Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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BIBLIOGRAFIA

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DOENÇAS DAS CRUCIFERAS

(brócolis, couve, couve-chinesa, couve-flor, rabanete, repolho e rúcula)

A. C. Maringoni



PODRIDÃO NEGRA - Xanthomonas campestris pv. campestris (Pammel) Dowson A podridão negra é a principal doença bacteriana das crucíferas. Seu agente causal tem distribuição mundial. Atualmente, com a introdução e/ou obtenção de novos cultivares/híbridos com bons níveis de resistência, a doença tem causado danos menores.

Sintomas - Os sintomas podem ser observados em qualquer estádio de desenvolvimento da planta. No campo, são comuns lesões amarelas em forma de “V”, com o vértice voltado para o centro da folha (Prancha 28. 1), devido à penetração da bactéria pelos hidatódios, por meio da água de gutação formada na borda das folhas. A bactéria coloniza os vasos do xilema da planta, escurecendo-os (Prancha 28.2).

Com o desenvolvimento da doença, as folhas tornam-se amarelas e podem apresentar necrose. Em alguns casos, observa-se subdesenvolvimento, murcha, queda prematura de folhas e apodrecimento das plantas afetadas.



Etiologia - O agente causal dessa enfermidade é a bactéria Xanthomonas campestris pv. campestris. Temperaturas entre 28 e 300C e presença de água de irrigação, de chuva ou de condensação são favoráveis para a penetração da bactéria. A penetração ocorre através de aberturas naturais (estômatos e hidatódios) ou por ferimentos provocados na superfície da parte aérea.

X. campestris pv. campestris sobrevive em sementes, alojando-se na sua superfície e/ou no seu interior, em restos culturais fibrosos de plantas doentes, em plantas daninhas e em plantas doentes remanescentes no campo. Pode ainda sobreviver na superfície de plantas hospedeiras, como epífita, sem entrar em contato com o interior do tecido da planta. A disseminação do patógeno, a longas distâncias, é realizada através de sementes ou de mudas doentes e, a curtas distâncias, por respingos de água de chuva ou de irrigação, geralmente na direção dos ventos predominantes. Também pode ser disseminado durante os tratos culturais.

Controle - O emprego de sementes sadias é indispensável para o controle dessa bacteriose. Pesquisas têm demonstrado que a infecção máxima tolerável em sementes de brócolis, nos E.U.A., é de 0,01%. O tratamento térmico de sementes de repolho e de couve-de-bruxelas (imersão em água a 500C, durante 25 mm) e de sementes de brócolis na mesma temperatura, durante 20 mm, é indicado. Trabalhos desenvolvidos no Brasil demonstraram a eficácia do tratamento térmico com água a 500C, por 30 mm, para a erradicação da X. c. pv. campestris de sementes de repolho. Sementes tratadas nessas condições deram origem a menos de 2 % de plantas doentes, enquanto a testemunha originou 70% de plantas com sintomas de podridão negra.

Outra possibilidade de controle é o tratamento de sementes com antibióticos. Pode-se usar imersão por 30 minem solução de aureomicina ou terramicina, na dosagem de 1 a 3 g do antibiótico por litro de água. O excesso do antibiótico é neutralizado imergindo-se as sementes, por 30 mm, em salmoura (15 g de sal de cozinha por litro de água).

É recomendada a eliminação total, por meio de aração profunda, de restos de cultura infectados, plantas voluntárias e plantas daninhas hospedeiras do patógeno. Em áreas anteriormente cultivadas com crucíferas, é aconselhável a rotação de culturas por um período de dois anos.

O plantio de cultivares ou híbridos resistentes é recomendável. Exemplos para repolho incluem Master, Master AG-325, Chumbinho, Louquinho e os híbridos ESALQ-84, Mogiano, Saikô, Caribe, HG 18, YR-Rampo e YR-Ranshu. Para brócolis, Ramoso Santana, Precoce Piracicaba Verão e o híbrido Condor. Para couve-flor, Flórida e Santa Elisa-2 e os híbridos Ikuta, Jaraguá, Miyai, Shiromaru I, Shiromaru II e Shiromaru III.


PODRIDÃO MOLE - Erwinia carotovora subsp. carotovora (Jones) Bergey et al.

Sob condições de alta umidade, temperatura elevada e solos ácidos, a podridão mole constitui um problema sério para as crucíferas, principalmente na fase final do ciclo da cultura.



