Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas


T. L. Krugner & C. G. Auer



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T. L. Krugner & C. G. Auer



TOMBAMENTO DE MUDAS OU “DAMPING-OFF” - Cylindrocladium spp., Fusarium spp., Phytophthora spp., Pythium spp., Rhizoctonia solani Kühn.

O tombamento de mudas tem-se tornado uma doença de importância secundária, com o desenvolvimento da técnica de produção de mudas em saquinhos ou tubetes plásticos. Sua ocorrência pode ser detectada em viveiros que ainda utilizam sementeiras para germinação das sementes, ou quando não se utilizam medidas sanitárias na produção de mudas.



Sintomas - A doença decorre da ação de fungos sobre a germinação da semente e o estabelecimento de plântulas, causando destruição dos tecidos tenros. Quando os fungos atacam no período de pré-emergência ocorre o apodrecimento das sementes ou morte das plântulas antes de sua emergência. Após a emergência da plântula, ocorre o desenvolvimento de lesão necrótica no hipocótilo ou nas raízes, em geral próximo ao nível do solo. Podem ocorrer também lesões na parte superior da haste, nos cotilédones e na gema apical. O tombamento da planta decorre do desenvolvimento rápido das lesões ao nível do colo, seguida de murcha e morte da parte aérea. Sinais dos patógenos podem surgir sobre os tecidos lesionados ou plântulas mortas, na forma de estruturas vegetativas (micélio) e de reprodução (esporos).

Etiologia - Vários fungos podem causar o tombamento. São saprófitas que sob condições favoráveis tornam-se patogênicos. Os patógenos freqüentemente associados ao tombamento são fungos pertencentes aos gêneros Cylindrocladium, Fusarium, Phytophthora, Pythium, e a espécie Rhizoctonia solani. As fontes de inóculo primárias são sementes contaminadas, solo, água de irrigação e o próprio viveiro (instalações, tubetes, piso, etc.). Material infestado no viveiro torna-se fonte secundária de inóculo, que pode ser disseminado pelo ar, respingos de água ou movimentação de mudas.

Controle - O controle da doença é feito de modo similar ao tombamento de mudas do eucalipto. Cuidados devem ser tomados para a correta aplicação de fungicidas, evitando-se a contaminação ambiental e a inibição da formação de ectomicorrizas. Deve-se evitar o uso do fungicida PCNB, eficiente contra R. solani, porém prejudicial as micorrizas. Neste caso, recomenda-se a aplicação de iprodione.
PODRIDÃO DE RAÍZES POR ARMILLARIA- Armillaria sp.

A podridão de raízes cansada por Armillaria sp. afeta um grande número de plantas lenhosas. No Brasil, a doença foi constatada em espécies de Pinus, Araucária e Eucalyptus, nos estados das Regiões Sul e Sudeste, não tendo sido constatada em plantios de espécies tropicais de Pinus.

Em pinheiros, a doença apresenta alguma importância somente em plantios que apresentem árvores debilitadas por fatores adversos e/ou localizados em áreas recém­desmatadas. Nestas condições poderá haver perdas significativas de árvores, embora hajam poucos registros de mortalidade em proporções epidêmicas. A mortalidade ocorre quando espécies mais suscetíveis, como P. elliottii, são plantadas em áreas infestadas.

Sintomas - A doença manifesta-se mais freqüentemente em plantações com 2 a 5 anos de idade. Na copa das árvores, os sintomas são semelhantes aos de outras podridões de raiz. Caracterizam-se inicialmente por um amarelecimento geral das acículas, seguido por murchamento, bronzeamento e seca das mesmas. Os sintomas na parte aérea normalmente precedem a morte das árvores, que ocorre quando todo o sistema radicular acha-se comprometido, ou tenha havido anelamento na região do colo da árvore.

