Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas



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BIBLIOGRAFIA

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DOENÇAS DO FUMO

(Nicotiana tabacum L.)

C. V. Godoy & C. L. Salgado
MOSAICOS - “Tobacco mosaic virus” - TMV; “Cucumber mosaic virus” - CMV

O TMV encontra-se amplamente distribuído por todas as regiões onde o fumo é cultivado. A redução na produção de plantas individuais infectadas usualmente é menor que 15%. No entanto, as altas incidências desse vírus tornam a doença uma das mais importantes da cultura. O vírus já foi relatado em 199 espécies de 30 famílias, mas as fontes de inóculo mais importantes são as solanáceas.

Os sintomas surgem em plantas de qualquer idade, podendo variar em função das estirpes do vírus presentes e da reação dos cultivares. Geralmente, causam redução da área foliar, acompanhada de rugosidade e malformação das folhas, que se apresentam mais afiladas e espessas. No limbo foliar, observa-se a presença de mosaico típico, ou seja, áreas verde-claras ao lado de áreas normais. As plantas com mosaico podem apresentar o dobro de nicotina que as plantas sadias da mesma variedade.

O TMV permanece viável por muitos anos nos restos de cultura, no fumo de corda e nas sementes e é transmitido com extrema facilidade por ocasião dos tratos culturais. Desta forma, medidas sanitárias especiais devem ser tomadas para evitar a introdução do vírus na cultura, particularmente nas fases iniciais da plantação, pois, caso isso aconteça, o vírus contaminará facilmente as plantas vizinhas durante as operações de capação (retirada do ponto de crescimento da planta), desbrota e outras.

Quando a cultura está localizada nas proximidades de outras solanáceas, como o tomateiro, por exemplo, deve-se evitar que os operários passem de uma cultura para a outra durante a jornada. As operações na cultura devem ser sempre escalonadas, de forma que o trabalho tenha início nas culturas novas e sadias e prossiga para as velhas e contaminadas. Insetos vetores não são importantes na disseminação desse vírus.

O CMV também encontra-se amplamente distribuído por todas as regiões produtoras e, em condições de campo, é extremamente difícil distinguir seus sintomas daqueles causados pelo TMV. Possui uma ampla faixa de hospedeiros (191 espécies em 41 famílias) e os sintomas variam com a estirpe do vírus e cultivar do fumo, mas o sintoma mais comum é o mosaico típico. A transmissão no campo é feita por mais de 60 espécies de afídeos, de forma não-persistente. A transmissão por sementes tem sido relatada em várias espécies, mas não em fumo. Programas de melhoramento para resistência estão em progresso na Ásia.



NECROSE BRANCA - “Tobacco streak virus” - TSV

A doença foi assinalada pela primeira vez em 1936. As plantas atacadas no geral não morrem, mas apresentam diminuição na produção e redução na qualidade das folhas, que ficam impróprias para uso como capa de charuto.



Sintomas - A doença costuma manifestar-se desde um mês após o transplantio até o florescimento. Os sintomas podem ser separados em três fases: necrose branca, recuperação aparente e couve.

Na fase de necrose branca, observa-se nas folhas novas numerosas manchas brancacentas de tecido encharcado, de forma angulosa a estrelada, raramente circular, com alguns milímetros de diâmetro. A medida que as folhas crescem, tornam-se enrugadas e rasgam nas manchas necróticas, devido ao crescimento irregular.

Com o desenvolvimento da planta, os sintomas atenuam-se e a necrose restringe­se aos ápices de algumas folhas próximas ao bordo terminal. Esta é a fase de recuperação aparente.

Na última fase do processo, em variedades sésseis, as folhas novas passam a ser pecioladas, lembrando folhas de couve, com ângulo de inserção agudo, área foliar menor e limbo com os bordos voltados para baixo. O sintoma mais típico da doença manifesta-se nas flores que, de tubulares, passam a apresentar-se petalóides e providas de apículo na extremidade da pétala.

Estirpes mais fortes do vírus podem provocar necrose na região da bainha das folhas, na casca e na medula, causando rápida murcha das folhas basais e morte da planta.

