Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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Controle - A indexação biológica é realizada na indicadora de tangerina “Parson Special” enxertada em limão Cravo, pela técnica de dupla enxertia. A técnica do PAGE é promissora para localização da banda do viróide e poderia ser um meio relativamente rápido para detecção do patógeno. Inoculação em abóbora cv. Suyo como um teste diagnóstico suplementar deve ser tentado. Finalmente, a hibridação do ácido nucléico, utilizando sondas de cDNA, também é técnica promissora. A xiloporose pode ser eliminada de tecido vivo por intermédio da microenxertia de ápices caulinares de plantas infectadas. Para se evitar a transmissão por instrumentos de corte eles devem ser descontaminados na solução do alvejante comercial indicada para a exocorte.
DECLÍNIO

O declínio dos citros foi constatado no Estado de São Paulo em 1977. Posteriormente, sua ocorrência foi verificada nos Estados de Minas Gerais, Bahia e Sergipe. O declínio parece ser estreitamento relacionado à doença “blight” conhecida na Flórida, Estados Unidos, por mais de 100 anos. Foi relatado também em Cuba, Belize, Colômbia, África do Sul, Austrália e Venezuela. No Brasil, as perdas anuais pelo declínio são estimadas em 5 a 10 % das plantas do parque citricola.



Sintomas - Todos os cultivares de laranja doce e pomelo, quando enxertados em porta-enxertos suscetíveis [limão Rugoso (C. jambhiri), limão Cravo, Poncirus trifoliata e seus híbridos] são propensos a apresentarem declínio, A incidência da doença parece ser menor em tangerinas, limas e limões. Os sintomas manifestam-se, via de regra, a partir dos quatro anos de idade, com maior incidência na faixa etária de 8 a 12 anos, isto é, após a primeira produção, podendo daí por diante manifestar-se em árvores de qualquer idade. A primeira indicação de declínio é uma murcha setorial ou generalizada da folhagem da árvore. As folhas adquirem uma coloração verde-musgo ou olivácea, sem brilho e com uma leve torção, expondo a página inferior. E comum o aparecimento de deficiência de zinco. A brotação de primavera é retardada, o que permite mais facilmente identificar plantas afetadas. Em estágio mais avançado, há queda de folhas (Prancha 25.4). Na parte interna da copa, junto à inserção dos galhos ao tronco, e no porta-enxerto nota-se, freqüentemente, uma brotação vigorosa. A florada é atrasada e insuficiente para proporcionar uma produção normal. Os frutos em geral são miúdos, de cor amarelo-pálida sem brilho e em número reduzido. Observando-se o sistema radicular, nota-se morte de radicelas. As plantas atingem os estágios finais da doença num período que varia de meses a cerca de dois anos. Muito raramente ocorre morte da árvore.

Etiologia - O agente causal do declínio não foi ainda determinado. No entanto, resultados positivos de testes nos quais plantas sadias tiveram suas raízes ligadas por união de tecido às de plantas doentes adjacentes e indução de sintomas em plantas que foram inoculadas no sistema radicular por enxertia de pedaços de raízes de plantas afetadas indicam transmissão de um agente infeccioso.

Além dos sintomas já mencionados, pode-se determinar a absorção de água no tronco pelo teste da seringa, que é reduzida ou nula em relação a plantas sadias. Em laboratório, pode-se determinar nível de sais de zinco no lenho do tronco, normalmente mais elevado em plantas com declínio, observação de vasos do xilema obstruídos e ocorrência de proteínas de peso molecular de 10 a 35 kDa associadas à doença.



Controle - O controle do declínio é efetuado basicamente pelo uso de porta-enxertos resistentes ou tolerantes. Possivelmente o porta-enxerto mais resistente é a laranja Azeda. Em nossas condições, como a Azeda não pode ser utilizada, devido à ocorrência endêmica da tristeza, outros porta-enxertos tais como a tangerina Cleópatra, Sunki, laranja Caipira e tângelo Orlando têm-se comportado como resistentes à doença.
CANCRO CÍTRICO - Xanthomonas axonopodis Vauterin et al.