Os sintomas que permitem a diagnose da doença são detectados nas raízes mais grossas e na base do tronco. Nestes locais, ocorre intensa exsudação de resina que acumula-se no solo, ao redor das raízes, ou do tronco, formando uma crosta constituída de solo e resina solidificada. O fungo ataca os tecidos da casca e do lenho, causando seu apodrecimento. Placas miceliais de coloração esbranquiçada são formadas na região da entrecasca, que podem se estender no tronco a mais de 1 m de altura (Prancha 56.1). Este crescimento micelial é a característica mais importante para diagnose da doença. O fungo pode também formar rizomorfas na região da entrecasca, no lugar das placas miceliais, quando a árvore está morta. Rizomorfas são estruturas filamentosas, semelhantes a cordões, de coloração marrom a preta, medindo de 1 a 2 mm de diâmetro. As rizomorfas podem ser mais abundantemente encontradas em espécies folhosas nativas do que nas coníferas exóticas plantadas no Brasil.



Etiologia - O fungo Armillaria sp. é um basidiomiceto que cresce bem em meio BDA, onde forma rizomorfas em abundância. Há um complexo de espécies do gênero Armillaria de ampla distribuição geográfica no mundo. Por falta de maiores estudos, todo material outrora encontrado foi denominado Armillaria (ou Armillariella) mellea (Vahl: Fr.) Kumm. Os registros de ocorrência, no Brasil, foram feitos com base na presença de placas miceliais em árvores afetadas e no subseqüente isolamento.

As frutificações do patógeno são basidiocarpos do tipo cogumelo, produzidas em tufos na base do tronco das árvores ou em tocos em decomposição. Por serem efêmeras e rapidamente perecíveis, são difíceis de serem observadas. Estes basidiocarpos produzem basidiósporos que, disseminados pelo vento, podem dar origem a infecções primárias. Na sua ausência, é o micélio ou as rizomorfas, presentes em restos vegetais lenhosos como tocos, galhos ou raízes, que dão início às infecções. O fungo requer quantidades significativas de substrato energético, onde cresce saprofiticamente, para que possa infectar as raízes das árvores plantadas. Daí o fato de a doença ocorrer somente em áreas recém-desmatadas, onde são deixadas grandes quantidades de resíduos vegetais que funcionam como fornecedores de energia para o patógeno. Outro fator determinante para a infecção e severidade do ataque pode ser a predisposição das árvores. Arvores debilitadas por fatores ambientais, como seca, mau desenvolvimento do sistema radicular condicionado pelo recipiente da muda, ataque de insetos como a vespa da madeira, entre outros, podem tornar-se mais suscetíveis ao fungo.

A disseminação do patógeno em nossas condições ainda não está devidamente conhecida, porém, sabe-se que ocorre com os basidiósporos e as rizomorfas. Estas últimas permitem ao fungo sua disseminação de árvore para árvore, via solo ou sistema radicular, tal como ocorre em outras culturas. A mortalidade tende a diminuir à medida que as plantas envelhecem, quando a fonte original de inóculo é exaurida e as árvores tornam-se mais resistentes.

A penetração, feita normalmente pelas rizomorfas, dá-se diretamente através da superfície da casca das raízes ou do colo, por ação mecânica e enzimática.

Várias espécies de Pinus são suscetíveis, especialmente P. elliottii e, em seqüência, P caribaea, P. kesiya, P patula, P. radiata e P. taeda.

Controle - Normalmente, a doença não tem requerido intervenção para controle. Em áreas recém-desmatadas, que apresentam maior risco, sugere-se, no preparo do terreno para plantio, uma boa remoção dos restos vegetais da mata deixados no solo e a remoção dos tocos. Estas operações podem não ter viabilidade econômica, porém são efetivas. O plantio de espécies suscetíveis deverá ser feito em áreas livres do patógeno ou que já tenham sido cultivadas com plantas não hospedeiras.

Quando a doença apresentar pequeno foco no talhão, a construção de valetas ao redor deste pode impedir a disseminação por rizomorfas e por contato de raízes. O vigor das plantas é outro fator que deve ser observado para aumentar a resistência das árvores à infecção. O enovelamento de raízes, fator de predisposição, tem sido eliminado com o uso de mudas de raiz nua ou formadas em tubetes.


