Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




старонка50/70
Дата канвертавання25.04.2016
Памер3.82 Mb.
1   ...   46   47   48   49   50   51   52   53   ...   70

N. S. Massola Jr. & I. P. Bedendo.



BACTERIOSE - Xanthomonas campestris pv. manihotis (Berthet & Bondar) Dye

A bacteriose ou murcha é, sem dúvida, a doença mais importante da cultura da mandioca no Brasil. Em regiões onde as condições climáticas são favoráveis, como no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, esta doença torna-se limitante, podendo ocasionar perdas totais quando variedades suscetíveis são utilizadas para plantio.

A doença foi relatada pela primeira vez em 1912, no Estado de São Paulo e, atualmente, pode ser encontrada em quase todo o território nacional. Além do Brasil, a bacteriose tem sido relatada causando surtos epidêmicos em outros países da América do Sul, América Central, África e Ásia.

Os prejuízos causados à produção variam principalmente em função da variedade utilizada, condições climáticas e do inóculo inicial. Em variedades suscetíveis, perdas podem variar de 50% a 100% quando as condições climáticas são favoráveis, enquanto que em variedades resistentes não ultrapassam 5 a 7% da produção. Estas perdas podem ser maiores quando patógenos fracos, como Coanephora cucurbitarum e Colletotrichum spp., invadem os tecidos infectados pela bactéria. Este efeito sinergístico entre patógenos tom sido observado principalmente quando a bacteriose ocorre em culturas que apresentam antracnose.



Sintomas - A bacteriose apresenta um complexo de sintomas que envolve manchas foliares, murcha, exsudação de látex, necrose do sistema vascular e morte descendente. Sintomas primários, decorrentes do plantio de material vegetativo infectado, traduzem-se por murcha de folhas novas, seguida por morte das plantas. Sintomas secundários, provenientes das infecções secundárias no campo, iniciam-se com o aparecimento de pequenas lesões encharcadas e poligonais nas folhas. Posteriormente, estas lesões desenvolvem e tornam-se irregulares, podendo cobrir grandes extensões. Nessa fase, a bactéria transloca-se para o pecíolo e haste através do xilema, iniciando a infecção sistêmica da planta. Ocorre, então, exsudação de látex nas hastes infectadas e morte descendente, com murcha e posterior secamento das folhas, as quais permanecem aderidas à haste por algum tempo. Cortes transversais ou longitudinais das hastes atacadas revelam necrose dos feixes vasculares, sintoma que pode ser observado tanto em plantas provenientes de material propagativo doente como em plantas infectadas posteriormente. Em casos mais graves, as raízes são afetadas, exibindo descoloração dos feixes vasculares e apodrecimento.

Etiologia - O agente causal da bacteriose da mandioca foi inicialmente denominado Bacillus manihotis Arthaud - Berthet e posteriormente Phytomonas manihotis (Arthaud - Berthet & Bondar) Viegas. Mais tarde, o nome da espécie foi trocado por Xanthomonas manihotis (Arthaud - Berthet) Starr, que permaneceu em uso por muito tempo. Finalmente, a nomenclatura aceita atualmente, Xanthomonas campestris pv. manihotis (Berthet & Bondar) Dye, foi introduzida na oitava edição do Bergey’s Manual of Determinative Bacteriology, de 1974. A espécie foi considerada como um patovar de X. campestris, variando apenas pela especificidade a hospedeiros do gênero Manihot. A bactéria, da família Pseudomonadaceae, apresenta-se como bastonete gram-negativo e móvel por um único flagelo polar. E um organismo aeróbio estrito, que não produz pigmentos amarelos, característicos do gênero, em meio de cultura. Além disso, não fermenta glicose, não utiliza asparagina como única fonte de carbono e nitrogênio e mostra reação negativa no teste de oxidase de Kovacs.

O principal veículo de disseminação da bactéria, a longas distâncias, é o material de propagação contaminado. Como não há um rigoroso controle do trânsito de materiais vegetais dentro do território nacional, as manivas infectadas, quase sempre, são responsáveis pela introdução da doença em áreas isentas. Dentro do mesmo campo, o principal agente disseminador é a chuva. Os respingos promovem a liberação dos talos bacterianos presentes nas exsudações e os transportam até plantas sadias. Isto explica a alta severidade da doença na estação chuvosa. Além da chuva, as ferramentas também constituem veículo de disseminação, principalmente aquelas utilizadas em podas ou para cortar novas manivas para plantio.

