Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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N. A. Wulff & S. F. Pascholati

O gergelim (S. indicam, sin. S. orientale L.) pertence à família Pedaliaceae. E uma planta anual, herbácea, com 1 a 1,5 m de altura, atingindo a maturação dentro de 70 a 140 dias. De suas sementes extrai-se um óleo muito apreciado na culinária. O conteúdo de óleo nas sementes varia de 46 a 52%. É uma cultura sem muita tradição no Brasil, sendo a Índia o maior produtor mundial, seguida da China. E cultivado em países localizados em zonas tropicais.


CRESTAMENTO FOLIAR BACTERIANO - Pseudomonas syringae Van Hall pv. sesami (Malkoff) Young, Dye & Wilkie (P sesami Malkoff)

Cerca de 60% da produção das cápsulas pode ser perdida devido à ocorrência deste patógeno.



Sintomas - A doença pode ter início na sementeira com sintomas visíveis em toda a parte aérea. Os sintomas aparecem como manchas angulares, de até 1 cm de diâmetro, aquosas e marrom-brilhantes, com margem purpura-escuro. Estas manchas podem coalescer, cobrindo grandes áreas ou até a folha inteira. As folhas também podem exibir queima marginal, secar e cair. No caule, as lesões iniciam-se no ponto de inserção do pecíolo, como lesões marrom-escuras, as quais espalham-se rapidamente. Diversas infecções no caule resultam na morte da planta. Folhas (principalmente na face inferior) e caules infectados apresentam exsudação bacteriana. Com o desenvolvimento da doença, segue-se uma seca progressiva e total da planta. Lesões nas cápsulas são levemente aquosas, lustrosas e de cor púrpura. As cápsulas podem ficar pretas quando infectadas prematuramente, não formando sementes. Em cápsulas maduras, somente manchas pequenas aparecem.

Etiologia - O patógeno Pseudomonas syringae pv. sesami é uma bactéria gram­-negativa, que não forma cápsula, medindo 0,6-0,8 x 1,2-3,8 μm, móvel por 2 a 5 flagelos polares. As colônias in vitro mostra-se branco-opalescentes, circulares, lisas, chatas e estriadas. Um pigmento verde-fluorescente é formado em culturas sobre meio de King B. Foram identificadas as raças 1 e 2 do patógeno, existindo variedades de gergelim resistentes a ambas as raças ou a somente uma delas. A bactéria não consegue sobreviver durante muito tempo nos restos vegetais ou no solo, porém, as sementes podem prolongar a viabilidade do inóculo para 11 meses.

A bactéria penetra no hospedeiro através de ferimentos e estômatos, podendo avançar sistemicamente pelos vasos do xilema e também infectar sistemicamente as sementes. A doença é mais severa durante o verão, sendo favorecida pela alta temperatura do solo, chuvas intensas ou quando a umidade alta persiste por longos períodos.



Controle - Uso de variedades resistentes. O tratamento de sementes com antibióticos e o tratamento em água quente a 520C por 10 mm controlam efetivamente a infecção a partir das sementes. Entre as medidas gerais de controle estão a correção da acidez do solo, rotação de cultura, controle biológico, uso de material sadio e desinfecção de implementos contaminados.
QUEIMA BACTERIANA - Xanthomonas campestris (Pamel) Dowson pv. sesami (Sabet & Dowson) Dye

É uma doença muito destrutiva, podendo causar perdas completas da produção.



Sintomas - Plantas de qualquer idade podem ser atacadas por este patógeno. Pequenas lesões aquosas, marrom-brilhantes, desenvolve-se na margem das folhas cotiledonares, após 10-12 dias da semeadura. As lesões podem espalhar-se, cobrindo rapidamente os cotilédones que então secam. Manchas aquosas, marrom-escuras também podem aparecer nas folhas verdadeiras. Folhas mais jovens são mais suscetíveis. Estas manchas aquosas torna-se verde-oliváceas, aumentam de tamanho (2 a 3 mm), e exibem cor vermelho-escura a preta. As manchas, freqüentemente angulares, podem coalescer formando manchas maiores. As folhas afetadas secam e tomam-se quebradiças. Em infecções severas, as lesões estendem-se pelos pecíolos até o caule, acarretando um escurecimento marrom, invasão sistêmica e morte da planta. As cápsulas podem ou não ser afetadas.