PODRIDÃO DE RAÍZES POR CYLINDROCLADIUM - Cylindrocladium clavatum Hodges & May.

Esta doença ocorre em viveiros, que usam solo como substrato, e em plantios definitivos. Sua incidência nos viveiros é baixa e de distribuição esparsa. Mudas atacadas apresentam infecções secundárias com ou sem sintomas reflexos na parte aérea. A morte das mudas só ocorre quando há destruição total do sistema radicular. O ataque parcial das raízes pode ser revertido, tratando-se as mudas com fungicidas e fertilizantes. Mudas doentes levadas a campo podem recuperar.

A ocorrência da doença em plantios comerciais de Pinus tem sido restrita aos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. O principal efeito da doença é a morte da árvore, em ataques severos. A incidência do problema é baixa. Em plantios em cerrado de Minas Gerais, por exemplo, constatou-se o mal em 1% do total de árvores plantadas. A progressão da doença é lenta e contínua, expressa pelo número de árvores mortas.

Sintomas - As podridões de raízes em viveiros começam a ocorrer em mudas a partir do segundo mês de idade, quando já se observa diferenciação nos tecidos do sistema radicular. O patógeno afeta as raízes tenras, ainda sem desenvolvimento secundário, causando degeneração de seus tecidos. No caso de raízes mais desenvolvidas, o fungo ataca primariamente a região da casca. Neste caso, as raízes mostram inicialmente a presença de lesões escuras, correspondentes às áreas necrosadas na casca. Estas lesões podem progredir no sentido do comprimento das raízes ou circunferencialmente, quando tendem a estrangulá-las. A região do lenho é mais resistente ao ataque, podendo permanecer aparentemente intacta com coloração clara, enquanto a região da casca é destruída totalmente, escurecendo-se e decompondo-se. Na parte aérea das mudas aparecem sintomas reflexos da doença. Estes geralmente surgem quando a maior parte do sistema radicular já se encontra destruído ou quando ocorre andamento do colo. Amarelecimento generalizado das acículas, murcha dos ponteiros e seca progressiva das acículas, geralmente de baixo para cima, até a morte das mudas, caracterizam a evolução sintomatológica na copa. Redução no vigor das mudas poderá ocorrer, embora seja um sintoma menos perceptível.

Em condições de campo, a doença manifesta-se a partir do segundo ano de plantio, com sintomas que aparecem na copa. Estes sintomas caracterizam-se inicialmente por um amarelecimento generalizado das acículas que rapidamente evolui para uma coloração bronzeada ou vermelho-tijolo. As acículas, neste estádio, tombam e ficam presas à copa por certo tempo, até adquirirem uma tonalidade marrom-acinzentada, quando começam a cair. Os sintomas que evoluem na copa das árvores são irreversíveis, caracterizando sempre a morte das plantas. Estes sintomas só aparecem quando quase todo o sistema radicular acha-se destruído pelo patógeno ou ocorre anelamento do colo. A ocorrência da morte de plantas nas plantações ocorre de forma esparsa ou em forma de focos. No sistema radicular, os sintomas ocorrem em raízes de todos os tamanhos. Iniciam-se pelo aparecimento de lesões necróticas escuras na região da casca, onde se acumulam grandes quantidades de resina (Prancha 56.2). O acúmulo de resina determina um encharcamento dos tecidos da casca e do lenho. Esta resina poderá ser exsudada para fora das raízes, aderindo grande quantidade de partículas do solo, quando arrancadas. Com o tempo, a resina acaba sendo lixiviada, ficando a casca já apodrecida. As lesões desenvolvem-se longitudinalmente nas raízes e ao redor da circunferência das mesmas. A velocidade de desenvolvimento das lesões no sentido longitudinal é maior do que no sentido circunferencial.



