Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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C. L. Salgado

O cafeeiro pode ser atacado por diferentes patógenos, tais como fungos, bactérias e nematóides. As doenças fúngicas, como a ferrugem, constituem o maior número e são consideradas as mais importantes. Além disso, em algumas áreas do país, certas espécies de nematóides causadores de galhas, pertencentes ao gênero Meloidogyne, vêm apresentando sérios danos à cultura.


MANCHA AUREOLADA - Pseudomonas syringae pv. garcae (Amaral, Teixeira & Pinheiro) Young, Dye & Wilkie

A mancha aureolada é uma doença bacteriana constatada pela primeira vez em 1955 na região de Garça, no Estado de São Paulo. Ocorre principalmente nas regiões mais frias, no Paraná, em São Paulo, no sul de Minas Gerais e no Mato Grosso do Sul, sem causar problemas nas demais regiões cafeeiras.



Sintomas - A doença incide sobre folhas, rosetas, frutos novos e ramos do cafeeiro, atingindo mudas no viveiro e plantas no campo. Nas folhas, a bactéria causa sintomas necróticos do tipo mancha, de coloração pardo-escura, com 0,5-2,0 cm de diâmetro e centro necrótico, circundada por um halo amarelado. As lesões distribuem-se por toda a superfície foliar, sendo mais freqüentes nas bordas das folhas, por onde a bactéria encontra maior facilidade de penetração, através de ferimentos causados por danos mecânicos. A mancha é constituída de tecido seco e quebradiço, que freqüentemente se dilacera e cai, deixando uma perfuração no seu lugar, que confere um contorno irregular à folha (Prancha 17.1). Com a coalescência dos halos amarelados, formam-se grandes áreas necrosadas, que resultam na queda prematura das folhas. A doença incide também sobre ramos, causando requeima, e sobre frutos novos na fase de chumbinho, causando necrose. As lavouras novas, com até 3-4 anos de idade, são mais atingidas, ocorrendo desfolha, seca de ponteiros, superbrotamento e retardamento no desenvolvimento das plantas. Em viveiros, as mudas atingidas sofrem desfolha e o ponteiro morre, chegando a causar a morte das plantas.

Etiologia - A bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae afeta, principalmente, folhas em desenvolvimento, motivo pelo qual os sintomas aparecem com maior freqüência em plantas jovens e em folhas novas de plantas adultas. A bactéria penetra por ferimentos causados por danos mecânicos através da agitação das folhas pelo vento, lesões causadas por insetos ou por outras doenças. A mancha aureolada ocorre em períodos frios, quando a queda de temperatura vem associada à chuva fina, sendo maior o ataque no período de julho a setembro. Em viveiros, ocorre no final do inverno e na primavera, quando tem início a retirada da cobertura das mudas, ficando estas muito sujeitas à variação de temperatura.

Controle - O controle da mancha aureolada deve iniciar na fase de viveiro, com a escolha do local de instalação, que deve estar protegido de ventos frios. Quando a doença se manifestar, recomenda-se duas aplicações de fungicidas cúpricos (0,3%) a cada duas semanas, associados ou não a antibióticos, como Distreptine 20 e Agrimicina 20, na concentração de 0,2%. Em caso de ataque severo nas mudas, recomenda-se efetuar a poda à altura do terceiro par de folhas, eliminando-se assim as pontas danificadas e os focos principais.

Nas condições de campo, o controle deve ser preventivo, através da instalação de quebra-ventos na fase de formação do cafezal e adotando-se pulverizações adicionais de fungicidas cúpricos quando ocorrer o aparecimento da bacteriose.


FERRUGEM DO CAFEEIRO - Hemileia vastatrix Berk. & Br.

