Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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SECA DOS PONTEIROS E RAMOS LATERAIS


A seca dos ponteiros e ramos laterais, conhecida também por “dieback”, é causada por um complexo de fatores, sobressaindo-se as condições climáticas desfavoráveis, má nutrição das plantas e ocorrência de pragas e doenças. Ocorre em cafeeiros de qualquer idade e caracteriza-se pela desfolha e morte descendente dos ramos.

A doença ocorre em duas épocas principais: nos períodos de inverno chuvoso, que prolongam o ciclo vegetativo da planta, quando as folhas novas são mais sujeitas ao frio, aos ventos e à entrada de fungos e bactérias, e na época de granação dos frutos, quando os ramos carregados se esgotam, desfolham e apresentam morte descendente (da ponta para a base). Nesse caso, a gravidade do ataque é maior em lavouras com as primeiras produções, quando as relações sistema radicular/parte aérea e folhas/frutos são pequenas, nas áreas mais quentes, em que a granação é rápida, e quando os solos apresentam algum tipo de impedimento.

O desequilíbrio nutricional do cafeeiro pode desencadear a doença, que se agrava pelo ataque de fungos como Colletotrichum spp. e Phoma spp. A doença evidencia-se durante a granação e maturação dos frutos, ocasião de máxima exigência nutricional. Como conseqüência, ocorre má granação dos frutos, devido à desfolha, ocasionando uma redução na produção do ano e na do ano seguinte e uma bebida de qualidade inferior.

No caso específico de Colletotrichum spp., ele é encontrado como saprófito, habitando a casca (externamente) dos ramos de cafeeiro e passando a atacar ramos, folhas e frutos, penetrando-os através de ferimentos ou lesões de outras doenças e pragas ou tecidos já enfraquecidos, principalmente em períodos de umidade elevada.

A seca dos ponteiros causada por Phoma spp, já constitui problema em alguns países produtores de café, como Guatemala, Costa Rica e Colômbia. No Brasil, sua ocorrência foi constatada em 1973, no Estado do Espírito Santo.

O controle dessa doença deve começar com a adoção de medidas culturais, tais como seleção de áreas de plantio, evitando a instalação de lavouras em áreas sujeitas à incidência constante de ventos fortes e frios, e adubação equilibrada.

O controle adequado da ferrugem e da cercosporiose já reduz os problemas da seca de ponteiros, pois os fungicidas usados controlam também outros fungos e bactérias, diminuindo tanto o estresse das plantas como o inóculo, para o caso de ataques no inverno. Adicionalmente, podem ser realizadas de uma a duas pulverizações logo que os sintomas aparecerem, principalmente no início do inverno, com produtos como Rovral, Benlate, etc., que apresentam resultado satisfatório, diminuindo a gravidade do problema.
ANTRA CNOSE - Colletotrichum coffeanum Noack

A antracnose do cafeeiro é uma doença de ocorrência generalizada na maioria das regiões cafeicultoras, variando grandemente a natureza e a intensidade dos danos ocasionados. Em muitas regiões da África, onde o café é cultivado, é considerada a doença mais grave do cafeeiro.

O agente causal, Colletotrichum coffeanum foi descrito no Brasil em 1902 e, atualmente, são conhecidas diversas raças do patógeno. Alguns autores preferem a denominação C. kahawae para o patógeno. No continente africano, uma raça particularmente virulenta disseminou-se rapidamente e hoje está presente em todas as lavouras de café arábico. Esta raça, cuja característica é infectar flores e frutos verdes, causando a “coffee berry disease”, não foi ainda detectada no Brasil.

Todas as espécies de cafeeiro são suscetíveis à antracnose, mas a suscetibilidade é maior em Coffea arabica e C. canephora. Dentro de C. arabica há uma grande diferença varietal quanto à suscetibilidade a esse patógeno. Os frutos da variedade Harar e os das variedades dela originadas por cruzamento são suscetíveis, enquanto que os da variedade Blue Mountain exibem alto grau de resistência.



Sintomas - Todas as partes da planta podem ser atacadas por C. coffeanum, que habitualmente coloniza o tecido externo do cafeeiro. No entanto, flores e frutos novos, para o caso da “coffee berry disease”, e os frutos maduros são os mais sensíveis a ataque do patógeno.

