Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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BIBLIOGRAFIA

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DOENÇAS DO MILHO

(Zea mays L.)

O. A. P. Pereira

O milho sempre foi considerado uma planta rústica, capaz de suportar bem vários tipos de estresse ambiental. Hoje, no entanto, com a expansão das fronteiras agrícolas, com a prática da monocultura e com a ampliação das épocas de cultivo, esta realidade mudou. Surgiram novos problemas para a cultura, principalmente com relação às doenças, capazes de afetar seriamente o desempenho econômico das lavouras.

Para a evolução segura do cultivo do milho, do ponto de vista fitossanitário, e Importante que tais causas sejam percebidas e estudadas como parte de um processo evolutivo da própria agricultura. Só assim, com uma visão holística, será possível ganhar mais eficácia na compreensão do problema e na descoberta de soluções, estejam elas no âmbito da genética da planta ou das técnicas de manejo da cultura. Este capítulo procura seguir esta visão integrada, apresentando as principais doenças que, atualmente, estão ocorrendo no Brasil e discutindo os múltiplos aspectos envolvidos na sua manifestação, bem como as técnicas ou recursos disponíveis para seu controle,
MOSAICO COMUM - “Sugarcane mosaic virus” - SCMV

O mosaico comum no milho é causado por uma estirpe do vírus do mosaico da cana-de-açúcar, que pertence ao gênero Potyvirus, família Potyviridae. Sua transmissão é realizada por afídeos, entre os quais o pulgão do milho, Rhopalosiphum maidis. A partícula do vírus tem 730-750 nm de comprimento.

Os sintomas são típicos de mosaico, com alternância de tons de verde. Manchas cloróticas podem ocorrer em folhas novas.

Existe variação quanto ao comportamento dos cultivares comerciais de milho em relação ao vírus. Ainda não se tem, entretanto, um conjunto de informações seguras sobre recomendação de cultivares visando o controle da doença.


RISCA DO MILHO - “Maize rayado fino virus” - MRFV

A risca do milho é a virose mais encontrada no Brasil. Os vetores do vírus são as cigarrinhas Dalbulus maidis e Peregrinus maidis. O MRFV pertence ao gênero Marafivirus, com partículas isométricas, com cerca de 25 nm de diâmetro.

Os sintomas da doença caracterizam-se por pontos cloróticos e por estrias cloróticas estreitas ao longo das nervuras. A ocorrência de plantas com sintomas é maior em plantios mais tardios, provavelmente devido ao aumento da população do inseto vetor e sua migração de plantas mais velhas para plantas mais novas.

Os cultivares exibem diferentes níveis de resistência ao vírus. Esta característica, porém, não é explorada, devido à pouca importância da doença.



FAIXA CLORÓTICA DAS NERVURAS - “Maize mosaic virus”- MMV

A faixa clorótica das nervuras é causada por uma espécie do gênero Nucleorhabidovirus, da família Rhabdoviridae. Suas partículas são baciliformes, providas de envelope e têm dimensões de 250-300 nm por 60-70 nm. Os sintomas típicos consistem de faixas cloróticas ao longo das nervuras das folhas. Esse vírus é transmitido de maneira circulativa-propagativa pela cigarrinha Peregrinus maidis. A doença não apresenta importância econômica.


ENFEZAMENTO VERMELHO - Fitoplasma

O enfezamento vermelho, também conhecido por “maize bushy stunt” é uma doença causada por fitoplasma, relatada pela primeira vez no México. O enfezamento vermelho tem se apresentado como um problema importante em nossas condições, principalmente em plantios tardios (safrinha), feitos a partir de janeiro (Figura 52.1).



Sintomas - Os primeiros sintomas das plantas afetadas caracterizam-se por uma clorose marginal das folhas do cartucho das plantas, que é seguida por um avermelhamento das pontas das folhas inferiores. Este avermelhamento é influenciado pela constituição genética das plantas.

As folhas que se desenvolvem subseqüentemente àquelas que apresentaram os primeiros sintomas revelam diferentes graus de clorose marginal, além de avermelhamento e diminuição do tamanho (Prancha 52. 1). As plantas doentes também podem apresentar um maior número de espigas pequenas, que geralmente não produzem grãos. Outro sintoma comum é a diminuição do comprimento dos internódios superiores da planta.



Etiologia - O agente causal da doença é um fitoplasma. A cigarrinha Dalbulus maidis é o principal vetor do patógeno.

Controle - Evitar plantios tardios é uma prática que pode ser utilizada para o controle desta doença, uma vez que nos plantios tardios o ciclo de desenvolvimento vegetativo das plantas coincide com o período de maior infestação da cigarrinha Dalbulus maidis. Por outro lado, a safrinha é hoje uma época de plantio já consagrada em importantes regiões brasileiras produtoras de milho. Assim, nestas condições particulares, o uso de cultivares resistentes é a prática mais recomendada.
ENFEZAMENTO PÁLIDO - Spiroplasma kunkelii Whitcomb et al.

Sintomas - Os sintomas causados pelo enfezamento pálido, também conhecido por “corn-stunt”, são bastante semelhantes àqueles do enfezamento vermelho. A principal diferença está no sintoma inicial do enfezamento pálido, caracterizado por clorose mais acentuada.

Etiologia - O agente causal da doença é um fitoplasma. O patógeno é transmitido pela cigarrinha Dalbulus maidis, tem forma espiralada, é móvel e pode ser cultivado em meios específicos.

Controle - As mesmas medidas citadas para o controle do enfezamento vermelho.

Figura 52.1
MANCHA BACTERIANA DA FOLHA - Pseudomonas avenae Manns

A mancha bacteriana da folha é uma doença de ocorrência esporádica, mas com ampla distribuição geográfica no Brasil. Sua principal característica é ocorrer em períodos bastante chuvosos ou em áreas intensamente irrigadas. Passado o período chuvoso, a maioria das plantas recupera-se, mas, dependendo da severidade da doença, o estande da lavoura pode ser prejudicado.



Sintomas - As lesões podem variar de pequenos pontos a longas estrias paralelas às nervuras. Inicialmente, as lesões apresentam-se com uma cor verde-clara, conferindo ao tecido um aspecto encharcado. Com o decorrer do tempo, o tecido passa a ter aspecto seco, com coloração marrom-palha. As lesões provocadas pela doença podem coalescer, afetando uma boa parte da largura das folhas. Tecidos necrosados, em condições de ventos e chuvas fortes, podem fendilhar e rasgar. A doença caracteriza-se por apresentar distribuição em reboleiras.