Dois tipos de ferrugem podem incidir no cafeeiro. A ferrugem farinhosa, causada por Hemileia coffeicola Maubl. & Rogers, descoberta e classificada em 1932, é de menor importância, ocorrendo somente sobre Coffea arabica é restrita à África Central e Ocidental. Já a ferrugem alaranjada, descrita no Ceilão (Sri Lanka), em 1868, por Berkeley, tendo como agente causal o fungo Hemileia vastatrix Berk. & Br., tem sido o principal problema da cultura do café em todas regiões do mundo onde ele é cultivado. Nas Américas, foi relatada em 1902, na ilha de Porto Rico, em material proveniente da Ásia, O foco, porém, foi logo destruído pelos técnicos da vigilância sanitária. Em janeiro de 1970, foi constatada na Bahia, e ao contrário do que se esperava, espalhou-se rapidamente. Pouco tempo decorreu entre sua constatação na Bahia e a identificação do primeiro foco em São Paulo. Enquanto que em outros países a expansão da ferrugem deu-se lentamente, em nossas condições apenas dois anos foram suficientes para que as principais regiões cafeeiras do país fossem atingidas.

O agente causal da ferrugem do café, com suas 32 diferentes raças (as raças I, II, III e XV são as mais importantes), está hoje firmemente estabelecido em 12 países do hemisfério oeste: Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia, na América do Sul; Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala, na América Central; e México, na América do Norte.

Sintomas - A ferrugem do cafeeiro é uma doença foliar que, inicialmente, causa manchas cloróticas translúcidas com 1-3 mm de diâmetro, observadas na face inferior do limbo foliar. Em poucos dias, essas manchas crescem, atingindo 1-2cm de diâmetro. Na face inferior, desenvolvem-se massas pulverulentas de coloração amarelo-laranja, formadas por uredósporos do patógeno que, quando coalescem, podem cobrir grande extensão do limbo (Prancha 17.2). Na superfície superior da folha, aparecem áreas descoloridas, de tonalidade amarelada, que correspondem às regiões infectadas na face inferior.

Com o tempo, as lesões aumentam de tamanho, deixando no seu centro uma área necrótica, onde a esporulação diminui, com a produção de esporos de cor mais branca, de menor viabilidade, chegando eventualmente a cessar. A perda da cor amarelo­alaranjada, típica dos esporos, pode ser acelerada pela presença do hiperparasita Verticillium hemileiae Bour. Em estádios avançados de ataque, a maior parte da área afetada morre e a produção de esporos continua somente na beira da pústula.

Ocasionalmente, o fungo pode atacar a extremidade do ramo em desenvolvimento e frutos verdes. Na plantação, o sintoma mais notável é a desfolha das árvores, que pode provocar o retardamento do desenvolvimento de plantas jovens, ou sinais de deperecimento de plantas velhas, com comprometimento da produção. A desfolha ocorrida antes do florescimento interfere no desenvolvimento dos botões florais e na frutificação. Por outro lado, a perda das folhas durante o desenvolvimento dos frutos leva à formação de grãos anormais e frutos com lojas vazias, afetando sensivelmente a produção.

Etiologia - A doença é cansada pelo fungo Hemileia vastatrix, pertencente à família Pucciniaceae, ordem Uredinales, classe Basidiomycetes. As características que distinguem o gênero Hemileia dos demais gêneros que possuem teliósporos unicelulares da mesma família são: hábito de esporulação através de estômatos, esporos pedicelados e reunidos em feixes e uredósporos reniformes, equinados dorsalmente e lisos ventralmente.

