Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas



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D. R. Trindade



ANTRACNOSE - Botryodiplodia palmarum (Cooke) Petr. & Syd.; Glomerella cingulata (Stonem.) Spaulding & Schrenk; Melanconium sp.

Antracnose é o nome coletivo das infecções foliares das plantas jovens de dendezeiro, em viveiros. Estas infecções estão largamente distribuídas e relacionadas com o manejo das plantas.



Sintomas - Os sintomas aparecem em plantas com até 3 meses de idade, podendo, em condições favoráveis, ocorrer também em plantas mais velhas. Inicialmente, os sintomas caracterizam-se por pequenas manchas claras que evoluem para marrom-escuro, circundadas por um halo marrom-pálido e, mais externamente, por uma zona amarelada. Com o passar do tempo, as lesões aumentam de tamanho e suas partes centrais tornam-se acinzentadas.

Etiologia - A antracnose é causada por pelo menos três fungos distintos, Botryodiplodia palmarum, Melanconium sp. e Glomerella cingulata. Os dois primeiros agentes provocam sintomas similares, ao passo que de G. cingulata produz lesões delimitadas pelas nervuras.

Controle - Como medidas preventivas deve-se manter as plantas bem nutridas, facilitar a ventilação entre elas e aplicar os fungicidas ziram, captan ou thiram a 0,2%. Não se recomenda aplicar fungicidas cúpricos devido à fitotoxidade.
MANCHA FOLIAR DE VIVEIRO

É uma doença comum cm todas as regiões de cultivo do dendezeiro. A exemplo da antracnose, as plantas são mais suscetíveis durante os primeiros meses após o transplante para o viveiro.



Sintomas - Os sintomas surgem nas folhas novas completamente abertas, sob a forma de pequenas manchas circulares, amareladas, que se tornam marrons com uma depressão na parte central, delimitadas por um halo amarelado. O halo pode não surgir quando as plantas estiverem em solo turfoso. Pode ocorrer coalescimento das lesões, provocando uma seca rápida.

Etiologia - Os fungos associados à mancha foliar de viveiro são Cochliobolus carbonum, C. geniculatus, C. heterostrophus, Curvularia eragrostidis, C. fallax, Drechslera halodes e Helminthosporium sp. Estes fungos estão distribuídos em toda região tropical.

Controle - Para o controle de Cochliobolus deve-se aplicar thiabendazol a 0,1%; ferbam ou thiram a 0,2% são recomendados para Drechslera e Helminthosporium; para Curvularia recomenda-se captan e thiram a 0,2%. O intervalo entre aplicações deve ser de 5 a 7 dias.
MANCHA FOLIAR DE CERCOSPORA - Cercospora elaeidis Stey

Em muitos países, esta é uma das mais importantes doenças foliares do dendezeiro, na fase de viveiro, devido à marcante suscetibilidade da espécie Elaeis oleifera e de seus híbridos com E. guineensis.



Sintomas - Os sintomas podem aparecer na fase de pré-viveiro ou viveiro e caracterizam-se por pequenas manchas descoloridas, circundadas por um halo verde-pálido. À medida que crescem, as manchas tornam-se deprimidas e de cor marrom. Aproximadamente um mês após o aparecimento da lesão primária, pode-se observar uma série de manchas adicionais, ao seu redor, que coalescem, formando extensa área necrosada. A necrose aumenta rapidamente e o limbo foliar torna-se acinzentado a marrom. Sobre as lesões observa-se abundante esporulação do agente causal.

Etiologia - A doença é causada por Cercospora elaeidis. Este fungo produz conidióforos septados, marrons, com 6-7 x 1 30-330 μm, que se formam em grupos de oito. Os conídios produzidos em suas extremidades são obcláveos, hialinos a oliváceos, com 3 a 9 septos. A penetração do fungo ocorre através dos estômatos e é favorecida por períodos de alta umidade. Plantas com deficiência nutricional são mais predispostas à infecção.

Controle - Algumas práticas culturais como a eliminação de folhas velhas com sintomas e a adubação adequada das plantas, auxiliam o controle da doença. No entanto, quando as condições de ambiente são favoráveis ao patógeno, deve-se recorrer ao controle químico, com aplicações de benomyl 0,1%, tiofanato metílico 0,15%, carbendazim 0,15% ou mancozeb 0,2%.
NECROSE FOLIAR DE CORTICIUM - Corticium solani (sin. – Thanatephorus cucumeris - Rhizoctonia solani Kühn)

É uma doença que ocorre em vários países onde o dendezeiro é cultivado e sua importância varia de região para região. Prejuízos importantes têm sido relatados em países africanos. Ocorre nas fases de viveiro e pré-viveiro.



Sintomas - Os sintomas variam com a idade da folha no momento da infecção. Normalmente, os sintomas começam nas folhas mais jovens (folhas ainda não totalmente abertas), podendo ocorrer também na base da flecha dos “seedlings” jovens. Neste caso, a lesão inicialmente é irregular, verde-olivácea, limitada por bordos violeta-marrom. A lesão torna-se proeminente com a expansão da flecha. Em “seedlings” mais velhos, o apodrecimento pode tomar toda a flecha. Inicialmente, o tecido lesionado tem aspecto úmido e quando a flecha se expande, a lesão seca rapidamente tornando­se acinzentada com margem marrom brilhante.

Etiologia – O agente causal é o fungo Corticium solani, também chamado de Thanatephorus cucumeris, cuja fase imperfeita é conhecida como Rhizoctonia solani.

Controle - Os “seedlings” afetados devem ser removidos do viveiro. Deve-se evitar o excesso de água e sombra. Quando o ataque é severo, são recomendadas aplicações de thiabendazol a 0,1% com 10 a 14 dias de intervalo.

AMARELECIMENTO FATAL DO DENDEZEIRO-AF

Esta doença é também chamada de “podridão da flecha” e “guia podre”. Foi constatada pela primeira vez em 1974, no município de Benevides, Estado do Pará. Mais recentemente, foi também relatada nos Estados do Amazonas e do Amapá. Doença semelhante a esta ocorre na Nicarágua, Colômbia, Equador e Costa Atlântica do Panamá, conhecida como “pudrición del cogollo” - PC. É a doença mais importante da cultura na América Latina.



