Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas


M. T. Iamauti & C. L. Salgado



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M. T. Iamauti & C. L. Salgado

Existem em torno de 45 doenças de relevância para a cultura da alfafa. Destas, 31 são de origem fúngica, 8, de origem bacteriana e 6, de origem virótica. No Brasil, o estudo das doenças da alfafa ainda está em fase inicial, mas 13 delas já foram detectadas.

As doenças fúngicas são classificadas didaticamente segundo a parte da planta que afetam. Doenças que atacam as sementes e plântulas, causando morte ou tombamento, interferem na instalação da cultura, trazendo prejuízos ao estande final, com reflexos negativos na produção. Quando folhas e hastes são afetadas, o principal dano é a desfolha da planta, o que reduz a produção e, a longo prazo, debilita a planta. A porção perene da planta, como o colo, a coroa e as raízes, é a mais importante e, se prejudicada pelos patógenos, irá afetar irremediavelmente a longevidade e produtividade da cultura.
MOSAICO DA ALFAFA - “Alfafa mosaic vírus” - AMV

O mosaico da alfafa ocorre em todas as regiões produtoras do mundo. O AMV é transmitido pela semente e os sintomas surgem normalmente em plantas com mais de dois anos de idade. Existem várias estirpes do vírus, mas sem diferenciação nos sintomas que causam. A alfafa funciona, também, como um reservatório do vírus, que é transmitido por afídeos para outras plantas, causando prejuízos em culturas como tomate e ervilha.



Sintomas - Os sintomas são mais facilmente visualizados em plantas suscetíveis e durante períodos de clima mais frio, ocorrendo geralmente na folhagem, que apresenta ilhas com uma coloração verde-clara ou mosaico, caracterizadas pela alternância de cor verde e amarelo na folha. Ocorre ainda o menor desenvolvimento das brotações e o retorcimento das folhas e pecíolos. Observa-se também um declínio generalizado das plantas, que podem chegar, inclusive, à morte.

Etiologia - Existem diversas estirpes e patótipos do AMV interagindo com os vários genótipos de alfafa e numerosas espécies hospedeiras. O AMV é morfológica e serologicamente distinto dos demais vírus e é considerado espécie única do gênero Alfamovirus, da família Bromoviridae. É semelhante aos Irlavirus quanto ao requerimento da capa protéica para ativação e replicação do ácido nucléico. O AMV consiste de 4 tipos de partículas, sendo a maioria baciliforme, com diferentes comprimentos (30-57 nm), mas com diâmetro constante de 18 nm. O ácido nucléico é representado por 4 moléculas de RNA (RNA-l, RNA-2, RNA-3 e RNA-4 (sub­genômico), de fita simples e senso positivo. Trás, das quatro partículas, contêm uma única cópia do RNA- 1, RNA-2 e RNA-3, respectivamente. A quarta partícula contém duas cópias do RNA-4. Todos os 4 RNAs são necessários para a infecção.

É transmitido por afídeos de 14 espécies diferentes de modo não-persistente a 430 espécies de plantas, entre cultivadas e silvestres, pertencentes a 51 famílias. O vírus é também transmitido através do pólen e semente, podendo sobreviver nesta por mais de 10 anos. A freqüência de transmissão do vírus pela semente varia de 2 a 4%. Experimentalmente, o AMV é facilmente transmitido por métodos mecânicos de inoculação. Equipamentos utilizados na colheita também podem transmitir o AMV.


FERRUGEM - Uromyces striatus J. Schröt

A doença incide em todas as regiões produtoras de alfafa. É, porém, mais comum nas regiões de clima quente. Os maiores danos ocorrem quando a doença causa desfolha da planta antes da colheita. No Brasil, não obstante seja considerada uma doença importante, os relatos de perdas são esporádicos.



Sintomas - Os sintomas ocorrem principalmente nos folíolos e pecíolos. Lesões circulares, pequenas e de coloração marrom-avermelhada caracterizam a ferrugem. Normalmente, a presença dos uredósporos do fungo pode ser observada em ambas as superfícies da folha. Quando as lesões são muito abundantes, causam a queda das folhas.

Etiologia - O fungo Uromyces striatus (sinonímia Uromyces striatus var. medica ginis (Pass.) Arth.) produz uredósporos unicelulados, de formato globóide a elipsóide, com dimensões de 17-27 x 16-23 μm, equinados e de coloração amarelo­amarronzada. Os teliósporos são unicelulados, ovóides, Com 17-29 x 13-21 μm, marrom-escuros, e apresentam estrias longitudinais.