Sintomas - Normalmente, a doença manifesta-se em plantas com bom desenvolvimento vegetativo. Sob condições de temperatura e umidade adequadas, a bactéria penetra nos tecidos da planta através de ferimentos e causa encharcamento. O tecido colonizado torna-se mole, devido à ação das enzimas pectinolíticas excretadas pelo patógeno e, muitas vezes, apresenta secreção de líquido com odor fétido. O órgão afetado apodrece rapidamente. Em caule de couve-manteiga é comum a presença de rachaduras externas; internamente, pode ser observada a desintegração da medula. Sintomas de murcha e apodrecimento são comuns.

Etiologia - A doença é causada pela Erwinia carotovora subsp. carotovora, capaz de infectar aproximadamente setenta espécies vegetais, a maioria hortaliças, sempre causando podridão mole. A bactéria sobrevive saprofiticamente no solo, associada a restos culturais em decomposição. Condições de temperatura e umidade elevadas favorecem o desenvolvimento da doença. E. c. carotovora penetra nos tecidos das plantas hospedeiras através de ferimentos causados por insetos, tratos culturais e abrasão. A disseminação da bactéria ocorre através de respingos de chuva ou de irrigação e, na superfície do solo, através da água de drenagem superficial e por insetos.

Excesso de adubação nitrogenada e deficiência de cálcio e de boro favorecem a ocorrência da doença.



Controle - As medidas recomendadas são: evitar ferimentos durante os tratos culturais; equilibrar a adubação nitrogenada e a adubação com boro; fazer rotação de culturas com gramíneas nas áreas afetadas; controlar os insetos; plantar cultivares e/ou híbridos resistentes à podridão negra.
MANCHA FOLIAR TRANSLÚCIDA - Pseudomonas syringae pv. maculicola (McCulloch) Young et al.

Ocorre com maior freqüência em couve-flor, repolho, brócolis e couve-rábano. Os sintomas são observados principalmente nas folhas inferiores, onde são notadas lesões inicialmente translúcidas, levemente avermelhadas, com halo amarelo. Em ataques severos, as folhas tornam-se amarelas e posteriormente caem.

Condições de alta umidade relativa e temperatura entre 23 e 250C são favoráveis para a ocorrência e o desenvolvimento da doença. A disseminação do patógeno faz-se por sementes infectadas, por respingos de água de chuva ou de irrigação. P. syringae pv. maculicola sobrevive em sementes, restos culturais infectados e em plantas voluntárias de crucíferas.

As mesmas medidas de controle adotadas para a podridão negra são recomendadas neste caso.


MANCHA DE ALTERNARIA- Alternaria brassicae (Berk.) Sacc., Alternaria brassicicola (Schw.) Wilt. e Alternaria raphani Groves & Skolko

Várias espécies do gênero Alternaria infectam as crucíferas, causando danos consideráveis, desde a fase de sementeira até a fase reprodutiva das plantas. O patógeno é de ocorrência mundial e infecta repolho, couve-chinesa, couve-flor, couve-de­-bruxelas, couve, brócolis e nabo.



Sintomas - Em condições de sementeira, ocorre necrose do cotilédone e hipocótilo, além de “damping-off”. Plântulas nessas condições freqüentemente morrem; caso sobrevivam, apresentam-se enfezadas. Em plantas adultas, inicialmente, os sintomas da mancha de Alternaria ocorrem nas folhas mais externas e, posteriormente, em todas as folhas. As lesões são pequenas e necróticas. Com seu desenvolvimento, tornam-se circulares, concêntricas e com halo clorótico (Pranchas 28.3 e 28.4). As manchas causadas por A. brassicicola nas folhas são menores que aquelas de A. brassicae e a coloração é mais escura, quase negra. Os sintomas típicos de A. brassicicola ocorrem nas partes florais, principalmente na couve-flor. A cabeça da couve-flor pode apresentar numerosas manchas semelhantes àquelas que ocorrem na haste floral. As lesões normalmente encontram-se recobertas pelas estruturas do fungo. A. raphani produz lesões necróticas e concêntricas nas folhas e nos caules de nabo e rabanete. Em couve-chinesa pode ocorrer coalescência de lesões, conferindo às folhas externas um aspecto queimado, fato que deprecia o produto. Sementes em fase de formação, quando colonizadas pelos fungos, podem ser destruídas ou ficam chochas. Sementes maduras, se colonizadas, transportam o micélio do fungo externa e/ou internamente.

