Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas


M. A. Pavan & C. Kurozawa



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M. A. Pavan & C. Kurozawa



MOSAICO – “Lettuce mosaic vírus” - LMV

No Brasil, os vírus que causam mosaico e mosqueado em alface são: vírus do mosaico da alface (lettuce mosaic vírus”- LMV); vírus do mosaico do picão (“bidens mosaic vírus” - BMV); vírus do mosqueado da alface (lettuce mottle vírus” - LMoV); vírus do mosaico do pepino (“cucumber mosaic vírus” - CMV) e vírus do mosaico do nabo (“turnip mosaic vírus” - TuMV). O LMV é considerado o agente causal do mosaico de maior importância. Encontra-se disseminado por todo o mundo, provavelmente devido ao intercâmbio de sementes através do comércio internacional.



Sintomas - Os sintomas em alface do grupo manteiga, na fase adulta, são de fácil reconhecimento: mosqueado, distorção e amarelecimento foliares, podendo desenvolver necrose de nervuras na dependência do cultivar, resultando na má formação ou distorção das cabeças. Clareamento de nervuras e mosaico são comuns em plantas jovens e adultas. Esses sintomas são menos visíveis em cultivares com presença de antocianina. Quando plantas jovens são infectadas, as folhas internas permanecem pequenas e inclinam-se para o centro. Em cultivares de alface de cabeça crespa, mosaico e clareamento de nervuras são menos visíveis, porém, pontuações, redução no crescimento e distorção foliar são comumente observadas, principalmente quando as plantas são infectadas no estágio inicial de desenvolvimento. A síndrome descrita como “June Yellows”, que ocorre em cultivares de alface do grupo americano, consiste no amarelecimento das folhas da saia e redução de crescimento. Em cultivares do grupo Romana, clareamento de nervuras e mosqueado são visíveis em plantas jovens. Estas ficam atrofiadas e declinam, formando uma cabeça pequena. Em todos os tipos de alface, o efeito do LMV é visível, principalmente, durante o pendoamento. As brácteas da inflorescência mostram mosqueado e áreas necróticas. As plantas infectadas produzem menor quantidade de sementes. Isolados muito agressivos provocam severa redução do crescimento, necrose e, às vezes, morte de plantas. A reação de cultivares resistentes, quando infectados com LMV, varia da ausência absoluta de sintomas a um leve mosqueado, na dependência da fonte de resistência utilizada para seu desenvolvimento.

Etiologia - O LMV é atualmente classificado como uma espécie do gênero Potyvirus, família Potyviridae, possuindo partículas de estrutura filamentosa e flexuosa, medindo aproximadamente 730 nm de comprimento por 13 nm de diâmetro.

O LMV apresenta uma gama de hospedeiros bem ampla. Pode-se relacionar 121 espécies vegetais, pertencentes a 17 famílias botânicas e 60 gêneros, como hospedeiras. A maioria das espécies pode ser enquadrada nas seguintes famílias: Aizoaceae, Amaranthaceae, Asteraceae, Boraginaceae, Brassicaceae, Caryophyllaceae, Chenopodiaceae, Cucurbitaceae, Geraniaceae, Lamiaceae, Leguminosae, Malvaceae, Martymaceae, Papilionaceae, Polygonaceae, Primulaceae e Solanaceae.



As principais características para identificação e diagnose do LMV são baseadas em morfologia, hospedeiros diferenciais, propriedades físicas, mecanismo de transmissão, disseminação e sorologia (Tabelas 4.1 e 4.2). A disseminação do LMV pode ocorrer através da semente ou por afídeos. A taxa de transmissão é baixa e há variação entre cultivares e dentro de cultivares, indicando a possibilidade de seleção para pouca ou nenhuma transmissão. O LMV pode ser transmitido tanto pelo pólen como pelo óvulo. A transmissão do LMV por afídeos é de maneira não-persistente e pode ser feita por várias espécies, sendo Myzus persicae a mais eficiente. O vírus do mosaico da alface apresenta variabilidade e, em função disto, foi agrupado dentro de três grupos de estirpes: grupo 1, que infecta somente cultivares suscetíveis; grupo II, que infecta o cultivar Ithaca, que carrega um gene de resistência; e grupo III, que provoca sintomas severos em todos os cultivares, incluindo aqueles que carregam o gene “mo/g”. Estirpes do grupo III ocorrem no Estado de São Paulo.

