Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas



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I. J. A. Ribeiro

As doenças da mangueira têm um importante papel na irregularidade produtiva dos pomares. Além da produtividade, as doenças também afetam a qualidade dos frutos, fato extremamente importante quando a produção se destina à exportação. Portanto, produção e qualidade elevadas são obtidas com controle eficiente das principais moléstias. Para tal, é necessário um conhecimento adequado da sintomatologia que produzem bem como das condições favoráveis ao seu aparecimento, permitindo, através do uso racional dos defensivos agrícolas, otimizar este controle.


MANCHA ANGULAR - Xanthomonas campestris pv. Mangiferaeindicae (Patel, Moniz & Kulkarni) Robbs, Ribeiro & Kimura

A bacteriose da mangueira é uma séria ameaça à expansão da cultura no Estado de São Paulo, onde, sob condições favoráveis, pode causar prejuízos superiores a 70% na produção.



Sintomas - Nas folhas, o causa manchas angulares, limitadas pelas nervuras, variando de 3-4 mm, de coloração pardo-escuras. Por transparência observa-se um halo amarelado ao redor das lesões, característico desta doença. Sob condições de alta umidade, desenvolvem-se ao redor das lesões, áreas com aspecto encharcado. Com a evolução dos sintomas, os tecidos necrosados das manchas acabam caindo, deixando a folha com vários orifícios. Nos ramos, observa-se murcha e seca da porção terminal (Prancha 49.1) que avança 10-20 cm a partir da extremidade com rachaduras no sentido longitudinal. Nas inflorescências, a bactéria causa lesões negras, profundas e alongadas, nos eixos primários e secundários, com rachaduras dos tecidos, queda de flores seguidas, às vezes, de morte de todo o órgão floral. Nos frutos, aparecem lesões circulares, de coloração verde-escura (Prancha 49.2), a partir das quais ocorrem rachaduras quando o fruto se desenvolve. Observa-se uma acentuada queda de frutos atacados e os que permanecem na planta murcham e mumificam principalmente quando o ataque ocorre no pedúnculo. As lesões de todos os órgãos atacados exsudam goma rica em talos bacterianos favorecendo, deste modo, a disseminação do patógeno.

Etiologia - A mancha angular é causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. mangiferaeindicae. No Brasil são descritas duas estirpes desta bactéria: uma formando colônias de coloração branca, mais patogênica, que ocorre em São Paulo e a outra amarelada, comum na Região Nordeste. A estirpe branca, em cultura pura, forma colônia circular, lisa, convexa, mucosa e brilhante com 3 mm de diâmetro em 48 horas.

As condições predisponentes ao ataque da bactéria são alta umidade e alta temperatura. Chuvas de pedra, ventos fortes ou qualquer outro fator que danifique a superfície da planta irão favorecer a penetração do patógeno e a severidade dos sintomas. Mudas doentes, ventos, chuvas e insetos são considerados agentes disseminadores da bactéria dentro do pomar.



Controle - A primeira medida de controle é a escolha do local do pomar. Áreas sob a influência de grandes massas de água, como represas das hidroelétricas devem ser evitadas, pois criam um ambiente de umidade favorável ao desenvolvimento da bactéria. Outra medida é o uso de mudas sadias e de viveiros localizados em regiões onde a doença não ocorre. Na produção das mudas no próprio local, deve-se desinfestar o material de propagação com uma solução de hipoclorito de sódio ou de cálcio a 0,35% por 5 minutos, antes da enxertia.

A proteção do pomar, em áreas sujeitas a ventos fortes, com quebra-ventos, evita ferimentos produzidos pelo atrito entre folhas e frutos e impede que as partículas de poeira ocasionem micro-ferimentos que facilitam a penetração da bactéria.

