Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas



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Controle - As medidas de controle da seca da mangueira devem levar em conta os dois tipos de infecção que ocorrem no campo: através da copa ou através das raízes. Não é interessante controlar o vetor para evitar a seca da copa da mangueira. Esta conclusão baseia-se no fato de que H. mangiferae é um vetor pouco eficiente, pois o fungo foi isolado de menos de 1% dos insetos coletados. A principal razão, porém, foi a constatação de que o fungo C. fimbriata não apresenta hábito sistêmico, tendo uma lenta progressão descendente na planta. O fungo evidencia sua presença pela seca dos ramos doentes. Como o fungo ocorre em algumas plantas do pomar e o vetor está disseminado por toda a plantação, é muito mais fácil e lógico controlar o fungo, cortando-se o galho abaixo da região infectada e queimando-o. Esta é a única medida de controle recomendada para a doença, salientando-se que este controle só terá sucesso quando o sistema radicular da planta estiver sadio.

Quando a infecção ocorrer por meio das raízes, a primeira medida de controle seria o uso de porta-enxertos resistentes. O cultivar Jasmim é resistente a um grande número de isolados do patógeno, porém, é suscetível a uma estirpe que ocorre na região de Ribeirão Preto. O ‘Coquinho’, muito utilizado como porta-enxerto, é suscetível, e ‘Espada’, um pouco mais resistente, origina copas muito vigorosas, mas pouco produtivas.

Para utilização como porta-enxertos, os cultivares Manga d’Água, Pico, IAC 101, IAC 102 e Carabao mostraram-se resistentes às duas raças conhecidas do patógeno. Algumas variedades de copa mostram-se resistentes numa região e suscetíveis em outra. De uma maneira geral, em determinadas épocas e regiões, foram consideradas como resistentes ou tolerantes ao patógeno as seguintes variedades: Rosa, Sabina, São Quirino, Oliveira Neto, Keitt, Sensation, Kent, Irwin e Tommy Atkins.

O fungo e o vetor contaminado podem ser disseminados a longas distâncias por mudas ou solo originários de regiões onde a doença ocorre. Sendo assim, na instalação de um novo pomar em regiões livres da doença, deve-se evitar ao máximo a introdução do agente da seca, utilizando mudas produzidas no próprio local ou por meio da aquisição das mudas de viveiristas de regiões comprovadamente livres do problema.

Como medidas gerais de controle, devem ser consideradas duas situações: áreas onde a doença não ocorre e áreas onde a doença ocorre. No primeiro caso, a principal medida é impedir a entrada do fungo na região, já que o inseto ocorre endemicamente em todas as regiões onde existe a mangueira. Nas áreas de ocorrência da doença recomenda-se o uso de porta-enxertos resistentes e o corte e queima dos galhos das copas infectadas.
MALFORMAÇÃO FLORAL E VEGETATIVA

A malformação é um sério problema da mangueira, pois afeta diretamente a produção. A incidência desta anomalia tem levado à erradicação de pomares, principalmente da variedade Tommy Atkins.



Sintomas - O sintoma característico da malformação floral é a redução no comprimento do eixo primário e ramificações secundárias da panícula dando à inflorescência o aspecto de um cacho (Prancha 49.11), lembrando genericamente bonecas de pelúcia, daí o nome popular de “embonecamento”. Às vezes, diferentes partes da inflorescência aumentam de tamanho e enrijecem e as flores, como se fossem de cera, apresentam os discos hipertrofiados. A gema floral pode ser transformada em vegetativa aparecendo então um grande número de pequenas folhas e ramos com internódios reduzidos, conferindo à inflorescência um aspecto compacto (Prancha 49.12). Depois do período de florescimento, as panículas malformadas ainda continuam a se desenvolver. Mais tarde murcham e tornam-se massas negras nas árvores, persistindo, freqüentemente, até o ano seguinte. As inflorescências malformadas não produzem frutos, ocorrendo uma alteração de sexo das flores com a transformação das hermafroditas em estaminadas. Às vezes ocorre o desenvolvimento inicial do ovário, que logo amarelece e cai.

No caso da malformação vegetativa, há produção de um grande número de brotos vegetativos originados das gemas axilares dos ramos principais, que por sua vez também se ramificam bastante, face a perda da dominância apical apresentado pelo conjunto, formando uma estrutura compacta na parte terminal do ramo. Esses brotos apresentam internódios curtos, folhas rudimentares e grande número de gemas intumescidas, que não chegam a brotar, o que lhes confere a aparência de uma vassoura-de-bruxa. A malformação vegetativa é mais comum em viveiros, porém, variedades muito sensíveis, como a Keitt, mostram os sintomas mesmo quando adultas.



Etiologia - A causa mais provável desta anomalia é o fungo Fusarium moniliforme var. subglutinans fase imperfeita de Gibberella fujikuroi var. sub glutinans.

Existem na literatura outras hipóteses para explicar essa anomalia sendo as principais o ácaro das gemas, outras espécies de fungos, vírus, distúrbios hormonais, problemas nutricionais, além de causas genéticas. Os vários trabalhos desenvolvidos em várias partes do mundo reforçam algumas dessas possibilidades e descartam outras.

Estudos com a fisiologia do parasitismo mostraram que Fusarium moniliforme var. subglutinans interfere no transporte de substâncias promotoras do crescimento. Esses metabólitos têm importante papel, quando imobilizados, no desenvolvimento da malformação.

O ácaro das gemas Eriophyes mangifera parece atuar apenas como disseminador e vetor do Fusarium, não tendo ação direta na manifestação dos sintomas.

Plantas com até 10 anos de idade e temperaturas amenas na época da emissão das panículas favorecem a severidade dos sintomas.

