Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas



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Estádio Descrição


I. Fase Vegetativa

VC Emergência a cotilédones abertos

V1 Primeiro nó; folhas unifolioladas abertas

V2 Segundo nó; primeiro trifólio aberto

V3 Terceiro nó; segundo trifólio aberto

Vn Último nó com trifólio aberto, antes da floração



II. Fase Reprodutiva

R1 Início da floração: até 50% das plantas com uma flor

R2 Floração plena: maioria dos racemos com flores abertas

R3 Final da floração: vagens com até 1,5 cm

R4 Maioria das vagens no terço superior com 2-4 cm

R5.1 Grãos perceptíveis ao tato a 10% da granação

R5.2 Maioria das vagens com granação de l0%-25%

R5.3 Maioria das vagens entre 25% e 50% de granação

R5.4 Maioria das vagens entre 50% e 75% de granação

R5.5 Maioria das vagens entre 75% e 100% de granação

R6 Vagens com granação de 100% e folhas verdes

R7.1 Início a 50% de amarelecimento de folhas e vagens

R7.2 Entre 50% e 75% de folhas e vagens amarelas

R7.3 Mais de 75% de folhas e vagens amarelas

R8.1 Início a 50% de desfolha

R8.2 Mais de 50% de desfolha à pré-colheita

R9 Ponto de maturação de colheita


1 Adaptado de Ritchie et al. 1982


Controle - O controle mais eficiente e econômico é o uso de variedades resistentes. O controle químico pode ser realizado com apenas duas aplicações de fungicidas: a primeira quando houver 5 a 10 manchas nas folhas mais afetadas e a segunda, se necessária, entre 10 e 15 dias após. A mistura de um fungicida sistêmico (benomyl, carbendazim ou tiofanato metílico) com um de contato (mancozeb ou clorotalonil) é recomendada. O tratamento de sementes, de forma sistemática com thiabendazol ou mistura de thiabendazol + thiram, é fundamental para evitar a introdução do fungo C. sojina onde o mesmo não esteja presente.
MANCHA PARDA OU SEPTORIOSE - Mycosphaerella uspenskajae Mashk. & Tomil (Septoria glycines Hemmi)

A mancha parda é a doença mais amplamente disseminada no País, podendo causar severa redução de rendimento.



Sintomas - Os primeiros sintomas, provenientes de infecção na semente, aparecem cerca de duas semanas após a emergência, como pequenas manchas de contornos angulares, castanho-avermelhadas, nas folhas unifolioladas. Sob situações favoráveis, a doença pode atingir os primeiros trifolíolos e causar severa desfolha em plantas de até 35-40 dias, após este período, as plantas se recuperam. Um novo surto da doença ocorre ao final do enchimento das vagens, após o estádio R6. Nas folhas verdes, surgem pontuações pardas, menores que 1 mm de diâmetro, que evoluem e formam manchas com halos amarelados, de coloração parda na página superior e rosada na página inferior, medindo de 1 a 3 mm de diâmetro (Prancha 61.6). Em infecções severas, causa desfolha e maturação prematura, com conseqüente redução do rendimento.

Controle - Adotar rotineiramente a rotação/sucessão de cultura, adubação equilibrada, com ênfase no potássio, e aplicação de fungicida na parte aérea, no estádio R5.4/R5.5. O tratamento de sementes com fungicida evita a introdução do patógeno em áreas novas.
MANCHA ALVO E PODRIDÃO RADICULAR DE CORYNESPORA - Corynespora cassiicola (Berk. & Curt) Wei

Sintomas - A mancha alvo é caracterizada por lesões que se iniciam por pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo para grandes manchas circulares, de coloração castanho-clara a castanho-escura, atingindo até 2 cm de diâmetro (Prancha 61.7). Normalmente, as manchas apresentam uma pontuação no centro e anéis concêntricos de coloração mais escura, advindo daí o nome de mancha alvo. As variedades recomendadas apresentam boa resistência à infecção foliar e a presença da doença só é notada nas folhas inferiores, ao final do ciclo da cultura. Cultivares suscetíveis podem sofrer severa desfolha, com manchas na haste e nas vagens.

A podridão radicular é observada com mais freqüência em semeadura direta. Plantas infectadas aparecem distribuídas ao acaso com amarelecimento das folhas e maturação prematura. Raízes infectadas apresentam cor castanho-clara. Após a morte da planta, em solo úmido, a raiz fica coberta por uma camada negra de conidióforos e conídios.



Controle - Usar variedades resistentes; fazer rotação/sucessão de culturas com milho e espécies de gramíneas; revolver o solo em caso de monocultura de soja.
ANTRACNOSE - Colletotrichum dematium (Pers. ex Fr.) Grove var. truncata (Schw.) Arx (sin. C. truncatum (Schw.) Andrus & Moore)

A antracnose é a principal doença que afeta a fase inicial de formação das vagens e é um dos principais problemas dos cerrados. Em anos chuvosos, pode causar perda total da produção mas, com maior freqüência, causa alta redução do número de vagens, induzindo a planta à retenção foliar e haste verde.

A maior intensidade da antracnose nos cerrados pode ser atribuída à elevada precipitação e às altas temperaturas. Uso de sementes infectadas e deficiências nutricionais, principalmente de potássio, também contribuem para maior ocorrência da doença. Recentemente, tem sido observado um aumento considerável na ocorrência de C. truncatum em sementes de soja. Sementes oriundas de lavouras que sofreram atraso de colheita, devido a chuvas, apresentaram porcentagens de infecção superiores a 50%.