O patógeno também pode causar podridão em internódios próximos à espiga, chegando, em certos casos, a causar a morte da planta.



Etiologia - Há controvérsia sobre a nomenclatura do organismo causal da mancha bacteriana: alguns preferem Pseudomonas albopricipitans Rosen, enquanto outros defendem Pseudomonas avenae. A bactéria é gram-negativa, bastonetiforme, com flagelo polar e dimensões de 0,6 x 1,6 μm.

Controle - Embora nenhuma medida específica de controle seja recomendada, principalmente devido à importância secundária da doença, o uso de cultivares resistentes e o manejo adequado da irrigação são medidas gerais que podem trazer bons resultados.
PODRIDÃO BACTERIANA DO COLMO -Erwinia chrysanthemi pv. zeae (Sabet) Victoria, Arboleda & Mufioz (sinonímia: Erwinia carotovora var. zeae)

A podridão de colmo causada por Erwinia é uma doença associada a condições de alta umidade do solo. Quando o cultivar é suscetível ao patógeno, os reflexos sobre o desempenho econômico das lavouras podem ser significativos, principalmente em campos de produção de sementes, onde a doença tem sido mais encontrada.



Sintomas - O súbito aparecimento de plantas tombadas é um dos sintomas característicos da doença. A seca prematura de plantas também pode ser outro de seus sintomas. A podridão de colmo pode ocorrer em um ou em vários internódios acima da superfície do solo. Os sintomas nos internódios atacados são o encharcamento dos tecidos e a perda de firmeza ou rigidez dos tecidos do colmo, que provoca o tombamento das plantas. Em fases mais adiantadas de infecção, o tecido necrosado no internódio atacado apresenta-se marrom-claro. O patógeno pode atingir as espigas e causar podridão mole. Os tecidos afetados exalam odor desagradável característico.

Etiologia - Erwinia chrysanthemi pv. zeae é gram-negativa, com dimensões de 0,6-0,9 x 0,8-1,7 μm, provida de flagelo.

Controle - O uso de cultivares resistentes é eficiente no controle da doença. O manejo adequado da irrigação, em quantidade e qualidade da água utilizada, também é um cuidado que reduz a freqüência de plantas afetadas pela bactéria no campo.
PODRIDÕES DE SEMENTES E MORTE DE “SEEDLINGS”

A podridão de sementes e a morte de “seedlings” são cansadas por patógenos que podem sobreviver no solo ou no interior das sementes. A redução da população de plantas por unidade de área é a principal conseqüência da ação desses patógenos. Esses danos ficam mais evidentes nas lavouras plantadas em condições desfavoráveis à germinação e emergência (temperaturas abaixo de 150C e alta umidade no solo, freqüentes na Região Sul nos primeiros plantios de agosto e setembro).



Sintomas - O primeiro sintoma observado é a redução do número de plantas emergidas no campo. As causas desta redução podem ser a podridão de sementes, que destrói o embrião antes da germinação, e a morte de “seedlings” antes ou depois da emergência. O sintoma da morte de “seedlings” por patógenos pode ser confundido com danos causados por insetos ou produtos químicos, principalmente herbicidas.

Etiologia - Vários são os patógenos envolvidos neste processo de destruição de tecido, destacando-se Pythium spp., Diplodia maydis (Berk.) Sacc., Rhizoctonia sp., Penicillium oxalicum Currie & Thom e Fusarium moniliforme Sheld. Estes patógenos estão presentes no solo, sobre restos de cultura ou são transmitidos por sementes (principalmente Diplodia, Fusarium e Penicillium).

Controle - O uso de medidas integradas de controle é a recomendação mais eficiente para amenizar os danos causados por estes patógenos. O plantio de sementes sadias, protegidas com fungicidas, em locais com temperatura do solo acima de 150C, semeadas numa profundidade ideal, são medidas recomendadas. Cultivares que apresentam uma melhor capacidade de estabelecimento de plântulas devem ser preferidos. Além da sanidade, sementes de boa qualidade física e fisiológica são recomendadas.
PODRIDÃO DE RAÍZES

Sintomas - Os sintomas são observados nas raízes, sob a forma de lesões de coloração marrom-claro a marrom-escuro, que podem se transformar em grandes áreas afetadas e provocar o tombamento de plantas, principalmente após períodos de vento.

Etiologia - Várias espécies de fungos pertencentes aos gêneros Fusarium, Helminthosporium, Pyrenochaeta e Pythium podem causar podridões de raízes. Pythium graminicola Subram e Pythium debaryanum Hesse são os mais freqüentes. Estes fungos caracterizam-se por apresentar micélio fino, de coloração branca e aspecto cotonoso, no qual são produzidos os esporângios, responsáveis pela reprodução assexuada do fungo. A fase sexuada caracteriza-se pela formação de oósporos, que também atuam como estruturas de resistência do patógeno, responsáveis pela sua sobrevivência em condições desfavoráveis.

Controle - O uso de cultivares resistentes e o plantio em áreas bem drenadas são recomendados.
FERRUGEM COMUM - Puccinia sorghi Schw.

Das três ferrugens que ocorrem no milho, a ferrugem comum é a menos severa, provavelmente por ser uma doença antiga e bastante disseminada no país, fato que possibilitou, nos programas de melhoramento genético, seleção adequada para resistência. A doença é mais importante nos primeiros plantios da Região Sul e, esporadicamente, na região central do Brasil, quando da ocorrência de temperaturas baixas associadas ao cultivo de híbridos suscetíveis (Figura 52.1).



Sintomas - A doença caracteriza-se pela presença de pústulas elípticas e alongadas, em ambas faces da folha, com produção de uredósporos de coloração marrom-canela. Com o passar do tempo, as pústulas tornam-se mais escuras, em conseqüência do desenvolvimento de teliósporos. Com o acúmulo de lesões, é comum observar, nas folhas, faixas transversais, que correspondem à posição do cartucho no momento da infecção. Clorose e morte das folhas podem ocorrer em condições de severidade elevada.

Etiologia - A ferrugem comum do milho é cansada por Puccinia sorghi. Os uredósporos são de formato esférico a elipsóide, de coloração canela, com superfície moderadamente equinulada, medindo de 2 1-30 x 24-33 μm. Os uredósporos germinam através de poros germinativos equatoriais. Os teliósporos desenvolvem-se em pústulas mais velhas, são bicelulares, apresentam coloração marrom-escura, atingindo até duas vezes o tamanho dos uredósporos.

O patógeno possui como hospedeiros intermediários, espécies de trevo, do gênero Oxalis, nas quais desenvolve écios e eciósporos, que servem de inóculo para a cultura do milho.