Nas flores, o primeiro sintoma é o aparecimento de uma mancha ou listra castanho escura sobre o tecido branco da pétala, sendo a flor invadida e destruída em pouco tempo. Em frutos verdes, os sintomas iniciam-se por pequenas manchas necrótica escuras, ligeiramente deprimidas em qualquer região do fruto. O fungo pode penetra-los, ficando os grãos negros, ressecados, mumificados e totalmente destruídos pelo patógeno. Sobre as lesões desenvolvem-se pequenas pontuações, que corresponde aos acérvulos do fungo e, em condições de alta umidade, pode ser notada uma massa rósea de esporos. A infecção pode atingir o pedúnculo dos frutos, causando a que dos mesmos. Mais tarde, o ataque só é evidenciado pela ausência das bagas nos nó identificada pela remanescência do pedúnculo preso ao ramo. Este grupo de sintomas não tem sido observado no Brasil.

Frutos maduros ou com o endosperma já formado, quando atacados pelo fungo, tornam-se mumificados e as bagas escurecem, permanecendo, contudo, aderidas ao ramo por longo tempo. Um segundo tipo de lesão pode ser formado sob condições não completamente esclarecidas, mas que geralmente está associado a períodos secos e/ou baixas temperaturas. Esta lesão é de coloração pálida e não-deprimida, com aspecto de sarna, onde se formam círculos concêntricos de acérvulos negros. Neste caso, as camadas mais profundas do fruto não são invadidas.

A doença manifesta-se nas folhas como manchas irregulares, necróticas, cinzas, grandes, ocorrendo comumente próximas às margens. Com o envelhecimento das manchas, formam-se anéis concêntricos, nos quais podem ser visualizadas massas de esporos do fungo.

O ataque do fungo sobre folhas novas da ponta dos ramos pode causar o chamado “Elgon dieback”, que se caracteriza por uma súbita e parcial abscisão das folhas nas partes novas e suculentas da planta. A lesão progride e, ao atingir o tecido vascular, ocorrem murcha e morte do ramo. Essa morte do ponteiro é favorecida por chuva leve e orvalho abundante.

Em sementeiras e viveiros, a antracnose pode ser observada sobre os cotilédones, como manchas pardas, geralmente provocando a morte da plântula.



Etiologia - O agente da antracnose, Colletotrichum coffeanum, é um Deuteromiceto, da ordem Melanconiales e família Melanconiaceae. São encontradas quatro raças distintas do fungo, designadas de ccm, cca, ccp e CBD (de “coffee berry disease”), todas associadas ao cafeeiro. Apenas a raça CBD é patogênica indistintamente a frutos verdes, flores, botões florais, folhas e ramos, correspondendo a C. coffeanum var. Virulans. Uma nova designação, C. kahawae, foi proposta recentemente.

A raça CBD, que ainda não foi identificada no Brasil, é morfologicamente indistinta das formas saprofíticas, mas distingue-se por sua patogenicidade e por características culturais. A capacidade de esporulação dessa raça altamente patogênica é pequena em comparação com a das raças saprofíticas, mas parece seguir um ritmo cíclico relacionado com as chuvas. O nível de patogenicidade é também influenciado pelo tipo de tecido do ramo atacado, pelo cultivar e pela altitude em que se situa o cafezal.

Os conídios de C. coffeanum podem ser disseminados a curtas distâncias pelos respingos de chuva, que levam consigo os esporos do fungo e os depositam sobre outras partes da mesma planta ou de outra. A maioria dos esporos de C. coffeanum são liberados do topo do cafeeiro. A dispersão a curta e média distância é atribuída principalmente ao homem, durante as operações agrícolas e manuseio das plantas, que inevitavelmente resultam na transferência de esporos do fungo. A dispersão a longas distâncias é atribuída somente ao movimento de material contaminado, principalmente mudas. O inóculo primário, na ausência de frutos doentes, constitui-se de conídios produzidos nos ramos do cafeeiro, apesar da proporção da estirpe patogênica de C. coffeanum na casca dos galhos ser pequena, quando comparada com a que ocorre em frutos doentes.

A germinação do conídio ocorre em presença de água livre, com a emissão de um tubo germinativo, e na extremidade deste se desenvolve um apressório escuro, de parede espessa. A taxa de germinação depende do substrato e de outros fatores, sendo muito alta nas pétalas florais e frutos novos que possuem cutícula delgada, permitindo uma maior e mais rápida difusão de substâncias nutritivas para as gotas de água, no ponto de infecção.

