Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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Controle - O uso de porta-enxertos resistentes constitui-se na medida mais importante de controle às várias doenças provocadas por Phytophthora em citros, principalmente a podridão do pé e as podridões de raízes e radicelas. As principais espécies, híbridos e cultivares de citros foram classificadas em 5 classes de comportamento, em função de sua suscetibilidade às infecções de tronco por P. parasitica e P citrophthora: Suscetibilidade muito alta: limões verdadeiros; Alta: laranjas doces, limas ácidas, limões rugosos e pomelos; Moderada: tangerinas Sunki e Cleópatra, limão Cravo, Tângelo Orlando, limão Volkameriano, citranges Troyer e Carrizo; Baixa: Macrophylla, laranja Azeda; Muito Baixa: citrumelo Swingle e Trifoliata. Contudo, nem sempre existe uma boa correlação entre a resistência de um cultivar à infecção de tronco, e sua tolerância às podridões de raízes. A laranja Azeda e o citrange Carrizo são bons exemplos de porta-enxertos que não apresentam essa correspondência. Eles são tidos como moderadamente resistentes às infecções de tronco, mas são intolerantes às podridões de raízes e radicelas.

Outras importantes medidas de controle incluem: seleção de áreas para plantio, evitando solos rasos, mal drenados e áreas sujeitas a encharcamento ou com problemas sérios de erosão; adoção de práticas de conservação de solo em terrenos em declive, visando evitar o arraste de propágulos do fungo, o acúmulo de terra e detritos junto ao colo das plantas e o encharcamento do solo nas baixadas; utilização dos adubos orgânicos no pomar, visando favorecer a microflora de solo antagônica a Phytophthora, contribuindo assim para o estabelecimento de solos supressivos ao patógeno; utilização de mudas livres de Phytophthora e enxertadas a quinze ou mais centímetros acima do nível do solo; plantio alto, de modo que as raízes principais fiquem ao nível do solo; evitar ferimentos de tronco e raízes principais; evitar a utilização de grades, sulcadores, subsoladores e outros equipamentos pesados no pomar adulto; utilização somente de água livre de Phytophthora nas irrigações; em pomares irrigados por microaspersores, evitar que o jato d’água atinja a base do tronco das plantas; inspeção freqüente dos plantios, visando a detecção de plantas que ainda se encontrem em início de ataque e, portanto, passíveis de serem recuperadas; monitoramento dos pomares, com coleta e análise de amostras de solos e raízes, visando a detecção e a quantificação de propágulos de Phytophthora na área; remoção de plantas severamente afetadas do pomar e preparo das covas para o plantio; controle químico com os fungicidas sistêmicos fosetyl-Al e metalaxyl, que apresentam comprovada eficácia no controle preventivo e curativo à doença. No controle curativo de lesões de tronco e ramos, pulverizações foliares e pincelamento de tronco com fosetyl-Al são muito eficientes, dispensando a realização do tratamento cirúrgico tradicional, que é feito com a remoção de tecidos infectados e o pincelamento dos ferimentos com uma calda preparada com produto à base de cobre. No controle preventivo de podridões de raízes e radicelas, os dois sistêmicos são eficientes. Fosetyl-Al funciona melhor se usado via foliar, e metalaxyl se aplicado diretamente ao solo. O controle preventivo de podridão parda de frutos pode ser feito com a pulverização das plantas com fosetyl-Al ou produtos à base de cobre, principalmente a calda bordalesa. As aplicações devem ser feitas logo após o início do período das chuvas e serem dirigidas somente para a parte inferior da copa das plantas.


VERRUGOSE - Elsinoe fawcetti Bitancourt & Jenkins (Sphaceloma fawcetti Jenkins), Elsinoe australis Bitancourt & Jenkins (Sphaceloma australis Bitancourt & Jenkins)

A verrugose encontra-se disseminada em todas as regiões produtoras de citros do país. Sua importância é grande em pomares que produzem frutas para o consumo “in natura”, pois os frutos afetados são muito depreciados pela doença. Ela é também importante por contribuir para o aumento na severidade de leprose, pois o ácaro transmissor dessa virose protege-se em frutos com lesões salientes e corticosas de verrugose. Portanto, um bom controle de verrugose é medida obrigatória no controle da leprose.

Há dois tipos principais de verrugose: verrugose da laranja azeda, de ocorrência generalizada em todas as regiões citrícolas do globo, que afeta todos os órgãos aéreos de um pequeno número de variedades cítricas, incluindo laranjas azedas, limões rugosos, limões verdadeiros, limões Cravos, pomelos, trifoliatas, tangor, calamondin e algumas tangerinas (Cravo, King, Satsuma) e verrugose da laranja doce, de ocorrência restrita à América do Sul, que afeta principalmente frutos de laranjas doces e, com menor intensidade, outras espécies de citros e gêneros afins, como algumas tangerinas, limas doces, limas ácidas, Kunquates, pomelos e tângelos.

No Brasil, a verrugose da laranja doce é considerada a principal doença do fruto, sendo a doença da cultura que mais consome fungicidas para seu controle. A verrugose da laranja azeda é de importância menor, por afetar espécies e cultivares de interesse econômico secundário. Entretanto, ela é muito importante em viveiros contendo porta-enxertos suscetíveis, que podem ter seu desenvolvimento muito comprometido pela doença.



Sintomas - Os sintomas gerais das duas verrugoses são muito semelhantes. Entretanto, a verrugose da laranja azeda afeta ramos, folhas e frutos, ao passo que a verrugose da laranja doce afeta quase que só frutos, sendo raramente encontrada em folhas ou ramos. A verrugose é doença de órgãos em desenvolvimento. Folhas com mais de 1,5 cm de largura, ou que tenham atingido um quarto do seu tamanho final, são praticamente imunes. Os frutos são suscetíveis até atingirem o tamanho aproximado de um quarto do seu diâmetro final, o que na prática corresponde ao período de 10 a 12 semanas após a queda das pétalas. Em folhas, os sintomas geralmente aparecem de 4 a 7 dias após a infecção. Em folhas e ramos novos, a doença manifesta-se de início como pequenas manchas deprimidas de aspecto encharcado. Em seguida, com a hiperplasia do tecido na área afetada, as lesões se tornam salientes, corticosas, irregulares, cor de mel ou canela, espalhadas por ambas as faces da folha ou pela superfície de ramos. Em folhas, a saliência da lesão em uma das faces corresponde a uma reentrância na face oposta. Em frutos, as lesões são também irregulares, salientes, corticosas, de coloração palha ou cinza escura (Prancha 25.10). As lesões são maiores e mais salientes quanto mais novo for o tecido quando do início da infecção. Quando as lesões ocorrem em grande número em tecidos muito jovens, elas provocam deformações no órgão afetado. Em frutos, as lesões podem coalescer e tomar grandes áreas da casca. E comum encontrar misturadas grandes lesões, provenientes de infecções primárias, e um grande número de lesões menores, espalhadas pela superfície do fruto, que se originam de infecções secundárias. Em todos os órgãos infectados as lesões são superficiais, não se aprofundando no interior dos tecidos.

Etiologia - A verrugose da laranja azeda é induzida pelo fungo Elsinoe fawcetti, cuja forma imperfeita corresponde a Sphaceloma fawcetti. A verrugose da laranja doce é atribuída a Elsinoe australis, que no seu estádio conidial corresponde a Sphaceloma australis. E. australis e E fawcetti são muito semelhantes morfologicamente. E. australis apresenta ascomas globosos, separados ou agregados, pseudoparenquimatosos, epidérmicos a subepidérmicos, maiores que 150 m de diâmetro. Os ascos são elípticos a subglobosos e medem 15-30 x 12-20 m. Os ascósporos são hialinos, retos ou curvos, com 1 a 3 septos, e medem 12-20 x 4-9 m. S australis produz conídios hialinos e unicelulares em acérvulos. E. fawcetti apresenta ascomas pulvinados, circulares a elípticos, de cor marrom-escura, com mais de 120 m de espessura, composto de tecido pseudoparenquimatoso contendo vários lóculos com asco. Os ascos são subglobosos a elípticos, com parede espessada no topo, medindo 12 a 16 m. Os ascósporos são hialinos, oblongo-elípticos, com 1 a 3 septos, usualmente constritos no septo central, medindo 10-12 x 5-6 m. S. fawcetti produz conídios unicelulares em acérvulos epidérmicos a subepidérmicos, septados ou confluentes, compostos de pseudoparênquima hialino a marrom-pálido. Dois tipos de esporos são produzidos: conídios hialinos, elipsoidais, de 5-10 x 2-5 μm, e conídios de cor amarelo-pálido a castanho-avermelhado, medindo aproximadamente 4 x 10 μm, podendo atingir até 16 μm de comprimento.