Etiologia - O patógeno, C. clavatum, apresenta vesícula claviforme e conídios cilíndricos, hialinos e uni-septados com dimensões de 37,6-47,9 x 3,4-5,6 μm. Forma abundantes microescleródios de coloração marrom-avermelhada em meio de cultura, estruturas típicas do gênero e responsáveis pela sobrevivência no solo. O crescimento micelial ótimo ocorre a 23-250C, em meio BDA. Não está devidamente descrita a fase teleomórfica deste fungo.

Esta espécie é a mais comumente observada em viveiros de espécies tropicais de Pinus no Estado de Minas Gerais. Este fungo, que também ataca raízes de mudas de eucalipto, é encontrado naturalmente em solos de terrenos virgens, não se sabendo quais seus hospedeiros nativos. Apesar da produção de conídios e microescleródios pelo fungo, não se conhece o papel epidemiológico destas estruturas. Os microescleródios seriam estruturas de sobrevivência no solo. A disseminação do patógeno no campo, ainda não estudada, deve-se dar através do solo ou das raízes, entre árvores adjacentes, ou pelas partículas de solo aderidas a implementos agrícolas no preparo do solo e nos tratos culturais, na fase de implantação dos talhões.



Controle - Em viveiros onde tenha sido observada a doença anteriormente, o controle deverá ser feito preventivamente antes da semeadura, com a desinfestação do solo com brometo de metila ou outro fumigante, ou pela solarização do substrato. Caso seja necessário controle após a semeadura, a aplicação de benomyl em rega poderá dar resultados satisfatórios, embora não se disponha de nenhum estudo a respeito. As perdas pela doença em condições de campo não têm justificado a aplicação de medidas de controle.
QUEIMA DE ACÍCULAS - Cylindrocladium pteridis Wolf

A queima de acículas causada por C. pteridis tem sua ocorrência limitada às Regiões Nordeste e Norte, onde foi observada em plantios e viveiros de P caribaea var. hondurensis e P. oocarpa.

O patógeno pode afetar grande porcentagem de árvores em alguns casos e causar severa desfolha, notadamente em plantios jovens. Entretanto, a ameaça não é grande para a cultura, pois árvores intensamente atacadas recuperam-se com facilidade.

Sintomas - A doença caracteriza-se pela formação de lesões deprimidas nas acículas, de coloração marrom-avermelhada, medindo entre 2 e 5 mm de comprimento (Prancha 56.3). Estas lesões podem determinar a morte da parte das acículas que se situa além das mesmas. Arvores severamente atacadas, em condições de campo, ficam como se estivessem sido chamuscadas por fogo. Desfolha ocorre em seguida à seca das acículas. A severidade do ataque varia consideravelmente entre árvores numa mesma plantação, indicando a ocorrência de variabilidade genética para a resistência ao patógeno. Também ocorrem lesões menos severas, de centro marrom, envolvidas por um halo amarelado. Tais lesões não determinam o estrangulamento das acículas.

Etiologia - Cylindrocladium pteridis cresce bem em meio BDA, produzindo colônias semelhantes a outras espécies do gênero, com abundante formação de microescleródios. Seus conídios são usualmente uniseptados, cilíndricos, medindo 70-105 x 5,5-7,0 μm, que juntamente com a forma clavada de sua vesícula distingue esta espécie das outras. Até agora não se observou a fase teleomórfica deste patógeno.

A doença ocorre durante períodos contínuos de chuvas ou em condições de elevada umidade, após excesso de irrigação no viveiro. Numerosos conídios são produzidos sobre tecidos infectados sob alta umidade, os quais são disseminados por gotas de chuva, infectando novos tecidos. Os primeiros sintomas surgem dentro de 1 a 2 semanas e os sintomas de queima de acículas desenvolvem-se logo após.