Controle - A eliminação periódica de brotos e inflorescências malformadas resulta numa gradativa redução do problema dentro do pomar. A poda deve ser feita 20 cm abaixo da panícula malformada. Os ramos que apresentam continuamente malformação floral devem ser eliminados a partir do nó que pela primeira vez apresentou o sintoma. Panículas malformadas devem ser eliminadas logo que apresentarem os sintomas, forçando a brotação de gemas axilares que darão origem a panículas normalmente sadias. Todo material podado deve ser retirado da plantação e queimado.

A implantação do pomar deve ser feita com mudas comprovadamente sadias. O exame visual das plantas mostra facilmente aquelas com malformação vegetativa, que devem ser eliminadas no viveiro. Na formação das mudas, não utilizar material de enxertia proveniente de plantas com sintomas do mal.

Estudos genéticos realizados na Índia mostraram que a resistência a essa doença é conferida por genes recessivos, não havendo variedades totalmente resistentes. Em nossas condições, dentre as variedades comerciais, Tommy Atkins é a mais sensível à malformação floral e Keitt à vegetativa. Haden e Palmer, respectivamente para os dois tipos de malformação, são mais tolerantes.
PODRIDÕES PEDUNCULARES

Condições de chuvas e altas temperaturas na época da colheita da manga favorecem as podridões que afetam o pedúnculo e a porção basal da fruta. Essas podridões causam sérios prejuízos no transporte, armazenamento e exportação da manga, pois os tratamentos pós-colheita não têm sido eficientes para controlá-las.

Vários fungos estão envolvidos nestas podridões, tais como: Hendersonula toruloidea; Botryodiplodia theobromae; Diploidia sp.; Diploidia natalensis; Diaporthe citri; Colletotrichum gloeosporioides; Pestalotia mangiferae; Aspergillus flavus; Dothiorella ribis; Dothiorella dominicana; Penicillium cyclopium e Phomopsis mangiferae.

Esses organismos, de um modo geral, exigem ferimentos para iniciarem o apodrecimento, além de poderem causar, no campo, queda prematura de frutos.

A podridão de Pestalotia inicia-se no ápice do fruto que adquire inicialmente uma coloração marrom, passando mais tarde a preto-oliváceo. No caso da infecção por Diplodia, os tecidos na base do pedúnculo escurecem, progredindo para uma mancha preta, tornando a polpa mole e amarronzada. Para Aspergillus, observa-se uma mancha marrom clara e circular que evolui para um aspecto enrugado e deprimido. O ataque de Hendersonula é caracterizado por uma podridão mole de coloração marrom. A incidência de Diaporthe deixa a porção atacada do fruto com aspecto coriáceo mas flexível e de coloração pardo-amarelada a pardo-escura.

Estudos realizados em outros países mostraram que os principais responsáveis pela podridão do pedúnculo são os fungos Diplodia natalensis e Diaporthe citri. A infecção por Diplodia é através do pedicelo exposto, após a colheita, ou no ferimento deixado no fruto pela sua retirada. A penetração ocorre no campo logo após a colheita e temperaturas em torno de 300C favorecem seu desenvolvimento.

Para controlar ou diminuir a incidência dessas podridões, recomenda-se que os frutos sejam manuseados com cuidado para evitar ferimentos. Logo após a colheita, devem ser levados rapidamente para as câmaras de maturação e armazenados em ambiente bem ventilado. Evitar quebrar os pedicelos e protegê-los com um fungicida. As pulverizações recomendadas para o controle da antracnose bem como os tratamentos pós-colheita utilizados também são eficientes contra as podridões pedunculares.
VERRUGOSE - Elsinoe mangiferae Bit. & Jenkins (Sphaceloma mangiferae Bit. & Jenkins)

A verrugose é uma doença de importância secundária causada pelo fungo Elsinoe mangiferae que na fase imperfeita corresponde a Sphaceloma mangiferae. Afeta as folhas onde causa pequenas manchas circulares, escuras, que em ataques severos causam encarquilhamento e queda das mesmas. O centro da lesão desintegra-se nas folhas velhas, formando pequenos orifícios irregulares. Nos ramos, observam-se manchas irregulares acinzentadas. Frutos afetados mostram lesões acinzentadas ou marrons, com margens irregulares e escuras, salientes e ásperas ao tato. Com o desenvolvimento dos frutos, as áreas afetadas expandem-se, ficando com aspecto de uma camada corticosa e com a parte central fendida, expondo finas porções de tecido sadio. Os danos geralmente limitam-se à superfície externa dos frutos, afetando seu aspecto e reduzindo seu valor comercial. Quando as lesões atingem os tecidos internos, inutilizam os frutos para o consumo.

Os produtos utilizados para o controle da antracnose também atuam sobre a verrugose. Nos viveiros, onde pode atingir certa gravidade, recomendam-se pulverizações com fungicidas cúpricos, principalmente durante os fluxos vegetativos.
OUTRAS DOENÇAS

Existe uma série de patógenos de interesse secundário que pode afetar a mangueira. O controle das doenças de maior importância também controlam indiretamente esses microorganismos.



