Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




старонка25/70
Дата канвертавання25.04.2016
Памер3.82 Mb.
1   ...   21   22   23   24   25   26   27   28   ...   70

R. B. Bassanezi & L. Amorim



GALHA DA COROA - Agrobacterium tumefaciens (Smith & Townsend) Conn.

A galha da coroa é uma doença importante em plantas herbáceas e lenhosas de pelo menos 93 diferentes famílias. Sua freqüência é maior em viveiros de mudas, podendo ocorrer, também, em pomares implantados sobre solos mal drenados.



Sintomas - O sintoma típico da doença é a formação de galhas (tumores) no colo e nas raízes das plantas. Anatomicamente, uma galha é um conjunto desorganizado de tecidos vascular e parenquimatoso, de textura variável, esponjosa ou endurecida, dependendo da quantidade de tecido vascular que contiver. Esta desorganização no colo das mudas provoca redução na absorção e transporte de água, levando à murcha e à morte das plantas.

Etiologia - Agrobacterium tumefaciens é uma bactéria da família Rhizobiaceae, bastonete forme, aeróbia, gram-negativa e móvel. Esta espécie caracteriza-se por possuir vários plasmídeos (filas de DNA extracromossômico), dos quais, pelo menos um carrega um gene para indução de formação de tumor, denominado plasmídeo Ti. Somente as bactérias possuidoras do plasmídeo Ti são virulentas. Além do gene de indução de tumor, o plasmídeo Ti também carrega os genes que determinam seu rol de hospedeiros. No processo infeccioso, a bactéria introduz parte do plasmídeo Ti na célula da planta hospedeira, transformando-a em célula tumorogênica. Uma vez transformada, a célula da planta torna-se independente da bactéria e passa a crescer e a multiplicar-se desordenadamente, mesmo na ausência do agente causal.

A. tumefaciens sobrevive no solo, saprofiticamente, quando o hospedeiro não está presente. O ingresso da bactéria na planta é feito através de ferimentos, decorrentes de tratos culturais ou mesmo da emergência de raízes laterais. Os primeiros sintomas costumam aparecer apenas um mês após a infecção e a disseminação para outras partes da planta ou para outras plantas é feita pela água.

Controle - Medidas preventivas, como evitar o plantio de mudas em áreas com histórico do problema, evitar ferimentos e promover a drenagem do solo, são essenciais para impedir a ocorrência da doença. Uma vez constatados os sintomas, as mudas doentes devem ser eliminadas e o solo deve ser tratado com fumigantes.

Para outras culturas onde a galha da coroa também é problemática, como em macieiras e pereiras, existem recomendações de tratamento de mudas com antibióticos (mergulho das raízes de mudas em tetraciclina e/ou estreptomicina antes do transplante) ou com agentes de controle biológico (rega ao solo ou mergulho de raízes em suspensão de bactérias da estirpe K84 de Agrobacterium radiobacter, produtora de agromicina).


DECLÍNIO - Fitoplasma

O declínio do caquizeiro é uma doença destrutiva, capaz de matar plantas em produção 2 a 3 anos após o aparecimento dos primeiros sintomas. No estado de Minas Gerais, nos anos 80, 10% das plantas adultas eram perdidas, anualmente, devido a este mal. As variedades Fuyu, Giombo, Rama-Forte e os híbridos IAC são suscetíveis.



Sintomas - Os primeiros sintomas de plantas atacadas é a murcha de folhas maduras no ápice dos ramos, com posterior amarelecimento marginal e epinastia. Há seca descendente nos ramos e, eventualmente, brotações anormais, abundantes, num só local, distante da extremidade apical. Devido a estas brotações exageradas, a doença também tem sido chamada de “vassoura-de-bruxa”. Plantas doentes podem apresentar maior número de frutos, porém com menor tamanho. O floema pode mostrar necrose em vários pontos. O processo pode levar à morte da planta.

Etiologia - O agente causal do declínio é um fitoplasma, um organismo procarioto, desprovido de parede celular, pertencente à classe Mollicutes. Suas células são esféricas ou ovóides, de diâmetro variável entre 100 e 400 nm, e estão confinadas aos elementos do floema. Estes organismos não possuem flagelos, não formam esporos e são gram­negativos.