Etiologia -Alternaria brassicae e Alternaria brassicicola são capazes de infectar o repolho, a couve, a couve-chinesa, a couve-flor, a couve-de-bruxelas, o brócolis e outras crucíferas. Alternaria raphani infecta apenas nabo e rabanete.

A. brassicae apresenta micélio septado, cinza claro, com conidióforos longos, septados, com conídios terminais, multinucleados, com septos longitudinais e transversais, de forma clavada, com apêndice, formados em cadeia ou isolados. A. brassicicola apresenta micélio escuro. Os conídios são menores que aqueles de A. brassicae, não apresentam apêndice e são formados em cadeia.

A disseminação dos patógenos é feita através de sementes infectadas, mudas doentes e pelo vento. Sobrevivem em restos de cultura infectados, em plantas daninhas, hospedeiras espontâneas e em sementes.

A doença é favorecida por temperaturas moderadas e alta umidade relativa. Para que ocorra a infecção há necessidade de, pelo menos, nove horas de água livre na superfície da planta. Os sintomas aparecem entre dois a quatorze dias após a infecção, dependendo da suscetibilidade do cultivar.

Controle - Recomendam-se: eliminação dos restos de cultura infectados logo após a colheita das plantas; rotação de culturas durante dois a três anos com plantas não-hospedeiras dos patógenos; uso de sementes sadias e/ou o tratamento químico de sementes. Além disso, alguns trabalhos de pesquisa têm evidenciado que pulverizações preventivas na parte aérea das plantas com chlorothalonil, iprodione ou mancozeb são eficientes. No caso específico de couve-chinesa, as populações de Sensetsumizuna e Tschinzenssai mostram resistência a A. brassicae e a A. brassicicola.
HÉRNIA - Plasmodiophora brassicae Woronin

É uma doença conhecida na Europa desde o século XIII e já foi constatada em várias localidades do mundo. No Brasil, ocorrem nas regiões Sul e Sudeste, principalmente nas localidades serranas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde predomina temperaturas amenas e alta umidade relativa.



Sintomas - As plantas podem ser afetadas desde a fase de sementeira, mas sem mostrar sintomas na parte aérea. Com o desenvolvimento da doença, ocorrem subdesenvolvimento e murcha esta nas horas mais quentes do dia. Nas raízes, ocorre a formação de galhas em função da hipertrofia das células e dos tecidos colonizados pelo fungo (Prancha 28.5). As galhas têm tamanho variado, desde poucos milímetros até dez ou mais centímetros em diâmetro.

Etiologia -Plasmodiophora brassicae pode sobreviver na ausência do hospedeiro por mais de dez anos. Os tecidos afetados pelas galhas apresentam células hipertrofiadas tomadas pelo plasmódio do fungo, que se transforma, posteriormente, em esporos de resistência, cuja forma é esférica, com paredes duplas.

Com o apodrecimento das galhas, os esporos são liberados no solo, onde sofrem maturação fisiológica. Estimulados por exsudatos radiculares de plantas suscetíveis, os esporos germinam e dão origem a formas amebóides, que penetram nos pêlos absorventes das raízes. Em seguida, após reprodução sexual, um novo plasmódio éformado nas células hipertrofiadas.

A disseminação dos esporos do fungo ocorre através da água de irrigação no sulco de plantio e de solo infectado aderido a implementos agrícolas. Mudas doentes também são agentes de disseminação de P brassicae. A doença é favorecida por solos ácidos e úmidos, com temperatura entre 20 e 250C. Nove raças patogênicas já foram descritas.

Controle - Recomendam-se: rotação de cultura com espécies não-hospedeiras em áreas infestadas; erradicação de plantas voluntárias e plantas daninhas hospedeiras; correção do pH do solo para 7,2; uso de mudas sadias; desinfestação do solo para sementeira; desinfestação das covas para o transplante de mudas; uso de variedades resistentes; aração profunda dos solos contaminados; evitar o uso de esterco de animais que tenham sido alimentados com plantas doentes; solarização do solo.
MURCHA DE FUSARIUM - Fusarium oxysporum f. sp. conglutinans (Woll.) Snyd. & Hans. e Fusarium oxysporum f. sp. raphani Ken. & Snyd.