Botrytis cinerea Pers. ex Fr. pode afetar a inflorescência, onde causa queda de flores. É caracterizado por um bolor pulverulento cinza-esverdeado que recobre o órgão. Pellicularia koleroga Cook, agente causal da queima-do-fio, é um fungo polífago comum na Região Amazônica. Forma um emaranhado de micélio sobre as folhas semelhante a uma teia de aranha. As partes atacadas secam e as folhas ficam pendentes, presas pelos filamentos micelianos. Phanerochaete salmonicolor Berk. et Br. causa a doença conhecida por rubelose. Ocorre nas partes sombrias da copa. Recobre os ramos com um fino revestimento micelial branco evoluindo para rosa. Ocorre seca de ramos e folhas seguida de desfolha. Sclerotium rolfsii Sacc. afeta plântulas no viveiro, causando uma necrose no coleto onde desenvolve um crescimento cotonoso. A presença de numerosos escleródios brancos a marrom-escuros sobre o micélio é uma característica do patógeno. Como medida de controle, deve-se evitar o excesso de regas e adubos orgânicos, além do tratamento do solo com PCNB. Alternaria sp. causa manchas foliares com até 20 mm de diâmetro, arredondadas ou ovaladas, algumas irregulares, de coloração púrpura, evoluindo para pardo-acinzentada, bordas escuras e salientes circundadas por halo clorótico. As folhas afetadas podem cair e a planta apresentar um lento desenvolvimento. Cephaleuros mycoidea é uma alga que forma pequenas crostas amareladas ou esverdeadas nas folhas situadas nas partes sombrias da copa. Ocorre em condições de muita umidade e em pomares mal conduzidos. O colapso interno do fruto é distúrbio fisiológico importante nas variedades Tommy Atkins, Van Dike e Kent, sendo a Haden menos afetada. Trata-se da desintegração e amolecimento da polpa e cavidade peduncular, ficando o fruto inutilizado para consumo. Não tem causa patológica e o controle é através de um programa de calagem e adubação que assegure teores elevados de cálcio nas folhas e uma relação N/Ca em torno de 0,5. Colher os frutos “de vez” ajuda a reduzir a incidência do distúrbio.
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DOENÇAS DO MARACUJAZEIRO

(Passiflora spp.)

G. Pio-Ribeiro & R. de L R. Mariano
O maracujazeiro é uma planta tropical do gênero Passiflora, cujas espécies cultivadas são, principalmente, P. edulis Sims. (maracujá-roxo), P. edulis f. flavicarpa Deg. (maracujá-amarelo) e seus híbridos. Sua importância é devida ao valor decorativo das flores, qualidade gustativa dos frutos, bem como utilização alimentar e farmacológica do suco, casca e sementes.

No Brasil, as maiores regiões produtoras encontram-se nos Estados de Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, São Paulo e Sergipe, nas quais vários problemas fitossanitários tem sido observados, incluindo doenças que chegam a causar sérios prejuízos e até mesmo inviabilizar economicamente a cultura em algumas áreas.


ENDURECIMENTO DOS FRUTOS - “Passion fruit woodiness virus” - PWV

O endurecimento dos frutos é considerado a virose economicamente mais importante do maracujazeiro. O PWV passou a ser detectado em diferentes regiões produtoras do Brasil a partir da década de 1970, afetando severamente a cultura quanto à produtividade, valor comercial dos frutos e período economicamente produtivo. A distribuição geográfica deste vírus inclui também a Austrália, Suriname, Formosa, África do Sul, Sumatra, Quênia e Inglaterra.



Sintomas - Nas folhas, são observados mosaico, clareamento das nervuras, manchas anelares, rugosidade, distorções e mosqueado amarelo (Prancha 50.1). Nos frutos, desenvolvem-se os sintomas que mais impressionam os produtores, especialmente pela distorção, espessamento e endurecimento do pericarpo. Frutos jovens podem exibir manchas anelares, que modificam-se com o amadurecimento, tornando-se verde-escuras e brilhantes. O endurecimento dos frutos possui valor diagnóstico limitado, uma vez que também pode ser causado pelo vírus do mosaico do pepino - CMV (“Cucumber mosaic virus”), fatores nutricionais e injúrias produzidas por insetos. Normalmente, as plantas infectadas com PWV apresentam nanismo acentuado e existe uma estirpe que induz a formação de lesões no caule e necrose na parte terminal dos ramos.

Sintomas de maior intensidade tem sido registrados quando ocorre o complexo PWV e CMV com efeito sinérgico, provocando intenso nanismo e amarelecimento das plantas, acompanhados de queda das folhas e necrose do topo. Nas células, podem ser vistas inclusões lamelares induzidas pelo PWV, típicas dos potyvirus.



Etiologia - Internacionalmente, o agente desta virose é conhecido como “passion fruit woodiness virus”, referido pela sigla PWV. Pertence ao gênero Potyvirus, família Potyviridae. Trata-se de um vírus de RNA de fita simples, de partículas alongadas, sem envelope, filamentosas e flexuosas, com dimensões de 12-15 x 750-770 nm que parasita apenas plantas superiores.

O PWV é transmitido por inoculação mecânica para uma ampla gama de plantas hospedeiras, particularmente da família Leguminosae e, na forma estiletar ou não-persistente, por afídeos (Myzus persicae Sulzer, Aphis gossypii Glover e Toxoptera citricidus Kirk). Não se conhece transmissão através de sementes. Este vírus ocorre também em algumas leguminosas tropicais tais como Arachis hypogea L., Centrosema pubescens Benth., Crotalaria usaramoensis Bak., Glycine max (L.) Merr., que juntamente com plantas do gênero Passiflora constituem reservatórios do vírus. A abundância destes hospedeiros e a alta população de vetores na área de cultivo são as condições favoráveis à ocorrência de epidemias, as quais se tornam tanto mais importantes economicamente quanto mais jovens forem as plantas no início da infecção.



Controle - As poucas medidas disponíveis para o controle desta virose em áreas onde ela já tenha sido instalada incluem a utilização de mudas sadias, obtidas em viveiros situados em locais livres do vírus, e eliminação de hospedeiros alternativos do patógeno. Sendo o maracujazeiro uma planta com longo período de cultivo e o PWV um vírus transmitido de forma não persistente por afídeos (período de aquisição e de transição de 15-30 segundos e ausência de período latente), os esforços para controlar a doença pelo combate ao vetor têm demonstrado pouca eficiência. Por outro lado, resistência genética, caracterizada pelo não endurecimento dos frutos, foi encontrada em P. edulis. A pré-imunização com estirpe fraca do vírus já demonstrou ser capaz de promover um certo controle, com aumentos da produção e qualidade do produto.
SUPERBROTAMENTO - Phytoplasma sp.