Controle - Como ainda muito pouco é conhecido sobre esta doença, nenhuma medida de controle teve sua eficiência testada. Para outras doenças causadas por fitoplasma, no entanto, são recomendadas medidas de sanitização, como a retirada e a queima de plantas ou partes de plantas com sintomas. Experimentalmente, obteve-se remissão de sintomas e retomada do crescimento normal de árvores doentes quando estas receberam tratamento (injeção) com oxitetraciclina (12.5 mg).
CERCOSPORIOSE - Cercospora kaki Ellis & Everhart

A cercosporiose, também conhecida como mancha angular das folhas, tem sido considerada a principal doença foliar do caquizeiro em vários países como Japão, Austrália, Estados Unidos e Brasil. Esta doença causa a queda precoce de folhas e o amadurecimento prematuro dos frutos do caquizeiro, sendo responsável pela quebra da produção no ano seguinte.



Sintomas - A cercosporiose manifesta-se somente nas folhas pelo aparecimento de manchas em ambas as faces, principalmente na inferior. As manchas são delimitadas pelas nervuras, tomando um aspecto angular, podem ter de 1 a 8 mm de tamanho e são de coloração escura, pardo-avermelhada, apresentando bordos pretos bem definidos (Prancha 20.1). Estes sintomas diferenciam esta doença de outras manchas foliares causadas por Cercospora kakivora Hara (manchas irregulares) e Mycosphaerella nawae Hiura & Ikata (manchas circulares). Com o desenvolvimento dos sintomas, ocorre a queda precoce de folhas, enfraquecendo a planta, e a maturação dos frutos tende a adiantar-se.

Etiologia - O agente causal da cercosporiose é o fungo Cercospora kaki Ellis & Everhart, da subdivisão Deuteromycotina. O fungo apresenta frutificação na superfície foliar; estroma globular, pardo-escuro, com 40 a 76 m de diâmetro; fascículos muito densos; conidióforos oliváceos uniformemente coloridos, estreitos no ápice; conídios oliváceos freqüentemente curvados, de base obcônica a obconicamente truncada, ápice obtuso a redondo, com 2 a 7 septos e dimensões de 2-3 x 44-88 m. A sobrevivência do fungo durante o inverno ocorre nas folhas caídas, que servirão de inóculo inicial durante o período vegetativo do caquizeiro.

Controle - Para o controle da cercosporiose, recomenda-se a aplicação de calda sulfo-cálcica, em tratamento de inverno, a 320Bé na diluição 1:8. Durante o período vegetativo, logo após o início da frutificação, são recomendadas 3 a 4 pulverizações com calda bordalesa (2,5 kg de cal virgem e 0,5 kg de sulfato de cobre em 100 litros de água), ou com maneb, mancozeb ou propineb, sempre a 0,2%.

Um levantamento do grau de resistência das variedades de caquizeiro à cercosporiose, baseado no número de manchas por folha, aponta a variedade Fuyu como muito suscetível, as variedades Rama-Forte e Giombo como moderadamente suscetíveis e as variedades Taubaté e Trakoukaki como resistentes.


ANTRACNOSE - Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc.

A antracnose do caqui tem sido reconhecida como uma doença comum e às vezes importante em países como Japão, Itália e Brasil. Os maiores prejuízos são causados nos frutos, que ficam imprestáveis para o consumo e, na maior parte, enfraquecidos, caindo prematuramente da árvore. A doença assume maior importância em épocas quentes e com alta umidade relativa.



Sintomas - A antracnose pode atingir folhas, ramos e frutos. Nas folhas, as lesões surgem próximas ou sobre as nervuras, geralmente a partir do ápice na face inferior, Com o crescimento das lesões, estas formam manchas concêntricas que, coalescendo, causam a seca da folha do ápice para a base. As folhas atacadas ficam quebradiças e sujeitas a cair precocemente. Nos ramos, a doença manifesta-se como manchas deprimidas e escuras que podem causar sua seca e morte. Os frutos, porém, são os mais prejudicados com a doença. Inicialmente, os sintomas aparecem como pequenas manchas bem definidas, deprimidas, pardo-escuras a quase pretas, sendo perceptíveis já com 1 mm de diâmetro. Estas manchas podem crescer, atingindo até 1 cm, e podem coalescer com as manchas vizinhas. Neste estádio, as manchas são cercadas por um halo claro. Ocorre, também, o desenvolvimento das manchas em profundidade, podendo atingir toda a polpa até o caroço. A polpa atacada fica enegrecida e tomada de uma podridão ressecada que expõe as fibras da polpa totalmente desprovidas da massa suculenta que as reveste e enche o fruto. Sob condições favoráveis, formam-se, nas manchas mais velhas, massas concêntricas de consistência gelatinosa e coloração rósea, abundantes de esporos.