Sintomas - Inicialmente, observa-se amarelecimento dos folíolos basais das folhas mais jovens (Prancha 30.1). Em seguida, surgem necroses, que evoluem da extremidade para a base, até causar a seca completa da folha. Plantas com 2 anos de idade já mostram sintomas. O mesmo quadro sintomatológico ocorre nas flechas. É muito comum folhas e flechas quebrarem-se na base (Prancha 30.2). As partes internas do estipe não apresentam alterações, mas há redução na emissão de raízes. Os cachos formados antes do aparecimento dos sintomas chegam a ser colhidos, mas cachos mais jovens bem como inflorescências formados em plantas sintomáticas abortam e secam. A diferença básica entre AF e PC, é que neste caso, o apodrecimento das flechas evolui causando também apodrecimento do tecido meristemático imediatamente abaixo, enquanto no AF isto não ocorre.

Etiologia - Tanto para a sintomatologia que ocorre no Brasil como nos demais países citados, não se conhece o agente causal.

Controle - Embora não se conheça ainda o patógeno do AF, tem-se evidência de que a espécie Elaeis oleifera, não é afetada. Assim, vem sendo desenvolvido um intenso programa de melhoramento genético, visando incorporar a resistência de E. oleifera na espécie comercial E. guineensis.

Outra medida recomendada para o controle da doença é a inspeção periódica da plantação, com freqüência semanal ou quinzenal, para identificar e eliminar as plantas com sintomas iniciais.


FUSARIOSE DO DENDEZEIRO - Fusarium oxysporum f. sp. elaedis

A ocorrência da fusariose do dendezeiro foi primeiramente assinalada no Zaire em 1946. Atualmente, esta doença está distribuída em quase todos os países que plantam o dendezeiro.



Sintomas - Normalmente, os sintomas aparecem em plantas com mais de 4 anos de idade. Inicialmente, observa-se um amarelecimento pálido nas folhas velhas e medianas, sendo comum o amarelecimento unilateral de folíolos. Com a evolução dos sintomas, as folhas mais velhas secam rapidamente, quebrando-se geralmente na base dos pecíolos, mas permanecendo presas à planta, à semelhança de um guarda-chuva. Os sintomas progridem para as folhas jovens, provocando, finalmente, seca total e morte da planta. Em casos muito avançados da doença, pode ocorrer o apodrecimento dos cachos.

Internamente, o estipe apresenta coloração marrom. A necrose restringe-se aos tecidos condutores e pode progredir no sentido ascendente, atingindo a base dos pecíolos. O cilindro vascular das raízes exibe um escurecimento mais ou menos acentuado, mas o sistema radicular mostra-se funcional.



Etiologia - O agente causal da fusariose do dendezeiro é o fungo Fusarium oxysporum f. sp. elaedis.

Controle - O uso de material resistente ou tolerante é o método mais seguro, podendo ser complementado com uma adubação equilibrada em potássio.

ANEL VERMELHO DO DENDEZEIRO - Rhadinaphelenchus cocophilus

É uma das mais importantes doenças do dendezeiro na América Latina, causando grandes prejuízos nas primeiras plantações implantadas no Estado da Bahia.



Sintomas - A planta apresenta, inicialmente, uma redução no crescimento das folhas centrais, com nítida tendência de agrupamento das mesmas. Em seguida, estas folhas centrais tornam-se amarelecidas e seu pecíolo pode exibir tonalidade alaranjada. As inflorescências das plantas afetadas normalmente abortam. Os frutos dos cachos já formados apodrecem antes da maturação. Internamente, a planta apresenta tecidos necrosados que em corte transversal têm o formato de um anel. Algumas vezes, a necrose é observada apenas nos pecíolos. Nas partes necrosadas quase sempre encontra-se o agente patogênico. Em geral, os sintomas ocorrem em plantas com mais de 5 anos.

Etiologia - O agente causal é o nematóide Rhadinaphelenchus cocophilus, cujo vetor é o besouro Rhynchophorus palmarum. O vetor pode transportar o nematóide externa e internamente ao seu corpo. Maiores detalhes do agente causal são relatados no capítulo de Doenças do Coqueiro.

Controle - Não se conhece nenhum método capaz de salvar uma planta de dendezeiro afetada pelo anel vermelho. Assim, plantas enfermas devem ser eliminadas. O controle de besouros por armadilhas é uma medida adicional que deve ser adotada.
MARCHITEZ SORPRESSIVA - Phytomonas sp.

Esta doença foi relatada apenas na América do Sul e ataca plantas com mais de dois anos de idade. É também conhecida como “hartrot”, murcha fatal e “seca súbita”.



Sintomas - Caracterizam-se por uma coloração amarronzada nas extremidades dos folíolos das folhas mais velhas, progredindo para a base e provocando uma rápida seca de toda a folha. É comum os folíolos mostrarem-se totalmente secos, enquanto a ráquis ainda exibe uma coloração verde-pálida, secando posteriormente. A seca atinge rapidamente as folhas medianas, enquanto as flechas apodrecem nas plantas em estádio avançado da doenças flechas normalmente quebram na base. As inflorescências abortam e os cachos imaturos apodrecem.

Etiologia - O mais provável agente causal da marchitez sorpressiva é o protozoário flagelado Phytomonas. Existem evidências de sua transmissão pelo homóptero Haplaxius pallidus e pelo hemíptero Lincus lethifer.

Controle - Recomenda-se o controle químico dos insetos vetores. Aparentemente, a espécie Elaeis oleifera não é afetada pela marchitez sorpressiva, podendo ser empregada na obtenção de híbridos com E. guineensis.
OUTRAS DOENÇAS

Um grande número de fungos associa-se às manchas foliares e, além dos que já foram relatadas anteriormente, outras doenças de menor significado merecem ser citadas.



Mancha de Pestalotia - Os sintomas são lesões de forma irregular, de cor alaranjada, que podem evoluir para necrose em extensas áreas da folha. O agente causal é o fungo Pestalotiopsis sp., considerado um patógeno fraco para dendezeiro no viveiro, que requer predisposição do tecido foliar antes da infecção. Normalmente, dispensa medidas de controle, mas se necessário, os fungicidas maneb, zineb ou benomyl a 0,2% podem ser aplicados. O patógeno também ataca plantas adultas onde causa manchas marrons, circulares, de contorno irregular. À medida que evoluem em tamanho, a parte central seca e rasga. Nesta parte central notam-se minúsculas pontuações escuras, que são os acérvulos do fungo.