A faixa de temperatura ideal para germinação e infecção encontra-se entre 17 e 280C, com um ótimo a 220C. Essas condições ótimas favorecem a formação do apressório, que adere fortemente à cutícula dos tecidos do hospedeiro, favorecendo assim o ingresso do patógeno. Após a penetração, ocorre o desenvolvimento de um micélio ramificado intercelular. Depois de algum tempo, que varia com a concentração do inóculo e com o tipo e idade do tecido invadido, é produzida uma lesão escura, deprimida no local de penetração, e os acérvulos são formados, exsudando massa rosada de conídios. O período de incubação varia entre 5 e 30 dias, mas freqüentemente os sintomas são observados em 8 dias.

A altitude, influenciando a maior ou menor ocorrência da antracnose, está correlacionada às precipitações e à temperatura. A ocorrência da doença nas regiões altas é maior, porque nessas regiões chove mais e as condições térmicas apresentam temperaturas favoráveis ao patógeno durante o dia. Nas regiões baixas, a elevação e: queda na temperatura são rápidas, não proporcionando temperatura ideal à germinação.



Controle - No controle da antracnose, os cúpricos são eficazes, reduzindo produção de inóculo sobre os ramos. Apresentam, além disso, a vantagem de controlar também a ferrugem, em locais onde essa doença causa problema. O oxicloreto de cobre com 50% de cobre metálico pode ser pulverizado a 1%, usando-se 1000 a 2000 l/ha, fazendo-se aplicação do início ao fim da estação chuvosa. Deve-se tomar cuidado com a fitotoxicidade em frutos novos. Fungicidas protetores, como chlorotalonil, hidróxido de trifenil estanho e tiabendazole, também são efetivos no controle da antracnose.

O método de controle mais recomendável é o uso de variedades resistentes. E notável a diferença em suscetibilidade entre as variedades de C. arabica (as variedades Blue Mountain e Rume Sudan são resistentes e as variedades SL 28 e Harar, suscetíveis). Muitas variedades que mostram resistência não são comercialmente aceitáveis, mas constituem fonte genética de resistência e devem ser empregadas em trabalhos de melhoramento.


NEMATOSES

O cafeeiro é atacado por inúmeras espécies de nematóides. Os mais freqüentes são: Meloidogyne incognita, M. exigua, M. coffeicola, M. hapla, M. Arenaria, Pratylenchus brachyurus, P. coffeae, Xiphinema krugi, X. brevicolle, Helycotilenchus dihistera, Aphelenchus sp. e Criconemoides sp.

Várias destas espécies podem ocorrer simultaneamente no sistema radicular cafeeiro, embora os danos causados por algumas delas não sejam comprovados. Espécies de distribuição mais restrita do que os nematóides das galhas, tais com Pratylenchus brachyurus e P coffeae, têm causado desfolha, redução no crescimento e no sistema radicular de plantas infectadas. Mas a ampla disseminação das espécies de Meloidogyne nos cafezais brasileiros, aliada à sua alta capacidade reprodutiva e agressividade, torna este grupo de nematóides, chamado de nematóide das galhas, o responsável por 15% da redução total da nossa produção de café, em relação aos 20% de prejuízos causados por todos os fitonematóides. Os prejuízos causados pelos nematóides desse gênero são grandes, chegando a ser limitante quanto à implantação e ao desenvolvimento de culturas em solos infestados, ou mesmo com mudas contaminadas.

Dentre os danos causados ao sistema radicular, incluem-se galhas, fendilhamentos e escamações nos tecidos corticais, que chegam a causar total desorganização deste tecido, principalmente pela infecção por M. coffeicola. Ocorre ainda grande redução do sistema radicular.

Na parte aérea, os sintomas incluem declínio, desfolha e clorose. Dependendo da situação local, do estresse causado por seca e frio, da idade da planta e do grau de infestação, as plantas podem ser levadas à morte.

A espécie de maior importância no Brasil é Meloidogyne incognita, que ocorre com maior gravidade nas regiões de solo arenoso, em São Paulo e no Paraná, bem como em pequenas áreas do sul de Minas. Esse nematóide afeta drasticamente o sistema radicular dos cafeeiros, causando necroses e rachaduras nas raízes, que ficam com o aspecto de cortiça, reduzindo a absorção de água e nutrientes pela planta e provocando queda na produção. Foram constatadas quatro a cinco raças desse nematóide.