Sementes verdadeiras também podem carregar o patógeno. A contaminação pode ocorrer pelos respingos de chuva ou por translocação da bactéria através do xilema até o embrião, onde permanece quiescente. Sementes infectadas não exibem nenhum sintoma e germinam normalmente.

A penetração da bactéria ocorre pelos estômatos ou por ferimentos da epiderme e é mais comum em tecidos jovens. Existem estudos mostrando que é necessário um período de 12 horas com umidade relativa entre 90 e 100% e temperatura de 22 a 260C para o estabelecimento da bactéria no hospedeiro. Os sintomas geralmente aparecem de 11 a 13 dias após a infecção e podem ficar restritos às folhas em variedades altamente resistentes. Em variedades suscetíveis ocorre infecção sistêmica através dos vasos de xilema do pecíolo.

A sobrevivência da bactéria no solo não é muito longa. Em geral, solos com pH entre 6,0 e 6,5 e com baixo teor de matéria orgânica são mais favoráveis, mas mesmo nesses solos a sobrevivência dificilmente ultrapassa 60 dias. Em restos de cultura este período pode se estender até seis meses. Períodos de um ano na ausência de hospedeiros são considerados eficientes para erradicar totalmente a bactéria do solo.

Além do grau de resistência da variedade, a severidade da doença depende diretamente das condições de temperatura do ambiente. Tem-se observado que a severidade é maior em áreas onde as temperaturas médias mínimas e máximas estão um pouco abaixo de 200C e 300C, respectivamente. Em áreas de temperaturas mais elevadas, a bacteriose não causa danos significativos, mesmo em condições de alta precipitação.



Controle - O uso de variedades resistentes é a medida de controle mais eficiente. Tais variedades sofrem poucas perdas com a doença, mesmo quando as condições ambientes são favoráveis à epidemia. A resistência à X. campestris pv. manihotis é multigênica e, portanto, duradoura. Um dos fatores que influem na resistência de uma variedade é o tamanho de seus estômatos. Variedades que apresentam estômatos menores tendem a se comportar como mais resistentes em relação àquelas que apresentam estômatos maiores.

Existem diversas variedades resistentes recomendadas para cada região, podendo­se citar, entre muitas outras, as variedades Mico, Fitinha, Engana Ladrão, Mantiqueira e Sonora. A variedade Blumenau, que possui excelentes características agronômicas, não deve ser plantada no oeste de Santa Catarina devido à suscetibilidade à bacteriose. Outras variedades suscetíveis são Vassourinha e Riqueza. Entretanto, nem sempre é possível a obtenção de material resistente e com boas características agronômicas para plantio. Quando são usadas variedades menos resistentes, recomenda-se as seguintes medidas auxiliares de controle: a) plantio de manivas sadias; b) rotação de culturas ou simples remoção dos restos de cultura, seguida de aração e pousio por 6 meses; c) uso de ferramentas desinfestadas e restrição ao movimento de pessoas das áreas afetadas para áreas sadias; d) inspeção fitossanitária com erradicação de plantas; e) se possível, utilizar o sistema de consórcio com outras culturas. Há estudos demonstrando que a cultura intercalar contribui para reduzir a disseminação da bactéria de uma planta para outra; f) plantar no final do período chuvoso é uma medida que tem dado bons resultados. Apesar do pouco desenvolvimento na estação seca, a planta chega à próxima estação chuvosa mais velha e mais lignificada, portanto mais resistente à bacteriose.


CERCOSPORIOSE Cercosporidium henningsii Allescher, Cercospora viçosae

A cercosporiose ou mancha parda da folha pode ser considerada importante pela alta freqüência com que ocorro na cultura da mandioca. A doença tem ampla distribuição geográfica, sendo encontrada cm praticamente todos os países produtores de mandioca. Os prejuízos causados pela doença são decorrentes da redução de área fotossintética e, na maioria das vezes, não são considerados importantes, mesmo com ataques severos e freqüentes. Mesmo em variedades suscetíveis, a cercosporiose causa danos que não ultrapassam 20% da produção.