Nos hospedeiros alternativos, entre eles Euphorbia cyparissias, que ocorre principalmente no Canadá, e E. esula, que ocorre na Europa, são formados pícnio e aécio. Os picniósporos são hialinos, não septados e elipsóides, com 2-3 x 1-2 m, coloração alaranjada e paredes hialinas.

Uma ampla faixa de temperatura é suportada pelo fungo. Os uredósporos secos permanecem viáveis por vários meses e podem sobreviver no feno ou nos equipamentos que estejam protegidos das intempéries. Para a germinação do esporo é necessária a presença de água livre. Com temperaturas de 15-250C ela ocorre em uma hora. O período latente varia com a temperatura, mas em condições ótimas (250C) é de 7 dias, e o período infeccioso pode durar mais de 30 dias.
MANCHA NEGRA DAS FOLHAS E CAULE - Cercospora medicaginis Ellis & Everh.

Ocorre freqüentemente associada à outras doenças foliares e do caule, o que dificulta a determinação dos danos decorrentes desta doença isoladamente. E predominante em regiões de clima quente da África, Ásia, Europa, Estados Unidos e América do Sul.



Sintomas - Os primeiros sintomas ocorrem nas folhas e no caule, mas a desfolha, que se inicia na porção inferior da planta, evoluindo progressivamente até chegar ao topo, é o sintoma mais facilmente reconhecido.

As manchas foliares são inicialmente de coloração marrom, de margens irregulares. Com o início da produção dos conídios, a mancha assume uma coloração cinza-escura. As manchas podem ser observadas de ambos os lados da folha e possuem diâmetro de 2 a 6 mm, circundadas por um halo amarelo.

As lesões no caule são alongadas, de coloração avermelhada a marrom, que podem coalescer e descobrir boa parte do caule. A necrose fica limitada ao córtex.

Etiologia - O agente causal, Cercospora medicaginis, possui conídios hialinos, alongados a levemente curvados, multiseptados e de dimensões de 40-205 x 2-4 m, que são produzidos em conidióforos fasciculados. O primeiro conídio é produzido no topo e quando é liberado deixa uma cicatriz característica. Um novo conídio é formado abaixo da cicatriz, originando um esporão ou curva no conidióforo, que é característico deste gênero. Não existe relato da ocorrência de uma fase sexual do fungo em alfafa.

As condições ideais para o desenvolvimento da doença são umidade relativa próxima de 100% e temperaturas em torno de 24 a 280C. A infecção ocorre primeiro nas folhas, atingindo posteriormente o caule. Os conídios produzidos são disseminados pelo vento e pela chuva. A germinação ocorre na superfície da folha, normalmente de 24 a 48 horas após a inoculação, desde que a umidade relativa mantenha-se elevada. O fungo sobrevive como micélio no caule.


ANTRACNOSE - Colletotrichum trifolii Bain. & Essary

A antracnose é a principal doença da alfafa nos Estados Unidos, sobretudo nas regiões onde o verão é chuvoso. No Brasil, é considerada, junto com a ferrugem, como a mais importante. Relatos de danos têm surgido recentemente na Argentina, Austrália, França e Itália.



Sintomas - A doença afeta o colo e a coroa da planta. Os sintomas variam de acordo com o nível de resistência dos cultivares. Nos mais suscetíveis, as lesões no caule são ovaladas, grandes e de coloração clara, com bordos marrons, enquanto nos cultivares mais resistentes elas são pequenas, alongadas e escuras. É possível observar os acérvulos do fungo nas lesões. Estas podem aumentar de tamanho e coalescer, levando muitas vezes à morte do caule e, conseqüentemente, do broto, que amarelece e seca. Ocorre também o escurecimento e posterior morte dos pecíolos.

A mais séria manifestação da doença é o escurecimento e a podridão da coroa, observada quando se retiram os caules mortos. No entanto, este sintoma pode ser confundido com outras doenças, que ocorrem simultaneamente no mesmo campo. Se os caules mortos forem arrancados da planta e uma leve descoloração parda for observada, o diagnóstico poderá ser murcha de fusarium ou podridão da coroa causada por Rhizoctonia.

Etiologia - O fungo Colletotrichum trifolii forma acérvulos que rompem a epiderme, exibindo setas escuras que variam em tamanho e número de acordo com a umidade e outros fatores. Os conidióforos são hialinos e produzem conídios que também são hialinos e não septados. Existem relatos da ocorrência de pelo menos duas raças distintas do patógeno.