M. incognita tem amplo espectro de hospedeiros, quer sejam estes plantas cultivadas (algodão, batata, feijão, fumo, girassol, soja, sorgo, milho, mamona, etc.) ou ervas daninhas que infestam os cafezais (capim pé-de-galinha, falsa-serralha, Maria­-pretinha, mentrasto, beldroega, guanxuma, etc.). Essa particularidade dificulta a rotação de culturas.

M. exigua é uma espécie que causa pequenas galhas nas raízes finas do cafeeiro, causando grandes prejuízos, principalmente em lavouras novas e mudas recentemente plantadas. Essa espécie encontra-se presente na maioria das regiões cafeeiras.

M. coffeicola é bastante especializado no cafeeiro e não forma galhas. Parasitas raízes grossas ou primárias, causando severa perda de córtex, uma grande redução do sistema radicular e, como sintoma reflexo, uma acentuada desfolha.

Os nematóides disseminam-se principalmente através do uso de mudas atacadas de café ou de outras plantas de sombra, pelas enxurradas, que levam o solo infestado de uma área para outra, e pelos implementos agrícolas, quando dos trabalhos de preparo de solo.



Controle - A erradicação de nematóides em áreas infestadas é difícil. Todo o cuidado deve ser tomado a fim de evitar a infestação de glebas isentas. Desta forma, o controle deve ser preventivo, fazendo-se o plantio de mudas sadias em áreas não­infestadas. Para se obter mudas sadias, o substrato de semeadura deve ser previamente tratado com nematicida, como os produtos à base de dicloropropeno, dibrometo de etileno, brometo de metila, etc. Um outro aspecto a considerar é evitar, no estabelecimento de viveiros para a produção de mudas, locais de fácil contaminação por enxurradas e uso de água de irrigação coletada de encostas com cafezais infectados.

Deve-se, de preferência, cercar o viveiro, para evitar a entrada e o trânsito de animais e/ou pessoas estranhas.

Em áreas infestadas por M. exígua, dependendo do grau de ataque, a convivência com o patógeno pode ser tolerada, a curto e médio prazo, através do uso de melhores adubações, principalmente com adubo orgânico, e de tratos na lavoura. Em áreas nas quais o café foi arrancado, o solo deve ser revolvido para sua maior exposição ao sol e mantido de seis meses a um ano sem plantio de café ou de culturas hospedeiras.

Em áreas infestadas por M. incognita, a solução ideal é o uso de variedades resistentes ou tolerantes, ou linhagens comerciais enxertadas sobre porta-enxertos tolerantes. Nesse caso, são indicados como cavalos o Robusta 2258 e, para plantio de pé franco, materiais genéticos oriundos de seleção local de Icatu 4782-7-925, cova 7 ou o Sarchimor 1669-20 ou 33.

Algumas práticas culturais podem contribuir para a redução da população de nematóides no solo, tais como: revolver o solo em dias secos e ensolarados; realizar adubação verde com Crotalaria spectabilis ou com mucuna preta (Stilozobium aterrinum) (plantas armadilha); utilizar matéria orgânica em solos carentes, para promover condições favoráveis à multiplicação de inimigos naturais; utilizar práticas agrícolas que movimentem pouco o solo (uso de herbicidas ao invés de capinas); evitar o trânsito na área em dias chuvosos.

É possível, embora custoso, proteger plantios novos com nematicidas - associados ou não à torta de mamona, que também tem efeito nematicida - aplicados à cova, efetuando-se novas aplicações de nematicida a cada ano. Nesse caso, indica-se o Terracur e o Nemacur. Os inseticidas sistêmicos granulados, como aldicarb, carbofuran, dissulfoton e phorate, usados normalmente para o bicho mineiro, também têm algum efeito nematicida.

Os nematicidas, no campo, devem ser aplicados no início da estação chuvosa (outubro/novembro), quando o sistema radicular entra em franca absorção de água e nutrientes pela emissão de radicelas. A eficiência do produto aumentará, coincidindo também, com as melhores condições de temperatura e umidade para eclosão de larvas de segundo estádio no solo, já que estas são mais sensíveis à ação nematicida que aquelas no interior de raízes ou dos ovos. No que se refere a lavouras adultas, é impraticável, sob o ponto de vista econômico, realizar aplicações de nematicidas, por ser preciso tratar grande volume de solo e, ainda, por já estarem as raízes primárias do cafeeiro, na maioria dos casos, bastante comprometidas, com difícil recuperação.
OUTRAS DOENÇAS

No Brasil ocorrem outras doenças de menor importância, como:



Mancha anular - virose praticamente inexpressiva em termos econômicos, pois, em condições normais, o ataque fica restrito a poucas folhas, principalmente as mais sombreadas, no interior das plantas. E transmitida por um ácaro e os sintomas são lesões amarelas, com anéis ao longo das nervuras das folhas e nos frutos maduros.