Mancha de Cylindrocladium - Os sintomas na flecha são pequenas manchas marrons mais ou menos circulares, de 1-3 mm de diâmetro. Nas folhas totalmente abertas, as manchas são maiores, com até 10 mm de diâmetro e apresentam bordos escurecidos. A lesão evolui e toma coloração acinzentada, com esporulação na face abaxial da folha. O agente causal é o fungo Cylindrocladium macrosporum, que produz conídios hialinos com 1 a 3 septos, alongados. Quando necessário, deve-se aplicar benomyl a 0,1%.

Estrias Bronzeadas - O sintoma é notado na folha em expansão, onde aparecem estrias brancas entre as nervuras. Estas estrias cloróticas são de aproximadamente 0,5 mm de largura. Podem ser descontínuas, produzindo pontos cloróticos discretos. Quando o sintoma é severo, há atraso no desenvolvimento dos “seedlings”. A causa destes sintomas é ainda desconhecida.

Mancha Clorótica Circular - Os sintomas de clorose circular ocorrem entre as nervuras. Em casos severos, as manchas coalescem e podem ocupar até a metade do folíolo. Este sintoma pode evoluir para uma coloração verde-pálido. As lesões podem ser de forma circular ou oval. A causa destes sintomas permanece desconhecida.

Podridão Seca do Coração - A doença foi identificada pela primeira vez na Costa do Marfim e hoje já é citada em vários países que plantam dendezeiro. Os sintomas manifestam-se por um atraso no crescimento da flecha, seguido de um amarelecimento generalizado das folhas mais jovens. Sobre os folíolos basais da flecha surgem manchas arredondadas e ovaladas, que mais tarde coalescem e necrosam, provocando a seca da flecha. O agente causal é ainda desconhecido. As plantas infectadas devem ser eliminadas imediatamente.

Arcada Foliar ou Doença da Coroa - E uma doença que está presente em todas as regiões onde se cultiva o dendezeiro. As plantas nas idades de 2 a 4 anos são as mais afetadas. O sintoma típico desta doença é a forte curvatura mediana da ráquis, induzindo as folhas a se curvarem para baixo. E comum a seca total da flecha afetada. A causa é ainda desconhecida. Não existem medidas de controle.

Podridões dos Troncos e das Raízes - As podridões dos troncos e raízes do dendezeiro são mais comuns nos plantios da África e Ásia. Existem vários fungos associados às podridões do dendezeiro, entre os quais pode-se citar: Ganoderma sp., Ustulina sp., Phellinus sp., Armillariella sp. e Ceratocystis sp. Geralmente, o controle da podridão do tronco e raiz do dendezeiro é impraticável. Tem-se que remover e queimar as plantas com sintomas de podridão.

Podridões das Flechas das Plantas na Fase de Viveiro - O apodrecimento das folhas ainda não abertas, tem ocorrido freqüentemente na África e Ásia. Inicialmente aparecem lesões descoloridas, de aparência encharcada, que evoluem para marrom-pálidas com margens estreitas de cor laranja-marrom. O tecido adjacente tem aparência clorótica. Os fungos associados a esta podridão são Phytophthora sp. e Fusarium sp. A doença pode ser minimizada com a eliminação da flecha no início do aparecimento dos sintomas.

Podridão de Raízes de Plantas no Viveiro - As podridões de raízes de plantas em fase de viveiro são de pouca importância econômica, embora em alguns países, como a Malásia, tenha causado perdas significativas. Os sintomas são notados inicialmente nas folhas. Folhas jovens secam repentinamente. Observa-se uma podridão úmida dos tecidos da raiz e desintegração total do córtex. O tecido vascular mostra-se marrom e descolorido a uma considerável distância do tecido cortical apodrecido. Os organismos associados à podridão das raízes são fungos dos gêneros Fusarium, Pythium e Rhizoctonia. O controle das podridões é muito difícil, mas a drenagem do solo é prática desejável.

Patógenos de Semente - A germinação das sementes de dendezeiro é uma fase muito importante da cultura, por ser um processo caro e demorado. Os patógenos podem contribuir significativamente nas baixas porcentagens de germinação e os mais freqüentes são algumas espécies dos gêneros Penicillium, Aspergillus, Trichoderma e Schizophylum commune. O controle é alcançado mantendo-se a umidade abaixo de 17%, durante o período de aquecimento. Pode-se submeter as sementes ao tratamento com fungicidas logo após a retirada do mesocarpo, colocando-as por alguns minutos em uma solução de thiram a 0,2% , com adição de um surfactante. Tratamento similar pode ser feito após o período de aquecimento e quando as sementes são umedecidas para germinar. Nestes casos, deve-se submeter às sementes ao tratamento com mancozeb 0,1% em mistura com benomyl 0,05%, por 15 minutos.
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DOENÇAS DA ERVA-MATE

(Ilex paraguariensis St.Hil.)

A. Grigoletti júnior & C. G. Auer

O cultivo da erva-mate vem se expandindo nos Estados do Sul do Brasil desde 1980. Em função da domesticação da cultura, do aumento da área plantada e das práticas de manejo utilizadas, os problemas fitossanitários têm se agravado, sendo no viveiro onde ocorrem os maiores problemas.


TOMBAMENTO DE MUDAS - Fusarium sp.; Pythium sp.; Rhizoctonia sp.

O tombamento de mudas é um dos principais problemas fitossanitários em viveiros, visto que, geralmente, o viveirista não realiza a desinfestação do substrato e utiliza semeadura adensada.



Sintomas - Em pré-emergência, sementes não germinam ou perecem logo após. Na pós-emergência ocorre estrangulamento da plântula na região do colo, provocando seu tombamento.

Etiologia - Fungos freqüentemente associados ao tombamento de mudas são Fusarium sp., Pythium sp. e Rhizoctonia sp. As principais fontes de inóculo são sementes, substrato, materiais, embalagens e instalações contaminadas. A disseminação no canteiro dá-se por meio de água de irrigação. Nas mudas repicadas, ocorre por meio de respingos de água e movimentação das mudas. Os fungos sobrevivem na forma de clamidósporo, oósporo e escleródio.

A condição favorável mais importante para o desenvolvimento da doença é a alta umidade do solo. Muito embora não se tenha realizado um estudo específico sobre a temperatura ótima requerida pelos patógenos envolvidos, presume-se que a faixa de temperatura favorável seja bastante ampla, em função de relatos em outras culturas.



