Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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MOSAICO DA FIGUEIRA


O mosaico da figueira é uma doença cosmopolita em decorrência do uso de estacas contaminadas na formação de novos figueirais e da introdução indiscriminada de material vegetativo. Essa doença já é conhecida no Estado de São Paulo há mais de 50 anos. Levantamentos realizados na década de 70 em São Paulo mostraram incidências de até 94% em certos plantios. Embora não existam relatos recentes sobre a incidência e os danos causados pela doença, é possível que continue presente nos figueirais devido à forma de propagação da cultura e ausência de trabalhos para a produção e manutenção de material propagativo sadio. Por esses mesmos motivos, acredita-se que também ocorra em outras regiões do país.

Sintomas - Sintomas aparecem em folhas e frutos, variando em função da espécie ou variedade de Ficus e da estirpe do agente causal envolvida. Na região de Valinhos e Jundiaí (SP), plantas da variedade Roxo de Valinhos mostram principalmente sintomas foliares de mosaico do tipo “folha-de-carvalho” similares aos observados na Argentina. Menos freqüentemente, podem exibir necrose associada ao mosaico e manchas anelares. Em outros países, todavia, os sintomas descritos são um pouco diferentes. No caso das folhas, observa-se mosaico caracterizado por manchas verde-pálidas ou amareladas, translúcidas e bem visíveis por transparência. Essas manchas, que podem estar presentes em toda a lâmina foliar ou em apenas parte dela, são variáveis em forma (irregular, anéis) e dimensão. As folhas podem ainda ficar assimétricas, rugosas, com necrose nas nervuras e nos tecidos perinervais. Frutos podem apresentar manchas arredondadas, algumas vezes zonadas, com coloração verde-clara, visíveis principalmente quando estão em fase de maturação. O aspecto geral da planta também pode ser afetado, com encurtamento dos internódios e formação de roseta.

Etiologia - O agente causal do mosaico da figueira ainda não foi isolado e caracterizado. Até o momento, as seguintes características do patógeno são conhecidas: a) causa sintomas do tipo mosaico semelhantes aos causados por vírus; b) não é transmitido mecanicamente; c) é transmitido por enxertia para 13 espécies de Ficus, além da espécie cultivada, e também para Cudrania tricuspitada (Artocarpaceae) e Morus indica L. (Moraceae); d) é transmitido pelo ácaro eriofiídeo Eriophyces (=Aceria) ficus. Nesse caso, um único ácaro é suficiente para transmitir o patógeno. O período mínimo de alimentação para aquisição e inoculação do patógeno é de 15 mm, porém o tempo ideal é de 24 h; e) tecidos de plantas doentes freqüentemente contêm partículas esféricas de 200 - 250 nm, envolvidas por um envelope de natureza glicoprotéica de 16 nm de espessura. Embora existam suspeitas de que o mosaico da figueira seja causado por um fitoplasma, a maioria dos que escreveram sobre o assunto apontaram a possibilidade de tratar-se de um vírus. Estudos são ainda necessários para uma caracterização definitiva do agente causal desta enfermidade.

Controle - A principal medida de controle do mosaico da figueira é o emprego de estacas sadias para a formação de novos figueirais. Quando variedades cultivadas estiverem 100% infectadas pelo patógeno, tornam-se necessários trabalhos para a obtenção de material propagativo livre do agente causal, para posterior multiplicação e fornecimento aos produtores. Recomenda-se também o controle do ácaro vetor através de pulverizações com acaricidas específicos registrados para essa cultura. Esta medida só é eficiente quando associada ao controle da sanidade das mudas e das estacas utilizadas para a formação de novos plantios.

Relatos sobre o comportamento de variedades de figueira baseados na severidade dos sintomas da doença, mostraram que a variedade Roxo de Valinhos parece não sofrer danos significativos quando conduzida sob condição cultural adequada.


SECA DA FIGUEIRA Ceratocystis fimbriata Ell & Halst

A seca da figueira, cansada por Ceratocystis fimbriata, foi constatada pela primeira vez no Brasil em 1969, no município de Valinhos, SP. Este mesmo fungo encontra-se associado a uma outra importante doença no Brasil, que é a seca da mangueira. Observações feitas em 1975/76 mostraram que estava tornando-se importante devido à rápida disseminação do patógeno.



Sintomas - Sintomas da seca da figueira variam desde murcha, amarelecimento e queda das folhas, até seca e morte das plantas. Sintomas iniciais da doença caracterizam-se pela ocorrência de murcha dos ponteiros, amarelecimento e progressiva queda das folhas. Posteriormente, ocorre a seca dos ramos e a morte total da planta. Através de cortes longitudinais do tronco pode-se observar necrose no córtex, câmbio e lenho.