O cancro cítrico sempre constituiu séria ameaça para a citricultura brasileira. Ocorre endemicamente em várias regiões do Sudoeste Asiático e em vários países da América do Sul, como Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. No Brasil, foi constatado pela primeira vez em 1957, na região de Presidente Prudente, SP, de onde se disseminou para outras regiões paulistas e outros estados, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Graças à adoção de medidas de exclusão e erradicação, tem-se conseguido manter a doença sob relativo controle nas principais regiões produtoras nacionais.



Existe uma ampla variabilidade nos níveis de resistência à doença entre espécies, híbridos e cultivares de Citrus e gêneros afins. Vários cultivares de alto valor comercial apresentam níveis adequados de tolerância, habilitando-os para serem utilizados em regiões onde a doença é endêmica.

Sintomas - Sintomas na superfície de ramos, folhas e frutos aparecem, no início, na forma de lesões eruptivas, levemente salientes, puntiformes, de cor creme ou parda. Essas lesões tornam-se depois esponjosas, esbranquiçadas e em seguida pardacentas, circundadas por um halo amarelo. (Pranchas 25.5 e 25.6). Em folhas, as lesões são salientes nas duas faces. Em frutos, as lesões são geralmente maiores, corticosas, apresentando fissuras ou crateras no centro. Os frutos com lesões geralmente caem antes de atingirem a maturação final. Em ramos, as lesões são corticosas, salientes, de cor creme, podendo provocar sua morte quando as lesões atingem grandes áreas. Ataques severos da doença podem provocar desfolha com conseqüente depauperamento de plantas, e queda prematura de frutos.

Etiologia - Cinco tipos de cancro cítrico já foram identificados. Eles diferenciam-se, principalmente, pela patogenicidade e sintomatologia: a) Cancro cítrico asiático ou cancrose A, induzido pela estirpe A da bactéria Xanthomonas axonopodis pv. citri (sin. X. campestris pv. citri), e que se encontra disseminada em muitas regiões da Ásia, África, Oceania e Américas, afetando um grande número de espécies, híbridos e cultivares de Citrus e gêneros afins; b) Cancro cítrico B ou cancrose B, atribuído à estirpe B de X. axonopodis pv. aurantifolii (sin= X. campestris pv. aurantifolii estirpe B), cuja ocorrência está restrita à Argentina, Paraguai e Uruguai, afetando menos hospedeiros que a cancrose A e sendo mais agressiva em limões verdadeiros e lima ácida Galego; c) Cancrose do limoeiro Galego ou cancrose C, atribuída à estirpe C de X. axonopodis pv. aurantifolii (sin X. campestris pv. aurantifolii estirpe C), que está restrita a algumas regiões do Estado de São Paulo, afetando principalmente a lima ácida Galego; d) Estirpe D de X. axonopodis pv. aurantifolii (sin= X. campestris pv. Aurantifolii estirpe D), que só ocorre no México, produzindo lesões somente em folhas e ramos de lima ácida Galego e que ainda não está muito bem caracterizada; e) Mancha bacteriana dos citros, atribuída a X. axonopodis pv. .citrumelo (sin= X. campestris pv. citrumelo), que ocorre em viveiros de citros da Flórida, afetando principalmente os porta-enxertos de citrumelos Swingle e clone 80-3.

X. axonopodis pv. citri é gram-negativa, baciliforme, monotríquia e aeróbia. Desenvolve-se sob temperaturas entre 29,5 e 390C. Não é capaz de sobreviver por longos períodos em solo, em ervas invasoras ou em restos de cultura. Em ausência de plantas cítricas, há um rápido declínio na população da bactéria em solos. Entretanto, a bactéria consegue sobreviver por vários anos em tecidos desidratados. Exsudatos bacterianos são produzidos em presença de um filme d’água sobre as lesões. A disseminação a curtas distâncias dá-se, principalmente, por chuvas e ventos. A bactéria penetra em tecidos novos por estômatos e aberturas naturais ou por ferimentos produzidos por espinhos, insetos, etc. Infecção via aberturas naturais ocorre somente em tecidos jovens. Em folhas e ramos, ela acontece até 6 semanas após o início de desenvolvimento desses órgãos. Os frutos são suscetíveis até os 90 dias de idade, a contar da data de queda das pétalas. Quando a infecção ocorre após esse período, as lesões são muito pequenas.

