Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas



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OUTRAS DOENÇAS


Viroses - Além das viroses descritas anteriormente, é importante mencionar que também já foram constatado no Brasil o “mosaico salpicado”, que induz sintomas na forma de áreas anelares ásperas em frutos de M. platicarpa; o “estriamento do lenho”, provavelmente causado pelo vírus denominado na literatura inglesa por “apple stem pitting virus” e a “epinastia da folha da macieira Ana” que pode estar relacionada com o “Apple scar skin viroid” - ASSVd.

Podridão Negra - Botryosphaeria obtusa (Schwein.) Shoemaker (sin. Physalospora obtusa (Schwein.) Cooke, anam. Sphaeropsis malorum Berk.). Botryosphaeria obtusa causa podridão preta em ramos e troncos de macieira e outras plantas frutíferas. Pode também causar podridões de frutos. Nas folhas, causa lesão denominada olho-de-rã. Sintomas nas folhas aparecem 1 a 3 semanas após a queda das pétalas. A infecção nas sépalas pode ocorrer antes da infecção da folha. Lesões no fruto caracterizam-se por apresentar uma série de círculos concêntricos, alternando as cores marrom-escura com marrom-clara. Picnídios são produzidos abundantemente em cancros de ramos mortos e frutos. Os conídios são marrons, não-septados, elipsóides e periformes, medindo de 12 a 25 μm. Peritécios são observados nos ramos mortos, produzindo ascósporos elipsóides de 11 a 15 x 23 a 34 μm. A quantidade e a duração da precipitação estão diretamente relacionadas com a disseminação dos conídios. Baixas temperaturas inibem a produção de esporos. A temperatura ótima para o desenvolvimento do micélio está entre 25 e 300C. O controle é feito pela remoção de ramos mortos, cancros de ramos e frutos contaminados. Nos locais onde o cancro foi extirpado, é feito o pincelamento com tinta plástica branca à base de PVA. Fungicidas do grupo dos benzimidazóis, captan e folpet são eficientes contra o patógeno.

Cancro de Phomopsis - Diaporthe perniciosa Marchal. (Phomopsis mali, Rob.). Phomopsis mali causa sintomas semelhantes a Botryosphaeria berengeria. Na primavera, observam-se pequenas manchas necróticas na casca, marrom-claras ou prateadas, causando seca no ramo. A ocorrência da doença é mais comum em plantas debilitadas. Diaporthe perniciosa é comum em ramos mortos. Os peritécios são embebidos no substrato, medem de 250 a 350 μm de diâmetro e produzem ascósporos hialinos, bicelulares, de 11,5 a 14 x 3,2 a 4,2 μm. Os conídios de Phomopsis mali são de dois tipos: esporos alfa, ovais de 6 a 8 x 2 a 3 μm e esporos beta, de 1,15 x 23 a 30 μm. O controle da doença é o mesmo de Botryosphaeria obtusa.

Mancha de Phyllosticta - Phyllosticta solitaria Eh. & Ev. Nas folhas, Phyllosticta solitaria causa lesões circulares, inicialmente pardacentas, depois esbranquiçadas. Sobre as lesões observam-se pequenos pontos pardos, que são picnídios do fungo. Ramos, frutos e pecíolos também podem ser infectados. A infecção ocorre geralmente da queda das pétalas até 4 semanas após. O período crítico está nas 2 a 4 semanas após a queda das pétalas. O principal sintoma é uma acentuada desfolha que pode ocorrer já no início do verão. Picnídios são globosos, pardos e sub-epidérmicos. Conídios são unicelulares, ovóides, hialinos, com 7 a 11 x 6 a 8,5 μm, envolvidos em uma substância gelatinosa. O fungo sobrevive em ramos infectados e gemas dormentes. Os conídios são disseminados pela chuva. A temperatura ótima para infecção é de 250C a 300C. Cultivares antigos como Yellow Transparent são muito suscetíveis enquanto que cultivares do grupo Delicious e Winesap são resistentes. O controle é feito pelo plantio de cultivares resistentes e um programa regular de tratamentos fitossanitários. Os fungicidas eficientes no controle da doença são captan e benzimidazóis.

Mancha de Marssonina - Diplocarpon mali Harada & Sawamura (Marssonina coronaria (Ell. & J.J. Davis) J.J. Davis, sin. Marssonina mali (Henn.) Ito). Marssonina coronaria causa manchas pequenas necróticas, circulares, tendo no centro uma pontuação preta, pequena e distinta, na forma de crosta, onde se formam frutificações do fungo. A folha apresenta-se como se estivesse enferrujada. Estas folhas secam e caem, concorrendo para o enfraquecimento e morte da planta. Os apotécios são carnosos, eruptivos, marrom-claros, medindo de 120 a 220 x 100 a 150 μm. Os ascos medem de 55 a 78 x 14 a 18 μm, com ascósporos hialinos de 22 a 33 x 5 a 6 μm, usualmente com 1 septo. O acérvulo tem de 100 a 200 μm de diâmetro, subcuticular, com ruptura irregular na cutícula. Os conídios são hialinos, bicelulares, elipsóides, medindo de 20 a 24 x 7 a 9 μm. A descarga de ascósporos ocorre durante 3 a 4 semanas, pouco antes da florada. A temperatura ótima para infecção é de 20 a 250C e o período latente é de 8 dias sob condições climáticas favoráveis. A desfolha inicia-se 2 semanas após o aparecimento dos sintomas.