Em nossas condições e em pomares situados em locais favoráveis à ocorrência da doença recomenda-se a utilização de um esquema de proteção dos órgãos novos da planta ao longo de todo o ano. Bons resultados são obtidos através de pulverizações com fungicidas cúpricos (oxicloreto, hidróxido ou óxido) na dose indicada pelo fabricante para uso em fruticultura, em mistura com mancozeb a 0,16%. Esses produtos devem ser misturados em cerca de 30 litros de água e aí deixados descansar por 1 hora, para reagirem entre si, após o que serão colocados no tanque do pulverizador com o agitador em movimento e imediatamente aplicados. As pulverizações são realizadas quinzenalmente no período chuvoso e mensalmente na época seca, visando principalmente a proteção dos órgãos tenros da planta. Caso ocorram condições que causem ferimentos às plantas, tais como chuva de pedra, ventos muito fortes, ataque de formigas cortadeiras e outros insetos, as pulverizações devem ser repetidas.

Em diferentes partes do mundo são encontradas referências sobre resistência varietal incluindo-se, neste caso, as variedades Carabao, Sensation, Early Gold, Carne, Nam Dok Mai e Groszman, consideradas resistentes tanto nas folhas como nos frutos. Em nossas condições, Tommy Atkins é extremamente sensível e Haden apresenta certo grau de resistência.


ANTRACNOSE - Glomerella cingulata (Stonem) Spauld. & Schrenk (Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc.).

A antracnose é uma importante doença em todas as regiões produtoras de manga. É um dos maiores problemas fitossanitários, principalmente na exportação de mangas, exigindo pulverizações periódicas com fungicidas nos pomares e tratamentos pós-colheita.



Sintomas - Nas folhas novas, a doença causa numerosas e pequenas manchas salientes, arredondadas ou irregulares, de tamanho variável e coloração marrom. Estas lesões podem aparecer no ápice, nas margens ou mesmo no centro do limbo foliar. Em condições favoráveis evoluem rapidamente, coalescem, causando deformações da folha que fica retorcida, necrosada e crestada, com rupturas na porção lesionada (Prancha 49.3). Na raque da inflorescência e suas ramificações, aparecem pequenas manchas de coloração marrom-escura, profundas e secas, alongadas no sentido longitudinal, destruindo grande número de flores. As raques e ramificações danificadas quebram com facilidade, causando a queda dos frutos antes da maturação fisiológica.

Nos ramos novos, observam-se manchas necróticas escuras, seguidas de uma seca da ponta para a base e desfolha. Os frutos são suscetíveis em qualquer estádio do seu desenvolvimento. Se a infecção ocorrer no início da formação dos frutinhos, resultará na sua queda. Em frutos maiores o patógeno pode ficar latente. Infecções latentes tomam-se ativas e servem como centro de apodrecimento quando os frutos amadurecem. Neste caso apresentam manchas negras, irregulares, deprimidas (Prancha 49.4), às vezes com pequenas rachaduras. As manchas coalescem e acabam envolvendo todo o fruto. Nos frutos em fase final de desenvolvimento, a infecção pode ocorrer através das lenticelas, mostrando uma pequena mancha negra ou numerosas lesões corticosas, pardo-amareladas, na superfície.



Etiologia - Glomerella cingulata pertence à subdivisão Ascomycotina cuja fase imperfeita corresponde à espécie Colletotrichum gloeosporioides. Trata-se de um fungo da ordem Melanconiales, família Melanconiaceae. Produz acérvulos subepidérmicos, dispostos em círculos. Os conídios são liberados dos acérvulos através de uma massa viscosa de coloração rosada. Os conídios são hialinos e gutulados, uninucleados, com 12-19 μm de comprimento por 1,0 - 6,0 μm de largura, arredondados nas extremidades e levemente curvos. Peritécios são rostrados, subesféricos e agrupados num estroma ou bem separados. O estroma pode ser pouco desenvolvido ou estar ausente. Ascos são subclavados, medindo 42-60 x 10-12 μm. Ascósporos são hialinos, unicelulares e curvados, medindo 12-24 x 4-6 μm.