Controle - Medidas de controle poderão ser de natureza cultural ou química. As práticas culturais mais indicadas são: semear no máximo 250 g de sementes/m2 proteger as sementeiras do excesso de chuvas; utilizar sistema de drenagem eficiente e substrato com boa porosidade; irrigar freqüentemente com volumes reduzidos de água; evitar excesso de sombreamento e adubação nitrogenada, de modo a não estiolar as plântulas. A utilização de substratos com baixo teor de matéria orgânica também contribui para o controle da doença. A desinfestação química do substrato, do material e das instalações utilizadas é uma medida bastante eficiente. Métodos físicos como solarização e utilização de vapor de água fluente devem ser utilizados sempre que possível.
PINTA PRETA DA ERVA-MATE - Cylindrocladium spathulatum El-Gholl et al.

A mancha da folha da erva-mate, também conhecida como pinta-preta, é a principal doença fúngica da cultura. Causa severos prejuízos tanto em viveiro como em campo, provocando até 30% de perda de mudas.



Sintomas - O ataque do fungo provoca lesões arredondadas, às vezes concêntricas, no interior ou nos bordos do limbo, geralmente em folhas adultas. Estas manchas poderão aumentar em tamanho e número, tomar grande parte da folha e provocar sua queda. Na face abaxial da folha, verifica-se, em condições de umidade constante, abundante frutificação esbranquiçada, sinal característico do patógeno. Uma característica marcante da doença é provocar a queda das folhas basais, deixando as mudas somente com a brotação apical.

Etiologia - O agente causal da pinta-preta é o fungo Cylindrocladium spathulatum, habitante natural do solo, onde sobrevive na forma de microescleródios. A penetração do fungo dá-se predominantemente por meio dos estômatos.

No viveiro, a disseminação realiza-se por meio de respingos de água. Microescleródios, presentes no substrato e instalações, são responsáveis por infecções primárias. Infecções secundárias dão-se, principalmente, por conídios oriundos de folhas afetadas. Plantações próximas ao viveiro e produção contínua de mudas, sem os devidos cuidados sanitários, são as principais causas da disseminação e multiplicação do inóculo durante o ano. Excesso de umidade, sombreamento e vigor da muda contribuem para o agravamento da doença.



Controle - Recomendam-se: selecionar mudas sadias; desinfestar substratos, materiais, instalações e recipientes sempre que iniciar nova produção de mudas; manter o viveiro limpo, coletando folhas caídas; adequar as condições de umidade e luminosidade.

Em condições de ocorrência severa da doença, recomenda-se a aplicação de fungicidas curativos juntamente com produtos protetores.


ANTRACNOSE - Colletotrichum yerbae Speg.

A doença manifesta-se principalmente em brotações novas, folhas e ramos jovens. Ocorre no viveiro, no campo e também nas estacas durante o processo de propagação vegetativa.



Sintomas - Nas sementeiras, ocorre a queima e morte do ápice das plântulas, impedindo o crescimento e provocando alterações na forma das mudas. A morte apical ativa as gemas laterais, estimulando o perfilhamento das mudas. Os principais sintomas nas folhas são manchas necróticas escuras, irregulares, incidindo principalmente nos brotos, causando deformações nas folhas jovens. Em condições de extrema umidade, surgem sinais do patógeno na forma de massas de conídios de coloração amarelo-alaranjada.

Etiologia - O fungo causador da antracnose pertence ao gênero Colletotrichum. Pouco se conhece sobre esta doença e as condições de temperatura, umidade, disseminação e sobrevivência do patógeno ainda não foram estudadas.

Controle - Como principais medidas de controle são indicadas: desinfestação do substrato, estacas, materiais, recipientes e instalações; seleção de plântulas sadias; descarte de mudas muito atacadas; poda e eliminação das extremidades atacadas antes do tratamento químico.
OUTRAS DOENÇAS

No viveiro, além das doenças já descritas, podem ocorrer podridões de raízes causadas principalmente por Fusarium sp. e Pythium sp.; cercosporiose causada por Cercospora yerbae Speg.; podridões de estaca causadas por Fusarium sp. e doenças causadas por nematóides, principalmente do gênero Meloidogyne sp. Em campo, as principais doenças são fumagina causada por Meliola sp.; fuligem causada por Asterina mate Speg. (Prancha 31.1); roseliniose causada por Rosellinia sp. A queda de folhas pode ser causada por C. spathulatum ou distúrbios fisiológicos decorrentes de regimes hídricos extremos como seca ou encharcamento do solo.


BIBLIOGRAFIA

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DOENÇAS DA ERVILHA

(Pisum sativum L.)

J. R. Stangarlin, S. F. Pascholati &

C. L. Salgado

A ervilha é uma planta leguminosa que pode ser consumida na forma de grãos verdes ou secos reidratados. Grãos secos reidratados e enlatados representam cerca de 90% do total de ervilha consumida no Brasil. A preferência das indústrias de processamento de ervilha é para cultivares que produzam sementes lisas e verdes.

Como cultura típica de inverno, seu cultivo é favorecido por temperaturas amenas, variando de 13 a 180C. Altas temperaturas por ocasião do florescimento podem causar abortamento das flores e queda de produtividade. A Região Centro-oeste oferece condições climáticas adequadas para produção de grãos secos, desde que o cultivo seja feito de março a setembro, sob irrigação.

Até a década de 80, o cultivo de ervilha no Brasil limitava-se a uma pequena área na Região Sul e destinava-se à colheita de grãos verdes. A partir dessa época, seu cultivo começou a se expandir na Região Centro-oeste, atualmente a principal região produtora do país.


MOSAICO DA ERVILHA TRANSMITIDO PELA SEMENTE - “Pea seed-borne mosaic virus” - PSbMV

Essa doença foi detectada no Brasil pela primeira vez em 1989 em campos de produção em Dourados-MS e Brasília-DF. E uma doença de grande importância, pelo elevado número de cultivares suscetíveis, por ocorrer em quase todos os locais do mundo onde a ervilha é cultivada e por ser capaz de infectar também outras leguminosas como lentilha e grão-de-bico, além de mais 47 espécies em 12 famílias botânicas diferentes. A facilidade na importação de sementes de outros países pode contribuir ainda mais para sua disseminação. Nos Estados Unidos, por exemplo, em torno de 23% dos acessos disponíveis em bancos de germoplasma estão infectados com o PSbMV.



