Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas



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Ferrugem Parda - Puccinia chrysanthemi Roze. O sintoma mais característico é o aparecimento de grande número de pústulas de coloração parda nas folhas. As folhas baixeiras apresentam pústulas de coloração cinzenta avermelhada e com o tempo tornam-se amarelas e morrem. Plantas severamente atacadas tornam-se fracas e produzem flores anormais.

Podridão Branca ou Podridão da Base - Sclerotinia sclerotiorum (Lib) de Bary.

Esse ascomiceto ataca a base dos talos e induz sintomas de podridão com coloração verde a marrom-escura. Após pouco tempo aparece denso micélio cotonoso de coloração branca, onde são formados escleródios. Estas estruturas de resistência do fungo são arredondadas, inicialmente brancas e posteriormente escuras, com tamanho entre 0,2-2 cm de diâmetro. Algumas vezes as lesões podem provocar fendas nas hastes, que se enchem de micélio e de escleródios.



Nematóide Foliar - Aphelenchoides ritzemabosi (Schwartz) Steiner & Buhrer. Os sintomas iniciais do ataque deste nematóide são manchas foliares amarelo-acinzentadas delimitadas pelas nervuras. Estas tornam-se enegrecidas e passam a tomar grande parte do limbo foliar, que pode secar e cair. Os ataques iniciam-se geralmente na parte inferior da planta, progredindo, principalmente quando em períodos úmidos, para cima. A planta apresenta redução no crescimento e, em algumas ocasiões, o botão terminal é abortado, dando lugar ao desenvolvimento de inúmeros botões laterais (axilares), acarretando floração irregular. Aphelenchoides ritzemabosi pertence à ordem Tylenchida, subordem Aphelenchina, com estomatostílio muito delicado associado a esôfago afelencóide. Além do crisântemo, esse nematóide pode causar danos em várias espécies de ornamentais. Sua ocorrência é maior sob temperatura e umidade relativa elevadas. O nematóide permanece no solo, em folhas mortas, e na parte aérea das plantas matrizes. Respingos de água de chuva ou de irrigação (aspersão) contaminam as folhas inferiores das plantas sadias com solo infectado. A partir desse momento, o nematóide começa seu ataque, penetrando através dos estômatos das folhas. A disseminação também ocorre por meio de material vegetal doente e larvas de insetos ou lesmas. Podem ocorrer de 5 a 10 gerações de nematóides em um único ano.

Nematóide de Raiz - Pratylenchus penetrans (Cobb) Filipjev & Sch. Stekhoven. Sintomas característicos compreendem subdesenvolvimento das plantas, clorose e murcha das folhas e atrofia do sistema radicular, culminando com a morte das plantas. O efeito de P. penetrans em crisântemo pode ser bastante intensificado se ocorrer associação com fungos patogênicos. Pratylenchus penetrans caracteriza-se por apresentar região labial baixa, estilete curto e robusto, bulbo mediano do esôfago bem desenvolvido e glândulas esofagianas formando um lobo curto que recobre o início do intestino ventral e lateral. Reproduzem-se por anfimixia ou partenogênese meiótica ou mitótica. As fêmeas apresentam vulva situada no terço posterior do como sendo apenas o ramo anterior do aparelho reprodutor bem desenvolvido. Machos são freqüentemente encontrados. Têm hábito endoparasita migrador e podem sobreviver em restos de cultura.

Doenças Abióticas - O crisântemo está sujeito a uma série de anomalias abióticas de origem diversa. O exagerado número de produtos químicos geralmente utilizados em mistura promove, com certa freqüência, o aparecimento de sintomas de fitotoxicidade, que podem ser variáveis e associados com deficiências nutricionais. Os mais comumente encontrados são folhas ligeiramente deformadas, bronzeadas ou amareladas, com algumas manchas cloróticas e textura coriácea com aspecto de queimadura. Pontas das folhas apresentam queimaduras e seca devido ao uso de esterco de curral mal curtido. O talo oco aparece em algumas variedades e está relacionado com o excesso de fertilização nitrogenada, baixa luminosidade e excesso de umidade no solo. O aborto de botões (capítulos) pode ser provocado por insetos, mas geralmente está relacionado com variações bruscas de temperatura associadas a baixa umidade ambiental.
DOENÇAS DO CICLÂMEN - Cyclamen persicum Mill.
Podridão Mole - Erwinia chrysanthemi Burkholder, McFadden & Dimock. O sintoma típico desta bacteriose é a podridão aquosa de raízes e rizomas, que adquirem coloração marrom-escura brilhante e odor fétido característico. Rizomas afetados apresentam tecidos amolecidos que desfazem-se ao toque, exibindo descoloração vascular de coloração marrom. Na parte aérea ocorre murcha e amarelecimento. A bactéria pode ainda atingir pecíolos e folhas, onde causa lesões escuras aquosas, com tecidos soltos, levando a planta à morte. Para etiologia, vide doenças do crisântemo.

Antracnose - Glomerella cingulata (Stonem.) Spauld. et Schrenk. (Colletotrichum gloeosporioides (Penz) Penz & Sacc.). Sintomas nas folhas aparecem na forma de manchas pequenas, de coloração marrom, deprimidas quando vistas pela parte de baixo, podendo coalescer e formar grande área necrótica. Folhas imaturas são seriamente afetadas e morrem. Nas flores, as lesões também são marrons e podem ser confundidas com lesões de Botrytis cinerea. Quando observadas de perto podem apresentar massa característica de esporos de cor alaranjada. O ascomiceto G. cingulata corresponde, em sua fase anamórfica, a Colletotrichum gloeosporioides, que produz acérvulos sobre base estromática subcuticular que, na maturidade, rompem a cutícula pela formação de conidióforos em paliçada e setas. Conídios são unicelulares e hialinos. A disseminação dentro da cultura dá-se através de respingos de água de chuva ou irrigação. Condições favoráveis para o desenvolvimento da doença são alta umidade e temperatura com ótimo em torno de 20 a 250C.

Mofo Cinzento - Botrytis cinerea. Pers. ex Fr. Essa doença provoca sintomas em pétalas, pecíolos e folhas. Nas pétalas, aparecem lesões aquosas, evoluindo para necróticas, de coloração escura. Nas flores coloridas, os sintomas são semelhantes, porém as margens da lesão têm coloração mais intensa. Pecíolos e pedicelos florais colapsam e exibem esporulação do fungo de coloração acinzentada. Folhas afetadas apresentam lesões aquosas, que passam a necróticas e adquirem coloração marrom­escura. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Murcha de Fusarium - Fusarium oxysporum f.sp. cyclaminis Gerlach. Sintomas podem aparecer em plantas em qualquer estádio de desenvolvimento. Plantas jovens, em raízes apodrecidas, porém sem descoloração vascular do rizoma, apresentam sintomas de murcha e am amarelecimento de folhas. Plantas mais velhas exibem folhas murchas, resultam no colapso de toda planta que apresenta sistema vascular de rizoma com coloração escura, avermelhado, quase negro, porém permanecendo firme ao tato. Também exibem raízes apodrecidas. Para etiologia, vide doenças do cravo.
DOENÇAS DAS ORQUÍDEAS - FAMÍLIA ORCHIDACEAE (Cattleya, Cymbidium, Dendrobium, Epidendrum, Miltonia, Laelia, Oncidium, Phalaenopsis, Vanda e outros).
Mosaico do Cymbidium e Mancha Anelar do Odontoglossum - “Cymbidium mosaic virus - CyMV” e “Odontoglossum ringspot virus - ORSV”. Apesar de serem vírus distintos, muitas vezes são encontrados conjuntamente e causam sintomas semelhantes em inúmeros gêneros de orquídeas. Embora seja comum a ocorrência de infecções mistas, CyMV também pode ser encontrado isoladamente.