Etiologia - A necrose branca é causada pelo “tobacco streak virus” (TSV), pertencente ao gênero Bromovirus, da família Bromoviridae. Diversas plantas cultivadas e daninhas podem atuar como hospedeiras do TSV. Dentre as cultivadas encontram-se beterraba, feijão, aipo, algodão, pepino, berinjela, alface, quiabo, pimenta, batata, abóbora, soja e melancia. Há suspeita de que o TSV seja transmitido por tripes, como o Thrips tabaci, que levam aderentes a seu corpo os grãos de pólen infectados de plantas doentes e facilitam a penetração em tecidos sadios pelos ferimentos de alimentação.

Controle - A única medida de controle recomendada é evitar plantio perto de hospedeiros do vírus e do agente transmissor. Não são necessárias medidas de controle adicionais para esta doença, uma vez que sua freqüência é baixa.
VIRA-CABEÇA - Tospovirus

Esta virose tem causado estragos em todas as regiões onde o fumo é cultivado devido, em parte, ao grande número de plantas hospedeiras do vírus. Os danos causados são extremamente variáveis e, no Brasil, dependendo da época do ano, a doença pode alcançar 100% de incidência. A doença é mais importante nos Estados de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,



Sintomas - O vírus pode afetar plantas de qualquer idade. É mais comum, no entanto, em viveiros e plantações novas. As plantas adultas adquirem certa resistência e raramente são afetadas.

As plantas atacadas inicialmente cessam seu crescimento e as folhas do topo arquejam-se para baixo. As folhas novas apresentam palidez das nervuras e necrose, muitas vezes limitadas à base ou a um dos lados. As manchas necróticas podem ter a forma de riscas ao longo das nervuras, faixas paralelas a essas ou a forma de anéis concêntricos. Numa fase final, a necrose estende-se às hastes da planta, chegando à medula. Os sintomas necróticos podem atingir a planta toda, causando sua morte. Algumas plantas atacadas parecem se recuperar e produzem crescimento secundário que mais tarde desenvolvem sintomas necróticos.



Etiologia - A doença é causada por espécie ou espécies do gênero Tospovirus, da família Bunyaviridae. Esse vírus é transmitido mecanicamente e por tripes. Diversas espécies de tripes dos gêneros Frankliniella e Thrips já foram apontadas como vetores de tospovirus. O tripes adquire o vírus somente na fase larval, quando da alimentação em plantas infectadas por um período de 15 minutos. Após um período de incubação de 3-18 dias, a larva e o adulto tornam-se infectivos. A transmissão por semente não foi relatada para o fumo.

Controle - Como medidas de controle são recomendadas: escolha da época de semeadura, localização do canteiro, isolamento da cultura, tratamento dos canteiros com inseticidas organofosforados sistêmicos ou carbamatos, rotação de cultura e eliminação de plantas daninhas na periferia da cultura.
FAIXA DAS NERVURAS - “Potato virus Y”, - PVY

Esta virose foi assinalada no Brasil sobre fumo em 1940, mas a sua importância nesta cultura é ainda potencial. Sua ocorrência em fumo parece estar restrita a algumas regiões do Estado de São Paulo onde, às vezes, chega a causar prejuízos. A gama de hospedeiros é bastante ampla, sendo as culturas do tomate, batata e pimentão as mais afetadas.

A doença geralmente manifesta-se em plantas adultas. As folhas mais novas apresentam clareamento das nervuras, surgindo depois manchas cloróticas no espaço internerval, que se expandem até restar apenas uma faixa verde escura ao longo das nervuras. Algumas variedades do grupo Sumatra e Turkish mostram manchas necróticas brancas no limbo foliar semelhantes àquelas da necrose branca.

Pelo menos 25 espécies de afídeos têm sido relatadas na transmissão do PVY de forma não-persistente, sendo Myzus persicae o principal vetor. Não foi relatada a transmissão por semente.

Nas áreas onde o PVY não causa maiores prejuízos, as medidas de controle aplicadas para o vira-cabeça são suficientes para o controle da faixa das nervuras.
QUEIMA BACTERIANA E MANCHA ANGULAR - Pseudomonas syringae pv. tabaci (Wolf & Foster) Young et al.

Queima bacteriana e mancha angular são doenças bacterianas semelhantes, diferenciadas pela presença de um halo clorótico circundando as lesões na primeira e pela ausência deste na segunda. A doença foi assinalada pela primeira vez na Carolina do Norte, E.U.A., em 1917. Atualmente, é encontrada em quase todas as regiões onde se cultiva o fumo. Seus prejuízos são variáveis, podendo passar desapercebida, sem causar danos, durante anos e, esporadicamente, causar prejuízo total. No Brasil, sabe­se que a doença ocorre, mas não se conhecem sua distribuição e prejuízos.