Sintomas - A cercosporiose só manifesta-se nas folhas, na forma de manchas necróticas. As manchas, embora difiram um pouco de acordo com a espécie causal, normalmente são de coloração cinza-oliváceo, com presença de frutificações do fungo no centro. C. henningsii produz manchas com bordos bem definidos e escuros, que raramente ultrapassam 1 cm de diâmetro. C. viçosae produz manchas maiores e irregulares, sem bordos definidos. Com o progresso da doença, as folhas tornam-se amarelas, secam e caem.

Etiologia - Duas espécies fúngicas podem causar a cercosporiose da mandioca: Cercosporidium henningsii e Cercospora viçosae. Ambas as espécies produzem conídios compridos e multiseptados, na extremidade de conidióforos situados no centro das lesões, na face inferior das folhas.

A estação chuvosa é mais favorável à ocorrência da cercosporiose, porém é comum encontrar a doença tanto cm regiões quentes e secas corno em regiões frias e úmidas. Isto reflete uma grande capacidade de adaptação do patógeno às diversas condições climáticas, razão pela qual a cercosporiose possui ampla distribuição geográfica e pode ser encontrada em qualquer época do ano.

Estudos epidemiológicos mais detalhados a respeito da cercosporiose são escassos. Sabe-se somente que o vento é o principal agente disseminador dos conídios e que a espécie C. henningsii aparentemente apresenta outros hospedeiros, como espécies nativas de mandioca e até mesmo batata-doce. C. viçosae tem sido registrada atacando somente o gênero Manihot.

Controle - Em virtude da pequena importância econômica, não se justificam medidas específicas de controle para a cercosporiose. Caso a doença assuma proporções problemáticas futuramente, pode-se utilizar variedades resistentes para reduzir as perdas. Estudos realizados na década de 80 pelo CNPMF/EMBRAPA, na Bahia, revelaram a existência de variedades que podem atuar como fontes de resistência, tanto para C. henningsii, como para C. viçosa. Além disso, medidas como o aumento no espaçamento, para diminuir a umidade no interior da lavoura, e a eliminação de espécies nativas de mandioca também auxiliam no controle.
ANTRACNOSE - Colletotrichum gloeosporioides Penz (sensu ARX, 1957)

A antracnose da mandioca ocorre em vários países produtores. No Brasil, a doença está presente em todas as regiões produtoras, porém é mais severa no Nordeste e Sudeste, onde as condições ambientais são mais favoráveis à sua ocorrência.

Existem basicamente dois tipos de antracnose em nossas condições, a branda e a severa. A forma branda normalmente afeta plantas no final do ciclo e é causada por estirpes fracas do patógeno. A forma severa, causadas por estirpes mais agressivas, provoca danos maiores, principalmente se o ataque ocorrer em cultivos com menos de 4 meses. Não existem dados de perda na produção. Variedades suscetíveis infectadas na fase jovem são severamente afetadas, podendo ocorrer a morte de toda a parte aérea da planta.

Sintomas - Sintomas característicos aparecem na forma de cancros elípticos e profundos nas hastes jovens e pecíolos. Sob condições de alta umidade, observa-se no centro destas lesões uma massa de coloração rósea, constituída por esporos do fungo. Em decorrência desta infecção, ocorre desfolha e morte dos ponteiros. Esporadicamente pode ocorrer morte total da parte aérea. O plantio de manivas contaminadas pode resultar em falhas na germinação e conseqüente redução no número de plantas por área.

Etiologia - O fungo C. gloeosporioides corresponde à forma imperfeita do Ascomiceto Glomerella cingulata (Stonem.) Spauld et Schrenk (sensu Arx, 1957), que inclui inúmeras formae speciales. A viabilidade patogênica do fungo pode estar associada com a presença do ciclo sexual, que representa uma possibilidade de recombinação genética.

As condições favoráveis à ocorrência da doença são períodos longos de chuva com temperaturas entre 180C e 280C. A disseminação dos esporos dentro de um cultivo é grandemente favorecida pelas chuvas. Nada se sabe a respeito da sobrevivência do patógeno no solo ou em restos de cultura. Há estudos mostrando que isolados de outras espécies de plantas (mamoeiro e tamarindo) foram patogênicos à mandioca. Dessa forma, não se pode descartar a idéia de que existam hospedeiros alternativos.



