Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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R. S. B. Coelho, G. Pio-Ribeiro &


R. L. R. Mariano
A batata-doce é uma planta pertencente à família Convolvulaceae, originária da América tropical de onde foi levada para a Europa pelos portugueses e espanhóis, difundindo-se depois para os demais continentes. E cultivada em países das zonas tropicais e subtropicais, predominantemente como uma cultura de subsistência. Trata-se de urna espécie com alta diversidade genética, capaz de atender à demanda para diferentes aplicações (alimentação humana e animal e matéria-prima para a indústria) e dotada de grande rusticidade, desenvolvendo-se bem em diferentes condições de clima e solo.
MOSQUEADO DA BATATA-DOCE – “Sweet potato feathery mottle virus” - SPFMV

Observações de campo e análises clínicas têm demonstrado a presença, muitas vezes de forma endêmica, de uma ou mais viroses em praticamente todas as áreas produtoras de batata-doce do inundo. No Brasil, o primeiro relato de um vírus nesta cultura foi feito em 1973, havendo atualmente registros nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal. O mosqueado é a virose mais comumente encontrada em batata-doce, sendo a única que ocorre de forma generalizada no Brasil. Seu agente etiológico possui várias estirpes, as quais foram referidas na literatura como diferentes vírus. Devido à ampla distribuição geográfica do SPFMV, formam-se, com freqüência, diversos complexos virais, resultando em sintomas bastante severos. A importância econômica do mosqueado em determinada área de produção depende do inóculo primário, do comportamento do cultivar e da estirpe viral envolvida, além da abundância de vetores.



Sintomas - O quadro sintomático desta virose em batata-doce é bastante variado, podendo apresentar desde um mosaico severo acompanhado de distorções foliares em plantas jovens (Prancha 15. 1) até a ausência completa de sintomas, dependendo do genótipo e grau de estresse a que as plantas estiverem submetidas. No entanto, na maioria dos casos, são observadas, em folhas mais velhas, áreas cloróticas irregulares ao longo das nervuras e manchas cloróticas mais ou menos nítidas, apresentando ou não bordos arroxeados, conforme o genótipo, nos espaços internervais.

Sintomas nas raízes são observados em diversos casos. A estirpe “russet crack” (SPFMV- RC), que em muitos cultivares induz apenas sintomas foliares, em genótipos mais sensíveis provoca lesões necróticas anulares na superfície radicular; áreas necrosadas internas, atribuídas à ação da estirpe “interna! cork”, têm sido encontradas em raízes de determinados cultivares, apresentando-se mais numerosas e extensas em condições de armazenamento prolongado acima de 250C.

Exame ao microscópio eletrônico de secções ultra-finas permite observar inclusões cilíndricas citoplasmáticas com configurações de cata-vento, típicas de potyvirus.

Etiologia - O agente do mosqueado da batata-doce é conhecido internacionalmente como “sweet potato feathery mottle virus” e referido pela sigla SPFMV. Pertence ao gênero Potyvirus, família Potyviridae. Existem diversos registros na literatura de vírus da batata-doce, atualmente considerados estirpes deste vírus. Entre as sinonímias encontram-se o russet crack virus”, “sweet potato virus A”, “sweet potato chlorotic leaf spot virus”, “sweet potato ringspot virus” e “internal cork virus”. O SPFMV possui as seguintes características: genoma monopartido, com uma molécula de RNA de fita simples de 3,6 megadaltons; partículas virais não envelopadas, alongadas e flexuosas; parasita apenas de plantas superiores, sendo a gama de hospedeiras restrita a espécies da família Convolvulaceae, das quais I. setosa Ker é utilizada como planta indicadora. Nicotiana benthamiana Domin. é a hospedeira experimental para alguns isolados. Experimentalmente, o SPFMV é transmitido com dificuldade por inoculação mecânica, sendo a enxertia o método preferido quando se deseja obter maior quantidade de material infectado. Várias espécies de pulgão transmitem eficientemente este vírus, as quais devem desempenhar papel importante no processo epidemiológico da doença, como tem sido demonstrado em trabalhos de avaliação de taxa de reinfecção de plantas livres de vírus, em condições de campo.