Etiologia - O agente causal da antracnose do caqui é o fungo Colletotrichum gloeosporioides (=Colletotrichum kaki Maffei). Este fungo apresenta corpos de frutificação em acérvulos que medem de 90 a 160 m em diâmetro e formam setas com 100 a 180 m. Os conídios são hialinos, de formato cilíndrico, com 4-7 x 18-21 m, e são envoltos numa massa gelatinosa.

A sobrevivência do fungo, sugere-se, ocorre saprofiticamente, nas lesões do ramos e folhas. Os principais agentes de disseminação do fungo são respingos água e insetos. A infecção ocorre quando os frutos são ainda jovens, favorecida lesões causadas por insetos ou outros parasitas, permanecendo latente até que ocorra o crescimento e a maturação dos frutos. Para o desenvolvimento da doença são necessárias alta umidade relativa e temperaturas entre 10 e 360C. Os conídios são produzidos nas manchas mais velhas logo que a temperatura passe dos 10 a 150C. A germinação dos conídios ocorre com umidade relativa acima de 83% e temperaturas entre 10 e 300C, com ótimo de 250C. A doença ocorre preferencialmente em plantas com deficiências nutricionais ou mal cultivadas.



Controle - Como medidas de controle preventivo da antracnose deve-se controlar insetos (principalmente a mosca das frutas); evitar ferimentos nos frutos durante as fases de colheita, seleção e embalagem; arrancar os frutos doentes e podar os ramos secos, queimando-os em seguida. Recomenda-se a aplicação de calda sulfo-cálcica a 320Bé na diluição 1:8 no tratamento de inverno e, durante o período vegetativo, são recomendadas 2 a 3 pulverizações com calda bordalesa 1%, ou com mancozeb 0,2%, propineb 0,25%, ziram, ou oxicloreto de cobre 0,3%, com intervalos de 2 a 3 semanas.

A variedade Mikado mostrou-se resistente à antracnose em estudos passados, podendo ser uma alternativa de controle o uso de variedades melhoradas.


PODRIDÃO DAS RAÍZES - Rosellinia necatrix Prill. (Dematophora necatrix R. Hartig)

A podridão de raízes tem sido uma doença altamente destrutiva para, aproximadamente, 170 espécies de plantas em 63 gêneros, principalmente em árvores frutíferas decíduas (macieira, pessegueiro, pereira, ameixeira e caquizeiro). A doença encontra-se distribuída por todas as regiões temperadas do mundo e surge com mais freqüência em pomares instalados em terrenos recém-desmatados ou muito ricos em matéria orgânica e úmidos.



Sintomas - O sintoma característico da doença é a presença de podridão das raízes e de um micélio branco, cotonoso, que invade a região do câmbio, entre o córtex e a casca, ocasionalmente rompendo a casca. Este micélio branco forma cordões miceliais por toda a raiz atacada e, posteriormente, torna-se preto, formando placas de hifas agregadas, com forma indefinida, no interior da casca.

Os sintomas aéreos caracterizam-se pelo amarelecimento das folhas e ausência de emissão de ramos novos. Os frutos param de crescer e pode ocorrer uma desfolha prematura. Quando surgem os sintomas aéreos, as raízes já estão seriamente afetadas, o que torna muito difícil o controle. Com a evolução da doença, as plantas têm os ramos secos e acabam morrendo.



Etiologia - A podridão das raízes é causada pelo fungo R. necatrix, um ascomiceto, que na fase imperfeita corresponde à espécie Dematophora necatrix. Rosellinia necatrix produz peritécios densamente agregados, esféricos, negros, de 1 a 2 mm de diâmetro e pedicelados. Os peritécios, porém, são raramente encontrados na natureza. Os ascos são filiformes, unitunicados, com 250-380 x 8-12m, apresentando 8 ascósporos pardos e unicelulares. Na fase imperfeita, o fungo D. necatrix produz conídios unicelulares, hialinos a marrom-claros, elipsoidais ou obovóides, solitários, com 3-4,5 x 2-2,5 m. A hifa é septada, mostrando uma peculiar dilatação em forma de pêra na proximidade de cada septo, que pode ser usada para distinguir este de outros patógenos causadores de podridão radicular. Além disso, o fungo produz microescleródios pretos e irregulares.