A produção de conídios requer condições de elevada umidade. A disseminação é feita por respingos de água a curtas distâncias e pelo vento a longas distâncias. Os conídios podem também ser dispersos de outras formas, como por insetos, ácaros, homem, etc. Os conídios são muito frágeis e em períodos secos sobrevivem sobre as lesões por períodos muito curtos. Entretanto, o fungo consegue sobreviver de um ano para outro em lesões de órgãos afetados. Quando sobrevêm condições favoráveis, essas lesões esporulam abundantemente após 1-2 horas de molhamento contínuo. Em presença de um filme de água sobre os órgãos suscetíveis, esses esporos podem germinar e iniciar infecções em 2,5 a 3,5 horas.



Controle - O controle convencional da verrugose é feito por meio de pulverizações com fungicidas, visando sempre a proteção de tecidos jovens suscetíveis. A eficácia dos tratamentos depende não só do fungicida utilizado e sua dose, mas também da época e número de aplicações feitas. As pulverizações realizadas antes da floração das plantas são pouco eficazes. Os tratamentos devem ser iniciados quando cerca de 2/3 das pétalas tiverem caído, visando reduzir as infecções primárias nos frutos recém-formados, quando eles são muito suscetíveis. Recomenda-se uma segunda aplicação de 4 a 5 semanas após a primeira, no caso de pomares com histórico de doença severa nas safras anteriores. Em caso de ocorrência de floradas de importância após a florada principal, os frutos provenientes dessas floradas também devem ser protegidos. Em pomares irrigados por aspersão, recomenda-se também a realização de 2 aplicações, pois neles os níveis de infecção são geralmente maiores. Produtos cúpricos (oxicloreto de cobre, óxido cuproso e hidróxido de cobre), benzimidazóis (benomyl, carbendazin e tiofanato metílico) e ditiocarbamatos (ziram) vêm sendo recomendados no controle à doença. Excelentes resultados de controle são obtidos com a utilização de um benzimidazol ou ziram na aplicação de florada (2/3 pétalas caídas) e um produto cúprico na pulverização pós-florada. A utilização de cobre na segunda aplicação visa também proteger os frutos contra a melanose.

O controle de verrugose da laranja azeda em viveiros é essencial, pois os principais porta-enxertos de citros utilizados no país são muito suscetíveis. Métodos culturais de controle devem ser utilizados visando reduzir a severidade da doença. O viveiro deve ser mantido livre de restos de cultura, que podem funcionar como fontes de inóculo. As irrigações por aspersão devem ser evitadas nas 3 semanas após as brotações. As brotações novas devem ser protegidas com fungicidas cúpricos e benzimidazóis, em aplicações alternadas, para se prevenir um possível desenvolvimento de resistência do fungo aos benzimidazóis.


MELANOSE E PODRIDÃO PEDUNCULAR - Diaporthe citri Wolf (sin= D. medusae Nits, anamorfo Phomopsis citri Faw.)

A melanose é importante em pomares cuja produção é destinada ao mercado de fruta fresca, pois a doença compromete somente a aparência externa dos frutos. A doença é geralmente severa em pomares velhos e mal conduzidos. A incidência e a severidade de melanose vêm aumentando ano a ano no país. O agente causal de melanose pode também provocar a podridão peduncular, doença que afeta frutos, geralmente após sua colheita, durante seu transporte e armazenamento.



Sintomas - Os sintomas de melanose podem ocorrer em ramos, folhas e frutos das principais variedades e cultivares de citros de interesse comercial. A melanose afeta somente órgãos verdes em início de desenvolvimento. As folhas são suscetíveis somente quando elas estão em crescimento, tornando-se resistentes após atingirem seu tamanho final. Os frutos são suscetíveis somente quando jovens, tornando-se resistentes com cerca de 12 semanas de idade, a contar da data de queda das pétalas. Em folhas e ramos novos, os sintomas iniciam-se na forma de pequenas anasarcas, de menos de 1 mm de diâmetro, deprimidas no centro, com um halo amarelado ao seu redor, que com o tempo desaparece. Com o rompimento da cutícula, uma substância, gomosa é exsudada na região afetada, que depois adquire uma consistência firme e de coloração marrom-chocolate, fazendo com que as lesões se tornem salientes e ásperas ao tato. Essas manchas nada mais são do que secreções gomosas dos tecidos afetados, em reação à ação do fungo, que fica assim impedido de se desenvolver. As manchas em folhas e ramos podem ser espalhadas ou agregadas. Folhas com muitas manchas podem amarelecer, apresentar deformações e até cair.

As manchas de melanose em frutos são muito semelhantes às manchas em folhas e ramos. Elas são também pequenas, geralmente menores que 1 mm de diâmetro salientes, de coloração marrom-chocolate (Prancha 25.11). Essas manchas são superficiais, não comprometendo os tecidos localizados abaixo da casca do fruto. A ocorrência de muitas manchas em frutos jovens pode comprometer seu desenvolvimento, podendo até provocar sua queda prematura. Quando os conídios atingem frutos mais desenvolvidos, porém ainda no estádio suscetível de até 12 semanas de idade, as manchas são menores. As manchas podem apresentar formas distintas, dependendo da sua distribuição na superfície do fruto. Quando as manchas ocorrem em grande número e se agrupam irregularmente em uma pequena área do fruto, a superfície da casca sofre fendilhamentos, dando origem a uma grande mancha áspera, que é denominada “bolo-de-lama”. Caso as manchas se concentrem segundo estrias no sentido longitudinal do fruto, em decorrência do corrimento de gotas de água contendo conídios do fungo em suspensão, da região peduncular para a extremidade estilar do fruto, as manchas são denominadas de “manchas de lágrima”. Pulverizações com fungicidas cúpricos feitas após o início do aparecimento das manchas em frutos, podem provocar fendilhamentos de forma estrelada na superfície dessas manchas, que recebem a denominação de “melanose estrelada”.

A podridão peduncular caracteriza-se por afetar frutos somente após sua maturação. O fungo penetra no fruto na região de inserção do pedúnculo, onde se dá a abscisão. Ele avança lentamente em direção a região central, raramente atingindo a extremidade estilar do fruto, provocando necroses nos tecidos colonizados. Os sintomas iniciais da doença só aparecem depois de 10 dias da infecção. Tecidos necrosados apresentam podridões de coloração marrom-claro, que depois secam, deixando uma nítida linha demarcatória entre a parte afetada e a região sadia do fruto. Os tecidos internos do fruto também podem ser infectados. Neste caso, as podridões adquirem coloração marrom-escura.

Etiologia - Diaporthe citri, que na fase imperfeita corresponde a Phomopsis citri, é o agente causal de melanose e de podridão peduncular. D. citri produz peritécios em ramos secos, quando esses praticamente não mais produzem picnídios. Os peritécios formam-se imersos no estroma, são isolados ou agrupados, esféricos (125-160 μm em diâmetro) e achatados na base, com rostro longo. Os ascos são sésseis e clavados. Os ascósporos são bicelulares, hialinos, bigutulados, medindo de 11,5-14,2 x 3,2-4,5 μm. Os ascósporos podem ser carregados pelo vento, sendo importantes na dispersão a longas distâncias. Em pomares que apresentam plantas com muitos ramos secos, ou que os ramos podados não são removidos da área, os ascósporos podem se constituir numa fonte adicional de infecção.

P citri produz picnídios em ramos secos e principalmente em ramos de morte recente. Ramos mortos por causas diversas e que logo em seguida são colonizados pelo fungo, podem produzir picnídios depois de 2 meses. Ramos secos colonizados pelo fungo podem continuar produzindo inóculo por mais um ano. Os picnídios são escuros, globosos (200 a 400 μm de diâmetro), de parede espessa e eruptivos. No seu interior, dois tipos de picnidiósporos podem ser encontrados: conídios tipo alfa, unicelulares, hialinos bigutulados, medindo 5-9 x 2,5-4 μm; e conídios beta (estilosporos), filiformes e curvados, medindo 20-30 x 0,7-1,5 μm. Os conídios beta não germinam, predominam em picnídios velhos, e sua função ainda é desconhecida.