Esta doença foi muito séria no passado para a cultura de repolho, nos E.U.A. O problema, porém, foi contornado pelo uso de cultivares resistentes. No Brasil, a murcha de Fusarium foi relatada nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, mas não tem afetado economicamente as diferentes espécies de crucíferas cultivadas.



Sintomas - O patógeno inicia a infecção através de ferimentos nas raízes para, em seguida, colonizar os vasos de xilema. Inicialmente ocorre amarelecimento generalizado das folhas basais da planta, sintoma que progride para as folhas mais novas. Em alguns casos, pode-se observar o amarelecimento em apenas um dos lados das folhas. O crescimento da planta é afetado e as folhas basais podem necrosar. Eventualmente, as plantas murcham e morrem. Devido à colonização, os vasos do xilema enegrecem e são facilmente observados em cortes transversais de pecíolos e caules doentes.

Etiologia - Os fungos causadores dessa doença são Fusarium oxysporum f. sp. conglutinans, que infecta principalmente o repolho, a couve-flor e o brócolis, e Fusarium oxysporum f. sp. raphani, que é específico do rabanete.

A temperatura ótima para F o. conglutinans varia entre 28 e 300C. A raça 1 deste fungo não se desenvolve em temperaturas inferiores a 180C e a raça 2 necessita de temperaturas superiores a 140C. No Brasil, até o momento, foi constatada a presença da raça 1. F o. raphani é um patógeno de solos frios, tendo exigências semelhantes àquelas da raça 2 de F o. conglutinans.

Os patógenos são disseminados principalmente através de sementes e mudas infectadas, pela água superficial de irrigação ou de chuva e por fragmentos de solos infestados aderidos a implementos agrícolas. Sobrevivem no solo, na forma de clamidósporos, por muitos anos.

Controle - Recomendam-se: rotação de culturas com plantas não-hospedeiras; remoção e eliminação de plantas doentes e de restos de cultura infectados; desinfestação física ou química do solo empregado na sementeira ou para a obtenção de mudas; uso de sementes sadias; plantio de cultivares resistentes, como Wisconsin Golden Acre, Tastie, Greenhoy e Rio Verde.
PODRIDÃO DE SCLEROTINIA - Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary

Ocorrem nas culturas de alface, repolho, feijão, tomate e soja. Sua importância varia com os anos e com o grau de infestação do solo. No Brasil, na região do Alto Viçosa-MG, perdas de 40 a 50% na produção de repolho foram relatadas em área cultivada continuamente por cinco anos.



Sintomas - Os sintomas variam de acordo com o hospedeiro, órgão afetado e condições ambientais. O hospedeiro pode ser infectado desde a fase de plântula até a fase adulta. Em alguns hospedeiros, o micélio invade os tecidos corticais na região do colo, observando-se intenso crescimento micelial de aspecto cotonoso e branco. Junto ao micélio, é comum a presença de escleródios, claros no início, mais escuros com o passar do tempo. Os escleródios são duros e de tamanho variável. Em alguns casos, o fungo desenvolve-se internamente na medula da planta, onde ocorre a formação de escleródios sem haver o crescimento externo do micélio. Como conseqüência da invasão da medula, é observada uma redução no desenvolvimento da planta.

Em repolho, sob condições de campo, observam-se os sintomas nas folhas, nos pecíolos mais próximos ao solo e na cabeça (Prancha 28.6). As áreas colonizadas são inicialmente encharcadas, de formato irregular e, posteriormente, ficam cobertas pelo micélio do fungo. Pode-se observar amolecimento do tecido colonizado e presença de escleródios. Cabeças de repolho colonizadas pelo fungo normalmente apodrecem.



Etiologia - A podridão de Sclerotinia é causada pelo ascomiceto Sclerotinia sclerotiorum. Apresenta micélio hialino, vigoroso e forma escleródios pretos, de tamanho variável entre 0,5 a 2 cm de diâmetro. Sua disseminação é feita através de escleródios associados às sementes ou de solos infestados com micélio ou de escleródios aderidos a implementos agrícolas. Os escleródios podem permanecer viáveis no solo por um período de 3 a 8 anos. Algumas plantas daninhas são hospedeiras de S. sclerotiorum e servem para a manutenção do fungo na ausência de plantas cultivadas suscetíveis. Inúmeras plantas cultivadas de diferentes gêneros, além das crucíferas, são suscetíveis a esse fungo. Entre elas destacam-se alface, amendoim, batata, berinjela, cenoura, cucurbitáceas, dália, feijoeiro, fumo, jiló, pimentão, pimentas, tomateiro e soja.