Fusariose - ataque de Fusarium spp. no sistema vascular, diretamente ou por aberturas causadas por ferimentos ou ataque de nematóide.

Mal rosado - causado pelo fungo Corticium salmonicolor, provocando lesões e chochamento em frutos e ocorrendo em pequena escala e em zonas específicas (úmidas). Mancha de Ascochyta - causada pelo fungo Ascochyta coffeae, com sintomas parecidos aos de Phoma. Pode incidir no viveiro e no campo, em zonas úmidas e frias. As lavouras de café nas chapadas mais altas no Triângulo Mineiro estão sendo muito atacadas por este patógeno, provocando queda de folhas (mais velhas) no período de inverno.

Mancha macana ou câncer do tronco - comum na Colômbia e América Central, causada pelo fungo Ceratocystis fimbriata. Ultimamente, no Brasil, têm aparecido plantas com sintomas semelhantes, caracterizados por lesões no tronco e seca da parte superior dos cafeeiros, sem identificação do patógeno. Esses sintomas aparecem geralmente após podas de decote.

Mancha americana - doença causada pelo fungo Mycena citricolor, que ataca folhas e frutos, causando-lhes lesões circulares pardas, com centro mais claro, e tendo por característica as frutificações do fungo, que começam em forma de filamentos e acabam em forma de cabeças. No Brasil, a doença ocorre em pequenas áreas de café sombreado, no estado do Ceará.

Koleroga - é causada pelo fungo Pellicularia koleroga ou Corticium koleroga, que ataca folhas (principalmente), ramos e frutos novos. O micélio externo, de coloração esbranquiçada, estende-se a partir dos ramos, caminhando sobre a folha, atingindo quase todo o limbo foliar, que fica necrosado. Na parte inferior da folha é visível uma película esbranquiçada. A folha lesionada desprende-se, seca e fica pendurada no ramo por um filamento branco (micélio do fungo). No Brasil, existem ocorrências esparsas, relatadas no sul da Bahia (regiões quentes e áreas sombreadas) e em Batatais­SP. Nos últimos anos, foram constatados surtos graves em cafezais (arábica e robusta) na Amazônia, em Rondônia e no Mato Grosso.
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DOENÇAS DO CAJUEIRO

(Anacardium occidentale L.)

M. Menezes

O cajueiro, Anacardium occidentale L., é considerado, por vários pesquisadores, originário da região litorânea do Nordeste do Brasil. Além desta, várias outras espécies do gênero, encontradas na região Norte do País, apresentam ampla distribuição geográfica, sendo citadas em vários países da África, Índia, Filipinas, Indochina, Indonésia, Austrália, Ilhas Fiji, Havaí, Venezuela, El Salvador, Guatemala e Estado da Flórida (E.U.A.).

Atualmente, o cajueiro é uma cultura de importância econômica, estimulada pela exportação do produto industrializado e pelo consumo interno. Do pseudofruto (pedúnculo hipertrofiado) são fabricados vários produtos, tais como sucos, cajuína, néctar de cajú, cajú em calda, cajú-ameixa, cajú cristalizado, geléia, doce em massa, licor, aguardente, vinagre e vinho. Do fruto (castanha), além da amêndoa, destinada em grande parte à exportação, é também extraído o LCC (líquido da castanha de cajú), utilizado na indústria química para obtenção de resinas, fabricação de tintas, vernizes, esmaltes, lonas de freio para veículos, etc. Os principais importadores do LCC na forma bruta são os E.U.A. e Reino Unido e de ACC (amêndoa da castanha de caju), os E.U.A., Holanda, Canadá e Alemanha.
ANTRACNOSE - Glomerella cingulata (Ston) Spauld & Schrenk (Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Sacc.)

A antracnose é a doença mais importante da cultura, podendo ocorrer em qualquer fase de desenvolvimento da planta. No Nordeste, a doença encontra-se disseminada em todas as áreas de cultivo do cajueiro, sendo bastante severa em épocas mais úmidas e temperaturas amenas, ao redor de 250C.