Espécies, híbridos e cultivares de citros apresentam grande variação na resistência à doença. Com base em estudos conduzidos nas condições do Paraná, os cultivares de maior importância para o país foram classificados em 6 classes de comportamento: Altamente resistente: Calamondin; Resistentes: tangerinas Satsuma, Ponkan, Clementina e Tankan, laranjas doces Folha Murcha e Moro, lima ácida Tahiti e laranja azeda Double Cálice; Moderadamente resistentes: toranja gigante, tangerina Dancy, mexerica do Rio, laranjas doces Sanguínea de Mombuca, Lima Verde, Navelina, Valência e Pêra Premunizada e cidra Diamante Moderadamente suscetíveis: tangerina Cravo, tangor Murcote, e laranja doce Natal; Suscetíveis: laranjas doces Bahia, Baianinha, Hamlin, Seleta, Vermelha e Piralima; Altamente suscetíveis: pomelo Marsh Seedless, lima ácida Galego, limão Siciliano, lima-de-umbigo e tângelo Orlando.



Controle - Após a primeira constatação da doença no país, um programa oficial de erradicação foi estabelecido, em nível nacional, que até hoje é mantido. Esse programa mostrou-se incapaz de erradicar a bactéria do Estado de São Paulo e mesmo de evitar a sua disseminação para outros estados do país. Entretanto, graças às medidas de exclusão e erradicação contidas no programa, conseguiu-se evitar uma rápida expansão da doença nas principais regiões produtoras paulistas e nacionais. As medidas de erradicação foram depois abrandadas, com a redução do número de plantas suspeitas de infecção a serem erradicadas em pomares contaminados e o estabelecimento de métodos alternativos de erradicação, como a desfolha química de plantas suspeitas. Contudo, plantas comprovadamente infectadas devem ser eliminadas do pomar, como é feito no Estado de São Paulo. No Paraná, admite-se a eliminação somente de órgãos da planta que apresentam sintomas, através da poda, e sua imediata remoção do pomar e destruição. Essas operações visam reduzir a quantidade de inóculo no pomar e devem ser feitas durante as épocas frias e secas do ano. Após a realização dessas operações, as plantas devem ser pulverizadas com produto cúprico. Outras medidas de prevenção e controle vêm sendo recomendadas em áreas onde a doença é endêmica, como: evitar a instalação de pomares em locais onde as condições são muito favoráveis ao desenvolvimento da doença, como as áreas sujeitas a ventos fortes e constantes; plantar cultivares resistentes ou moderadamente resistentes; utilizar mudas sadias; implantar quebra-ventos arbóreos; pulverizar preventivamente com produtos cúpricos, visando a proteção das brotações novas; inspecionar freqüentemente os pomares; restringir o acesso e fiscalizar a circulação de pessoas, veículos, máquinas e implementos em pomares, principalmente quando provenientes de outras propriedades citrícolas; promover a lavagem e a desinfestação de veículos, máquinas, implementos e materiais de colheita, antes deles adentrarem os pomares; utilizar durante a colheita, se possível, equipes e materiais de colheita próprios; construir silos na entrada das propriedades para o armazenamento dos frutos colhidos, evitando assim a circulação de pessoas e veículos estranhos ao pomar.
CLOROSE VARIEGADA DOS CITROS - Xylella fastidiosa Wells et al.

A clorose variegada dos citros (CVC), também conhecida como “amarelinho dos citros”, constitui-se na principal doença da nova citricultura brasileira. Ela foi constatada pela primeira vez em 1987, em pomares do Triângulo Mineiro e das regiões norte e nordeste do Estado de São Paulo, de onde se disseminou, rapidamente, para as demais regiões produtoras brasileiras. A doença também ocorre na Argentina, onde recebe a denominação de “pecosita”.