Sintomas - A antracnose pode causar morte de plântulas, necrose dos pecíolos e manchas nas folhas, hastes e vagens. Originado de semente infectada ou de inóculo produzido em restos culturais da safra anterior, o fungo desenvolve-se, de forma latente, no interior do tecido cortical e pode não se expressar até o final do ciclo, dependendo das condições climáticas, da fertilidade e da densidade de semeadura. Pode causar queda total das vagens ou deterioração das sementes em colheita retardada. Os sintomas mais evidentes ocorrem em pecíolos e ramos tenros das partes sombreadas e em vagens em início de formação. As vagens infectadas nos estádios R3-R4 adquirem coloração castanho-escura a negra e ficam retorcidas; nas vagens em granação, as lesões iniciam­se por estrias de anasarca e evoluem para manchas negras. Em períodos de alta umidade, as partes infectadas ficam cobertas por pontuações negras que são as frutificações do fungo. Sementes apresentam manchas deprimidas, de coloração castanho-escuras. Plântulas originadas de sementes infectadas apresentam necrose dos cotilédones, que pode se estender para o hipocótilo, causando o tombamento.

Controle - As medidas de controle recomendadas são: uso de sementes livres do patógeno; rotação de cultura; maior espaçamento entre as linhas (50-55 cm), com eficiente controle de plantas daninhas; estão de adequado (300.000 a 350.000 plantas/ha); manejo adequado do solo, principalmente com relação à adubação potássica.

Para o controle do patógeno em sementes, recomenda-se o armazenamento em condição ambiente, pois há redução acentuada, mas não total, do nível de infecção. Por essa razão, o tratamento de sementes com fungicidas adequados é recomendado em lotes que apresentem mais de 5% de sementes infectadas.


SECA DA HASTE E DA VAGEM OU PHOMOPSIS DA SEMENTE - Diaporthe phaseolorum (Cke. & Eh.) Sacc. var. sojae (Lehman) Wehm (Phomopsis sojae Lehman)

É a maior responsável pelo descarte de lotes de sementes nos cerrados. Seu maior dano é observado em anos chuvosos, nos estádios iniciais de formação das vagens e na maturação, quando ocorre o atraso da colheita por excesso de umidade.

O processo infeccioso é semelhante ao de Colletotrichum dematium. As vagens ficam chochas ou apodrecem, adquirem coloração esbranquiçada a castanho-clara. Sob condição de alta umidade, o fungo desenvolve frutificações negras, dispostas de forma linear. Sementes apresentam enrugamento e rachaduras no tegumento, ficam sem brilho e cobertas com micélio de coloração esbranquiçada a bege.

Sementes infectadas superficialmente por Phomopsis, quando semeadas em solo úmido, geralmente chegam a emergir, porém, o fungo desenvolvido no tegumento não permite que os cotilédones se abram, impedindo a expansão das folhas primárias.



Controle - Para o controle da seca da haste e da vagem, devem ser seguidas às mesmas medidas recomendadas para a antracnose.

Controle do patógeno em sementes: Durante a armazenagem em condição ambiente, Phomopsis sp. perde viabilidade rapidamente, ocorrendo, ao mesmo tempo, um aumento gradual na porcentagem de germinação, razão pela qual o tratamento da semente com fungicida antes ou durante o período de armazenagem não é recomendado.

O tratamento deve ser realizado, imediatamente antes da semeadura, quando esta for efetuada: a) em solo seco; b) em solo com umidade excessiva e/ou baixas temperaturas; c) quando se utilizar semente de vigor inferior (padrão B).
CANCRO DA HASTE - Diaporthe phaseolorum (Cke. & Ell) Sacc. f. sp. meridionalis Morgan-Jones (Phomopsis phaseoli (Desm.) Sacc. f. sp. meridionalis Morgan-Jones)

O cancro da haste foi identificado pela primeira vez em fevereiro de 1989, no Paraná e, em maio do mesmo ano, no Mato Grosso. Desde então, a doença espalhou-se por todas as regiões produtoras de soja do País, do Maranhão ao Rio Grande do Sul. Está também presente no Norte da Argentina, na Bolívia e no Paraguai, onde tem causado severos danos à soja. No Brasil, diversas propriedades tiveram suas colheitas inviabilizadas pela doença, atingindo perdas de 80% a 100%. As perdas de soja por cancro da haste, acumuladas no período de 1989 a 1995, são estimadas em mais de R$ 300 milhões. Somente na safra 94/95 as perdas foram superiores a R$ 170 milhões.



Sintomas - O sintoma inicial, visível aos 15-20 dias após a infecção, é caracterizado por pequenos pontos negros que evoluem para manchas alongadas a elípticas e mudam da coloração negra para castanho-avermelhada (Prancha 61.8). No estádio final, as manchas adquirem coloração castanho-clara, com bordas castanho-avermelhadas e formam grandes lesões alongadas, geralmente de um lado da haste (Prancha 61.9). Plantas severamente infectadas sofrem quebra da haste e severo acamamento. Lavouras altamente infectadas podem ser, em poucos dias, totalmente dizimadas. As plantas mortas prematuramente ficam com as folhas pendentes ao longo da haste. Normalmente, o nível de infecção das sementes é baixo, em torno de 1,5%.