Conídios são disseminados na planta pela água da chuva e produzidos durante todo o ano em lesões novas ou velhas de folhas, ramos verdes ou secos, inflorescências mumificadas e nas raques desenvolvidas. A maior produção de conídios ocorre nas lesões das folhas novas em condições de alta umidade relativa, acima de 95%, ou em água livre e numa larga faixa de temperatura que vai de 100C a 300C, sendo a ideal para a formação de apressório acima de 250C.

Longos períodos de chuva coincidindo com ativo crescimento e florescimento são as condições ideais para ocorrência de epidemias. A principal fonte de inóculo é proveniente dos fluxos vegetativos infectados. Períodos úmidos seguidos de períodos secos reduzem drasticamente a viabilidade dos esporos. O período de umidade para que ocorra a infecção é de 12-18 horas sendo, portanto, o desenvolvimento da doença bastante favorecido por chuvas que ocorrem no fim da tarde, prolongando durante toda a noite o período de alta umidade. Períodos chuvosos e encobertos ou orvalho pesado no período noturno, freqüentes no inverno paulista, são favoráveis à ocorrência da antracnose.

Controle - O controle deve ser feito por meio de uma associação de métodos culturais e químicos. Dentre as medidas culturais de controle temos: maior espaçamento favorecendo a ventilação e insolação das plantas; podas leves abrindo a copa para penetração dos raios solares; podas de limpeza reduzindo as fontes de inóculo e instalação dos pomares em regiões mais secas.

Com relação ao controle químico, até o aparecimento dos fungicidas orgânicos, os cúpricos eram usados exclusivamente com variáveis graus de sucesso como a calda bordalesa, óxido cuproso, oxicloreto de cobre e sulfato básico de cobre. Os fungicidas orgânicos zineb, maneb e captan, em pulverizações semanais durante o florescimento, são eficientes no controle da antracnose. Nenhum deles, porém, se iguala aos cúpricos nas pulverizações pós-florescimento. Apesar de menos estáveis que os cúpricos, os fungicidas orgânicos têm algumas vantagens, pois não causam desequilíbrio na população de insetos com aumento de cochonilhas, causam menos injúrias às flores abertas e não interferem na atividade dos insetos polinizadores. Com o desenvolvimento dos fungicidas sistêmicos o controle tornou-se mais eficiente, pois o rápido crescimento das panículas impede uma proteção adequada apenas pelo uso dos fungicidas de contato. Nas condições paulistas, a antracnose tem sido controlada com pulverizações quinzenais de benomyl a 0,03%, tiofanato metílico a 0,05% ou tebuconazole a 0,025% ou semanais com mancozeb a 0,16%. Como pulverizações freqüentes e exclusivas com fungicidas sistêmicos selecionam formas resistentes do fungo, recomenda-se que após três ou quatro aplicações se adicione mancozeb à calda, ou se faça uma pulverização apenas com ele.

De maneira geral, os tratamentos são iniciados logo após o intumescimento das gemas florais em pomares com histórico de ataque intenso ou, nos demais casos, antes da abertura das flores, quando as panículas florais tiverem poucos centímetros de comprimento. As pulverizações devem prosseguir até que os frutinhos estejam formados. A partir daí, caso haja necessidade, pode-se continuar apenas com mancozeb ou com fungicidas a base de cobre, cujo inconveniente é deixarem resíduos de difícil eliminação sobre a fruta. Em anos pouco favoráveis à doença, os tratamentos são em geral suspensos após a formação dos frutinhos. Nos pomares cujos frutos se destinam à exportação, é recomendável fazer-se duas pulverizações com benomyl a 0,03% ou prochloraz a 0,045%, iniciadas 15 dias antes e nas vésperas do início da colheita.