A CVC afeta plantas de laranjas doces enxertadas nos principais porta-enxertos utilizados no país. Ela ainda não foi encontrada em tangerinas Cravo e Poncan, tangor Murcote, limões verdadeiros e lima ácida Galego. A CVC é mais severa em plantas jovens, de até 7 anos de idade. Plantas afetadas produzem frutos de tamanho reduzido, duros, impróprios para a comercialização “in natura” e para o processamento para a produção de suco cítrico concentrado.

Sintomas - Sintomas de CVC são mais evidentes durante o período seco do ano. Sintomas foliares aparecem primeiro na parte superior e mediana da copa e depois se espalham para o restante da planta. As folhas maduras apresentam clorose foliar variegada (Prancha 25.7), que inicia-se por pequenos pontos amarelos em sua face superior, evoluindo para clorose semelhante à de deficiência de zinco. Na face inferior correspondente aparecem pontuações pequenas de cor marrom-claro. Essas pontuações evoluem para lesões marrom-escuras, que podem coalescer e tornarem-se necróticas. Folhas jovens podem apresentar tamanho reduzido e forma afilada e acanoada. Em árvores mais velhas, os sintomas são localizados, afetando poucos ramos. Frutos de ramos afetados têm seu desenvolvimento comprometido, permanecendo de tamanho reduzido, duros e imprestáveis para o comércio e processamento. Arvores com ataques severos de CVC podem ter seu crescimento paralisado e apresentarem morte de ponteiros. Entretanto, essas árvores raramente morrem, permanecendo, porém, improdutivas.

Etiologia - Xylella fastidiosa, uma bactéria gram-negativa limitada ao xilema, foi associada à CVC através de microscopia eletrônica, testes sorológicos, isolamentos e provas de patogenicidade. Cigarrinhas da família Cicadellidae são os prováveis vetores dessa bactéria.

Controle - As seguintes medidas vêm sendo recomendadas no manejo de CVC: utilização de mudas livres de X.fastidiosa em plantios novos e replantes; controle de ervas invasoras com herbicidas nas ruas de plantio e manutenção do mato baixo nas entrelinhas com o uso de roçadeiras; realização de inspeções freqüentes em pomares, visando identificar eventuais focos iniciais da doença; poda de ramos afetados, que deverá ser feita 20-30 cm abaixo da última folha inferior com sintomas; manutenção do pomar em boas condições nutricionais e sanitárias; estabelecimento de quebra-ventos arbóreos.
TOMBAMENTO, GOMOSE DE PHYTOPHTHORA E PODRIDÃO PARDA - Phytophthora spp.

A gomose de Phytophthora ocorre em todas as regiões produtoras de citros do globo. No Brasil, é a principal doença fúngica da cultura. Sua ocorrência em pomares novos é muito elevada devido, principalmente, à utilização de mudas contaminadas.

Das várias manifestações da doença, a podridão do pé e as podridões de raízes e radicelas são as mais comuns. As diferentes manifestações da doença recebem do citricultor a denominação genérica de “gomose”. Contudo, como a exsudação de goma pode também ser decorrente de outras causas, bióticas ou abióticas, a denominação Gomose de Phytophthora será utilizada neste capítulo para se referir ao conjunto das varias doenças induzidas por Phytophthora em citros.

Sintomas Tombamento, mela ou “damping-off”: a doença, nesse caso, é resultado do ataque do fungo em sementeiras. O tombamento ocorre quando o fungo infecta tecidos da base do caulículo de plântulas recém-germinadas, onde aparecem lesões deprimidas de coloração escura. Quando umidade e temperatura são elevadas, há rápido crescimento das lesões, provocando a morte das plântulas. As plantas adquirem resistência ao tombamento após a formação das folhas definitivas e a maturação dos tecidos da haste, ao nível do solo. O fungo pode também infectar as sementes antes da germinação, provocando podridões e a morte das mesmas, comprometendo o estande das sementeiras.

Outros fungos também podem provocar a doença, em pré ou pós-emergência, como Rhizoctonia solani e várias espécies do gênero Pythium, principalmente P. aphanidermatum. Esses fungos devem ser também considerados quando do estabelecimento de medidas de controle à doença em sementeiras.