Sintomas - As plantas infectadas com o PSbMV apresentam nanismo com folhas e vagens deformadas, com ou sem mosaico foliar, encrespamento das gavinhas e clareamento das nervuras nos folíolos a partir do ponto de infecção. Pode ocorrer abortamento de vagens e sementes em casos mais severos, além de retardamento da maturação e produção de sementes com tegumento partido.

Etiologia - PSbMV é uma espécie do gênero Potyvirus, da família Potyviridae, com partícula flexuosa de 780 nm e fita simples de RNA. Esse vírus é transmitido pela semente em pelo menos duas outras espécies de leguminosas ao lado da ervilha: lentilha (Lens culinaris) e feijão mungo (Vicia faba). Também pode ser transmitido pelo pólen de plantas infectadas, embora esse tipo de transmissão seja pouco importante, e mecanicamente. No campo, o vírus é disseminado por pulgões, como Myzus persicae e Acyrthosiphon pisum, na forma não-persistente. A porcentagem de sementes contaminadas no campo aumenta a cada ano de cultivo, uma vez que as plantas infectadas ficam encobertas pelas plantas sadias e acabam sendo colhidas juntamente com estas. Isso representa grande perigo, tanto em campos de produção de sementes para comércio quanto para programas de melhoramento. Não há transmissão para sementes em temperaturas acima de 350C e em infecções tardias. O vírus apresenta grande variabilidade.

Controle - Deve-se utilizar sementes comprovadamente sadias, procedendo-se a uma séria e detalhada avaliação de todo material que for adquirido, principalmente por importação de outras regiões produtoras. Após a instalação da doença em determinada área, a maneira mais eficiente de controle é o uso de materiais resistentes, tais como Dark Skin Perfection e Alaska 81, uma vez que a eliminação do vírus e do vetor de uma área infectada é muito difícil. Os cultivares Triofin, Bolero e Torta Flor Roxa são suscetíveis.
VAGEM MARROM - Tospovirus

Essa doença foi primeiramente detectada em 1985 nas regiões produtoras do Distrito Federal e atualmente também ocorre nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.



Sintomas - Vagem marrom é assim denominada porque há a coalescência de anéis necróticos que produzem um bronzeamento nas vagens, resultando no seu abortamento. Também podem ser observados mosqueado, clorose e murcha das folhas baixeiras, pontuações necróticas em folhas e hastes, estrias avermelhadas nas hastes, endurecimento do colmo e queima de ponteiros.

Etiologia - O agente causal da vagem marrom pertence ao gênero Tospovirus, da família Bunyaviridae; as partículas são esféricas, recobertas por envelope de natureza lipoprotéica. Localiza-se dentro do retículo endoplasmático das células. O vírus é disseminado por meio de tripes dos gêneros Thrips e Frankliniella. A disseminação do vírus está na dependência direta da população dos vetores, que é maior nos meses de temperaturas mais altas. O vírus não é transmitido pela semente, mas pode sê-lo mecanicamente.

O tripes só adquire o vírus quando se alimenta em plantas doentes no estádio larval, mas é capaz de transmiti-lo durante toda sua vida. O tripes adulto não-virulífero é incapaz de agir como vetor, mesmo que se alimente em plantas doentes. Plantas enfraquecidas, tempo quente e úmido e presença de plantas doentes na periferia da cultura são fatores que facilitam a disseminação do vírus. A época mais provável de ocorrência é durante as fases do florescimento e formação de vagens.

Como indicadora da presença do vírus, pode-sei utilizar feijoeiro do grupo Manteiga, que apresenta lesões necróticas localizadas quando inoculado com extrato de plantas doentes.

Controle - O controle só é possível mediante a aplicação simultânea de diversas medidas, como o plantio em épocas do ano onde a população do vetor é pequena (uma vez que o controle químico do mesmo em grandes áreas é insatisfatório) e em locais afastados de fontes externas do vírus, como culturas suscetíveis (tomate e pimentão) e hospedeiras nativas. Embora não haja cultivares resistentes, o cultivar Mikado mostra-se menos suscetível que o Triofin em condições de campo.
MOSAICO - “Cucumber mosaic virus” - CMV

Essa doença já foi relatada em plantios da região de Dourados-MS, bem como em diversas outras regiões produtoras de ervilha no mundo. O vírus representa um perigo potencial para a cultura da ervilha, pois pode ser disseminado por mais de 60 espécies de afídeos e infectar cerca de 67 famílias botânicas de plantas ornamentais, frutíferas, cereais, hortaliças e forrageiras, entre outras.



Sintomas - No campo, é comum observar encurtamento de entrenós, mosaico e deformação foliar em plantas infectadas. Dependendo de condições ambientais, idade da planta e cultivar, os sintomas causados pelo CMV podem também incluir bolhas, anéis, necrose e morte das plantas.

Etiologia - CMV é um vírus do gênero Cucumovirus, da família Bromoviridae, apresentando um grande número de estirpes que se distinguem por círculo de hospedeiros, sintomas e relacionamento serológico. Pode ser transmitido por mais de 60 espécies de afídeos, principalmente Aphis gossypii e Myzus persicae, em todos os instares e de forma não-persistente. Não há transmissão através de sementes, embora isto possa ocorrer em outras culturas, em percentuais bastante reduzidos, como em caupi. Pode também ser transmitido mecanicamente.

Controle - Ainda faltam muitas informações sobre o aspecto epidemiológico e de quantificação de perdas. No entanto, devem ser tomadas medidas de controle como a eliminação de plantas com sintomas da doença.
CRESTAMENTO BACTERIANO - Pseudomonas syringae pv. pisi (Sackett) Young, Dye & Wilkie

Essa doença já foi registrada em culturas de ervilha no Estado de São Paulo em 1989 e representa grande perigo para a produção em locais onde se verifica alta umidade durante o ciclo da cultura. O patógeno pode ser transmitido interna e externamente em sementes contaminadas. Trabalhos realizados em países onde a doença ocorre mostram que apenas 0,01% de sementes infectadas pela bactéria é suficiente para destruir um campo de produção em condições de alta umidade e temperatura.