É uma doença relatada apenas no Brasil, tendo sido constatada nos municípios de Araruama e Macaé (RJ), Morretes (PR), Barra de Guabiraba, Belo Jardim, Bezerros, Bonito, Camocim de São Félix, Paulista, Recife, Sairé, São Joaquim do Monte e Vitória de Santo Antão (PE). Nestes três Estados foi, coincidentemente, também constatada a doença “irizado do chuchuzeiro”, o que sugere, embora não haja comprovação, que as duas doenças sejam causadas pelo mesmo patógeno. Em 1986 e 1993 foi constatada em São Paulo e Viçosa (MG), respectivamente.

Em Pernambuco, a doença ocorre esporadicamente há muito tempo com o nome de “manjericamento” ou “macheamento”, sendo, juntamente com o endurecimento dos frutos, responsável pelo baixo rendimento da cultura e abandono de diversos plantios. No Paraná, já foi detectada associada ao enfezamento causado por um vírus do gênero Rhabdovirus. Em 1993, no município de Barra de Guabiraba, em Pernambuco, foi detectada uma infecção tríplice de maracujazeiro com potyvirus, rhabdovirus e fitoplasma.

Sintomas - A doença é facilmente visualizada no campo (Prancha 50.2), sendo caracterizada pela redução do porte e superbrotamento dos ramos, que tornam-se eretos e sofrem encurtamento dos entrenós. As folhas apresentam-se com limbo reduzido, nervuras engrossadas, com leve clorose generalizada ou marginal, cor bronzeada e aspecto quebradiço, algumas vezes acanoadas. Os ramos afetados apresentam ainda flores anômalas, com cálice gigante, que abortam e caem. No caso de formação de frutos, pode ocorrer fendilhamento e queda ou apenas redução de tamanho. Estas alterações implicam em redução drástica da produção e da vida útil da planta para cerca de 30 meses.

Etiologia - O superbrotamento do maracujazeiro é causado por fitoplasma. Estes procariotos possuem membrana trilaminar e colonizam os vasos crivados do floema. Anteriormente conhecidos como organismos tipo micoplasmas, estes fitopatógenos são agora denominados fitoplasmas e, com base em técnicas moleculares, foram agrupados em um grupo monofilético pertencente à classe Mollicutes. O alto nível de concordância entre os vários estudos realizados sobre diferentes grupos de fitoplasmas e suas filogenias, levaram os especialistas no assunto a definir que cada seqüência do gene rRNA deve ser reconhecido e denominado como uma espécie distinta do novo gênero Phytoplasma. Entre os nomes binomiais latinos propostos não se encontra um específico para o fitoplasma do maracujá, possivelmente por ser uma doença restrita ao Brasil e ainda não ter sido estudada a nível molecular.

A disseminação é feita de modo rápido por vetores ainda desconhecidos. Suspeita-se das cigarrinhas, principalmente as espécies pertencentes ao gênero Empoasca, que ocorrem com freqüência na cultura. O patógeno pode também ser transmitido por enxertia. A transmissão mecânica ainda não foi obtida experimentalmente em plantas indicadoras usuais. Outros possíveis hospedeiros deste patógeno são o melão-de-são-caetano Momordica charantia L.) e o chuchuzeiro (S. edulis L.).



Controle - Para evitar que o patógeno seja introduzido em grandes regiões produtoras ainda indenes, preconiza-se a fiscalização periódica de viveiros e o uso de mudas comprovadamente sadias. Em plantios onde a doença já ocorre, deve-se inspecionar periodicamente a cultura e eliminar as plantas doentes.

A médio e longo prazo, recomenda-se a busca de fontes de resistência em cultivares de espécies já economicamente exploradas ou em outras espécies de Passiflora. São necessários estudos para a determinação dos insetos vetores, hospedeiros alternativos, condições climáticas favoráveis, variabilidade do patógeno e extensão dos danos. A curto prazo, pode-se realizar o tratamento com antibióticos do grupo tetraciclina (terramicina a 100 ppm, 3 a 4 aspersões com intervalos de 4 a 5 dias), os quais promovem remissão temporária dos sintomas, que tendem a reaparecer uma vez cessado o tratamento. O controle com antibióticos é mais efetivo em plantas jovens, no início da infecção, do que em plantas adultas.


MANCHA BACTERIANA - Xanthomonas campestris pv. passiflorae (Pereira) Dye

Esta doença foi descrita inicialmente no Brasil em 1969 e, atualmente, ocorre na Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, sendo, em alguns locais, responsável por grandes prejuízos nesta cultura.



Sintomas - Nas folhas, principalmente as mais internas, são observadas, inicialmente, lesões pequenas, encharcadas, oleosas, translúcidas, freqüentemente localizadas próximas às nervuras, com halos visíveis, às vezes acompanhadas de enegrecimento vascular a partir dos bordos. Em seguida, tornam-se marrons, deprimidas, sobretudo na face dorsal da folha, de formato variado, raramente circulares, com tamanho médio de 3 a 4 mm, podendo coalescer em grandes áreas necrosadas e causando seca total da folha. Em condições de alta umidade, ocorre ainda o avanço da infecção através dos feixes vasculares dos pecíolos e ramos, que podem apresentar caneluras longitudinais. Segue-se a desfolha, seca a partir das extremidades e grande redução da frutificação.

Nos frutos, as lesões são pardas ou esverdeadas, oleosas, circulares ou irregulares, com margens bem definidas, podendo coalescer. Geralmente superficiais, podem, no entanto, penetrar até as sementes, inutilizando o fruto para consumo.