O patógeno tem preferência por regiões ou épocas do ano com alta umidade relativa e temperatura amena. A faixa de temperatura ótima para ocorrência e desenvolvimento da doença situa-se entre 15 e 200C. A presença de resíduos orgânicos ao redor das plantas favorece a colonização.



Controle - Recomendam-se: rotação de culturas com espécies não-suscetíveis por vários anos; eliminação total de restos de cultura infectados; controle químico preventivo, aplicado no sulco de plantio, com os fungicidas benomyl, iprodione e viclozolin.
MÍLDIO - Peronospora panasitica (Person) Fries

Esta doença tem causado problemas consideráveis durante a fase de sementeira, destruindo os cotilédones e prejudicando a formação de mudas. Em plantas adultas é comum o desenvolvimento da doença nas folhas, sob condições ambientes específicas.



Sintomas - O míldio caracteriza-se pela formação de lesões foliares, de formato circular, inicialmente cloróticas, progredindo lentamente para necróticas (Prancha 28.7). Na face inferior da folha, correspondente à área clorótica ou necrótica da face superior, observam-se frutificações do fungo, de coloração esbranquiçada. Há relatos na literatura de colonização sistêmica em crucíferas. Nas condições do Estado de São Paulo, porém, tal tipo de colonização não foi observado.

Etiologia - O patógeno sobrevive por meio de oósporos em restos de cultura infectados, em plantas voluntárias no campo e no solo. Os oósporos podem permanecer viáveis por muitos anos e, sob condições favoráveis, germinam e formam os esporângios. A disseminação dos esporângios ocorre principalmente através de respingos de água de chuva ou de irrigação e pelo vento. Sementes e mudas infectadas também são agentes de disseminação do patógeno. Condições de alta umidade relativa e baixas temperaturas favorecem a ocorrência e o desenvolvimento da doença.

Controle - Recomendam-se: rotação de culturas com espécies vegetais não suscetíveis; eliminação de restos de cultura infectados; sementes e mudas isentas do patógeno; tratamento de sementes com metalaxyl; pulverização da parte aérea das plantas, quando as condições ambientes forem favoráveis ao desenvolvimento da doença, a cada sete ou doze dias, com chlorothalonil, mancozeb, metalaxyl ou propineb.
FERRUGEM BRANCA - Albugo candida (Pers.) Kuntze

No Brasil, a ferrugem branca ocorre, principalmente, em mostarda, nabo, rabanete e rúcula. Não foi descrita em repolho e couve-flor.



Sintomas - Os sintomas iniciais são pequenas manchas amareladas nas folhas e no caule. Posteriormente, estas lesões tornam-se maiores e, na face inferior das folhas, a epiderme é rompida, expondo pústulas brancas de aspecto pulverulento (Prancha 28.8). Com o desenvolvimento das lesões, as folhas sofrem distorções e amarelecimento. Nos ramos e nos órgãos florais, o fungo torna-se sistêmico e acarreta hipertrofia e hiperplasia dos tecidos colonizados, resultando em deformação e desenvolvimento anormal desses órgãos.

Etiologia - Albugo candida forma esporangióforos longos, clavados, simples, hialinos, com esporângios formados em cadeia, separados uns dos outros por uma massa gelatinosa. Os esporângios germinam e originam zoósporos biflagelados. Os esporos sexuais são formados no interior do tecido doente, apresentando forma esférica com paredes resistentes. A forma sexuada não foi constatada no Brasil.

A presença de água na superfície da planta é essencial para a germinação e infecção por esporângios e zoósporos. A temperatura ótima para o desenvolvimento da doença é ao redor de 200C. A disseminação dos propágulos infectivos é realizada através do vento, pela água de chuva ou de irrigação e por insetos. O fungo sobrevive em restos de cultura infectados, em hospedeiros nativos e em plantas voluntárias.



