Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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D. R. Trindade & L. S. Poltronieri

A pimenta-do-reino é uma das mais importantes especiarias consumidas no mundo. Malásia, Índia, Indonésia, Brasil e Sri Lanka são os principais países produtores. No Brasil, o Estado do Pará é o principal produtor, contribuindo com mais de 90% da produção nacional, com rendimentos de até 4000 kg/ha/ano. Seu cultivo convencional, com propagação por estaquia e plantios clonais extensivos, entretanto, representa perigo potencial ao desenvolvimento da cultura.


MOSAICO DA PIMENTA-DO-REINO - “Cucumber mosaic virus” - CMV

A primeira constatação da doença foi feita em 1966, no município de Tomé­Açu, PA. Até 1969 o mosaico já havia atingido mais de 80.0000 pimenteiras. No Espírito Santo, a doença já foi confirmada nos municípios de Linhares e São Mateus, ocorrendo com maior intensidade em plantações novas, o que sugere o possível uso de mudas infectadas.



Sintomas - As folhas apresentam numerosas áreas cloróticas, formando um mosqueado característico. Com a evolução da doença, as áreas cloróticas aumentam e o limbo deforma-se, alongando-se e tornando-se lanceolado. Em casos de infecção severa, além da malformação do limbo, as folhas tornam-se mais espessas, os entrenós encurtam-se, as espigas intumescem e ficam de tamanho reduzido e apenas poucos frutos se desenvolvem. E comum surgirem áreas necrosadas nas folhas e frutos. Muitos ramos podem emitir superbrotamento. Sob ataque severo, a planta pára de crescer e fica com porte reduzido. O sistema radicular também é afetado, tornando-se menos ramificado e com menor número de radicelas.

Etiologia - O agente causal desta doença é o vírus do mosaico do pepino, do gênero Cucumovirus, família Bromoviridae. O CMV é transmitido por estacas infectadas, enxertia e por pulgões com relação não persistente.

Controle - As seguintes medidas de controle são recomendadas: formação de mudas com estacas provenientes de plantas sabidamente sadias; eliminação de mudas com sintomas por ocasião do transplante; manutenção da área de plantio e das proximidades livres de plantas hospedeiras do vírus e de pulgões.
FUSARIOSE - Nectria haematococca f. sp. piperis (Fusarium solani f. sp. piperis Alb.)

A fusariose, também conhecida por podridão do pé, podridão das raízes e mal de mariquita, é a principal doença da cultura, de ocorrência restrita ao Brasil. Foi constatada no Pará, por volta de 1961, nos municípios de Tomé-Açu e Santa Isabel e já se encontra disseminada nos Estados do Amazonas, Mato Grosso, Paraíba, Bahia, Maranhão e Rondônia. A fusariose dissemina-se rapidamente; um pimental com 20 hectares de área (30.000 plantas) pode ser dizimado em apenas dois anos. No Pará, cerca de dez milhões de plantas foram destruídas pela doença.

Por não existir medida eficiente de controle, a fusariose vem se constituindo no fator mais importante de redução da longevidade da cultura, encurtando seu ciclo de 12-15 para 4-6 anos.

Sintomas - A infecção pode ocorrer no sistema radicular ou na folhagem. Quando ocorre no sistema radicular, as folhas perdem a turgescência, tornam-se amarelecidas, flácidas e caem prematuramente. Os entrenós ficam amarelos e desprendem-se dos nós uns após outros, até que a folhagem seca totalmente. O exame do sistema radicular destas plantas mostra a ausência de radículas e muitas vezes esta podridão pode atingir até 30 cm do talo da planta, destruindo parcialmente seus tecidos. Internamente, notam-se estrias enegrecidas, conseqüência da destruição dos vasos liberolenhosos.

Quando o fungo penetra na folhagem, a infecção começa na região nodal de um ramo em crescimento. A medida que a colonização progride, os tecidos mais maduros são também atingidos, de maneira que a doença pode alcançar o sistema radicular. O sintoma mais típico da doença é o amarelecimento das folhas de alguns ramos, seguindo-se rápido secamento. Folhas secas permanecem presas por vários dias, contrastando com folhas de tonalidade verde. A planta reage, emitindo brotações vigorosas abaixo da parte seca, o que constitui indicação de que o sistema radicular encontra-se sadio. Porém, devido ao avanço da área infectada ou ao desenvolvimento de novas infecções, inclusive nas brotações vigorosas, a planta quase sempre termina por ser totalmente dizimada. Nesta modalidade de ataque, a disseminação do patógeno verifica-se principalmente pelo vento.

Estacas aparentemente sadias, retiradas de pimenteiras-do-reino atacadas, constituem um modo rápido de propagação da doença, podendo desta maneira atingir áreas novas.

Etiologia - A doença é causada pelo fungo Fusarium solani f. sp. piperis, que na forma perfeita corresponde a Nectria haematococca f.sp. piperis. Nesta, formam-se peritécios com 120-230 μm de diâmetro, irregularmente globosos, vermelhos a pardacentos, isolados ou gregários, de aspecto gelatinoso e com parede externa rugosa. Os ascos medem 63-72 x 7-10 μm são inicialmente cilíndricos, tornando-se depois clavados, possuindo ápice arredondado com um poro. Ascósporos são elipsóides, pardacentos e medem 11-15 x 5-7 μm. Apresentam constrição à altura do septo transversal localizado próximo ao centro do esporo.