Sintomas característicos dessas viroses são mosaicos em Cymbidium; manchas escuras, necróticas e irregulares em Cattleya e Laelia (Prancha 57.6); manchas anelares concêntricas amareladas a necróticas, especialmente na face inferior das folhas de Phalaenopsis. Flores podem apresentar sintomas bastante evidentes como necrose ou “color break” (quebra na continuidade da cor das pétalas), comumente observados em Cattleya (Prancha 57.6) ou ainda sintomas suaves como maior transparência das pétalas e aumento no tamanho das veias nervais de Phalaenopsis.

CyMV é uma espécie do gênero Potexvirus e apresenta partículas flexuosas com cerca de 475 x 13 nm. Ocorre em praticamente todo o mundo. É facilmente transmitido mecanicamente. Não apresenta vetor conhecido. ORSV, uma espécie do gênero Tobamovirus, apresenta partículas rígidas alongadas, com 300 x 18 nm. Analogamente a CyMV, ORSV infecta orquídeas em todo o mundo e é facilmente transmitido mecanicamente. Não apresenta vetor conhecido.

Lesão Anelar Necrótica - Rhabdovirus. Bem característicos, os sintomas geralmente são lesões castanhas circulares bem delimitadas, aparecendo nas duas faces das folhas ou nas hastes. Em alguns gêneros, como Miltonia e Oncidium, essas lesões são pequenas e claras, em outros, como Brassia, as lesões são grandes, salientes e brilhantes. Sintomas desse tipo, especialmente observados em espécies dos gêneros que apresentam folhas mais macias e menos espessas (apesar de também ocorrer em gêneros com folhas espessas, como Laelia e Cattleya), têm sido associados com a presença de partículas baciliformes, típicas do gênero Rhabdovirus.

Mancha Aquosa ou Mancha Marrom - Pseudomonas cattleyae (Pav.) Sav. Relatada no Brasil em Cattleya autumnalis, não parece ser muito importante sob nossas condições. Os sintomas manifestam-se na forma de manchas aquosas escuras, geralmente nas folhas mais velhas da planta. As lesões são bem definidas, parecidas com queimaduras de sol. Os pseudobulbos, quando infectados, apresentam manchas aquosas semelhantes às das folhas e flacidez tissular.

Podridão Mole - Erwinia carotovora subsp. carotovora (L.R.Jones) Bergey et ai. e E. chrysanthemi Burk.. McFadden & Dimock. Sintomas são bastante característicos, principalmente em plantas do gênero Phalaenopsis, e consistem em podridão mole ou meia das partes afetadas (geralmente folhas), a qual evolui chegando a praticamente “dissolver” todo e limbo foliar. Um sinal da doença é o odor desagradável característico.

Bactérias do gênero Erwinia são dependentes de água livre sobre o tecido para sua disseminação e infecção. Isso explica o fato desta doença ser importante para o gênero Phalaenopsis. Neste gênero, o ângulo de inserção das folhas é de quase 90º, o que favorece o armazenamento de água nessa região, facilitando o desenvolvimento de bactérias. Gêneros de orquídeas que apresentam folhas eretas estão menos sujeitos à infecção por essa bactéria. Para etiologia, vide doenças do crisântemo.



Antracnose - Colletotrichum crasspies (Speg.) Arx e C. gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc. Sintomas iniciam-se geralmente na face superior da folha, com o aparecimento de lesões escuras de forma circular ou elíptica. Estas aumentam rapidamente de tamanho e formam grandes manchas que ocupam área significativa do limbo foliar. O centro da lesão caracteriza-se por ser deprimido e de coloração pardacenta, formando inúmeras zonas concêntricas, escuras e bem definidas, do centro até as bordas, (Prancha 57.7). É possível observar a presença de acérvulos no interior das lesões, que apresentam-se como pequenos pontos escuros, de onde sai uma massa de conídios envolta numa matriz mucilaginosa de coloração rosada ou alaranjada. Sintomas em outras estruturas da parte aérea também podem aparecer, mas com freqüência menor. Nas flores, os sintomas são semelhantes aos do ataque de Botrytis, como aparecimento de pontuações escuras nas pétalas. Para etiologia, vide doenças do ciclâmen.

Podridão Negra ou Podridão do Pseudobulbo - Pythium sp. e Phytophthora sp. Esses fungos podem infectar orquídeas ainda na fase de sementeira, causando “damping-off” ou tombamento das plântulas. A infecção de plantas mais velhas manifesta-se nas raízes e no colo, por onde os fungos penetram, estendendo-se para o pseudobulbo e posteriormente para a região inferior do limbo foliar, onde há o aparecimento de manchas castanhas, que logo se caracterizam pelo aspecto de podridão marrom ou negra. Com o desenvolvimento da doença, os tecidos afetados apresentam podridão mole. Quando o fungo avança em direção às folhas, estas tornam-se facilmente destacáveis. Condições de alta umidade relativa favorecem o rápido desenvolvimento do fungo, bem como a evolução dos sintomas. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Murcha ou Podridão de Raiz e Pseudobulbo - Fusarium oxysporum Schlecht. Fr. f.sp. cattleyae V. Foster. Analogamente ao que ocorre no caso da podridão negra, sintomas iniciam-se pelas raízes e colo da planta e vão evoluindo de maneira ascendente até alcançarem o pseudobulbo e as folhas. Nesse caso, o patógeno encontra-se nos feixes vasculares da planta, fazendo com que o processo de doença seja ainda mais acelerado e cu!mine, em grande parte das vezes, na morte da planta. As folhas, quando infectadas, tornam-se flácidas e destacam-se do pseudobulbo. Estes, em pouco tempo perdem a turgescência e morrem. Para etiologia, vide doenças do cravo.

Mofo Cinzento - Botrytis cinerea Pers. ex Fr. Sintomas caracterizam-se pelo aparecimento de pequenas manchas pardas nas pétalas das flores, de onde sai um micélio cotonoso acinzentado, especialmente em condições de alta umidade. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Murcha de Sclerotium ou Podridão da Base - Sclerotium rolfsii Sacc. Sinais caracterizam-se por micélio cotonoso branco na região basal da planta, que espalha-se sobre o pseudobulbo, podendo chegar às folhas. Muitas vezes as raízes também apresentam crescimento de micélio na superfície. A evolução da doença leva à formação de escleródios mais ou menos circulares, com cerca de 1 mm de diâmetro, inicialmente brancos e posteriormente escuros. Estes permanecem viáveis no solo por até 5 anos. Plantas severamente atacadas apresentam podridão nas regiões do colo e pseudobulbo, além de murcha na parte aérea. Para etiologia, vide doenças do cravo.

Ferrugem - Hemileia oncidii Grif. & Maubl. Sintomas iniciais aparecem como pequenas lesões castanhas na superfície dos tecidos afetados (folhas, espatas e pseudobulbos), evoluindo para pústulas pulverulentas amarelo-alaranjadas ou amarelo intenso nas duas faces do limbo foliar. Hemileia oncidii é um basidiomiceto encontrado com relativa freqüência em plantas do gênero Oncidium e caracteriza-se por apresentar uredósporos unicelulares, alaranjados e rombudos, com secções triangulares. Os esporos são disseminados pelo vento e necessitam de alta umidade para sua germinação. Temperaturas amenas a altas favorecem o patógeno.