Controle - Deve-se evitar o plantio de variedades sabidamente suscetíveis em locais de condições climáticas favoráveis à ocorrência da doença. Além disso, medidas complementares que se baseiam na redução do inóculo devem ser consideradas, como: a) seleção de manivas sadias para plantio; b) imersão das manivas por 5 minutos em solução de benomyl (100 g/100 1 água); e) poda e eliminação de hastes afetadas.

OUTRAS DOENÇAS

Mosaico Comum - “Cassava common mosaic virus” (CsCMV). É a doença virótica mais, comum nos mandiocais do Brasil, encontrada também na Colômbia, Peru, Indonésia e África. Desde sua constatação, em 1938, o mosaico comum vem acarretando poucos prejuízos à cultura, sendo considerado uma doença de importância secundária. Os sintomas aparecem nas folhas jovens ou de meia idade, na forma de áreas verde-claras entremeadas com áreas verdes normais. Eventualmente podem ocorrer deformações em folhas novas. O vírus do mosaico comum possui partículas alongadas, com 15 nm de comprimento e pertence ao gênero Potexvirus. Sua transmissão ocorre mecanicamente, por material propagativo doente ou por enxertia. A disseminação é feita pelo uso de manivas retiradas de plantas doentes. Como não existe nenhum inseto vetor, o controle é feito utilizando-se material de propagação proveniente de plantas sadias. Aconselha-se também a eliminação de plantas doentes dentro da lavoura.

Mosaico das Nervuras - “Cassava vem mosaic virus” (CsVMV). É uma doença que apresenta incidência muito baixa nos plantios de mandioca e, portanto, sua importância econômica é insignificante. Atualmente parece estar limitada ao nordeste do Brasil e leste da Venezuela. Os sintomas manifestam-se nas folhas de meia idade, na forma de clorose junto às nervuras. A medida que a folha envelhece, há uma tendência de aumento na área clorótica, chegando a cobrir quase toda a superfície foliar. É comum também o enrolamento dos lóbulos foliares para baixo. O vírus do mosaico das nervuras é um possível membro do gênero Caulimovirus e possui partícula isométrica, com aproximadamente 50 a 60 nm de diâmetro. É transmitido somente por material de propagação contaminado e por enxertia. O controle é o mesmo recomendado para o mosaico comum.

Mosaico Africano - “African cassava mosaic virus” (ACMV). O mosaico africano da mandioca encontra-se limitado à África e Ásia. É uma doença limitante em muitos países onde ocorre, sendo comum relatos de perdas que vão de 20 a 90%. Plantas afetadas apresentam-se subdesenvolvidas, há deformação e redução no tamanho das folhas, as quais exibem áreas amarelas intensas separadas por tecido normal. A transmissão do ACMV, que pertence à família Geminiviridae, é feita por insetos do gênero Bemisia (mosca branca), sendo necessário um período de 4 horas de alimentação para que o vetor torne-se infectivo. Estacas provenientes de plantas doentes também constituem material para propagação do vírus. Nos países onde a doença ocorre, o controle tem sido realizado, basicamente, pelo uso de variedades resistentes e plantio de material sadio. No Brasil, há necessidade urgente de medidas governamentais proibindo a importação de materiais de mandioca destes países. A introdução do mosaico africano em nosso país pode trazer conseqüências imprevisíveis.