Tentar isolar o patógeno colocando-se pedaços do tecido afetado diretamente sobre o ágar não é boa técnica, pois neste estádio a planta encontra-se colonizada por outros organismos saprófitas. O melhor procedimento é colocar os pedaços do tecido em câmara úmida no refrigerador por 2 a 3 dias, quando as lesões jovens produzirão massas de conídios livres de contaminantes.

O patógeno pode sobreviver em restos de cultura e equipamentos. Sua disseminação é rápida com alta umidade e temperatura. A chuva é importante para retirar os conídios das massas em que são formados e depositá-los sobre caules e pecíolos em crescimento.
MURCHA DE FUSARIUM - Fusarium oxysporum Schlechtend. ex Fr. f. sp. medicaginis (Weimer) Snyder & Hans.

A doença foi descrita pela primeira vez em 1927 nos Estados Unidos e atualmente encontra-se disseminada por todas as regiões produtoras do mundo, sendo sua incidência mais severa em clima quente. Afeta principalmente a coroa e as raízes das plantas.

Sintomas - O principal sintoma é a murcha das brotações, que nos estádios iniciais podem murchar durante o dia e recuperar a turgescência à noite. No começo do desenvolvimento da doença, apenas um lado da planta pode ser afetado. Após alguns meses, a planta morre. Estrias vermelho-escuras podem ser observadas cortando-se longitudinalmente a parte terminal da raiz principal, característica que diferencia este patógeno de outros agentes causadores de murcha. Em plantas afetadas por Verticillium a coloração é normalmente marrom.

Etiologia - O principal responsável pela murcha de fusarium em alfafa é o fungo Fusarium oxysporum f. sp. medicaginis, F oxysporum f. sp. vasinfectum raças 1 e 2 e F oxysporum f. sp. cassia também são citados por provocar sintomas semelhantes em alfafa.

Em meio de cultura, o fungo apresenta micélio cotonoso, com colônias variando em cor, de salmão pálido a violeta, dependendo da temperatura. O ponto ótimo para crescimento está em torno dos 250C. Os microconídios, sempre presentes, são de formato oval a elíptico, hialinos, com tamanho variando de 2,2 a 3,5 m. Os macroconídios são fabricados, septados, hialinos e com dimensões de 25-50 x 4-5,5 m.

Os clamidósporos têm diâmetro de 7-11 m, são intercalares ou terminais no micélio, ocorrendo isolados ou em pares. É através deles que o fungo sobrevive no solo por vários anos, podendo ainda permanecer como micélio em restos de cultura.

O fungo penetra através das raízes ou de ferimentos, invadindo o xilema. O avanço da hifa no tecido é acompanhado por uma descoloração deste, resultante da ação das toxinas produzidas pelo patógeno. Os vasos do xilema ficam entupidos, causando a murcha e morte da planta. O progresso da doença no campo é lento, porém, após vários anos, ocorrem perdas consideráveis no estande de plantas. A severidade da doença aumenta quando existe a associação com nematóides formadores de galha (Meloidogyne spp.).


OUTRAS DOENÇAS

Além das descritas nesse capítulo, mais 8 doenças de origem fúngica foram relatadas no Brasil, sendo que cinco atacam as folhas e hastes, duas, o colo e a coroa e uma, a coroa e as raízes.



Míldio - Peronospora trifoliorum de Bary - A doença é bastante Importante em regiões frias e úmidas, afetando principalmente as folhas e hastes. Os tecidos atacados apresentam clorose e normalmente são pequenas áreas dos folíolos, mas que podem atingir todas as folhas e brotações se a infecção for sistêmica. As hastes infectadas são mais largas em diâmetro que as normais e possuem um crescimento em roseta no ápice. As folhas ficam enroladas ou torcidas. O micélio do fungo P trifoliorum, agente causal do míldio, pode ser observado na parte de baixo das folhas e apresenta-se como um crescimento cotonoso de coloração acinzentada. O fungo é um parasita obrigatório, que sobrevive no córtex das ramificações da coroa, nas brotações e ramos. A disseminação ocorre principalmente através do vento e da chuva. A germinação ocorre somente se houver água livre e entre as temperaturas de 4 a 290C, com grau ótimo em 180C.