Frutas destinadas à exportação e provenientes de pomares com grande infestação de antracnose precisam de um tratamento pós-colheita. Este tratamento consiste na imersão dos frutos em uma solução fungicida a 550C durante 5 minutos. Os fungicidas empregados são benomyl a 0,2% ou prochloraz a 0,045%, acrescentando-se na solução um espalhante adesivo ou detergente a 0,1%. Algumas variedades como Palmer não suportam o tratamento térmico podendo, neste caso, aplicar um banho fungicida com prochloraz a 0,045% acrescido de um espalhante adesivo em água na temperatura ambiente, por 2 minutos.

Com relação ao comportamento varietal, sabe-se que Tommy Atkins, em nossas condições, apresenta um certo nível de resistência e que Haden e Bourbon são extremamente suscetíveis.
OÍDIO - Erysiphe polygoni D.C. (Oidium mangifera Bert.)

O oídio ou cinza é uma doença comum nos pomares de manga onde pode causar sérios prejuízos quando incide nas fases de florescimento e frutificação.



Sintomas - As folhas, inflorescências e frutinhos novos da mangueira ficam recobertos por um crescimento pulverulento branco-acinzentado constituído pelas estruturas do patógeno. Nas folhas novas, causa deformações, crestamento e queda e nas velhas e frutos desenvolvidos, ocasiona manchas irregulares (Prancha 49.5). Nas inflorescências, o patógeno cresce rapidamente abafando as flores, impedindo sua abertura (Prancha 49.6) e determinando sua queda, resultando em severos danos. A epiderme dos órgãos atacados adquire coloração avermelhada e rompimento da casca que após a cicatrização apresenta profundas fendas. Nestas fendas ficarão abrigados esporos de Colletotrichum responsáveis pela antracnose. Os pedúnculos afetados mostram-se mais finos e quebradiços nos locais lesionados, favorecendo a queda dos frutos na fase final de desenvolvimento, principalmente quando sob a ação de ventos fortes.

Etiologia - Esta moléstia é causada pelo Ascomiceto Erysiphe polygoni, parasita obrigatório, da ordem Erysiphales. Sua fase anamórfica corresponde a Oidium mangiferae, da subdivisão Deuteromycotina, ordem Moniliales.

Oidium forma hifas hialinas e septadas. Conidióforos são formados perpendicularmente às hifas, nos quais se originam conídios hialinos, cilíndricos, dispostos em cadeia. Na sua fase sexuada forma corpos de frutificação, denominados cleistotécios, providos de apêndices miceliais, flácidos e indefinidos, semelhantes a hifas somáticas.

Por se tratar de um parasita obrigatório, o fungo só se desenvolve nos tecidos vivos e suscetíveis do hospedeiro. Persiste, porém, nas folhas velhas, na ausência de tecidos sensíveis, até que as condições se tornem favoráveis, quando então produz conídios que irão infectar folhas e flores novas. A penetração do fungo nos tecidos da planta é favorecida pela perda de turgescência dos mesmos como ocorre em condições de forte calor, grande redução de umidade ou ambiente seco em geral. Os conídios são capazes de germinar numa ampla faixa de temperatura, situando-se a ideal entre 20-250C. Apesar dos esporos germinarem com facilidade em uma atmosfera úmida, maiores taxas de germinação ocorrem em umidade relativa variando de 20-65%.



Controle - Pulverizações quinzenais, começando antes da abertura das flores até o início da frutificação com fungicida específico, como o quinometionato a 0,018%, oferecem bons resultados. O enxofre a 0,4%, apesar do pequeno poder residual, proporciona um bom controle, devendo-se, porém, evitar sua aplicação nas horas mais quentes do dia quando pode ser fitotóxico. Vale mencionar que outros produtos como o tebuconazole a 0,025%, fenarimol a 0,0048%, triadimenol a 0,0125%, prochloraz a 0,045%, benomyl a 0,03%, pirazofós a 0,02%, tiofanato metílico a 0,05% e triforine a 0,0285% também são eficientes no controle desta moléstia e alguns destes produtos já vêm sendo rotineiramente empregados por alguns produtores.