Os sinais são visualizados como exsudatos, os quais, quando secos, formam uma crosta e podem se estender sobre várias lesões. Exsudação típica de pus bacteriano pode ser vista quando feixes vasculares infectados são comprimidos.

Etiologia - Xanthomonas campestris pv. passiflorae tem a forma de bastonete, é gram-negativa, móvel por um flagelo polar, não produz esporos ou cápsulas e mede 0,5 x 1,5 mm. Possui colônias em nuances amarelo-brilhantes, circulares, convexas e mucóides, tendo crescimento ótimo a 270C. Produz amônia, liquefaz gelatina e hidrolisa fortemente amido. Não utiliza asparagina como fonte de carbono e nitrogênio. Utiliza citrato, galactose, frutose, manose e trealose. Não reduz nitrato nem produz indol. Apresenta variabilidade quanto à produção de H2S.

Esta bactéria pode ser inoculada, com êxito, através do corte das extremidades das folhas de plantas com 3-5 folhas verdadeiras, utilizando-se de tesoura imersa na suspensão de inóculo. O período de incubação é, geralmente, de 8 a 10 dias.

De acordo com a literatura disponível, não existem outros hospedeiros para o patógeno, que pode ser transmitido através de sementes infectadas. Condições de alta temperatura (350C) e umidade são favoráveis ao desenvolvimento da doença.

Controle - A bactéria é sensível aos fungicidas cúpricos utilizados normalmente nos tratos fitossanitários da cultura, embora haja relato de que, na Bahia, este tipo de controle não foi eficiente. No Ceará, estudo realizado no campo indicou que o oxicloreto de cobre, a 30 e 50%, e também oxicloreto de cobre + maneb + zineb, quando aplicados quinzenalmente, induziram os maiores índices de controle da doença e volumes de produção. A associação da poda com os produtos químicos não aumentou o controle. Recomenda-se, também, o uso de agrimicina (oxitetraciclina + estreptomicina) na dosagem de 0,24% de p.c. ou 1,8 kg/ha, com intervalos de 7 dias.
MURCHA DE FUSARIUM - Fusarium oxysporum (Schlecht.) emend. Snyd. & Hans. f. sp. passiflorae Gordon apud Purss

Esta doença foi descrita em Queensland (Austrália) em 1951, causando a destruição de alguns plantios de maracujá-roxo. Em 1968, foi constatada em São Paulo e, posteriormente, no Rio de Janeiro, sendo relatada em 1993 e 1995, respectivamente, no Espírito Santo e Tocantins. Além do Brasil e Austrália, ocorre no Havaí. Trata-se de uma doença importante pelo fato da sua incidência causar inevitavelmente a morte da planta, sem que haja um controle curativo.



Sintomas - Os sintomas mais facilmente visualizados são murcha repentina, colapso e morte, verificados em qualquer fase do desenvolvimento vegetal. As plantas jovens apresentam, inicialmente, mudança de coloração da folhagem, de verde-brilhante para verde-pálido, podendo haver queda das folhas mais velhas. Plantas adultas no início da infecção apresentam amarelecimento das folhas mais novas. Ocasionalmente, pode ocorrer colapso em apenas alguns ramos antes do colapso total. Quando a infecção ocorre na fase de frutificação, os frutos verdes murcham, enquanto que os já coloridos podem amadurecer normalmente. Os sintomas internos podem ser visualizados por corte transversal ou longitudinal, onde observa-se escurecimento ou avermelhamento dos vasos do xilema, que tornam-se impermeabilizados, impedindo o transporte de seiva para outros tecidos. Em condições de alta umidade, surgem rachaduras no caule, onde podem ser encontradas as frutificações do fungo.

A inoculação de plântulas produz, aos 7-9 dias, clareamento das folhas novas não expandidas e, aos 14 dias, queda das folhas sem que haja necessariamente a ocorrência de murcha.



Etiologia - Fusarium oxysporum f. sp. passiflorae pertence à subdivisão Deuteromycetes, ordem Moniliales, família Tuberculariaceae. Produz macroconídios hialinos, multicelulares, com 3 a 4 septos, e microconídios unicelulares, hialinos, ambos formados em conidióforos curtos. Forma também clamidósporos, que são estruturas de sobrevivência que possibilitam ao fungo permanecer no solo por vários anos. A sobrevivência do patógeno no solo, por um período de 3 anos, foi constatada na Bahia e em São Paulo.

Além do maracujá-roxo, são também hospedeiros suscetíveis a banana-poka (Passiflora mollissima (Kunth.) Bailey), considerada planta daninha no Havaí, P. ligularis Juss. e P foetida L.

A disseminação do patógeno é feita pelo contato direto entre raízes, água de superfície e subsuperfície e, principalmente, pelo transporte de sementes e mudas infectadas. O fungo penetra pelo sistema radicular através de ferimentos naturais ou artificiais, dentre os quais aqueles causados por nematóides e implementos agrícolas. Em seguida, atinge o xilema, através do qual se dissemina, podendo ser isolado de tecidos localizados 1 m acima do colo em plantas infectadas.

No campo, a doença pode estar distribuída isoladamente ou em manchas, tanto em solos recém-desmatados como cultivados, e tende a progredir em reboleiras a partir da planta ou grupo de plantas infectadas. Em terrenos com declividade, a expansão é observada, preferencialmente, no sentido do declive.

São condições favoráveis ao desenvolvimento da doença, altas temperaturas e umidades relativas e solos ácidos, argilosos, mal drenados e infestados com nematóides.