Sintomas - Toda a parte aérea da planta pode ser afetada. Na folha e caule as lesões são inicialmente encharcadas na superfície inferior e de coloração verde escuro a marrom na superior. Quando maduras, o centro da lesão adquire coloração palha-amarelado em contraste com os bordos mais escuros. Essas lesões são geralmente angulares, delimitadas pelas nervuras, e translúcidas quando observadas contra a luz. As vagens podem ser severamente infectadas através de lesões circulares, encharcadas, escavadas, tornando-se de coloração marrom e finalmente necróticas. Na semente podem ou não aparecer lesões escuras e encharcadas próximas ao hilo. O ataque nas flores impede a formação de vagens ou provoca sua deformação.

Etiologia - Pseudomonas syringae pv. pisi (sin. P pisi Sackett) é uma bactéria aeróbia e gram-negativa. As colônias em ágar são branco-acinzentadas, levemente salientes, cintilantes, translúcidas, lisas e com margens onduladas. O ótimo de crescimento ocorre a 26-280C (mínimo 30C) e o pH ótimo é 6,6-7,5 (os limites de crescimento são pH 5,5 e 8,0).

No campo, períodos frios ocasionam alterações nos tecidos da planta, favorecendo a infecção pela bactéria. Além de sementes contaminadas, dentro do campo a disseminação pode ocorrer através de água da chuva ou irrigação e maquinário agrícola.



Controle - Evitar a utilização de sementes contaminadas com a bactéria é a melhor forma de controle, utilizando-se sementes produzidas em locais isentos da doença ou, no caso de sementes importadas, aquelas que passaram por um período de quarentena. Esta medida controla também a mancha marrom cansada por P. syringae pv. syringae. À utilização de sementes sadias deve-se aliar a rotação de culturas, o plantio em épocas com temperaturas elevadas e o tratamento das sementes por termoterapia.
PODRIDÃO DE SCLEROTINIA - Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary

Essa doença, também chamada de mofo branco, representa um grande perigo nas áreas de plantio adensado e sob irrigação com pivô-central, como no caso da Região Centro-oeste. Uma vez infestada, a área pode ser inutilizada para plantios posteriores, já que o fungo permanece no solo por muitos anos na forma de estruturas de resistência, os escleródios, e é capaz de causar prejuízos em outras culturas, como feijão, soja e tomate rasteiro, além de infectar plantas daninhas. Também há efeito direto de morte de plantas com redução de produção e contaminação de sementes por escleródios, contribuindo para a disseminação do patógeno para outras regiões.



Sintomas - A doença manifesta-se na haste, folha e vagem, começando geralmente pelas partes mais próximas do solo, através de manchas aquosas que evoluem para podridão mole. Os tecidos afetados ficam cobertos por um crescimento micelial branco e cotonoso do patógeno, onde se formam, gradualmente, massas compactas, inicialmente claras e posteriormente pretas, com dimensões variáveis e visíveis a olho nu - os escleródios. Há amarelecimento e morte das plantas em reboleira, principalmente nos locais com alta umidade e adensamento de plantas. As sementes contaminadas ficam manchadas e sem brilho, podendo também apresentar-se enrugadas e mais leves.

Etiologia - Sclerotinia sclerotiorum é um ascomiceto que sobrevive principalmente na forma de escleródios, persistindo no solo por até 8 anos. Sob condições de alta umidade relativa e temperaturas amenas (entre 15 e 250C), são formados, a partir dos escleródios, os apotécios, que produzem milhares de esporos, facilmente disseminados pelo vento e pela água da chuva ou irrigação. Sementes contaminadas, implementos agrícolas, animais e o homem podem também disseminar o patógeno. O inóculo primário é constituído pelo micélio que se desenvolve a partir dos escleródios presentes no solo ou pelos ascósporos trazidos pelo vento. O fungo é ainda capaz de infectar outras culturas importantes, como feijão, soja, tomate rasteiro, amendoim, hortaliças, além de plantas daninhas como caruru, carrapicho e picão, entre outras.

Controle - Há uma série de medidas que, se tomadas em conjunto, pode favorecer o controle da doença: a) utilização de sementes sadias para evitar a entrada de patógenos no campo; b) tratamento de sementes com fungicidas (captan, quintozene, benomyl, iprodione, vinclozolin e tiofanato metílico + captan); c) eliminação pelo fogo dos restos de cultura afetados; d) aração profunda para enterrio de restos culturais e de escleródios; e) limpeza de implementos agrícolas; f) rotação de culturas com gramíneas (arroz irrigado, por exemplo); g) adubações equilibradas e irrigações controladas; h) plantio pouco adensado; i) controle químico com tiofanato metílico, tiofanato metílico + mancozeb, benomyl, iprodione, procimidone e vinclozolin.
PODRIDÃO DO COLO - Rhizoctonia solani Kühn

Essa doença é uma das mais importantes na cultura da ervilha na Região Centro-oeste, pois pode causar podridão da semente, do colo e tombamento de plantas, com prejuízos irrecuperáveis no estande. Também pode causar os mesmos prejuízos em outras culturas importantes como feijão, soja e tomate.



Sintomas - A doença inicia-se imediatamente após o plantio, podendo destruir plântulas antes mesmo da emergência (podridão de pré-emergência), perdurando até 40-50 dias de idade das plantas, quando estas, mais desenvolvidas, tomam-se mais resistentes ao ataque do patógeno. As podridões localizam-se nas raízes e na porção basal da haste. As lesões são alongadas, levemente deprimidas, de coloração pardo-avermelhadas e progridem até causar o estrangulamento e necrose do caule, com sintomas reflexos de murcha, amarelecimento de folhas, pouco vigor e tombamento, resultando em morte de plantas em reboleiras. Os sintomas no campo podem ocorrer prematuramente em condições de estresse hídrico.

Etiologia - O agente causal da podridão do colo é o fungo Rhizoctonia solani cujo micélio pardo-violáceo apresenta ramificações em ângulo reto, constricto no septo logo após a ramificação. Esse fungo sobrevive saprofiticamente em restos de cultura na superfície do solo, na forma de micélio ou escleródio.

A temperatura ótima para o crescimento é 250C (mínima de 80C e máxima de 350C); a temperatura ótima para infecção é ao redor de 180C e a umidade relativa, 100%. Para a penetração é necessário o desenvolvimento prévio do fungo sobre o hospedeiro sob o estímulo de produtos de excreção da planta. A penetração é facilitada em presença de matéria orgânica não decomposta da própria planta ou de outra origem; esse fato explica a maior severidade da doença em lavouras com plantio direto. A disseminação é realizada através de sementes contaminadas, escleródios, água da chuva e irrigação, animais, homem e implementos.