Manchas de Folhas -Phyllosticta sp. e Selenophoma sp. Uma série de fungos pode causar sintomas de manchas foliares. No entanto, Phyllosticta e Selenophoma são os mais comum em nossas condições, infectando grande número de gêneros de orquídeas. Os sintomas das doenças causadas por estes patógenos caracterizam-se por manchas castanhas que evoluem para manchas circulares ou ovaladas escuras, com bordos bem definidos e centro de coloração pardo-clara. Nessa região, é possível observar a presença de pequenos pontos pretos que correspondem aos corpos de frutificação do fungo.

Podridão de Raiz - Thanatephorus cucumeris (Frank) Donk (Rhizoctonia solani Kühn). Encontrada em Phalaenopsis, onde pode causar sérios danos, como podridão de raízes, provocada pelo ataque direto do patógeno no local. Com a evolução da doença, há o comprometimento da passagem de água e nutrientes para a parte aérea da planta, promovendo sintomas reflexos de murcha foliar e deficiência nutricional, como avermelhamento de folhas.

Crosta-Negra - Mycoleptodiscus indicus (Sahni) Sutton. Doença encontrada até o momento apenas em orquídeas da espécie Vanilla fragrans (baunilha), no Estado da Bahia, em 1986. Os sintomas são o aparecimento de lesões grandes e negras, com aspecto de crosta em folhas, frutos e caules.

Doenças Abióticas - Como anomalias abióticas podemos citar: mosqueado clorótico em folhas, provocado por deficiência de ferro e facilmente confundido com virose; seca de sépalas, causada por toxidez por etileno; “color break” (quebra na continuidade da cor das pétalas), relativamente comum em Cattleya, pode ser provocada por queda brusca de temperatura e também pelo ORSV; podridão de sépalas, ocasionado por alta concentração de nitrogênio solúvel ou altos níveis de poluentes atmosféricos; necrose de topo (ápice foliar), devido a deficiência de cálcio; amarelecimento e aborto de botões florais, comum em gêneros como Cymbidium e Phalaenopsis, é provocado por combinação de temperatura e fotoperíodo inadequados à planta, no período que antecede a floração.
DOENÇAS DAS PLANTAS VERDES - FAMÍLIA ARACEAE (Aglaonema, Anthurium, Caladium, Dieffenbachia, Epipremnum, Monstera, Philodendrom, Spathiphyllum e Syngonium).
Mosaico - Vírus do mosaico do inhame (“Dasheen mosaic virus”). Relatado no Brasil em inúmeras aráceas ornamentais e comestíveis, provoca sintomas de mosaico, distorções foliares ou desenhos periformes ao longo das nervuras. Apesar de não ser muito comum sob nossas condições, esse vírus merece atenção por ser perpetuado através de propagação vegetativa e também transmitido de forma não-persistente por afídeos.

Mancha Foliar - Xanthomonas campestris pv. dieffenbachiae (Pammel) Dowson. Plantas afetadas podem exibir lesões irregulares, inicialmente pequenas, aquosas, de coloração amarelada em folhas e na espádice (Prancha 57.9). Com a evolução da doença, essas lesões coalescem e tomam coloração amarela a castanho-avermelhada. Em algumas espécies da família Araceae, as lesões podem ser aquosas, deprimidas, de coloração escura, circundadas por halo clorótico. Raramente as lesões atingem pecíolos e caules, podendo se restringir em alguns casos ao bordos foliares ou entre as nervuras. A doença pode também ser sistêmica. Neste caso, os sintomas são de clorose generalizada nas folhas mais velhas, quebra ou colapso de pecíolo e descoloração vascular. A doença é causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. dieffenbachiae, caracterizada como bastonete reto, flagelada monotríquia, aeróbia estrita e gram­negativa. A temperatura máxima para seu desenvolvimento situa-se entre 37-380C e a mínima em torno de 50C. O pH ideal é entre 6,4-6,8.

Podridão Mole - Erwinia chrysanthemi Burkholder, McFadden & Dimock e E. carotovora subsp. carotovora (Jones) Bergey et al. O sintoma típico da doença é a podridão aquosa de estacas, raízes e parte aérea, de coloração marrom-escura e brilhante. Tecidos afetados apresentam-se amolecidos, desfazendo-se ao toque, e apresentam odor fétido peculiar. Na parte aérea, as plantas mostram-se murchas e com as folhas inferiores amarelecidas. Pecíolos e folhas atacados exibem lesões aquosas escuras, com tecidos soltos, ocasionando em pouco tempo a morte da planta. Para etiologia, vide doenças do crisântemo.

Antracnose - Colletotrichum sp. Sintomas da antracnose são lesões foliares arredondadas ou irregulares, necróticas, circundadas por um halo amarelado, que podem coalescer (Prancha 57.8). No centro dessas lesões podem aparecer pequenas pontuações escuras que são os corpos de frutificação do fungo. O tecido afetado tende a secar e a destacar do limbo foliar. Para etiologia, vide doenças do ciclâmen.

Murchas e Podridões de Raízes - Fusarium sp., Sclerotium rolfsii Sacc., Rhizoctonia solani Kühn, Pythium sp. e Phytophthora sp. Sintomas compreendem murcha e algumas vezes amarelecimento da parte aérea das plantas. O sistema radicular apresenta lesões necróticas marrom-escuras a negras. Estacas afetadas exibem podridão no local de contato com o solo ou substrato ou logo abaixo desta, com enraizamento insuficiente ou nulo. Com a evolução da doença ocorre a morte das mesmas.

A doença é causada por fungos dos gêneros Fusarium, Sclerotium, Pythium, Phytophthora e Rhizoctonia, responsáveis por murcha e podridão radicular numa ampla gama de hospedeiros. Para etiologia, vide doenças do cravo e azaléa.



Podridão Negra - Phytophthora citrophthora (Sm. & Sm.) Leonian. Folhas, espádices, pedúnculos e pccíolos dc Anthurium exibem podridão de coloração negra com bordos da lesão encharcados. O causador da doença é oomiceto P citrophthora, caracterizado por possuir esporângios com forma predominantemente ovóide ou piriforme, persistentes em água (quase não se destacando dos respectivos esporangióforos).

Mofo Cinzento - Botrytis cinerea. Pers. ex Fr. Sintomas da doença aparecem na forma de lesões foliares inicialmente aquosas, marrons, que com o passar do tempo se tornam necróticas e enegrecidas. Sob temperatura amena e alta umidade relativa, aparece uma massa de micélio e conídios do fungo, de coloração marrom-acinzentada típica, sobre as lesões. Em estacas em fase de enraizamento, o sintoma é de podridão de coloração marrom, tanto em folhas como nos demais tecidos, principalmente junto aos pontos de corte. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Ferrugem - Uredo anthurii (Har.) Sacc. Doença de maior ocorrência em períodos com alta umidade relativa e temperatura entre 19-210C. Folhas afetadas exibem, em sua página superior, manchas pequenas e amareladas e, na página inferior correspondente, pústulas recobertas por massa de esporos de coloração amarela.

Manchas Foliares - Phoma sp., Alternaria sp. e Septoria sp. Folhas exibem manchas necróticas, arredondadas a circulares, de bordos definidos, com coloração parda ou acinzentada, podendo exibir círculos concêntricos no caso de Phoma e Alternaria, e presença de pontuações negras em seu centro compostas por estruturas dos patógenos (Phoma e Septoria). As lesões podem coalescer e tomar todo o limbo foliar.
DOENÇAS DA POINSETIA -Euphorbia pulcherrima Willd.
Podridão Mole - Erwinia carotovora (Jones) Bergey et ai. e E. chrysanthemi Burkholder, McFadden & Dimock. A doença pode acometer plantas a partir da fase de estacas. Estas, quando atacadas, exibem podridão mole de coloração marrom escura, que se inicia na região de contato entre a estaca e o substrato, causando sua morte. Plantas em desenvolvimento vegetativo mostram sintomas de podridão mole em caules e folhas, podendo também apresentar descoloração vascular. Plantas em estádio avançado de infecção tendem a entrar em total declínio e morte. Para etiologia, vide doenças do crisântemo.