H. vastatrix é um fungo biotrófico, que apresenta um ciclo de vida incompleto, pois até o momento as fases de pícnio e écio são desconhecidas. O fungo produz dois tipos de esporos morfologicamente diferentes e com função distinta. O primeiro, mais comum, é chamado uredósporos. Produzido em abundância na face inferior das folhas, pela germinação, produz micélio que, depois de se desenvolver nos tecidos da folha de cafeeiro, produz novos uredósporos. São unicelulares, formados na extremidade de pedicelos que atravessam o estômato, formando aglomerados de vários esporos; estes ficam comprimidos uns contra os outros, adquirindo forma variável, geralmente de secção triangular. Em condições normais, permanecem unidos por uma mucilagem e, em contato com a água, libertam-se com facilidade. O segundo tipo é o teliósporo, formado eventualmente em lesões velhas, geralmente 7 a 10 semanas depois de formados os primeiros uredósporos, em geral na parte central das lesões, em tecido necrosado. São unicelulares, de forma subglobosa, parede espessa e lisa, providos de uma saliência no ápice. Por germinação, produzem um pró-micélio de quatro células, uma das quais dará formação a um esporídio ou basidiósporo. Vários pesquisadores tentaram infectar o cafeeiro, e outras plantas, com basidiósporos, obtendo resultados negativos. Não foi ainda encontrado o possível hospedeiro intermediário com os estádios de pícnio e écio.

A fonte de inóculo é constituída pelas lesões em folhas infectadas onde são produzidos os uredósporos. Cada pústula produz ao redor de 150.000 uredósporos, que podem sobreviver sob condições secas por um período de seis semanas. O período de produção de uredósporos numa mesma lesão pode ser superior a três meses. Assim, uma lesão produzida numa estação vegetativa pode servir de fonte de inóculo para o início da estação vegetativa seguinte.

A disseminação ocorre pela ação do vento, pelas gotas de chuva, pelo escorrimento de água das margens do limbo para a superfície inferior, pelo homem, durante a execução de tratos culturais, e por insetos e outros animais que entrem em contato com plantas infectadas. A água é o mais eficiente agente de disseminação local. Uma gota, caindo numa lesão, liberta imediatamente os esporos, inclusive desmanchando os aglomerados. Os esporos são levados por meio de respingos para diferentes direções, às vezes até 30 centímetros acima da lesão. A disseminação a longa distância é feita principalmente pelo homem e pelo vento. Observações realizadas no Brasil valorizam a importância do vento, considerado como o provável introdutor da ferrugem no país. Outro fator que ilustra a importância do vento na disseminação a longas distâncias foi a rápida disseminação da ferrugem a partir da Bahia até o Paraná e, a partir daí, para o Paraguai e a Argentina.

Após disseminados, os uredósporos que caírem na face inferior das folhas germinarão em um período de 3 a 6 horas em condições de muita umidade ou água livre e temperatura entre 21 e 250C, na ausência de luz. A germinação pode começar em um ou vários poros germinativos simultaneamente, mas geralmente só um tubo germinativo segue o processo de infecção. Os tubos germinativos ramificam-se e formam apressórios próximos ao estômato. Em seguida, a hifa de infecção penetra na cavidade subestomatal e o processo de colonização intracelular tem início com os haustórios, que são os órgãos de nutrição do patógeno. Dentro do período de incubação, o micélio do fungo segue crescendo nos espaços intercelulares, dentro da folha, sem que se manifestem sintomas visíveis. O poder germinativo dos uredósporos é variável. Uredósporos nas lesões sobre as folhas podem ter normalmente um poder germinativo de 30 a 50% e, nessas condições, podem permanecer viáveis durante tempo variável, até 3 meses em período seco. Entretanto, uma vez retirados das lesões, perdem rapidamente seu poder germinativo, que pode cair a 5%, depois de 5 dias, e a 1%, depois de 20 dias. As fases de germinação e penetração são demoradas, podendo prolongar-se por dois a três dias, na dependência das condições de ambiente.

Os sintomas iniciais surgem 7 a 15 dias após a penetração, variando em função da temperatura, suscetibilidade da planta e idade do órgão afetado. A esporulação na face inferior da folhas inicia-se uma semana mais tarde. Precedendo a esporulação, há formação de um aglomerado de hifas na câmara subestomática, seguindo-se a produção de vários pedicelos que saem pelos estômatos. Nas extremidades desses pedicelos são formados os uredósporos, que permanecem aglomerados.