As diferenças entre os sintomas ocasionados por Xanthomonas campestris sesami e Pseudomonas campestris sesami em gergelim, podem ser sumarizadas do seguinte modo: as manchas causadas por Xanthomonas são aquosas, não definidas, freqüentemente envolvendo a nervura das folhas e de cor geralmente escura, sendo a doença favorecida por alta umidade. Por sua vez, as manchas causadas por Pseudomonas são mais definidas e mais claras (castanhas). Além das folhas, as lesões desenvolvem-se no caule e nas cápsulas, podendo apodrecer a medula e ramos laterais. Pseudomonas mostra-se menos exigente que Xanthomonas quanto à umidade.



Etiologia - Xanthomonas campestris pv. sesami é uma bactéria gram-negativa, baciliforme, móvel por flagelo polar único, produtora de cápsula e que mede de 0,4-0,6 x 0,8-1,6 μm. As colônias são lisas, levemente viscosas e brilhantes. A bactéria persiste no solo por um período de 4 a 6 meses.

Alta temperatura e umidade favorecem a doença. A infecção de plântulas de gergelim é mais severa em solos com temperatura de 200C. A infecção não ocorre quando a temperatura do solo é de 400C. A doença também torna-se severa quando a umidade do solo é de 30 - 40% e a umidade relativa é de 75 a 87%.



Controle - O uso de variedades resistentes é recomendado. O tratamento de sementes com antibióticos, água quente (mesmos parâmetros usados para crestamento foliar bacteriano) e oxicloreto de cobre tem reduzido a severidade da doença, resultando em aumento de produção. Tratamento de sementes com Bacterinol, Plantomycin, Streptocycline, dissulfeto de tetrametiltiuram ou NaOCl pode contribuir para o controle da doença.
PODRIDÃO NEGRA DO CAULE - Macrophomina phaseolina (Tas si) Goid (M. phaseoli)

Esta é provavelmente uma das doenças fúngicas de maior ocorrência no gergelim. A infecção das sementes e mortalidade das plântulas acarretam perdas na produção, restringindo a área disponível ao plantio. A perda pode ser total e, caso ocorra infecção simultânea com queima por Phytophthora ou murcha de Fusarium, as perdas na produção são muito altas.



Sintomas - As plantas podem ser atacadas imediatamente após a semeadura. As plântulas podem ficar marrons e podres, resultando em sua morte. Caso sobrevivam, as plantas mais velhas são afetadas na base do caule, causando queda das folhas superiores. Tais plantas crescem pouco, ficando atrofiadas. As raízes e o caule podem apodrecer, e as partes superiores podem ficar escurecidas. Lesões marrom-claras, nos caules e ramos, conferem sintomas de queima e de murcha. O fungo pode formar picnídios e escleródios como pequenos pontos negros nestas manchas escurecidas. As cápsulas também são afetadas, abrindo prematuramente e expondo sementes murchas e escurecidas.

Etiologia - Macrophomina phaseolina é o agente causal da podridão negra. Existem duas linhagens distintas: formadoras de picnídios e formadoras de escleródios, sendo a primeira tida como a mais patogênica. O fungo pode sobreviver no solo, bem como nas sementes de gergelim, onde podem ser encontrados escleródios (microescleródios) e micélio estromático. O crescimento e a formação de escleródios do fungo diminuem abaixo de 15 e acima de 400C. Por sua vez, a disseminação do patógeno pode ocorrer via sementes.

Controle - Variedades de gergelim com sementes vermelhas mostram menor suscetibilidade à doença, com conseqüente aumento na produção. O uso de variedades resistentes parece ser a alternativa mais recomendável.

Nitrofen aplicado em pré-semeadura proporciona maiores percentagens de germinação e menor taxa de mortalidade das plântulas. Nitrofen aplicado em pré­semeadura ou fluchloralin aplicado em pré-emergência conferem baixa incidência da doença (10 e 12%, respectivamente). Benomyl aplicado ao solo proporciona bons resultados, enquanto que thiram, carbendazim e propineb controlam o patógeno nas sementes, sendo recomendados no tratamento destas. Para a produção de sementes, os defensivos que promovem melhores rendimentos são o alachlor, seguido de propineb, captan, thiram ou carbendazin. Como forma alternativa de controle, a aplicação de uréia e esterco de fazenda pode reduzir a incidência da doença e aumentar a produção de sementes.