Controle - Sendo a batata-doce uma cultura propagada vegetativamente, o controle do mosqueado, como também de qualquer outra virose sistêmica, baseia-se prioritariamente no uso de material livre de vírus. Outras medidas complementares que têm dado bons resultados incluem a redução do inóculo primário, pela erradicação de plantas remanescentes de cultivos anteriores e de convolvuláceas silvestres, e o plantio a uma distância de pelo menos 100 m de áreas que possam apresentar plantas doentes. Estas práticas são capazes de reduzir a taxa de infecção, especialmente onde ocorre uma baixa população de pulgões.

Devido aos custos de produção de plantas livres de vírus, através de processos de termoterapia e cultura de meristema, serem muito elevados para uso em larga escala, estas técnicas têm sido usadas, prioritariamente, para limpeza clonal de materiais de coleções de germoplasma, destinados a intercâmbio entre instituições e fornecimento de matrizes a agricultores.


PODRIDÃO BACTERIANA DO CAULE E DA RAIZ - Erwinia chrysanthemi Burkholder, McFadden & Dimock.

Também conhecida como podridão mole, esta doença foi inicialmente constatada na Georgia, Estados Unidos, em 1974, tendo sido relatada no Brasil em 1992, em Lavras, Minas Gerais.



Sintomas - Inicialmente, surgem no caule e pecíolos, lesões encharcadas, escuras, necróticas, que se assemelham aos sintomas de murcha de Fusarium, doença à qual pode estar associada. Às vezes, ocorre colapso do caule e murcha das extremidades das ramas com morte de uma a duas ramificações ou, ocasionalmente, da planta inteira.

As raízes tuberosas apresentam podridão mole, com lesões de cor marrom-clara, aquosas, com margem escura. Algumas raízes não têm sintomas externos mas apresentam, internamente, podridão ou estrias escuras no sistema vascular. A batata-semente muitas vezes apodrece internamente, restando apenas as fibras e a casca, o que freqüentemente induz o solo do leirão a afundar, criando uma depressão no local.



Etiologia - A doença é causada pela bactéria Erwinia chrysanthemi, bastonete gram-negativo, fermentativa, largamente encontrada em climas quentes. Segundo a maioria dos autores, apenas esta Erwinia, dentre as do grupo que causa podridão mole, é capaz de infectar raízes de batata-doce. A bactéria penetra primordialmente através de ferimentos após sobreviver no solo em restos de cultura, plantas invasoras ou, provavelmente, na rizosfera de plantas. Batatas-sementes, mudas e ramas sem sintomas podem abrigar populações latentes de E. chrysanthemi. A disseminação é feita através de água de chuva ou irrigação, ferramentas contaminadas e água de tratamento em tanques, dentre outros. Temperaturas favoráveis para o desenvolvimento da doença são 300C ou mais, havendo a ocorrência de infecção latente a temperaturas de 270C ou menos.

Controle - Como medidas de controle são recomendados: evitar ferimentos nas batatas, plantio de batatas sadias, usar para plantio apenas ramas cortadas acima do nível do solo, evitar a imersão das batatas em tanques e, se necessário, utilizar hipoclorito de sódio na água de tratamento. O local do armazenamento deve ser ventilado e, se possível, mantido a baixas temperatura e umidade relativa. Nos Estados Unidos, os cultivares “Centennial” e “Porto Rico” são menos suscetíveis e raramente apresentam a doença em condições de campo.
SUPERBROTAMENTO - Fitoplasma

Também chamada de vassoura-de-bruxa, folha pequena e ishuku-hyo (nanismo), esta doença é causada por um fitoplasma e tem larga distribuição geográfica, ocorrendo inclusive no Brasil.



Sintomas - Os sintomas iniciam-se com clareamento de nervuras e produção de folhas novas pequenas, cloróticas e eretas. Segue-se a proliferação de brotações axilares, dando o aspecto de superbrotamento. As plantas infectadas apresentam nanismo. Folhas individuais enrolam-se perto das margens, onde apresentam amarelecimento e tendem a ter bordos mais lisos. Ocorre ausência de látex nas raízes e caules. Plantas infectadas podem não sobreviver ou ter a produção muito reduzida, principalmente quando a infecção ocorre em estádios iniciais da cultura. A doença tem um período de incubação de 50 a 190 dias, após transmissão por enxertia. A espécie Ipomoea ericolor pode ser utilizada como indicadora por ter um período de incubação de 35 a 50 dias.