Características marcantes no diagnóstico do cancro da haste são a profundidade das lesões e a coloração da medula necrosada, que varia de castanho-avermelhada, em planta ainda verde, a castanho-clara a arroxeada, em haste já seca, estendendo-se, nos dois sentidos, muito além dos limites dos cancros. Uma das primeiras indicações de planta em fase adiantada de infecção é a presença de folhas amareladas e com necrose entre as nervuras, caracterizando a chamada folha “carijó”. A folha “carijó” pode ter várias causas (nematóide de galhas, podridões radiculares e da haste) devendo-se ter o cuidado de associar sua presença a sintomas externos e ao escurecimento castanho do lenho e da medula, Causas freqüentes de confusão com os sintomas iniciais de cancro da haste são os sintomas de antracnose (Colletotrichum dematium var. truncata) e de manchas vermelhas na haste, causada por Cercospora kikuchii. Essas duas doenças diferem do cancro da haste por apresentarem lesões superficiais, raramente atingindo a medula.

Diversas leguminosas são suscetíveis ao fungo do cancro da haste e podem servir de fonte de inóculo para a soja, quando cultivadas em sucessão como tremoço (Lupinus spp.), crotalaria (Crotalaria spp.) e guandu (Cajanus cajan).

Etiologia - O agente causal do cancro da haste que afeta a soja no Brasil é o mesmo que ocorre no Sul dos Estados Unidos, identificado pela primeira vez naquele País em 1973. Este difere do agente causal do cancro da haste do Norte dos Estados Unidos, cuja denominação da fase perfeita é Diaporthe phaseolorum f sp. caulivora. A diferenciação das duas espécies é baseada em diferenças morfológicas, na capacidade de esporulação, na maior agressividade e na adaptação da f. sp. meridionalis às temperaturas mais elevadas da região Sul dos Estados Unidos.

A fase imperfeita, com a produção de picnídios, ocorre nos tecidos infectados, mesmo antes da morte da planta. Esta fase é importante na contaminação dos restos culturais durante a entressafra, porém, não deve contribuir para a ocorrência da doença na safra seguinte. A forma sexuada (Diaporthe) é responsável pela ocorrência da doença na nova safra; está presente desde o final do ciclo da cultura, em plantas mortas prematuramente, em restos culturais e durante toda a entressafra.

Tanto conídios como ascósporos são capazes de infectar a soja e são produzidos em abundância nas plantas mortas prematuramente (Prancha 61.10) ou nos restos culturais durante os primeiros meses após a colheita. A soja semeada logo após a colheita da safra normal é infectada tanto por conídios como por ascósporos, enquanto que a soja semeada na época normal só é infectada pelos ascósporos produzidos nos restos culturais. Dependendo das condições climáticas da região, os restos culturais podem manter o fungo viável, com capacidade de produzir ascósporos por mais de uma safra. Sob condições prolongadas de alta umidade, peritécios podem ser produzidos nos cancros de plantas ainda verdes.

O cancro da haste é uma doença de evolução lenta e as infecções ocorridas logo após a emergência das plântulas formam os cancros entre os estádios de floração e de enchimento das vagens. Em variedades precoces, a morte das plantas ocorre em estádios mais avançados, resultando em perdas menos acentuadas. As infecções ocorridas após os 40-50 dias da emergência, normalmente não chegam a comprometer a produção. As plantas adultas adquirem resistência à infecção e ao desenvolvimento da doença.



Controle - A forma mais econômica e eficiente de controle da doença é através do uso de variedades resistentes. Todavia, essa prática ainda não está disponível para todas as regiões produtoras de soja do Brasil, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Em áreas onde não se dispõe de variedades resistentes, deve-se executar as seguintes medidas de controle: rotação da cultura com algodão, arroz, girassol, milho, pastagem ou sorgo e sucessão com aveia branca, aveia preta, milheto; manejo do solo para a incorporação dos restos culturais; semeadura com maior espaçamento entre as ruas e entre plantas, de modo a evitar o estiolamento e o acamamento; adubação e calagem equilibradas.

Apesar da baixa taxa de transmissão do fungo pela semente, este pode ser um meio eficiente de introdução do patógeno em áreas indenes. As poucas plantas infectadas no primeiro ano multiplicarão o inóculo, podendo resultar em grandes perdas na safra seguinte.


PODRIDÃO BRANCA DA HASTE OU PODRIDÃO DE SCLEROTINIA - Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary (sin. Whetzelinia sclerotiorum (Lib.) Korf & Dumont)

A podridão branca da haste está disseminada por todas as regiões de condições climáticas amenas (Região Sul) e chapadas dos cerrados, acima de 800 m de altitude. Além da soja, o fungo infecta uma vasta gama de plantas cultivadas e daninhas, com exceção das gramíneas. A fase mais vulnerável vai do estádio da floração plena (R2) ao início da formação das vagens (R3/R4). O fungo é capaz de infectar qualquer parte da planta, porém, as infecções iniciam-se com mais freqüência a partir das inflorescências e das axilas das folhas e dos ramos laterais.



Sintomas - Os primeiros sintomas são manchas de anasarca que evoluem para coloração castanho-clara e logo desenvolvem abundante formação de micélio branco e denso. Em poucos dias, o micélio transforma-se em massa negra, rígida, o escleródio, que é a forma de resistência do fungo. Os escleródios variam em tamanho de poucos milímetros a alguns centímetros e são formados tanto na superfície como no interior da haste e das vagens infectadas.

Etiologia - Escleródios caídos ao solo, sob condição de alta umidade e temperaturas variando de 10-210C, germinam e desenvolvem, na superfície do solo, estruturas de reprodução sexuada chamada apotécios. Estes produzem ascósporos que são liberados ao ar e são responsáveis pela infecção das plantas. A transmissão por semente pode ocorrer tanto através de micélio dormente (interno) quanto esclerócios misturados às sementes.