Controle - As medidas de controle recomendadas são o uso de cultivares resistentes e o plantio em épocas desfavoráveis ao desenvolvimento da doença. Dado o grande número de raças fisiológicas, o uso de cultivares com resistência poligênica é mais seguro. O plantio de cultivares suscetíveis em ambientes com temperatura amena, como nos meses de agosto e setembro, na Região Sul, não é recomendado.
FERRUGEM POLISORA - Puccinia polysora Underw.

A ferrugem polisora é a mais agressiva e destrutiva das doenças do milho na região central do Brasil. Danos econômicos da ordem de até 65% já foram constatados experimentalmente. Nas Regiões Centro-oeste e Sudeste, esta ferrugem ocorre durante todo o ano agrícola, sendo problema importante em plantios a partir da segunda quinzena de novembro até janeiro (Figura 52.1). Na Região Sul, especialmente no Paraná, a doença é observada somente nos plantios realizados após dezembro, não causando danos tão severos como na região central do Brasil. A ferrugem polisora tem preferência por temperaturas mais elevadas. A ferrugem comum, ao contrário, adapta-se melhor a temperaturas moderadas, que são mais freqüentes na região Sul.



Sintomas - As pústulas da ferrugem polisora são pequenas, circulares a elípticas. Os uredósporos e as pústulas têm coloração variável de amarelo a dourado; em fases mais avançadas surgem pústulas marrom-escuras, devido à formação dos teliósporos. Quando a cultura está fortemente afetada, é comum os uredósporos ficarem aderidos ao corpo e à roupa das pessoas que caminham pela lavoura, conferindo cor dourada a estas partes. As pústulas podem ocorrer na face superior do limbo e da bainha foliar, nas brácteas das espigas e, em condições de alta severidade, no pendão (Pranchas 52.2 e 52.3). Em cultivares suscetíveis, é comum a ocorrência de morte prematura em virtude da destruição foliar.

Etiologia - Puccinia polysora é o agente causal da ferrugem polisora. Os uredósporos são amarelo-dourados, com forma elipsoidal a ovóide, medindo de 20-29 x 29-40 μm, equinulados, com 4 ou 5 poros equatoriais. Os teliósporos são de coloração marrom-castanho, elipsóides ou oblongos, com as duas extremidades arredondadas.

P polysora diferencia-se de P sorghi principalmente por apresentar urédios menores, uredósporos com pigmentação mais clara, teliósporos com paredes menos espessas e pedicelos mais curtos. P polysora, assim como P sorghi, possuem raças fisiológicas.

Controle - O controle de P polysora pode ser feito com o uso de cultivares resistentes, escolha correta de época e local de plantio e com aplicação de fungicidas. O método de controle mais eficiente e menos oneroso para o produtor é o uso de híbridos ou variedades com níveis satisfatórios de resistência ao patógeno. Evitar plantios nos meses de dezembro e janeiro, nas regiões propícias para a ocorrência da doença, é prática recomendada para amenizar os danos causados pelo fungo. A severidade da doença é maior em regiões com altitude inferior a 650 metros e, nessas condições, cultivares suscetíveis não devem ser plantados, principalmente na região central do Brasil. O controle químico é eficiente para controlar a doença. Justifica-se sua utilização, porém, somente em campos cultivados com materiais que apresentem um alto valor econômico ou estratégico.
FERRUGEM TROPICAL - Physopella zeae (Mains) Cummins & Ramachar (sinonímia Angiopsora zeae Mains)

O fungo causador da ferrugem tropical foi constatado no Estado do Espírito Santo, em 1976. Somente nos últimos anos, porém, a doença tornou-se de importância econômica, principalmente nas Regiões Centro-oeste e Sudeste, onde encontrou condições favoráveis de desenvolvimento associadas ao freqüente plantio de híbridos suscetíveis.



Sintomas - Os sintomas da ferrugem tropical ocorrem em ambas as faces da folha, na forma de pústulas dispostas em pequenos grupos, paralelos às nervuras. As pústulas têm formato arredondado ou oval, com comprimento entre 0,3 e 1,0 mm, de coloração amarelada a castanha, e são recobertas pela epiderme da folha, apresentando uma abertura na região central (Prancha 52.4). Num estádio mais avançado, desenvolvem-se, ao redor das pústulas, halos circulares a oblongos, com bordos escuros, que correspondem à formação de télios subepidérmicos, distribuídos em grupos ao redor dos urédios. Em condições dc alta incidência, comuns nos últimos anos em algumas regiões, pode ocorrer coalescência de grupos de pústulas, com a conseqüente morte prematura das folhas.

Etiologia - Os uredósporos de Physopella zeae são elípticos ou ovóides, hialinos a amarelo-claros, moderadamente equinados, com dimensões de 15-22 x 22-33 μm. Os télios são escuros e subepidérmicos. Os teliósporos são cilíndricos, sésseis, unicelulares, amarelo-dourados a marrom-castanhos, ocorrendo em cadeias de 2 a 3 esporos, estes com dimensão de 12-18 x 16-36 μm.

A fase aecial não é conhecida. Os inóculos primário e secundário consistem de uredósporos provenientes de plantas de milho ou teosinto (Euchlaena spp.). A disseminação dos uredósporos dá-se, principalmente, pelo vento.

O fungo é altamente destrutivo, podendo causar apreciáveis danos econômicos quando a planta é afetada antes do florescimento. O desenvolvimento da doença é favorecido por ambiente úmido e quente. A presença de água livre na superfície da folha é fator importante para ocorrer a germinação dos esporos. A temperatura e a luminosidade são também fatores importantes.

A ferrugem tropical caracteriza-se por ocorrer em plantios tardios, a partir de outubro, e em regiões de baixa altitude (Figura 52.1).



Controle - O controle da doença pode ser feito através do uso de cultivares resistentes, escolha correta de local e época para plantio e aplicação foliar de fungicidas. O uso de híbridos de milho resistentes à doença é o método de controle mais eficiente e que não acarreta nenhum custo adicional ao produtor. A resistência poligênica é, geralmente, mais duradoura. O uso de fungicida em aplicação foliar, após o aparecimento das primeiras pústulas, pode ser uma prática eficiente em materiais de alto valor econômico ou estratégico, como em campos de produção de sementes.
MANCHA FOLIAR DE HELMINTHOSPORIUM TURCICUM - Trichometasphaeria turcica Luttrell (Exserohilum turcicum (Pass.) Leonard & Suggs)

O patógeno causador desta doença está largamente disseminado nas áreas de cultivo de milho do país. Se as condições forem favoráveis ao fungo (alta umidade e temperatura entre 18 e 270C) e se o cultivar utilizado não possuir nível de resistência satisfatório, o dano econômico pode ser bastante significativo. Os cultivares de milho pipoca utilizados atualmente no Brasil são bastante suscetíveis ao patógeno.