Mancha Negra de Primavera Phoma medicaginis Malbr. & Roum. var. medicaginis Boerema - É uma doença bastante destrutiva em regiões de clima temperado, sendo muito comum na América do Norte e Europa, onde causa reduções quantitativas e qualitativas. Manchas pretas com bordos irregulares aparecem nas folhas, coalescendo e tomando todo o folíolo, que posteriormente amarelece e cai. A doença afeta também as hastes da planta, que apresentam inicialmente lesões verde-escuras; na base da planta, lesões negras podem ser observadas. Quando a doença é severa, a haste fica estrangulada e morre. O fungo P medicaginis var. medicaginis, agente causal da mancha negra, pode causar também podridão da coroa e raízes. O desenvolvimento da doença é favorecido por temperaturas amenas e umidade relativa alta, na forma de orvalho ou chuva, condição essencial para que o picnídio libere os esporos e a infecção possa ocorrer.

Mancha Foliar Comum - Pseudopeziza medicaginis (Lih.) Sacc.- É urna das principais doenças foliares da alfafa no mundo, sendo o seu principal dano a severa desfolha que causa na planta, reduzindo seu vigor e a qualidade da forragem. O principal sintoma são pequenas manchas circulares de cor marrom a preta nos folíolos, que apresentam pontos de coloração mais clara no centro da mancha à medida que a lesão torna-se mais velha. As folhas infectadas amarelecem e caem com o progresso da doença. O fungo E medicaginis sobrevive em restos de cultura na superfície do solo, onde os ascósporos desenvolvem-se e são ejetados no ar quando, na primavera, a temperatura aumenta e a umidade relativa é alta.

Mancha Foliar de Leptosphaerulina - Leptosphaerulina briosiana (Pollacci) Graham & Luttrell – Esta doença, que já foi considerada sem importância, é atualmente um dos principais problemas em regiões produtoras tradicionais da América do Norte, sobretudo quando o verão se apresenta mais ameno e úmido. O fungo causa pequenas manchas escuras nos folíolos, que normalmente são circundadas por um halo que aumenta em diâmetro, posteriormente adquirindo um bordo irregular. As folhas atacadas morrem e permanecem presas no caule por um período antes de caírem. A doença afeta principalmente folíolos jovens, mas pode ocorrer também nos pecíolos e folhas mais velhas.

Mancha de Stemphylium - Stemphylium botryosum Wallr.- A doença ocorre cm todas as regiões produtoras de alfafa do mundo e normalmente está associada a outras doenças foliares. O fungo causa manchas escuras, deprimidas e com centro mais claro nas folhas. Lesões novas são normalmente circundadas por um halo amarelado e as mais velhas possuem anéis concêntricos que lembram um alvo. A doença é favorecida por temperaturas mais elevadas e alta umidade. A temperatura é o fator que mais afeta a severidade da doença causada pelos diferentes isolados do fungo. O fungo sobrevive em restos de cultura e pode ser transportado para outras regiões através das sementes.

Doenças causadas por Rhizoctonia - Thanatephorus cucumeris (Frank) Donk (Rhizoctonia solani Kühn) - As doenças causadas por Rhizoctonia reportadas nas diferentes regiões produtoras de alfafa do mundo incluem tombamento, cancro nas raízes, podridão de gemas e coroa e requeima nas hastes e folhagem. Os maiores danos ocorrem em períodos de alta temperatura (25-300C), alta umidade do ar e do solo. Plântulas de alfafa podem sofrer o ataque da R. solani (forma anamórfica de T cucumeris) em qualquer estádio de desenvolvimento, quando se observa nas raízes e caules um encharcamento dos tecidos, que posteriormente escurecem. O fungo causa cancros escuros e deprimidos na base das hastes, que podem estrangular e matar as mesmas. Podem matar também gemas e brotações na coroa, afetando a rebrota da planta. Nas raízes, lesões deprimidas, escuras e de forma elíptica são sintomas típicos do ataque do patógeno. Os sintomas nas folhas caracterizam-se por morte destas, que ficam “meladas” umas às outras. O fungo pode sobreviver no solo ou em restos de cultura na forma de escleródios ou saprofiticamente. Penetra na planta através de aberturas naturais, desenvolvendo-se intra ou intercelularmente e produz enzimas pectolíticas no tecido da planta.