Sintomas - As duas doenças ocorrem principalmente em sementeiras, embora apareçam também no campo, especialmente durante períodos chuvosos. Nas sementeiras, provocam necrose das folhas basais, do bordo para o centro. As lesões são inicialmente encharcadas, tornando-se posteriormente necróticas, com bordos angulosos. Tendem a matar as plantas antes do transplante. As manchas de queima bacteriana são circundadas por um halo clorótico.

O diâmetro das lesões individuais varia entre 1 a 8 mm, mas as lesões podem coalescer, formando grandes áreas de tecido morto. A queima bacteriana é a mais severa das duas doenças, podendo provocar a morte de “seedlings” novos. Nas cápsulas, as manchas necróticas são irregulares e profundas, atingindo as sementes, as quais podem ser destruídas ou não.



Etiologia - Queima bacteriana e mancha angular são causadas por bactérias que pertencem ao grupo fluorescente do gênero Pseudomonas. Atualmente, ambas são incluídas na mesma espécie e patovar, Pseudomonas syringae pv. tabaci. Tem sido sugerida a separação cm patovares diferentes, baseada nas diferenças sintomatológicas e epidemiológicas: Pseudomonas syringae pv. tabaci para queima bacteriana e Pseudomonas syringae pv. angulata para mancha angular. No entanto, a única diferença, em estudos de laboratório, é a produção de uma toxina não-específica por P.s. pv. tabaci, denominada tabtoxina. Ambas são bastonetiformes, gram-negativas, com 1 a 6 flagelos polares e produzem pigmento fluorescente verde em meio de King. A bactéria sobrevive dois anos em sementes, sendo esta a fonte primária de inóculo. Pode sobreviver também nos restos de cultura, plantas daninhas e outros hospedeiros nativos.

A disseminação da bactéria a longas distâncias é feita pelas sementes. Dentro da cultura, a disseminação dá-se pela água de chuva e de irrigação, além dos tratos culturais. A penetração nas folhas ocorre através de ferimentos e estômatos. Normalmente, a doença prevalece nos anos de chuvas intensas associadas a ventos e temperaturas elevadas e, nessas condições, os sintomas surgem 2 a 3 dias após a infecção.



Controle - Sendo a semente a principal responsável pela disseminação da bactéria, a escolha de sementes sadias ou o seu tratamento é indispensável ao controle. Para o tratamento das sementes contra fungos e bactérias, recomenda-se solução de nitrato de prata (1 g por litro de água destilada) e secagem imediata das sementes sobre superfície absorvente, para que não percam o poder germinativo.

O tratamento de sementes deve ser complementado com tratamento dos canteiros (com fungicidas cúpricos ou estreptomicina), rotação das áreas de sementeira, destruição de restos de cultura nas proximidades dos canteiros, rotação de cultura por 3 anos, evitando-se feijoeiro, soja e outras culturas suscetíveis, e adubação equilibrada, sem excesso de nitrogênio.


MURCHA BACTERIANA - Pseudomonas solanacearum E. F. Smith

A doença foi relatada pela primeira vez na Carolina do Norte, nos E.U.A., por volta de 1880. Supõe-se que ocorra em todas as regiões produtoras de fumo. No Brasil, as informações são incompletas e, apesar da bactéria causadora ser relatada em diversas outras solanáceas, pouco se sabe sobre sua distribuição no fumo e, menos ainda, sobre os danos causados.



Sintomas - A doença é caracterizada pela murcha das folhas basais e do ponteiro, sendo muito comum ocorrer a murcha unilateral da planta. Caso a doença se desenvolva rapidamente, as folhas murcham sem mudança de cor. No entanto, se a murcha ocorrer gradualmente, as folhas afetadas tornam-se inicialmente verde-claras, passando a amarelas em seguida. Freqüentemente, aparecem áreas necróticas entre as nervuras e nas margens das folhas. Internamente, através de um corte transversal, pode ser observada a descoloração do tecido vascular e a exsudação de pus bacteriano.