Etiologia Ceratocystis fimbriata é um Ascomiceto da ordem Ophiostomatales. Os peritécios encontram-se imersos no substrato e são de cor preta, globosos, com diâmetro de 90-210 μm. Possuem paredes espessas não-diferenciadas, providos de pescoço longo, cilíndrico, medindo 290-715 μm de comprimento, 25-37 μm em diâmetro da base e 15-25 μm na extremidade. Nesta, situa-se um número variável de hifas hialinas ostiolares (8-14), delgadas, de 36-80 μm x 2-3 μm. Ascósporos são unicelulares, hialinos e achatados na forma de chapéu. São eliminados do peritécio através de um ostíolo na extremidade do pescoço, envoltos em massa gelatinosa. O patógeno forma, em cultura pura, endoconídios hialinos em cadeias, unicelulares, cilíndricos, truncados nas extremidades, medindo 15,1-22,65 x 2,72-4,53 μm e macroconídios marrom-pálidos a oliva-escuros, elípticos a subglobosos, às vezes em cadeia, medindo 8,35-17,42 x 7,26-11,97 μm.

Propágulos desse fungo são disseminados na natureza através da água, vento e equipamentos utilizados nos tratos culturais. Há suspeita de que a broca Xyleborus ferrugineus (Ordem Coleóptera, Família Scolytidae) também esteja envolvida na transmissão do patógeno, embora isto não tenha sido comprovado experimentalmente.



Controle - Nenhuma medida eficiente foi desenvolvida para o controle da seca da figueira. Até o momento, o controle da doença parece estar sendo feito por meio da adoção de medidas sanitárias como eliminação de tecidos doentes, remoção completa e queima imediata de ramos doentes, desinfecção das áreas expostas das plantas com pasta bordalesa ou outro fungicida sucedâneo e redução de injúrias provocadas na casca por equipamentos de cultivo e colheita. Dentre estas medidas, a remoção de partes doentes da figueira tem oferecido bons resultados para o controle da doença, uma vez que a recuperação das plantas é rápida.

O controle dessa doença também pode ser feito indiretamente, através da aplicação de inseticidas específicos visando a eliminação da broca. No uso de fungicidas e inseticidas, deve-se utilizar aqueles recomendados pelos órgãos oficiais e seguir as instruções dadas pelo fabricante.


FERRUGEM DA FIGUEIRA Cerotelium fici (Cast.) Arth.

Esta doença foi constatada no Estado de São Paulo há mais de 85 anos e hoje pode ser encontrada em todas as áreas de cultivo da figueira. As perdas causadas pela ferrugem podem ser elevadas, especialmente nos casos onde não é feito o controle do patógeno e quando há condições favoráveis ao seu desenvolvimento. O agente causal da ferrugem pode parasitar, além da figueira, outras espécies do gênero Ficus.



Sintomas - A ferrugem manifesta-se primeiramente sobre as folhas, na forma de pequenas manchas angulosas de cor verde-amarelada. Posteriormente, essas manchas tornam-se maiores e de coloração parda. Na superfície inferior das folhas, na região correspondente às manchas, é observada a presença de pústulas que, ao abrirem-se, expõem uredósporos ferruginosos e pulverulentos, folhas severamente afetadas amarelecem, secam e caem prematuramente. Quando a infecção ocorre em estádios iniciais do desenvolvimento vegetativo da planta, pode-se ter ausência total da frutificação. Freqüentemente, as folhas mais velhas são afetadas em primeiro lugar e, em poucos dias (20-30), toda a folhagem pode ficar coberta de pústulas. Quando a figueira é afetada no estádio de frutificação, mesmo que a doença não ocorra de forma tão severa, pode haver uma diminuição no processo de maturação dos frutos, acarretando redução do seu valor comercial. Quando a pluviosidade é muito elevada, a ferrugem pode ocasionar desfolha completa da árvore em 20 a 30 dias.

Etiologia - O agente causal da ferrugem é Cerotelium fici, fungo Basidiomiceto, da ordem Uredinales e família Pucciniaceae. Esse patógeno encontra-se distribuído por todas as regiões tropicais e subtropicais do mundo onde se cultiva F carica. Seus uredósporos são globosos, providos de membrana espessa e equinada, medindo 1 8-25 x 12-22 μm. Massas de paráfises de paredes finas e hialinas são encontradas nas margens dos soros, acompanhando os uredósporos. Teliósporos ainda não foram observados no Brasil.