As manchas de melanose em órgãos verdes da planta não produzem esporos. Picnidiósporos são produzidos em grande número no interior de picnídios que se formam abundantemente em ramos secos. Em condições de elevada umidade, os conídios são liberados envoltos por uma substância mucilaginosa através do ostíolo do picnídio, formando massas filamentosas denominadas cirros. Os conídios são disseminados pela água de chuva, orvalho ou irrigação, a curta distância, dentro da própria planta, ou para plantas localizadas muito próximas. A lavagem de galhos e ramos secos, contendo frutificações do fungo e o escorrimento da água com os conídios do fungo em suspensão, levam esses propágulos até a superfície de órgãos verdes da planta localizados abaixo. Após a deposição dos esporos na superfície do tecido suscetível, um período de molhamento de 10- 12horas é necessário para que ocorra a infecção, a 250C, enquanto que a 1 50C esse período é de 18 a 24 horas. O aparecimento dos sintomas iniciais de melanose dá-se 4 - 7 dias depois da infecção, a 24 - 280C.



Controle - A poda e a retirada do pomar de ramos e galhos secos das plantas constitui-se na principal medida de controle à doença, pois o fungo sobrevive e frutifica nesses materiais. Pulverizações preventivas com fungicidas também devem ser feitas em pomares velhos e em pomares com histórico de manifestação severa da doença em anos anteriores. Nesse caso, é desejável que os fungicidas utilizados também apresentem ação no controle de verrugose, já que o controle das duas doenças deve ser feito em conjunto. Os produtos cúpricos são eficazes no controle de melanose e as aplicações pós-florada são muito importantes na proteção dos frutos. Contudo, elas não reduzem a produção de esporos do fungo nos ramos secos. Os benzimidazóis promovem uma certa redução na produção de inóculo em ramos secos, mas eles não funcionam bem na proteção de frutos e, portanto, não são recomendados no controle de melanose.

O controle de podridão peduncular somente é necessário quando os frutos não são comercializados rapidamente, pois os sintomas da doença aparecem somente depois de 10 dias da infecção. As práticas culturais que reduzem a ocorrência de ramos secos na planta em muito contribuem para o controle de podridão peduncular. Contudo, o uso de fungicidas em tratamentos pós-colheita é muitas vezes necessário. Eles funcionam melhor misturados em água do que em cera. Os frutos devem ser colhidos e processados com cuidado para evitar ferimentos. O armazenamento e o transporte a baixas temperaturas (abaixo de 100C) retardam a manifestação da doença.


PODRIDÃO FLORAL DOS CITROS - Glomerella cingulata (Stonem) Spauld [Colletotrichum gloeosporioides (Penz) Sacc & C. acutatum Simmons]

A podridão floral dos citros (PFC) afeta principalmente flores e frutos recém-formados. Perdas variam em função da quantidade e distribuição de chuvas durante o período de florescimento das plantas. A PFC foi observada pela primeira vez em 1956, em Belize, na América Central. Atualmente, a doença é endêmica em muitas regiões produtoras de clima tropical úmido e sub-tropical das três Américas, como: Argentina, Brasil, Costa Rica, Jamaica, México, Panamá, República Dominicana, Trinidade e Tobago, e Estados Unidos (Flórida). No Brasil, a PFC ocorre há muito tempo afetando plantas de lima ácida Tahiti. No Rio Grande do Sul, a doença se constitui num dos principais problemas da cultura, afetando as principais variedades e cultivares de citros. Em outros estados, a doença é grave somente em anos em que chuvas contínuas ocorrem durante o período de florescimento das plantas.



Sintomas - O fungo agente causal de PFC infecta flores, provocando lesões necróticas de coloração róseo-alaranjada. As lesões geralmente aparecem em pétalas, após a abertura dos botões florais, embora, em ataques severos, as lesões possam ocorrer antes mesmo da abertura das flores, provocando a completa podridão dos botões florais. O fungo forma acérvulos de coloração salmão-rosa sobre as lesões de flores infectadas (Prancha 25.12). Quando as condições são muito favoráveis, as lesões se desenvolvem rapidamente, até comprometerem todos os tecidos das pétalas, que ficam rígidas e secas, mantendo-se firmemente aderidas ao disco basal por vários dias, ao contrário das pétalas de flores sadias, que caem logo após sua abertura.

Os frutos recém-formados apresentam uma descoloração amarelo-pálida e caem rapidamente, enquanto que os discos basais, os cálices, e os pedúnculos ficam firmemente aderidos aos ramos, formando estruturas que recebem a denominação de “estrelinhas”. Essas estruturas são típicas da doença e podem permanecer retidas nos ramos por mais de 18 meses. Elas não são formadas durante a queda fisiológica normal de frutos recém-formados, pois nesse caso a abcisão ocorre na base do pedúnculo, deixando apenas uma pequena cicatriz no ramo. Em algumas situações, a doença pode fazer com que os frutos recém-formados fiquem presos ao disco basal e terem seu desenvolvimento interrompido. Nesse caso, os estigmas e os estiletes permanecem aderidos aos frutos, e um vigoroso crescimento fúngico pode ser observado ao longo do estilete persistente.

As folhas localizadas ao redor de um grande número de flores infectadas são geralmente menores, distorcidas, de coloração bronzeada, e apresentam nervuras espessadas, dando ao ramo o aspecto de uma roseta.

Etiologia - O fungo agente causal de PFC, também denominado de SGO (“slow­-growing orange”), foi originalmente descrito como sendo uma estirpe virulenta do fungo Colletotrichum gloeosporioides. Essa estirpe apresenta características morfológicas, fisiológicas e patológicas diferentes da forma cosmopolita de C. gloeosporioides, também denominada de FGG (“fast-growing gray”), que ocorre saprofiticamente em tecidos mortos ou em senescência de citros, sobre os quais o fungo produz um grande número de conídios em acérvulos. A forma FGG é também uma invasora assintomática de folhas, ramos e frutos de citros, onde produz infecções quiescentes. Contudo, sob certas condições, ela pode se constituir num parasita fraco e provocar doença em tecidos que já apresentem muitas dessas infecções quiescentes (ver doença “Antracnose”). Os isolados da estirpe FGG não infectam flores jovens de citros. Somente flores em senescência são colonizadas por essa forma saprofítica C. gloeosporioides.

O fungo agente causal da doença antracnose do limoeiro Galego, também denominado de KLA (“key lime anthracnose”), foi originalmente descrito como Gloeosporium limetticolum Clausen e, em seguida, reclassificado como uma estime de C. gloeosporioides, tida como capaz de só infectar tecidos jovens de ramos, flores, folhas e frutos de limoeiro Galego (ver doença “Antracnose do Limoeiro Galego”). Contudo, isolados desse fungo podem também infectar flores de laranjas doces e da lima ácida Tahiti, produzindo os sintomas típicos de PFC.

Os isolados da estirpe SGO apresentam crescimento lento em meio de cultura, produzem colônias de coloração branca com leve pigmentação cinza e massas de conídios de coloração alaranjada. Os isolados da forma cosmopolita FGG apresentam crescimento rápido em meio de cultura e micélio de coloração cinza-escuro.

Quanto à morfologia, os isolados da estirpe SGO são difíceis de serem diferenciados dos da forma KLA. A maioria das características morfológicas dessas duas estirpes são típicas de C. acutatum, exceção feita à forma das extremidades dos conídios, que é arredondada nas duas extremidades em C. acutatum, enquanto que nas estirpes SGO e KLA somente uma das extremidades é arredondada. Os apressórios da estirpe SGO apresentam forma clavada, são fortemente pigmentados, de tamanho médio de 4,7 x 6,1 μm. Os da forma KLA são menores, arredondados e levemente pigmentados. Essas duas estirpes foram reclassificadas com base em estudos moleculares como patótipos de C. acutatum, enquanto que a forma cosmopolita FGG foi mantida como C. gloeosporioides. É provável que a estirpe de C. acutatum responsável pela PFC tenha se originado de uma adaptação da estirpe KLA desse mesmo fungo, que antes era tida como capaz de só infectar flores, folhas e frutos de limoeiro Galego, e que passou também a infectar flores de outras variedades e cultivares de citros, perdendo, eventualmente, a sua habilidade de infectar folhas e frutos de citros.

A PFC somente é severa quando o florescimento das plantas ocorre em períodos de chuvas prolongadas. A produção de conídios em acérvulos sobre as pétalas infectadas é muito grande em condições de elevada umidade. A água promove a dissolução das mucilagens que envolvem os conídios nos acérvulos e os respingos de água contendo conídios em suspensão constituem a mais importante via de disseminação do patógeno. Os insetos que visitam flores infectadas, os colhedores, os equipamentos e os materiais de colheita também podem disseminar a doença a longas distâncias.