Controle - Para limitar a ocorrência da doença, recomenda-se evitar o plantio em áreas ricas em matéria orgânica e mal drenadas; plantar linhagens resistentes do maracujá-amarelo, como o cultivar australiano Redlands Triangular; evitar o plantio do maracujá-roxo, mais suscetível ao patógeno, ou plantá-lo enxertado sobre o maracujá-grande (R alata), maracujá-mamão (P quadrangularis L.) ou maracujá-melão (P macrocarpa); tratar o solo das sementeiras, procurando impedir o desenvolvimento do fungo e, finalmente, controlar os nematóides e ervas-daninhas pelo uso de herbicidas ou implementos que não causem danos ao sistema radicular da planta ou disseminem o patógeno no solo.

Uma vez instalada a doença, recomenda-se a erradicação dos maracujazeiros afetados. Em áreas planas, também devem ser eliminadas 5 a 6 plantas aparentemente sadias no sentido radial a partir da planta doente. Em encostas ou terrenos inclinados, um número maior deve ser considerado no sentido do declive. A erradicação deve ser feita sem que haja movimentação de solo ou água na área infestada.


VERRUGOSE ou CLADOSPORIOSE - Cladosporium herbarum Link.

Doença relativamente importante que manifesta-se principalmente em tecidos em fase de crescimento, prejudicando o desenvolvimento da planta e reduzindo a produção. No Brasil ocorre nos estados de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.



Sintomas - Nas folhas, surgem manchas pequenas, circulares (0,5 cm de diâmetro), inicialmente translúcidas e posteriormente necróticas. Em condições de alta umidade, podem ser vistos sinais pulverulentos cinza-esverdeados. Quando as lesões localizam-se próximas ou sobre as nervuras, pode haver deformação ou encarquilhamento. Em alguns casos, o rompimento do tecido no centro da mancha causa perfuração na folha.

Os ramos e ponteiros apresentam, inicialmente, lesões semelhantes às das folhas, que transformam-se em cancros de aspecto alongado, deprimido, onde surgem os sinais. Pode ocorrer a formação de calo cicatricial. Os ramos tornam-se fracos e quebradiços à ação do vento.

Nos frutos, o sintoma principal é a verrugose (Prancha 50.3), caracterizada pelo desenvolvimento de tecido corticoso e saliente sobre as lesões inicialmente planas. Há uma redução do valor comercial do fruto, embora, internamente, as sementes e a qualidade do suco não sejam afetadas.

Etiologia - O fungo Cladosporium herbarum pertence à subdivisão Deuteromycetes, ordem Moniliales, família Dematiaceae. São condições favoráveis à doença temperaturas amenas e baixa umidade (encontradas no inverno do sul do Brasil), sombreamento e plantas estressadas. O fungo foi encontrado associado a sementes de maracujá-amarelo na Bahia, não havendo, entretanto, evidências de sua transmissão pelas mesmas. A disseminação pode ser realizada, entre outros meios, através de mudas infectadas.

Controle - Para evitar a introdução do patógeno em áreas ainda indenes, deve-se fazer o plantio apenas de mudas sadias, produzidas em sementeiras formadas em áreas livres da doença e longe de plantios adultos. Em caso de ocorrência da doença, realizar poda de limpeza e queimar o material infectado, evitando o seu transporte. Recomenda-se ainda pulverizações com intervalos de 15 dias, utilizando-se, dentre outros produtos, fungicidas à base de cobre (Cupravit azul 0,3-0,4%) ou carbamatos (maneb/zineb 0,2-0,25%).
ANTRACNOSE - Glomerella cingulata (Stonem.) Spaud & Schrenk (Colletotrichum gloeosporioides Penz.)

A antracnose é encontrada em todas regiões produtoras de maracujá no Brasil. Trata-se de uma doença de grande importância por atacar a parte aérea das plantas em qualquer idade, sendo de difícil controle quando as condições climáticas são favoráveis às epidemias.



Sintomas - Os sintomas nas folhas apresentam-se na forma de manchas com aparência oleosa, que evoluem em tamanho, adquirindo uma cor parda com bordos pardo-escuros e diâmetro de mais de 1 cm. Com a coalescência de lesões, formam-se grandes áreas de tecidos necrosados, apresentando rachaduras e intensa queda de folhas.

Nos ramos, manchas inicialmente com aspecto oleoso, evoluem formando cancros que expõem os tecidos do lenho. Quando as lesões circundam os ramos, acarretam a morte das partes acima da área afetada, ocorrendo o desprendimento das folhas e morte dos ponteiros.

Nos frutos jovens, as manchas passam da aparência oleosa para a pardacenta, com a formação de tecido corticoso, deprimido e murcho. Nos frutos maduros, verificam-se manchas deprimidas de coloração escura (Prancha 50.4) que afetam a polpa, muitas vezes apresentando-se na forma de podridão mole e provocando queda dos frutos.

Em condições favoráveis ao desenvolvimento da doença, os sinais do patógeno são facilmente visíveis sobre as áreas afetadas na forma de pontuações, mais ou menos concêntricas, constituídas pelas frutificações do fungo.



Etiologia - O agente da antracnose é o fungo Colletotrichum gloeosporioides, pertencente à subdivisão Deuteromycetes, ordem Melanconiales e família Melanconiaceae. Sua forma perfeita é Glomerella cingulata da subdivisão Ascomycetes, ordem Xylariales e família Polystigmataceae. A disseminação do patógeno ocorre através de sementes, respingos de chuva, insetos e implementos agrícolas. A sobrevivência se dá em restos de cultura e em tecidos afetados na própria planta, fazendo com que a doença seja mais freqüente e severa em uma determinada área a partir do segundo ano de cultivo. Em inoculação artificial, foi verificado que, nas folhas, a penetração do patógeno só ocorre através de ferimentos e a infecção é mais severa após incubação por 48 horas no escuro. A ocorrência de epidemia é favorecida por alta umidade, especialmente com chuvas freqüentes e abundantes e temperatura média entre 26 e 280C. Nestas condições, ocorrem intenso desfolhamento, morte dos ponteiros e podridão de frutos.