Controle - Em áreas de ocorrências de podridão branca (Região Sul e regiões dos cerrados com altitudes superiores a 800 m), recomenda-se fazer a rotação/sucessão de soja com espécies resistentes como milho, aveia branca ou trigo; eliminar as plantas daninhas que, na maioria, são hospedeiras do fungo; incorporar restos culturais; fazer adubação adequada; aumentar o espaçamento entre linhas, reduzindo a população ao mínimo recomendado para cada variedade.

A transmissão do fungo através de escleródios misturados às sementes pode ser reduzida, ou praticamente eliminada, durante o beneficiamento da semente, pelo emprego do separador espiral seguido da mesa de gravidade. Quanto à transmissão por micélio dormente, ainda que a taxa seja bastante baixa num lote de semente, sua importância reside na possibilidade de introdução do inóculo em novas áreas de cultivo. Uma vez estabelecido em uma área, o fungo é de difícil erradicação. O tratamento de sementes com os fungicidas thiabendazol ou tiabendazol + thiram deve ser adotado como medida de segurança para reduzir tal risco.


PODRIDÃO PARDA DA HASTE - Phialophora gregata (Allington & Chamberlain) W. Gams

Identificada no Rio Grande do Sul, na safra 1988/89, a podridão parda da haste tem sido responsável por sérios prejuízos. O patógeno penetra na planta através do sistema radicular e desenvolve-se no interior da mesma, causando o bloqueio do sistema vascular. Plantas infectadas apresentam leve coloração castanha na raiz e intensa necrose em toda extensão da medula da haste. Ao contrário do cancro da haste, que também causa necrose da medula, esta doença não apresenta sintoma externo, nem necrose ou escurecimento da parte lenhosa da haste, mas causa acentuado sintoma de folha “carijó”.



Controle - O controle mais eficiente da podridão parda da haste é obtido através da rotação da cultura com gramíneas e do uso de variedades resistentes (BR- 16, Davis, EMBRAPA-4, OCEPAR-l4 e RS 7-Jacui) ou moderadamente resistentes (FEPAGRO-­RS-10).
PODRIDÃO VERMELHA DA RAIZ OU SÍNDROME DA MORTE SÚBITA -Fusarium solani (App. & Wollenw.) Snyd. & Hans.

A podridão vermelha da raiz foi observada pela primeira vez na safra 1981/82, em Minas Gerais. Desde então, tem sido encontrada nas principais regiões produtoras de sementes do Sul e das regiões altas dos cerrados.



Sintomas - O sintoma na raiz inicia-se com mancha avermelhada, mais visível na raiz principal, geralmente localizada logo abaixo do nível do solo. A mancha expande-se, circunda a raiz, passa da coloração avermelhada para vermelho-arroxeada e, finalmente, negra. Essa necrose acentuada localiza-se no tecido cortical, enquanto o lenho adquire coloração castanho-clara, estendendo-se a vários centímetros acima do nível do solo. Sob condições de alta umidade, forma-se um anel vermelho na base da haste, freqüentemente com cobertura pulverulenta, de coloração bege, constituída de conídios do fungo. Nessa fase, observa-se, na parte aérea, a formação de folhas “carijó”. As raízes secundárias degradam rapidamente, ficando apenas a raiz principal. Sob condição de solo úmido, o córtex da raiz principal destaca-se com facilidade, expondo o lenho branco.

Controle - Usar variedades resistentes e evitar a compactação do solo que predisponha as plantas ao estresse hídrico e ao encharcamento do solo.
PODRIDÃO PRETA DAS RAÍZES - Macrophomina phaseolina (Tassi) Goid

A doença ocorre com bastante freqüência e pode causar prejuízos, em condição de clima seco. Este problema pode ser agravado em lavouras onde o preparo do solo não é adequado, permitindo a formação do pé-de-grade e, conseqüentemente, as plantas desenvolvem sistema radicular mais superficial, não suportando veranicos. A transmissão por semente, embora ocorra, não é importante, uma vez que o inóculo existe na maioria dos solos. As plantas atacadas apresentam deterioração do sistema radicular, com formação intensa de microescleródios sob a epiderme, os quais matam as plantas prematuramente.


NEMATOSES - Heterodera glycines Ichinohe, Meloidogyne spp., Pratylenchus brachyurus (Godfrey) Filipjev & Schuurmans Stekhoven, Rotylenchulus reniformis Linford & Oliveira

No Brasil, várias espécies de nematóides fitoparasitas têm sido relatadas associadas à cultura da soja. As mais agressivas são: Heterodera glycines, nematóide de cisto da soja; Meloidogyne incognita, M. javanica e M. arenaria, nematóides causadores de galhas; Pratylenchus brachyurus, nematóide das lesões; Rotylenchulus reniformis, nematóide reniforme.

As nematoses cansadas por estas espécies apresentam alguns sintomas em comum. Devido à baixa mobilidade no solo, estes organismos atacam em reboleiras. Nestes locais, observa-se gradiente crescente de atrofiamento e clorose das plantas até o centro da reboleira, onde pode ocorrer morte de plantas se a densidade populacional de nematóides for elevada. Apesar das reboleiras serem sintomas típicos de ataque de nematóides, são facilmente confundidas com manchas ocasionadas pelo depósito de calcário na lavoura. Da mesma forma, é comum confundir as cloroses cansadas pelos nematóides com a deficiência de alguns elementos. Todos os problemas que dificultam o desenvolvimento do sistema radicular, como camada compactada de solo, excesso ou falta de calagem e períodos de déficit hídrico, principalmente se ocorrerem após longo período de chuvas, agravam os sintomas. Além da sintomatologia geral observam-se sintomas típicos de cada gênero, que serão apresentados a seguir.