Controle - A combinação da transmissão por sementes e pelo afídeo-vetor de maneira não-persistente é altamente favorável para a ocorrência de severas epidemias do LMV em lavoura de alface. A eficácia do uso de sementes livres de vírus reduz as perdas, mas o desenvolvimento de cultivares resistentes e a aplicação de alguns métodos culturais, como eliminação de ervas daninhas hospedeiras do LMV, devem ser integrados para assegurar um melhor controle.
Tabela 4.1

Tabela 4.2

Uso de sementes livres de vírus: a quantidade inicial do nível de contaminação de sementes determina a perda final da produção de alface. Nos campos com população de afídeos ativos, perdas totais de alface podem ocorrer quando a porcentagem de transmissão pela semente for de 0,5%. O nível de tolerância adotado nos E.U.A. é zero, mas na Europa e alguns outros países, o nível de tolerância é de 0,1%. Para a obtenção de sementes livres de vírus, numerosas tentativas têm sido realizadas para inativar o vírus em sementes infectadas, mas a maioria não tem valor prático. Um método de tratamento consiste em manter as sementes embebidas em polietileno glicol, a 400C, por 6 a 10 dias. No Brasil, a eficiência de controle decorrente da adoção de sementes livres de vírus é baixa, pois durante praticamente todo o ano há condições favoráveis para a proliferação de afídeos vetores e existem muitas fontes externas do vírus. Em regiões produtoras do Estado de São Paulo os cultivos são extensivos e próximos uns aos outros, realçando a importância da fonte de inóculo externa na ocorrência do LMV.

Resistência para o LMV: Os cultivares “Gallega de Inverno” e “PI-25 1245” (Lactuca serriola) apresentam tolerância (multiplicação do vírus com ausência de sintomas) ao mosaico causado por LMV, regida por genes recessivos. Os cultivares Brasil 201, Brasil 221, Brasil 303, Vivi, Regina, Áurea, Vanessa, Karina, Gloria, Elisa e Floresta têm “Gallega de Inverno” ou “PI-25 1245” como parentais.
VIRA-CABEÇA - Tospovirus

Um vírus do gênero Tospovírus, vem causando perdas significativas nos últimos anos na cultura da alface, principalmente para cultivos de verão. Nesta época, pode ser considerada uma das doenças mais importantes, apresentado, freqüentemente, incidência superior a 60 %.



Sintomas -Em alface, esse tospovirus causa manchas necróticas e bronzeamento em folhas, geralmente em um lado da planta. A infecção sistêmica é caracterizada por uma murcha marginal, amarelecimento e bronzeamento de folhas internas e da nervura (Prancha 4.1).

Etiologia - A doença é causada por um vírus do gênero Tospovirus, da família Bunyaviridae. Por não estar totalmente caracterizado, do ponto de vista molecular, não é possível afirmar que se trata do mesmo vírus que causa o vira-cabeça do tomateiro (“Tomato spotted wilt virus”-TSWV) descrito no capítulo “Doenças do Tomateiro”.

Controle - Na fase de pré-lavoura deve-se adotar as seguintes medidas: rotação da cultura com plantas não suscetíveis, plantio em locais em que não haja lavoura suscetível nas adjacências e controle de hospedeiros alternativos do vírus e do vetor. Durante a lavoura, deve-se utilizar mudas livres de vírus, aplicar regularmente inseticidas (viveiro e lavoura), separar os canteiros com espécies não suscetíveis, como brócolis e couve-flor e reduzir operações de cultivo, evitando movimento do tripes de fontes infectadas. Em pós-colheita recomenda-se: alqueive (3 a 4 semanas) da área em campos com alta incidência da doença e tratamento do solo (fumigação) para eliminar tripes associados a restos de cultura. O manejo não é totalmente efetivo se vírus e vetor ocorrerem em alta incidência em toda a área. Nestas condições o plantio deve ser evitado. É importante a cooperação entre os produtores vizinhos para o controle do tripes.

Resistência ao TSWV foi observada nos cultivares Tinto e PI 3425 17 (“Acora”) e esta resistência é de dominância parcial. Trabalhos de transferência de resistência e seleção de plantas próprias para nosso mercado vêm sendo realizados.