Etiologia - O superbrotamento da batata-doce é causado por fitoplasma. Estes procariotos colonizam os vasos crivados do floema, sendo visualizados através de microscopia eletrônica. Anteriormente conhecidos como organismos tipo micoplasmas (OTMs) ou “mycoplasmalike organisms” (MLOs), estes fitopatógenos são agora denominados comumente fitoplasmas e pertencem à classe Mollicutes. Entre os binômios latinos propostos para o novo gênero Phytoplasma, ainda não existe um específico para o fitoplasma da batata-doce. A identificação do patógeno pode ser feita pelo uso de sondas de DNA e anticorpos monoclonais. As cigarrinhas Orosius lotophagorum ryukyuensis, O. argentatus e Nesophrosyne ryukyuensis, juntamente com material propagativo infectado, são responsáveis pela disseminação do patógeno. Estas cigarrinhas têm populações particularmente altas em estações secas, o que favorece a disseminação do patógeno.

Controle - Tanto a termoterapia (manutenção de plantas a 38-390C por até 60 dias) como a quimioterapia (oxitetraciclina) causam remissão dos sintomas durante 1 a 2 anos, respectivamente. Outras medidas de controle recomendadas são: uso de material propagativo comprovadamente sadio, remoção e destruição de plantas doentes e de Ipomoea spp. selvagens. O controle da cigarrinha pode ser tentado em circunstâncias especiais, podendo ser de grande valor na manutenção de material de plantio sadio. As poucas variedades resistentes não têm sido largamente aceitas.
MAL-DO-PÉ - Plenodomus destruens Harter

A doença mal-do-pé tem-se destacado nos últimos anos em diversos países. No Brasil, ocorre em vários Estados, sendo considerada a doença mais importante da cultura da batata-doce em razão dos prejuízos causados na formação de mudas, produção de raízes tuberosas e no armazenamento.



Sintomas - Os sintomas nas mudas e plantas no campo caracterizam-se por lesões marrons na região do colo, próxima à linha do solo, amarelecimento e murcha das folhas da base. Em infecções severas ocorre destruição do sistema radicular, impedindo a formação de raízes tuberosas. Nas regiões do caule afetadas, verifica-se o surgimento de inúmeras pontiações escuras, correspondentes a estruturas de reprodução do patógeno (picnídios). As lesões na haste podem se desenvolver abaixo do nível do solo e o fungo peneirar na raiz tuberosa, causando, na extremidade proximal, uma podridão seca e escura de desenvolvimento lento. Este sintoma tende a evoluir durante o armazenamento, danificando parcialmente as raízes tuberosas e tornando-as imprestáveis para utilização na produção de mudas.

Etiologia - O mal-do-pé tem como agente etiológico o fungo Plenodomus destruens, da classe dos Deuteromycetes, ordem Sphaeropsidales, família Sphaeropsidaceae, tendo como características morfológicas picnídios escuros, produzidos de forma isolada ou agrupada, com rostro alongado. Os conídios são unicelulares, oblongos, medindo 6-10 x 3-4 m. Ocasionalmente, pode produzir clamidósporos pigmentados isolados ou agregados. A fase teleomórfica não foi ainda descrita para Plenodomus. A diferenciação deste gênero em relação a Phoma e Phomopsis é feita com base na forma e número de paredes do picnídio. A disseminação de P. destruens é feita através de ramas e raízes tuberosas infectadas, ventos acompanhados de chuva, insetos e outras formas de disseminação passiva indireta. A sobrevivência do patógeno ocorre em restos de cultura e raízes infectadas durante o período do armazenamento. A adubação orgânica, promovida pelo esterco de gado, composto de lixo e, principalmente, cama de frango, pode acentuar a severidade da doença. Nas infecções do caule, o período entre inoculação e expressão dos sintomas varia entre 30 e 35 dias. O fungo P destruens tem sido relatado como patogênico somente a espécies da família Convolvulaceae.
Controle - Os principais métodos de controle desta doença relacionam-se com a utilização de ramas provenientes de raízes tuberosas sadias, cortadas 10 cm acima do solo, uso de cultivares resistentes (“Princesa”) e rotação de culturas por 2-3 anos, face à sobrevivência limitada do patógeno no solo. Além destas medidas, recomenda-se tratar as extremidades das ramas com fungicida do grupo dos thiabendazoles e evitar adubação orgânica em campos onde se verifica incidência da doença.
FERRUGEM BRANCA - Albugo ipomoeae-panduranae (Schw.) Swingle