Superbrotamento - Fitoplasma. O superbrotamento, também chamado de envassouramento ou vassoura-de-bruxa da mandioca, foi relatado no Brasil, Venezuela e México. No Brasil, aparentemente, ocorrem 3 fitoplasmoses associadas à mandioca, que diferem um pouco quanto à sintomatologia apresentada. Porém não se sabe se são causadas por fitoplasmas diferentes ou por biótipos de uma mesma espécie. Um levantamento recente no Estado de São Paulo revelou a presença de um foco da doença na Região Centro-Sul, em torno do município de Águas de Santa Bárbara. Plantas doentes podem ser reconhecidas por apresentarem nanismo, encurtamento dos entrenós e brotação excessiva, assumindo aspecto semelhante a uma vassoura. As folhas produzidas nessas brotações são reduzidas e deformadas. Pode haver produção excessiva de raízes subdesenvolvidas. Em conseqüência, a planta afetada normalmente não produz nada. Cortes histológicos de plantas doentes revelam a presença dos fitoplasmas junto aos vasos crivados, na forma de corpúsculos pleomórficos com 0,1 a 1 mm. Experimentalmente, a transmissão é conseguida por enxertia ou através da cuscuta. Não ocorre transmissão mecânica ou por vetores. Em condições naturais, a disseminação é feita pelo uso de manivas retiradas de plantas doentes. O controle é feito utilizando-se material propagativo sadio e através da eliminação de plantas afetadas.

Podridão Mole da Haste - Erwinia carotovora subsp. carotovora (Jones) Bergey et al. A doença é encontrada nas regiões úmidas e elevadas da Venezuela e Colômbia, não tendo sida relatada no Brasil. Os sintomas característicos são de podridão aquosa mole da haste ou necrose medular nas partes lenhosas das plantas. Na superfície das hastes afetadas observam-se perfurações feitas por insetos, principalmente do gênero Anastrepha, que são os agentes disseminadores da bactéria. Outros gêneros de insetos, como Chilomima e Dasiops também podem estar envolvidos na disseminação. Quando se utilizam estacas doentes para plantio, normalmente a brotação fica bastante debilitada, reduzindo muito a produção de raízes. Nos países onde ocorre a doença, o controle é feito com variedades resistentes ao inseto vetor, plantio de material sadio e eliminação das hastes afetadas.

Mancha Branca das Folhas - Phaeoramularia manihotis. O agente causal da mancha branca das folhas da mandioca era denominado Cercospora caribaea, razão pela qual era estudado conjuntamente com as cercosporioses até recentemente. Phaeoramularia manihotis difere das espécies de Cercospora que atacam a mandioca pelos sintomas e por produzir conídios hialinos. Apesar de não existirem dados sobre os prejuízos causados pela mancha branca das folhas, acredita-se que em cultivares suscetíveis possa causar perdas significativas na produção sob condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da doença. O fungo coloniza, preferencialmente, as folhas mais velhas da planta, causando manchas de coloração que variam do branco ao pardacento, com bordos bem definidos e avermelhados. Tais manchas raramente ultrapassam 5 mm de diâmetro. Folhas muito atacadas tornam-se amarelas e caem precocemente. A doença é mais freqüente em locais de temperatura e umidade elevadas, como nas baixadas e no litoral brasileiro. Nestas áreas recomenda-se não plantar variedades altamente suscetíveis. Em outras regiões, as medidas de controle para essa doença são dispensáveis.

Superalongamento - Sphaceloma manihoticola Bitancourt et Jenkins. Até recentemente, o superalongamento da mandioca tinha sua ocorrência limitada à Região Norte do país e a algumas áreas ao norte de Mato Grosso. Entretanto, em 1988, foi constatada sua introdução em plantios no Estado do Paraná, provavelmente peio uso de material propagativo proveniente do norte do país. A introdução desta doença no sul do Brasil deve ser motivo de alerta, uma vez que o Sul e o Sudeste são grandes produtores de mandioca e possuem condições climáticas favoráveis ao patógeno. Já foram demonstradas perdas superiores a 80% em variedades suscetíveis cultivadas sob condições ambientes favoráveis à doença. O principal sintoma da doença consiste no alongamento exagerado dos entrenós das hastes jovens, causado pelo ácido giberélico produzido pelo patógeno. Plantas atacadas tornam-se enfraquecidas e mostram-se mais altas que as sadias. A infecção ocorre nas hastes, pecíolos e nervuras das folhas, formando cancros coriáceos típicos das verrugoses. Folhas atacadas freqüentemente mostram-se retorcidas e acabam morrendo, causando desfolha na planta. O fungo Sphaceloma manihoticola corresponde à fase assexuada do gênero Elsinoe. Produz conídios pequenos, unicelulares e hialinos em estruturas estromáticas denominadas acérvulos. A disseminação dos conídios é feita pela ação do vento e da chuva. As condições climáticas favoráveis para a ocorrência da doença são chuvas abundantes e temperaturas entre 200C e 280C. As medidas de controle devem tentar impedir a introdução desta doença em áreas onde ela ainda não ocorre, Para isso, além da cuidadosa seleção das manivas, deve-se evitar o plantio de material propagativo proveniente de outras regiões, principalmente do norte do país. Nas regiões onde o superalongamento ocorre epidemicamente, além da seleção de ramas sadias para plantio, aconselha-se a eliminação de plantas doentes e rotação de culturas nas áreas anteriormente afetadas. O tratamento químico das manivas com benomyl (30 g/100 l) antes do plantio também é uma medida eficiente no controle do fungo. Quanto à resistência varietal, há estudos indicando que a maioria das variedades cultivadas no país possuem bom nível de resistência ao superalongamento.