A duração do ciclo de H. vastatrix no cafeeiro é extremamente importante e determina a importância econômica da doença numa determinada região. Assim, naqueles locais onde as condições predisponentes são desfavoráveis à doença, o ciclo é longo, superior a 30 dias. Em outros locais, onde o ambiente favorece a doença, os ciclos são curtos, com 20 ou menos dias de duração. Nas regiões cafeeiras do Estado de São Paulo predominam ciclos médios, com duração entre 25-30 dias, conforme a região e época do ano.

Folhas em qualquer fase de desenvolvimento são suscetíveis ao fungo. A penetração e colonização, entretanto, são mais rápidas e mais freqüentes em folhas jovens. Em folhas já completamente desenvolvidas, a colonização é dificultada pelas características dos tecidos do limbo foliar.

O desenvolvimento da doença no campo está intimamente relacionado à ocorrência de chuvas. Em quase todos os locais onde a doença ocorre, sua incidência cresce do início para o fim das chuvas, atingindo o máximo no fim da estação. Durante a estação seca, acentuada queda de folhas reduz a incidência da doença.



Controle - O controle da doença através do emprego de variedades resistentes é, teoricamente, o mais eficiente e econômico. Muitas linhagens de cafeeiro com resistência à ferrugem foram pesquisadas no Brasil, principalmente a partir da década de 70. Inicialmente, foram liberados materiais com fatores simples, em mistura, como o Iarana. Depois foram introduzidos e testados os híbridos conhecidos como Catimores ou Sarchimores, os quais, apesar da boa resistência e produtividade, não foram aprovados devido a seu baixo vigor.

A produção de variedades resistentes foi também alcançada por meio de hibridação interespecífica (C. robusta x C. arabica), tendo como exemplo o material Icatu, que tem apresentado boas características de resistência (inclusive do tipo horizontal) e vigor elevado, embora ainda com alguns problemas de porte e crescimento lateral exagerados, de desuniformidade na produção, de tamanho e formato de sementes inadequados. Atualmente, materiais como o Catucaí, resultante do cruzamento natural entre Catuaí e Icatu, e o Catimor, resultante do cruzamento entre o Caturra Vermelho e o híbrido de Timor, têm apresentado boa resistência à ferrugem.

Apesar de não serem ainda recomendados em escala comercial, os materiais com resistência estão sendo melhorados, visando atender a outras características desejáveis, como produtividade, vigor, uniformidade entre plantas, etc., e materiais já recomendados, como o Icatú Vermelho e o Icatú Amarelo, encontram-se em fase de multiplicação de sementes. Essas variedades dispensam a utilização de fungicidas para o controle da ferrugem, reduzindo o custo de produção em até cinco sacas de café beneficiado por hectare.

O controle químico da ferrugem foi desenvolvido a partir de tratamentos via pulverização na folhagem, inicialmente com fungicidas protetores, sendo tradicionais os cúpricos, para os quais são necessárias 3-4 aplicações por ciclo e, mais recentemente, através de produtos com efeito curativo-protetor, onde se destacam os produtos do grupo dos triazóis, com 1-2 aplicações por ciclo. A aplicação de triazóis via solo, em formulações mistas contendo inseticida para controle simultâneo do bicho mineiro, tem se mostrado eficiente, sendo recomendada uma única aplicação no ciclo. Um fator muito importante, que deve ser considerado no controle, é a carga pendente na produção da lavoura. Quanto maior, maior sua suscetibilidade à ferrugem, exigindo maior cuidado no controle.