O patógeno pode sobreviver por longo tempo em raízes podres deixadas no solo ou como micélio ou microescleródios no solo sob certas condições. A infecção ocorre através da penetração direta do micélio nas raízes finas. A hifa coloniza o córtex radicular, destruindo-o e dirigindo-se para as raízes mais largas. O micélio rompe a casca, formando o micélio branco característico na raiz. A disseminação pode ser feita pelo contato entre raízes de plantas vizinhas, pedaços de raízes afetadas, solo infestado (mudas em torrão e solo aderido às máquinas de cultivo) e água (linhas de irrigação). Condições favoráveis para a ocorrência da podridão de raízes incluem alta umidade do solo (próxima à capacidade de campo-), temperaturas de 20 a 250C, solos pesados e ricos em matéria orgânica.



Controle - O controle deve ser preventivo, uma vez que quando os sintomas da doença aparecem, as raízes já estão seriamente afetadas. Deve-se evitar a instalação do pomar em terrenos recém-desmatados e, neste caso, recomenda-se o plantio de gramíneas (arroz, milho ou cana-de-açúcar) por no mínimo 2 anos. A fumigação e a solarização do solo têm apresentado bons resultados no controle do patógeno em solos naturalmente infestados.

Deve-se procurar evitar a disseminação do patógeno no solo, isolando o foco com uma vala de 50 cm de profundidade por 50-60 cm de largura. As plantas atacadas devem ser arrancadas com todo seu sistema radicular e queimadas. Além disso, todos os restos vegetais que possam servir de fonte de inóculo devem ser eliminados e a cova deve ser desinfestada com cal virgem, elevando o pH até 7 e tratada com formaldeído 1 a 3 % ou com brometo de metila, antes do plantio de uma nova muda.

O controle pelo uso de variedades resistentes ainda demanda mais estudos, porém é recomendado que a propagação do caquizeiro deva ser vegetativa, pelo uso de estacas, pois a resistência à podridão das raízes é perdida quando a propagação é feita através de sementes.
MOFO CINZENTO - Botrytis cinerea Person

O mofo cinzento, também conhecido como queima foliar e podridão parda dos frutos, ataca as plantas jovens em viveiros e os órgãos vegetativos e frutos das plantas em produção. Esta doença ocorre com maior intensidade em regiões de clima úmido e frio, reduzindo bastante a produção e enfraquecendo a planta.



Sintomas - O mofo cinzento pode atacar folhas, brotos, cálices jovens, flores e frutos. Nas folhas, a lesão inicia-se no ápice, estendendo-se até a base, dando um aspecto de queima. Em brotos jovens, a doença é caracterizada por um escurecimento da epiderme e sucessiva aparição de pequenas manchas deprimidas. Quando o fungo ataca os tecidos jovens da parte aérea das mudas, pode causar a morte do ápice das mudas. Nos frutos, a infecção pode ocorrer durante o período de floração, manifestando­se externamente no momento da abertura do cálice como pequenos pontos pretos distribuídos irregularmente pela superfície do fruto pequeno. Com a infecção das folhas do cálice persistente, o cálice pode se desprender e causar a queda do fruto. Durante o armazenamento do fruto, a doença pode se manifestar com a formação de manchas escuras na epiderme e com a alteração do mesocarpo, que adquire uma cor parda e consistência mole e gelatinosa. Sob condições favoráveis ao fungo, durante o período vegetativo, observa-se em todos os órgãos atacados a formação de um mofo cinzento formado pelo micélio, conidióforos e conídios do fungo, característico da doença.

Etiologia - O agente causal do mofo cinzento é o fungo Botrytis cinerea, da subdivisão Deuteromycotina. Este fungo não é um patógeno específico do caquizeiro e ocorre causando sintomas semelhantes em um grande número de espécies vegetais. É um parasita facultativo que sobrevive saprofiticamente em restos de matéria orgânica na forma de escleródios e micélio dormente. Os conídios produzidos nos tecidos doentes são prontamente disseminados dentro da cultura através do vento. As condições favoráveis para o desenvolvimento da doença são alta umidade e temperaturas amenas ao redor de 200C.