Entomosporiose - Fabraea maculata Atk. (sin. Diplocarpon mespili (Sor.) Sutton, anamorfo Entomosporium mespili (DC.), Sacc.). A doença causa severa desfolha no verão. Manchas de entomosporiose podem ocorrerem folhas, frutos e ramos. A mancha no início é pequena, de coloração marrom-parda, e, após coalescer, forma grande lesão irregular. Apotécios são produzidos nas folhas infectadas no verão, com ascósporos clavados, hialinos, bicelulares. Na fase assexuada, um pequeno acérvulo preto forma-se no centro da lesão, onde, sob condições favoráveis, pode-se observar uma massa branca de conídios. Os conídios são compostos por quatro células e medem 18 a 20 x 12 a 14 μm. Ascósporos são disseminados, a partir de folhas velhas, durante chuvas. A infeção ocorre em 8 horas nas temperaturas de 200C a 250C. O período latente é de 7 dias. Folhas velhas do ano anterior são a principal fonte de inóculo primário. A remoção destas reduz o inóculo e facilita o controle. Vários fungicidas controlam a entomosporiose como captan, folpet, mancozeb, dithianon e thiram. O controle é feito na primavera e verão em 3 a 4 aplicações a cada 15 dias.

Mancha Necrótica Foliar - Distúrbio fisiológico. A mancha necrótica foliar é também conhecida como “necrotic leaf blotch” ou “NLB”. É um problema fisiológico de cultivares do grupo Golden Delicious. Folhas mais velhas apresentam amarelecimento e manchas necróticas de contorno irregular. Inicialmente, a lesão é de cor marrom-clara, tomando-se marrom-escura com o passar do tempo. A queda precoce das folhas é abundante. Plantas submetidas a estresse por fatores abióticos como temperaturas altas e precipitações associadas a deficiências nutricionais de elementos como o Zn, excesso de Mn e injúrias de várias origens, sofrem desequilíbrio hormonal. Observa-se um aumento na produção de etileno e outras enzimas que afetam a permeabilidade celular e uma redução de ácido indol acético. O controle é feito com fungicidas que, em sua estrutura molecular, tenham o íon zinco. Produtos químicos como o óxido de zinco, na dosagem de 0,2, são indicados logo após o aparecimento das primeiras manchas. Recomenda-se a aplicação a cada 15 dias, até que a temperatura média diária fique abaixo dos 180C.

Roseliniose - Rosellinia necatrix, Prill. (Demathophora necatrix, Harting). A ocorrência de Rosellinia necatrix é comum em pomares implantados em áreas recém­desmatadas. Raízes infectadas ficam cobertas por micélio branco frouxo, em forma de fios de algodão. O micélio mais tarde fica com coloração cinza-esverdeada ou preta, invade o córtex e o cerne da raiz. No lenho, observam-se pontuações de coloração preta. Alta umidade ao redor das raízes é responsável pelo abundante crescimento do fungo. Períodos chuvosos ou solo de má drenagem contribuem para o desenvolvimento da doença. A temperatura ótima para o crescimento do micélio está entre 150C e 200C. O controle pode ser feito com o revolvimento do solo à profundidade de 60 cm. Em pomares estabelecidos, a solarização pode auxiliar no controle de roseliniose, no início da infecção.

Podridão Corticenta - Xylaria mali Fromme. Podridão corticenta, também conhecida como podridão negra das raízes, pode ser observada em pereira e cerejeira. O sintoma é o declínio da planta, típico de injúria na raiz. Ocasiona uma podridão amarelada, abaixo do colo da planta, nas raízes mais grossas. Estas ficam corticentas, com micélio branco esparso e ranhuras pretas. Na primavera, observa-se no colo da planta estruturas características semelhantes a raízes novas, brancas no início e pretas na maturação. A doença mata a planta 3 a 4 anos após a infecção. Em locais de replantio, a planta pode morrer após 4 a 7 anos. A podridão por Xylaria mali causa a completa destruição das raízes. Os porta-enxertos mais freqüentemente infectados são MM-104 e MM-111. Locais sombreados com alta umidade junto ao colo da planta favorecem a ocorrência da doença. O fungo sobrevive em raízes infectadas por 10 anos ou mais. O controle é semelhante ao da roseliniose.