As flores da parte baixa da copa das plantas geralmente são mais afetadas pela doença, porque o inóculo produzido em flores infectadas da região alta da planta pode ser carregado pela água para as flores localizadas abaixo. Na parte superior da copa, onde a aeração e a exposição aos ventos e raios solares são maiores, as condições são menos favoráveis ao fungo. A existência de um filme de água na superfície dos órgãos suscetíveis da planta, de 18 horas de duração após a deposição dos conídios, já é suficiente para que ocorra a germinação de conídios e o início de infecção. As flores somente se tornam suscetíveis quando os botões florais em expansão atingem o estádio fenológico vulgarmente denominado de “cotonete”. Após a abertura dos botões, as pétalas são muito suscetíveis.

O efeito da temperatura sobre a PFC pode ser direto, atuando sobre o fungo, e indireto, influindo na duração do período de florescimento das plantas. Em temperaturas baixas, o florescimento das plantas é mais prolongado, contribuindo para que as flores fiquem expostas à ação do fungo por mais tempo. A temperatura ótima para o crescimento do fungo é de 23-270C. Contudo, o fungo cresce numa faixa de l5-300C. A temperatura ótima para a germinação de conídios é de 230C. Em flores, a germinação de conídios se inicia após um período de molhamento de 12 a 24 horas. A germinação de conídios e a infecção de pétalas ocorrem em 24 a 48 horas. As lesões aparecem depois de 4 a 5 dias, quando novos conídios são produzidos na superfície das lesões. Os conídios conseguem sobreviver por até um mês na superfície de folhas, ramos e Outros órgãos verdes da planta, na forma de conídios não germinados. Após a germinação, os conídios produzem apressórios, que podem permanecer viáveis por longos períodos e se constituírem em estruturas de sobrevivência do fungo. Esses apressórios germinam em presença de umidade, processo que pode ser estimulado por substâncias presentes nas pétalas das flores. Conídios produzidos em folhas podem ser carregados pela água até a superfície de pétalas das flores, onde germinam e penetram diretamente, sem a formação de apressórios, reiniciando assim o ciclo da doença.

O agente causal de PFC pode sobreviver por períodos prolongados não somente em “estrelinhas”, mas também em folhas, ramos, e outros órgãos verdes da planta. Nesses órgãos, o fungo sobrevive na forma de apressórios e, possivelmente, na forma de hifas subcuticulares e intercelulares. Essas hifas e os apressórios podem germinar em resposta a estímulos produzidos por nutrientes que são lavados das flores, produzindo muitos conídios, que podem iniciar novas infecções.

A PFC afeta praticamente todas as variedades e cultivares de citros de interesse comercial. Os limões verdadeiros e a lima ácida Tahiti são mais suscetíveis, seguidas das laranjas doces, enquanto que as tangerinas são as mais tolerantes. Entre as laranjas doces, as tardias são as mais suscetíveis, embora, nas nossas condições, a laranja Lima também seja muito afetada. As variedades ou cultivares que apresentam vários surtos de florescimento são mais sujeitas ao ataque do fungo. Entre elas estão a lima ácida Tahiti, os limões verdadeiros e algumas variedades de laranja doce, como a laranja Pêra. Nessas variedades, a probabilidade de ocorrência de condições ambientais favoráveis durante pelo menos um dos vários surtos de florescimento das plantas é maior.

Controle - A PFC é uma doença de difícil controle. Contudo, como ela só é severa quando o florescimento das plantas coincide com períodos de chuvas prolongadas, todas as práticas que contribuem para antecipar o florescimento das plantas devem merecer especial atenção. Entre essas práticas incluem-se a irrigação, o uso de hormônios e a utilização de porta-enxertos que induzem florescimento precoce.

A irrigação por aspersão deve ser evitada durante o período de florescimento das plantas. Contudo, caso ela se faça extremamente necessária, os pomares devem ser irrigados à noite, para permitir um rápido secamento das partes aéreas das plantas nas primeiras horas do dia, reduzindo o período de molhamento na superfície de órgãos suscetíveis.

As plantas em processo avançado de deperecimento devem ser eliminadas dos pomares. Essas plantas geralmente apresentam surtos contínuos de florescimento, podendo funcionar como reservatórios de inóculo. Portanto, as plantas com manifestações severas de gomose de Phytophthora, tristeza, declínio e outras doenças, pragas e anomalias que induzam florescimentos extemporâneos, devem ser substituídas. Os pomares devem ser mantidos em boas condições sanitárias e nutricionais.

O controle químico da doença é difícil e algumas vezes inviável. Ele somente deve ser iniciado se o histórico da doença e as condições climáticas forem favoráveis à manifestação severa da doença. As pulverizações com fungicidas devem visar a proteção das flores durante o período em que elas são suscetíveis. O número de aplicações pode variar em função das condições climáticas e da uniformidade e duração do período de florescimento. Benomyl e tebuconazole são os fungicidas até o momento registrados no país para o controle de PFC.


ANTRACNOSE - Glomerella cingulata (Stonem.) Spaulding & Schrenk (Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Sacc.)

A antracnose em frutos geralmente ocorre quando eles são previamente injuriados por queimaduras de sol, ventos, pragas, pulverizações inadequadas com defensivos agrícolas, e outras causas. Contudo, em algumas variedades de tangerina, os sintomas de antracnose podem aparecer mesmo em frutos que não tenham sido previamente injuriados.



Sintomas - Quando a antracnose é associada a frutos previamente injuriados, as lesões são deprimidas, firmes e secas, de cor marrom-escura a preta, geralmente maiores que 1,5 cm de diâmetro, podendo tomar grandes áreas do fruto (Prancha 25.13). Em condições de elevada umidade, massas de esporos de coloração rosa ou salmão são formadas na superfície das lesões. Contudo, quando a umidade é baixa, essas massas são de coloração marrom a preta. Quando as lesões se desenvolvem em frutos que não foram previamente injuriados, as lesões são superficiais, firmes, inicialmente de cor prata, passando depois para marrom a cinza-escuro.

Em ramos e folhas, as lesões somente aparecem após a morte de tecidos que apresentam infecções quiescentes, resultantes de invasões anteriores pelo fungo. As lesões são geralmente deprimidas e apresentam frutificações típicas do fungo em acérvulos.



Etiologia - O fungo Colletotrichum gloeosporioides é sempre encontrado em lesões de antracnose. Conídios hialinos, de 10-16 x 5-7 μm, são produzidos abundantemente sobre as lesões, em acérvulos emergentes e superficiais, geralmente setosos, que medem 90-70 μm de diâmetro.

Os conídios são produzidos abundantemente em ramos secos e são disseminados a distâncias relativamente curtas por água de chuvas ou irrigações por aspersão. Eles germinam na superfície do hospedeiro, formando apressórios marrom-escuros, de 5-8 μm de diâmetro, que ficam firmemente aderidos à cutícula. O apressório germina produzindo uma delgada hifa de infecção, de menos de 1 μm de diâmetro, que se desenvolve no interior da cutícula e que pode crescer, intercelularmente, até três camadas de células abaixo da cutícula, antes de se tornar quiescente. A invasão e a destruição de células além dessa região subcuticular somente ocorre após a morte ou enfraquecimento dos tecidos circunvizinhos, por várias causas. Em frutos pós-colheita, o etileno utilizado nas câmaras de desverdecimento pode estimular o desenvolvimento dessas lesões quiescentes, favorecendo a manifestação da doença. O etileno pode também aumentar a suscetibilidade dos tecidos da casca do fruto.

A fase perfeita Glomerella cingulata é raramente encontrada na natureza. Os ascósporos são hialinos, não septados, levemente recurvados e medem 12-22 x 3,5-5 μm.

Controle - Evitar ou reduzir a formação de ramos secos nas plantas, mantendo os pomares sempre em boas condições sanitárias e nutricionais, pois o fungo frutifica abundantemente em ramos secos. Esses ramos devem ser removidos e queimados durante a realização do tratamento de inverno.

Os ferimentos em frutos devem ser evitados em campo e em casas de processamento. O período de armazenamento de frutos pós-colheita deve ser reduzido ao mínimo. A lavagem dos frutos após a colheita promove a remoção de parte dos apressórios quiescentes da superfície da casca dos frutos, reduzindo os riscos de infecção. Contudo, no caso de desverdecimento com etileno, a lavagem prévia de frutos não é recomendada. O desverdecimento com etileno poderá ser evitado com atraso na colheita, até que a maioria dos frutos atinja a coloração normal. Pulverizações pré-colheita com ethefon podem ser feitas para melhorar a coloração dos frutos, pois elas não tornam os frutos mais sujeitos à antracnose. O tratamento pós-colheita com thiabendazol ou benomyl e o armazenamento dos frutos abaixo de 50C, retardam o desenvolvimento das lesões de antracnose.