Etiologia - Pseudomonas solanacearum é bastonetiforme, gram-negativa, usualmente sem flagelo e penetra nas raízes através de ferimentos causados pela emergência de raízes laterais ou por nematóides. Pode sobreviver no solo por vários anos na ausência do hospedeiro. Desenvolve-se rapidamente em temperaturas entre 30 e 350C e alta umidade do solo, embora ocorra também quando há somente umidade suficiente para manter as plantas vivas.

Controle - Como medidas de controle recomenda-se rotação de culturas, controle de nematóides, uso de variedades resistentes e destruição das raízes no final da colheita.
CANELA PRETA, TALO OCO E PODRIDÃO DE ARMAZENAMENTO - Erwinia carotovora subsp. carotovora (Jones) Bergey et al.

O agente causal desta doença é habitante natural do solo e ocorre em todos os países onde o fumo é cultivado, embora a doença seja esporádica e cause poucos danos. A podridão de armazenamento é mais severa quando a estação de colheita é úmida.



Sintomas - Canela preta é o nome dado para a doença quando ocorre no estádio de “seedlings”. As folhas em contato com o solo são infectadas e a podridão avança dos pecíolos para o caule. As áreas infectadas usualmente escurecem, tornando as mudas impróprias para o transplantio.

O talo oco usualmente aparece na época de capação e desbrota. Embora a infecção possa ocorrer qualquer ferimento do caule, é mais freqüente iniciar-se pelo ferimento provocado durante a capação. Dentro de 24-48 horas ocorre um rápido escurecimento da medula, seguido por uma podridão mole e colapso do tecido infectado. As folhas do topo murcham e, com o avanço da infecção, as folhas de baixo secam e caem, deixando o talo exposto. No caule, desenvolvem-se lesões na forma de faixas pretas que, eventualmente, cercam todo o talo.

Durante períodos úmidos, folhas colhidas de plantas infectadas ou inoculadas pelo manuseio na colheita continuam a apodrecer durante a cura.

Etiologia - Erwinia carotovora subsp. carotovora é gram-negativa e sua temperatura ótima para crescimento varia entre 27 e 300C. A penetração ocorre através de ferimentos causados pela capação e desbrota e, uma vez em contato com células do parênquima, a bactéria multiplica-se rapidamente. Pode sobreviver durante anos no solo e é comum encontrá-la na superfície de folhas de fumo. O fator mais importante que afeta o desenvolvimento da doença é a umidade. Talo oco e canela preta desenvolvem-se rapidamente durante tempo úmido e nublado.

Controle - Como medidas de controle deve-se evitar o excesso de umidade nos canteiros e no campo. Além disso, capação e desbrota não devem ser feitas durante períodos úmidos

DAMPING-OFF”, PODRIDÃO DO COLO E DAS RAÍZES - Phytophthora parasitica var. nicotianae Tucker, Rhizoctonia solani Kühn, Sclerotium rolfsii Sacc., Sclerotinia sclerotiorum (L & B) de Bary, Pythium spp.

Os organismos causadores destas doenças, na maioria dos casos, são polífagos, podendo causar a mesma doença em centenas de espécies vegetais. Desta forma, sua distribuição é generalizada em todos os solos cultivados e seus prejuízos variam com as condições de cultivo e com os planos de rotação empregados.

Sintomas - Estes organismos, quando presentes na sementeira, causam invariavelmente “damping-off” de pré- e pós-emergência, resultando na formação de reboleiras.

No campo, em plantas já desenvolvidas, os sintomas são variáveis. No geral, manifestam-se como enfezamento, amarelecimento de folhas basais e podridão do colo e das raízes. Anelamento e “damping-off’ também podem ocorrer. As plantas atacadas raramente atingem desenvolvimento normal.

No caso de ataque por Sclerotium e por Sclerotinia, em condições de alta umidade, é possível observar os escleródios dos fungos na região atacada. Às vezes, Rhizoctonia solani, na sua forma perfeita, pode causar lesão necrótica circular e aureolada nas folhas, denominada mancha aureolada por alguns autores.

Etiologia - Os fungos Rhizoctonia solani e Pythium spp. têm sido encontrados causando “damping-off” nas sementeiras com maior freqüência. Além destes organismos, outros patógenos podem ocorrer em sementeiras, atacando as mudas e causando os mesmos sintomas.