Controle - O controle da doença, em viveiros, poderá ser efetuado mediante a aplicação das seguintes medidas: evitar semeadura excessiva para impedir o adensamento de mudas em canteiros de raiz nua; evitar adubação excessiva, principalmente com fertilizantes nitrogenados, que predispõem as mudas ao ataque do patógeno; efetuar pulverizações foliares com o fungicida benomyl em conjunto com captan ou thiram. As pulverizações poderão ser efetuadas preventivamente, a partir do segundo mês após a semeadura. Na aplicação de fungicidas deve-se ponderar as possíveis implicações que este tratamento pode ter na formação de micorrizas das mudas.
SECA DE PONTEIROS - Sphaeropsis sapinea (Fr.) Dyko & Sutton

Sphaeropsis sapinea afeta diversas espécies de Pinus em todo o mundo, causando seca de ponteiros. No Brasil, contribuiu como fator limitante ao cultivo de P radiata, introduzido no sul do país.

Sintomas - Inicialmente, lesões deprimidas e com exsudação de resina, de coloração cinza ou púrpura, são formadas sobre tecidos verdes do ramo de plantas jovens, normalmente na base de um ponteiro infectado ou danificado. O ponteiro pode curvar-se como resultado do crescimento de apenas um lado do mesmo e pode morrer antes ou após o encurvamento. Os tecidos afetados ficam escurecidos, com uma coloração cinza e ficam quebradiços. As acículas da área afetada morrem, adquirindo coloração palha-avermelhada, permanecendo por algum tempo ligadas à haste. Os ponteiros mortos geralmente não caem e logo abaixo da região afetada ocorre a emissão de novas brotações, que circundam o ponteiro. A seca de ponteiro é acompanhada por intensa exsudação de resina que se deposita sobre a lesão.

Grandes picnídios escuros são freqüentes sobre a lesão, dos quais cirros escuros podem ser expelidos. Quando as lesões são velhas, os picnídios tendem a desaparecer, mas ocasionalmente os conídios são retidos sobre os tecidos ou ficam aderidos à resina.

O fungo também causa o azulamento da madeira em árvores e toras atacadas após o abate, penetrando pelos locais de quebramento de galhos ou por ferimentos provocados pela doença e por operações de abate e arraste dos troncos.

Etiologia - Sphaeropsis sapinea é saprófita. Além da seca de ponteiros descrita, pode atacar mudinhas em viveiros, causar infecções em ramos, podridão de raízes e colo em plantas adultas e cancros em ramos e troncos. Sua ampla distribuição deve-se à produção abundante de conídios em picnídios e à sua disseminação pelo vento, chuva, insetos e sementes. Existem evidências de ser um patógeno secundário em tecidos injuriados, notadamente quando o hospedeiro tenha ferimentos por chuva de pedra, ataque de insetos, desrama artificial ou por outros tratos silviculturais, temperatura ou umidade desfavoráveis, especialmente seca.

Com relação ao grau de suscetibilidade, sabe-se que P radiata é altamente suscetível, seguida de P. nigra, P pinaster, P sylvestris, P. ponderosa e P canariensis. Pinus patula apresenta suscetibilidade intermediária. O fungo ataca também um grande número de coníferas de diferentes gêneros.



Controle - No caso de ocorrência da doença em mudas no viveiro, recomenda-se fazer pulverizações com cúpricos e benomyl. Nas condições brasileiras, medidas de controle não têm sido prescritas para campo, uma vez que as espécies mais suscetíveis não se adaptaram ao nosso país. As espécies P caribaea, P. elliottii e P taeda são indicadas como resistentes à doença, porém não devem ser plantadas em locais com ocorrência de precipitação elevada, granizo e deficiência nutricional. No caso do azulamento da madeira, o controle somente será efetuado em toras de árvores sadias, pois durante o desenvolvimento da doença na árvore viva já ocorrem manchas na madeira. A secagem e o processamento das toras logo após o abate é suficiente para evitar o problema.
OUTRAS DOENÇAS