Fogo Selvagem - Pseudomonas syringae pv. tabaci (Wolf & Foster) Young et. al. Relatada pela primeira vez no Brasil em 1979, essa doença causa lesões foliares necróticas irregulares, escuras, circundadas por halo clorótico.

Mofo Cinzento ou Podridão de Estacas - Botrytis cinerea. Pers. ex Fr. A doença pode aparecer em qualquer fase do desenvolvimento da planta. Nas estacas em fase de enraizamento, sintomas compreendem murcha de folhas e apodrecimento da estaca (Prancha 57.10). Durante as fases de desenvolvimento vegetativo e florescimento, sintomas podem aparecer tanto em folhas como nos ramos e pecíolos, na forma de lesões necróticas de coloração marrom. Nas folhas, os sintomas evoluem das bordas para o centro do limbo, e nos pecíolos e ramos geralmente promovem a murcha e a morte dos tecidos. As partes afetadas também podem mostrar exsudação de látex. Sob condições favoráveis (alta umidade relativa e temperaturas amenas) o fungo pode esporular sobre as partes afetadas, exibindo micélio e massa de esporos de coloração marrom acinzentada. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Podridão de Rhizoctonia - Thanatephorus cucumeris (Frank) Donk (Rhizoctonia solani Kühn). Em estacas em fase de enraizamento ocorre o apodrecimento do material de propagação ao nível do substrato, seguido de sua morte. Em plantas em fase de crescimento vegetativo, principalmente aquelas recém transplantadas para os vasos definitivos ou jardins, os sintomas são murcha, clorose e queda de folhas em conseqüência da necrose da região do colo da planta. Plantas em estádio avançado da doença morrem. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Podridão de Pythium - Pythium spp. Sintomas desta doença iniciam-se no sistema radicular, que mostra as extremidades escurecidas e necrosadas, evoluindo em direção ao caule da planta. Os sintomas reflexos são amarelecimento e murcha de folhas, culminando na morte da planta. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Podridão de Phytophthora - Phytophthora parasitica Dast. A doença pode afetar tanto o sistema radicular como a parte aérea. No sistema radicular, caracteriza-se pelo escurecimento e necrose de raízes. No caule, causa descoloração dos tecidos internos. Nas folhas, a doença aparece na forma de lesões necróticas pequenas, inicialmente de cor marrom, evoluindo para preta, que podem coalescer. Plantas afetadas apresentam sintomas de murcha e podem morrer em estádios avançados da doença. Para etiologia, vide doenças da azaléia.
DOENÇAS DA ROSEIRA - Rosa sp.
Mosaico - Complexo viral. Os sintomas são bastante variados, podendo se assemelhar a mosaico comum, mosaico amarelo, mosaico em faixas, mosaico em desenho ou clareamento das nervuras. Essa doença é encontrada endemicamente em roseirais do Estado de São Paulo, devido ao fato de a planta ser propagada vegetativamente através de estacas. Apesar de ser considerado pouco prejudicial à cultura, uma vez que os sintomas provocados não costumam ser muito severos, sabe-se que este complexo viral pode ocasionar perdas significativas na produção, tanto qualitativa quanto quantitativa (até 25% em algumas variedades). A descrição do mosaico da roseira foi feita no Brasil por Kramer em 1940, sendo a primeira referência de uma virose em planta ornamental no país. O sintoma de mosaico é provocado por um complexo viral constituído principalmente pelos vírus do mosaico da macieira (“Apple mosaic virus”­ApMV) e vírus do anel necrótico do pessegueiro (“Prunus necrotic ringspot virus” -PNRSV), ou ainda por associação de outros vírus, como o vírus latente do morangueiro (“Strawberry latent ringspot virus” - SLRSV), vírus do mosaico da Arabis (“Arabis mosaic virus” - ArMV) e vírus da necrose branca do fumo (“Tobacco streak virus” -TSV). No Brasil, ainda não foi elucidada a ocorrência ou não de complexo semelhante e quais são os vírus preponderantes infectando os roseirais.

Raiz em Cabeleira - Agrobacterium rhizogenes Rik et al. Semelhante ao que ocorre com a galha, essa espécie de Agrobacterium transfere um plasmídio para a roseira, estimulando a formação excessiva de raízes, geralmente escuras, finas e sem função para a planta. Menos comum que A. tumefaciens, essa bactéria também pode causar prejuízos em cultivos comerciais, especialmente quando acompanha a galha da coroa.

Galha da Coroa - Agrobacterium tumefaciens (Sm & Towns) Conn. Sintomas caracterizam-se pelo aparecimento de tumores arredondados e ásperos (Prancha 57.12), geralmente na região do colo e raízes das plantas, ou regiões que tenham recebido algum ferimento (como estacas). Também podem aparecer na região da enxertia ou ainda na parte aérea das plantas, após podas com instrumentos contaminados. As galhas apresentam tamanho bastante variado (de 0,5 cm a vários decímetros), de formato irregular, tendendo a circular e coloração desde pardo-clara quando jovens a negra quando maduras. Quando as galhas envolvem a região do enxerto, ocorre interrupção na circulação da seiva. Desse modo, a planta fica clorótica, raquítica, chegando a morrer após curto período de tempo. Ferimentos em hastes e raízes devem ser evitados, pois representam sítios de infecção. Para etiologia, vide doenças do crisântemo.

Míldio - Peronospora sparsa Berk. Sintomas e sinais característicos compreendem o aparecimento de manchas irregulares de coloração pardacenta a violácea na página superior das folhas e crescimento micelial de aspecto cotonoso branco-acinzentado, pouco denso, na face inferior correspondente (Prancha 57.11). As manchas espalham-se por toda a superfície da folha e quando chegam à base podem provocar o enrolamento, seca e queda da mesma. Em ataques severos, provoca desfolha total do ramo afetado. Geralmente, os sintomas iniciam-se no centro da planta e movem-se em direção ao ápice, chegando às extremidades dos ramos, pecíolos e brotos, que podem morrer. O ataque a botões florais promove o que alguns produtores chamam de “louquinha”, que são manchas avermelhadas nos cálices e botões florais acompanhadas de paralisação no desenvolvimento (Prancha 57.12). Nesses casos, os botões não alcançam a fase de flor aberta. O agente causal é o oomiceto Peronospora sparsa, um parasita obrigado. O micélio cenocítico de P. sparsa é intercelular no tecido do hospedeiro. Sob condições de umidade, há o aparecimento de esporangióforos eretos com cerca de 350 mm de comprimento na superfície inferior da folha, os quais são ramificados dicotomicamente e apresentam nas extremidades esporângios subelípticos de 17-22 x 14-18 mm. Oósporos podem ser encontrados nos tecidos infectados. A temperatura ótima para a germinação dos esporos é de 180C, sendo as temperaturas mínima e máxima de 50C e 270C, respectivamente, por um período de 24 horas. Não ocorre infecção se a umidade relativa for menor do que 85%. A presença de água livre sobre as folhas favorece enormemente o fungo. Condições de clima ameno e umidade relativa elevada, como nas regiões de baixada e muito sujeitas a neblina, são extremamente favoráveis ao desenvolvimento da doença.