Nematóide de Cisto da Soja - As espécies do gênero Heterodera pertencem a família Heteroderidae e caracterizam-se pela formação de cistos, nos quais encerram­se os ovos (Prancha 61.11). O cisto é altamente resistente às condições adversas, permitindo sua dispersão com muita facilidade. O nematóide de cisto da soja (NCS) representa um dos principais problemas da cultura no mundo. Em 1992, o NCS foi detectado no Brasil. A expansão da área infestada vem ocorrendo de maneira muito rápida, comprometendo, três anos após sua constatação, 46 municípios do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. A exemplo do que ocorreu em outros países, as áreas cultivadas com soja no Brasil estão sendo infestadas principalmente através da intensa movimentação de máquinas, implementos agrícolas e veículos, que carregam solo contaminado. O nematóide também pode ser disseminado pela enxurrada, animais e sementes mal beneficiadas, contendo partículas de solo.

A soja é hospedeira preferencial, entretanto outras espécies de interesse econômico, bem como algumas invasoras e plantas usadas na adubação verde podem, hospedar o nematóide.

O ciclo de vida é muito influenciado pela temperatura. Entre 230 e 250C, o ciclo varia de 21 a 25 dias. Desta forma, é possível até seis gerações do nematóide em um ciclo de cultivares tardias de soja, aumentando, consideravelmente, a população em um único cultivo,

A sintomatologia geral é a mesma cansada por outras espécies de nematóides, com plantas mal desenvolvidas, em reboleiras (Prancha 61.12), apresentando sintomas de deficiência nutricional, principalmente de potássio e manganês. O plantio convencional faz com que o nematóide se espalhe mais na direção do preparo do solo, dando aparência elíptica à reboleira. É possível observar, cinco semanas após a semeadura, raízes com pontos brancos ou amarelados, que são fêmeas adultas que emergiram da raiz. Deve-se tomar o cuidado de não confundir com esporos de micorrizas, que são esféricos. Se observadas com lupa de bolso, pode-se perceber o formato das fêmeas adultas do NCS semelhantes a um limão, e uma incipiente massa gelatinosa, onde é depositada pequena parte dos ovos. A maioria dos ovos, 500 em média, permanece no interior da fêmea, que morre e se transforma no cisto, adquirindo coloração escura. O cisto é uma estrutura muito resistente que pode conservar os ovos por período superior a oito anos.

O controle deste nematóide pode ser feito por meio da rotação de culturas. O planejamento da rotação é relativamente simples, em função da limitada gama de hospedeiros do nematóide. Entretanto, a adoção dessa prática é, muitas vezes, limitada pela viabilidade econômica de algumas culturas em determinadas regiões. O milho, a cana-de-açúcar, o algodão, o arroz, as pastagens, entre outros, podem ser cultivados em áreas infestadas. A utilização do milheto na região dos cerrados também contribui para a diminuição do inóculo inicial, provavelmente devido ao estímulo de organismos de solo, como Gliocadium sp., Stagonospora sp. e, principalmente, determinadas estirpes de Fusarium solani e F oxysporum, que degradam os ovos.

Recomenda-se ainda a semeadura direta, pois esta forma de cultivo dificulta a dispersão dos cistos, em função da redução da movimentação de máquinas e, principalmente, de solo. A utilização dessa prática também reduz o risco de disseminação pelo vento, principalmente nas regiões dos chapadões, onde grandes quantidades de solo são carregadas na época do preparo convencional do solo.

A grande maioria dos cultivares em uso no país são suscetíveis ao NCS. O cultivar Hartwig, por apresentar resistência a todas as raças do nematóide, deve ser utilizado em programas de melhoramento em todo o mundo, como fonte de resistência.

Nematóides das galhas - O gênero Meloidogyne compreende um grande número de espécies, entretanto, M. incognita, M. arenaria e M. javanica são aquelas que mais limitam a produção de soja no Brasil. M. javanica é a espécie mais freqüentemente associada a danos na cultura, sendo responsável por prejuízos crescentes. No Mato Grosso do Sul, ocorrem populações muito agressivas desta espécie.

Os nematóides causadores de galhas parasitam um grande número de espécies de plantas. Devido a essa característica, estes organismos sobrevivem na maioria das plantas daninhas, dificultando o controle. Nematóides do gênero Meloidogyne causam galhas típicas no sistema radicular da soja (Prancha 61.13), que não devem ser confundidas com nódulos de Bradyrhizobium japonicum. Estes destacam-se facilmente da raiz, o que não acontece com as galhas cansadas pelos nematóides.

O ciclo de vida dos nematóides desse gênero dura de três a quatro semanas na soja, sendo muito influenciado pela temperatura. Ao final desse período, cada fêmea produz em média, por partenogênese mitótica, 500 ovos. Esse número pode variar em função da espécie do nematóide, estado nutricional da planta e densidade populacional do patógeno na área, entre outros. A velocidade do crescimento populacional é muito rápida, podendo levar a perdas consideráveis de um ano para outro.

A identificação da espécie do nematóide de galha que ocorre na área é de suma importância para programas de controle. A escolha da rotação mais adequada ou do cultivar depende, antes de mais nada, de uma correta identificação da espécie e, se possível, da raça presente. A identificação da espécie do nematóide de galha baseia-se, principalmente, em características morfológicas e morfométricas.