Em nossas condições são consideradas resistentes ao oídio as variedades Brasil, Carlota, Espada, Imperial, Oliveira Neto, Coquinho, Tommy Atkins e Keitt. Essas variedades, além de mais tolerantes, apresentam um pedúnculo de maior diâmetro ou frutos de menor peso, o que permite sua permanência na planta apesar das lesões da doença.


MORTE DESCENDENTE - Physalospora rhodina (Berk. & Curt.) Cooke (Botryodiplodia theobromae Pat)

A morte descendente da mangueira é uma grave doença nas áreas irrigadas do Nordeste brasileiro, estando disseminada por todas as regiões produtoras brasileiras. Em países da África, Ásia e América Central acarreta severos prejuízos à cultura.



Sintomas - Inicialmente é observada, próxima à extremidade do ramo novo, a formação de lesão escura e seca que progride da casca para o lenho, às vezes com exsudação de goma de coloração marrom na região das gemas (Prancha 49.7). As folhas, nos ramos atacados, secam, ficam retorcidas, de coloração palha, com os pecíolos necrosados e escuros. Segue-se uma intensa desfolha. Os ponteiros secam principalmente na parte lateral e baixa da copa (Prancha 49.8). Esta seca lenta descendente acaba atingindo ramos mais velhos até chegar no tronco quando então ocasiona a morte da planta. As inflorescências secam, reduzindo drasticamente a produtividade do pomar. Nos frutos maduros, observam-se manchas de coloração escura, com bordos bem definidos. A casca do fruto, na região lesionada, apresenta rachaduras expondo a polpa que fica mole e aquosa. A penetração no fruto dá-se diretamente pelo pedúnculo ou através de ferimentos, causando um rápido apodrecimento ou queda. Em condições de alta umidade e temperatura observa-se, no centro das lesões do fruto, pequenas pontuações escuras representadas pelos picnídios. Nos viveiros, o fungo ataca no ponto de enxertia, causando uma lesão escura que envolve todo o diâmetro da área enxertada. A parte aérea da muda acaba morrendo e o porta-enxerto, com freqüência, emite novas brotações.

Etiologia - A morte descendente é causada pelo fungo Botryodiplodia theobromae, fase anamórfica de Physalospora rhodina. Apresenta um crescimento vigoroso, coloração verde-clara quando novo, escurecendo com a idade. A hifa é septada, hialina no início, granular e depois gutulada, tornando-se verde-escura a preta. Picnídios ocorrem isolados ou em grupos num estroma escuro, protuberante, rostrado, globoso ou sub-globoso. Os conídios são hialinos, ovais, não-septados quando imaturos. Na maturidade, adquirem coloração pardo-escuros com um septo transversal, não constrito e estriados longitudinalmente, sendo liberados do picnídio através de um ostíolo apical na forma de massa escura.

Apresenta mais de 500 hospedeiros, aqui incluído um grande número de frutas tropicais tais como cajueiro, coqueiro, goiabeira, gravioleira, mamoeiro, seringueira, videira, tamareira, etc.

Apesar de poder penetrar diretamente nos tecidos sadios do hospedeiro, seu desenvolvimento é muito mais intenso quando a infecção ocorre através de um ferimento. Lesões cansadas por outros patógenos como Colletotrichum sp., Oidium sp. e Xanthomonas sp. favorecem a penetração de Botryodiplodia.

Temperaturas entre 27 e 320C e umidade relativa do ar variando de 80-85% são condições ideais para infecção. O fungo frutifica nos ramos doentes ou secos onde sobrevive como saprófita, sendo disseminado pelo vento, insetos ou ferramentas de poda. Mudas contaminadas são importantes agentes disseminadores a longas distâncias.