A fase de podridão do colo e das raízes é causada pelos fungos acima referidos e por Sclerotium rolfsii e Sclerotinia sclerotiorum. Phytophthora parasitica var. nicotianae é especializada e capaz de parasitar apenas o fumo. Essa variedade parece ocorrer na Bahia e, potencialmente, é o organismo que pode oferecer grande perigo como agente de podridão do colo e raízes dada sua capacidade de sobrevivência no solo e de produção de inóculo.

Todas as espécies responsáveis por estas doenças podem sobreviver no solo, principalmente nos restos de cultura de diversas plantas ou em formas de resistência e, ao encontrarem condições favoráveis, iniciam o ataque, causando a destruição de muitas plantas, desde a sementeira até as plantas adultas.

Entre as condições que favorecem a doença destacam-se matéria orgânica mal decomposta, umidade elevada, densidade de semeadura elevada, sombreamento excessivo, temperatura elevada ou baixa (de acordo com o fungo presente) e irrigação excessiva.



Controle - Na aplicação de medidas de controle visando o “damping-off” das sementeiras, chama-se a atenção para o fato de as medidas preventivas serem mais eficientes que as demais. Para o presente caso, recomendam-se: escolha do local, preparo do solo, adubação orgânica isenta de patógenos, água de irrigação livre de contaminação, drenagem e irrigação bem dosadas, tratamento preventivo de sementes e tratamento do solo com PCNB ou thiabendazole.

Para o caso específico de P. parasitica var. nicotianae, existem diversas variedades resistentes às raças encontradas na América do Norte, pouco se sabendo a respeito do seu comportamento no Brasil. Dentre estas variedades pode-se citar Dixie Bright 101, 102, 139 e 140 e Tennessee 11A e 11B.



MÍLDIO OU MOFO AZUL - Peronospora tabacina D. B. Adam

O mofo azul foi observado na cultura do tabaco pela primeira vez em 1891, na Austrália, e no mesmo ano foi relatado na Argentina. Sua importância tem sido maior nas regiões onde a cultura é feita em condições de alta umidade e temperatura relativamente baixa. Assim, o fungo constitui problema na Europa, sul dos Estados Unidos, Argentina e Austrália. No Brasil, o fungo parece ser importante no Rio Grande do Sul e Santa Catarina; em São Paulo e demais estados mais ao norte, a doença não constitui problema à cultura do fumo.



Sintomas - Os sintomas podem aparecer em plantas de qualquer idade, mas é no canteiro onde o problema é mais grave, devido à rápida destruição das mudas.

O ataque inicia-se quando as mudas estão quase no ponto de transplante. Inicialmente, observa-se, na face superior das folhas, áreas irregulares verde-amareladas. Em correspondência, na face inferior, encontra-se um míldio característico que, em condições de alta umidade, tempo coberto e frio, assume a cor azulada que dá o nome à doença. Em poucos dias, toda a sementeira pode ser destruída devido à completa necrose da parte aérea das mudas.



Etiologia - Peronospora tabacina pertence a classe dos Oomycetes, ordem Peronosporales e família Peronosporaceae. É um parasita biotrófico e produz esporângios e oósporos.

O esporangióforo tem ramificação dicotômica intensa, produzindo esporângios hialinos e terminais. Os esporângios germinam diretamente na água e o tubo germinativo pode penetrar diretamente ou por estômatos. O período de incubação varia entre 3 e 7 dias em função das condições ambientais e da idade da planta e a esporulação máxima ocorre em temperaturas entre 15 e 230C. Para ocorrer o aparecimento de esporângios, a umidade relativa deve ser superior a 95% por mais de 3 horas. São produzidos até um milhão de esporângios por centímetro quadrado de superfície foliar infectada. Os esporângios são disseminados facilmente a longas distâncias pelo vento.

Os oósporos (esporos sexuais) são papilados, com paredes espessas, e são formados nos tecidos necrosados das plantas. A disseminação do fungo é feita tanto por esporângios como por oósporos.

Nas condições do Brasil, o fungo pode sobreviver de um ano a outro sobre os restos de cultura ou nas solanáceas selvagens da periferia dos campos e daí passar para as novas sementeiras. Nada se sabe sobre a importância dos oósporos nas condições do Rio Grande do Sul.

Experimentalmente, já se obteve infecção em mais de 35 espécies do gênero Nicotiana. Outras solanáceas, como tomate, pimenta e berinjela, ocasionalmente podem ser atacadas pelo fungo.