A ferrugem branca é amplamente distribuída nos países produtores de batata-doce, tendo maior importância econômica nas regiões tropicais. O plantio de cultivares suscetíveis em condições favoráveis à doença tem ocasionado prejuízos significativos na produção de raízes tuberosas.



Sintomas - Observam-se, inicialmente, lesões cloróticas na face superior da folha, as quais evoluem formando pústulas esbranquiçadas visíveis na superfície inferior. As pústulas são recobertas por uma massa branca pulverulenta, formada de esporângios do patógeno. Áreas necrosadas, de cor marrom-avermelhada, desenvolvem-se em torno das pústulas. Em cultivares suscetíveis ocorrem lesões semelhantes nos pecíolos e ramos jovens. Tendo em vista que o fungo provoca hipertrofia e hiperplasia de células dos tecidos parasitados, freqüentemente observam-se deformações nas folhas e ramos (Prancha 15.2).

Etiologia - A ferrugem branca é causada pelo fungo Albugo ipomoeae-­panduranae, da classe dos Oomycetes, ordem Peronosporales, família Albuginaceae, caracterizado pela formação de esporângios em cadeia, que podem germinar diretamente ou produzir zoósporos biflagelados. Nos tecidos infectados, produz hifas intercelulares com haustórios na forma de vesículas globosas. A disseminação ocorre, principalmente, por ventos e chuvas, ramas infectadas e insetos. Temperaturas na faixa de 23-250C e umidade relativa em torno de 85% favorecem a ocorrência da doença. A germinação do esporângio e penetração do fungo ocorrem de forma mais efetiva durante noites frias. Diversas espécies do gênero Ipomoea podem ser infectadas por A. ipomoeae-panduranae.

Controle - O método de controle mais eficiente é a utilização de variedades resistentes. Trabalhos relacionados com a identificação de fontes de resistência têm demonstrado que a maioria dos cultivares apresenta reação de resistência (“Dahomey”, “Lilás”, “Talo roxo”, “Rainha branca”, “Angico”, “Julian”). O plantio de ramas sadias obtidas em viveiros também tem sido indicado para o controle da ferrugem branca.
MURCHA DE FUSARIUM - Fusa riam oxysporum Schlecht. f. sp. batatas (Wollenw.) Snyder & Hansen

A murcha de Fusarium, também denominada podridão das hastes, é considerada uma das mais sérias doenças da batata-doce nos Estados Unidos, ocorrendo também na China, Índia, Japão, Nova Zelândia e Argentina. No Brasil, foi descrita pela primeira vez no Rio de Janeiro, em 1982, e devido ao plantio de cultivares suscetíveis tem sido assinalada em outras regiões de produção no país.



Sintomas - No campo, a doença ocorre sob a forma de reboleiras, apresentando inicialmente amarelecimento das folhas inferiores, murcha e queda de folhas. Em infecções severas pode ocorrer a morte da planta. No caule e ramas afetadas verifica-se descoloração da região vascular e ruptura do tecido da casca, onde são produzidas massas alaranjadas de conídios do fungo. Em plantas infectadas, as raízes tuberosas podem apresentar escurecimento da região vascular. Quando utilizadas para plantio e produção de mudas, estas raízes ou não germinam ou produzem ramas infectadas que irão exibir a doença no campo.