A ferrugem evolui normalmente no período de novembro a abril, quando coincidem condições favoráveis, como a presença de chuva, temperaturas mais alta maior enfolhamento, presença de inóculo e maior suscetibilidade do cafeeiro, devido à presença de carga. De outubro a dezembro ocorre a passagem do inóculo resíduo das folhas velhas, do ano anterior, para as folhas novas, dando-se o início de aparecimento de lesões novas. Nesse período, a evolução é lenta, com pequeno número de pústulas nas folhas. De janeiro a março, a doença cresce em progressão geométrico e, a partir de abril - maio, a infecção aumenta muito, atingindo o máximo nos meses junho a agosto, após o qual sobrevém a desfolha. Os meses de janeiro a março/abril são, portanto, os meses críticos e mais importantes para o controle, quando pulverizações tornam-se essenciais.

Recomenda-se o controle preventivo, com produtos à base de cobre, podendo ser usados: calda bordalesa na base de 1% ou 2% em volume de 300 a 400 litros/ha ou produtos comerciais contendo sulfato básico de cobre, óxido cuproso, oxicloreto de cobre, hidróxido de cobre, cobre coloidal e outras formas de cobre orgânico. Os fungicidas cúpricos são eficientes nas doses de 1 a 2 kg de cobre metálico por hectare, por aplicação, correspondendo a 2 a 4 kg/ha dos produtos com 50% de cobre para as lavouras adultas (acima de três a quatro anos). O início das aplicações deve ser feito em dezembro ou início de janeiro, com o término em março ou início de abril, com intervalo de 30 a 45 dias entre aplicações.

A aplicação de fungicidas sistêmicos, como triadimefon, triadimenol e propiconazole, tem-se mostrado altamente eficiente no controle da ferrugem em aplicações foliares, na razão de 250 g de ingrediente ativo (i.a.) por hectare/aplicação, ou 1 litro ou 1 kg do produto a 25%. No que se refere a tratamentos via solo ou tronco, a dose de ingrediente ativo, no caso de triadimenol e triadimefon, deve estar na faixa de 375 a 500 g por hectare. O sistêmico poderá ser empregado quando o controle da doença não puder ser feito de maneira preventiva com cúpricos, devido, por exemplo, à ocorrência freqüente de períodos chuvosos, resultando em alto índice de doença nas plantas. O controle deve ter início com base na incidência da doença. Quando cerca de 20% das folhas apresentarem sintomas, o que normalmente ocorre em fevereiro -março, deve ser feita a primeira pulverização de fungicida sistêmico e, 30 a 45 dias após, uma segunda, esta somente se necessário (antes do final de abril). Em lavouras de carga baixa, usualmente, uma só aplicação é suficiente. Para ampliar a ação do sistêmico, pode-se também misturá-lo com um fungicida cúprico, o que reforça ainda mais o efeito de uma única aplicação.
CERCOSPORIOSE OU OLHO PARDO - Cercospora coffeicola Berk. & Cke.

A cercosporiose, também conhecida como olho pardo, mancha circular, mancha parda ou olho de pombo, é uma das doenças mais antigas nas Américas, tendo sido relatada no Brasil em 1887. Atualmente está presente de forma endêmica em quase todas regiões que apresentem condições favoráveis (solos pobres), constituindo-se numa doença de importância econômica, causando desfolha e reduzindo a produção, além dos prejuízos na depreciação da qualidade do café. Em condições de viveiro, causa desfolha intensa, provocando atraso no desenvolvimento e raquitismo das plantas.



Sintomas - Os sintomas nas folhas manifestam-se como manchas de configuração mais ou menos circular, com 0,5-1,5 cm de diâmetro, de coloração pardo-clara ou marrom-escura, com centro branco-acinzentado, envolvidas por anel arroxeado, dando a idéia de um olho (Prancha 17.3). No centro das lesões, em estádio mais avançado, geralmente são observadas pequenas pontuações pretas, que constituem as estruturas de frutificação do fungo. As folhas atacadas caem rapidamente, ocorrendo desfolha e seca dos ramos. A desfolha é causada pela grande produção de etileno no processo de necrose, bastando uma lesão por folha para causar sua queda.