Controle - Recomenda-se: escolher local ventilado e relativamente seco para os canteiros; evitar ao máximo o sombreamento das mudas; pulverizar o canteiro com mancozeb (intervalo de 10-15 dias) ou com folpet (intervalo de 7-10 dias), visando sempre a face inferior das folhas.
OÍDIO OU MOFO BRANCO - Erysiphe cichoracearum DC

O oídio ou mofo branco tem sido relatado em quase todas as áreas produtoras de tabaco do mundo. Em algumas regiões chega a causar reduções na produção de até 30% e perdas de até 80% na qualidade.



Sintomas - A doença é ocasionalmente vista em canteiros, mas as folhas não são suscetíveis até estarem completamente expandidas. Conseqüentemente, plantas infectadas só são observadas 6 semanas após o plantio.

O sintoma mais característico é a massa pulverulenta cinza sobre ambas as superfícies da folha. Mais tarde, na superfície superior da folha, são observadas manchas marrons. Ascocarpos escuros do fungo e cadeias de conídios formados na superfície das folhas são facilmente visualizados com auxílio de lentes de aumento.



Etiologia - Erysiphe cichoracearum é um patógeno biotrófico que cresce na superfície foliar e absorve nutrientes da planta através de haustórios que penetram nas células da epiderme. Forma conídios de 20-50 x 12-24 μm, elípticos, hialinos e em cadeia. A germinação ocorre numa faixa ampla de temperatura, que varia entre 1 e 300C e umidade relativa em torno de 60-80%. Usualmente, no final da estação, são formados ascocarpos escuros, esféricos e fechados, contendo vários ascos. A temperatura ótima para germinação dos ascósporos varia entre 10-180C.

Os ascocarpos sobrevivem por vários anos em condições ambientais desfavoráveis e servem Como fonte de inoculo primário. Nas regiões quentes, o inóculo primário é constituído por conídios produzidos em plantas remanescentes no campo. Dias quentes, com baixa umidade relativa, e noites frias, com sereno, favorecem o desenvolvimento da doença.



Controle - Práticas culturais, como plantio mais espaçado e adubação balanceada, auxiliam no controle da doença. Cultivares resistentes ou tolerantes já estão disponíveis e vêm sendo utilizados na Europa, Japão e África do Sul.

Em outros países, fungicidas como dinocap, quando aplicados 3 a 4 vezes em intervalos de 12 a 15 dias promovem um controle de até 90% da doença, sem efeitos adversos na qualidade. O fungicida benomyl tem sido utilizado com sucesso, embora haja indicação do desenvolvimento de estirpes resistentes.


MANCHA MARROM OU MANCHA DE ALTERNARIA - Alternaria alternata (Fr. ex Fr.) Keissl

A mancha marrom ou mancha de Alternaria pode ser sério problema à cultura, especialmente em regiões quentes.



Sintomas - A mancha de Alternaria aparece inicialmente nas folhas mais baixas, durante períodos quentes e úmidos. Inicialmente, são formadas áreas aquosas circulares e pequenas que, posteriormente, aumentam, formando lesões marrons, com 1 cm de diâmetro, muitas vezes circundadas por um halo amarelo. Com o tempo, aparecem anéis concêntricos escuros, com até 3 cm de diâmetro. No centro das lesões velhas, sob condições de alta umidade, aparecem massas escuras de conídios e conidióforos. Sob condições de alta umidade e temperatura, as áreas infectadas coalescem, causando perdas em peso e qualidade.

Etiologia - Alternaria alternata pertence à classe dos Hyphomycetes e ordem Moniliales. Produz conidióforos retos ou curvos com 1 a 3 septos (20-46 x 4,6 μm) e conídios de 18-47 x 7-18 μm, multicelulares, com septos longitudinais e transversais, clavados, com uma das extremidades pontiaguda, com ou sem apêndice.

Os conídios germinam em filmes de água na superfície foliar. O tubo germinativo forma um apressório e penetra diretamente através da epiderme ou pelo estômato. A hifa cresce intercelularmente e não penetra em células vivas. Após o colapso das células do hospedeiro, o fungo cresce nos tecidos mortos. Vários dias após a formação da lesão, conidióforos desenvolvem-se na superfície da folha, freqüentemente em anéis ou zonas concêntricas. A temperatura ótima para o desenvolvimento da doença varia entre 20-250C e a disseminação ocorre através do vento e da chuva.