Controle - Na implantação do pomar, a utilização de mudas sadias sem sinais de lesões ou cancros na região da enxertia é a primeira medida preventiva de controle. Podas sistemáticas de limpeza no pomar com queima de galhos e inflorescências secas ou doentes além de plantas mortas, reduzem o potencial de inóculo. Após as podas, os ferimentos devem ser protegidos com pasta cúprica seguido de uma pulverização imediata do pomar com tiabendazole (240 g/100 l água) ou benomyl (60 g/100 l água) para impedir novas infecções do patógeno. As ferramentas de podas devem ser periodicamente desinfestadas com água sanitária a 2%. Durante o período de estresse hídrico ou nutricional que as plantas são submetidas nas condições do semi-árido nordestino, efetuar pulverizações com tiabendazole ou benomyl seguido do iprodione 10 dias após cada aplicação. Deve-se evitar períodos prolongados de estresse e adubar adequadamente o pomar com macro e micronutrientes com ênfase para Ca, Mg, B e Zn. O controle de insetos é outra medida recomendada. As pulverizações utilizadas no controle da antracnose no campo, além dos tratamentos pós-colheita, são os mesmos para esta doença.
SECA DA MANGUEIRA Ceratocystis fimbriata Ell. et Halst.

A seca da mangueira é uma doença que só ocorre no Brasil, não sendo observada, até o momento, em outros países. Essa doença foi observada pela primeira vez em Pernambuco em 1938 e no Estado de São Paulo em 1940. Na década de 60, dizimou os plantios comerciais de ‘Bourbon’ no município de Jardinópolis, seu maior produtor, tal a suscetibilidade deste cultivar.



Sintomas - O primeiro sintoma da moléstia é a perda de coloração verde-escura da folhagem em alguns setores da copa, seguida de murcha das folhas. Estas folhas secam, adquirindo coloração palha, ficando muito tempo presas aos ramos. Com o tempo caem, ficando o galho desfolhado e seco (Prancha 49.9). Nos ramos observam-se numerosos orifícios com diâmetro ao redor de 1 mm, de onde pode escorrer uma resina ou, em estádios mais avançados, serragem, resultantes do ataque das brocas. Sob a casca, em alguns pontos, formam-se bolsas de seiva devido à desintegração do sistema vascular da planta. Cortando-se transversalmente um ramo afetado, observam-se estrias cinzas no lenho, correspondendo à colonização dos tecidos pelo patógeno. Normalmente, o ataque do vetor e a colonização do fungo ocorrem de cima para baixo, atingindo outros galhos através das forquilhas. Observam-se, entre a casca e o lenho, adultos, pupas e larvas do inseto vetor. Quando o patógeno atinge o tronco, a árvore morre em pouco tempo. Na região de Campinas, verificou-se que o tempo necessário para a morte de uma planta adulta varia de quatro a oito meses após o início de infecção.

Existem dois tipos de seca no campo: um inicia-se pelos ramos finos da copa e progride em direção ao tronco, matando a árvore lentamente. Outro tipo inicia-se pelas raízes e a planta morre repentinamente, muitas vezes sem mostrar qualquer sintoma (Prancha 49.10). O fungo só penetra na parte aérea da planta através de ferimentos, condição esta não necessária quando a infecção começa pelas raízes.

No início do ano de 1970, foram pesquisados cerca de 70% dos municípios do Estado, sendo constatada a seca em 21% deles na faixa compreendida entre a divisa do Estado de Minas Gerais e as cidades de Barretos e Jaú, onde se encontravam as maiores plantações comerciais de mangueira. Focos isolados ocorriam em outros pontos do Estado. Convém salientar que algumas regiões, tais como Limeira, Piracicaba e Pindorama não apresentavam o problema, fato que não ocorre nos dias de hoje, pois nenhuma medida foi tomada no sentido de se impedir a disseminação do patógeno. Atualmente, o fungo está disseminado por todo o país, levado principalmente por mudas infectadas adquiridas no Estado de São Paulo.