Vários métodos de controle, a serem utilizados de forma integrada, são recomendados. A rotação de culturas para o controle destes patógenos deve ser bem planejada, uma vez que a maioria das espécies cultivadas pode ser atacada. Da mesma forma, a presença de plantas daninhas na área pode possibilitar a reprodução e a sobrevivência dos nematóides. A escolha da rotação adequada deve se basear também na viabilidade técnica e econômica da cultura na região, sendo bastante variável de um local para outro. É importante incluir espécies de adubos verdes resistentes à espécie do nematóide presente, visando também a recuperação da matéria orgânica e da atividade microbiana do solo, possibilitando o crescimento da população de inimigos naturais dos nematóides.

A utilização de plantas resistentes é o método de controle mais barato e fácil. Há grande disponibilidade de variedades com diferentes graus de resistência a M. incognita. Já para M. javanica, há pouca disponibilidade de variedades. Assim, é importante observar a reação das variedades recomendadas para a região frente a essas espécies, para se fazer a escolha correta.



A semeadura direta também reduz a disseminação dos nematóides. Além disso, pode possibilitar a manutenção de populações de seus inimigos naturais, concorrendo para sua redução populacional. O plantio direto sobre o milheto, semeado no inverno, vem trazendo grandes benefícios à produção da soja no Brasil central.

Nematóide das lesões - Além da sintomatologia geral, já descrita, observam-se áreas necrosadas nas raízes. Isto se deve ao ataque às células do parênquima cortical, onde o patógeno injeta toxinas durante o processo de alimentação. Sua movimentação na raiz também desorganiza e destrói células. As raízes parasitadas são então invadidas por fungos e bactérias, resultando em lesões necróticas. Não há formação de galhas e o sistema radicular fica reduzido. P brachyurus pode parasitar, além da soja, o milho, a cana-de-açúcar, o algodão e o amendoim, entre outros. A maioria dos cultivares de soja é suscetível, mas rotação de culturas pode ser eficiente na redução da densidade populacional deste nematóide. O planejamento da rotação deve ser cuidadoso pois esse nematóide é polífago. As gramíneas, de modo geral, são boas hospedeiras.

Nematóide reniforme - O algodão é a cultura mais afetada por esta espécie, mas alguns cultivares de soja também podem ser parasitados. Não há formação de galhas e o sistema radicular apresenta-se mais pobre. Em alguns pontos da raiz é possível observar camada de terra aderida às massas de ovos, que são produzidas externamente. Os genes que conferem resistência a R. reniformis estão ligados àqueles que conferem resistência ao nematóide do cisto da soja. Assim, cultivares melhorados para resistência ao nematóide de cisto também podem apresentar resistência a R. reniformis. A rotação com o milho reduz a densidade populacional do patógeno. Além da soja e do algodoeiro, podem ser parasitados o abacaxizeiro, o feijoeiro, o maracujazeiro e outros.
OUTRAS DOENÇAS

Nanismo da Soja - “Euphorbia mosaic virus” - EuMV. O vírus do mosaico da Euphorbia está presente em todas as regiões onde há a presença de Euphorbia heterophyla. No entanto, a doença em soja é de ocorrência esporádica e restrita a poucas plantas. Além de vários cultivares de feijão (Phaseolus vulgaris), o EuMV infecta a soja, alguns híbridos de fumo e Datura stramonium. O nanismo, observado em plantas de soja, é um sintoma que pode ser causado por diversos tipos de vírus. O mais comumente isolado é o vírus do mosaico da Euphorbia. Plantas de soja infectadas por este vírus apresentam também superbrotamento com redução e deformação do folíolo. A infecção em plantas mais velhas causa leve encarquilhamento e mosaico nas folhas. Pode ocorrer o aparecimento de bolhas. O EuMV é constituído por duas partículas geminadas medindo 18 x 32 nm e possui ácido nucléico constituído de uma fita simples e circular de DNA em cada partícula. Por possuir partículas geminadas o EuMV é classificado como pertencente ao gênero Subgrupo III Geminivirus, família Geminiviridae. O acúmulo das partículas geminadas ocorre no núcleo de células infectadas embora possam haver casos de partículas presentes no citoplasma. A transmissão mecânica deste vírus para a soja não é comum. Mas o vírus é transmitido através da mosca branca (Bemisia tabaci). Normalmente, durante o período de cultivo da soja, encontram-se, no campo ou ao redor dele, plantas de Euphorbia sp. infectadas com o vírus e que também hospedam a mosca branca. Em condições de laboratório, o vírus pode ser transferido por inoculação mecânica para Nicotiana glutinosa, N. tabacum, Datura stramonium e Physalis sp. Não há estudos quantificando danos por este vírus na soja. No entanto, observações feitas em campo demonstram que plantas novas, quando infectadas, sofrem redução de porte e insignificante produção de vagens. Normalmente, os agricultores já fazem o controle da planta hospedeira (E. heterophyla), o que tem reduzido a ocorrência de plantas de soja infectadas.

