Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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N. S. Massola Jr. & I. P. Bedendo.



MOFO CINZENTO - Botrytis ricini Godfrey

Constatada pela primeira vez no Brasil em 1932, atualmente é a doença mais importante da cultura. Sob condições climáticas favoráveis, promove rápida e completa destruição dos cachos, causando grandes prejuízos à produção.

Os problemas com o mofo cinzento agravaram-se à partir da intensificação do cultivo da mamoneira e da introdução de variedades mais produtivas, porém nem sempre mais resistentes.

Sintomas - O fungo ataca as inflorescências e os frutos da mamoneira em qualquer fase de desenvolvimento. Inicialmente, surgem manchas azuladas com exsudação amarela nas áreas afetadas. Se as condições ambientais forem favoráveis, o fungo continua a colonização, podendo cobrir grandes extensões dos cachos com uma massa micelial olivácea de aspecto mofoso. O fungo esporula abundantemente nessa massa de micélio. desprendendo uma verdadeira nuvem acinzentada de conídios quando os cachos afetados se agitam. Em conseqüência, ocorre completa deterioração das inflorescências e dos frutos e os cachos tornam-se frouxos e com as cápsulas pendentes. As sementes das cápsulas afetadas apresentam desde redução no teor de óleo até chochamento completo, dependendo do estágio em que ocorreu a infecção.

Infecções em folhas e hastes também podem ocorrer, entretanto são bem pouco freqüentes.



Etiologia - Botrytis ricini é um fungo imperfeito, cuja fase perfeita corresponde ao ascomiceto Botryotinia ricini, ainda não relatado no Brasil. Este fungo sobrevive de um cultivo para o outro em mamoneiras que crescem espontaneamente. A formação de escleródios, relatada somente em condições de laboratório, deve ocorrer no campo durante os meses mais frios.

A disseminação dos esporos é feita principalmente pelo vento, porém alguns insetos, atraídos pela grande exsudação de néctar nas flores, também desempenham importante papel na disseminação do fungo.

Temperaturas em torno de 250C e umidade elevada são as condições mais favoráveis à ocorrência de epidemias do mofo cinzento.

Controle - Informações sobre o nível de resistência das nossas variedades ainda são muito escassas. Sabe-se que algumas características da planta influenciam sua reação a B. ricini. Assim, por exemplo, as variedades anãs e com inflorescências compactas, apesar de permitirem colheita mecanizada, têm se mostrado mais suscetíveis à doença devido à formação de um microclima favorável no interior das copas. Por outro lado, as variedades que possuem as cápsulas sem acúleos são mais resistentes em condições de campo. Um recente estudo, nas condições do agreste de Pernambuco, revelou como promissoras as variedades MP AI T63/6, Canela de Juriti, Sipeal 28, Sipeal 04, CNPA SM1, Sangue de Boi, LC 5116 e Sipeal 09, enquanto que Poblacion Chajari, Baker 415-9 e Baker Hibrid 72 comportaram-se como as mais suscetíveis.

A redução do inóculo inicial, através da eliminação dos restos de cultura e das plantas que crescem espontaneamente, também é uma medida que auxilia muito no controle da doença. Além disso, o tratamento químico das sementes também contribui para a redução da população patogênica. Os produtos mais eficientes para este fim são benomyl e thiram, porém o tratamento clássico de sementes de mamoneira é sua imersão por 20 minutos numa solução de 1 litro de formaldeído 40% diluído em 240 litros de água.


OUTRAS DOENÇAS

Mancha Bacteriana das Folhas - Xanthomonas campestris pv. ricini (Elliot) Dowson -A mancha bacteriana ou bacteriose das folhas é uma doença que, apesar de relativamente comum, não apresenta, até o momento, importância nas nossas condições. Além do Brasil, ocorre em outros países como Rússia, Japão, Coréia e Uganda. Os sintomas aparecem nas folhas, na forma de manchas angulares e encharcadas, verde-escuras no início, passando a amarelas e finalmente a castanho-escuras. O tecido necrosado rompe-se com facilidade, deixando perfurações no limbo foliar. Lesões semelhantes podem aparecer nas nervuras, frutos e racemos florais. Infecções intensas podem provocar desfolha prematura das plantas. Contudo esta situação é rara. A bactéria X. campestris pv. ricini, também encontrada na literatura como Xanthomonas ricinicola, é favorecida por temperaturas altas e umidade elevada. A disseminação entre plantios é feita através de sementes contaminadas, enquanto que dentro do mesmo campo a água é o principal agente disseminador da bactéria. O controle pode ser feito com variedades resistentes, porém faltam informações a respeito da resistência das nossas variedades. As variedades americanas Halo e Lynn, de porte anão, são altamente resistentes à doença, sendo utilizadas como fontes de resistência em programas de melhoramento da mamoneira nos Estados Unidos. Uma prática recomendável é o uso do espaçamentos maiores no plantio, o que contribui para diminuir a umidade no interior da lavoura.