Oídio - Oidium manihotis P. Henn. O oídio ou cinza é uma doença sem importância econômica, apesar de ter ampla distribuição geográfica. Ocorre principalmente nas estações mais secas do ano. O sintoma mais característico da doença é um crescimento fúngico branco, de aspecto pulverulento, sobre a superfície das folhas. Tal crescimento é constituído por micélio, conidióforos e conídios do fungo. No início, ocorre uma clorose das células parasitadas e, com a evolução da doença, as áreas afetadas podem tornar-se amareladas e até mesmo necróticas. Oidium manihotis pertence à subdivisão Deuteromycotina, ordem Moniliales, cuja fase perfeita, ainda não relatada, deve corresponder a um ascomiceto da ordem Erysiphales. O fungo é um parasita obrigatório que retira nutrientes através da emissão de haustórios no interior das células epidermais do hospedeiro. Produz conídios hialinos unicelulares, ovalados, arranjados de forma catenulada na extremidade de conidióforos curtos e não ramificados. A disseminação dos conídios é feita principalmente pelo vento. A água pode atuar como agente disseminador à curta distância, na forma de respingos. No entanto, chuvas intensas promovem a lavagem das estruturas fúngicas presentes na superfície das folhas, razão pela qual a doença é favorecida pelas estações mais secas. Além de Manihot esculenta, o fungo infecta também espécies selvagens do gênero Manihot. Normalmente, não é necessário adotar nenhuma medida de controle para o oídio, no entanto, parece haver diferenças entre variedades quanto à resistência.

Ferrugem - Uromyces manihotis. A ferrugem da mandioca é uma doença conhecida há muito tempo e encontrada em várias partes do mundo. Nas nossas condições, ocorre principalmente no final da estação chuvosa e permanece na planta durante a estação seca, podendo eventualmente assumir expressão significativa em variedades muito suscetíveis. Nas folhas, pecíolos e hastes jovens aparecem pústulas nas quais observam-se uredósporos do fungo. Eventualmente pode ocorrer amarelecimento da planta e seca dos ponteiros. Variedades suscetíveis sob alta severidade da doença podem apresentar redução no desenvolvimento da parte aérea. A ferrugem é outra doença que dispensa medidas de controle. Ocasionalmente, em regiões muito favoráveis à doença, pode ser necessário substituir a variedade atacada por uma mais resistente. Existe um grande número de genótipos que pode ser utilizado como fonte de resistência à ferrugem.