ANTRACNOSE DO LIMOEIRO GALEGO - Colletotrichum acutatum Simmons

A antracnose do limoeiro Galego afeta somente tecidos novos de ramos, folhas, flores e frutos de plantas dessa variedade. A doença é severa quando chuvas freqüentes ocorrem durante a formação de novos ramos, do florescimento e do desenvolvimento dos frutos. A doença sempre foi considerada como exclusiva da lima ácida Galego. Contudo, o agente causal dessa doença também é capaz de infectar flores de laranjas doces e da lima ácida Tahiti, produzindo os sintomas típicos da doença podridão floral (PFC).



Sintomas - Os tecidos jovens de ramos, folhas, flores e frutos são suscetíveis. Em ataques severos, a doença pode provocar a seca da extremidade de ramos recém-formados. Em folhas, as lesões são distorcidas, necróticas, podendo a sua área necrótica central cair, deixando pequenos furos nas folhas (“shot-holes”). Em flores, os sintomas são idênticos aos da PFC. Em frutos, as lesões são corticosas, salientes, sempre em número reduzido, sendo difícil encontrar mais que duas lesões por fruto.

Etiologia - O agente causal foi originalmente descrito como Gloeosporium limetticolum e depois foi reclassificado como uma estirpe de Colletotrichum gloeosporioides, também denominada de KLA (“Key lime anthracnose”) e tida como capaz de só infectar tecidos jovens de ramos, folhas, flores e frutos da lima ácida Galego. Com base em estudos moleculares, esse fungo e o agente causal de PFC, também denominado de SGO (“slow-growing orange”), foram recentemente reclassificados como patótipos de C. acutatum.

Controle - Como o patógeno pode sobreviver por períodos prolongados em tecidos infectados e as plantas da lima ácida Galego apresentam surtos de vegetação desuniformes e florescimentos constantes, o controle químico da doença é muito difícil. A proteção de tecidos novos suscetíveis com fungicidas de contacto requer um número elevado de aplicações. Pulverizações com produtos à base de cobre têm permitido resultados apenas regulares no controle à doença.
MANCHA PRETA OU PINTA PRETA - Guignardia citricarpa Kiely (Phyllosticta citricarpa (McAlp.) van der A.A., sin= Phyllostictina citricarpa (Mc.Alp.) Petrak.)

A pinta preta, ou mancha preta dos citros (MPC), afeta folhas, ramos e, principalmente, frutos, que ficam impróprios para o mercado de fruta fresca. As perdas provocadas pela doença podem ser muito severas, principalmente em limões verdadeiros e laranjas doces de maturação tardia. Em ataques severos os frutos podem cair prematuramente. A MPC já foi encontrada afetando severamente plantios comerciais de limões verdadeiros, laranjas doces, mexericas do Rio e Montenegrina e tangor Murcote, nos Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Plantas velhas e estressadas são geralmente mais afetadas pela doença.



Sintomas - Os sintomas da MPC em folhas, ramos e frutos são sempre mais freqüentes nas faces da planta mais expostas aos raios solares. Em frutos, quatro tipos principais de lesões com denominação diferentes podem ocorrer: 1) manchas duras, que são as mais comuns e as típicas da doença. Elas, em geral, aparecem quando os frutos iniciam a maturação. Em frutos verdes, um halo amarelado aparece circundando as lesões. Em frutos maduros, um halo verde aparece ao redor das lesões que apresentam o centro deprimido de cor marrom-claro ou cinza-escuro e os bordos salientes de coloração marrom-escura. No interior dessas lesões aparecem pequenas pontuações negras, que se constituem nos picnídios do fungo; 2) manchas sardentas, que aparecem geralmente depois que os frutos já passaram da coloração verde para a amarelada ou laranja. As lesões são levemente deprimidas e avermelhadas. Elas podem coalescer, formando uma grande lesão, ou permanecer pequenas, individualizadas; 3) manchas virulentas, que geralmente se desenvolvem no final da safra, quando os frutos já estão maduros e as temperaturas são elevadas. Elas também podem ocorrer após a colheita, durante o transporte e o armazenamento dos frutos. As lesões aparecem como resultado do crescimento ou coalescência de lesões dos dois tipos anteriores, dando origem a grandes lesões deprimidas de centro acinzentado e bordos salientes de coloração marrom-escuro ou vermelho-escuro. No centro dessas lesões também aparecem pontuações escuras, que são os picnídios do fungo. A casca do fruto fica completamente necrosada na área da lesão, mas a parte interna do fruto não é afetada.; 4) manchas de falsa melanose, que geralmente aparecem quando o fruto já ultrapassou seu período de suscetibilidade, que é de 4-5 meses após a queda das pétalas. As lesões são minúsculas e numerosas, negras, muito semelhantes às de melanose.

Sintomas em folhas e ramos são menos freqüentes. Lesões em folhas são muito semelhantes às do tipo duro dos frutos, apresentando o centro necrótico deprimido de cor cinza, os bordos salientes marrom-escuros e um halo amarelado ao redor das lesões.



Etiologia - A MPC é causada por Guignardia citricarpa, cuja forma imperfeita corresponde a Phyllosticta citricarpa. G. citricarpa produz ascocarpos somente em folhas em decomposição no solo. Eles não são encontrados em lesões de frutos e folhas. Os ascocarpos são isolados ou agregados, globosos (100-175 μm de diâmetro), apresentando um estiolo circular e não papilado. Os ascos são cilíndrico-clavados, bitunicados, apresentando 8 ascósporos em seu interior. Os ascósporos são unicelulares, hialinos, multigutulados, cilíndricos com o centro dilatado, apresentando apêndices hialinos nas duas extremidades obtusas.

P. citricarpa produz picnídios em lesões de frutos e folhas e, ocasionalmente, no pedúnculo de frutos. Eles também são produzidos em grande número em folhas mortas. Os picnídios são de coloração marrom-escura ou preta, solitários ou agregados, globosos (115 -190 μm de diâmetro), apresentando um ostíolo levemente papilado, circular, de 12 - 14,5 μm de diâmetro. Os conídios apresentam forma obovóide a elíptica (8 -10,5 x 5,5 -7 μm), são hialinos, unicelulares, multigutulados, com um apêndice hialino numa das extremidades.

G. citricarpa é também um invasor assintomático de folhas de citros e de espécies de mais de 20 famílias. Duas formas morfologicamente idênticas do fungo existem: uma que provoca a MPC, embora ela também possa produzir infecções assintomáticas em citros; e outra que somente provoca infecções assintomáticas. Portanto, a simples presença de G. citricarpa no pomar não significa que a doença ocorra na área. A forma do fungo associada à MPC aparentemente só infecta tecidos cítricos, enquanto que a forma avirulenta apresenta uma gama de hospedeiros muito maior.

Os ascósporos se constituem na principal fonte de inóculo. Eles se desenvolvem em folhas em decomposição, de 40 a 180 dias depois da queda das folhas ao solo. A produção desses esporos é favorecida pelas alternâncias entre os períodos de molhamento e seca das folhas, condição essa bastante freqüente durante a estação chuvosa do ano. Os ascósporos podem ser carregados pelo vento, disseminando o fungo a longas distâncias. Eles também podem ser levados por respingos de água das folhas caídas ao solo até a superfície de órgãos da parte baixa da copa das plantas.

Os picnidiósporos somente são disseminados a curtas distâncias. Eles são produzidos em picnídios que se formam em lesões de frutos e folhas. Eles emergem através de um ostíolo do picnídio e são envolvidos por uma substância mucilaginosa. São importantes na epidemiologia de MPC somente quando, numa mesma planta, são encontrados frutos infectados produzindo esses esporos e frutos jovens suscetíveis, ou seja frutos de até 4-5 meses de idade a contar da queda das pétalas. Essa situação pode ocorrer com relativa freqüência em pomares, notadamente em variedades que apresentam vários surtos de florescimento, ou mesmo em anos cujas condições climáticas atípicas contribuam para a ocorrência de vários surtos de florescimentos nas plantas.

Os esporos germinam na superfície de órgãos suscetíveis, produzindo apressórios. Uma delgada hifa de infecção é então formada a partir do apressório, que penetra através da cutícula e se desenvolve, formando uma pequena massa de micélio entre a cutícula e a epiderme. Nessa forma de micélio subcuticular quiescente, o fungo pode permanecer dormente por até 12 meses. Esse período de dormência pode ser interrompido quando o fruto atinge o seu tamanho final e inicia a maturação, ou quando as condições ambientais se tornam favoráveis. O fungo cresce então a partir do micélio subcuticular, atingindo tecidos mais internos e provocando os sintomas típicos da doença.