O prejuízo econômico causado pela doença depende da severidade e do estádio de desenvolvimento da cultura na época da infecção. Incidência severa antes do embonecamento é altamente danosa.

Sintomas - As lesões são necróticas, elípticas, variando de 2,5 a 15 cm de comprimento. O tecido necrosado das lesões varia de verde-cinza a marrom (Prancha 52.5). As lesões começam a aparecer nas folhas inferiores da planta.

Etiologia - O agente causal desta doença é Exserohilum turcicum (sinonímia Helminthosporium turcicum), e tem como forma sexuada Trichometasphaeria turcica. Os conídios têm cor verde-oliva ou marrom-escuro, são fusiformes, ligeiramente curvos, com 3 a 8 septos, dimensões de 20 x 105 μm, com hilo saliente e germinação através de tubos de germinação polares. Os conidióforos são oliváceos, com 2 a 4 septos, medindo de 7-9 x 150-250 μm. A fase sexual ocorre raramente na natureza. Em laboratório, porém, produz peritécio globoso, de coloração escura. Os ascos são cilíndricos, contendo de 1 a 8 ascósporos, usualmente de 2 a 4, que são hialinos, retos ou ligeiramente curvos, com 3 septos e dimensões de 13-17 x 42-78 μm.

O patógeno sobrevive na forma de micélio e conídios em restos de cultura. Clamidósporos podem ser formados. Os conídios são disseminados a longas distâncias através do vento. Infecções secundárias resultam da disseminação de conídios produzidos abundantemente em lesões foliares.

As condições ambientais favoráveis à ocorrência da doença são encontradas nos primeiros plantios, em agosto e setembro, e nos plantios após dezembro, considerados como plantios da safrinha (Figura 52.1). Nas regiões altas, as chamadas chapadas, estas condições podem ser observadas durante o ano todo.

Controle - As medidas de controle devem ser baseadas no uso de cultivares resistentes, escolha de melhor época e local de plantio, adubação equilibrada e aplicação de fungicidas.

Existem no mercado nacional híbridos com níveis de resistência bastante satisfatórios. São conhecidas duas formas de resistência: uma de natureza monogênica (genes Ht), que se manifesta na forma de lesões clorótico-necróticas, com pouca ou nenhuma esporulação sobre as lesões, e outra poligênica, que se caracteriza pela ocorrência de lesões menores e em menor número sobre as folhas. Para o uso de cultivares com baixo nível de resistência, deve-se escolher a melhor época e local para plantio. Os meses de outubro e novembro e locais onde temperaturas amenas não sejam freqüentes podem resultar numa menor severidade da doença.

A adubação com excesso de nitrogênio favorece a maior incidência da doença. A aplicação foliar de fungicida pode ser utilizada para materiais de alto valor econômico ou estratégico. As medidas de controle aplicadas conjuntamente constituem a melhor e mais eficiente prática de controle da doença.
MANCHA FOLIAR DE HELMINTHOSPORIUM MAYDIS Cochliobolus heterostrophus (Drechs.) Drechs. (Bipolaris maydis (Nisik.) Shoemaker)

Esta doença é conhecida há muitos anos no Brasil, mas somente a partir de 1970 é que ganhou importância maior, devido aos prejuízos causados na cultura. Duas raças fisiológicas já foram descritas para o patógeno: a raça O, mais antiga e não tão destrutiva e raça T, a grande responsável pelo aumento da importância da doença. A raça 1 possui especificidade para milhos portadores de citoplasmas T ou P, que conferem esterilidade masculina, enquanto plantas com citoplasmas C ou S, que também conferem esterilidade masculina, e plantas com citoplasma normal comportam-se como resistentes. Em 1970, a grande maioria dos milhos híbridos produzidos com o uso de esterilidade masculina T (para dispensar a operação de despendoamento) era extremamente suscetível ao patógeno. Com a substituição dos híbridos suscetíveis, a doença perdeu seu caráter epidêmico, embora continue ocorrendo, na forma da raça O, em regiões quentes e úmidas, com danos econômicos menos significativos.



Sintomas - As lesões cansadas pela raça O do patógeno são alongadas, medindo 0,2-0,6 cm de largura por 0,5-2,0 cm de comprimento, de coloração marrom-claro a marrom-castanho, com bordos paralelos, podendo apresentar uma coloração mais escura no centro. As lesões cansadas pela raça T são maiores, medindo 0,6-1,2 cm de largura por 0,6-2,7 cm de comprimento, de forma elíptica ou fusiforme, com coloração castanha, podendo ocorrer a formação de halos cloróticos. Esta raça pode causar lesões na folha, bainha, colmo, bráctea, pedúnculo da espiga e, até mesmo, provocar podridão de sabugo. Plântulas podem apresentar sintomas de murcha devido à transmissibilidade do patógeno pelas sementes.

Etiologia - Bipolaris maydis, também denominado Helminthosporium maydis Nisik., é o agente causal dessa doença. A forma perfeita corresponde a Cochliobolus heterostrophus.

Os conídios apresentam uma coloração verde-oliva, são curvos, com dimensões de 10-17 x 30-115 μm, afilados nas extremidades, com 3 a 13 septos, sem hilo saliente e germinam por tubos germinativos polares. Na fase sexual, raramente encontrada na natureza, o patógeno produz ascósporos em peritécios.

O ciclo de vida deste patógeno é semelhante ao de E. turcicum, excetuando-se a possibilidade de disseminação pelas sementes (raça T). As condições favoráveis ao desenvolvimento do patógeno são alta umidade e temperaturas entre 20 e 320C.

Controle - Os híbridos comercializados atualmente não são produzidos com a macho esterilidade T e, portanto, são resistentes à raça T do patógeno. A reação das plantas à raça O é controlada geneticamente e, portanto, a escolha de cultivares resistentes para plantios em regiões onde a doença tem importância econômica é uma medida eficiente de controle.
MANCHA FOLIAR DE HELMINTHOSPORIUM CARBONUM Cochliobolus carbonum Nelson (Bipolaris zeicola (Stout) Shoemaker)

Embora não cause danos econômicos significativos para a maioria dos híbridos comerciais, esta doença pode causar alguns prejuízos em linhagens, nos campos de melhoramento genético ou de produção de sementes.