Nos frutos, as lesões começam a aparecer quando estes estão ainda pequenos, aumentando o ataque no início da granação. As lesões permanecem até o amadurecimento dos frutos. Seu aparecimento ocorre principalmente nas partes mais expostas à insolação, na forma de pequenas manchas castanhas, deprimidas, que se alongam no sentido das extremidades. À medida que as manchas envelhecem, assumem um aspecto ressecado e escuro, fazendo com que a casca, nessa parte, fique aderente à semente, o que, em ataques mais severos, causa seu chochamento.



Etiologia - O agente etiológico da doença é o fungo Cercospora coffeicola, pertencente à família Dematiaceae, ordem Moniliales, classe Deuteromycetes. A doença é atribuída também ao fungo Cercospora coffea Zim., que apresenta algumas características morfológicas diferentes do primeiro. Alguns autores, porém, não consideram estas diferenças suficientes para caracterização da espécie.

Esporodóquios escuros do fungo são formados no centro das lesões, onde os conidióforos septados e cilíndricos são agrupados em fascículos mais ou menos compactos. O fungo produz conídios hialinos, multiseptados, com 100-270 m de comprimento por 3-4 m de diâmetro, afilando-se para a extremidade distal.

As condições favoráveis para a esporulação são umidade relativa alta e temperatura amena. A disseminação é promovida por vento, água ou insetos. Após atingir o cafeeiro, na presença de umidade suficiente, os conídios germinam e o tubo germinativo penetra diretamente através da cutícula ou por aberturas naturais. Quando ocorre infecção de frutos, o patógeno pode atingir as sementes e ser transmitido por meio das mesmas.

Condições de baixas temperaturas, alta umidade relativa, encharcamento do solo, ventos frios e insolação intensa, além de precário estado nutricional, predispõem as mudas ao aparecimento e maior intensidade da doença. Plantas com deficiências nutricionais, especialmente de nitrogênio, são mais atacadas pelo patógeno.



Controle - Deve-se iniciar o controle da doença com cuidados na formação das mudas, procurando-se evitar condições favoráveis à doença através de práticas culturais, como formação de viveiros em local bem drenado e arejado, utilização de substratos balanceados em nutrientes, com boas propriedades físicas, controle da irrigação e do excesso de insolação nas mudas.

Para o controle químico, deve-se fazer, quinzenalmente, aplicações preventivas de fungicidas cúpricos alternados com ditiocarbamatos, na concentração de 0,3%, gastando em média 10 litros de calda fungicida para 20.000 mudas. As pulverizações devem ser iniciadas a partir do primeiro ou segundo par de folhas, fazendo-se, no máximo, duas a três aplicações com cúpricos, para evitar toxidez ao sistema radicular das plantas. Em viveiros já atacados, pode-se utilizar fungicidas sistêmicos como benomyl, propiconazole ou similares a 0,1%.

Nos plantios novos, havendo períodos de seca, é recomendável efetuar pulverizações com uma mistura de fungicidas e nutrientes. Nesse caso, pode-se empregar fungicidas cúpricos a 0,5% ou benomyl a 0,1 % com uréia a 1 % ou, ainda, outro adubo foliar completo.

Nos cafezais de segundo e terceiro anos, se a doença for grave, recomenda-se adotar programas de pulverizações preventivas, usando-se fungicidas cúpricos, que coincidem em termos de produto e época com o controle simultâneo da ferrugem. O período de maior incidência de cercosporiose no campo vai de janeiro a abril, devendo-se iniciar o controle em dezembro-janeiro, no começo da granação dos frutos, com duas aplicações até março. Os fungicidas sistêmicos do grupo dos triazóis, eficientes no controle da ferrugem, têm também apresentado boa eficiência no controle de cercosporiose, quando utilizados em pulverizações.