Lesões em folhas. brotos novos e hastes: são muito freqüentes em viveiros. Em folhas, formam-se lesões escuras e encharcadas. Em brotações novas, as lesões são semelhantes, provocando a morte dos brotos, da ponta para a base. Quando o ataque se dá na haste da muda, o fungo coloniza somente os tecidos cambiais. As lesões produzidas exsudam goma e provocam o escurecimento dos tecidos cambiai infectados. As lesões exsudativas de caule são geralmente iniciadas por ferimento Em mudas recém enxertadas, é comum a ocorrência de lesões na região de enxerta como resultado da penetração do fungo pelo ferimento provocado durante a operação de enxertia.

Podridão do pé e gomose em tronco e ramos: constituem-se nas manifestações mais sérias e as mais facilmente reconhecidas e, portanto, as que mais preocupam o citricultor. Elas resultam do ataque do fungo ao tronco e raízes principais, produzindo exsudação de goma em lesões de tronco e colo em porta-enxertos suscetíveis. A exsudação pode também ocorrer na região do tronco acima do ponto de enxertia, quando a copa é de cultivar suscetível. As lesões exsudativas de tronco são mais freqüentes em plantas muito enterradas, ou quando o tronco é ferido durante a realização de tratos culturais. Raramente, nas nossas condições, lesões exsudativas ocorrem em ramos. A exsudação de goma é um dos sintomas típicos, embora não exclusivo, da doença. Podem haver, também, podridões na base do tronco e nas raízes principais, logo abaixo do nível de solo, em porta-enxertos suscetíveis (Pranchas 25.8 e 25.9). As lesões nessas regiões também exsudam goma. Contudo, ela é de difícil constatação, porque a goma é facilmente dissolvida pela água do solo. Pode ocorrer escurecimento dos tecidos localizados abaixo da casca, na superfície do lenho, devido à infiltração de goma nesses tecidos (Pranchas 25.8 e 25.9). Em troncos e ramos, os tecidos infectados de casca permanecem firmes até secarem completamente, quando começam a apresentar rachaduras e fendilhamentos longitudinais. Outros sintomas incluem: morte e escurecimento de camadas internas de lenho na região das lesões, devido à colonização por microorganismos secundários; cicatrização das lesões de tronco e ramos, quando as condições ambientais tornam-se desfavoráveis ao fungo; andamento na região do tronco ou das raízes principais pelas lesões, impedindo o livre fluxo de seiva elaborada para o sistema radicular; sintomas reflexos setoriais na copa, havendo uma correspondência entre a face da copa onde esses sintomas se manifestam e a face do tronco ou das raízes principais onde as lesões ocorrem; descoloração de nervuras e amarelecimento em folhas, que depois murcham, secam e caem; florescimentos e frutificações freqüentes e extemporâneos; produção de frutos pequenos, de casca fina e maturação precoce; seca e morte progressiva de ramos ponteiros (“dieback”); deperecimento progressivo da copa, desfolha, seca de ramos e, finalmente, morte completa da planta.

Podridão de raízes e radicelas: podem ocorrer tanto em viveiros como em pomares, sem que as plantas apresentem os sintomas reflexos típicos da doença. As podridões de raízes e radicelas resultam da infecção e destruição somente dos tecidos externos do córtex, sem que haja o comprometimento da parte central lenhosa das raízes.

Podridão parda de frutos: as podridões em frutos são secas, de coloração marrom­parda, e apresentam forte cheiro acre. Em condições de elevada umidade, um micélio de coloração branca se forma sobre a casca do fruto infectado. Em pomares, a infecção geralmente se inicia nos frutos localizados na parte inferior da copa das plantas, a partir de propágulos do fungo produzidos na superfície do solo e que, por respingos de água, são carregados até a superfície dos frutos. Frutos infectados geralmente caem, embora alguns poucos frutos possam permanecer mumificados na planta por longos períodos. A doença pode ocorrer em frutos de todos os cultivares de citros, embora os limões verdadeiros sejam os mais afetados.