MANCHA DA FOLHA E DO CAULE - Alternaria sesami (Kawamura) Mohanty e Bebera (syn. A. sesamicola Kawamura e Macrosporium sesami Kawamura).

Ocorre nas regiões tropicais e subtropicais, sendo a severidade da doença dependente do estádio de crescimento da planta e das condições ambientais.



Sintomas - Os sintomas tornam-se aparentes três dias após a germinação das sementes e a máxima severidade ocorre em torno de trinta e cinco dias após a semeadura. Ocasionalmente, plântulas e plantas jovens podem morrer exibindo “damping-off” de pré- e pós-emergência. As plântulas podem apresentar estrias longitudinais, de cor castanho-claro, podendo murchar e secar.

As manchas surgem como pequenos pontos marrons e irregulares na lâmina foliar, medindo entre 2 e 20 mm de diâmetro. Na parte superior da folha, as manchas ficam progressivamente maiores, mais escuras, elípticas e com zonas concêntricas. As manchas são marrom-claras na parte inferior das folhas. Tais manchas são superficiais, podendo coalescer e formar grandes áreas necróticas, que secam. Lesões aquosas, marrom-escuras e dispersas podem ser observadas no caule, ou podem ainda surgir manchas alargadas e estriadas.

Em ataques severos, as plantas podem morrer dentro de um curto período de tempo, a partir do aparecimento dos sintomas. Ataques pouco severos podem ocasionar a desfolha. As cápsulas afetadas mostram-se de coloração castanho-palha, secando prematuramente. Folhas, flores e frutos são afetados, conseqüentemente reduzindo a produção de sementes.

Etiologia - Alternaria sesami é restrita ao gergelim. Este fungo sobrevive em sementes, podendo colonizá-las internamente, sendo encontrado também em cápsulas infectadas. Chuvas excessivas favorecem o desenvolvimento da doença.

Controle - Uso de variedades resistentes. Pulverizações com calda bordalesa e zineb são efetivas no controle da doença. Deve-se observar o tratamento das sementes, visto que este pode ser um meio de disseminação do patógeno.
MURCHA - Fusarium oxysporum (Schelt) f. sp .sesami Jacz

Sintomas - As plantas podem ser infectadas cm qualquer estádio de desenvolvimento da cultura. O amarelecimento das folhas é o primeiro sintoma observável no campo, posteriormente ocorrendo a murcha e a seca das mesmas. Algumas vezes essas folhas têm os bordos enrolados para dentro. Quando plantas maduras são infectadas, somente um lado da planta pode desenvolver sintomas. Um escurecimento na forma de estrias aparece nos tecidos vasculares das plantas infectadas. O escurecimento do sistema vascular é também visível nas raízes.

Crescimento micelial abundante ocorre em caules e cápsulas severamente infectados, podendo ser observados esporodóquios cor rosa.

Plantas no estádio de crescimento vegetativo são menos suscetíveis à infecção do que plantas no estádio reprodutivo. A umidade do ar durante o crescimento pode afetar a incidência da murcha. A exposição a baixas temperaturas, entre l6-200C, predispõe a planta à doença. Além disso, altas temperaturas do solo, numa profundidade de 5 a 10 cm e capacidade de campo de 17 a 27% durante os períodos secos, são favoráveis para o desenvolvimento da doença.

A murcha por Fusarium pode ocorrer juntamente com o ataque de nematóides e Macrophomina phaseolina.



Etiologia - Fusarium oxysporum f. sp. sesami produz numerosos microconídios, e macroconídios nos esporodóquios, além de clamidósporos. A melhor temperatura do solo para crescimento e esporulação do fungo é de 300C. O patógeno é encontrado no solo, onde permanece viável por anos, e nas sementes (interna e externamente). O fungo penetra através dos pêlos radiculares.

Controle - Plantas com maturação tardia e tipo ramificado são menos afetadas pela doença do que os cultivares com maturação prematura e não ramificados. Variedades deiscentes são mais suscetíveis à doença.

O tratamento de sementes com captan, benomyl ou thiram e subseqüente tratamento das plantas 40 e 60 dias após semeadura com mancozeb, benomyl ou carbendazin mais inseticida reduz tanto a incidência de murcha como de míldio e de filoidia. O plantio do gergelim após o cultivo de cebola ou trigo reduz a incidência de murcha.