Controle - Recomenda-se a destruição dos restos de cultura infectados, a eliminação de plantas daninhas hospedeiras e a rotação de culturas com espécies não­suscetíveis. Na literatura, é indicada a pulverização com metalaxyl quando aparecerem os primeiros sintomas da doença.
OUTRAS DOENÇAS

Mosaico do Nabo - vírus do mosaico do nabo (“Turnip mosaic virus”), do gênero Potyvirus, é capaz de infectar inúmeras espécies de plantas cultivadas ou silvestres. Dentre elas, crucíferas, asteráceas e solanáceas. Os sintomas em repolho são caracterizados por anéis pretos, geralmente não precedidos por clareamento de nervuras (Prancha 28.9). Em nabo, couve-de-bruxelas e mostarda, esse vírus causa sintomas de mosaico, distorção foliar e subdesenvolvimento. Em couve, as folhas mais velhas não exibem sintomas e as folhas mais novas apresentam clareamento, mosaico, mosqueado e distorções. O vírus do mosaico do nabo é transmitido por pulgões de forma não-persistente. Como medidas de controle recomendam-se: pulverização das plantas na fase de sementeira com inseticidas, visando o controle dos insetos vetores; eliminação de plantas voluntárias e plantas daninhas hospedeiras; escolha de local para sementeira longe de hortas domésticas ou de grandes plantações de crucíferas.

Mosaico da Couve-Flor - O vírus do mosaico da couve-flor (“Cauliflower mosaic virus”), do gênero Caulimovirus, infecta apenas crucíferas e encontra-se disseminado na Europa, nos E.U.A., na América Latina e na Nova Zelândia. Em couve-flor, os sintomas observados são clareamento das nervuras, que progride da base para todo o limbo das folhas novas; enações e distorções foliares; pintas necróticas, perceptíveis na face inferior das folhas. As folhas mais velhas não exibem sintomas. Este vírus é transmitido, de forma semi-persistente, por pulgões.

Bacterioses - Outras bactérias, além das já citadas causando doenças em crucíferas, estão descritas na literatura . Dentre elas, Pseudomonas cichorii (Swingle) Stapp (causa manchas em folhas e na cabeça de repolho), Xanthomonas campestris pv. raphani (White) Dye e X. campestris pv. aberrans (Knösel) Dye (causam manchas de 2-5 mm de diâmetro em folhas de couve-flor) e X. campestris pv. armoraciae (ataca rábano-rústico).

Canela Preta ou Pé Preto - Leptosphaeria maculans (Desmaz.) Ces. & de Not. (Phoma lingam (Tode) Desmaz.) - Esta doença é causada pelo fungo Phoma lingam e ocorre em regiões temperadas onde o cultivo de crucíferas é muito intenso. A planta pode ser infectada desde a fase de sementeira até a fase adulta. No caule, ou na região do colo, as lesões são necróticas e alongadas. Nas folhas, as lesões são necróticas, irregulares, de coloração marrom-acinzentada, com inúmeros pontos negros, que correspondem aos picnídios do fungo. O patógeno sobrevive na forma de picnídio ou de peritécio nos restos culturais infectados, permanecendo viável no solo por dois a três anos. Também sobrevive em plantas voluntárias e em sementes infectadas. A doença ocorre nas regiões úmidas, com temperaturas baixas. A disseminação do fungo ocorre através de sementes infectadas, por respingos de água de chuva ou de irrigação (conídios) e pelo vento (ascósporos). Recomendam-se as seguintes medidas de controle: rotação de culturas com espécies não-suscetíveis durante três anos; uso de sementes sadias; tratamento químico das sementes com fungicidas; pulverizações preventivas na parte aérea ou dirigidas ao colo das plantas com os fungicidas apropriados. Mancha com Pontos - Mycosphaerella brassicicola (Duby) Lindau - A doença denominada mancha com pontos é causada pelo fungo Mycosphaerella brassicicola e é de ocorrência generalizada em alguns países europeus, na Austrália, nos E.U.A. e na América Latina. No Brasil, tem sido assinalada nos Estados de São Paulo e Paraná, ocorrendo em repolho, couve-flor, brócolis e outras brássicas. Caracteriza-se pelo desenvolvimento de lesões foliares necróticas, de coloração cinza, que apresentam anéis concêntricos e pequenos corpos de frutificação do fungo, de coloração negra (picnídios ou peritécios). Em ataques muito severos ocorre intensa desfolha. A doença é favorecida por alta umidade e temperaturas entre 15 e 250C. A disseminação do patógeno é feita através de respingos de água de chuva ou de irrigação (conídios) ou pelo vento (ascósporos) e por sementes infectadas. O fungo sobrevive no solo, em restos de cultura infectados, nas plantas voluntárias, nas plantas daninhas e nas sementes infectadas. Para o controle são recomendados: a incorporação dos restos de cultura através de aração profunda, logo após a colheita; rotação de culturas por pelo menos um ano; uso de sementes sadias ou tratadas com fungicidas; pulverizações periódicas da parte aérea das plantas com fungicidas apropriados.