A manifestação de MPC é favorecida por vários fatores, dos quais o mais importante é a exposição dos frutos a intensa radiação solar e temperaturas elevadas. Plantas velhas e estressadas por várias causas são também muito mais sujeitas à doença do que plantas sadias e vigorosas.

Controle - As medidas de controle incluem: plantio de mudas sadias produzidas em regiões livres da doença; remoção de frutos temporões infectados antes do início da florada, visando reduzir a fonte de inóculo representada pelos picnídios presentes em lesões de frutos; controle do mato nas linhas de plantio com herbicidas pós-emergentes, antes do início da florada, visando a formação de uma cobertura morta sobre as folhas caídas ao solo, reduzindo assim a fonte de inóculo representada pelos ascósporos produzidos nessas folhas; eliminação de plantas em estado de depauperamento avançado do pomar; manutenção das plantas em boas condições de nutrição e sanidade; pulverizações visando a proteção dos frutos durante o período crítico de suscetibilidade, de até 4 -5 meses após a queda das pétalas, com fungicidas sistêmicos (benzimidazóis) ou de contacto (à base de cobre, ou mancozeb). A adição de óleo (0,5%) melhora a eficácia desses produtos no controle da doença.
RUBELOSE - Corticium salmonicolor Berk.& Br

A rubelose é descrita na literatura internacional como doença que só é importante em regiões tropicais úmidas. Contudo, no Brasil, ela também é severa em regiões menos úmidas, como é o caso das principais regiões produtoras de citros paulistas. Todas as variedades cítricas são afetadas pela rubelose. Ela é mais severa em árvores adultas e vigorosas, e também em pomares muito adensados. Ela é considerada uma doença de galhos e ramos. Contudo, quando as lesões atingem a base dos ramos principais, na região de inserção desses ramos ao tronco, as lesões podem provocar a morte de toda a copa da planta. Os prejuízos provocados pela rubelose são muito elevados no país e o seu controle é muito difícil, demorado e oneroso.



Sintomas - As lesões se iniciam nas axilas de galhos e ramos, onde a umidade é maior, favorecendo o desenvolvimento do fungo agente causal. A princípio, os ramos são cobertos por micélio branco, brilhante, em leque, que depois adquire uma coloração rósea. Esse micélio depois desaparece, deixando, porém, filamentos longos esbranquiçados ou acinzentados, que são os sinais típicos da doença. O fungo penetra primeiro em tecidos da casca dos ramos, possivelmente por lenticelas, e depois cm camadas mais internas do lenho. No início da infecção as lesões exsudam goma. Sobre a casca dos ramos forma-se uma crosta rósea, que com o tempo, racha e perde a cor viva. A casca apresenta também fendilhamentos longitudinais, devido à morte dos tecidos na área das lesões. Com o comprometimento de camadas mais internas de lenho, as lesões provocam anel amentos em galhos e ramos, que secam da extremidade até a área onde as lesões estão localizadas. Os frutos de ramos afetados não completam a maturação e caem prematuramente.

Etiologia - A rubelose é induzida pelo fungo Corticium salmonicolor, que pode também afetar mais de 165 espécies de plantas tropicais e subtropicais, como: cafeeiro, mangueira, seringueira, eucalipto, cacaueiro, macieira, pimentão, chá, etc. A produção de basidiósporos sobre as crostas róseas ocorre em muitos hospedeiros. Contudo, ela ainda não foi observada em citros. O papel dos basidiósporos, ou de outros propágulos do fungo, na epidemiologia da rubelose é ainda desconhecido.

Controle - Recomenda-se à poda e remoção de galhos e ramos afetados, improdutivos e mal posicionados, visando reduzir as fontes de inóculo, e melhorar as condições de aeração na parte interna da copa das plantas. Os cortes devem ser feitos bem abaixo da margem inferior das lesões e protegidos com uma tinta plástica, ou com uma pasta preparada com produtos à base de cobre. Podem ainda ser efetuadas pulverizações preventivas com produtos à base de cobre, dirigidas para os ramos internos da planta, onde o teor de umidade é maior.
MANCHA GRAXA - Mycosphaerella citri Whiteside (Stenella citri-grisea (Fisher) Sivanesan, sin. Cercospora citri grisea Fisher).

A mancha graxa é importante em regiões sujeitas a períodos prolongados de elevada umidade e altas temperaturas. A doença afeta folhas de todos os cultivares de citros, sendo mais severa em pomelos, limões verdadeiros, tangerinas e laranjas doces de maturação precoce. Em pomeleiros, os sintomas também podem ocorrer em frutos. Ataques severos de mancha graxa provocam intensa desfolha nas plantas, comprometendo sua produtividade. No passado, a mancha graxa era atribuída ao ácaro da falsa ferrugem.



Sintomas - Os sintomas foliares iniciam-se na forma de pequenas manchas cloróticas na face superior da folha que, na área correspondente da página inferior, apresentam saliências de cor laranja-claro ou marrom-claro. As manchas depois se tornam marrom-escuras ou pretas, lisas, brilhantes e de aspecto graxo. Em limoeiros e pomeleiros, os sintomas foliares começam a aparecer somente depois de 2-3 meses da infecção, enquanto que em laranjas doces o período de incubação é em geral muito maior. As folhas infectadas podem cair antes mesmo da completa manifestação de sintomas. Em frutos, os sintomas começam a aparecer somente depois de 3-6 meses da infecção, na forma de lesões muito pequenas, necróticas, de cor rosa, dispostas ao redor das glândulas de óleo e de difícil visualização. Essas lesões podem coalescer, tomando áreas maiores da casca do fruto e alterando sua cor para marrom ou preta. Os sintomas de mancha graxa em frutos são muito confundidos com as injúrias produzidas pelo ácaro da falsa ferrugem (Phyllocoptruta oleivora), que provocam morte de células epidérmicas, principalmente aquelas localizadas entre as glândulas de óleo.

Etiologia - A mancha graxa é induzida pelo fungo Mycosphaerella citri, que na fase imperfeita corresponde a Stenella citri-grisea. M. citri não frutifica nas lesões de mancha graxa em folhas vivas. Contudo, depois que as folhas caem ao solo e iniciam decomposição, ascocarpos do fungo são produzidos abundantemente nas lesões. Os ascocarpos podem ter até 90 μm de diâmetro e apresentam um ostíolo papilado. Os ascósporos são produzidos depois que as folhas são umedecidas. Eles podem ser carregados pelo vento ou água e se constituem na principal fonte de inóculo. Os ascósporos são hialinos, fusiformes, retos ou levemente curvos, unisseptados e medem 6-12 x 2-3 μm. Os ascósporos germinam na superfície de folhas, produzindo tubos germinativos que podem crescer por algum tempo antes de penetrar no interior das folhas, via estômatos. Na superfície da folha, o fungo forma hifas externas, que são muito ramificadas, de cor marrom-oliva, e paredes rugosas quando jovens, e que com a idade se tornam mais escuras e mais lisas. O fungo forma apressórios multicelulares e persistentes na parte externa da câmara estomática. As hifas no interior das folhas crescem intercelularmente, raramente são ramificadas e apresentam parede lisa. A germinação de ascósporos, o crescimento da hifa e a penetração via estômatos somente ocorrem quando a umidade relativa é muito alta, próxima de 100%, e as temperaturas são elevadas.

Os conídios apresentam pouca importância epidemiológica. Eles são produzidos em conidióforos que se formam a partir da hifa extramátrica, ou de hifas dormentes em tecidos que, posteriormente, apresentam lesões necróticas produzidas por geadas, injúrias mecânicas e queimas por defensivos ou fertilizantes. Os conídios são filiformes, retos ou levemente curvos, multiseptados, de cor marrom-oliva, e medem 10-70 x 2-3,5 μm. Eles não são produzidos em folhas em decomposição.



Controle - A eliminação de folhas infectadas caídas ao solo e a adoção de outras medidas que favorecem uma rápida decomposição dessas folhas, reduzindo as fontes de inóculo constituem boas práticas de controle. Contudo, essas práticas não são suficientes para se conseguir resultados satisfatórios de controle, que dispensem o uso de fungicidas. Pulverizações com fungicidas à base de cobre em mistura com óleo, dirigidas para a página inferior das folhas, permitem um bom controle de mancha graxa. O óleo não apresenta ação fungicida ou mesmo fungistática sobre M. citri, mas dificulta a penetração do fungo e atrasa o desenvolvimento dos sintomas da doença. Na maioria das vezes, uma única aplicação da mistura óleo+ fungicida à base de cobre é suficiente para conseguir controle satisfatório.
BOLORES - Penicillium spp.