Sintomas - Os sintomas da antracnose aparecem nos tecidos jovens da planta. Nas folhas, as manchas necróticas apresentam coloração pardo-avermelhadas, formato irregular e de tamanho variável de acordo com o local de penetração do patógeno. Quando as manchas necróticas aparecem na margem de um dos lados da folha, esta apresenta-se distorcida, com curvatura pronunciada, devido ao crescimento desigual do tecido sadio em relação ao tecido afetado (Prancha 18.1a). Na inflorescência, os sintomas se manifestam causando queima e queda de flores. E comum a formação de lesões necróticas escuras na haste floral, de formato alongado, que evoluem de modo a atingir toda a inflorescência que seca completamente (Prancha 18.1b).

Nos ramos, são formadas lesões necróticas, deprimidas, escuras, podendo apresentar fendilhamento do tecido afetado. Nos frutos, a doença pode ocorrer em todas as fases de seu desenvolvimento. Os frutos novos tornam-se escuros, deformados e atrofiados, enquanto os maduros apresentam lesões necróticas, escuras, deprimidas, atingindo boa extensão da sua superfície e, freqüentemente, exibindo fendilhamento da área necrosada (Prancha 18.2).



Etiologia - O agente etiológico da antracnose é o fungo Colletotrichum gloeosporioides. Nesta fase anamórfica, produz conídios hialinos, unicelulares, em acérvulos, com ou sem setas que, em condições úmidas, exibem uma massa conidial de coloração alaranjada, creme ou escura, na superfície do tecido afetado. No processo de infecção, os conídios do patógeno, em contato com a superfície do hospedeiro, germinam, produzindo apressórios que possibilitam a fixação e penetração direta em qualquer órgão da planta. A fase perfeita ou teleomórfica desse fungo é Glomerella cingulata, que pode apresentar formas homotálicas (autoférteis) e heterotálicas, dando origem a peritécios contendo ascos com oito ascósporos unicelulares e hialinos.

O fungo sobrevive como saprófita no tecido morto, podendo ser disseminado através de insetos, respingos de chuva e mudas infectadas. As condições favoráveis à sua multiplicação são alta umidade e temperatura amena, em torno de 250C, que ocorre nos períodos chuvosos, época favorável ao estabelecimento da relação patógeno­hospedeiro na Região Nordeste do Brasil.



Controle - A antracnose do cajueiro pode ser controlada através do emprego de produtos químicos, como benomyl, oxicloreto de cobre, hidróxido de cobre e mancozeb, aplicados em pulverizações iniciadas quando da emissão das folhas novas, logo após as primeiras chuvas, e também durante afloração, em intervalos quinzenais. Em geral, três a quatro aplicações são suficientes para se obter um bom controle da doença. Entretanto, devido à altura das plantas e desuniformidade das copas encontradas no “cajueiro comum”, o tratamento químico é feito com certa dificuldade. Todavia, no tipo varietal “cajueiro anão-precoce”, também chamado cajueiro-de-seis-meses, de porte baixo e copa uniforme, o controle químico da antracnose pode ser conduzido com alta eficiência.

O uso de tipos varietais resistentes constitui uma boa perspectiva de controle. Em condições de campo, plantas sadias têm sido observadas entre plantas exibindo sintomas típicos de antracnose, o que sugere a ocorrência de fontes naturais de resistência. O emprego dessas plantas como matrizes para reprodução assexuada, possibilitando a manutenção e multiplicação do mesmo genótipo, principalmente do tipo cajueiro anão-precoce, é altamente desejável. No Nordeste, programas de melhoramento genético do cajueiro direcionados para o tipo anão-precoce, vêm sendo conduzidos na Unidade de Pesquisa do Litoral - EPACE (Pacajús, Ceará).

O emprego de medidas de sanidade, como poda de limpeza e queima do material doente, antes do início da brotação, representa uma medida auxiliar de controle por reduzir o potencial de inóculo presente na área.

Estudos realizados em condições de laboratório revelaram a alta sensibilidade de C. gloeosporioides à presença de algumas espécies de Trichoderma (T. harzianum, T polysporum e T pseudokoningii), as quais, além de inibirem o crescimento do patógeno, induziram profundas alterações morfológicas nas células das hifas do patógeno em decorrência do antagonismo. Esta informação pode ser de grande valor para a realização de futuros trabalhos de pesquisa visando o biocontrole de C. gloeosporioides.