Podridões Radiculares - Phytophthora drechsleri Tucker, Fusarium solani, Rosellinia necatrix e Diplodia manihotis. As podridões radiculares caracterizam-se por estarem normalmente restritas às áreas de solos argilosos, mal drenados e com alto teor de matéria orgânica. A doença costuma causar problemas nos plantios feitos em baixadas e várzeas. Recentemente, uma grande epidemia de podridão radicular causou perdas de 60% em extensas áreas de várzeas na Região Amazônica. Entre os agentes causais da doença, o de maior ocorrência é o complexo Phytophthora drechsleri / Fusarium solani. Estes patógenos provocam podridão mole das raízes, que assumem coloração marrom e exsudam líquido fétido. Como sintomas reflexos da podridão nas raízes, observa-se murcha da parte aérea, queda de folhas e finalmente morte da planta. Rosellinia necatrix é bem menos freqüente e ocorre em solos recém-desbravados, onde o teor de matéria orgânica é alto. O fungo é um habitante comum dos restos de plantas em decomposição, passando a atacar as raízes da mandioca e outras plantas cultivadas. Plantas atacadas mostram-se amarelecidas e posteriormente murcham e secam. As raízes tornam-se escuras e apresentam estrias negras internamente, nos tecidos do córtex e do lenho tuberoso. Estes sintomas aparecem tipicamente em reboleiras, com uma fonte de inóculo (troncos, restos de plantas) no centro. A disseminação do fungo ocorre através de rizomorfas que avançam no solo a vários metros de distância. Recomenda-se o plantio em solos com boa drenagem, porém, nas áreas de várzeas, as práticas culturais para controle das podridões radiculares envolvem a rotação de cultura na estação seca, com milho ou arroz, e o plantio em camalhões de 30 cm de altura aproximadamente. Além disso, recomenda-se utilizar manivas sadias e tratadas quimicamente através de imersão por 10 minutos numa suspensão de Fosetyl - Al (80%) na concentração de 2 g/l. Para a Região Amazônica, existem variedades resistentes para plantio cm condições de solo úmido, como IM 180, IM 280, Itapuia, Carauaçu, Peruana e, principalmente, o clone EMBRAPA-8, lançado em 1992.

Podridão Seca das Manivas - Lasiodiplodia theobromae Pat. E uma doença encontrada freqüentemente afetando manivas em armazenamento e também hastes no campo. O material propagativo infectado apresenta baixa viabilidade e dá origem a plantas debilitadas que freqüentemente acabam morrendo no campo. O patógeno penetra nas hastes somente através de ferimentos e é favorecido por condições de alta umidade e alta temperatura. No início, surgem áreas amareladas ou pardo-acinzentadas nos tecidos internos, a partir das extremidades da maniva. Posteriormente, os tecidos afetados escurecem e a infecção pode atingir a medula. O controle é feito selecionando-se o material de plantio antes e após o armazenamento. O tratamento químico das manivas com captan, mancozeb ou cúpricos também apresenta bons resultados.

Nematoses - Pelo menos 14 espécies de nematóides são conhecidas como parasitas da mandioca, destacando-se Meloidogyne incognita (Kofoid & White) Chitwood, Pratylenchus brachyurus (Godfrey) Filipjev & Stekhoven, Helicotylenchus erythrinae (Zimm.) Golden e Rotylenchulus reniformis Linford & Oliveira. No Brasil, M. incognita tem sido relatado com maior freqüência, seguido por P brachyurus. Informações sobre a gravidade do problema e perdas na produção são inexistentes. Plantas parasitadas por M. incognita apresentam-se menores e com folhas amareladas. Examinando-se o sistema radicular destas plantas, observam-se inúmeras galhas e, freqüentemente, descolamento do córtex radicular. P. brachyurus penetra em regiões próximas à ponta da raiz, podendo atingir até o córtex. Este nematóide migra no interior das raízes, formando cavidades que favorecem a necrose das áreas afetadas. Externamente, raízes parasitadas apresentam inúmeras lesões de coloração marrom. Em áreas isentas destes nematóides, a principal medida de controle é evitar sua introdução, através da seleção de material para plantio. Nos locais onde já foram introduzidos, deve-se tentar reduzir a população através da rotação de culturas com espécies não-hospedeiras, uma vez que não se conhecem variedades de mandioca resistentes. Atenção especial deve ser dada a M. incognita, que é polífago. O controle químico, apesar de eficiente, necessita de estudos de viabilidade econômica em função da extensão da área a ser tratada antes de ser adotado.
BIBLIOGRAFIA
Bock, K.R. Control of African Cassava Mosaic Geminivirus by using virus-free planting material. Tropical Science 34:102-109, 1994.

Dubern, J. Transmission of African Cassava Mosaic Geminivirus by the whitefly (Bemisia tabaci). Tropical Science 34:82-91, 1994.

Fukuda, C. & Lozano, J.C. Doenças da mandioca. In: Curso Intensivo Nacional de Mandioca, 7., Cruz das Almas, EMBRAPA, CNMF, 1990. 45 p.