MANCHA BACTERIANA - Pseudomonas cichorii (Swingle) Stapp.

Esta doença não é limitante para o plantio da alface, mas, dependendo das condições climáticas e do inóculo no local de plantio, pode causar grandes perdas ao produtor. Assim como as demais doenças bacterianas, seu controle exige uma série de medidas conjuntas sob pena de não haver êxito, principalmente quando somente o controle químico for adotado. Essa bactéria pode afetar também crucíferas, cucurbitáceas, batata, tomateiro, pimentão, feijão vagem, ervilha, beterraba e cebola.



Sintomas - A bactéria causa manchas necróticas isoladas no centro ou bordos do limbo foliar, podendo também atingir extensas áreas da nervura central (Prancha 4.2). No início, as lesões apresentam encharcamento e coloração escura, passando, depois, à cor parda a preta, com a seca dos tecidos. Em condições de alta umidade, as lesões coalescem e causam destruição de extensas áreas do limbo foliar. Na região Sudeste do Brasil, nas épocas chuvosas, plantas próximas à colheita podem apresentar a nervura central das folhas totalmente necrosada. Em pouco tempo as folhas murcham e apodrecem. Esse apodrecimento é agravado pela ação de outras bactérias, principalmente de Erwinia. Sintomas semelhantes são constatados em chicória.

Etiologia - Pseudomonas cichorii (Swingle) Stapp é uma bactéria gram-negativa, bastonetiforme, que forma colônias lisas e de cor esbranquiçada. A penetração nos tecidos ocorre principalmente por ferimentos causados por insetos, pelo frio ou pela queima por adubos e por aberturas naturais. A disseminação na cultura ocorre por respingos de água de chuva e irrigação. Sementes e mudas contaminadas são responsáveis pela disseminação a longas distâncias.

Alta umidade e temperatura amena, em torno de 250C, são favoráveis à ocorrência dessa doença. A bactéria tem um grande número de hospedeiros, entre as cucurbitáceas, solanáceas, aliáceas e leguminosas, o que permite sua sobrevivência e dificulta a adoção de medidas de controle.



Controle - As medidas de controle devem ser adotadas de maneira integrada com utilização de sementes sadias; rotação de culturas com plantas não hospedeiras; eliminação de plantas doentes e restos de cultura e favorecimento de ventilação das plantas. Deve-se, ainda, evitar o encharcamento do solo, principalmente através da irrigação por aspersão. O controle químico é pouco eficiente e não existe nenhuma variedade ou híbrido comercial resistente.
SEPTORIOSE - Septoria lactucae Passerini

A septoriose é uma doença muito comum em regiões de clima ameno e em épocas chuvosas. Sua importância deve-se às lesões necróticas no limbo foliar que prejudicam o valor comercial do produto. Nos campos de produção de sementes, a doença causa seca das folhas, devido à coalescência de muitas manchas, resultando em danos na formação das sementes.



Sintomas - O fungo ataca principalmente as folhas (Prancha 4.3), mas pode afetar também a haste e os órgãos florais no campo de produção de sementes. Os sintomas nas folhas são manchas com contornos irregulares. O tecido afetado, inicialmente com aspecto desidratado, torna-se pardacento, com numerosos pontos de cor escura que são os corpos de frutificação do fungo. Esses corpos de frutificação são os picnídios, visíveis a olho nu. Quando em ambiente úmido, verifica-se, na parte superior dos picnídios, uma massa de esporos (cirros) que só é liberada na presença de um filme de água. Não havendo água, os conídios não germinam e dificilmente são disseminados pelo vento.

Etiologia - Septoria lactucae Passerini é um fungo da classe Deuteromiceto, ordem Sphaeropsidales e família Sphaeropsidaceae. O fungo produz conídios filiformes, multiseptados e hialinos no interior de picnídios. A penetração normalmente ocorre pela abertura estomatal e as condições favoráveis para o desenvolvimento da doença são alta umidade e temperatura na faixa de 10 a 280C, com o ótimo em torno de 240C. Não se conhece outros hospedeiros do fungo em nossas condições, embora existam outras plantas da mesma família afetadas por Septoria.