OÍDIO DO CAJUEIRO - Erysiphe polygoni D.C. (Oidium anacardii Noack.)

O oídio, também denominado cinza do cajueiro, é uma doença importante, principalmente quando incide sobre a inflorescência, impedindo a formação dos frutos. A doença torna-se mais severa logo após o período chuvoso, quando a umidade relativa e temperatura são elevadas.



Sintomas - Os sintomas são caracterizados por um delicado crescimento branco-acinzentado, na superfície das folhas e inflorescência, constituído por micélio, conidióforos e conídios do patógeno. O fungo emite, para o interior do tecido, órgãos especiais denominados haustórios, que absorvem os nutrientes diretamente das células epidérmicas. Em decorrência disto, o tecido afetado exibe pontos necróticos, escuros, mais pronunciados na face inferior da folha. Com a evolução dos sintomas, pode ocorrer a queda prematura de folhas e flores. O patógeno pode penetrar no tecido da planta em qualquer fase de seu desenvolvimento.

Etiologia - O agente causal da doença é o fungo Oidium anacardii. Seus conídios hialinos são produzidos em conidióforos curtos, em cadeias eretas, formando um ângulo reto com a superfície do hospedeiro. Apresenta como fase perfeita ou teleomórfica Erysiphe polygoni. Nesta fase, o fungo forma cleistotécios escuros, dotados de apêndices, sobre o micélio superficial, contendo vários ascos e, dentro destes, ascósporos hialinos e unicelulares.

O patógeno pode ser facilmente disseminado pelo vento e pelos insetos. Como o crescimento é superficial, chuvas pesadas removem o micélio do limbo foliar ou de qualquer outro órgão afetado. As condições que favorecem a doença são alta umidade relativa, sem ocorrência de chuva, e temperatura em torno de 280C.



Controle - O controle do oídio do cajueiro pode ser feito com aplicações de benomyl espaçadas de 15 dias. Duas aplicações são suficientes para eliminar o patógeno da superfície do órgão afetado, desde que a pulverização tenha atingido toda a copa da planta. Fungicidas à base de enxofre também são eficientes no controle da doença, tendo-se o cuidado de não aplicar o produto nas horas quentes do dia devido a problemas de fitotoxidez.
MANCHA DE PESTALOTIA - Pestalotiopsis guepinii (Desm.) Stey (Sin. Pestalotia guepinii Desm.)

A mancha de pestalotia, também chamada “pestalosiose”, é de ocorrência comum e geralmente associada à antracnose. A importância da mancha de pestalotia é secundária, embora ocorra praticamente durante o ano todo mascarada pela ocorrência da antracnose.



Sintomas - Os sintomas induzidos pelo patógeno são caracterizados por manchas necróticas pequenas, aproximadamente circulares quando distribuídas no limbo foliar, e maiores, quando localizadas no ápice ou bordo da folha. As manchas são de coloração pardo-acinzentada, com bordo mais escuro em relação à parte central. Em condições mais favoráveis ao desenvolvimento da doença, ocorre coalescência de lesões. Na área foliar afetada, em condições mais úmidas, são observadas pontuações escuras, representadas pelos acérvulos do fungo. Os frutos também podem ser afetados, apresentando lesões necróticas escuras e deprimidas.

Etiologia - O agente causal da doença é, atualmente, denominado Pestalotiopsis guepinii. O patógeno forma acérvulos no tecido afetado, produzindo conídios com cinco células, sendo as três medianas de cor marrom-olivácea e as das extremidades, hialinas. A célula apical apresenta dois ou mais apêndices hialinos e a basal, somente um. Recentemente, foi observada em folhas de cajueiro mantidas em câmara úmida a presença de um fungo pertencente à classe dos Ascomicetos, gênero Pestalosphaeria Barr, apresentando ascos cilíndricos, pedicelo curto e ápice amilóide. Seus ascósporos possuem três células, sendo a mediana marrom e as das extremidades hialinas, sem apêndices. Trata-se, possivelmente, do teleomorfo do agente causal da doença.

Condições de umidade elevada e alta temperatura favorecem o desenvolvimento dos sintomas. Os conídios são produzidos em abundância nos acérvulos, podendo ser facilmente disseminados, principalmente pelo vento, insetos e respingos de chuva.



Controle - Como a pestalosiose, na maioria das vezes, está associada à antracnose, podem ser empregados os mesmos produtos químicos, o que possibilita o controle simultâneo das duas doenças.

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