Etiologia - O agente desta doença é o fungo Fusarium oxysporum f. sp. batatas, caracterizado pela formação de macroconídios (3-4 x 25-45 m) e microconídios (2-3,5 x 5-12 m) hialinos, sobre fiálides em esporodóquio. Produz clamidósporos a partir de hifas do micélio ou células do macroconídios. Sobrevive no solo por vários anos como saprófita ou na forma de clamidósporos. A penetração do fungo verifica-se através de ferimentos nas raízes ou mudas e ramas utilizadas no plantio. A disseminação pode ser feita através de materiais de propagação da planta, água de irrigação, implementos agrícolas ou outros agentes que transportem solo infestado pelo patógeno. As condições mais favoráveis para o desenvolvimento da doença relacionam-se com temperaturas altas (28-300C) e umidade elevada. F oxysporum f. sp. batatas pode infectar, sem causar sintomas visíveis, Ipomoea spp., algodão, fumo, tomate, caupi, soja, milho e diversas outras plantas.

Controle - O controle da murcha de Fusarium na batata-doce deve fundamentar-se no uso de cultivares resistentes. Nos Estados Unidos, a utilização de genótipos resistentes, derivados do cultivar “Tinian”, reduziu significativamente a importância econômica desta doença. Outras medidas de controle, tais como plantio de mudas ou ramas sadias, rotação de culturas para redução da quantidade de inóculo e tratamento de partes propagativas Com fungicidas do grupo dos thiabendazoles, podem ser indicadas.
MELOIDOGINOSE - Meloidogyne spp.

Os nematóides formadores de galhas têm sido freqüentemente assinalados em diversas regiões produtoras de batata-doce, reduzindo significativamente a produção e qualidade das raízes tuberosas.



Sintomas - Os sintomas mais característicos da doença ocorrem nas raízes finas sob a forma de galhas típicas, causadas por nematóides do gênero Meloidogyne e, em geral, são menores do que as de outras plantas hospedeiras. Necrose das raízes infectadas surge como conseqüência da atividade de patógenos secundários. Nas raízes tuberosas observam-se malformações na superfície e, principalmente, rachaduras longitudinais que, além de desvalorizar o produto para comercialização, predispõem a raiz à infecção de agentes de podridões no armazenamento. Rachaduras semelhantes também podem ser devidas a causas fisiológicas. O sistema radicular afetado é reduzido e apresenta menor número de raízes secundarias e pêlos absorventes. Os sintomas na parte aérea são semelhantes àqueles causados por outros patógenos de raízes, que reduzem a quantidade de água disponível para a planta. As plantas parasitadas pelo nematóide exibem crescimento reduzido, amarelecimento e murcha temporária das folhas e florescimento abundante. Em interações de Meloidogyne spp. com Outros patógenos, como Fusarium spp. e Pseudomonas solanacearum, estabelecem-se complexos de doenças, verificando-se normalmente murcha severa e morte das plantas.

Etiologia - Várias espécies do gênero Meloidogyne podem infectar a batata-doce. No entanto, M. incognita (Kofoid & White) Chitwood e M. javanica (Treub) Chitwood são as prevalecentes no Brasil e outros países, como Estados Unidos e Peru. M. incognita é considerada a mais importante porque tem sido comumente assinalada parasitando a batata-doce em diversas regiões produtoras. Os machos desta espécie são raros e as fêmeas são endoparasitos sedentários, possuem corpo piriforme, reproduzem-se por partenogênese e cada fêmea produz 400 a 500 ovos na forma de massas gelatinosas (ootecas). Apresenta um ciclo biológico típico da espécie, com período de duração variável de três a quatro semanas. Possui quatro raças (1, 2, 3 e 4) e todas podem ocorrer parasitando a cultura da batata-doce. A disseminação deste patógeno é feita pela raiz tuberosa infectada e, no campo, através da água de irrigação ou chuva e implementos agrícolas. Solos arenosos, temperaturas elevadas (27-300C) e umidade moderada são fatores que favorecem o aumento da população do nematóide e, conseqüentemente, a severidade da doença. Grande número de plantas cultivadas e ervas daninhas são hospedeiras deste nematóide.

