Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




старонка42/70
Дата канвертавання25.04.2016
Памер3.82 Mb.
1   ...   38   39   40   41   42   43   44   45   ...   70

P. C. Ceresini & N. R. X. Nazareno

O gengibre é cultivado principalmente na Índia, no Extremo Oriente, na Austrália, em parte da África Ocidental e em alguns países da América Central e do Sul, entre os quais o Brasil. A cultura é de pequena importância econômica no Brasil, pois o principal objetivo da produção é atender ao mercado externo. Nos estados de São Paulo e Paraná, a maior produção concentra-se em municípios da região litorânea. A cultura vem sendo explorada comercialmente desde a década de 1970. No Paraná, são cultivados 82 ha, com produção estimada de 2000 t/ano. Cerca de 70% da produção da primeira metade da década de 90 foram destinados ao mercado externo.

No Brasil, a cultura não tem recebido destaque semelhante àquele que recebe em vários países da Ásia e da África, quanto a pesquisas na área de Fitopatologia. Até 1988, pouco se conhecia a respeito dos problemas fitossanitários da cultura no Brasil. Não havia informações sobre quais doenças ocorriam em condições epidêmicas, ocasionando perdas à produção e demandando medidas de controle particulares. Só a partir de 1989, com a constatação da ocorrência de uma mancha foliar muito destrutiva em plantas de gengibre no Paraná, é que se passou a dar algum destaque às pesquisas sobre doenças dessa cultura. Outras doenças, embora haja relatos de sua ocorrência, não têm apresentado a mesma importância que a mancha foliar de Phyllosticta quanto à incidência e à severidade com que ocorre. Dessa forma, procurou-se reunir informações sobre o assunto no Brasil, associando-as com informações obtidas em países da Ásia e da África, onde o reconhecimento da importância das doenças do gengibre é maior.
MURCHA BACTERIANA - Pseudomonas solanacearum (Smith) Smith

Sintomas - A murcha bacteriana pode ocorrer em gengibre causando, inicialmente, murcha acentuada dos folíolos mais velhos, seguida de murcha dos folíolos superiores. Nos primeiros estádios da doença, rizomas de gengibre têm aparência saudável, porém, cortes transversais indicam descoloração da região vascular e exsudação de um líquido leitoso dos tecidos afetados, o pus bacteriano. A doença evolui rapidamente, levando a planta à murcha completa e morte em poucos dias. Amarelecimento, nanismo, epinastia e produção de raízes adventícias são outros sintomas comuns, podendo ainda ocorrer a degenerescência dos rizomas. Além desses sintomas, pode ocorrer descoloração do sistema vascular das plantas de amarelo-claro para marrom-escuro.

Etiologia - A doença é causada por Pseudomonas solanacearum, raças 3 e 4. Essa bactéria é habitante natural dos solos e, quando indígena ou introduzida numa determinada área, pode sobreviver por um longo período na rizosfera de plantas cultivadas ou selvagens e em restos de cultura. A disseminação do patógeno a médias e longas distâncias pode ser feita por meio de material propagativo infectado, como rizomas e mudas, pela água de irrigação e pelo solo transportado em mudas e instrumentos agrícolas.

Normalmente, a bactéria infecta o gengibre penetrando pelas raízes ou pelos rizomas através de ferimentos causados por nematóides, insetos, ou mesmo pelo homem em operações culturais como transplante e capina. Com relação às condições ambientais, temperaturas elevadas, entre 28 a 33C, e alta umidade favorecem a ocorrência da doença. Condições de solo seco, por sua vez, desfavorecem a infecção.



Controle - Como medidas de controle recomendam-se, preferencialmente, aquelas de caráter preventivo: usar mudas e rizomas sadios; evitar o plantio em áreas com histórico de ocorrência do patógeno; efetuar, sempre que possível, rotação de culturas com espécies da família Poacea, como arroz, milho ou pastagens, que são imunes à infecção pelo patógeno, com subseqüente incorporação de restos culturais; e tomar os devidos cuidados nos tratos culturais, especialmente nas operações de amontoa, chegamento de terra e controle de plantas daninhas, para evitar ferimentos nas plantas. O controle da incidência de nematóides-das-galhas (Meloidogyne arenaria, M. hapla, M. incognita e M. javanica) através da rotação com plantas não-hospedeiras de Meloidogyne, como crotalaria, mucuna-preta, aveia, cravo-de-defunto e certos cultivares de milho, também é recomendado, uma vez que eles são responsáveis por ferimentos nos rizomas, aumentando a incidência da murcha bacteriana.
MANCHA FOLIAR DE PHYLLOSTICTA - Phyllosticta sp.

