Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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OUTRAS DOENÇAS


Além das três doenças citadas, o cajueiro está sujeito a outras, ainda pouco estudadas, mas cuja incidência vem aumentando nas áreas de cultivo dessa espécie.

Mancha de Phomopsis - Phomopsis anacardii Early & Punithal. - O agente causal da doença foi relatado como uma nova espécie atacando folhas de cajueiro no Kênia, Nigéria, Guiné e Cuba. No Brasil, mais precisamente no Nordeste, só recentemente é que foi detectado em material coletado em Fortaleza (CE), João Pessoa (PB) e Recife (PE). Os sintomas podem ser observados nas folhas e inflorescência do cajueiro. Nas folhas, são formadas pequenas lesões necróticas, circulares, de aproximadamente 3,0 mm de diâmetro, coloração pardo-escura com halo amarelo, distribuídas na superfície do limbo. Na inflorescência, ocorre a queima e queda de flores, podendo ser estes sintomas confundidos com os da antracnose . Na haste floral morta, pode ser visualizada, com auxílio de uma lupa, a presença de picnídios do patógeno. O fungo Phomopsis anacardium, em meio de BDA, apresenta coloração creme-esbranquiçada, com picnídios escuros, distribuídos na superfície da colônia. O exame dos picnídios ao microscópio mostra a presença de conídios alfa e beta, hialinos, unicelulares, sendo o conídio alfa fusiforme, medindo 5-9 x 2-2,5 m, e o beta filiforme, com uma das extremidades curva, medindo 20-25 x 0,5 m. A doença vem sendo observada após o período das chuvas, quando a umidade do ar e temperatura são elevadas.

Mofo Preto - Perisporiopsella anacardii Bat (Diploidium anacardiacearum Bat & Cavalcante) - Este fungo cresce na superfície inferior da folha, onde forma uma massa escura, constituída pelas estruturas do patógeno. Emite haustórios para dentro do tecido foliar, absorvendo os nutrientes de que necessita para seu crescimento. Em conseqüência, o tecido afetado apresenta manchas cloróticas, tornando-se, posteriormente, necrosadas. O patógeno produz conídios castanhos, ovalados, com um septo central. Embora de ocorrência freqüente, principalmente em períodos úmidos e quentes, há escassez de estudos sobre a doença.

Fumagina - Capnodium spp.- A fumagina é caracterizada por um revestimento preto, de aspecto fuliginoso, cobrindo a superfície da folha. Sua freqüência está associada à presença de coccídeos que secretam substância açucarada nas folhas, da qual o fungo se nutre. Esta fuligem pode ser facilmente removida da folha. As espécies de Capnodium (C. brasiliense Putt, C. citri (Pers) Berk & Desm e Capnodium sp.) interferem no processo fotossintético, prejudicando o metabolismo normal da planta. A doença pode ser controlada, indiretamente, por meio do controle das cochonilhas com óleo mineral+produto químico fosforados.

Mancha de Alga - Cephaleuros virescens Künz (Sin. C. mycoidea Karst) - A mancha de alga é mais freqüente em condições de temperatura e umidade elevadas, ocorrendo principalmente nas folhas mais sombreadas da planta. As manchas são distribuídas na face ventral do limbo foliar, apresentando um formato circular, de coloração alaranjada ou ferruginosa, e de aspecto saliente, semelhante a feltro. Com a idade, a mancha apresenta uma superfície lisa e de coloração pardo-acinzentada. Como sua ocorrência está associada a locais mais sombreados da copa, a realização de podas desfavorece o agente causal da mancha, por permitir melhor arejamento da planta e penetração dos raios solares na copa.

Podridão de Sclerotium - Athelia rolfsii (Curzi) Tu & Kimbrough (Sclerotium rolfsii Sacc) - A doença foi relatada em condições de viveiro, causando lesões necróticas no colo de plantas de um a três meses de idade. No tecido necrosado pode ser observada a presença de estruturas do patógeno, representadas por um micélio branco bem desenvolvido, e escleródios, inicialmente brancos, tornando-se escuros quando fisiologicamente maduros. Como sintomas reflexos da doença, ocorrem murcha e morte da planta. O teleomorfo é atualmente denominado Athelia rolfsii (Sin. Pellicularia rolfsii (Curzi) West). Produz basidiósporos unicelulares e hialinos em basídios não ­septadas. O tratamento do solo do viveiro com PCNB (pentacloronitrobenzeno) constitui uma medida eficiente de controle do patógeno.

Bolor Verde - Penicillium digitatum Sacc.- O bolor verde é uma doença de pós-colheita, ocorrendo durante o armazenamento dos frutos. Caracteriza-se pela presença de um crescimento verde-oliváceos que reveste a amêndoa, tornando-a ressequida com perda de peso e óleo.

Nematoses - Xiphinema sp., Criconemoides sp. e Scutellonema sp.- Os nematóides citados foram encontrados associados à rizosfera do cajueiro, havendo relato de que Xiphinema sp, parasita as raízes mais finas, causando lesões necróticas. Entretanto, no presente momento, nada se sabe sobre o efeito desses organismos na redução da produção e produtividade do cajueiro. É possível que o parasitismo desses nematóides em plantas de viveiro resultem em maior dano, pois o volume do sistema radicular é bem menor comparado ao da planta adulta.

BIBLIOGRAFIA

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DOENÇAS DA CANA-DE-AÇÚCAR

(híbridos de Saccharum spp.)
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