Oídio ou Branco da Roseira - Sphaerotheca pannosa (Wellr.) Lév. (Oidium leucoconium Desm.). A doença, no Brasil, é causada pela fase imperfeita do patógeno. O. leucoconium apresenta micélio cotonoso branco-acinzentado, que pode ser visto superficialmente nas duas faces das folhas e demais órgãos, como ramos novos e botões florais. Conídios são produzidos em cadeias nas extremidades dos conidióforos. Por baixo desse micélio há pequenas manchas marrons, dificilmente visualizadas. Sob ataques severos, há encarquilhamento e queda de folhas, sendo este o principal problema causado pelo fungo. Pode haver morte dos ápices dos ramos, o que impede o aparecimento de novas brotações ou dá origem a brotos subdesenvolvidos. Botões florais infectados não abrem. Essas características de desfolha, morte de ramos e não produção de flor resultam numa queda acentuada da produção, provocando grandes prejuízos. Dias quentes e ensolarados e noites claras e frias são ideais para a proliferação do patógeno. A presença de água livre na superfície das folhas inibe o desenvolvimento do fungo, impedindo o desenvolvimento da doença.

Pinta Preta - Diplocarpon rosae Wolf (Marssonina rosae (Lib.) Lind). Inicialmente, a doença manifesta-se na forma de pequenas manchas descoloridas na página superior das folhas. Estas vão escurecendo e aumentando de tamanho até alcançarem diâmetro de cerca de 10 mm, com a característica singular de apresentarem bordos franjados. A coalescência das manchas provoca um amarelecimento generalizado do limbo foliar, resultando em grande desfolha. Hastes também podem apresentar manchas semelhantes às das folhas, porém em menor intensidade. Ataques severos podem acarretar distorção de flores sendo, no entanto, dificilmente visualizada em condições de campo.

O agente patogênico é o ascomiceto Diplocarpon rosae, encontrado geralmente em sua forma imperfeita Marssonina rosae, que produz acérvulos de 50 a 400 mm e esporos binucleares, com uma célula afilada e a outra rombuda. Conídios medem 15-25 x 5-7 mm e aparecem na superfície sobre uma massa esbranquiçada. Suas hifas são hialinas quando novas, mas escurecem com o tempo. A forma perfeita é raramente formada, ocorrendo em países de clima mais frio.

O patógeno é bastante específico e se aproxima de um parasita obrigatório. No entanto, pode ser cultivado em meio de BDA (batata-dextrose-ágar), mas requer de 15 a 37 dias para formar uma colônia visível a partir de um único esporo e um mês para a colônia alcançar o diâmetro de 2-9 mm. A virulência pode ser perdida em poucos meses quando cultivado em meio artificial. Em qualquer uma das fases de desenvolvimento do patógeno, a umidade relativa deve ser de pelo menos 80 a 90%. As folhas de roseira são mais suscetíveis quando novas, de 5 a 14 dias de idade. Para que ocorra a germinação, os conídios precisam de 100% de umidade por pelo menos cinco minutos. Para ocorrer a infecção, esse período de água livre no tecido deve continuar por mais de sete horas. M. rosae tolera uma grande variação de temperatura (15-270C), sendo que a temperatura ótima para a germinação dos conídios é em torno de 180C. O patógeno é sensível a altas temperaturas. Para o desenvolvimento da doença, a temperatura ótima está em torno de 240C.

A importância dessa doença tem diminuído significativamente devido ao aumento da área de cultivos protegidos, onde a utilização de sistemas de irrigação localizada e condições ambientais desfavoráveis não permitem o desenvolvimento do fungo.



Seca dos Ramos - Phomopsis sp. e Botryodiplodia sp. Essa doença pode ocorrer durante o ano todo, mas aparece principalmente após a poda ou enquanto durar a colheita dos botões. O sintoma inicia-se como podridão parda a partir do ramo seccionado e caminha de maneira descendente. Ao atingir a haste principal, pode provocar a morte da roseira. A doença, causada pelos deuteromicetos Phomopsis e Botryodiplodia, é favorecida por clima úmido e temperatura ao redor de 280C, sendo possível observar pontuações escuras, correspondentes aos corpos de frutificação dos patógenos, sobre as lesões.

Mofo Cinzento - Botrytis cinerea Pers. ex Fr. Geralmente, os sintomas manifestam-se em botões e flores não totalmente abertos. Quando o ataque é ainda em botões em formação, estes tornam-se escuros (descoloridos), endurecidos, pendentes e não abrem. Em torno dos botões há formação de um crescimento micelial marrom acinzentado. Na pós-colheita, os botões exibem necrose das pétalas e, em alguns casos, das hastes, com presença de crescimento micelial e massa de esporos do fungo de coloração típica marrom-acinzentada. Ocasionalmente, podem aparecer manchas pardas irregulares nas folhas. O ataque pode se dar também nos ramos, iniciando-se nos pontos de corte de colheita das flores. Nesse caso, o tecido mostra-se necrosado e escurecido. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Ferrugem - Phragmidium sp. (Pers.) Schlecht. Essa doença pode causar prejuízos devido a desfolha, enfraquecimento da planta e diminuição da produção. Os sintomas iniciais são o aparecimento de manchas cloróticas a avermelhadas na face superior das folhas e pequenas pústulas amarelo-alaranjadas brilhantes na face inferior. Em ataques severos, as folhas ficam enrugadas.

Cancro da Haste - Coniothyrium wernsdorffiae Laubert, C. fuckellii Sacc. e C. rosarum Cooke & Harkn. A doença afeta a haste da roseira produzindo cancros, os quais iniciam-se por uma mancha avermelhada a parda, com centro claro e bordas escuras. Nesse estádio surgem pequenas fendas longitudinais na casca da área doente, de onde aparecem picnídios.

Cancro Pardo - Cryptosporella umbrina (Jenk.) Jenk. & Wehmeyer - Diaporthe umbrina Jenk. Os sintomas são cancros com centro de coloração parda e bordos mais escuros. A parte da planta afetada pode ficar recoberta por estruturas do patógeno, apresentando uma coloração amarelada no local. As manchas são mais comuns nas hastes, principalmente em regiões úmidas como o colo da planta, especialmente se há cobertura de matéria orgânica no solo. Nas folhas e pétalas, apesar de raras, podem aparecer manchas púrpuras a pardas.

Podridão de Estacas - Cylindrocladium scoparium e Cylindrocladium clavatum. Propriedades que utilizam casca de eucalipto como substrato têm maiores chances de terem problemas com esses fungos. Condições de elevada umidade relativa favorecem o desenvolvimento do patógeno e aceleram o processo de apodrecimento das estacas de roseira.

Roseliniose - Roselinia sp. O sintoma provocado diretamente pelo fungo é podridão negra das raízes, a qual aparece juntamente com agregados miceliais na forma de cordões esbranquiçados que tornam-se enegrecidos. Cortes do caule mostram escurecimento dos vasos. Amarelecimento, murcha, queda de folhas e morte progressiva dos ramos são os sintomas reflexos que podem ser observados devido à absorção deficitária de água e nutrientes pelas raízes das plantas afetadas.

Murcha de Verticillium - Verticillium dahliae Kleb. A penetração do fungo dá-se pelas raízes das plantas, sendo que os sintomas primários da doença (podridão de raízes e escurecimento interno dos vasos) são difíceis de serem visualizados. Geralmente, a doença é detectada devido aos sintomas secundários, como murcha e amarelecimento da parte aérea e finalmente morte da planta. Cortes transversais nos tecidos afetados possibilitam a visualização de vasos descoloridos. Outros fungos causadores de manchas em folhas e flores, já relatados no Brasil, porém de pouca importância econômica para a cultura, são: Cercospora sp.; Mycosphaerella rosicola; Septoria rosae; Phyllosticta sp.; Cladosporium sp.