Controle - As principais medidas de controle incluem o uso de mudas produzidas em sementeiras localizadas onde não ocorra a doença, eliminação de restos culturais, incluindo folhas e frutos caídos, ramos e plantas mortas e aplicação de fungicidas. São utilizados pulverizações de fungicidas à base de cobre com espalhante adesivo (2,5 a 4,0 kg do produto com 50% de cobre metálico para 1000 plantas), a intervalos de 14 dias quando as condições forem favoráveis à doença, seguida de pulverizações com intervalos de 30 dias e suspensão do tratamento quando as condições forem desfavoráveis. Também são utilizados produtos à base de enxofre e ditiocarbamatos, empregando-se 200 e 150 g por 100 1 de água, respectivamente. Para evitar danos de pós-colheita, recomenda-se evitar o entulhamento prolongado dos frutos, colhidos em épocas de maior incidência da antracnose, para evitar perdas por decomposição da polpa durante o armazenamento.
OUTRAS DOENÇAS

Pelo menos quatro outros vírus infectam o maracujazeiro no Brasil. Estes são o vírus do mosaico do pepino - CMV, o vírus do mosaico amarelo do maracujazeiro -PaYMV (Passion fruit yellow mosaic virus), o vírus do clareamento das nervuras do maracujazeiro e o vírus do mosaico do maracujá-roxo. A ocorrência do CMV em maracujazeiro é conhecida há muitos anos na Austrália, causando endurecimento dos frutos, tendo sido ainda relatado na Califórnia, Havaí, Itália e Japão. Trata-se de um vírus de RNA, com partículas isométricas de aproximadamente 28 nm de diâmetro. Possui grande gama de hospedeiros distribuídos em cerca de 40 famílias botânicas. E transmitido de forma estiletar por afídeos e, apesar de ser veiculado através de sementes de algumas espécies, não se conhece a transmissão por sementes de maracujazeiro. Os sintomas nas folhas apresentam várias similaridades com aqueles induzidos pelo PWV, contudo, o mosaico e as manchas anelares causadas por CMV tendem a diminuir, ficando intensos apenas nas partes mais jovens da planta. O PaYMV possui partículas Isométricas, medindo aproximadamente 28 nm de diâmetro. E transmitido para espécies de Passiflora por processo mecânico e por besouro crisomelídeos (Diabrotica speciosa Kirk). Transmissão por sementes ainda não foi observada. O PaYMV apresenta várias outras características do gênero Tymovirus. As plantas infectadas exibem clareamento das nervuras, mosaico amarelo-brilhante ou uma clorose, lembrando variegação genética. O clareamento das nervuras do maracujazeiro, associado a um vírus, aparentemente da família Rhabdoviridae, vem sendo observado em várias regiões do Brasil, causando significativa redução na produção. Os principais sintomas desta virose são frutos deformados, internódios curtos, clareamento das nervuras e folhas pequenas com aspecto coriáceo. Artificialmente, observou-se transmissão através de enxertia mas não por algumas espécies de besouros e afídeos. O Vírus do mosaico do maracujá roxo, agente causal do mosaico do maracujá-roxo, cujo gênero taxonômico é desconhecido, possui partículas isométricas com aproximadamente 28 nm de diâmetro. E transmitido pelo besouro D. speciosa e apresenta uma gama de hospedeiros restrita ao gênero Passiflora, com expressão de sintomas apenas em maracujá-roxo. Plantas infectadas apresentam sintomas de mosaico somente em condições de temperatura abaixo de 200C. A mancha oleosa do maracujazeiro, causada por Pseudomonas syringae pv. passiflorae (Reid) Young, Dye & Wilkie, foi constatada na Austrália e Nova Zelândia, mas não ocorre no Brasil. Os sintomas são mais freqüentemente encontrados nos frutos verdes sob a forma de lesões encharcadas, verde-escuras, circulares, bem definidas, as quais aumentam e assumem aspecto oleoso, cor bronzeada a pardo-escura, havendo a formação de crosta endurecida na casca. Ocasionalmente, folhas, caule e ramos podem apresentar lesões angulares com halos cloróticos ou cancros, respectivamente. Em alguns casos pode haver a morte terminal dos ramos. Como medidas de controle recomenda-se a poda das partes infectadas complementada por pulverizações mensais com fungicidas cúpricos. As manchas de Alternaria, causadas por A. passiflorae Simmonds e A. alternata (Fr.:Fr.) Keissl. induzem, principalmente em condições de alta umidade, intensa necrose e queda de folhas, atingindo também o caule e fruto, desvalorizando o produto para comercialização. A septoriose, causada por Septoria passiflorae Lown, tem sido encontrada em viveiros e no campo em níveis elevados de severidade, induzindo manchas nas folhas, caules e frutos, com desfolhamento e morte dos ponteiros, implicando em sérios prejuízos, principalmente em condições quentes e úmidas. Para o controle de A. alternata recomenda-se iprodione (100g/100 1) + mancozeb (200g/100 1) durante e imediatamente após longos períodos de alta umidade. Nas outras épocas, pode-se utilizar mancozeb com intervalos de 7 a 14 dias. Para o controle de A. passiflorae e S. passiflorae, pulverizar com mancozeb ou oxicloreto de cobre, com intervalos de 10 a 14 dias, quando as condições forem favoráveis, e 21 a 28 dias em condições desfavoráveis à doença. Para todas estas manchas foliares recomenda-se, ainda, uma poda de limpeza antes do início das pulverizações. A podridão das raízes em maracujazeiro-amarelo é causada por Phytophthora sp., que ocasiona murcha irreversível da parte aérea, seguida de morte da planta. São condições favoráveis ao desenvolvimento da doença temperaturas entre 21 e 260C, umidade relativa do ar de 73 a 86% e prolongados períodos chuvosos. Nos poucos estudos realizados para o controle desta doença, os resultados foram negativos, tanto para produtos químicos como para suplementação com matéria orgânica. Ocorrem ainda, a podridão-do-pé, cujo agente Phytophthora cinnamomi Rands. é favorecido pelo acúmulo prolongado de água junto ao colo, a queima de Phytophthora, causada por P. nicotianae, a podridão do colo e raízes, causada por Nectria haematococca Berk & Br. (Fusarium solani (Mart.) Sacc.) e podridões de raízes, incitadas por Thielaviopsis basicola (Berk & Broome) Ferraris, Fusarium sambucinum Fuckel e Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary. Diversos nematóides têm sido encontrados atacando o sistema radicular do maracujazeiro, reduzindo o crescimento das plantas e afetando a produção. A disseminação dos nematóides a longa distância se dá através do solo que acompanha as mudas. A maior intensidade das nematoses ocorre cm solos arenosos, utilizados para cultura de cereais. As espécies Meloidogyne incognita (Kofoid & White) Chitwood e M. arenaria (Neal) Chitwood, freqüentemente encontradas no Brasil, induzem a formação de galhas. Outros nematóides que infectam o maracujazeiro incluem M. javanica (Treub) Chitwood, Rotylenchulus reniformis Linford & Oliveira, Scutellonema sp., Helicotylenchus sp. e Pratylenchus sp.
BIBLIOGRAFIA
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DOENÇAS DA MENTA