Sintomas - As lesões foliares são necróticas, medindo 1,2 cm de largura por 2,5 cm de comprimento, com formato circular a oval e coloração palha. As bordas das lesões podem apresentar uma coloração mais escura.

Etiologia - O agente causal é Bipolaris zeicola (sinonímia Helminthosporium carbonum Ullstrup), que corresponde, na forma perfeita, a Cochliobulus carbonum.

Os esporos, na fase assexuada, apresentam coloração dourada a marrom-olivácea, são curvos, fusiformes a elípticos, alongados, com extremidades arredondadas, dimensões de 7-18 x 25-100 μm e 2-12 septos.

O patógeno apresenta pelo menos 3 diferentes raças fisiológicas. As condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da doença incluem temperaturas moderadas e alta umidade relativa.

Controle - Devido à baixa incidência da doença, medidas de controle não têm sido recomendadas. O uso de cultivares resistentes, porém, é uma medida preventiva eficiente e sem custo adicional para o produtor.
MANCHA FOLIAR DE PHAEOSPHAERIA - Phaeosphaeria maydis (P. Henn.) Rane et al. (Phyllosticta sp.)

A mancha foliar cansada por Phaeosphaeria é uma doença de distribuição generalizada pelas áreas produtoras de milho. Contudo, seus danos econômicos são dependentes das condições ambientais e do estádio de desenvolvimento no qual a planta é infectada. Plantas infectadas precocemente podem ter sua produtividade reduzida se a umidade relativa for elevada, preferencialmente com água livre na superfície da folha, e as temperaturas, moderadas. Estas condições climáticas são comumente encontradas em regiões acima de 600 m de altitude.



Sintomas - Inicialmente, as lesões são pequenas, cloróticas, tornando-se maiores posteriormente, com até 2 cm, arredondadas a oblongas, com coloração esbranquiçada c bordos escuros (Prancha 52.6). Pode haver coalescência de lesões, o que leva à morte parcial ou total da folha. Peritécios e picnídios podem ser encontrados no centro das lesões.

Etiologia - O patógeno causador desta doença é denominado Phaeosphaeria maydis (sinonímia Sphaerulina maydis P. Henn.). Os peritécios são esféricos, com ostíolo. Os ascos são hialinos, clavados ou cilíndricos, retos ou curvados, com 8 ascósporos, e medem de 44,5-70 x 7,5-8,5 μm. Os ascósporos são hialinos, retos ou ligeiramente curvos, com 3 septos, e dimensões de 14,5-17,5 x 3,5-5,0 μm. Os picnídios (Phyllosticta) são esféricos ou globosos, escuros, com ostíolo arredondado, contendo esporos hialinos, alongados ou arredondados, com dimensões de 3,2-9 x 2,4-3,2 μm.

O inóculo primário é oriundo de restos de cultura e nenhum hospedeiro intermediário foi identificado até o momento. A disseminação do patógeno ocorre pelo vento e por respingos de chuva. A doença é mais severa em plantios compreendidos entre a segunda quinzena de novembro e março (Figura 52.1).



Controle - O uso de cultivares resistentes, nas regiões onde o patógeno encontra melhores condições de desenvolvimento, é o método de controle mais eficiente para a doença.
MANCHA MARROM - Physoderma maydis Miyabe

A ocorrência da mancha marrom é bastante comum, principalmente quando o milho é cultivado em períodos quentes e úmidos. A importância econômica da doença, porém, não é significativa em condições normais.



Sintomas - Os principais sintomas aparecem nas folhas como pequenas pontuações amarelas, que podem coalescer, formando lesões maiores. O limbo foliar pode apresentar-se com coloração dourada. Com o decorrer do tempo, as manchas mudam de cor, passando a marrom-arroxeado. As manchas podem ocorrer no limbo, bainha e colmos. Pontuações características com áreas necrosadas na nervura principal das folhas são freqüentes. A quebra do colmo, que pode ocorrer nos locais das lesões, é o dano mais grave causado pela doença.

Etiologia - O agente causal da mancha marrom é Physoderma maydis. As estruturas características produzidas por este patógeno são os esporângios marrom­avermelhados, globosos, achatados em um dos lados e com dimensões de 18-24 x 20-30 μm. Na germinação dos esporângios, processo influenciado por luz, temperatura e água livre, são liberados os zoósporos, em número de 20 a 50 por esporângio.

Controle - O uso de cultivares resistentes, cm regiões onde a doença é mais freqüente, é a medida de controle recomendada.
MILDIO - Peronosclerospora sorghi (Weston & Uppal) C. G. Shaw

O milho está sujeito ao ataque de diferentes espécies de Sclerospora, Peronosclerospora e Sclerophthora, agentes causais de doenças conhecidas como míldios. As diferentes espécies destes patógenos causam sérios prejuízos econômicos à cultura de milho em várias partes do mundo, especialmente no continente asiático. No Brasil, Peronosclerospora sorghi já foi encontrada nos Estados de São Paulo e Minas Gerais.

A doença é mais conhecida como míldio do sorgo, pois também afeta esta cultura, na qual causa maiores danos. Para o milho, nas nossas condições, o prejuízo econômico não está sendo tão significativo como em outros países, com exceção de algumas regiões e épocas de plantio, como o sudoeste do Paraná nos plantios após o mês de janeiro.

Sintomas - Os sintomas causados pelo míldio do sorgo em milho são vários. As plantas infectadas sistemicamente apresentam-se com um aspecto clorótico e, ocasionalmente, exibem folhas com estrias e faixas brancas, usualmente mais estreitas e mais eretas em relação às plantas sadias (Prancha 52.7). Entre as mais baixas, é freqüente encontrar folhas que apresentam uma divisão transversal nítida entre o tecido doente e o sadio, dando à folha um aspecto de “meia folha doente”. Os colmos apresentam-se mais finos, acamados, e possuem uma quantidade maior de raízes adventícias. Os pendões de plantas atacadas podem apresentar uma proliferação de estruturas filóides. Plantas atacadas têm sua produtividade seriamente comprometida.

Etiologia - Os esporangióforos de Peronosclerospora sorghi são hialinos, eretos, ramificados dicotomicamente, com 180 a 300 μm de comprimento. Os esporângios, hialinos e ovais a esféricos, medem de 14,4-27,3 x 15-28,9 μm. Em condições favoráveis de temperatura e umidade, observa-se, em ambas as faces das primeiras folhas infectadas, uma eflorescência branca formada por esporângios e esporangióforos. O patógeno também pode produzir oósporos hialinos e esféricos (dimensões de 25 a 42,9 μm) nos tecidos entre as nervuras.