Controle - Embora a utilização de cultivares resistentes constitua a forma mais racional e econômica de controle da Meloidoginose, outras medidas complementares devem ser aplicadas. Em países como Estados Unidos, Japão, Peru e Brasil, diversos genótipos de batata-doce foram identificados como resistentes a M. incognita e M. javanica. Pesquisas realizadas no Centro Nacional de Pesquisas de Hortaliças, da EMBRAPA, revelaram que os cultivares “Brazlândia Roxa”, “Brazlândia Rosada”, “Coquinho” e diversos clones foram altamente resistentes a estes nematóides.

A rotação de culturas por 2-3 anos com espécies não-hospedeiras ou cultivares resistentes de plantas hospedeiras, pode constituir um método auxiliar de controle, uma vez que promove uma redução significativa da população do nematóide. Tendo em vista que as raízes tuberosas infectadas são importantes fontes de inóculo, deve-se evitar o uso deste material para plantio ou propagação de mudas.


OUTRAS DOENÇAS

Não há levantamentos sistemáticos de viroses da batata-doce no Brasil. Contudo, há análises de genótipos mantidos em coleções de germoplasma e de materiais recebidos do exterior e submetidos ao sistema de quarentena. Na grande maioria dos acessos da coleção do Centro Nacional de Pesquisas de Hortaliças (CNPH/EMBRAPA), Brasília, foi encontrado o SPFMV c, cm apenas um acesso, o “sweet potato chlorotic fleek virus” (SPCFV). Em Pernambuco, nas coleções da Universidade Federal Rural de Pernambuco e da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária, foi observada a ocorrência de infecção simples do SPFMV em aproximadamente um terço do material e co-infecção do SPFMV com o “sweet potato virus disease-associated closterovirus” (SPDV) em 3 acessos. Em raízes de batata-doce procedentes do Japão foi constatada pelo serviço de quarentena, cm Brasília, a presença de SPFMV, SPCFV, “sweet potato latent potyvirus” (SPLV) e “sweet potato mild mottle potyvirus” (SPMMV).



Além do SPFMV, vários outros vírus da batata-doce já se encontram bem caracterizados: SPLV, encontrado em Formosa, SPMMV, isolado na África; SPDV, observado em complexo viral, interagindo sinergicamente com o SPFMV em materiais da África, Brasil e Estados Unidos; “sweet potato vem mosaic potyvirus”, relatado na Argentina. Sarna - Streptomyces ipomoea (Person & Martin) Waksman & Henrici. A sarna da batata-doce ocorre em todas as áreas produtoras do Estados Unidos e Japão, não tendo sido ainda relatada em outros países, inclusive no Brasil. A doença causa grande redução de produção quando infecta as raízes fibrosas e reduz a qualidade do produto. Nas raízes fibrosas surgem lesões necróticas, escuras, que progridem lentamente, destruindo os tecidos internos, causando extenso raquitismo das ramas, baixa produção, florescimento prematuro e murcha temporária. Nas raízes tuberosas ocorre sarna, ou seja, lesões de bordos circulares a irregulares, necróticas, de cor escura, aspecto corticoso, usualmente com menos de 5 mm de profundidade e diâmetro não ultrapassando 3 cm. Freqüentemente surgem rachaduras ou raízes fibrosas necróticas emergindo do centro da lesão. Pode haver deformação das raízes ou formação de calo cicatricial. A sarna da batata-doce é causada por Streptomyces ipomoea, bactéria gram-­positiva pertencente à ordem Actinomycetales. Os esporos são ovais a cilíndricos, com paredes lisas, medem 0,8-0,9 m x 0,9-1,8 m, ocorrem em cadeias curtas, espiraladas, envolvidos por uma bainha. S. ipomoea pode sobreviver no solo por vários anos, mesmo na ausência da batata-doce, e sua gama de hospedeiras é, provavelmente, limitada à família Convolvulaceae. S. ipomoea é disseminada através de equipamentos agrícolas, partículas do solo e por material de plantio infestado ou infectado. A bactéria penetra diretamente nas raízes fibrosas através da parede periclinal das células epidermais ou entre as células adjacentes, embora nas raízes tuberosas penetre por ferimentos. Desenvolve-se principalmente intracelularmente, não se restringindo ao córtex e infectando o sistema vascular da planta. A exclusão deve ser empregada em áreas onde a doença ainda não existe, evitando-se o movimento de solo infestado e o uso de material de propagação infectado ou proveniente de campos infestados. Nos Estados Unidos, além de “Jasper”, que é um cultivar resistente, existem os cultivares “Travis” e “Beauregard” que possuem resistência intermediária, embora nenhum deles seja largamente aceito. Outros métodos de controle recomendados são: rotação de cultura, manutenção do pH do solo cm níveis baixos (5,2); irrigação e fumigação do solo antes do plantio.