Controle - As principais medidas de controle recomendadas são: emprego de sementes sadias, rotação de culturas por três ou mais anos, pulverização das plantas em desenvolvimento com benomyl ou tiofanato metílico, após o aparecimento dos primeiros sintomas ou, preventivamente, com mancozeb ou chlorothalonil.
MÍLDIO - Bremia lactucae Regel

A doença é importante em condições ambientais de alta umidade e temperatura amena a baixa. Na região Sudeste do Brasil, esta doença ocorre nos meses mais frescos do ano quando há cerração e muito orvalho. O fungo é muito sensível ao calor e à baixa umidade do ar, uma vez que essas condições influem diretamente na esporulação, germinação e penetração do fungo nos tecidos do hospedeiro, via abertura estomatal. Na ausência de filme de água não há germinação dos esporângios, nem formação de zoósporos no interior dos mesmos.

Os sintomas em folhas manifestam-se como áreas cloróticas, de tamanho variável, que mais tarde tornam-se necróticos, de cor parda. Na face inferior das áreas afetadas, formam-se frutificações do fungo de aspecto branco, constituído de esporangióforos e esporângios.

O controle baseia-se em: plantio em solo bem drenado, evitando áreas de baixadas mal ventiladas e úmidas, nas proximidades de lagoas, represas ou junto aos rios; rotação da cultura com plantas de outras famílias; pulverizações das plantas doentes com fungicidas sistêmicos específicos, como metalaxyl e cymoxanil, ou, preventivamente, com mancozeb ou chlorothalonil; eliminação de restos de cultura e preparo do solo com boa antecedência.


QUEIMA DA SAIA - Rhizoctonia solani Kühn

A importância desta doença está diretamente relacionada ao potencial de inóculo no solo onde a alface é cultivada. Plantas bem desenvolvidas e próximas à colheita são as mais afetadas. Em geral, as plantas afetadas apresentam folhas basais e/ou medianas com sintomas de murcha e seca, podendo levar à morte. Quando se examina a parte interna das plantas com sintomas de murcha, constata-se, junto à nervura central e na base do limbo foliar, um crescimento de micélio vigoroso e frouxo, branco no início e pardacento num estágio mais avançado. Com o desenvolvimento da doença, pode-se encontrar numerosos escleródios, pequenos e frouxos, de cores branca a pardo-escura. As condições climáticas favoráveis à sua ocorrência são alta umidade junto às plantas e temperatura entre 150C e 250C.

As medidas de controle recomendadas são: rotação de culturas com gramíneas, com posterior incorporação das palhas ao solo para propiciar melhor drenagem e aumento da população de microrganismos competidores com os patógenos do solo; preparo do solo com antecedência ao plantio e, nos solos com alto potencial de inóculo, rega ou pulverização do solo com iprodione antes e/ou uma semana após o transplante.
PODRIDÃO DE ESCLEROTINIA OU MOFO BRANCO - Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) De Bary e S. minor Jagger

Fungos do gênero Sclerotinia atacam a alface em qualquer estádio de desenvolvimento das plantas, mas ocorrem, mais freqüentemente, em plantas próximas à época da colheita. As plantas afetadas apresentam sintomas parecidos com a queima da saia, mas a evolução da doença é mais rápida porque o fungo coloniza toda a região basal das plantas e provoca o apodrecimento do caule e da base das folhas (Prancha 4.4). Ao examinar a região do colo das plantas atacadas, constata-se necrose total do tecido e, na superfície de todos os tecidos próximos, um crescimento cotonoso de micélio branco e a presença de escleródios que são as estruturas de resistência do fungo. Os escleródios têm o formato de grão de arroz, embora maiores, brancos no início e pretos em estágio mais avançado.

Tanto S. sclerotiorum quanto S. minor provocam a doença, com sintomas semelhantes. Esta última espécie produz escleródios bem menores e com formato irregular que se assemelham a grãos de pólvora. No Estado de São Paulo, ambas as espécies são encontradas, porem no município de Mogi das Cruzes, SP, como nos E.U.A., há predominância de S. minor.