Queima de Acículas - Dothistroma septospora (Dorag.) Morelet (Mycosphaerella pini E. Rostrup) - A queima de acículas causada por M. pini, conhecida como “red band needle blight” no exterior, é uma doença de importância secundária no Brasil, uma vez que as espécies cultivadas apresentam alta resistência ao patógeno. A doença foi constatada nos Estados do Paraná e São Paulo, causando intensa seca e queda de acículas em plantas de P. pinaster e P radiata, espécies altamente suscetíveis. Em países onde P radiata é cultivado em larga escala e as condições ambientais são favoráveis, a doença apresenta grande importância. Manifesta-se inicialmente por pequenas manchas amareladas nas acículas, que posteriormente aumentam de tamanho, circunscrevendo as acículas e tomando coloração castanha. Estas lesões são envolvidas por um halo castanho-avermelhado. Quando o ataque é severo, várias dessas lesões podem aparecer numa mesma acícula, que seca e se desprende da planta. Em conseqüência, pode ocorrer um intenso desfolhamento, ficando os ramos nus, somente com as brotações ainda verdes, as quais ainda não sofreram o ataque do fungo. O desenvolvimento da planta é seriamente prejudicado, podendo ocorrer até mesmo sua morte. O patógeno tem sido encontrado principalmente na fase anamórfica, conhecida como Dothistroma septospora. Na parte central das lesões pode-se observar saliências com pequenas rachaduras longitudinais, por onde afloram os acérvulos subepidérmicos do fungo. Nestes acérvulos são produzidos conídios hialinos, alongados e septados, com o número de septos variando de 1 a 3, predominando os com 3 septos. Medem 13,0-28,6 x 2-3 μm. Em meio malte-ágar, o fungo cresce muito lentamente, formando colônias gelatinosas e avermelhadas de início, que posteriormente tornam-se estromáticas e escuras. Há abundante formação de conídios neste meio de cultura ‘a temperatura de 150C. A fase perfeita, M. pini, é rara e ainda não foi registrada no Brasil. O fungo produz pseudotécios inicialmente subepidermiais passando a eruptivos, negros, multiloculares, de até 600 μm de diâmetro, lóculos globosos longitudinais de 40-60 μm de diâmetro, com paredes pseudoparenquimatosos, constituídas de células de 7-14 μm de diâmetro. Possui ascos cilíndricos a clavados com ápices arredondados, bitunicados, pseudoparafisóides, hialinos e subglobosos, com oito ascósporos. Estes possuem duas células desiguais e ligeira constrição no septo, são fusiformes a cuneiformes, com ápices arredondados e medem 9-16 x 2-4 μm. A fase espermacial, também não observada no país, apresenta microconídios hialinos, circulares a ovais, diminutos, de 1-2 x 0,5 μm. O controle desta doença não tem sido prescrito no Brasil, uma vez que P. radiata e P pinaster, espécies suscetíveis, não têm sido plantadas.