MANCHA BRANCA FOLIAR OU CERCOSPORIOSE - Mycosphaerella sesami Sivanesan (Cercospora sesami Zimermann)

Doença muito severa em condições de chuva durante o cultivo pode ocasionar sérios prejuízos, reduzindo a produção entre 5 e 20 %. É provavelmente, a doença de maior ocorrência no Brasil.



Sintomas - Pequenas manchas circulares aparecem dispersas em ambas as superfícies foliares. Iniciam como diminutas manchas que aumentam de tamanho, alcançando 5 mm de diâmetro, exibindo centro cinza-claro envolto por uma margem púrpura ou negra. As manchas podem ser encontradas em folhas, pecíolos, ramos e cápsulas. Podem aumentar de tamanho rapidamente e coalescer, formando manchas irregulares, freqüentemente com 4 cm de diâmetro, sendo zonadas concentricamente. No centro das manchas, pode-se observar a esporulação do fungo, sendo os conídios mais abundantes na face superior das folhas.

Nas cápsulas, as lesões são mais ou menos circulares, com centro cinza-claro e bordo marrom-brilhante, um pouco sobressalente. O tamanho das mesmas varia de 0,5 a 4,0 mm (2,1 mm em média). Nos talos, ramos e pecíolos, as manchas são largas, elípticas, podendo formar cancros com áreas necrosadas e deprimidas. Normalmente, a doença não é observada no estádio inicial da cultura (0-15 dias após a semeadura). Em condições de umidade elevada, a doença torna-se severa, ocasionando desfolha prematura.

Freqüentemente, o fungo pode ser encontrado nas sementes tanto externa como internamente. Quando as sementes germinam, os cotilédones apresentam pequenas manchas negras. Em casos severos, os cotilédones podem secar, causando a morte da plântula.

Etiologia - Cercospora sesami pode sobreviver em sementes infectadas e também em resíduos vegetais no solo. Embora o fungo seja transmitido por sementes, o armazenamento destas reduz a viabilidade do mesmo.

Controle - Entre as medidas de controle, destacam-se o emprego de sementes sadias e a queima dos resíduos vegetais. O uso de variedades resistentes é recomendado, sendo os cultivares Morada não deiscente, Morada, Seridó 1 SM2e CNPA G2, os que apresentam maior resistência à doença. O tratamento das sementes com água quente na temperatura de 530C por 30 mm pode propiciar um controle adequado. Fungicidas sistêmicos como carbendazim (Derosal), triadimefon e thiophanato metílico (Cercobin) mostram-se efetivos no controle do inóculo presente nas sementes. Pulverizações preventivas devem ser feitas com fungicidas a base de sulfato de cobre quando as plantas atingirem a altura de 25-30 cm.
QUEIMA DE CORYNESPORA - Corynespora cassiicola (Berk & Curt) Wei

Sintomas - Manchas escuras e irregulares surgem nas folhas e caule. Na folha, aumentam de tamanho, adquirindo cor marrom com centro claro, coalescendo e conferindo a esta uma configuração manchada. No caule, manchas marrons são formadas, as quais desenvolvem lesões alongadas, irregulares e dispersas. Estas lesões atingem de 10 a 15 cm de diâmetro. Cancros de vários tamanhos podem aparecer no caule, com o centro enrugado e de cor palha.

Etiologia - Corynespora cassiicola é o agente etiológico desta doença. O fungo sobrevive em restos vegetais por até 10 meses ou em plantas infectadas, podendo infectar além do gergelim, o tomateiro, a soja e o feijão-de-corda.

Controle - Manter a cultura limpa e eliminar restos culturais são medidas que visam diminuir o inóculo inicial.
QUEIMA DE PHYTOPHTHORA - Phytophthora parasitica (Dastur) var. sesami Prasad ( = P. nicotiane B. de Hann var. parasitica (Dastur) Waterh)

Esta doença geralmente mata as plantas, sendo o prejuízo proporcional à incidência da mesma. A mortalidade de plantas pode ser da ordem de 72 a 79 %.



Sintomas - A doença pode atingir plantas de qualquer idade após estas atingirem 10 dias. Os sintomas aparecem nas partes aéreas das plantas afetadas, surgindo manchas marrom-aquosas nas folhas e no caule. As lesões tornam-se progressivamente marrom-escuras e com a dispersão da doença ficam pretas. As cápsulas também são afetadas. Em condições de extrema umidade, pode ser observado um crescimento branco­cotonoso na superfície das cápsulas. As cápsulas dos ramos afetados são de má qualidade. As sementes infectadas perdem sua viabilidade, ficando enrugadas no caso de ataques severos.