Controle - A principal medida de controle é o uso de sementes comprovadamente sadias ou o tratamento de sementes com uma mistura de 80 g de iprodione + 240 g de thiram + 80 g de material inerte aplicada na base de 400 g por 100 kg de sementes, ou outros produtos como benomyl, tiofanato metílico, thiabendazole e quintozene. A irrigação deve ser controlada e deve-se evitar locais com risco de encharcamento. Restos de cultura contaminados devem ser incorporados profundamente. A rotação de culturas com gramíneas ajuda a reduzir a fonte de inóculo.

MANCHA DE ASCOCHYTA - Mycosphaerella pinodes (Berk. & Blox) Stone (Ascochyta pisi Lib., Ascochyta pinodes Berk. & Blox, Ascochyta pinodella Jones)

A doença é favorecida por alta umidade relativa do ar (acima de 80%) e temperaturas abaixo de 230C, e por isso pouco importante para as lavouras de ervilha da Região Centro-oeste. Porém, essa doença pode vir a causar sérios problemas em condições de inverno chuvoso, podendo ser um fator limitante da produção na Região Sul.



Sintomas - Ascochyta pisi causa lesões principalmente na folha e vagem, algumas vezes na haste e raramente nas raízes. Nas folhas, as manchas são arredondadas ou irregulares, de aspecto zonado, medindo de dois a cinco milímetros de diâmetro, de coloração cinzento-escura no centro e margens castanho-escuras, indefinidas. Tais manchas são isoladas, podendo tomar-se confluentes, e apresentam pontuações pretas que representam os picnídios do fungo. Dependendo da incidência, pode haver morte de folhas. Nas hastes, as manchas são de coloração púrpura e deprimidas, localizando-se principalmente na região do nó. Se a infecção ocorrer em vagens novas, há formação de cancros escuros, que podem atingir as sementes. Em vagens mais velhas, não há formação dessas depressões nas manchas, mas nota-se o aparecimento dos picnídios.

A. pinodes afeta todas as partes da planta, apresentando manchas semelhantes às de A. pisi, parecidas com queima. A. pinodella pode causar podridão do colo e da raiz.

Quando são utilizadas sementes contaminadas, há grande número de falhas devido à incidência da doença na plântula. As sementes contaminadas apresentam-se enrugadas, escuras e mostram frutificação do patógeno quando colocadas em câmara-úmida.



Etiologia - Nas nossas condições, a doença é causada por Ascochyta pisi (lesões em folhas e vagens) e Ascochyta pinodes (sintomas do tipo queima), cuja fase perfeita é Mycosphaerella pinodes. Pode ainda haver uma terceira espécie: Ascochyta pinodella ou Phoma medicaginis var. pinodella (Jones) Boerema, como tem sido designada mais recentemente (podridão do colo e raiz). Os fungos são semelhantes em muitos detalhes, produzindo esporos assexuais no interior de picnídios. A forma perfeita M. pinodes produz peritécios em restos de cultura.

Essas espécies de fungo podem ocorrer simultaneamente na mesma planta e sobreviver de um ano para outro na forma de clamidósporos. As sementes contaminadas constituem a mais importante via de disseminação do patógeno de um campo para outro. No campo, a disseminação é feita por água da chuva ou irrigação e vento.



Controle - A principal medida de controle é a utilização de sementes sadias produzidas em locais isentos da doença. Deve-se também realizar rotação de culturas com gramíneas, eliminar restos culturais, evitar o plantio em regiões com inverno chuvoso ou com solos mal drenados e os excessos de irrigação. O controle químico pode ser realizado com mancozeb, tiofanato metílico e tiofanato metílico + mancozeb.
OÍDIO - Erysiphe polygoni De Candolle (Oidium erysiphoides Fr.)

A mesma espécie que incide sobre o feijoeiro também afeta a ervilha, mas há raças distintas e especializadas para os dois hospedeiros. Em condições favoráveis para a cultura, quando feita em tempo seco, com baixa umidade atmosférica, a doença limita a produção, podendo por isso ser particularmente importante na região central do Brasil.



Sintomas - Os sintomas aparecem geralmente nas folhas, podendo também ocorrer na haste e nas vagens, e caracterizam-se por um crescimento branco-acinzentado, pulverulento, superficial, distribuído sobre os órgãos afetados. Na parte inferior da folha, o local correspondente às manchas pode se apresentar bronzeado ou marrom. Alguns cultivares podem apresentar arroxeamento foliar ou pequenas pontuações pretas em folhas e vagens. Nas vagens, além desses sintomas, pode haver uma paralisação no crescimento, acarretando sua queda prematura. Em vagens mais velhas, pode causar um desenvolvimento desigual da parte parasitada e sadia. Planta severamente afetada pode apresentar encarquilhamento das folhas e paralisação no crescimento. A severidade dos sintomas é maior se a infecção ocorrer antes do início da floração.

Etiologia Erysiphe polygoni (sinonímia de E. pisi Sydow) é um ascomiceto da ordem Erysiphales, família Erysiphaceae. Na fase imperfeita corresponde a Oidium erysiphoides, ordem Moniliales, família Moniliaceae.

Em condições favoráveis, os esporos germinam, produzindo micélio superficial, que se nutre das células da epiderme, pelo desvio de nutrientes e água através de haustórios, sem contudo causar necrose generalizada dos tecidos afetados. Da trama micelial superficial originam-se numerosos conidióforos, nas extremidades dos quais são formados conídios ovalados a oblongos, em cadeia. São esses grupos de conídios que dão um aspecto pulverulento à folha. Os conídios são disseminados pelo vento para outras partes da planta e para outras plantas. Água de chuva ou de irrigação lava os esporos das folhas para o solo, reduzindo a severidade da doença. Tempo seco, formação de orvalho e temperatura em tomo de 21 a 270C são favoráveis ao fungo.



Controle - O uso de cultivares resistentes como Triofin, Luíza, Viçosa, Marina, Maria ou Kodama é a forma mais indicada de controle. Cultivares como Mikado, Kriter, Cobri, Flávia e Rag 1020 são muito prejudicados pelo oídio em anos quentes e quando se utiliza irrigação por infiltração. O uso de irrigação por aspersão é desfavorável ao patógeno. Pode ser realizada a aplicação de fungicidas, no caso de infecções precoces, com triazóis, quinometionato e tiofanato metílico + mancozeb.
MÍLDIO - Peronospora viciae (Berk.) de Bary

O míldio é uma doença que, à semelhança das manchas de Ascochyta, é importante em épocas chuvosas e com alta umidade relativa do ar, sendo problemática na Região Sul e em algumas áreas do sul dos Estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.