Etiologia - O fungo causador da seca da mangueira pertence à subdivisão Ascomycotina. Em meio BDA o micélio é inicialmente esbranquiçado, passando para acinzentado e finalmente pardo-escuro e negro. Em certas áreas do micélio aparecem enovelados escuros, imersos no meio de cultura que são os protoperitécios. Estes, quando maduros, são globosos, negros, providos de um longo rostro, na extremidade do qual encontram-se gotas amareladas de ascósporos. Estas estruturas são visíveis a olho nu. Nas hifas superficiais formam-se endósporos produzidos nos endoconidióforos, medindo 8-12 x 4-5 μm. São cilíndricos, hialinos, lisos, providos de substâncias refringentes no seu interior. Outros ramos das hifas originam cadeias de esporos, os artrósporos, hialinos, lisos com 35-108 x 4-10 μm. Estas estruturas são também conhecidas por conídios hialinos. Observam-se também os clamidósporos, originados de células do micélio que se arredondam e escurecem, de parede espessa e superfície lisa. Os ascósporos são hialinos, globoso-ovóides, com uma face plana provida de aba como de chapéu e a outra semelhante a uma calota esférica, medindo 3,5-5,6 x 3-5 μm.

Culturas de C. fimbriata exalam odor de fruta madura. Estas substâncias voláteis têm importante papel na epidemiologia da doença, pois atraem o inseto vetor. C. fimbriata é um fungo polífago de ampla distribuição geográfica que afeta culturas de elevada importância econômica. Os principais hospedeiros do patógeno, além da mangueira, são: batata-doce, cacaueiro, cafeeiro, crotalaria, Cassia fistula, figueira, gmelina, acácia-negra, Cassia renigera, seringueira, carvalho, plátano, ameixeira, pessegueiro, amendoeira, damasqueiro, feijão-guandu, fumo, mamoneira, pimenteira da Jamaica, abacateiro e bisnagueira.

O fungo é incapaz de penetrar diretamente através da epiderme do ramo sadio que oferece uma forte barreira mecânica, necessitando de vetor ou ferimentos. Uma vez no interior da planta, seu desenvolvimento inicial dá-se na região do câmbio, entre a casca e o lenho. O caráter típico da seca da mangueira vem a ser o colapso dos tecidos parenquimatosos, não sendo, portanto, do tipo vascular. Com o tempo, avança para o interior do cerne da planta. O fungo pode penetrar diretamente pelas raízes, aparentemente sem necessidade de qualquer ferimento ou vetor.

O patógeno apresenta raças patogênicas que podem ser diferenciadas pelo seu comportamento em diferentes variedades de manga. Em São Paulo foram diferenciadas duas raças: uma patogênica e outra não-patogênica à variedade Jasmim.



Hypocryphalus mangiferae Stebb. é considerado o inseto vetor primário do agente da seca da mangueira. Pertence à família Scolytidae, sendo a única broca entre todas as espécies ocorrentes que é específica da mangueira. Nas árvores sadias, é comum observar o inseto ou suas galerias entre a casca e o lenho, em pequenos ramos decadentes. Em plantas doentes, predomina nos galhos finos.

Esse besourinho encontra-se amplamente distribuído em todas as regiões do mundo onde se cultiva a mangueira. Foi observado até o momento em apenas duas espécies do gênero Mangifera: M. indica e M. odorata. A broca sozinha não causa problemas graves à mangueira a não ser em mudas recém-plantadas. A muda, ao ser arrancada do viveiro e embalada em recipiente apropriado para comercialização, perde sua turgidez quando então pode ser severamente atacada por H. mangiferae, sendo completamente destruída.

Diversas evidências demonstram ser H. mangiferae o inseto vetor de C. fimbriata nos mangueirais. Esse inseto é o primeiro a aparecer nos ramos atacados da mangueira, além de ser atraído por culturas puras do fungo. Além desta atração pelo olfato, verificou-se que, uma vez em contato com a cultura do fungo, o inseto dele se alimenta, faz galerias na massa micelial do patógeno, preparando câmaras de oviposição. Larvas de H.mangiferae em culturas puras de C. fimbriata podem ser criadas até a fase adulta.




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