Etiologia - Phytophthora parasitica var. sesami é patogênico somente ao gergelim. O fungo pode sobreviver no solo durante o inverno e o verão, caso a temperatura não seja inferior a 50C nem superior a 500C. A permanência do mesmo no solo pode se dar na forma de micélio dormente ou de clamidósporos. Sementes também disseminam o patógeno.

Chuvas fortes ou umidade alta (acima de 90%), por um período acima de duas semanas, favorece o desenvolvimento da doença. A doença tem o desenvolvimento favorecido em solos com temperatura em torno de 280C.



Controle - O uso de variedades resistentes e o tratamento de sementes com thiram são as medidas específicas recomendadas para esta doença.
MANCHA MARROM ANGULAR OU MANCHA ANGULAR – Mycosphaerella sesamicola Sivanesan (Cercoseptoria sesami Hansf. syn Cylindrosporium sesami Hansf. = Cercospora sesamicola Mohanty)

Sintomas - As folhas apresentam manchas marrom-aquosas na face superior e oliváceas na face inferior, delimitadas por nervuras e de contorno angular. Podem exibir um diâmetro de 2-20 mm e aumentar de tamanho rapidamente, coalescendo e dando origem a extensas áreas necróticas. A parte superior das manchas apresenta, freqüentemente, acérvulos subepidérmicos escuros, embora o fungo possa esporular em ambas as superfícies das folhas. Escleródios são produzidos em ambas as faces das folhas, sendo mais abundantes na face inferior.

Esta doença atinge preferencialmente folhas mais velhas, deixando a planta sem folhas em sua metade inferior. O caule e as cápsulas são raramente afetados. No caso de infecções severas ocorre a desfolha. A doença mostra-se mais severa em épocas chuvosas.



Etiologia - Mycosphaerella sesamicola é a forma perfeita de Cercoseptoria sesami. Este produz acérvulos escuros subepidérmicos nas manchas foliares, com 20 a 50 μm de diâmetro. O fungo pode ser disseminado pelas sementes e pelo vento. Sua perpetuação é garantida através dos escleródios viáveis nos restos de cultura. Tanto os conídios como os escleródios são resistentes ao calor e ao dessecamento.

Controle - O uso de variedades resistentes como Glauca e CNPA G3 e o tratamento químico das sementes são recomendados.
OUTRAS DOENÇAS

Flor Verde (Filoidia) - Fitoplasma - Doença ainda não relatada no Brasil, causando perdas na produção, germinação e conteúdo de óleo nas sementes, de até 94, 38 e 26 %, respectivamente. Plantas afetadas permanecem parcial ou completamente estéreis. O sintoma mais característico da doença é a transformação das partes florais em estruturas verdes semelhantes às flores. Plantas infectadas no início do crescimento são atrofiadas, exibindo dois terços do tamanho normal. A inflorescência é substituída por um crescimento constituído por folhas enrugadas, dispostas proximamente ao caule com entrenós muito curtos, resultando em denso crescimento da parte superior. A folha fica com menos da metade do tamanho normal e mais clara (brilhante). As flores ficam pequenas, rudimentares e em pequeno número, presas ao caule principal. Estas flores são parcialmente estéreis e produzem cápsulas muito pequenas com sementes degeneradas. Quando a infecção ocorre em estádios mais avançados, as plantas doentes mostram-se um pouco maiores e com mais ramos. A parte superior exibe crescimento exagerado, formando uma vassoura-de-bruxa, consistindo de folhas atrofiadas e claras. Os entrenós novos são muito curtos e, no mínimo, uma nova gema axilar ramificada é produzida. As novas folhas são mais curtas e afiladas. Estas folhas atrofiadas são verde-escuras na parte inferior dos ramos afetados e verde-claras nas folhas jovens do ápice. Cápsulas normais são produzidas nas partes inferiores das plantas infectadas, e flores “filóides” estão presentes na parte superior dos ramos principais e nos novos brotos que são produzidos a partir das porções inferiores. As flores infectadas apresentam pecíolos longos e uma ou duas sépalas espessas e suculentas, diferindo das demais. As nervuras dos verticilos florais tornam-se grossas e conspícuas. As flores geralmente caem antes de formarem a cápsula ou caem tardiamente, deixando o ramo completamente nu. Em flores normais existem somente quatro estames, mas as flores filóides sustentam cinco estames. Destas flores filóides podem originar-se novas folhas e flores filóides. O pecíolo das flores filóides é geralmente alongado. O agente etiológico é um fitoplasma encontrado nos elementos de vaso crivado (floema) das plantas doentes, podendo ser observado mediante microscopia eletrônica de transmissão. No Oriente, o fitoplasma é transmitido pelo inseto vetor Orosius albicinctus Distant (O. orientalis). O melhor controle é obtido com ouso de variedades resistentes. O tratamento das sementes com fungicidas e inseticidas pode reduzir a incidência da doença, bem como da murcha e do míldio. Destacam-se os inseticidas carbaryl e parathion-methyl no controle do vetor.