Etiologia - Várias espécies de Phytophthora já foram descritas como capazes de induzir doenças em plantas cítricas. São elas: P citrophthora (Sm. & Sm.) Leonian, R parasitica Dast. (P. nicotianae B. de Haan var. parasitica (Dast.) Waterh.), P syringae (Kleb.) Kleb., P hibernalis Carne, P. palmivora (Butler), P. cactorum (Lebert & Cohn) Schróter, P cinnamomi Rands, P. citricola Saw., P. drechsleri Tucker, P megasperma Drechsler var. megasperma, e P. boehmeriae Saw. No Brasil, P parasitica, P citrophthora são os principais agentes causais da doença, sendo R parasitica a espécie predominante nas principais regiões produtoras.

O micélio de Phytophthora é hialino e cenocítico. A temperatura ótima para o crescimento micelial é de 30 a 320C para P. parasitica,. e de 24 a 280C para P. citrophthora. Os esporângios dessas espécies são de forma geralmente globosa, e se formam na extremidade de esporangióforos. A produção desses esporos é mais freqüente nas estações quentes e chuvosas do ano, quando os solos apresentam temperaturas mais elevadas e grandes variações nos teores de umidade. A produção de esporângios sempre ocorre na superfície do solo, ou de órgãos afetados, pois a aeração é essencial para sua formação. Uma nova geração de esporângios pode ser produzida em menos de 24 horas. Portanto, o ciclo de produção de esporângios pode ser repetido muitas vezes durante o período chuvoso do ano. Os esporângios podem germinar diretamente, formando tubos germinativos e, indiretamente, produzindo zoósporos. Cada esporângio pode produzir até 50 zoósporos no seu interior. A presença de água livre é fundamental para a produção e a liberação de zoósporos. Sua produção é também estimulada por quedas bruscas de temperatura. A germinação indireta, via zoósporos, é mais importante que a germinação direta de esporângios na epidemiologia das várias doenças provocadas pelo fungo em citros. Após atingirem a superfície de raízes, ou de outros órgãos, os zoósporos germinam, produzindo hifas que podem infectar tecidos suscetíveis desses órgãos. Como os zoósporos não apresentam parede celular, eles têm um período de vida muito curto e se constituem nos propágulos mais vulneráveis do fungo. Entretanto, eles podem encistar e, na forma de zoósporos encistados, podem permanecer viáveis no solo por longos períodos. Contudo, os principais esporos de resistência do fungo são os clamidósporos. P parasitica produz clamidósporos em abundância, enquanto que esses esporos não são formados pela maioria dos isolados de R citrophthora. A produção de clamidósporos em P parasitica ocorre em condições desfavoráveis ao seu crescimento micelial, ou seja, quando a disponibilidade de oxigênio e nutrientes essenciais é baixa, os níveis de dióxido de carbono são elevados, as temperaturas são baixas (15 a l80C) e o desenvolvimento de raízes é reduzido ou nulo, não contribuindo para uma suficiente produção de tecidos suscetíveis a serem infectados pelo fungo. Os clamidósporos tornam-se dormentes em temperaturas abaixo de 150C, e nesse estado eles podem permanecer por vários meses. A germinação dos clamidósporos é estimulada por temperaturas elevadas (28 a 320C),; umidade alta, níveis elevados de O2 e por nutrientes presentes no solo ou em exsudato de raízes. Oósporos são os esporos sexuais do fungo. São formados no interior de gametângios femininos, os oogônios. Eles também apresentam uma parede celular espessa, que lhes confere alta resistência às condições adversas. Os oósporos são muito raros em P. citrophthora e mais freqüentes em P parasitica. Os oósporos podem permanecer dormentes no solo, ou em restos de cultura, por longos períodos. A condições exigidas para sua germinação são mais ou menos semelhantes àquelas requeridas para a germinação dos clamidósporos.

Com o início da estação chuvosa do ano, micélio dormente, clamidósporos e oósporos presentes no solo, ou em tecidos previamente infectados da planta, podem germinar, formando esporângios, que poderão produzir um grande número de zoósporos, reiniciando assim o ciclo da doença.


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