ao solo. Condições que favorecem a ocorrência dessas doenças são alta umidade com má ventilação, terreno mal drenado e temperatura elevada. Para o controle, além das citadas para a requeima do pimentão, deve-se evitar locais com má ventilação, solos pesados e mal drenados.

Podridão de Sclerotinia - Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) De Bary. O patógeno pode afetar qualquer parte da planta em quaisquer estádios de desenvolvimento, sendo comum em plantas bem desenvolvidas. Geralmente, o patógeno provoca necrose do caule, murcha e seca. O tecido necrosado apresenta cor cinza a cinza-clara com a presença de micélio branco superficial, podendo ou não conter escleródios que são estruturas pretas de consistência coriácea. Escleródios são formados no interior do caule. Maiores detalhes podem ser encontrados no capítulo de doenças do tomateiro.

Ferrugem do Pimentão e Pimentas - Puccinia pampeana Spegazzini (sin. Puccinia capsici Mayor; Puccinia paulensis Rangel; Puccinia capsicola Kern & Thurston; Puccinia gonzalezii Mayor). É uma doença importante, principalmente em períodos úmidos e quentes do ano, quando ataca todos os órgãos aéreos jovens. Ramos, folhas, botões florais e frutos sofrem hipertrofia, encarquilhamento, fasciação e superbrotamento. Na parte aérea formam-se pústulas cheias de uredósporos amarelos a pardo-claros ou teliósporos escuros. Uredósporos são unicelulares e equinados, enquanto que os teliósporos são bicelulares, lisos e pedicelados. O fungo completa seu ciclo em pimentas.

Mancha de Alternaria - Alternaria solani (Ell. & Martin) Jones & Grout. Sintomas de mancha de Alternaria em berinjela e jiló são lesões necróticas de cor parda, com zonas concêntricas, ocorrendo mais em folhas velhas. O fungo produz conídios grandes, muriformes, multicelulares, com septos transversais e longitudinais, afilados numa das extremidades e contêm um apêndice. A doença não é preocupante.

Mancha de Cercospora ou Cercosporiose - Cercospora melangena Welles. A doença provoca manchas necróticas na folhas de berinjela, pimentão e pimentas. Sintomas em pimentão e pimenta são manchas circulares, pardas, de centro cinza-claro, com frutificações na forma de pequenos pontos escuros e numerosos filamentos esbranquiçados. Os pontos escuros são estromas, sobre os quais são formados conidióforos e conídios filiformes, hialinos, multicelulares, com septos transversais. Nas épocas de alta umidade e calor, a doença pode causar desfolha e perda de vigor das plantas de pimentão e pimentas.

Mancha de Stemphylium - Stemphylium solani Weber. Em pimentão e jiló, os sintomas da doença são lesões necróticas, irregulares, pardas, de centro mais claro, podendo ou não romper a parte central do tecido necrosado. A diagnose sem um exame mais acurado em laboratório não é fácil, pois os sintomas podem ser confundidos com os de manchas de Alternaria, Phoma, Ascochyta e Phomopsis. Ao microscópio, conídios de Stemphylium são coloridos, muriformes, multicelulares, com septos transversais e longitudinais. Ambas as extremidades são rombudas e a região equatorial apresenta uma leve constrição. Em geral, as medidas de controle recomendadas para outras doenças são suficientes para o controle desta doença.

Mofo Cinzento - Botrytis cinerea Fr. Em geral, este fungo afeta primeiramente restos florais, podendo atingir frutos e outras partes das plantas. Para que o fungo colonize hastes ou folhas é necessário que as condições climáticas sejam de alta umidade e temperatura em torno de 200C.

Podridão de Phomopsis - Phomopsis vexans Gratz. Esta doença é considerada uma das mais importantes para a berinjela em diversas partes do mundo, mas pouco se sabe sobre sua importância no Brasil. Sintomas são semelhantes aos causados por Ascochyta. Entretanto, apesar de ambos formarem picnídios, Ascochyta produz conídios bicelulares hialinos, enquanto que Phomopsis produz conídios unicelulares e hialinos e também um outro tipo de esporo unicelular, curvo, filiforme, denominado estilosporo.

Damping-off” e Podridões de Colo e Raízes - Diversos patógenos podem provocar “damping-off’ e podridões de colo e raízes em pimentão, berinjela, jiló e pimentas, destacando-se: Phytophthora capsici Leonian, Rhizoctonia solani Kühn, Pythium spp., Alternaria solani (Ell. & Martin) Jones & Grout, Colletotrichum spp., Phomopsis vexans Gratz, Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) De Bary e Sclerotium rolfsii Sacc. As condições ambientais favoráveis à ocorrência da doença, os sintomas, a etiologia e o controle constam no capítulo sobre as doenças do tomateiro.

Nematóides - Em pimentão, berinjela, jiló e pimentas já foi constatada a ocorrência de nematóides do gênero Meloidogyne e Pratylenchus. Assim como fungos do solo, nematóides tendem a ser cada vez mais importantes à medida que se faz o plantio intensivo na mesma área. Em condições de plasticultura, caso não sejam tomadas medidas preventivas de controle, pode ser um problema limitante para o cultivo se não existirem variedades e/ou híbridos e/ou porta-enxertos resistentes.
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DOENÇAS DO SORGO

(Sorghum bicolor (L.) Moench)

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