Fusarium solani f. sp. piperis possui microconídios hialinos, unicelulares, elíticos ou alantóides e macroconídios falcados, hialinos com três a cinco septos, com dimensões de 32-72 x 4 μm. Os clamidósporos são unicelulares, hialinos, com uma a duas células de paredes espessas, podendo ser intercalares ou terminais. Estes desempenham papel importante na sobrevivência e na disseminação da doença. Macro e microconídios são disseminados por vento, água e pelo homem.

Ainda não se caracterizou perfeitamente a existência de raças do patógeno, embora haja grande variabilidade entre os isolados provenientes de diferentes regiões.

As espécies Piper colubrinum, P hirsutum e P. attenuatum não são hospedeiras deste fungo.

Controle - O controle da doença é difícil e depende de várias medidas, a começar pelas estacas de propagação que devem ser retiradas de pimentais sadios e apresentar bom desenvolvimento vegetativo, sendo selecionadas de áreas onde não ocorra a doença. Estas estacas devem ser coletadas de ramos herbáceos, o mais afastado possível da base da planta. Toda estaca que apresente escurecimento de vasos deve ser descartada, já que pode estar infectada.

Um conjunto de medidas de controle tem sido recomendado com o objetivo de reduzir as perdas cansadas pela doença: implantar a cultura em áreas distantes de pimentais atacados; retirar estacas de pimentais isentos de doenças; tratar as estacas com fungicidas; evitar ferimentos nas raízes e outras partes da planta; drenar a área; colocar cobertura morta na época seca; usar adubo orgânico bem fermentado, com adubação química balanceada; evitar o trânsito de pessoas e máquinas oriundas de áreas contaminadas; vistoriar o pimental periodicamente a fim de identificar plantas com sintomas de doença e erradicá-las imediatamente; empregar solução de thiabendazol ou benomyl (600 a 800 litros/ha de 1 ml ou 1 g de produto por litro), a cada 60 dias, alternando-se com mancozeb (2-3 mi/litro); evitar, sempre que possível, o reaproveitamento de tutores provenientes de áreas onde tenha ocorrido a doença ou desinfestá-los com produtos a base de cresóis e fenóis; rotar culturas.


PODRIDÃO DO PÉ - Phytophthora capsici Leonian

É a principal doença em países do Oriente, podendo provocar a perda total de um pimental. No Brasil, a doença tem ocorrido com maior freqüência no sul da Bahia, principalmente em épocas mais úmidas e chuvosas. No Pará e Espírito Santo ocorre com menor freqüência que a fusariose.



Sintomas - O patógeno infecta o sistema radicular e a base do caule, causando como sintoma reflexo o amarelecimento das folhas. Dependendo das condições ambientais, os sintomas evoluem até acarretar a morte da pimenteira. Podem ocorrer também manchas foliares de bordos franjados nas folhas próximas ao solo. A doença também pode provocar podridão de estacas durante o processo de enraizamento e requeima de mudas em saquinhos plásticos.

Etiologia - O agente etiológico da podridão do pé é Phytophthora capsici, da ordem Peronosporales, família Pythiaceae. Produz esporangióforos curtos, ramificados e hialinos sobre os quais formam-se esporângios hialinos, ovóides, com 1 a 3 papilas germinativas. Dentro destes formam-se zoósporos biflagelados.

Controle - O controle pode ser feito com aplicações preventivas de metalaxyl, que também apresenta ação erradicante, em formulações simples ou mistas. Recomenda-se, ainda, pulverizar as pimenteiras próximas dos plantios atacados com fungicidas cúpricos (óxido cuproso ou calda bordalesa) ou metalaxyl. Outras medidas de controle incluem: evitar a capina do pimental onde a podridão do pé está ocorrendo e manter boa aeração da parte mais baixa do caule, associando-se a uma boa drenagem do solo.
GALHAS DAS RAÍZES - Meloidogyne javanica; M. incognita.

Os sintomas caracterizam-se por galhas alongadas, freqüentes em raízes adventícias. Com o avanço da infecção radicular, as folhas podem apresentar sintomas de deficiência nutricional. O ataque de nematóides aumenta a predisposição dos tecidos da pimenteira à infecção de Fusarium solani f. sp. piperis. Aplicação de inseticidas tais como carbofuran e nemacur mostram certo controle.


OUTRAS DOENÇAS

Além das doenças acima citadas, existem no Brasil relatos de ocorrência de rubelose, antracnose, algas e queima-do-fio, embora com pouca importância econômica. A rubelose é cansada pelo fungo Corticium salmonicolor que afeta os entrenós dando-lhes uma cor rósea e fazendo com que se destaquem facilmente, provocando seca de boa parte da folhagem. A antracnose, cansada por Colletotrichum gloeosporioides provoca lesões nas folhas e apodrecimento dos frutos. A mancha de alga, provocada por Cephaleuros mycoidea, causa mancha pardas nas folhas, circundadas por halo amarelo. A queima-do-fio, cansada pelo fungo Koleroga noxia, provoca queima das folhas, ramos e frutos e ocorre, preferencialmente, em épocas chuvosas. Todas estas doenças são controladas com aplicações de fungicidas cúpricos.

Em sementeiras, podem ocorrer podridões de plântulas causadas por fungos dos gêneros Sclerotium, Rhizoctonia, Phytophthora e Pythium. Drenagem e tratamento do solo com Brassicol são recomendados.

BIBLIOGRAFIA
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DOENÇAS DOS PINHEIROS

(Pinus spp.)
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