RHIZOCTONIOSE - Thanatephorus cucumeris (Frank) Donk (Rhizoctonia solani Kühn)

A rhizoctoniose, também conhecida como podridão de colo, tombamento e mal do colo, assume uma grande importância econômica em viveiros e sementeiras, reduzindo o número e o vigor das mudas. No campo, em local de plantio definitivo, pode afetar mudas até um ano após o plantio, atrasando o desenvolvimento normal das plantas.



Sintomas - O ataque, quando em pré-emergência, causa a morte da plântula antes desta atingir a superfície do solo. No canteiro, observam-se falhas, em reboleiras, evidenciando o desenvolvimento anormal da germinação. Em pós-emergência, os principais sintomas aparecem na região do caule, próximo ao solo, onde são formadas lesões com 1 a 3 cm de extensão, que circundam o caule, promovendo um estrangulamento e paralisação da circulação de seiva, ocasionando a murcha e posterior morte da muda. Em condições de alta umidade, pode-se observar um bolor cinzento sobre a lesão, formado pelo micélio do fungo. A partir do aparecimento do segundo par de folhas, o caule torna-se lenhoso, sendo menos suscetível à infecção.

O ataque pode ocorrer também em mudas no campo, principalmente em mudas nas quais as lesões haviam regredido no viveiro. Nessas mudas, durante a estação das chuvas, a lesão volta a se desenvolver, abrangendo uma extensão de 5 a 10cm, afetando a casca, formando uma cicatriz na parte superior, como um calo, o que leva a muda a quebrar-se facilmente sob a ação do vento. Essas mudas podem apresentar sintomas reflexos na parte aérea, com seca dos ponteiros, ramos e folhas e, até mesmo, morte da planta até a idade de 2 a 3 anos.



Etiologia - A rhizoctoniose é causada pelo deuteromiceto Rhizoctonia solani, que tem como estádio perfeito o basidiomiceto Thanatephorus cucumeris. E um habitante do solo, com grande capacidade saprofítica, podendo sobreviver durante longos períodos em restos de cultura ou de um ano para outro na forma de escleródios.

O aparecimento da doença é favorecido por solos infestados, pela reutilização de sementeiras, pelo excesso de umidade (chuvas contínuas, irrigação excessiva ou local mal drenado) e pelo excesso de sombra no viveiro. No campo, o ataque é severo durante a primavera e verão, devido à abundância de chuvas e às altas temperaturas.



Controle - Como medidas auxiliares de controle deve-se eliminar as condições favoráveis à doença, evitando excesso de umidade e sombra nas sementeiras, desinfestando-se substratos e os leitos de areia, previamente, com brometo de metila a 150 cc/m3 e esperando uma semana para utilizá-los.

Quando aparecerem problemas de tombamento, deve-se imediatamente suspender a irrigação, isolar as reboleiras e, no caso de sementeiras, eliminar toda a área afetada. Deve-se iniciar as pulverizações nas reboleiras e, se necessário, em todos os canteiros, com fungicidas dicarboximidas repetindo-se as pulverizações após quinze dias. Os tratamentos normais, com fungicidas cúpricos e ditiocarbamatos, usados contra a cercosporiose, também ajudam no controle desta doença.


MAL-DE-QUATRO-ANOS - Rosellinia spp. (Dematophora sp.)

O mal-de-quatro-anos, também conhecido como roseliniose, podridão de raízes e mal de Araraquara, ocorre geralmente em cafezais novos, com 3 a 4 anos de idade, plantados em terras recém-desbravadas, aparecendo em reboleiras de plantas que morrem a partir do centro, onde existem troncos de árvores em decomposição e restos de mata antiga.



Sintomas - O nome mal-de-quatro-anos relaciona-se com a origem do patógeno, que se instala primeiramente nos tocos de árvores em decomposição e, a partir desses, propaga-se para o cafeeiro. Esse processo demanda um período longo (3 a 4 anos). Contudo, a doença pode ocorrer, mesmo em cafeeiros novos, com um ano ou mais, desde que tocos ou pequenas raízes tenham permanecido há mais tempo, sob o solo, na área de plantio.