A infecção pode se dar de duas maneiras: a partir de oósporos que sobrevivem no solo e infectam sistemicamente as folhas de “seedlings” suscetíveis, ou a partir de esporângios, capazes de infectar folhas já desenvolvidas. A germinação de esporângios requer temperaturas inferiores a 200C.

Além do milho, o patógeno pode infectar plantas de sorgo, capim-maçambará, Sorghum halepense e outras gramíneas.

No Brasil, existem pelo menos duas raças fisiológicas do patógeno, diferenciadas na variedade de sorgo Brandes. Para milho, não existe interação significativa entre os cultivares utilizados e as duas raças já identificadas.



Controle - O uso de cultivares resistentes ao patógeno é o método de controle mais eficiente da doença. Outros métodos podem ser utilizados, tais como: tratamento de sementes com fungicidas sistêmicos; eliminação de plantas doentes da cultura; rotação de cultura com espécies não-hospedeiras; eliminação de plantas hospedeiras próximas da área de cultivo no momento do plantio; plantio precoce.
CARVÃO COMUM - Ustilago maydis (D.C.) Cda.

A ocorrência do carvão comum é generalizada em todas as regiões de cultivo de milho no país. A doença, no entanto, não causa prejuízos econômicos significativos.



Sintomas - Os sintomas, na forma de galhas, podem ocorrer em qualquer parte aérea da planta, sendo mais comum nas espigas. No início, as galhas apresentam-se recobertas por uma membrana de cor branca e aspecto brilhante (Prancha 52.8). Com o desenvolvimento das galhas, dá-se a formação dos teliósporos, que são liberados após o rompimento da membrana envolvente. A formação da galha é resultante do estímulo que o micélio do fungo, na fase parasítica, exerce sobre as células do hospedeiro, induzindo-as a aumentarem tanto em número como em tamanho. Os tecidos embrionários são, de modo geral, suscetíveis ao patógeno.

Etiologia - O fungo causador do carvão comum é o basidiomiceto Ustilago maydis (sinonímia Ustilago zeae Ung.), que apresenta teliósporos elipsóides, equinulados, de cor marrom a preta, com 8-11 μm de diâmetro. Os teliósporos germinam, dando origem ao basídio, do qual se originam os basidiósporos hialinos e fusiformes. Estes, por sua vez, dão origem a um micélio haplóide. A formação do micélio dicariótico pode ocorrer tanto internamente como na superfície do hospedeiro, como resultado da fusão de micélios de tipos sexuais compatíveis.

Controle - Para o controle do carvão comum, recomenda-se o uso de cultivares resistentes e com bom empalhamento de espiga. Também aconselham-se alguns outros cuidados, como: evitar doses excessivas de nitrogênio; evitar injúria por tratos culturais; controlar lagartas que afetam as espigas; fazer rotação de cultura em áreas com alta incidência da doença.
CARVÃO-DO-TOPO - Sphacelotheca reiliana (Kühn) Clint.

O carvão-do-topo é uma doença que ocorre somente na Região Sul. É favorecida por temperaturas entre 21 e 280C e umidade do solo baixa ou moderada, durante o período de germinação da semente e estabelecimento do “seedling”. Estas condições prevalecem nos primeiros plantios, de agosto e setembro. Plantas com deficiência de nitrogênio tornam-se mais predispostas à infecção.



Sintomas - Após a infecção, as espigas tornam-se levemente arrendondadas e, ao abrir-se a palha, nota-se que toda a estrutura interna foi transformada numa massa negra pulverulenta, constituída de teliósporos. Filamentos enegrecidos, vestígios do tecido vascular da planta, estão presentes nas espigas afetadas. No pendão, ocorre a formação de soros que também liberam teliósporos, podendo ocorrer a proliferação de pequenas folhas. A presença de plantas sem sintomas no pendão e com as espigas afetadas é bastante comum. As plantas infectadas podem ter seu desenvolvimento prejudicado e perfilham comumente. Plantas infectadas têm a sua produção totalmente afetada.

Etiologia - O carvão-do-topo é causado por Sphacelotheca reiliana (sinonímia Sorosporium reiliana (Kühn) McAlp). Os teliósporos são de coloração marrom escura, globosos, com dimensões de 9-12 mm de diâmetro. Ao germinarem, produzem basídias e basidiósporos, que são hialinos, unicelulares, subglobosos, medindo 7-15 mm de diâmetro.

Controle - O controle do carvão-do-topo deve ser realizado com o uso de cultivares resistentes nos plantios de agosto e setembro, em regiões onde a doença está presente. Embora a semente tenha baixa eficiência na disseminação do fungo, o uso de sementes sadias é prática recomendada. A adubação adequada de nitrogênio reduz o número de plantas infectadas. A eliminação de plantas doentes, quando a incidência da doença for baixa, e a rotação de cultura reduzem a concentração de inóculo para plantios futuros.
FALSO-CARVÃO - Ustilaginoidea virens (Cke.) Tak.

O falso-carvão é causado pelo fungo Ustilaginoidea virens. O patógeno está disseminado no mundo todo, mas é de ocorrência rara e não causa dano econômico à cultura. Os sintomas mais evidentes são galhas nas flores do pendão. Diferentemente dos dois carvões já mencionados, que produzem teliósporos nas galhas, o falso-carvão caracteriza-se por produzir escleródios e conídios.


PODRIDÃO DE COLMO CAUSADA POR DIPLODIA - Diplodia maydis (Berk.) Sacc.

A podridão de colmo causada por Diplodia é uma doença bastante comum nas regiões de cultivo de milho, mais freqüente em cultivares suscetíveis plantados sob condições de deficiência hídrica antes da polinização, seguida de período chuvoso. A deficiência de potássio no solo proporciona aumento da incidência e da severidade da doença.



Sintomas - Os colmos afetados por Diplodia revelam, na parte externa dos internódios afetados, uma alteração na coloração, passando da cor normal dos tecidos para uma despigmentação, que pode variar de palha a marrom. Internamente, a medula apresenta-se desintegrada e com cor alterada, sem que, no entanto, haja desintegração do tecido vascular.

O patógeno ataca, geralmente, os internódios inferiores da planta, podendo atacar também os internódios superiores e causar podridão de espiga. Nos internódios abaixo da superfície do solo, podem ser observados os picnídios, estruturas de reprodução características do fungo.