Sintomas - Inicialmente, formam-se, nas folhas pequenas, manchas ovais, alongadas, que evoluem para manchas necróticas, adquirindo coloração branca, com aspecto de papel no centro e apresentando uma margem marrom, envolta por halo clorótico. Essas manchas podem coalescer, formar grandes lesões e causar extensa descoloração e destruição da área foliar (Prancha 38.1). Os sintomas primários são constatados 20 - 35 dias após a brotação. Já aos 75 - 90 dias, a incidência e a severidade da doença na cultura podem chegar a níveis muito elevados. A doença tem o potencial de reduzir a produção do gengibre.

Etiologia - O gênero Phyllosticta sp. está associado à mancha foliar do gengibre detectada no estado do Paraná. Trata-se de fungo que apresenta picnídios escuros, ostiolados, lenticulares a globosos, imersos nos tecidos hospedeiros, eruptivos ou com uma pequena projeção perceptível na epiderme. Os conidióforos são curtos, os conídios pequenos, unicelulares, hialinos, ovóides a alongados. Doença similar, causada por P zingiberi Ramakr foi primeiramente relatada em 1942, ocorrendo em culturas de gengibre em Andrha Pradesh, Índia. Posteriormente, há relatos de sua ocorrência em outras localidades da Índia, como Himackal Pradesh e Maharashtra, das Filipinas, do Paquistão e da Nigéria.

O fungo pode sobreviver, de uma safra para outra, em soqueiras remanescentes na área de cultivo e em restos de cultura. É freqüente detectar lesões apresentando picnídios de Phyllosticta em resquícios foliares e na película de rizomas utilizados como material propagativo. Os conídios produzidos nesses sítios podem representar importante fonte de inóculo primário. Esporos de Phyllosticta podem permanecer viáveis em picnídios por 9-10 meses.

A faixa ótima para crescimento micelial dos isolados de Phyllosticta sp., in vitro, situa-se entre 25 e 27,5C. As temperaturas mínima e máxima para o crescimento do patógeno são de 10 e 32,5C. Temperaturas de 5 e 35C inibem completamente o crescimento dos isolados. A mancha foliar de Phyllosticta (MFP) é normalmente constatada a partir do final de novembro e início de dezembro, cerca de 2 a 3 meses após o estabelecimento da cultura. E comum, nessa época do ano, a ocorrência de temperaturas ótimas entre 26 e 28C nas condições do litoral paulista e paranaense. Além disso, nesse período, é freqüente a ocorrência de chuvas e umidade relativa elevada, que constituem condições fundamentais para esporulação, além de auxiliarem na disseminação do fungo.

Controle - Não há informações a respeito de resistência varietal à MFP em materiais de gengibre. Dessa forma, dada à alta suscetibilidade das variedades plantadas e à freqüente ocorrência de condições climáticas predisponentes à doença, as principais medidas de controle devem interferir sobre a capacidade de sobrevivência e disseminação do patógeno, buscando minimizar ou impedir a ocorrência de epidemias.

Assim, inicialmente, preconiza-se a utilização de rizomas sadios, obtidos em áreas indenes e cuja produção destina-se basicamente ao fornecimento de material propagativo de elevada qualidade fitossanitária.

Na área destinada à instalação da cultura, soqueiras remanescentes de cultivos anteriores e restos dc cultura que possibilitem a sobrevivência do patógeno no local devem ser eliminados. Recomenda—se, também, o tratamento químico dos ri/ornas com fungicidas.

Quanto aos tratamentos químicos gerais, é importante mencionar que, embora haja informações sobre a eficácia de fungicidas no controle da MFP, não há, até então, registro dos mesmos junto ao Ministério da Agricultura e Reforma Agrária para utilização na cultura do gengibre.

Fungicidas convencionais como chlorothalonil (0,225%), dithianon (0,096%), folpet (0,120%), mancozeb (0,160%) e captan (0,120%), que possuem maior ação protetora, proporcionam melhor controle da MFP em gengibre. Fungicidas cúpricos são fitotóxicos, causando necrose na bainha foliar. Alguns fungicidas curativos, como iprodione, benomyl, triadimenol e tiofanato metílico, não proporcionam controle da doença. Entre os fungicidas curativos, apenas o prochloraz (0,090%) e o propiconazole (0,025%) são eficazes.

É necessário um elevado número de pulverizações de fungicidas protetores (cerca de 14 a 18) durante todo o período quente e chuvoso, predominante nas regiões na época de maior desenvolvimento vegetativo do gengibre. As condições climáticas extremamente favoráveis ao desenvolvimento da doença e à disseminação do patógeno, associadas ao elevado potencial de inóculo presente na área, atuam negativamente sobre a manutenção da eficácia desses fungicidas. Ainda, as precipitações muito freqüentes e elevadas predominantes nas regiões não permitem retenção dos princípios ativos nas folhas por períodos superiores a uma semana.


OUTRAS DOENÇAS

A Tabela 38.1 apresenta uma relação de outras doenças associadas ao gengibre relatadas no mundo. No Brasil, as doenças de menor importância são apresentadas a seguir.