As plantas atacadas começam a mostrar sintomas secundários de deficiências nutricionais na parte aérea, como amarelecimento, murcha, queda das folhas e morte dos ramos. Sintomas semelhantes podem ser originados por outras causas parasitárias ou fisiológicas. A diagnose segura da doença requer o exame do sistema radicular.

Os sintomas primários caracterizam-se pelo enegrecimento das raízes, que ficam com a casca bem solta. Retirada a casca, pode-se observar, sobre o lenho da raiz principal, filamentos ou cordões esbranquiçados ramificados até o colo da planta - os rizomorfos - que, posteriormente, tornam-se escuros, apresentando uma série de nós ao longo de suas ramificações. Em alguns pontos do lenho, o fungo chega a penetrar, formando pontuações (cortes transversais) ou linhas negras (cortes longitudinais).

Etiologia - O mal-de-quatro-anos é causado por fungos do gênero Rosellinia, ocorrendo em nossas condições às espécies R. bunodes (Berk. & Br.) Sacc. e R. pepo Pat., que são fungos da classe Ascomycetes, ordem Sphaeriales e da família Xylariaceae. A fase imperfeita é constituída pelo gênero Dematophora. Rosellinia ainda se caracteriza pela produção de rizomorfos e de cordões rizomórficos na superfície dos órgãos atacados.

Rosellinia spp. constitui parte da flora natural da mata, vivendo em raízes, troncos, paus podres e resíduos vegetais, em ambiente sombrio e úmido. Em condições favoráveis, o fungo estende seus rizomorfos no solo, até alcançar raízes de cafeeiro plantados em terras recém-desbravadas. A penetração dos rizomorfos ocorre geralmente na região do colo ou nas raízes localizadas próximas à superfície do solo, através de ferimentos provocados por capinas mal executadas. Os rizomorfos desenvolvem-se sobre e sob a casca, suas ramificações negras invadem o lenho, onde emitem ramificações secundárias em diferentes sentidos que penetram no interior das células. Desta distribuição, resulta a destruição dos tecidos de proteção e dos vasos condutores, aparecendo os sintomas na parte aérea e conduzindo a planta à morte. Após a morte das raízes, podem aparecer frutificações assexuadas (conídios) e sexuadas (peritécios escuros), sucessivamente. Na base dos peritécios são formados ascos em feixes, com ascósporos lisos, de cor preta.

Temperaturas altas, precipitação elevada e pouca insolação favorecem o desenvolvimento do fungo. O longo período de tempo necessário para o aparecimento dos sintomas decorre da somatória do tempo gasto pelo fungo para se desenvolver no foco original (troncos, raízes, paus podres), para as raízes das plantas de cafeeiro crescerem na área infestada e para o fungo matar a planta após a infecção. Desta forma, relativamente poucos cafeeiros são perdidos nos primeiros 3 a 4 anos.



Controle - Para o controle da roseliniose, deve-se adotar práticas que resultem na eliminação dos focos, ou seja, dos materiais orgânicos a partir dos quais a doença se propaga. Desta forma, é aconselhável remover tocos e raízes de árvores e eliminar cafeeiros mortos e doentes na reboleira. As plantas infectadas devem ser arrancadas e suas raízes devem ser queimadas nas próprias covas, a área pode ser isolada através de valas de 50-60 cm para evitar contato de raízes infectadas com sadias, impedindo a distribuição de rizomorfos fúngicas.

Nas covas das plantas eliminadas e na circunvizinhança, deve-se fazer a calagem com 700 g de cal virgem por cova ou 2 kg de calcário por cova, visando apressar a decomposição da matéria orgânica e neutralizar a acidez do solo, produzindo condições menos apropriadas ao desenvolvimento do patógeno.

Três a quatro meses após a eliminação das plantas atacadas, pode-se fazer o replantio no local, utilizando-se boa adubação para favorecer o desenvolvimento da muda.

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