(Mentha sp.)

M. M. F. B. dos Santos, J. R. Stangarlin &


S. F. Pascholati
Dentre as várias plantas aromáticas cultivadas no Brasil, as mentas (hortelãs) situam-se em posição de destaque. O óleo essencial proveniente dessas plantas possui emprego nos mais variados ramos da indústria de alimentos, de cosméticos, farmacêutica, de higiene e do tabaco. Existem diversas espécies de menta, todas pertencentes ao gênero Mentha e à família Labiatae. As principais espécies são: Mentha arvensis L. (menta japonesa) - da qual se extrai o mentol; Mentha piperita L. (menta inglesa ou “peppermint”) - cujo óleo é usado na aromatização e na indústria farmacêutica; Mentha spicata Huds (menta americana ou “spearmint”) - cujo óleo é utilizado na aromatização; Mentha citrata Ehrl (menta levante) - cujo óleo é utilizado na indústria de perfumes; Mentha crispa; Mentha rotundifolia.

O cultivo de menta foi iniciado, no Brasil, em torno de 1925 por imigrantes japoneses. Encontrou, no período da II Guerra Mundial, condições de crescer, devido às limitações comerciais com o Oriente, até então principal produtor. O Brasil tornou­se, nesse período, um dos principais produtores de óleo de menta e mentol, destacando­se a região de Presidente Prudente, oeste do Estado de São Paulo, como importante produtora da época.


FERRUGEM - Puccinia menthae Pers.

É a principal doença da menta e um dos fatores determinantes do deslocamento da cultura da Região Sudeste para a Região Sul.



Sintomas - Inicialmente, surgem pequenas lesões nas folhas e na parte inferior dessas, pústulas de coloração alaranjada ou ferruginosa. Posteriormente, a folha adquire coloração amarela, depois escura, sofrendo crestamento e, finalmente, queda.

Etiologia - O agente causal da ferrugem em menta é Puccinia menthae, que apresenta diversas raças especializadas nas diferentes espécies de menta.

Controle - Uma das principais formas de controle da ferrugem é a utilização de mudas sadias e vigorosas. Como a principal forma de multiplicação envolve o uso de rizomas, indica-se também a desinfecção desses para a prevenção da doença. A pulverização preventiva com fungicidas à base de mancozeb, durante todo o ciclo vegetativo da cultura, também é indicada. Em alguns países, o controle desse fungo tem sido feito com o uso de propiconazole, aplicado já no surgimento dos primeiros sintomas, ou ainda tebuconazole e triadimenol.

O cultivar “IAC-701” de M. arvensis, que apresentava pouca suscetibilidade à ferrugem, mostra-se, atualmente, pouco resistente.


BOLOR BRANCO DAS RAÍZES - Sclerotium rolfsii Sacc.

Sintomas - A doença ocorre em manchas no campo, formando reboleiras. Plantas atacadas começam a murchar devido à presença do fungo nas raízes e rizomas, chegando à morte se não houver controle. Os rizomas são cobertos por uma camada esbranquiçada de micélio, o que facilita a disseminação de S. rolfsii.

Etiologia - O fungo causador da doença é o deuteromiceto Sclerotium rolfsii, já descrito no capítulo 8 (Doenças do amendoim).

Controle - Medidas de prevenção podem ser tomadas evitando-se, por exemplo, o uso de áreas onde a doença já ocorre. O patógeno também pode atacar as culturas da batata, tomate e amendoim, entre outras. Rotação de culturas com plantas não-suscetíveis (milho e gramíneas em geral), arrancamento e queima das plantas atacadas; tratamento dos rizomas a serem propagados com preparações de calda bordalesa e/ou fungicidas cúpricos, são medidas que auxiliam no controle da doença.
OUTRAS DOENÇAS

Além das doenças já mencionadas, a menta pode estar sujeita ao ataque de outros agentes patogênicos, podendo-se mencionar a murcha de Verticillium (Verticillium dahliae), em regiões produtoras dos Estados Unidos. É importante salientar a possibilidade de utilização da menta em programas de rotação de culturas visando o controle de nematóides. A menta de folha miúda (Mentha crispa) é imune aos nematóides Meloidogyne incognita raça 1 e M. javanica.






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