Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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Z. J. M. Cordeiro & H. Kimati

A bananeira é uma das frutas mais populares no Brasil. Faz parte da dieta alimentar das mais diversas classes sociais, ora na forma “in natura”, ora cozida, frita ou processada na forma de doces ou passas. Apesar do Brasil ser o segundo maior produtor mundial, com produção estimada em seis milhões de toneladas anuais, exporta apenas cerca de 1% desta produção. Percebe-se, portanto, a importância desta fruta, principalmente como alimento de consumo interno. Como todas as culturas plantadas cm grandes áreas - a banana ocupa cerca de 500.000 ha cm nosso país - os problemas aparecem e, muitas vezes, tornam-se economicamente danosos. Com a bananeira não tem sido diferente, registrando-se um grande numero de doenças que afetam diversas partes da planta (raiz, rizoma, pseudocaule, folha, fruto). Entre os patógenos causadores dessas doenças estão os vírus, as bactérias, os nematóides e os fungos. Os últimos são, sem dúvida, os mais importantes. Dentre as doenças destacam-se a Sigatoka amarela, o mal-do-Panamá, a Sigatoka negra e o moko.


BUNCHY TOP” - “Banana hunchy top virus” - BBTV

O “bunchy top”, ou topo em leque, causado pelo BBTV, é a principal virose da bananeira. Está distribuída pela Ásia, África e algumas ilhas do Pacífico, figurando em muitos países como uma das principais doenças da cultura. Até o momento, não há relato de sua ocorrência no Brasil.



Sintomas - Caracteriza-se pelo aparecimento de estrias verde-escuras, contínuas ou não, as quais usualmente aparecem primeiro na lâmina foliar, estendendo-se ao pecíolo e nervuras das folhas. Várias semanas após a infecção observa-se estreitamento do limbo, clorose e formação de roseta. As folhas ficam mais eretas do que o normal e o estreitamento e leque no ápice do pseudocaule dá o aspecto típico de “bunchy top”. Folhas das plantas infectadas são frágeis e quebradiças. As brotações, às vezes, parecem normais, mas os sintomas surgem antes da maturidade. Todas as variedades de banana e plátano testadas até então têm se mostrado suscetíveis ao vírus.

Etiologia - Permanece sem caracterização definitiva o vírus causador do “bunchy top”. Inicialmente, houve relato de um Luteovirus, de partículas isométricas e RNA de fita dupla. Posteriormente, aventou-se a hipótese do RNA ser de fita simples. Mais recentemente, menciona-se um vírus de partículas isométricas, de 18-20 nm de diâmetro, contendo DNA de fita simples. Por outro lado, há evidências da existência de duas populações distintas do BBTV, inclusive com diferentes tipos de ácido nucléico. A transmissão ocorre de forma persistente por meio do pulgão Pentalonia nigronervosa, mas não mecanicamente. A disseminação ocorre principalmente através de mudas infectadas.

Controle - Como se trata de uma doença ainda não constatada no país, a principal ação de controle fica por conta das medidas de exclusão, para evitar a introdução do patógeno. Neste caso, rigorosas medidas quarentenárias para introdução de materiais de Musa spp, são importantes. Onde o problema já existe, o controle é feito mediante a erradicação de plantas afetadas, bem como do controle do pulgão transmissor, que é uma praga secundária da bananeira.
MOSAICO DA BANANEIRA - “Cucumber mosaic virus” - CMV

O mosaico da bananeira é causado pelo vírus do mosaico do pepino. E a mais comum das viroses que afetam a bananeira. Apesar da inexistência de levantamento, acredita-se que a mesma ocorra, na forma de mosaico pouco severo, em cerca de 10% das bananeiras cultivadas no país. Sua ocorrência é maior nos cultivares do subgrupo Cavendish, embora ocorra também nos cultivares dos subgrupos Prata, Terra e outros.



Sintomas - Variam de suaves estrias, formando mosaico em folhas velhas até severa necrose interna, nanismo c morte das plantas. Nas plantas com nanismo há formação de roseta no ponto de saída das folhas, as bainhas tendem a despregar-se do pseudocaule, podendo ainda ocorrer necrose da folha central ou cartucho. Em muitos casos as folhas são atrofiadas, lanceoladas e cloróticas, exibindo mosaico. As brotações de plantas com sintomas podem ou não apresentá-los. Sintomas em frutos são raros, mas podem ocorrer na forma de distorção dos dedos, estrias cloróticas ou necrose interna.

Etiologia - O CMV é um vírus do gênero Cucumovirus, da família Bromoviridae, apresenta partículas isométricas de 30 nm de diâmetro e um grande número de estirpes, razão pela qual os sintomas apresentados variam desde suaves estrias amarelas até necroses. Apresenta extensa gama de hospedeiros, incluindo cucurbitáceas, tomate, milho, Canna indica, Panicum colonum, Paspalum conjugatum, Digitaria sanguinalis, Musa spp., Commelina spp., entre outras. A transmissão é feita por afídeos, dos quais o mais importante é Aphis gossypii. A relação vírus-vetor é não-persistente.