Fuligem - Gloeodes pomigena (Schwein.) Colby. E caracterizada por manchas irregulares de coloração cinza-escura. Picnídios de Gloeodes pomigena são marrom­escuros, espalhados ou agregados e medem 20 a 40 x 60 a 130 μm. Os conídios são hialinos, com um ou mais septos. O fungo sobrevive em ramos de macieira e hospedeiros silvestres. A disseminação é feita por clamidósporos ou conídios, durante chuvas na primavera e verão. O período de incubação no campo varia de 20 a 25 dias. Alta umidade relativa do ar, de 90 a 100%, e temperatura ao redor de 180C são condições ótimas para o desenvolvimento da doença. Recomenda-se uma boa abertura da planta com arqueamento correto e poda de ramos que causam sombreamento. Os fungicidas bitertanol, captan, dithianon, mancozeb, triforine, thiabendazóis, folpet e zineb são eficientes no controle da doença.

Sujeira de Mosca - Schizothyrium pomi (Mont. & Fr.) Arx (Zygophiala jamaicensis Mason). A sujeira de mosca é reconhecida pela formação de pontos negros sobre o fruto. O fungo adere superficialmente, podendo ser removido por fricção. O fungo sobrevive o inverno como pseudotécio em ramos e hospedeiros silvestres. A disseminação ocorre a partir de pouco antes da floração até 1 a 2 meses após. A germinação dos ascósporos dá-se a 200C. O período latente é de 3 semanas. O controle recomendado é o mesmo da fuligem.

Podridão Carpelar - Alternaria sp. e Fusarium sp. A podridão carpelar é observada antes colheita e em pós-colheita. A capacidade de conservação dos frutos é reduzida e a comercialização prejudicada, pois os frutos, quando cortados, apresentam podridão de tecidos nas lojas carpelares. Nesta região, pode ser observado micélio do fungo ocupando todos os espaços vazios. Num estádio mais avançado, os fungos colonizam o mesocarpo, causando podridão de dentro para fora. Alternaria spp. é o fungo mais comumente isolado na podridão carpelar. Entretanto, com freqüência, observa-se a presença de Fusarium sp. Estes fungos sobrevivem saprofiticamente nos substratos mais variados. O fungo coloniza partes de flores durante a florada e é nesta época que ele é isolado com maior freqüência. Depois inicia a colonização do canal de comunicação do cálice do fruto com as lojas carpelares. Então, o fungo aloja-se nas sementes. Aparentemente, a abertura do canal está relacionada com o cultivar e com a polinização. Cultivares do grupo Golden Delicious são menos afetados, como é o caso de Gala. Os cultivares Royal Red Delicious, Starkrimson, Red Spur, e Fuji são mais suscetíveis. Boa polinização desfavorece a ocorrência da doença. Uma amostragem na pré-colheita para verificar a incidência da doença pode indicar se o fruto deve ou não ser armazenado.

Bolor Azul - Penicillium expansum Link. Penicillium expansum causa podridão mole nos frutos com formação de bolor azul na superfície dos mesmos. Cada fruto contaminado pode infectar de 12 a 15 frutos sadios. Lesões provocadas por tratamentos fitotóxicos são a porta de entrada para o fungo. Quando a umidade é alta, a podridão desenvolve-se rapidamente, com produção de grande número de conídios na superfície da lesão. Os conídios são extremamente resistentes à seca e podem sobreviver na superfície de caixas de colheita e outros equipamentos. O patógeno pode penetrar por ferimentos e lenticelas. Para o controle do fungo, recomenda-se a desinfecção de caixas de colheita com hipoclorito de sódio na dose de 100 ppm de cloro ativo ou chlorhexidina a 20%. Deve-se também desinfetar as câmaras frigoríficas com pastilhas de thiabendazol, na dosagem de 1 a 2 tabletes por 100 m3. Tratamento pós-colheita deve ser realizado com fungicidas benzimidazóis, iprodione e imazalil. A água utilizada no tratamento pós-colheita deve estar isenta de partículas de argila e matéria orgânica. A calda deve ser trocada a cada 24 horas de uso.

Podridão Negra - Alternaria alternata (Fr.) Keissler (sin. Alternaria tenuis Nees). Alternaria alternata penetra principalmente por ferimentos e lenticelas. Na câmara fria, desenvolve-se muito lentamente. Entretanto, sob 10 a 200C toma rapidamente 50% do fruto. A contaminação do fruto ocorre no campo. Alternaria alternata forma lesões pretas, circulares e levemente deprimidas. Na polpa causa podridão seca e esponjosa. O fungicida indicado para o controle da doença é o iprodione. Atmosfera controlada pode retardar o crescimento de A. alternata.
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DOENÇAS DO MAMOEIRO

(Carica papaya L.)



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