Nematóide das Raízes - Pratylenchus vulnus Allen & Jensen. Esse nematóide provoca a necrose no sistema radicular, levando a planta ao subdesenvolvimento, além de induzir sintomas de clorose e deficiência nutricional, especialmente de ferro, cobre e potássio. Altas densidades do patógeno reduzem a produção de flores e a longevidade das plantas, sendo problemas sérios para os produtores. Alguns trabalhos mostram que os porta-enxertos Rosa chinensis e R. multiflora são mais resistentes.

Galha das Raízes - Meloidogyne hapla. O sintoma característico causado por M. hapla é o aparecimento de galhas no sistema radicular. Em função dessas galhas, observa-se o sintoma reflexo de subdesenvolvimento e declínio das plantas doentes.

Deformação da Flor - Mudanças bruscas de temperatura durante a formação do botão floral podem induzir a formação de flores defeituosas. Deficiência de boro em algumas variedades pode ocasionar o entortamento da base de botões.
DOENÇAS DA VIOLETA AFRICANA - Saintpaulia ionantha Wendl.
Mancha Foliar de Pseudomonas - Pseudomonas cichorii (Swingle) Stapp. Sintomas dessa bacteriose consistem em lesões foliares necróticas de coloração marrom clara ou escura, irregulares e com aspecto aquoso.

Podridão Mole - Erwinia chrysanthemi Burkholder, Mc. Fadden & Dimock. Essa bacteriose provoca podridão aquosa que inicia-se em qualquer parte da planta. As lesões apresentam-se levemente deprimidas, de coloração marrom-escura brilhante. Com a evolução da doença as lesões tornam-se rapidamente necróticas e rompem-se facilmente, deixando orifícios nas folhas. Num estádio mais avançado ocorre a morte da planta (Prancha 57.15). Essa doença é de maior ocorrência em temperaturas amenas a elevadas. Para etiologia, vide doenças do crisântemo.

Podridão de Raízes - Pythium sp. Sintomas iniciam-se com a podridão de raízes, podendo evoluir para o colo da planta. Mudas com raízes apodrecidas e enegrecidas geralmente morrem. Os sintomas aparecem em plantas cultivadas sob condições de encharcamento excessivo do substrato. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Mofo Cinzento - Botrytis cinerea Pers. ex Fr. Sintomas podem aparecer tanto nas folhas como nas flores. Nas folhas, caracterizam-se por lesões necróticas de coloração marrom, aquosas, de tamanho variável, espalhadas por toda a folha. Nas flores, a podridão também é aquosa, de coloração marrom, podendo iniciar-se no pedúnculo floral, nas pétalas ou no miolo da flor (estames) (Prancha 57.14). Nos órgãos atacados nota-se a presença de crescimento micelial, conidióforos e massa de conídios típicos, de cor marrom acinzentada. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Podridão de Phytophthora - Phytophthora nicotianae var. parasitica (Dast.) Waterh. O sintoma típico da doença é a murcha da planta, reflexo do apodrecimento das raízes. Com o tempo, a podridão evolui por toda a parte aérea, caracterizando-se como podridão seca, de coloração marrom e ocasionando a morte da planta. Para etiologia, vide doenças da azaléia.

Oídio - Oidium sp. Sintomas podem ocorrer em folhas, pecíolos e flores, na forma de lesões circulares pequenas (1 cm de diâmetro) com a presença de crescimento micelial e massa de esporos de coloração branca. Nas folhas, a presença do fungo pode ser vista em ambas as faces do local lesionado. Ocorre com maior freqüência quando o ambiente se encontra com umidade relativa excessiva e má ventilação.

Miolo Duro - Aphelenchoides ritzemabosi (Schwartz) Steiner & Buhrer. Plantas infectadas com este nematóide foliar apresentam folhas centrais e mais novas enfezadas, coriáceas e de coloração verde intenso, daí o nome “miolo duro”. Plantas atacadas não se desenvolvem mesmo em condições favoráveis ao crescimento. O florescimento é ausente ou insignificante. Os sintomas podem demorar a aparecer. Para etiologia, vide doenças do crisântemo.

Doenças Abióticas - Como exemplos de doenças abióticas, temos mancha de água fria em plantas irrigadas com água a temperaturas abaixo de 180C, que caracteriza-se por mancha foliar clorótica anelar ou irregular no local de contato com a água e queimadura, causadas por defensivos em altas dosagens. A utilização de doses corretas de defensivos e fertilizantes, bem como a aplicação em períodos de temperaturas mais amenas do dia, minimizam este problema.
MEDIDAS GERAIS DE CONTROLE DE PLANTAS ORNAMENTAIS

A primeira medida de controle consiste em impedir ou minimizar a entrada de patógenos na área, através da utilização de mudas, matrizes e substratos livres de patógenos, especialmente de fungos como Fusarium, Pythium, Rhizoctonia e Phytophthora. A utilização de material propagativo sadio, no caso de orquídeas, é a principal medida de controle de viroses, especialmente o mosaico do Cymbidium e a mancha anelar do Odontoglossum. A água de irrigação deve ser preferencialmente de sub-superfície ou de chuva, pois estas são normalmente isenta de patógenos.

O tratamento químico ou físico do solo ou substrato pode ser realizado como medida erradicante. Pode-se usar solarização, vapor quente ou fungicidas fumigantes. Neste último caso, deve-se atentar para problemas de fitotoxidez: o cravo, por exemplo, é muito sensível a alguns fumigantes. No caso do cultivo da poinsétia, é comum a utilização de casca de arroz carbonizada como substrato. O agricultor, no entanto, deve se certificar de que a palha esteja completamente carbonizada, pois a casca de arroz é veículo de vários patógenos e pragas.

O controle da irrigação é de extrema importância no controle de podridões de colo e raízes, como os causados por Botrytis, míldios e oídios. Para reduzir a umidade ambiental, deve-se favorecer a circulação de ar entre as plantas por meio de espaçamento adequado, manejo de cortinas laterais em estufas e, se necessário, empregar aparelhos de ventilação forçada como “pad-fans” ou exaustores. Bancadas de produção do tipo telado metálico favorecem a rápida secagem do ambiente. A utilização de plásticos de cobertura aditivados com substâncias antigotejamento evita que a água condensada no teto caia sobre as plantas e favoreça a formação de lâmina de água sobre os tecidos. Sempre que possível, deve-se optar pela utilização de equipamento de irrigação localizada ao invés de sistemas de aspersão, pois estes favorecem a disseminação de patógenos através de respingos de água e elevam a umidade relativa no interior das estufas. Caso seja utilizado sistema de aspersão, a rega deve ser efetuada preferencialmente pela manhã, para permitir a completa secagem da folhagem antes do período noturno. Em casos de cultivo de roseiras em campo aberto, deve-se evitar a implantação da cultura em baixadas e locais onde exista a possibilidade de longos períodos de neblina. Finalmente, deve-se evitar encharcamento do substrato, adequando os turnos de rega em função do tipo de substrato utilizado.