Mancha de Acícula - Davisomycella spp., Lophodermium sp. - Davisomycella e Lophodermium são fungos da ordem Rhytismatales, de ocorrência generalizada no mundo, associados a acículas secas de coníferas em geral. Podem atuar como patógenos primários, causando queima ou seca de acículas ou como saprófitas em acículas mortas por outros fatores, inclusive acículas em senescência. No Brasil, estes fungos têm sido observados em diversas espécies de Pinus nos Estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Espírito Santo. Foram constatados em P caribaea e suas variedades, P elliottii, P. kesiya, P oocarpa, P pinaster, P. radiata e P taeda. Embora de ocorrência comum, os danos causados são bastante restritos em nossas condições. Eventualmente, sob condições de ambiente favoráveis, ainda não devidamente estudadas, pode ocorrer severa seca de acículas, nunca chegando a causar morte de árvores. Indivíduos afetados, que podem apresentar desfolha significativa, recuperam-se com relativa facilidade à medida que o ambiente torna-se desfavorável à doença. Os fungos são observados com relativa facilidade, mesmo a olho nu, nas áreas secas das acículas ou nas acículas mortas, ainda presas na árvore ou caídas ao chão. Caracterizam-se pela formação de ascomas, que aparecem na superfície da acícula na forma de pontuações negras, alongadas e salientes (Fig. 56.1A). Estes ascomas, típicos da ordem Rhytismatales, apresentam características intermediárias entre os apotécios e os peritécios. São frutificações imersas nos tecidos da planta, que se rompem na maturidade, em condições de alta umidade, através de uma fissura longitudinal por onde são liberados os ascósporos (Fig. 56.1B). Duas espécies, D. ampla (Davis) Darker e D. fragilis Darker foram relatadas no Brasil. D. fragilis apresenta ascósporos tipicamente filiformes, produzidos em número de 8 em ascos alongados. D. ampla forma ascósporos cilíndricos, baciliformes, produzidos em número de 8 em ascos também alongados. Os ascósporos, em ambas as espécies, são envolvidos por uma camada gelatinosa. O controle desta doença não tem sido preconizado. Quanto ao gênero Lophodermium, a espécie estudada no Brasil foi classificada como L. pinastri. (Schrad.) Chev. Trata-se de um fungo bem difundido nos plantios de pinheiros tropicais, como P. caribaea e suas variedades, P. kesiya e P. oocarpa, de até 10 anos de idade, afetando principalmente as acículas dos terços medianos e basais das copas. Os sintomas iniciais são manchas avermelhadas, diminutas, que se expandem, envolvendo com essa coloração todo o diâmetro da acícula, atingindo até cerca de 4 mm de comprimento. Posteriormente, a porção central da mancha torna-se necrosada, tomando uma coloração marrom-avermelhada, onde mais tarde aparecem as frutificações do fungo. A partir da necrose ocorre a morte da acícula. Em sintomas tardios e na divisa de uma mancha marrom com outra torna-se visível uma linha negra transversal. Do início do primeiro sintoma até a morte da acícula decorre, aproximadamente, um ano. Ascomas e picnídios formam-se nas acículas geralmente antes do desprendimento destas. São negros, medindo 0,49-1,95 x 0,22-0,49 μm, com abertura longitudinal em forma de fenda, himênio mais ou menos plano, ascos cilíndricos, de 80-194 x 8-16 μm, com oito ascósporos filiformes, hialinos, de 71-175 x 2 μm, cada um envolvido numa bainha gelatinosa hialina (Fig. 56.1C e 56.1D). Os picnídios do gênero Leptostroma são subepidérmicos, globosos, negros, de 300-600 x 250-300 μm, contendo espermácias (conídios) hialinas, unicelulares, fusóides e cilíndricas, de 5 x 1 μm. O crescimento em BDA é satisfatório, produzindo micélio ralo e rasteiro, esbranquiçado a marrom-claro, e picnídios diminutos, negros, arredondados, a partir de 50 dias de cultivo. O controle desta doença no campo não tem sido empregado.

Deterioração de Sementes - Fusarium oxysporum (Schlecht.) Snyder & Hansen e outros fungos - Testes de sanidade de sementes têm demonstrado que sementes nacionais e importadas de Pinus são portadoras de microrganismos saprófitas e patogênicos. Dentre os fungos comumente isolados encontra-se Fusarium oxysporum que pode ser patogênico a plântulas de P elliottii, causando tombamento de mudas. O tratamento químico das sementes com fungicidas deve ser feito para evitar a entrada de patógenos exóticos e a disseminação de fungos em viveiros florestais. As sementes podem ser destruídas durante o período de armazenamento, por fungos saprofíticos ou patógenos facultativos, os quais atacam os cotilédones, antes de invadir a radícula embrionária. Alguns dos fungos presentes nas sementes causam também o tombamento de mudas. Para estes casos, recomenda-se o tratamento de sementes com fungicidas. O uso de benomyl, carboxin, captan, thiabendazol e thiram tem sido recomendado para o controle de fungos veiculados pelas sementes, protegendo a emergência das plântulas.

Podridão De Raízes - Fusarium sp. - Além de Cylindrocladium clavatum, espécies de Fusarium podem também ocorrer associadas à podridão de raízes em viveiros, determinando a morte de mudas, especialmente em viveiros de raiz nua ou que utilizam solo como substrato. Para seu controle, podem ser utilizadas as medidas recomendadas para C. clavatum.
Fig 56.1
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