Controle - A utilização de sementes sadias e a fumigação dos canteiros com brometo de metila reduz a ocorrência de infecção em “seedlings”. Devem ser evitados plantios em áreas que foram severamente afetadas nos anos anteriores. Outras medidas adicionais, como evitar excesso de nitrogênio e umidade, ajudam a reduzir a severidade da doença.

Em condições de campo, os cultivares mais utilizados apresentam certa resistência, não sendo necessário fazer uso de fungicidas.


NEMATOSES - Meloidogyne incognita (Kofoid & White) Chitwood, M. javanica (Treuh) Chitwood, M. arenaria (Neal) Chitwood, M. hapla Chitwood

Vários tipos de nematóides podem parasitar a cultura do fumo. Os mais importantes, porém, são os nematóides formadores de galhas, que chegam a causar danos anuais de até 15%. Sua importância é ainda maior em regiões de clima quente e solos arenosos.



Sintomas - A maioria dos sintomas está associada à redução da eficiência do sistema radicular das plantas infectadas, como murcha, deficiência nutricional (especialmente de nitrogênio e potássio) e amarelecimento das folhas. Os sintomas geralmente ocorrem em reboleiras.

Etiologia - Quatro espécies de nematóides formadores de galhas são encontrados no fumo: Meloidogyne incognita, M. javanica, M. arenaria e M. hapla. O ciclo de vida dos patógenos consiste de ovos cilíndricos ou ovais (83 x 38 μm), encontrados em grande número no solo, e 4 estádios juvenis (J), o primeiro sendo completado dentro do ovo. A reprodução é por partenogênese obrigada, com exceção de M. hapla, que apresenta partenogênese facultativa. Em clima quente, o nematóide completa de 5 a 10 gerações por ano.

Todos os nematóides formadores de galhas que parasitam o fumo possuem uma ampla gama de hospedeiros e podem sobreviverem plantas daninhas e outras culturas. Sua disseminação pode ocorrer pelo uso de água de irrigação contaminada com ovos e juvenis.

O desenvolvimento de certas doenças fúngicas e bacterianas é favorecido pela presença de nematóides formadores de galhas, como, por exemplo, aquelas causadas por Phytophthora parasitica var. nicotianae, Fusarium oxysporum var. nicotianae, Pseudomonas solanacearum e Rhizoctonia solani.

Controle - Uma vez que a erradicação é impossível, o objetivo do manejo é evitar a introdução de nematóides em áreas isentas ou, quando ele já se encontrar na área, reduzir a população para um nível onde o dano seja mínimo. A medida de controle que tem sido recomendada é a rotação de culturas e a localização dos viveiros em solo sabidamente livre dos organismos causais. Em canteiros, podem ser utilizados brometo de metila, carbofuran e ethoprophos para diminuir a população de Meloidogyne.

OUTRAS DOENÇAS

O fumo pode ser atacado por numerosas viroses comuns às solanáceas e outras plantas. Entre elas, já foi assinalada a presença do mosaico da alfafa (“Alfafa mosaic virus” -AMV - transmitido por afídeos), causando malformação e mosaico. Além das espécies de fungos já mencionadas, podem ocorrer Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz & Sacc., Cercospora nicotianae Ellis & Everh., Botrytis cinerea Pers. ex Fr. e Ascochyta nicotianae Pass. A murcha de Fusarium, causada por Fusarium oxysporum (Schlecht) Wr. f. sp. nicotianae Johnson, e a murcha de Verticillium, causada por Verticillium dahliae Kleb., ocorrem em quase todas regiões do mundo, embora os danos não sejam muito severos. Os principais sintomas da murcha de Fusarium são amarelecimento e secamento das folhas, murcha generalizada da planta, destruição das raízes e podridão seca do caule. Os sintomas da murcha de Verticillium são semelhantes, mas pode ocorrer, também, descoloração entre nervuras. O controle das duas doenças é feito principalmente por meio da aplicação de brometo de metila em canteiros, da rotação de culturas e do uso de variedades resistentes. Outros nematóides têm sido relatados parasitando a cultura do fumo: Pratylenchus spp., Heterodora tabacum, Globodera tabacum, Ditylenchus dipsaci e Aphelenchoides ritzemabosi.


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DOENÇAS DO GENGIBRE

(Zingiber officinale Rosc.)




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