Controle - O controle recomendado é a aplicação de fungicidas (captan 0,2% ou enxofre PM 0,2 a 0,3%) a partir do início da floração em anos em que se prevê condições favoráveis às infecções.
DECLÍNIO DOS FRUTOS EM PRÉ- E PÓS-COLHEITA - Alternaria alternata (Fr.:Fr.) Keissl.

O declínio dos frutos em pré- e pós-colheita não é relatado no Brasil, mas ocorre com certa freqüência em outros países produtores de caqui, levando à depreciação dos frutos que ficam imprestáveis ao consumo. Esta doença também atinge outras frutíferas, como a mangueira e o mamoeiro.



Sintomas - Existem duas situações distintas nos frutos de caqui. A primeira ocorre nas condições do pomar e os sintomas normalmente desenvolvem-se sob o cálice, quando o fruto aproxima-se da maturidade. Esta doença está associada com condições de alta umidade e com o amadurecimento dos frutos no pomar, estando ausente quando a época de colheita for seca. Os frutos apresentam, inicialmente, manchas pequenas, pretas e circulares, concentradas na base do fruto em contato com o cálice. Posteriormente, estas manchas coalescem, causando uma podridão escura e firme, que depois torna-se parcialmente mole. A segunda situação é resultante de uma infecção latente, ocorrida durante toda a estação de crescimento em toda a superfície do fruto, a qual apenas se desenvolve durante o armazenamento dos frutos em câmaras frias com alta umidade relativa, causando a podridão dos frutos. Os sintomas de podridão por Alternaria são mais limitados, escuros e firmes que os sintomas causados pela antracnose.

Etiologia - O agente causal do declínio dos frutos em pré e pós-colheita é o fungo Alternaria alternata, da subdivisão Deuteromycotina. O fungo forma conidióforos simples ou ramificados, lisos, retos ou flexíveis, solitários ou em pequenos grupos. Os conídios são obcláveos, com 3 a 5 septos e com 20-36 x 9-9,5 m.

O fungo sobrevive em folhas ou ramos infectados e a disseminação ocorre pelo vento ou pela água. O conídio germinado penetra sob o cálice sem a necessidade de ferimentos. A infecção do fruto ocorre depois de seu pegamento e a hifa fica latente até o início do amadurecimento do fruto, quando então ocorre o desenvolvimento intercelular do fungo. A área infectada do fruto aumenta de acordo com o período de tempo em que o fruto permanece sob condições de umidade relativa acima de 80%.



Controle - O controle deve prevenir a infecção dos frutos ainda no pomar, pois há uma alta correlação entre a podridão dos frutos durante o armazenamento e a área com lesões latentes adquiridas no pomar.

Como tratamento de pré-colheita pode-se fazer pulverizações com fungicidas protetores (maneb), iniciando-se na frutificação. Outra medida de controle é a aplicação de ácido giberélico para manter o cálice numa posição ereta, que previne a formação de um microclima favorável ao patógeno sob o cálice, e atrasar a maturação do fruto, que leva a um aumento na sua resistência ao declínio pós-colheita.

Como tratamento de pós-colheita pode-se aplicar iprodione ou prochloraz nos frutos, substituindo, desta forma, os tratamentos preventivos. Outra medida inclui uma mudança no ambiente de armazenamento, tanto nas câmaras frias como na embalagem, pelo aumento da concentração de gás carbônico para 3%.

BIBLIOGRAFIA
Ben-Arie, R.; Perez, A.; Prusky, D. Physiological and physical measures to control postharvest diseases of fruit. Phytoparasitica 20: Supplement, 1992.

Cook, A.A. Diseases of tropical and subtropical fruits and nuts. Hafner Press, New York, 1975. 317p.

George, A.P. & Nissen, R.J. The persimmon as a subtropical fruit crop. Queensland Agricultural Journal 111:133-40, 1985.

Halliwell, R.S. & Porterfield, M.R. Witches’ broom ofjapanese persimmon. Plant Disease 68:536, 1984.

Martins, F.P. & Pereira, F.M. Cultura do caquizeiro. FUNEP, Jaboticabal, 1989. 71p.

Matsuoka, K.; Carvalho, M.G.; Pinheiro, R.V.R. Declínio do caquizeiro, séria enfermidade ameaçando a cultura no estado de Minas Gerais. Fitopatologia Brasileira 7:572, 1982.