Medidas de sanitização, como eliminação de plantas doentes e restos culturais, desinfestação de bancadas com solução de hipoclorito de sódio ou cálcio (especialmente após infestação por Erwinia), controle de insetos e ervas invasoras e desinfecção de instrumentos de corte (com solução de fosfato trissódico 5% por 5 minutos, por exemplo) são necessárias para evitar a disseminação de patógenos e reduzir a quantidade de inóculo dos mesmos. No caso de seca de ramos da roseira causado por Phomopsis e Botryodiplodia, por exemplo, o controle é efetuado através de poda das partes afetadas, no mínimo 20 cm abaixo da área lesionada, ou eliminação total da planta se esta estiver muito afetada. Vários produtores adotam a prática de utilizar grandes cestos de lixo no interior das estufas, para onde o material contaminado é levado, até que seja eliminado. Esta é uma prática interessante, pois proporciona uma rápida limpeza do local, evitando seu acúmulo sobre bancadas ou no chão.

Adubações devem ser balanceadas. Excesso de nitrogênio, por exemplo, predispõe a planta pois esta fica com tecidos mais suculentos. O cálcio, por outro lado, quando em concentrações adequadas, pode prevenir o aparecimento de várias doenças, como murchas e podridões radiculares em cravo.

O controle químico pode ser efetuado preventivamente através do uso de fungicidas específicos incorporados à água de irrigação para o controle de murchas e podridões e tratamento de estacas e pulverizações na parte aérea, para o combate de doenças foliares. Estas devem ser em alto volume para garantir a cobertura de toda a parte aérea da planta, e semanais. No caso de altas infestações, como de ferrugem branca em crisântemo, aconselha-se mais de uma pulverização semanal. No entanto, deve-se atentar ao fato de que alguns fungos, como Botrytis, podem desenvolver rapidamente resistência aos fungicidas. Esse problema é minimizado por meio da rotação de produtos de diferentes grupos químicos e aumento de intervalos de aplicação. A aplicação de fungicidas (enxofre) por sublimação dentro de estufas também é técnica amplamente utilizada e proporciona resultados extremamente positivos no controle de oídio, por exemplo. Antibióticos (oxitetraciclina + estreptomicina) podem ser utilizados no tratamento do sistema radicular de espécies suscetíveis a A. tumefasciens, agente causal da galha-das-coroas, mas este tratamento é muito dispendioso. Uma alternativa, utilizada na Europa, Estados Unidos e Austrália, é o controle biológico da bactéria com a estirpe “K-84” de A. radiobacter, que produz agrocina-84, substância bactericida. No Brasil, testes com esta estirpe já foram realizados em campo e mostraram resultados satisfatórios. A utilização de nematicidas de forma preventiva ou erradicante pode ser efetuada com sucesso para o controle de Aphelencoides em violeta-africana.
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DOENÇAS DO QUIABEIRO

(Hibiscus esculentus L.)

N. S. Massola Jr. & I. P. Bedendo

OÍDIO - Erysiphe cichoracearum De Candolle (Oidium ambrosiae Thum.)

O oídio é a principal doença da cultura do quiabeiro, podendo causar redução na produção durante a estação seca do ano, O controle desta doença é difícil devido ao ciclo longo do quiabeiro, fazendo-se necessário um número elevado de aplicações de fungicidas.



Sintomas - O fungo coloniza ambas as faces das folhas, começando pelas mais velhas. No início, aparecem áreas esbranquiçadas irregulares sobre as folhas, preferencialmente ao longo das nervuras principais. Com o desenvolvimento da doença, toda a superfície da folha pode ficar recoberta por micélio e conídios do fungo, brancos e de aspecto pulverulento. Nessa fase, as folhas atacadas amarelecem e caem, causando grande desfolha na cultura.

Etiologia - Oidium ambrosiae é um parasita biotrófico que coloniza somente as células epidermais das folhas do hospedeiro. Na superfície das folhas atacadas, o fungo produz abundante frutificação, constituída por conídios ovais, unicelulares, hialinos e produzidos em cadeia sobre conidióforos curtos.

Estações secas favorecem grandemente o fungo, razão pela qual a doença é mais importante no inverno. A disseminação dos esporos ocorre principalmente pelo vento. Chuvas freqüentes promovem a lavagem dos conídios da superfície das folhas.



Controle - Como medidas preventivas, recomendam-se: rotação de culturas e manutenção da lavoura em bom estado nutricional. Em casos epidêmicos, a única medida possível é o controle químico. O uso de fungicidas cúpricos e à base de enxofre normalmente apresenta eficiência satisfatória, porém, torna-se economicamente inviável devido ao curto efeito residual e ao ciclo longo do quiabeiro. Fungicidas sistêmicos, como benomyl e triadimefon, também são eficientes e apresentam maior efeito residual.
OUTRAS DOENÇAS

Mosaico - O mosaico do quiabeiro é causado pelo “Abutilon mosaic virus”- AbMV, da família Geminiviridae, do gênero “Subgroup III Geminivirus”. Essa virose é mais comum nos meses quentes, quando há uma maior população do inseto vetor. As plantas doentes apresentam pequeno porte, frutos pequenos e deformados e produção reduzida. As folhas ficam encarquilhadas e exibem áreas cloróticas irregulares no limbo. A intensidade dos sintomas, bem como das perdas, são maiores quanto mais cedo ocorrer a infecção no campo. O vírus é transmitido pela mosca branca (Bemisia tabaci) e infecta também diversas ervas daninhas, nas quais sobrevive durante a entressafra. E também o vírus causador do mosaico do algodoeiro. O controle do mosaico envolve a eliminação de ervas daninhas e pulverizações com inseticidas para combater o vetor, principalmente durante as fases iniciais da cultura.

Mancha Angular - Xanthomonas campestris pv. esculenti - A mancha angular ou bacteriose pode causar intensa desfolha do quiabeiro em condições de temperaturas amenas e chuvas freqüentes. Os danos são maiores quando ocorre associação com o fungo Alternaria dianthi. A doença é mais comum na folhagem, onde aparecem manchas de 1 a 2 cm, de conformação angular e com um halo amarelado. Em condições de umidade elevada, os tecidos necrosados das lesões rompem-se, dando à folha um aspecto dilacerado. Ocasionalmente, em ataques mais severos, o patógeno pode infectar os frutos, nos quais aparecem lesões arredondadas e escuras, com cerca de 5 a 8 mm de diâmetro. Quando ocorre associação com o fungo Alternaria dianthi, as lesões nas folhas ficam maiores e arredondadas. Porém, no centro destas, é possível perceber o contorno angular da lesão causada pela bactéria. Xanthomonas campestris pv. esculenti, até recentemente denominada simplesmente de Xanthomonas esculenti, é um bastonete gram-negativo, móvel e possui um único flagelo polar. Sua disseminação ocorre eficientemente por respingos de água, daí sua maior incidência nos períodos chuvosos. Outro importante agente disseminador é o homem, que durante as operações de colheita transmite a bactéria para plantas sadias. Aparentemente, as sementes também desempenham algum papel na disseminação. As medidas de controle recomendáveis são: uso de sementes sadias e, de preferência, tratadas quimicamente; destruição dos restos de cultura; rotação de cultura com gramíneas.