Mancha Púrpura da Semente e Crestamento Foliar de Cercospora - Cercospora kikuchii (Matsu. & Tomoyasu) Gardner. Assim como a mancha parda, o crestamento foliar de Cercospora está disseminado por todas as regiões produtoras de soja do País, porém, o crestamento foliar é mais sério nas regiões mais quentes e chuvosas dos cerrados. O fungo C. kikuchii ataca todas as partes da planta e pode ser responsável por severas reduções do rendimento e da qualidade da semente. Nas folhas, sintomas aparecem a partir do final da granação e são caracterizados por pontuações escuras, castanho-avermelhadas, as quais coalescem e formam grandes manchas escuras que resultam em severo crestamento e desfolha prematura. Nas vagens, aparecem pontuações vermelhas que evoluem para manchas castanho-avermelhadas. Através da vagem, o fungo atinge a semente e causa a mancha púrpura no tegumento. Nas hastes, o fungo causa manchas vermelhas, geralmente superficiais, limitadas ao córtex. Em certas situações, tal como em solos de baixa fertilidade nos primeiros anos de cultivo dos cerrados, quando a infecção ocorre nos nós, o fungo pode penetrar na haste e causar necrose de coloração avermelhada na medula. A maioria das variedades é suscetível. A variedade Davis, no entanto, apresenta boa resistência. O controle pode ser feito com aplicações preventivas com os fungicidas carbendazim, acetato e hidróxido de trifenil estanho (fentin acetato e fentin hidróxido de estanho), benomyl e thiabendazol, na fase final de enchimento das vagens. O tratamento das sementes com o fungicidas poderá ser adotado como medida preventiva na disseminação do patógeno para novas áreas.

Míldio - Peronospora manshurica (Naum.) Syd. ex Gäum. (sin. P. sojae Lehman & Wolf). Níveis severos têm sido observados nos estádios iniciais de desenvolvimento em soja “safrinha”, após o milho, no Paraná. A doença tem início nas folhas unifolioladas e progride para cima, podendo atingir toda a parte aérea. Os sintomas iniciais do ataque do fungo são pontuações amarelas na parte superior das folhas, que aumentam de tamanho, podendo atingir 3-5 mm de diâmetro. Pode haver coalescimento das lesões e crestamento foliar. No verso da mancha amarelada aparecem estruturas de frutificação do fungo, de aspecto cotonoso e de coloração levemente rosada, características de P. manshurica. Após a necrose da parte infectada, as lesões ficam muito parecidas com as da mancha “olho-de-rã”. As infecções na vagem podem resultar em deterioração da semente ou infecção parcial, com desenvolvimento de uma crosta pulverulenta, constituída de micélio e esporos do fungo, dando uma coloração bege a castanho-clara ao tegumento. O fungo é introduzido na lavoura através de sementes infectadas e por esporos disseminados pelo vento. O controle é alcançado por meio de tratamento de sementes com fungicidas e uso de variedades resistentes.

Oídio - Microsphaera diffusa Cke. & Pk. O oídio é uma doença ainda de pouca expressão, porém, está aumentando nas regiões altas dos cerrados e em campos de multiplicação de semente na entressafra, sob irrigação. Na superfície da planta, forma-se uma fina camada de micélio e esporos (conídios) pulverulentos que, de pequenos pontos brancos, podem cobrir toda a folha, vagens e partes da haste (Prancha 61.14). É causada pelo fungo Microsphaera difusa que também infecta diversas espécies de leguminosas. É um parasita obrigatório que desenvolve-se em toda a parte aérea, incluindo hastes e vagens, sendo mais visível nas folhas. Como medidas de controle recomendam-se utilizar variedades resistentes e evitar semeadura tardia.

Ferrugem - Phakopsora pachyrhizi Syd. & P. Syd. Constatada pela primeira vez no Brasil em 1979, foi motivo de grande preocupação devido a seu alto potencial de danos nos países asiáticos. A doença manifesta-se de forma irregular. O sintoma da doença é caracterizado por pequenos pontos com menos de 1 mm de diâmetro, de coloração pardo-avermelhada, na parte superior da folha. Em infecções severas, as lesões podem coalescer, formando grandes manchas castanhas, e causar o amarelecimento e queda da folha. Na fase inicial pode ser confundida com septoriose, porém, difere desta por apresentar coloração mais avermelhada e pela ausência de halo amarelado ao redor da lesão. Na parte inferior da folha, a lesão é de coloração castanho-clara a castanho-escura, tendo uma pequena elevação no centro, de coloração mais clara. Essa parte mais clara do centro constitui a cutícula que cobre a massa de uredósporos produzida no interior do tecido da folha. Como medidas de controle recomendam-se: não semear a soja fora de época e utilizar variedades resistentes.

Mancha Foliar de Ascochyta - Ascochyta sojae Miura. Essa mancha foliar ocorre nos cerrados, sendo observada regularmente nos municípios de Coromandel e São Gotardo, em Minas Gerais. Em casos severos pode causar mais de 50% de desfolha. As variedades FT-11 e FT-Cristalina têm sido mais afetadas. As manchas foliares iniciam-se como pequenos pontos castanho-avermelhados; expandem-se para lesões circulares, atingindo até 1,5 cm. A medida que as manchas se expandem, a parte central torna-se castanho-clara, diferenciando-se das bordas castanho-avermelhadas. A parte central rompe-se com facilidade, deixando a folha furada ou rasgada. Na parte mais clara do centro observam-se pequenos pontos castanho-escuros que constituem os picnídios do fungo. Os conídios são hialinos, elípticos, uni ou bicelulares. São expelidos dos picnídios em forma de massa de esporos (cirros) e só podem ser dispersos pela ação da chuva. Desse modo, a mancha de Ascochyta normalmente inicia-se em reboleiras. Os níveis atuais não justificam qualquer controle.