Podridão de Hastes e Coroa - Sclerotinia spp.- A doença ocorre principalmente nas áreas produtoras localizadas em regiões de clima temperado, podendo causar, além da podridão de hastes e coroa, o tombamento de plântulas e conseqüente redução do estande. Os primeiros sintomas associados com o patógeno são pequenas manchas marrons nas folhas e hastes da planta. A parte basal das hastes ou a coroa ficam moles e descoloridas, morrem e apresentam uma massa cotonosa e branca, que é o micélio do fungo. Entremeados às hifas ficam pequenos corpos pretos, os escleródios, aderidos à superfície da haste ou no interior desta ou da coroa. A taxonomia de Sclerotinia spp. é controversa e atualmente evidências indicam que S. trifoliorum é mais freqüentemente associada com a podridão de hastes e coroa. No entanto, S. sclerotiorum também ocorre em condições naturais e pode infectar a alfafa. Sob condições experimentais, os sintomas causados por ambas as espécies são similares.

Murcha de Verticillium - Verticillium albo-atrum Reinke & Berthier - Esta doença é considerada bastante importante em várias regiões produtoras pelos danos que causa na produção devido principalmente à redução no estande de plantas.Os sintomas ocorrem principalmente entre os estádios de pré-brotação e florescimento e iniciam-se com uma murcha temporária da planta nas horas mais quentes do dia. Com o progresso da doença, surge uma clorose em forma de V nos folíolos e posteriormente ocorre o enrolamento destes. A haste permanece ereta e verde, algumas vezes clorótica, enquanto os folíolos morrem. No interior das raízes é possível observar uma descoloração amarelo-amarronzada, o que não é necessariamente um critério para a diagnose da doença. A rebrota das plantas infectadas parece normal, mas os sintomas reaparecem quando as brotações do topo aproximam-se dos estádios mais suscetíveis. As plantas ficam debilitadas progressivamente e morrem. O fungo esporula abundantemente na base das hastes mortas, mas nunca o faz em tecido vivo. Verticillium albo-atrum pode infectar e causar sintomas em outras culturas e plantas daninhas. Pode ser carregado interna ou externamente pelas sementes de alfafa, introduzindo a doença em novas áreas. Penetra pelas raízes ou ferimentos e o ciclo secundário da doença normalmente ocorre durante as operações de colheita e fenação.
MEDIDAS GERAIS DE CONTROLE DE DOENÇAS

O método de controle de doenças mais efetivo em alfafa é o adequado manejo da cultura através da utilização de sementes de alta qualidade, com certificado de isenção de Cuscuta spp., do AMV, inoculação com Rhizobium, cultivares adaptados à região, controle de plantas daninhas, níveis adequados de fertilidade e pH em torno de 6,5 a 8. O adequado manejo da água na cultura é fundamental para o desenvolvimento das plantas e, assim, não predispor a cultura ao ataque de patógenos.

Devido à sua característica de cultura perene, o estabelecimento e a manutenção do estande da alfafa são providências particularmente importantes, devendo-se evitar todos os fatores que possam afetá-lo. Todos os cuidados na instalação da cultura e, posteriormente, na condução e manejo são fundamentais. Deve-se evitar ferimentos em plantas durante os tratos culturais e a operação de colheita, que podem predispor a planta ao ataque de doenças, principalmente fungos que ocorrem na coroa e raízes. O uso da enxada para operações de capina deve ser substituído pela monda ou o pelo uso de sachos. Medidas complementares, como antecipação do corte quando da ocorrência de doenças nas folhas e hastes, podem minimizar os prejuízos. A rotação de cultura é outra medida que auxilia a reduzir os problemas com doenças que ocorrem no colo, coroa e raízes.

O corte da alfafa não deve ser realizado muito baixo, fato que ocorre principalmente quando se utiliza o alfanje, pois dificulta a rebrota e, conseqüentemente, diminui o vigor da planta, além de danificar a coroa e permitir a entrada de patógenos.

O controle genético, através do uso de cultivares resistentes, constitui-se no meio mais simples, econômico e eficiente de reduzir as perdas devidas às doenças. Em outros paises com maior tradição no cultivo desta forrageira, como os Estados Unidos, vários cultivares são liberados anualmente para o produtor. No Brasil, essa solução é limitada, pois os principais cultivares utilizados - Crioula, CUF-l 01, Florida-77, Pioneer e WL - não têm resistência satisfatória às principais doenças.
BIBLIOGRAFIA
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Stuville, DL. & Erwin, D.C. Compendium of alfafa diseases. St. Paul, American Phytopathological Society, 1990. 2 ed. 84p.
DOENÇAS DO ALGODOEIRO

(Gossypium spp.)




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