Fukuda, C. & Romeiro, R.S. Estômatos e resistência de variedades de mandioca à bacteriose. Revista Brasileira de Mandioca 3:27-31. 1984.

Fukuda, C.; Romeiro, R.S.; Fukuda, W.M.G. Avaliação de resistência de cultivares de mandioca a Xanthomonas campestris patovar manihotis. Revista Brasileira de Mandioca 3:7-12, 1984.

Gonzalez, J.A. Procedimientos para la creacion de un plantel de semilla basica de yuca libre de bacteriosis (Xanthomonas campestris pv. manihotis). Agronomia Tropical 37:75-84, 1987.

Guevara, Y; Rondon, A.; Arnal, E.; Suarez, Z.; Solorzano, R.; Navas, R. La pudrición bacterial del talo de la yuca en Venezuela. Fitopatologia Venezoelana 5:33-6, 1992.

Hernandez, R.P.; Gonzalez, L.P.; Gonzalez, L.C. Determinación de la susceptibilidad en 15 clones de yuca al superalargamiento (Sphaceloma manihoticola). Centro Agrícola 17:94-96, 1990.

Lorenzi, J.O.; Valle, T.L.; Monteiro, DA.; Costa, A.S. Mandioca: distribuição no Estado de São Paulo do micoplasma causador do superbrotamento de Santa-Barbara-do-Rio-Pardo. Bragantia 47:63-9, 1988.

Lozano, J.C. Cassava bacterial blight: a manageable disease. Plant Disease 70:1089-1093, 1986.

Lozano, J.C. Outbreaks of cassava diseases and losses induced. Fitopatologia Brasileira 14:7-11, 1989.

Lozano, J.C. Overview of integmated control of cassava diseases. Fitopatologia Brasileira 17:18-22, 1992.

Lozano, J.C. & Bellotti, A. Control integrado de enfermidades y pestes dela yuca (Manihot esculenta Crantz). Fitopatologia Colombiana 8:97-104, 1979.

Marcano, M. & Trujillo, G. Perpetuacion de la bactéria Xanthomonas campestris pv. manihotis (Berthet y Bondar) Dye en el suelo através de restos de cosecha. Agronomia Tropical 34:7-19, 1984.

McSorley, R.; O’Hair, S.K.; Parrado, J.L. Nematodes of cassava, Manihot esculenta Crantz. Nematropica 13:261-287, 1983.

Miura, L; Frosi, J.F.; Mondardo, E.; Temes, M. Seleção de germoplasma de mandioca resistente a Xanthomonas campestris pv. manihotis em Santa Catarina. Pesquisa Agropecuária Brasileira 25:1209-1214, 1990.

Schiocchet, M.A. & Temes, M. Mandioca no oeste catarinense. Agropecuária Catarinense 1:15-16, 1988.

Silva, M.F.; Cavalcanti, M.A.; Lima, D.M.; Poroca, D.M. Influência de fatores climáticos e idade da planta na ocorrência de cercosporiose em mandioca (Manihot esculenta). Fitopatologia Brasileira 13:51-53, 1988.

Souza, S.M.C. Mandioca. Informe Agropecuário 11:60-65, 1985.

Swanson, M.M. & Harrison, B.D. Properties, relationships and distribution of cassava mosaic geminiviruses. Tropical Science 34:15-25, 1994.

Thresh, J.M.; Fargette, D.; Otim-Nape, G.W. Effects of African Cassava Mosaic Geminivirus on the yield of cassava. Tropical Science 34:26-42, 1994.

Thresh, J.M.; Fishpool, L.D.C.; Otim-Nape, G.W.; Fargette, D. African Cassava Mosaic Vimos disease: an under-estimated and unsolved problem. Tropical Science 34:3-14, 1994.

Zem, A.C.; Fukuda, C.; Macedo, MMC, Incidência de Meloidogyne incognita e outros nematóides na cultura da mandioca. Fitopatologia Brasileira 3:3 11-313, 1978.
DOENÇAS DA MANGUEIRA

(Mangifera indica L.)

1   ...   46   47   48   49   50   51   52   53   ...   70


База данных защищена авторским правом ©shkola.of.by 2016
звярнуцца да адміністрацыі

    Галоўная старонка