Sintomas - Os sintomas consistem em uma eflorescência branca principalmente na página inferior da folha, que corresponde às frutificações do fungo. A área oposta correspondente ao crescimento do fungo torna-se amarela, podendo tomar uma coloração marrom e secar. As brotações são freqüentemente afetadas, impedindo o desenvolvimento da planta. Nas vagens ainda em desenvolvimento, o sintoma manifesta-se como manchas que se tornam marrons, entremeadas com áreas verdes. Dependendo da incidência e condições ambientais, o fungo pode afetar as sementes, provocando manchas marrons e deprimidas.

Etiologia - A doença é causada por Peronospora viciae (sinonímia de R pisi Sydow). A penetração do fungo ocorre geralmente através de estômatos. O micélio é intercelular e emite haustórios para o interior da célula. Esse fungo é um parasita obrigatório que sobrevive principalmente no hospedeiro vivo, inclusive nas sementes. Ainda faltam informações sobre o mecanismo de sobrevivência do patógeno de um ano para outro, bem como estudos sobre sua transmissão através de sementes. Alta umidade relativa do ar favorece o desenvolvimento da doença.

Controle - Recomenda-se rotação de culturas em regiões de inverno mais rigoroso, eliminação de restos de cultura contaminados para reduzir a fonte de inóculo, utilização de sementes sadias e pulverização com fungicidas, tais como mancozeb e tiofanato metílico + chlorotalonil.
OUTRAS DOENÇAS

Bacterioses - As doenças causadas por bactérias não se constituem, até o momento, um problema sério para a cultura. Além do crestamento bacteriano, descrito anteriormente, apenas duas outras bacterioses já foram relatadas: uma no Rio Grande do Sul, causada por Bacillus leguminiperdes Oven, ocasionando manchas escavadas, escuras e aquosas nas vagens (mas sem maiores conseqüências para a cultura, uma vez que esse agente etiológico é considerado fitopatogênicos apenas em condições muito peculiares de umidade e temperatura); outra, também na Região Sul, causada por Pseudomonas syringae pv. tabaci (Wolf & Foster) Young et ai., que já foi encontrada na cultura do feijoeiro ocasionando fogo selvagem, e que pode infectar a ervilha. Outras bacterioses, como aquelas causadas por Pseudomonas seminum, P syringae pv. phaseolicola, R syringae pv. syringae, Xanthomonas campestris pv. phaseoli e X. rubefaciens, também podem ser fitopatogênicas à ervilha.

Podridão Radicular e Murcha - Um conjunto de microrganismos pode estar envolvido com esses tipos de sintomas na cultura da ervilha: Ascochyta pinodella Jones, Cylindrocladium clavatum Hodges & May, Fusarium sp., F equisetti (Corda) Sacc., F oxysporum f. sp. pisi Snyder & Hansen, F solani f. sp. pisi (F.R. Jones) Snyder & Hansen, Phytophthora parasitica Dastur, Pythium sp. e Rhizoctonia solani Kühn. Os sintomas manifestam-se através de podridões de raiz, de hipocótilo e de colo, com tombamento de plântulas, além de necrose vascular e sintomas reflexo na parte aérea de murcha, amarelecimento, redução de crescimento e seca de folhas. Por serem polífagos, estes agentes podem ocasionar problemas em um grande número de culturas importantes como soja, feijão e outras leguminosas. Muitas das medidas de controle recomendadas para a podridão do colo (Rhizoctonia solani) e para o mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum), quando adotadas de forma correta, contribuem para o controle da podridão radicular e murcha. No caso do tratamento de sementes, os seguintes produtos estão registrados no Ministério da Agricultura: quintozene para C. clavatum, Fusarium spp. e R. solani; captan para Fusarium spp., Pythium spp. e P. parasitica. Outros produtos também utilizados, embora não registrados são: thiabendazole e thiram (Fusarium spp.), metalaxyl e metalaxyl + mancozeb (Pythium spp. e P parasitica).

Septoriose - A septoriose (Septoria pisi) ocorre em folhas e ramos, apresentando lesões irregulares de cor palha ou amarela, podendo abranger grande parte do órgão afetado. Nas lesões aparecem numerosos pontos pretos, correspondendo aos corpos de frutificação do fungo, os picnídios. Nas vagens já desenvolvidas, o fungo frutifica abundantemente. O patógeno sobrevive em restos de cultura e é disseminado através de sementes e pela água. A medida de controle de maior importância consiste na rotação de culturas.

Antracnose - Os sintomas dessa doença ocorrem na forma de lesões pardo-escuras com contornos pardo-avermelhados. Em condições de alta umidade há produção de massa rósea de esporos na superfície da lesão. A penetração do fungo (Colletotrichum pisi Pat.) dá-se principalmente por ferimentos embora possa penetrar diretamente. Proteção química, sementes sadias e rotação de culturas são algumas das medidas recomendadas.

Muitos outros fungos também já foram relatados para a cultura da ervilha no Brasil tais como: Cladosporium herbarum (sarna), Leptostroma pisi (mancha negra), Macrosporium sp. e Pleospora sp. (mancha foliar), Rhizopus sp. (mofo preto), Sclerotium rolfsii (podridão do colmo), Sphaerella sp. e Sphaerotheca sp. (mancha foliar), Uromyces pisi (ferrugem).



Nematoses - No Brasil já foi relatada a presença dos nematóides das galhas Meloidogyne javanica, M. incognita, M. arenaria e M. hapla, mas com ocorrência bastante reduzida. Os sintomas aparecem em reboleiras. As plantas apresentam fraco desenvolvimento da parte aérea como reflexo de galhas no sistema radicular; há supressão da nodulação e conseqüentemente amarelecimento da parte aérea da planta. Temperaturas relativamente altas (inverno quente) e umidade (irrigação) são condições do Centro-oeste brasileiro que favorecem o desenvolvimento desses nematóides. A rotação de culturas com plantas armadilhas (Crotalaria spp.) e antagonistas (Tagetes sp. e Asparagus sp.) auxiliam no controle.




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