Mancha Foliar de Myrothecium - Myrothecium roridum Tode ex. Fr. E de ocorrência generalizada nos cerrados. Tem sido mais severa no Maranhão e no Piauí e pode ser confundida com manchas de Ascochyta e “olho-de-rã”. O fungo pode atacar toda a parte aérea da planta, mas é mais característico na folha. A lesão inicia-se por uma mancha circular, verde-clara e evolui para manchas arredondadas, atingindo 3-5 mm de diâmetro. Na parte superior da folha, as manchas apresentam um centro castanho-claro e margem castanho-escura. Na página inferior, a coloração é uniformemente castanho-escura e, sob condição de alta umidade, apresenta pontos brancos como pequenos flocos de algodão, os quais constituem o micélio do fungo. Esse micélio dá origem a esporodóquios sésseis e transforma-se em pontos negros, formando pequenas massas negras de esporos no centro das lesões. Os esporos são disseminados a curta ou longa distâncias pela ação da chuva e do vento. A ocorrência da mancha de Myrothecium tem início em reboleiras. O nível de incidência ainda não exige o controle.

Mela ou Requeima da Soja - Thanatephorus cucumeris (Frank) Donk (Rhizoctonia solani Kühn). A meia é uma doença que está se tornando comum nas lavouras de soja do Maranhão. O fungo é o mesmo que causa a meIa do feijoeiro e pode infectar a soja em qualquer estádio de desenvolvimento, afetando toda a parte aérea da planta, porém, os sintomas são mais evidentes nas folhas, pecíolos e ramos laterais. Pequenas lesões encharcadas evoluem rapidamente para grandes manchas ou reboleiras. As partes infectadas secam rapidamente, adquirem coloração castanho-clara a castanho-escura. Folhas e pecíolos infectados ficam pendentes ao longo da haste ou caem sobre as plantas vizinhas, propagando a doença. Nas partes mortas, o fungo forma finas teias de micélio e abundantes microescleródios que variam da cor bege a castanho-escura. Infecções nas hastes e vagens produzem lesões castanho-avermelhadas. Deve-se evitar semeadura adensada, controlar plantas daninhas, fazer rotação/sucessão de culturas com gramíneas e manter a adubação equilibrada.

Podridão Aquosa e Cancro Negro da Raiz e da Base da Haste - Rhizoctonia solani Kühn. Essa doença foi constatada pela primeira vez na safra 1987/88 no Mato Grosso do Sul. Sua incidência varia de algumas plantas mortas a extensas reboleiras, onde se misturam plantas mortas e aparentemente sadias. A ocorrência da doença, até o momento, está restrita à região dos cerrados e parece estar associada com anos de intensas precipitações, solos compactados e com tendência ao encharcamento. O sintoma inicia-se por uma podridão próxima ao nível do solo e estende-se para baixo e para cima. Inicialmente de coloração castanho-clara, a podridão adquire aspecto aquoso, torna-se castanho-escura e finalmente negra. As plantas começam a morrer a partir do final da floração. O sistema radicular adquire coloração castanho-escura, o tecido cortical fica mole e solta-se com facilidade, expondo um lenho firme e de coloração branca a castanho-clara. As folhas tornam-se cloróticas, murcham e ficam pendentes ao longo da haste. A área necrosada geralmente apresenta um ligeiro afinamento em relação à parte superior. O tecido cortical necrosado destaca-se com facilidade, dando a impressão de uma podridão superficial. Como medidas de controle recomendam-se: eliminar a compactação do solo e evitar semeadura em solo encharcado.

Tombamento e Morte em Reboleira - Rhizoctonia solani Kühn. O tombamento ocorre entre a pré-emergência e 30-35 dias após a emergência, sob condições de temperatura e umidade elevadas; a morte em reboleira ocorre em plantas adultas, em anos chuvosos e temperaturas amenas. O sintoma do tombamento inicia-se por estrias castanho-avermelhadas na raiz, nos primeiros centímetros abaixo do nível do solo. As estrias expandem-se, coalescem e resultam em podridão seca, de coloração castanha a castanho-avermelhada. Freqüentemente, ocorre o estrangulamento abaixo do nível do solo, resultando em murcha, tombamento ou sobrevivência temporária com emissão de raízes adventícias acima da região afetada. Essas plantas geralmente tombam antes da floração. A taxa de transmissão do fungo por semente é baixa e sua importância é questionável, já que o mesmo ocorre naturalmente nos solos. A ocorrência do tombamento por R. solani pode ser reduzida por tratamento das sementes com fungicidas; rotação da cultura com gramíneas; incorporação dos restos culturais; eliminação da compactação do solo que favorece o encharcamento. A morte em reboleira pode ser reduzida com a melhoria das condições físico-químicas do solo, rotação de cultura e cultivo em solos não-encharcados.

Tombamento e Murcha de Sclerotium - Sclerotium rolfsii Sacc. O tombamento de plântulas e a murcha de planta adulta são comuns em todas as regiões produtoras de soja do Brasil. O tombamento ocorre sob solo úmido e alta temperatura, principalmente onde há resteva em decomposição. A murcha ocorre em lavouras fechadas, em períodos de alta umidade e alta temperatura. O tombamento resulta de uma podridão mole, aquosa que geralmente inicia-se logo abaixo do nível do solo. Plântulas afetadas murcham e, ao serem puxadas, rompem-se com facilidade na área lesionada. Há presença de micélio branco e escleródios, de cerca de 1 mm, de cor branca a castanho-escura. Após o fechamento das ruas, S. rolfsii desenvolve-se em substratos orgânicos em decomposição, como folhas e resteva da cultura anterior, localizados próximo ao colo da soja. Posteriormente, infecta a soja na região do colo ou na parte aérea. A planta afetada fica verde-clara, murcha e seca. Nos pontos de infecção, ocorre abundante formação de micélio e escleródios. Deve-se evitar semeadura adensada, usar maior espaçamento entre as ruas e favorecer a drenagem do solo.
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DOENÇAS DAS SOLANÁCEAS

(berinjela, jiló, pimentão e pimenta)



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