Mosaico - Áreas cloróticas conspícuas e irregulares surgem na lâmina foliar. A porção basal da folha pode permanecer verde enquanto a porção apical e margens das folhas tornam-se amarelas. As áreas entre as nervuras mostram-se geralmente amarelas, enquanto que as folhas jovens podem tornar-se completamente amareladas. Com o progresso da doença, as folhas superiores ficam menores e as plantas podem ter o crescimento paralisado. O agente etiológico desta doença é uma espécie não totalmente caracterizada do gênero Potyvirus.

Míldio e Oídio - Sphaerotheca fuliginea (Schlecht) Pollacci e Oidium erysiphoides Fr., respectivamente - Sintomas incluem necrose foliar, queda prematura das folhas, atrofia do crescimento, clorose das folhas e escurecimento do botões florais. No caso do oídio, causado por Oidium erysiphoides, os sintomas aparecem na face superior das folhas como eflorescência ou bolor pulverulento, que terminam por cobrir toda a superfície foliar. As folhas severamente atacadas caem e os pecíolos também podem ser afetados. Esta doença geralmente atinge plantas com 45 a 60 dias de cultivo. Para o míldio, os sintomas aparecem como eflorescência esbranquiçada na superfície inferior das folhas. As manchas podem coalescer formando extensas áreas escuras e necróticas. O controle de ambas as doenças pode ser feito pelo uso de variedades resistentes. O controle químico do oídio pode ser feito com triadimefon no começo da floração e frutificação, sendo recomendado também o polvilhamento ou pulverização com fungicida a base de enxofre.

Podridão Aérea do Caule - Helminthosporium sesami Miyake - Lesões foliares variam de pequenas manchas marrons de 1 mm de diâmetro a grandes lesões de 2 a 20 mm. Lesões caulinares variam de manchas de 1 mm de diâmetro, até manchas marrom-escuras de 10 a 40 mm de tamanho. As lesões no caule freqüentemente enfraquecem a planta, enquanto que as lesões foliares causam desfolha prematura. Manchas marrom-escuras também são formadas nas cápsulas, resultando na perda de sementes. A alta umidade favorece a doença e plantas jovens (com 21 dias em média) mostram-se mais suscetíveis que as mais velhas.

Damping-Off” e Podridão de Raízes - O “damping-off” é causado principalmente por Rhizoctonia solani, embora E oxysporum f. sp sesami, Macrophomina phaseolina e Verticillium albo-atrum também possam ser agentes etiológicos dessa doença. O controle químico pode ser conseguido com o uso de benomyl sozinho ou em combinação com chlorothalonil ou dicloran em tratamento de solo. Em gergelim, também ocorre a podridão de raízes causada por Sclerotium (Corticium) rolfsii.



Nematóides - Existem vários relatos de plantas de gergelim infectadas com Meloidogyne incognita, M. javanica, M. marioni, Hoplobainus columbus e Rotylenchus sp.

Patógenos em Sementes - Os seguintes fungos podem ser encontrados em sementes de gergelim: Macrophomina phaseolina (M. phaseoli), Alternaria sesami, Fusarium oxysporum f. sp. sesami e Phytophthora parasitica var. nicotianae. Os fungicidas carbendazim, captan, benomyl, thiram e thiabendazole podem ser utilizados no tratamento das sementes para o controle desses patógenos, favorecendo também a germinação das mesmas.
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DOENÇAS DO GIRASSOL

(Helianthus annuus L.)

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