A sobrevivência deste fungo durante o período de repouso vegetativo da figueira dá-se nas folhas afetadas que permanecem no chão. O período de repouso vegetativo da figueira é relativamente curto (maio a agosto), havendo a possibilidade de existir folhas doentes remanescentes no pé até a época da poda (julho e agosto), quando o inverno não é muito frio nem seco. Assim, o inóculo presente nas folhas no chão é disseminado durante o desenvolvimento vegetativo da planta pela ação do vento e respingos de chuva. Ao atingirem as folhas, na presença de umidade, os esporos germinam e penetram através dos estômatos. Após 2 semanas, aproximadamente, é possível observar a presença de sintomas de ferrugem nas folhas.



Controle - O controle deve ser realizado basicamente em 2 épocas. A primeira época corresponde ao período de repouso vegetativo das plantas (inverno). Nessa ocasião devem ser eliminados todos os Órgãos que possam servir de fonte de inóculo primário para a fase de desenvolvimento vegetativo da estação seguinte, inclusive as folhas afetadas no chão. Deve-se também pulverizar as plantas com calda bordalesa.

A segunda época corresponde à fase de vegetação, que vai desde a brotação até a maturação dos frutos. Nessa ocasião toda a folhagem, principalmente a em desenvolvimento, deve ser protegida com aplicações de calda bordalesa a 1% espaçadas de 10 a 15 dias. Os fungicidas à base de cobre insolúvel ou os sistêmicos como propiconazole, difenoconazole, etilenobisditiocarbamatos e triazóis também dão bons resultados, com a vantagem sobre a calda bordalesa de poder aplicá-los a baixo volume, o que garante melhor cobertura. Entretanto, a calda bordalesa, além da sua maior tenacidade, confere, aparentemente, certa rigidez desejável à casca do figo, razão porque é preferida pelos ficicultores.


MELOIDOGINOSE - Meloidogyne incognita (Kofoid & White) Chitwood

A Meloidoginose foi relatada pela primeira vez em 1949 em figueirais do Estado de São Paulo. Danos ocasionados pela doença podem ser mais severos do que os da ferrugem, uma vez que é capaz de levar a planta afetada à morte. É possível que os danos que acarreta à cultura sejam subestimados, pois os sintomas mais evidentes da doença aparecem no sistema radicular das plantas, normalmente fora do alcance da observação visual. Além disso, sob condições de umidade e fertilidade favoráveis ao desenvolvimento da figueira, plantas afetadas podem não mostrar sintomas reflexos apreciáveis na parte aérea.

Mais de 1.000 espécies de plantas podem sofrer o ataque deste nematóide, que é comum em solos arenosos. Figueiras cultivadas nestes solos são muito sensíveis à meloidoginose.

Sintomas - Plantas com ataque severo geralmente apresentam um grande número de galhas no sistema radicular. Sob condições desfavoráveis ao desenvolvimento dos hospedeiros, estes poderão mostrar sintomas reflexos como amarelecimento e queda prematura das folhas, fraco desenvolvimento, baixa produção e morte. Tem-se relacionado morte de plantas sob condições de baixa temperatura, pois plantas portadoras de galhas sofrem alterações cm seu metabolismo, não conseguindo sobreviver às condições de frio e seca do período de repouso vegetativo.

Etiologia - O nematóide Meloidogyne incognita pertence à Ordem Tylenchida, Subordem Tylenchina, Superfamília Heteroderoidea, Família Heteroderidae. As fêmeas adultas são piriformes, providas de pescoço, medindo aproximadamente 800 μm de comprimento por 500 μm de largura. Os ovos, produzidos em grande número (em média, 400 a 500/fêmea; podendo chegar até 2850/fêmea), são cilíndricos, medindo 90 x 40 μm. Os machos são vermiformes e medem cerca de 2.000 μm de comprimento por 36 μm de largura.