S. sclerotiorum é um fungo polífago, afetando muitas plantas cultivadas destacando-se soja, tomate, ervilha, feijão, batata, alface, chicória, repolho, couve-flor, cenoura e outras. As medidas de controle recomendadas são semelhantes às citadas para a queima da saia da alface.
MANCHA DE CERCOSPORA - Cercospora longissima (Cugini) Saccardo

A mancha de cercospora não chega a ser uma doença destrutiva, mas é comum em muitas regiões e em variedades de folha lisa. Os sintomas são freqüentes em folhas mais velhas e quando ocorre coalescência de muitas manchas pode prejudicar o desenvolvimento da planta e seu valor comercial. As manchas são circulares, pardacentas com centro mais claro. A ausência de corpos de frutificação do fungo diferencia-a da septoriose e, ao examinar com lentes de aumento de 20 x, constata-se, tanto na face inferior como na superior, grande quantidade de conídios esbranquiçados e longos, produzidos em conidióforos. Ao microscópio, os conídios são hialinos, multiseptados e filiformes. O fungo pertence a classe Deuteromiceto, ordem Moniliales e família Moniliaceae. As medidas de controle recomendadas para mancha de septoria controlam esta doença.
OUTRAS DOENÇAS

A bacteriose causada por Erwinia carotovora subsp. carotovora (Jones) Bergey et al. ocorre em condições de nutrição desequilibrada das plantas, principalmente com excesso de nitrogênio, que favorece o ferimento dos tecidos e a colonização pela bactéria. Essa bacteriose ocorre com freqüência em associação com outras doenças, causadas por bactérias ou fungos. Em condições de alta umidade e alta temperatura, a bactéria provoca rápida decomposição aquosa dos tecidos, devido à ação das enzimas pectinolíticas que agem na lamela média das células. Nas condições descritas acima, o controle desta bacteriose torna-se complexo e pouco eficiente. Maiores detalhes desta doença podem ser encontrados na descrição do “talo oco” do tomateiro.

A bacteriose ocasionada por Pseudomonas marginalis pv. marginalis (Brown) Stevens provoca sintomas muito semelhantes aos causados por P. cichorii, o que dificulta a diagnose. Ela afeta endívia, chicória, repolho, pepino, cebola, batata, feijão vagem e ervilha. Em geral, os sintomas da doença iniciam-se na margem da folha e avançam em direção à base, podendo afetar todo o limbo. O início da doença pode ocorrer numa folha intermediária e avançar às demais. O sistema vascular junto às lesões pode ser colonizado e descolorido. As condições favoráveis para a ocorrência desta bacteriose são semelhantes às descritas para P. cichorii, mas a temperatura ótima é levemente superior.

A doença decorrente da infecção de Xanthomonas campestris pv. vitians (Brown) Dowson causa lesões necróticas nas folhas e podridão do caule. Nas folhas, os sintomas iniciam com murcha a partir da sua margem, em forma de V com o vértice voltado para o centro do limbo. As manchas progridem em tamanho e o centro fica escuro com a margem murcha e esverdeada. As lesões, mesmo cm ambiente de alta umidade, não se tornam mole e quando secas ficam com aspecto de papel. Quando a colonização ocorre no caule, um corte transversal mostra área com coloração esverdeada que pode avançar e causar o seu apodrecimento, principalmente em plantas novas. Esta colonização no caule é acompanhada por uma murcha progressiva ou por um subdesenvolvimento da planta e avermelhamento da margem das folhas. O centro do caule torna-se oco. As condições climáticas favoráveis para sua ocorrência são semelhantes às citadas para P. cichorii.

Outras doenças fúngicas que podem ocorrer na cultura da alface são: mancha de alternaria - Alternaria sonchi, mofo cinzento - Botrytis cinerea Pers. & F., ferrugem -Puccinia spp, antracnose ou mancha em anéis - Marssonina panattoniana (Berlese) Magnus, podridão da base das folhas externas - Sclerotium rolfsii Sacc, oídio - Oidium sp, damping-off - Pythium spp e Rhizoctonia solani Kühn. O Pythium pode causar também uma colonização vascular das plantas de alface resultando em murcha e morte de plantas, principalmente na variedade de folha crespa Great Lakes, entre outras.

Os nematóides do gênero Meloidogyne podem afetar as plantas de alface, provocando a formação de galhas nas raízes. Em geral, não constitui um fator limitante para a cultura. Entretanto, em função do local, pode se constituir problema. As medidas gerais de controle são aquelas recomendadas para outras culturas, como por exemplo para o tomateiro.


BIBLIOGRAFIA
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DOENÇAS DA ALFAFA

(Medicago sativa L.)



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