Matsuoka, K. & Carvalho, M.G. Células do tipo micoplasmas presentes nos tubos crivados de caquizeiros com o declínio. Fitopatologia Brasileira 9:424, 1984.

Matsuoka, K. & Carvalho, M.G. Mycoplasma-like organisms associated with kaki decline in Brazil. Plant Pathology 36:417-19, 1987.

Namekata, T. & Tokeshi, H. Controle da cercosporiose do caqui. Anais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz 21:239-46, 1964.

Penteado, S.R. Controle das doenças e pragas do caqui. Correio Agrícola 2:638-642, 1984. Penteado, S.R. Cultura do caquizeiro. In: Penteado, S.R. Fruticultura de clima temperado em São Paulo. Fundação Cargill, Campinas, 1986.

Ploetz, R.C.; Zentmyer, G.A.; Nishijima, W.T.; Rohrbach, K.G.; Ohr, H.D. (ed.) Compendium of tropical fruit diseases. APS Press, St. Paul, 1994. 88p.

Silva, S.G. da. A antracnose do caqui. O Biológico 6:125-26, 1940.

Sztejnberg, A. & Jabarcen, H. Studies of resistance of persirnrnon rootstocks to Dematophora root rol. Phytoparasitica 14:240, 1986.
DOENÇAS DO CAUPI

(Vigna unguiculata (L.) Walp.)

G. Pio-Ribeiro & F. M. Assis Filho
O caupi é uma cultura importante em diversas regiões tropicais e subtropicais, onde é utilizado, principalmente, como alimento básico de elevado valor protéico pelas populações de baixa renda. No Brasil, esta leguminosa é conhecida como feijão macassar, feijão-de-corda, feijão-fradinho, feijão-de-praia, feijão-miúdo e muitos outros nomes, dependendo do local onde é cultivada. Trata-se de uma planta bem adaptada às condições brasileiras de clima e solo, dotada de grande rusticidade, o que lhe confere tolerância, tanto à seca como à umidade excessiva, e desenvolvimento razoável em áreas de baixa fertilidade. Apesar destas características positivas, as doenças, entre outros fatores, concorrem para uma baixa produtividade da cultura em diferentes partes do mundo.
MOSAICO SEVERO - “Cowpea severe mosaic virus” - CPSMV

A partir de 1947, o mosaico severo vem sendo observado em todas as regiões do território nacional onde o caupi é cultivado, registrando-se maior ou menor perda quantitativa e qualitativa da produção, na dependência da interação de fatores como: estirpe do vírus, cultivar empregado, idade em que as plantas foram infectadas e abundância de hospedeiros naturais e vetores do vírus presentes na área de cultivo. A distribuição geográfica desta doença inclui, além do Brasil, os Estados Unidos, Trinidad, Porto Rico, El Salvador, Venezuela, Costa Rica, Suriname e Peru.



Sintomas - Modificações de cor e hábito das plantas são geralmente visíveis em todos os órgãos aéreos. Quando a infecção ocorre em plantas jovens muito suscetíveis, observa-se redução drástica de todas as suas partes, necrose na extremidade superior do caule, morte de brotos terminais e queda prematura das folhas. Infecção iniciada em estádios mais avançados produz sintomas severos apenas nas áreas novas da planta, reduzindo significativamente, a partir daí, o seu desenvolvimento. Nas folhas, além da redução do tamanho e do mosaico intenso, verificam-se clareamento e necrose das nervuras, formação de bolhas e deformação do limbo (Prancha 21.1). Dependendo do cultivar, as vagens apresentam manchas irregulares, verde-escuras e sementes chochas e/ou manchadas com menor capacidade de germinação. Citologicamente, o CPSMV induz a formação de inclusões vacuoladas, distribuídas nas células da epiderme, visíveis ao microscópio óptico.

As partículas virais, observadas ao microscópio eletrônico, são aparentemente iguais, apresentando forma isométrica. Contudo, nas células infectadas, encontram-se três tipos de partículas, geralmente referidas como componentes B, M e T, as quais possuem, respectivamente, 34, 25 e 0% de RNA. Estas partículas podem se agregar formando cristalóides, normalmente abundantes nas células glandulares, detectáveis ao microscópio óptico.


1   ...   21   22   23   24   25   26   27   28   ...   70


База данных защищена авторским правом ©shkola.of.by 2016
звярнуцца да адміністрацыі

    Галоўная старонка