Sendo parasita obrigado, esse nematóide vive constantemente em associação com hospedeiros vivos. Isso não significa, entretanto, que o patógeno não sobreviva de um ano para outro nos restos de cultura, pois seus ovos podem permanecer viáveis no solo por um período de tempo considerável. Geralmente, os ovos são depositados no interior dos tecidos radiculares afetados mas, freqüentemente, algumas fêmeas vêm ter à superfície da casca, pelo rompimento do córtex radicular, depositando os ovos externamente, envoltos em uma substância gelatinosa. O conjunto de ovos mais a gelatina, a ooteca, escurece com o tempo, tomando uma coloração parda a preta, podendo ser facilmente observado com uma lavagem cuidadosa do sistema radicular. Dos ovos surgem as larvas pré-parasitas que migram em direção à raiz atraídas quimiostaticamente pelos seus exsudatos. A larva migrante constitui a única fase em que o nematóide locomove-se por seus próprios recursos. Seu papel na disseminação é insignificante, pois sua capacidade de locomoção é de apenas 1 em/dia em linha reta. A larva penetra diretamente através da epiderme, principalmente ponta de raiz, destruindo algumas células epidermais e migrando intercelularmente através do córtex até atingir o cilindro central. Ganhando os tecidos, inicia-se o processo de formação de galhas, que são engrossamentos de diâmetro variável, resultantes de hiperplasia do cilindro central e, mais marcadamente, do parênquima cortical, que ocorrem ao redor do corpo do nematóide em desenvolvimento. Sob condições de 27 a 300C, temperatura ideal para o nematóide, seu ciclo é completado em 17 dias. Condições arenosas de solo também são favoráveis à meloidoginose.

A disseminação a longas distâncias deste nematóide ocorre através de estacas enraizadas doentes, da água de chuva ou de irrigação e pelo transporte de solo contaminado (terra aderente às máquinas agrícolas, pés de animais e do homem, etc).

Controle - Uma vez introduzido num campo, os nematóides são extremamente difíceis de serem completamente erradicados, motivo porque as medidas de controle devem ser baseadas fundamentalmente no princípio da exclusão. Como o patógeno é introduzido num campo não contaminado principalmente através de mudas enraizadas, deve-se dar ênfase à produção de mudas sadias. A produção de mudas sadias deve-se basear no uso de estacas sadias, livres do contato direto com o solo, e seu enraizamento deve ser realizado em solo não contaminado. Para garantir a sanidade do canteiro de produção de mudas, deve-se fazer a fumigação do solo com brometo de metila.

O uso de porta-enxertos resistentes seria uma prática bastante interessante, porém este tipo de controle ainda necessita de estudos, principalmente para as nossas condições. Nos Estados Unidos, comprovou-se que uma seleção de Ficus glomerata Roxb., resistente à meloidoginose, foi compatível com várias variedades de figo comercial. Seu único inconveniente reside no fato de não resistir às condições de frio muito intenso.

Nas áreas altamente infestadas recomenda-se a erradicação das plantas afetadas e repouso do campo por 2 ou 3 anos. Durante este período, pode-se realizar o plantio de Crotalaria spectabilis, que apresenta a capacidade de atrair os nematóides para suas raízes, sem, contudo, permitir seu desenvolvimento. Associado a esse procedimento, pode-se também fazer arações, expondo os nematóides a condições adversas para seu desenvolvimento (seca e radiação solar), e tratamentos químicos semelhantes aos indicados para a sanidade dos canteiros.

Uma prática muito utilizada em plantações já desenvolvidas é a utilização de cobertura morta, que controla o nematóide por favorecer o desenvolvimento de uma microflora antagônica. Adubações bem equilibradas e constantes favorecem a emissão de novas raízes em substituição às destruídas pelos nematóides.


OUTRAS DOENÇAS

Além das doenças de maior importância econômica já descritas neste capítulo, pode-se encontrar na literatura nacional relatos de outras, de menor relevância até o momento, tais como: mancha foliar de Phyllosticta sycophila Thuem; antracnose dos frutos, causada por Colletotrichum gloeosporioides Penz; podridão dos frutos causada por Phytophthora sp. e por Rhizopus nigricans Ehr; cancro dos ramos causado por Phomopsis cinerescens e Fusarium sp. e podridão de raízes, provocada por Rosellinia sp. Há também relato da ocorrência do nematóide Heterodera fici Kijanova, causando cistos em raízes de figueira em São Paulo.

Em 1984, foi registrada a ocorrência de uma anomalia na região de Valinhos, SP, cuja etiologia não foi estabelecida até o momento. Os sintomas eram de enfezamento da brotação pós-poda. Estudos de microscopia mostraram alterações no floema caracterizadas por aumento tanto no número de elementos crivados quanto nos componentes fibrilares e tubulares que ocupam seu lúmen.

A menor gravidade da maioria dessas outras doenças aparentemente se deve ao fato de os ficicultores aplicarem sistematicamente a calda bordalesa em suas plantações e também porque o sistema de poda, bastante drástica comparada a outros países, não permite o aumento de inóculo destes patógenos.



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