Bolor Cinzento - Botrytis cinerea Pers & F.- O bolor cinzento não é problema sério para as crucíferas, mas torna-se importante nos campos destinados à produção de sementes. Botrytis cinerea coloniza os botões florais tanto no campo quanto em câmaras frias, em plantas submetidas à vernalização. Os botões florais exibem lesões com margens indefinidas, de coloração parda. Com o desenvolvimento da doença, o fungo recobre os botões. A haste floral pode apresentar lesões e, em alguns casos, apodrecer. O controle da doença é realizado através de pulverizações preventivas com fungicidas nos campos destinados à produção de sementes.

Cercosporioses - Cercospora spp.-Algumas espécies do gênero Cercospora são responsáveis por manchas foliares de várias crucíferas. Cercospora brassicicola Hernnigs apresenta uma gama grande de hospedeiros e causa doença em mostarda, nabo, repolho, couve-chinesa e outras crucíferas; C. armoriaceae Sacc. infecta apenas Armoracea rusticana; C. crucifearum e C. atrogrisaceae Ell. & Ev. são patogênicas apenas ao rabanete. A cercosporiose caracteriza-se pelo desenvolvimento de lesões em folhas e em ramos, de formato circular, de coloração marrom, com bordos escuros. As lesões podem coalescer e apresentar grandes áreas amarelecidas que progridem para necrose. Pontuações de coloração preta podem ser observadas nas lesões e correspondem às frutificações do fungo. Essa doença é favorecida pela alta umidade e temperaturas amenas. A disseminação do fungo é realizada através de mudas e sementes infectadas, pela água de irrigação e pelo vento. O fungo pode sobreviver por períodos variáveis em sementes, em plantas voluntárias e em plantas daninhas hospedeiras. Para o controle, ver as medidas recomendadas para a mancha de Alternaria.

Oídio - Erysiphe polygoni D.C. - O agente causal é o fungo ascomiceto Erysiphe polygoni, que corresponde, na fase imperfeita, ao gênero Oidium. O sintoma típico dessa doença é o crescimento branco ou cinza-esbranquiçado na superfície da planta. Condições de baixa umidade relativa e temperaturas amenas favorecem o desenvolvimento da doença. A disseminação dos esporos ocorre através do vento e a sobrevivência do fungo dá-se em plantas voluntárias cem plantas hospedeiras diversas. O controle químico é recomendado nos campos de produção de sementes.

Raiz Negra - Aphanomyces raphani Kendrick - Esta doença ocorre em brócolis, couve-flor, couve-rábano, couve-de-bruxelas, repolho, rabanete e em outras crucíferas. Seu agente causal é o fungo Aphanomyces raphani. O sintoma típico é o enegrecimento das raízes. A doença é favorecida por alta umidade do solo e temperatura elevada. A disseminação do fungo ocorre através de água de irrigação, água de chuva e solo aderido aos implementos agrícolas. Para o controle da raiz negra são recomendados a rotação de cultura com plantas não-suscetíveis, a desinfestação do solo e o uso de cultivares resistentes.

Rhizoctoniose - Rhizoctonia solani Kühn - Em plântulas, na fase de sementeira, é comum a ocorrência de “damping-off”. Em plantas adultas, ocorre o apodrecimento das raízes, das folhas basais próximas ao solo e, em alguns casos, das cabeças. Condições de alta umidade no solo e temperaturas entre 25 e 260C favorecem o desenvolvimento da doença. A disseminação de R. solani ocorre através de mudas doentes, partículas de solo aderidas a implementos agrícolas e água de irrigação. Para o controle, recomendam-se: tratamento de sementes com fungicidas; desinfestação de substratos empregados na sementeira; rotação de culturas com gramíneas; calagem; equilíbrio nas adubações nitrogenadas; irrigação adequada.

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