Tabela 38.1.
Tabela 38.1. Entretanto, o que também limita o período de armazenamento dos rizomas por um período relativamente curto (apenas 2 semanas) é a alta incidência de brotamentos, comprometendo a qualidade do gengibre a ser comercializado. Para rizomas destinados à comercialização, a prática da lavagem dos rizomas para eliminação de restos de cultura e partículas de solo de sua superfície e a subseqüente imersão em solução de hipoclorito de sódio para desinfecção superficial, minimiza a incidência dos fungos causadores de podridões. O armazenamento sob baixas temperaturas (cerca de 13ºC) pode estender o período de armazenamento por até 30 dias, diminuindo o brotamento. Já para os rizomas utilizados como material propagativo e destinados ao plantio, recomenda-se o tratamento por imersão em soluções fungicidas à base de benzimidazóis (benomyl ou carbendazin a 0,10 %) ou ditiocarbamatos (mancozeb a 0,24 %).

Mosaico - Há apenas um relato de infecção natural de gengibre pelo vírus do mosaico do pepino, no Estado de São Paulo. As plantas infectadas apresentam sintomas de mosaico nas folhas. A grande eficácia do modo de transmissão do vírus por pulgões do gênero Aphis e Myzus, cuja relação vírus-vetor é do tipo não-persistente, faz com que esse vírus seja propagado em uma cultura sem que sejam observadas grandes populações de pulgões. Por sua vez, não há informações sobre prejuízos à cultura em decorrência da incidência dessa doença. Em infecções precoces, recomenda-se a eliminação das primeiras plantas infectadas para eliminar as fontes de inóculo. As pulverizações com inseticidas para diminuir a população de pulgões não são recomendadas pois não são eficazes para impedir a transmissão do vírus pelo pulgão: vetores imigrantes transmitem o vírus apenas por picadas de prova, antes mesmo que o inseticida tenha tempo de agir.
BIBLIOGRAFIA
Arora, A.; Verma, R.K. & Sharma, N.D. Persistence of some fungicides in/on ginger rhizomes during storage. Pestology 1: 25-26, 1977.

Cerezine, P.C.; Olinisky, I.A.; Bittencourt, M.V.L. & Valério Filho, W.V. Mancha foliar de Phyllosticta em gengibre: caracterização cultural do patógeno e efeito de tratamentos químicos no controle da doença em Morretes, estado do Paraná. Pesquisa Agropecuária Brasileira 30: 477-487, 1995.

Chanliongco, R.C. Leaf spot diseases of ginger. Agriculture at Los Baños 6:16-18, 1966.

Ferraz, L.C.B. Doenças causadas por nematóides em batata-doce, beterraba, gengibre e inhame. Informe Agropecuário 17: 31-38, 1995.

Ichitani, T. Control of rhizome rot of ginger cultivated sucessively and protectively for immature rhizome production in plastic house. Proc. of the Kansai Plant Protection Soc. 22: 7-11, 1980.

Ichitani, T. & Chikuo, Y. Pythium zingiberum causing rhizome rot of mioga Zingiber mioga (Thumb.) Roseoe. Annals of Phytopathological Society of Japan 46: 539-541, 1980.

Kitajima, E.W., Pozzer, L. Doenças causadas por vírus em batata-doce, beterraba, cará, gengibre e inhame. Informe Agropecuário 17: 39-41, 1995.

Mattos, J.K.A. Doenças causadas por fungos em batata-doce, beterraba, cará, gengibre e inhame. Informe Agropecuário 17: 25-28, 1995.

Ramakrishnam, T. S. A leaf spot disease of Zingiber officinale caused by Phyllosticta zingiberi n. sp. Proceedings of Indian Academy of Sciences 15: 167-171, 1942.

Ren, H. & Fang, C. Identification of the bacterial wilt ofginger. Acta Phytopathologica Sinica 11: 51-56, 1981.

Sharma, N.D. & Jain, A.C. Mycoflora associated with storage and freshly harvested rhizomes of Zingiber offinale Rosc. Geobios 4: 218-219, 1977.

Sharma, N.D. & Jain, A.C. Studies on the biological control of Fusarium oxysporum f. sp. zingiberi the causal organism of yellows disease of ginger. Indian Phytopathology 31: 260-261, 1978.

Sohi, H.S.; Sharma, 8. L. & Varma, B.R. Chemical control of Phyllosticta leafspot of ginger (Zingiber officinale). Pesticides 7: 21-22, 1973.

Souza, R.M. & Reis, A.V. Doenças causadas por bactérias em batata-doce, beterraba, cará, gengibre e inhame. Informe Agropecuário 17: 29-3 1,1995.

Zakaullah & Badshaa, K. Diseases of ginger: review. Pakistan Journal of Forestry 29: 110-118, 979.

DOENÇAS DO GERGELIM

(Sesamum indicum L.)

1   ...   38   39   40   41   42   43   44   45   ...   70


База данных защищена авторским правом ©shkola.of.by 2016
звярнуцца да адміністрацыі

    Галоўная старонка