Entre as várias doenças pós-colheita de frutos cítricos, os bolores são as de maior importância econômica. Os bolores também podem ocorrer em pomares, afetando frutos em fase final de maturação. Contudo, eles causam maiores prejuízos quando ocorrem após a colheita, durante as operações de processamento, armazenamento e transporte. Frutos de todas as variedades e cultivares são suscetíveis. Três tipos de bolores existem, dos quais os mais comuns são bolor azul e bolor verde, sendo este último o mais freqüente nas principais regiões produtoras nacionais.



Sintomas - Os bolores causam podridões moles em frutos, que se iniciam por pequenas anasarcas na superfície da casca e que, rapidamente, aumentam de tamanho até tomarem todo o fruto. O fungo desenvolve um micélio branco sobre o tecido afetado, que depois é revestido por uma densa massa de esporos, cuja cor varia em função do fungo envolvido. No bolor verde, o revestimento á de cor verde-oliva, enquanto que no bolor azul ele é azul no início, podendo depois adquirir a cor marrom-oliva. No bolor verde, o desenvolvimento das lesões é mais rápido. As massas de esporos verdes são circundadas por uma ampla faixa de crescimento fúngico branco, que é separada da área sadia do fruto por uma estreita camada de tecido de casca encharcado. No bolor azul, a faixa branca ao redor da massa de esporos azul é estreita e a faixa de tecido encharcado ao seu redor é mais pronunciada. E comum encontrar frutos que apresentam mais de um tipo de bolor. Em condições de elevada umidade, as podridões moles provocam uma rápida e completa desintegração no fruto. Em ambiente seco, os frutos infectados murcham e mumificam.

Etiologia - Penicillium digitatum Sacc. e P italicum Wehmer são os agentes causais de bolor verde e bolor azul, respectivamente. Penicillium ulaiense Hsieh, Su & Tzean também provoca bolor em frutos cítricos, produzindo massas de esporos de cor azul-cinza sobre os frutos. Contudo, ele difere de P. italicum pelo fato de produzir conídios em longos sinêmios de estipe branca (0,5 mm de altura), dando ao bolor o aspecto de barba ou bigode (“whisker mold”). As três espécies de Penicillium produzem enzimas capazes de dissolver a lamela média dos tecidos infectados de fruto, provocando podridões moles. A fase perfeita desses fungos é rara na natureza. Eles sobrevivem, saprofiticamente, em pomares e outros ambientes, sobre vários tipos de substratos orgânicos, na forma de conídios. As infecções originam-se de conídios carregados pelo vento que atingem a superfície dos frutos, onde penetram geralmente por ferimentos, embora P. italicum seja capaz de também penetrar diretamente através da cutícula. Sobre as lesões, os fungos produzem enorme quantidade de conídios unicelulares, mais ou menos esféricos, catenulados. O ciclo da doença pode ser repetido muitas vezes durante o ano, contribuindo para um aumento exponencial de propágulos do fungo em pomares e em casas de processamento e armazenamento, caso medidas de controle não sejam adotadas. As três espécies de Penicillium desenvolvem-se melhor em temperaturas próximas a 240C e muito lentamente em temperaturas acima de 300C e abaixo de 100C. Em temperaturas baixas (abaixo de 100C), P. italicum desenvolve-se melhor que P. digitatum. O desenvolvimento de resistência aos benzimidazóis também é mais freqüente em P italicum do que em P. digitatum.

Controle - Recomenda-se à adoção de práticas sanitárias visando eliminar frutos infectados e outras fontes de inóculo em pomares, veículos, equipamentos, materiais de colheita e transporte, e também as casas de processamento e armazenamento; desinfestação preventiva de materiais e instalações com produtos a base de cloro, amônio quaternário, formaldeído ou álcool; pulverização das plantas, com benzimidazóis, até três semanas antes da colheita; manuseio cuidadoso de frutos durante as operações de colheita, transporte, processamento e armazenamento, visando evitar os ferimentos, que se constituem na principal via de penetração do fungo em frutos; tratamento de frutos colhidos nas casas de processamento com benzimidazóis ou imazalil; armazenamento e transporte de frutos beneficiados a baixas temperaturas.
PODRIDÃO NEGRA E MANCHA DE ALTERNARIA - Alternaria citri Ellis & Pierce

A podridão negra é importante doença pós-colheita, quando os frutos são armazenados por longos períodos. Como no Brasil os frutos em geral são comercializados logo após o beneficiamento, ela não é importante. Entretanto, quando seu ataque se dá antes da colheita, a doença pode provocar uma intensa queda de frutos, como tem ocorrido com relativa freqüência em algumas regiões produtoras paulistas. A doença provoca podridões na parte interna do fruto, inviabilizando-o para o consumo “in-natura”. Como em muitos frutos infectados os sintomas podem só aparecer na sua parte interna, eles podem passar sem ser detectados nas indústrias de suco. A utilização desses frutos no processamento torna o suco amargo e de aspecto ruim, devido a sua contaminação por fragmentos de tecidos negros de frutos infectados. Plantas estressadas são mais sujeitas à podridão negra.

A mancha de Alternaria afeta somente folhas. Ela é muito importante em viveiros, pois afeta severamente os cavalinhos de limão Cravo e limão Rugoso. Essa doença e a podridão negra de frutos são descritas como tendo um mesmo agente causal, com idênticas características morfológicas. Contudo, os fungos responsáveis por essas doenças apresentam características de patogenicidade diferentes.

Sintomas - Frutos com podridão negra amarelecem prematuramente e podem apresentar uma mancha de cor parda na casca, que quase sempre aparece na extremidade estilar do fruto. Entretanto, a doença pode se manifestar somente na parte interna do fruto, na forma de uma podridão negra, que se inicia numa de suas extremidades, principalmente na estilar, e que avança até atingir toda a columela central e os tecidos a ela adjacentes. Quando a doença ocorre em campo, provoca uma intensa queda prematura de frutos maduros ou em vias de maturação.

Manchas de Alternaria ocorrem somente em folhas de limão Cravo e limão Rugoso. As lesões são necróticas, de tamanho variável, em anéis concêntricos, com pontuações escuras sobre a área necrótica central, que constituem frutificações do fungo, e com um halo amarelado ao redor das lesões.



Etiologia - Alternaria citri é descrito como o agente causal das duas doenças. Produz conídios de forma e tamanhos variáveis (25-40 x 15-22 μm), de cor oliva a marrom-escura, dotados de 4 a 6 septos transversais e 1 ou mais septos longitudinais. A. citri desenvolve-se saprofiticamente em tecidos cítricos mortos ou em outros substratos, produzindo grande número de conídios que podem ser carregados pelo vento até a superfície de frutos. A penetração do fungo no fruto pode se dar tanto pela extremidade estilar como pela peduncular. Na região estilar, a penetração é favorecida pelas reentrâncias de casca que se formam nessa área. A penetração do fungo pela extremidade peduncular somente se dá após a senescência dos tecidos dessa região. Após a penetração, o fungo pode desenvolver infecções quiescentes nessas duas extremidades. A manifestação da podridão negra em campo é favorecida quando a colheita é atrasada, ou quando as plantas são submetidas a condições adversas, como por exemplo geadas, secas prolongadas e queimaduras pelo sol.

A. citri que ataca folhas apresenta características morfológicas idênticas às do fungo responsável pela podridão negra. Contudo, a forma que afeta folhas produz toxinas que somente são ativas em folhas de limoeiro Cravo e limoeiro Rugoso.

Controle - As árvores mantidas em boas condições de nutrição e sanidade são menos sujeitas à podridão negra. A. citri é insensível aos principais fungicidas utilizados no controle de outras podridões de frutos cítricos. Pulverizações com benzimidazóis podem até aumentar a incidência e a severidade de podridão negra em pomares. Quando a doença ocorre afetando frutos em fase final de maturação, a colheita deve ser atrasada para permitir a queda dos frutos já infectados. O controle de pós-colheita pode ser feito com imazalil ou 2,4-D, ou com os dois produtos em conjunto. O uso de 2,4-D promove um atraso na senescência dos tecidos do pedúnculo, atrasando ou restringindo o avanço do fungo para o interior do fruto.