Etiologia - Diplodia maydis (sinonímia Diplodia zeae (Schw.) Lev.) produz picnídios globosos, de cor marrom a preta, que contêm esporos bicelulares, elípticos, retos ou ligeiramente curvos, marrons, com dimensões de 5-6 x 25-30 μm. A presença dos picnídios subepidérmicos é característica marcante da doença.

Controle - Plantio de cultivares resistentes é o método mais eficiente de controle. Adubação equilibrada, principalmente com potássio, densidade de plantio adequada e colheita na hora apropriada minimizam os danos provocados pela doença.
PODRIDÃO DE COLMO CAUSADA POR FUSARIUM - Gibberella moniliforme Wineland (Fusarium moniliforme Sheld., Fusarium moniliforme var. subglutinans Wr. & Reink.)

A doença ocorre, principalmente, após a polinização, quando esta fase é antecedida por período seco e seguida por período chuvoso.



Sintomas - Os sintomas internos caracterizam-se por uma alteração na cor da medula, que pode variar de esbranquiçada a marrom. Em estádios mais avançados da doença, pode ocorrer a quebra do colmo. O patógeno afeta, geralmente, as raízes e os internódios inferiores, podendo atingir também os internódios superiores e causar podridão de espiga.

Etiologia - Os agentes causais desta podridão são Fusarium moniliforme e Fusarium moniliforme var. sub glutinans. A fase perfeita corresponde a Gibberella moniliforme (sinonímia Gibberella fujikuroi).

Os macroconídios de F moniliforme são curvos, com 3 a 7 septos, medindo de 2,4-4,9 x 15-60 μm. Os microconídios são abundantes, medindo de 2-3 x 5-12 μm, e produzidos em cadeia ou em falsas cabeças no micélio. Os peritécios, raramente encontrados na natureza, produzem ascos com dimensões de 75-100 x 10-16 μm, que contêm 8 ascósporos retos, a maioria com 1 septo, medindo de 4,5-7,0 x 12-17 μm.

Os macroconídios de F moniliforme var. subglutinans são menos curvos do que os de F moniliforme e, geralmente, possuem 3 septos. Os microconídios são produzidos em falsas cabeças, mas nunca em cadeia.

Controle - As mesmas medidas recomendadas para o controle da podridão de colmo causada por Diplodia aplicam-se para esta doença.
PODRIDÃO DE COLMO CAUSADA POR COLLETOTRICHUM (ANTRACNOSE) - Colletotrichum graminicola (Ces.) G.V. Wils

A podridão de colmo causada por Colletotrichum, também chamada de antracnose, difere das podridões causadas por Diplodia e Fusarium devido à possibilidade de sua ocorrência em qualquer fase de desenvolvimento da planta. A doença é favorecida por alta umidade e temperatura moderada.



Sintomas - Os sintomas podem ocorrer em qualquer parte da planta. No limbo foliar as lesões necróticas podem alcançar até 1,5 cm de comprimento. Na nervura principal da folha podem ocorrer lesões necróticas, facilmente visíveis, que se caracterizam por seu aspecto marrom e formato alongado. No colmo, os sintomas na casca surgem logo após a polinização, na forma de lesões estreitas, encharcadas, inicialmente de coloração pardo-avermelhada, passando a castanho-escuras ou pretas com o decorrer do tempo. Internamente, alguns internódios ou o colmo inteiro podem ser afetados. Os tecidos internos tornam-se escuros e entram em processo de desintegração. Acérvulos com esporos são encontrados na casca do colmo.

Etiologia - O agente causal da antracnose é Colletotrichum graminicola. Os acérvulos são castanho escuros, com conidióforos curtos, eretos, hialinos, não-septados e não-ramificados. Setas longas, escuras e septadas são produzidas entre os conidióforos. Os conídios, hialinos, não-septados, cilíndricos, falciformes, medindo de 4,9-5,2 x 26,1-30,8 μm, são produzidos na extremidade dos conidióforos.

O patógeno sobrevive em restos de cultura nas formas de conídio e micélio dormente. Os conídios são a fonte primária de inóculo para a doença na fase foliar. A semente é um agente de transmissão do patógeno.



Controle - Uso de cultivares resistentes ao patógeno, adubação equilibrada e rotação de cultura são práticas recomendadas para controlar a doença.
PODRIDÃO DE COLMO CAUSADA POR PYTHIIJM - Pythium aphanidermatum (Eds.) Fitzp. e Pythium spp.

A podridão de colmo causada por Pythium não é tão comum como as podridões de Diplodia e Fusarium. A doença ocorre, geralmente, depois de longos períodos úmidos e quentes.



Sintomas - O sintoma limita-se ao primeiro internódio acima do nível do solo. A região atacada apresenta uma alteração na cor dos tecidos, que pode variar de palha a marrom-escura, além de exibir aspecto encharcado. Pode ocorrer estrangulamento do colmo na região atacada. A parte do colmo afetada perde a sua firmeza, tendo como conseqüência o tombamento das plantas, que podem, entretanto, permanecer verdes por alguns dias. A queda repentina de plantas, mesmo antes do florescimento, é outra característica da doença.

Diferentemente do que ocorre com Diplodia e Fusarium, Pythium consegue estabelecer relações patogênicas em tecidos mais novos, verdes e fisiologicamente ativos. O tombamento das plantas, mesmo antes do florescimento, é conseqüência de tal característica.



Etiologia - Os agentes causais da doença são Pythium aphanidermatum (sinonímia Pythium butleri Subr.) e outras espécies de Pythium. Estes fungos são favorecidos por condições de alta umidade do solo. As hifas de P. aphanidermatum são hialinas e não-septadas, com exceção das proximidades das estruturas de frutificação. Esporangióforos são filamentosos, ramificados ou não, com esporângios reniformes. Oogônios e anterídios são produzidos em posição terminal. Os oósporos medem de 17 a 19 μm de diâmetro e possuem as paredes grossas.

Controle - Nenhuma medida de controle é utilizada para controlar a podridão de colmo causada por Pythium, mas o uso de cultivares resistentes é uma prática que pode ser utilizada.
PODRIDÃO DE ESPIGA CAUSADA POR DIPLODIA - Diplodia maydis (Berk.) Sacc. e Diplodia macrospora Earle

A podridão de espiga causada por Diplodia é a mais freqüente das podridões encontradas no milho. Embora a doença esteja presente em todas as regiões de cultivo, é na Região Sul que ocorrem os maiores problemas. Altitudes elevadas aumentam a severidade da doença.