Murcha Bacteriana - Pseudomonas solanacearum (Smith) Dows. - E uma doença de pouca importância, ocorrendo mais freqüentemente na estação chuvosa. Causa, normalmente, morte ou mal desenvolvimento de plantas no campo. Os sintomas típicos aparecem em dias quentes, após períodos chuvosos. Iniciam-se com murcha das folhas mais velhas que, em poucos dias, evolui para toda a planta. A princípio, a planta recupera a turgescência à noite, posteriormente o quadro se torna irreversível e as folhas secam e caem. Às vezes ocorre subdesenvolvimento das plantas afetadas, que apresentam folhas em menor número e tamanho. O caule de plantas doentes, quando cortado transversalmente, exsuda um pus bacteriano facilmente visível quando imerso num recipiente com água. A bactéria Pseudomonas solanacearum é um bastonete gram-negativo e uniflagelado. Por ser um patógeno encontrado no solo, a disseminação entre plantas ocorre principalmente pelo movimento de água na superfície, mas também é possível através de tratos culturais, instrumentos agrícolas, etc. Não se sabe qual o papel das sementes na disseminação. A penetração ocorre pelas raízes, sendo favorecida por ferimentos. Uma vez no interior do hospedeiro, a bactéria coloniza os vasos do xilema, causando sua obstrução e provocando os sintomas de murcha na planta. A persistência da bactéria no solo é relativamente longa, entretanto um bom controle pode ser obtido com rotação por 2 a 4 anos com sorgo ou cana-de-açúcar.

Manchas Foliares - Alternaria ricini (Yoshii) Hansford, Cercospora ricinela (Sacc. & Bert) Speg. Manchas foliares causadas por fungos são muito comuns na cultura da mamona, porém não apresentam importância econômica devido aos pequenos prejuízos que causam. Tanto A. ricini quanto C. ricinela podem afetar o desenvolvimento das mudas novas, tornando-as subdesenvolvidas, inclusive podendo causar sua morte em casos de ataque severo. Nas folhas, os sintomas diferem um pouco quando causados por um ou por outro fungo. A. ricini produz manchas pardas irregulares na superfície das folhas, podendo ocorrer coalescência das lesões. Muitas vezes estas manchas apresentam um aspecto zonado concêntrico, no centro das quais aparecem as frutificações do fungo em condições de umidade elevada. Além de manchas foliares, este fungo pode causar lesões escuras e deprimidas nas cápsulas e necrose do pedicelo, prejudicando a formação das sementes. As manchas causadas por C. ricinela são relativamente menores, de tendência circular, com centro claro e bordos escuros. Este fungo também produz esporos no centro das lesões cm condições de umidade elevada. Normalmente, não se recomendam medidas de controle para as manchas foliares, contudo, sabe-se que a adoção de maiores espaçamentos e uma adubação adequada contribuem para reduzir sua severidade. O controle químico através de pulverizações da parte aérea, apesar de eficiente, não é viável economicamente. O uso de variedades resistentes seria o método ideal de controle, porém pouco se conhece à respeito do nível de resistência das nossas variedades.

Murcha de Fusarium - Fusarium oxysporum f.sp. ricini (Wr.) Snyd & Hans. A murcha de Fusarium é uma doença bastante comum, ocorrendo em praticamente todas as regiões onde se cultiva a mamona no Brasil. Em condições favoráveis, o fungo pode provocar a morte de plantas de variedades suscetíveis. As plantas doentes geralmente aparecem em reboleiras e apresentam-se com as folhas murchas, nas quais se observam áreas irregulares de coloração amarelada. Num estádio mais avançado, essas áreas escurecem e tornam-se necróticas. Freqüentemente, estes sintomas aparecem apenas em uma parte da planta, correspondente aos vasos obstruídos. Cortando-se longitudinalmente as raízes ou hastes afetadas, observa-se um escurecimento do sistema vascular devido à colonização pelo patógeno. O fungo é um típico patógeno veiculado pelo solo, que sobrevive na ausência do hospedeiro na forma de clamidósporos. Além disso, possui uma atividade saprofítica muito desenvolvida, sobrevivendo muito bem em restos de cultura. Desse modo, a prática de rotação de culturas contribui apenas para reduzir o inóculo inicial, mas a completa erradicação do patógeno do solo é praticamente impossível. Nas áreas contaminadas, o uso de variedades resistentes talvez seja q única alternativa viável de controle desta doença. O cultivar Campinas mostrou ter bom nível de resistência à murcha. Por outro lado, o cultivar IAC-80, bastante difundido pela sua produtividade, tem se comportado como suscetível.
BIBLIOGRAFIA
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DOENÇAS DA MANDIOCA

(Manihot esculenta Crantz)
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