O controle de mancha de Alternaria em viveiros e sementeiras é difícil. Os fungicidas mais utilizados no controle de verrugose em viveiros não têm boa ação contra A. citri. Bons resultados de controle vêm sendo obtidos com o uso dos fungicidas iprodione e tebuconazole. Contudo, esses produtos não estão registrados para esse uso no país.


OUTRAS DOENÇAS

Galha Lenhosa e Enação da Folha - A doença enação foliar (“vem enation”) foi inicialmente descrita na Califórnia, Estados Unidos, em 1953. A ocorrência da doença galha lenhosa (“woody gall”) foi registrada em 1958 na Austrália. Posteriormente, foi verificado que ambas as manifestações eram causadas por um mesmo vírus. A doença foi observada ocorrendo ainda na África do Sul, Peru, Japão, Turquia e na Espanha. No Brasil, em 1989, foi verificada a ocorrência da galha lenhosa em limão Volkameriano (C. volkameriana) com copa de limão Feminello (C. limon) no município de Botucatu (SP). Posteriormente, sintomatologia similar em limão Rugoso e limão Volkameriano foi verificada no município de Altair, no extremo Noroeste do mesmo Estado. A doença geralmente não causa danos econômicos, exceto quando porta-enxertos suscetíveis são empregados em condições ambientais propicias ao desenvolvimento da galhas. O patógeno pode ocorrer de forma latente numa série de variedades de citros. Sintomas de enação foliar ou protuberâncias das nervuras da página inferior da folha são observados em limão Galego e laranja Azeda, sob condições experimentais, e raramente no campo. Intumescências ou galhas ocorrem-no tronco do limão Rugoso, limão Volkameriano e mais raramente no limão Cravo. Tipicamente, as galhas se formam perto de espinhos ou em associação com ferimentos. Partículas isométricas, com 22-24 nm de diâmetro foram observadas por microscopia eletrônica em tecido de enação foliar. O agente causal da doença é transmitido por união de tecido. Foi relatada sua transmissão pela cuscuta. E transmitido também pelos afídeos Toxoptera citricidus, Myzus persicae e Aphis gossypii. A ocorrência de galhas em porta-enxertos suscetíveis sugere a presença da doença. A indexação biológica é realizada em plantas de pé­-franco de limão Galego e laranja Azeda inoculadas por união de tecido com material suspeito. Se o patógeno estiver presente surgirão, num espaço de 6 a 8 semanas, enações nas folhas das indicadoras em apreço. Pode-se ainda inocular plantas de pé-franco de limão Volkameriano e limão Rugoso, nas quais, em caso positivo, aparecerão galhas num período de 8 a 12 meses. Material vegetativo sadio pode ser obtido através da termoterapia ou microenxertia de ápices caulinares. Em áreas onde a doença é endêmica, o controle recomendado é a utilização de cavalos tolerantes.

Clorose Zonada - A clorose zonada é uma moléstia que ocorre com mais freqüência nas zonas litorâneas do Estado de São Paulo e de outros Estados do Brasil. Ela tem sido mencionada conjuntamente com a leprose, uma vez que também está associada aos ácaros do gênero Brevipalpus. No entanto, praticamente não tem importância a econômica quando comparada com a leprose. A moléstia manifesta sintomas nas folhas, nos frutos e mais raramente nos galhos. Nas folhas, os sintomas consistem em manchas cloróticas que podem variar em sua forma. No tipo mais comumente observado, as lesões formam anéis ou desenho em linhas ou faixas sinuosas, paralelas, de coloração alternadamente verde-claro e escuro, muito características. Arvores com sintomas de clorose zonada nas folhas freqüentemente mostram lesões semelhantes às induzidas pela sorose em ramos velhos. Até o momento não foram encontradas partículas virais associadas com a clorose zonada, mas, como na leprose, foi possível transmitir o agente se causal por união de tecido, embora com dificuldade. Em testes experimentais, apenas uma baixa porcentagem de transmissão da clorose zonada foi conseguida com o ácaro.

B. phoenicis, alimentado em plantas com sintomas da moléstia. Via de regra, não são realizados tratamentos visando seu controle.

Mancha Areolada Pellicularia filamentosa (Pat.) Rogers. A mancha areolada ocorre em regiões tropicais úmidas da América do Sul. No Brasil, ela é comum em Sergipe e outros Estados do Norte. Ataques severos da doença podem ocorrer em viveiros, afetando, principalmente, os cavalinhos de laranja azeda. Os pomeleiros são muito suscetíveis; as laranjeiras doces e as tangerineiras são menos suscetíveis, enquanto que os limoeiros verdadeiros e as limeiras ácidas parecem não ser afetados (imunes). As folhas apresentam lesões necróticas, em anéis concêntricos incompletos, que apresentam um halo clorótico ao seu redor. Apresentam tamanho variável (0,2 a 3 cm de diâmetro), pois as lesões crescem quando a temperatura e a umidade são elevadas, e quando as condições são desfavoráveis, as lesões paralisam o seu desenvolvimento. Pontuações escuras podem ocorrer sobre as lesões, que constituem estruturas de sobrevivência (escleródios) do fungo, de coloração marrom e diâmetro de 1 mm. As folhas severamente afetadas podem cair prematuramente. Pellicularia filamentosa é o fungo agente causal de mancha areolada. Forma basidiósporos hialinos, papilados, de 5 x 8-9 μm. Em condições de umidade e temperatura elevadas, produz basidiósporos em grande número, que podem germinar e infectar folhas novas. São recomendadas pulverizações preventivas com benomyl ou fungicidas à base de cobre.

Feltro ou Camurça - Septobasidium spp. Feltros ou camurças são revestimentos fúngicos que afetam, principalmente, galhos e ramos, mas que também podem ocorrer em pecíolos de folhas e pedúnculos de frutos. São mais freqüentes em locais muito úmidos e com altas infestações de cochonilhas. O fungo cresce formando um manto sobre as cochonilhas e estas produzem secreções que são utilizadas pelo fungo para o seu crescimento. O revestimento pode ser de várias cores, dependendo da espécie do fungo envolvido. O revestimento é espesso, compacto, de consistência de camurça na superfície e esponjoso nas camadas inferiores. Ele é facilmente removível, pois o fungo não penetra no interior dos órgãos revestidos. Várias espécies de Septobasidium podem produzir revestimentos em citros. No Brasil, S. pseudopedicelatum Burt (camurça pardacenta), S. albidum Pat. (camurça esbranquiçada) e S. saccardinum (camurça cinza-escura) são as mais freqüentes. Recomendam-se poda e remoção de galhos e ramos afetados e pulverizações com fungicidas à base de cobre em mistura com óleo.

Fumagina e Fuligem - Capnodium citri Berk & Desm., Gloeodes pomigena (Schw.) Cobby, Stomiopeltis citri Bitancourt. A fumagina e a fuligem são revestimentos fúngicos que comprometem a aparência dos frutos. A fumagina recobre a superfície de folhas, ramos e frutos, dificultando suas funções normais. Ela aparece após as plantas serem infestadas por insetos que produzem substâncias açucaradas, como pulgões, cochonilhas e moscas brancas. Plantas severamente atacadas podem ter seu desenvolvimento comprometido e um atraso na coloração dos frutos. Os revestimentos de fumagina são de fácil remoção, ao contrário dos revestimentos de fuligem. A fuligem somente é problemática em regiões úmidas e afeta principalmente os frutos. A manta miceliana de fumagina em folhas, ramos e frutos é preta e relativamente espessa. Em folhas, essa manta é mais espessa na sua face superior do que na inferior. Por sua vez, o revestimento fúngico de fuligem é tênue, acinzentado, fortemente aderido às reentrâncias da casca dos frutos. A fuligem pode provocar rupturas na cutícula da casca, embora o fungo não penetre na epiderme do fruto. Capnodium citri é o agente causal de fumagina. Dois fungos podem produzir revestimentos de fuligem em frutos cítricos, Gloeodes pomigena e Stomiopeltis citri, sendo este último mais comum no Brasil. Em pomares onde a fumagina é severa, a ponto de prejudicar o desenvolvimento das plantas e a qualidade dos frutos, os insetos a ela associados devem ser controlados. A pulverização das plantas com óleo é recomendada para afrouxar as mantas fúngicas sobre os órgãos revestidos, facilitando a sua posterior remoção pelos ventos e chuvas. O óleo também apresenta boa ação sobre muitos dos insetos associados à fumagina. O controle de fuligem em pomares pode ser feito, preventivamente, com pulverizações com fungicidas à base de cobre. Alguns países utilizam o hipoclorito de sódio na lavagem de frutos com fuligem durante o beneficiamento, visando promover um certo clareamento dos revestimentos produzidos pelo fungo.

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