Ascoquitose - Ascochyta abelmoschi Harter - Também conhecida como queima ou cancro das hastes, a ascoquitose é comum durante os invernos chuvosos. Nestas condições, pode reduzir a produção devido aos danos causados nas hastes do quiabeiro e também depreciar o valor comercial do produto quando o ataque dá-se nos frutos. O patógeno pode atacar toda a parte aérea da planta. Nas folhas, observam-se manchas pardo-acinzentadas grandes e irregulares. O centro destas lesões apresenta círculos concêntricos, onde observam-se os picnídios negros do fungo. Com o tempo, o tecido necrosado desprende-se, deixando um furo no limbo. Nos pecíolos e hastes aparecem lesões alongadas, escuras e deprimidas. Tais lesões situam-se, mais comumente, nos pontos de inserção da haste com o pecíolo ou com o pedúnculo dos frutos. Nos frutos, surgem lesões escuras e deprimidas, situadas preferencialmente próximas ao pedúnculo. No tecido necrosado observam-se os picnídios do fungo, dispostos irregularmente. Com o tempo, o fruto atacado cai. Ascochyta abelmoschi produz picnídios piriformes ou globosos, imersos nos tecidos necrosados, com 80 a 200 μm de diâmetro. Os conídios são hialinos, uni ou bisseptados, oblongos a ovais, com 2-4 x 5-9 μm. A disseminação ocorre principalmente pelas chuvas e os restos de cultura constituem importante fonte de inóculo primário. A disseminação do patógeno pelas sementes não apresenta muita importância, uma vez que a infecção nos frutos é mais rara e, quando ocorre, o fruto atacado geralmente cai. Nos locais onde a ascoquitose é problemática, recomendam-se como formas de controle: eliminação dos restos de cultura; rotação de culturas por 1 a 2 anos; uso de fungicidas cúpricos ou ditiocarbamatos.

Podridões de Pré- e Pós-Emergência e Tombamento - E uma doença relativamente comum, principalmente quando se semeia o quiabeiro em solos pesados e sujeitos a encharcamento. As sementes apodrecem no solo e as plântulas apresentam podridões nas raízes e colo, o que as predispõem ao tombamento. Plântulas infectadas que conseguem sobreviver apresentam desenvolvimento muito reduzido. Diversos fungos são relatados na literatura como agentes causais, tais como Fusarium solani, Pythium sp., Rhizoctonia solani, Sclerotium rolfsii, Ascochyta abelmoschi, Colletotrichum sp., Macrophomina phaseolina e Botryodiplodia theobromae. Todos estes patógenos são muito favorecidos por condições de solos mal drenados e sujeitos a encharcamentos freqüentes. Algumas medidas de controle podem ser tomadas visando prevenir o problema. Recomenda-se dar especial atenção ao local de plantio, escolhendo-se solos com boa drenagem e sem restos da cultura anterior. A irrigação, quando houver, não deve ser exagerada. Rotação de culturas e uso de sementes tratadas também são medidas importantes.

Cercosporiose - Cercospora malayensis F.L. Stevens & Solh., Cercospora hibiscina Ell. & Ev, - A cercosporiose é outra doença comum ao quiabeiro, porém apresenta importância secundária porque raramente causa sérios danos. Em condições de severidade alta, pode causar desfolha. Duas espécies de Cercospora podem estar associadas com a doença. Cercospora malayensis é a espécie menos agressiva e causa manchas foliares escuras, arredondadas e com os bordos avermelhados. Cercospora hibiscina é mais prejudicial e causa manchas irregulares, maiores que as anteriores. Na página inferior de tais lesões, é possível perceber um crescimento fuliginoso, constituído por frutificações do fungo.Os esporos de Cercospora são bastante longos e multiseptados, sendo produzidos nas extremidades de conidióforos que apresentam-se agrupados em feixes. Ambas as espécies são favorecidas por condições de temperatura e umidade elevadas, o que explica a maior ocorrência da doença durante verões chuvosos. A disseminação dos conídios produzidos nas lesões ocorre principalmente através do vento. Normalmente, a cultura do quiabeiro convive bem com a cercosporiose, o que justifica a não adoção de medidas de controle específicas para esta doença. A prática da rotação de culturas, por manter baixo inóculo, já é suficiente para evitar perdas com a doença. Ocasionalmente, em surtos epidêmicos, pode-se lançar mão do controle químico através de pulverizações quinzenais com oxicloreto de cobre.

Murcha - Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum (Aik.) Snyder & Hansen, Verticillium albo-atrum Reinke & Berth - A murcha é uma doença freqüente na cultura do quiabeiro. Pode ser causada por Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum ou por Verticillium albo-­atrum, ambos fungos de solo com capacidade de sobreviver saprofiticamente ou através de estruturas de resistência. O plantio de variedades suscetíveis em áreas infestadas pode acarretar danos severos. Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum produz, em meio de cultura, pigmento violeta característico e possui dois tipos de conídios, os macroconídios e os microconídios. Os macroconídios são alongados, com vários septos transversais, levemente curvos e acanoados. Os microconídios são unicelulares, elípticos, hialinos e muito numerosos. Verticillium albo-atrum apresenta coloração esbranquiçada em meio de cultura e produz conidióforos longos, com ramificação verticilada. Nos ramos terminais das ramificações produz conídios unicelulares, hialinos, elipsoidais, normalmente agrupados em muco. As plantas doentes normalmente aparecem em reboleiras e se mostram murchas e com as folhas amareladas. Pode ocorrer também um intenso desfolhamento e, num estágio mais avançado, a morte da planta. Às vezes, a planta exibe os sintomas de murcha e amarelecimento apenas no lado correspondente aos vasos obstruídos. Cortando-se longitudinalmente a haste ou as raízes da planta doente, observa-se um escurecimento dos vasos, provocado pela colonização ou por toxinas liberadas pelo patógeno. A associação com nematóides agrava o problema. Para controle da murcha, recomenda-se evitar o plantio em áreas sabidamente infestadas com os patógenos. Além disso, é importante eliminar restos de cultura e adotar sistema de rotação, principalmente com milho. Investigações preliminares com algumas variedades mostraram que a variedade Chifre de Veado IAC-2313 se comportou como resistente a Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum. Em relação o fungo V albo-atrum, as variedades Campinas 1 IAC-4075 e Campinas 2 IAC-4076 apresentaram comportamento superior. Embora estas variedades não sejam mais cultivadas, elas podem servir como fontes de resistência à murcha num programa de melhoramento genético. A variedade Santa Cruz 47, largamente cultivada, é suscetível.

Nematóides das galhas - Meloidogyne incognita (Kofoid & White), Meloidogyne javanica (Treub) - A cultura do quiabeiro, quando instalada em solos arenosos, e freqüentemente atacada por nematóides do gênero Meloidogyne. Os prejuízos variam em função da severidade do ataque e são maiores quando há associação com fungos que provocam murcha. Plantas atacadas apresentam redução no crescimento, amarelecimento de folhas, murcha nas horas mais quentes do dia e, em casos mais graves, ocorre a morte da planta. Raízes afetadas exibem galhas induzidas pelo nematóide. No interior destas encontram-se fêmeas obesas do nematóide, facilmente destacadas com o auxílio de uma agulha. Como principal medida de controle, recomenda-se evitar o plantio em local que tenha apresentado problema anteriormente, principalmente na cultura do tomate. Além disso, é aconselhável o tratamento de sementes com nematicidas como o oxamyl, que oferece boa proteção nas fases iniciais da cultura. A rotação de culturas, embora muito utilizada para reduzir a população de nematóides no solo, não apresenta muita eficiência devido à polifagia da espécie M. incognita. Se a espécie em questão for M. javanica, que possui um menor número de hospedeiros, a rotação de culturas se torna uma medida viável. A resistência varietal dos nossos materiais é muito pouco conhecida. Entretanto, sabe-se que a variedade Santa Cruz 47, muito difundida entre os produtores, comporta-se como suscetível ao nematóide das galhas.
BIBLIOGRAFIA
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DOENÇAS DE ROSÁCEAS DE CAROÇO

(pessegueiro, ameixeira, nespereira, etc.)




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