Sintomas - Essa podridão inicia-se, geralmente, pela base da espiga. Em espigas infectadas, as brácteas inferiores apresentam-se ligadas entre si devido ao crescimento do micélio do fungo entre elas. O fungo também cresce entre os grãos das espigas. Espigas severamente afetadas apresentam-se mais leves do que as sadias. Pequenos pontos pretos, os picnídios, podem ser observados no sabugo da espiga. Espigas infectadas no estádio leitoso dos grãos podem apodrecer completamente, enquanto infecções mais tardias proporcionam podridões menos severas.

Etiologia - Os agentes causais da doença são Diplodia maydis e Diplodia macrospora, sendo o primeiro mais freqüente. Os fungos já foram descritos como causadores de podridões de colmo.

Controle - Escolha de cultivares resistentes e práticas culturais são as medidas recomendadas para o controle da doença. Entre as práticas culturais, pode-se destacar densidade correta de plantio, manutenção da cultura livre de plantas daninhas, colheita na época apropriada e rotação de cultura.
PODRIDA O DE ESPIGA CAUSA DA POR FUSARIUM - Gibberella moniliforme Wineland (Fusarium moniliforme Sheld., Fusarium moniliforme var. subglutinans Wr. & Reink.)

Sintomas - Os grãos infectados apresentam, de início, alteração de cor, que pode variar do róseo ao marrom escuro, na parte superior do grão. Sobre a espiga, os grãos atacados podem apresentar-se isolados ou em grupo. Em estádio avançado, pode-se observar crescimento cotonoso de coloração branca, constituído de micélio e esporos do patógeno. Muitos grãos, aparentemente sadios, levam o patógeno no seu interior.

Etiologia - Os agentes causais desta podridão são Fusarium moniliforme e Fusarium moniliforme var. subglutinans, já descritos como agentes causais de podridões de colmo.

Controle - As medidas de controle para a podridão de espigas causada por Fusarium são as mesmas recomendadas para as podridões causadas por Diplodia.
PODRIDÃO DE ESPIGA CAUSADA POR GIBBERELLA - Gibberella zeae (Schw.) Petch. (Fusarium roseum f. sp. cerealis)

A podridão de espiga causada por Gibberella caracteriza-se por ser mais freqüente em regiões de clima frio e úmido. Estas condições são comuns em regiões de altitude elevada, acima de 800 metros. Se o cultivar plantado for suscetível ao patógeno, podem ocorrer danos econômicos significativos.



Sintomas - A infecção começa pela ponta da espiga e progride em direção à base. Freqüentemente, a palha apresenta-se firmemente ligada às espigas, devido ao desenvolvimento do fungo entre as brácteas interiores e os grãos. As estruturas do fungo podem ser observadas sobre e entre os grãos, variando de uma coloração avermelhada a marrom-avermelhada. As espigas atacadas no início de seu desenvolvimento podem apodrecer por completo.

Etiologia - O agente causal é Gibberella zeae, que tem como forma imperfeita Fusarium roseum f. sp. cerealis (sinonímia Fusarium graminearum Schwabe). Os peritécios são esféricos, pretos, produzidos na superfície do colmo doente e possuem ascos com 8 ascósporos, arranjados em linha. Os ascósporos são hialinos, com 3 septos, ligeiramente curvos, medindo de 3-5 x 20-30 μm. Os macroconídios de F roseum são hialinos, curvos, com 3 a 5 septos, medindo de 4-6 x 30-60 μm. Clamidósporos podem ser produzidos. O patógeno, além do milho, tem trigo, cevada e outros cereais como hospedeiros.

Controle - As mesmas medidas de controle recomendadas para a podridão de espiga causada por Diplodia devem ser utilizadas para esta doença.
PODRIDÃO DE ESPIGA CAUSADA POR PENICILLIUM Penicillium oxalicum Currie & Thom

A incidência de Penicillium vem aumentando em muitas áreas de cultivo de milho nos últimos anos. Períodos chuvosos após o florescimento favorecem o aumento da severidade da podridão. Além de causar danos nos grãos em condições de campo, o fungo é um importante patógeno de grãos armazenados.



Sintomas - A principal característica de espigas infectadas por Penicillium é uma coloração verde-azulada entre os grãos e sobre a superfície do sabugo. Pode ocorrer escurecimento do grão na região do embrião, chamado de “olho azul” do milho. Estrias brancas na superfície dos grãos podem ser observadas. Estes sintomas são comuns em grãos armazenados sob condições de alta umidade.

Etiologia - Penicillium oxalicum é encontrado no solo e possui conidióforos longos, ramificados em forma de vassoura, onde são produzidos os conídios. Estes são arredondados ou ovóides e produzidos em cadeia.

Controle - As medidas de controle para a podridão de espigas causada por Penicillium são as mesmas recomendadas para as podridões causadas por Diplodia.
OUTRAS DOENÇAS

Além das doenças descritas, outras, de menor importância, podem ocorrer na cultura do milho no Brasil: mosaico anão do milho, causado pelo “maize dwarf mosaic virus”­MDMV, do gênero Potyvirus, relacionado serologicamente com o SCMV; doenças secundárias em folhas, causadas por Curvularia spp., Cercospora spp., Aschochyta spp., Phyllosticta maydis, Colletotrichum graminicola, Diplodia macrospora e Kabatiella zeae; doenças secundárias em colmo, causadas por Physoderma maydis, Macrophomina phaseolina, Cephalosporium acremonium, Gibberella roseum f. sp. cerealis, Nigrospora oryzae e Pyrenochaeta terrestris; doenças secundárias em espigas, causadas por Nigrospora oryzae, Botryosphaeria zeae, Botryodiplodia theobromae, Cladosporium herbarum, Botryosphaeria festucae, Aspergillus spp., Trichoderma vinde, Helminthosporium maydis (raça 1) e Colletotrichum graminicola.


CONTROLE DE DOENÇAS DO MILHO

Visando prevenir a ocorrência das doenças mais importantes deve-se levar em conta os seguintes pontos: (a) importância das principais doenças para diferentes locais e épocas de plantio; (b) utilizar cultivares resistentes às doenças potencialmente importantes para a região e para a época de plantio; (c) utilizar sementes com boa qualidade sanitária, física e fisiológica, tratadas com fungicida; (d) escolher solos com boas condições para a germinação das sementes; (e) utilizar densidade de plantio recomendada para o cultivar utilizado; (f) realizar adubação de plantio e cobertura de modo a manter o equilíbrio ideal de nutrientes no solo; (g) utilizar o manejo adequado de água em áreas irrigadas; (h) manter a lavoura livre de plantas daninhas; (i) realizar o controle de pragas, quando necessário; (1) não atrasar a operação de colheita; (k) realizar a rotação de cultura, quando necessário.



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