Murcha Bacteriana - Pseudomonas solanacearum (Smith) Smith raça 1, biovar 4 Embora a batata-doce seja largamente cultivada em países onde a bactéria Pseudomonas solanacearum é endêmica, inclusive no Brasil, a murcha bacteriana ocorre apenas na China, onde foi relatada em 1950 e pode causar até 80% de perdas na produção. Os sintomas podem ocorrer em qualquer fase da vida da planta, sob forma de encharcamento e amarelecimento da base das ramas, murcha e escurecimento do sistema vascular. Plantas infectadas não formam raízes e morrem poucos dias após o transplante para o campo. Transplantes sadios podem ser infectados no campo, apresentando os sintomas acima citados. A murcha bacteriana é causada por Pseudomonas solanacearum, raça 1, biovar 4. Trabalho realizado na China mostrou que seis isolados provenientes de batata-doce, de áreas distintas, foram patogênicos apenas à hospedeira original. Nenhum outro isolado, de várias hospedeiras, foi patogênico à batata-doce.

A bactéria pode ser disseminada da raiz tuberosa para as brotações ou do solo para os transplantes, penetrando através de ferimentos. No campo, pode ser também disseminada pelo movimento de água ou de compostos que contenham restos de cultura infectados. A doença é favorecida por clima quente e úmido (UR maior que 85%), solos ácidos, mal drenados e monocultura. Para áreas onde a doença não existe, recomenda-se a quarentena. Para áreas onde a doença existe, recomenda-se: uso de variedades resistentes e material propagativo sadio; plantio em solos não infestados e rotação de culturas com arroz inundado ou com gramíneas outras tais como milho, sorgo e trigo. O plantio na época mais fria do ano, quando possível, reduz o efeito da doença no campo.

Diversas doenças fúngicas têm sido assinaladas na cultura da batata-doce no Brasil sem, no entanto, constituir fator limitante da cultura e, dentre estas, destacam-se a podridão mole, cansada por Rhizopus spp., que comumente ataca raízes tuberosas no armazenamento, provocando uma podridão úmida, recoberta por massa escura de estruturas do patógeno; a sarna (Monilochaetes infuscans Ell. & Halst., ex Harter) que causa lesões marrons na superfície das raízes, desvalorizando-as para comercialização; a podridão negra (Ceratocystis fimbriata Ell. & Halst.), caracterizada pela formação de manchas escuras arredondadas no caule e raízes, podendo causar amarelecimento e morte de plantas, bem como danos às raízes tuberosas; distorção e clorose foliar (Fusarium lateriticum Nees :Fr.), que exibe sintomas de deformação das folhas jovens e clorose internerval. Deve-se citar, ainda, antracnose (Colletotrichum sp.), cercosporiose (Cercospora ipomoeae Wint.) e mancha de Alternaria (Alternaria bataticola Ikata).

Embora não tenha sido relatado no Brasil parasitando batata-doce, o nematóide reniforme Rotylenchulus reniformis Linford & Oliveira 1940 constitui um sério problema em diversos outros países. É um semi-endoparasito sedentário e provoca necrose das raízes fibrosas e rachaduras nas tuberosas. Reduz o sistema radicular e, conseqüentemente, afeta o desenvolvimento das plantas. Nos Estados Unidos, o controle é feito através do uso de nematicidas, rotação de culturas e utilização de material propagativo sadio. Belonolaimus longicaudatuse e espécies dos gêneros Pratylenchus, Ditylenchus e Helicotylenchus têm sido relatados como ectoparasitos na cultura da batata-doce em alguns países produtores, não incluindo o Brasil.


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DOENÇAS DO CACAUEIRO

(Theobroma cacao L.)

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