Controle - A virose pode ocorrer plantas de qualquer idade, mas o problema normalmente só atinge proporções de danos econômicos em plantios novos. Desta forma, é importante conhecer a procedência das mudas para evitar o plantio de material infectado. Mesmo mudas oriundas de cultura de tecido podem ser portadoras do vírus. Outra medida preventiva é a eliminação de hospedeiros alternativos. No caso da doença já estar presente, recomenda-se a erradicação das plantas com sintomas.
ESTRIAS DA BANANEIRA - “Banana streak virus” - BSV

O problema conhecido como estrias da bananeira foi primeiro descrito sobre a variedade Poyo, proveniente da Costa do Marfim. Desde então, tem sido observado em inúmeros países, em diferentes cultivares. No Brasil. entretanto, a história deste vírus está intimamente associada com a variedade Mysore (AAB), tendo sido provavelmente introduzido com a mesma. Hoje, no entanto, sintomas similares já foram observados nas variedades Nanica e Nanicão, porém sem a confirmação da presença do vírus.

Sintomas - Os sintomas foliares iniciais são semelhantes aos causados pelo vírus do mosaico do pepino, evoluindo posteriormente para estrias necróticas. As plantas infectadas geralmente não mostram sintomas em todas as folhas. Pouco se conhece sobre as conseqüências da doença em relação à produção, mas geralmente plantas infectadas apresentam crescimento reduzido e produzem cachos menores. As vezes ocorre morte de plantas jovens da variedade Mysore, com intensos sintomas da doença.

Etiologia - O BSV, ou vírus das estrias da bananeira, pertence ao gênero Badnavirus, com partículas baciliformes de 30 x 150 nm. Muitos isolados do BSV e do “sugarcane bacilliform virus” (SCBV) são serologicamente relacionados e todos os isolados do SCBV, testados experimentalmente em bananeira, produziram sintomas da doença. E transmitido de forma semi-persistente pela cochonilha Plannococus citri. Em condições experimentais, a cochonilha da cana-de-açúcar (Saccharicoccus sacchari) transmitiu o SCBV de cana-de-açúcar para bananeira. Existe forte possibilidade de que o vírus seja transmitido pela semente, uma vez que progênies oriundas de cruzamento com Mysore obtidas no Centro Nacional de Pesquisa de Mandioca e Fruticultura Tropical (CNPMF) apresentavam OS sintomas. O mesmo foi observado cm Trinidad. A principal via de disseminação, no entanto, é através de material propagativo infectado. E possível ainda que este vírus não seja filtrado pela cultura de ápices caulinares, uma vez que mudas obtidas por este método, utilizando material oriundo de plantas com sintomas, também os apresentavam.

Controle - A doença não tem se mostrado como um grave problema em plantios comerciais. Entretanto, cuidados quarentenários devem ser tomados na introdução de novos cultivares. Deve-se utilizar mudas livres do vírus e erradicar plantas jovens com sintomas severos.
MOKO OU MURCHA BACTERIANA - Pseudomonas solanacearum (Smith) Smith (raça 2)

Durante algum tempo o moko foi considerado a principal doença da bananeira, em função basicamente dos riscos que representava para a bananicultura brasileira praticada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A constatação oficial da doença no Brasil foi feita no estado do Amapá, em 1976. Seguiu-se uma ampla campanha para levantamento e erradicação da doença cm toda a região Norte do país até 1987. Neste mesmo ano a doença foi constatada em Sergipe, originando outra ampla campanha para erradicação, levada a efeito em 1987 e, posteriormente, em 1989.



O problema continua sendo grave para a região Norte, onde a bactéria encontra, nas condições de várzea, um ambiente favorável à sua sobrevivência e propagação podendo causar perdas totais. Há poucas probabilidades que o mesmo ocorra em cultivos de terra firme, mesmo localizados na região Norte. No Estado do Acre a doença ainda não foi constatada. O foco surgido cm Sergipe, cm 1987, foi controlado e, portanto, a doença permanece restrita à região Norte do país.

Sintomas Externos - A murcha bacteriana da bananeira é uma doença vascular sistêmica podendo, assim, atingir todos os órgãos da planta, desde o estádio de brotação jovem até plantas em produção. (a) Plantas jovens - no caso de brotações, são freqüentes os sintomas de malformação foliar, em que as folhas permanecem enroladas até a necrose total da brotação. São freqüentes também os casos de murcha e amarelecimento das folhas basais, com posterior colapso dos pecíolos, podendo ocorrer também a necrose da folha vela antes das demais mostrarem qualquer sintoma da doença (Prancha 13.1). (b) Plantas adultas - a doença manifesta-se principalmente por murcha, amarelecimento e necrose das folhas, iniciando-se geralmente pelas folhas mais centrais e evoluindo progressivamente para as demais. A folha pode curvar-se dorsalmente e ter o pecíolo comprometido em qualquer ponto. Nas plantas que ainda não entraram em produção, a tolha vela é a última a sucumbir. Nas plantas em produção, a bactéria pode penetrar pela inflorescência ou outra via, e externar os sintomas através dos frutos, que podem apresentar sinais de malformação, rachaduras, amarelecimento precoce e irregular e, finalmente, seca e escurecimento total. Nos casos de penetração via inflorescência, as brácteas mais velhas caem prematuramente sem se enrolar, desprendendo também o conjunto de flores masculinas por elas protegido. Num estádio mais avançado da doença, ocorre seca ascendente do coração e da ráquis masculina.

Sintomas Internos: (a) Rizoma - através de um corte transversal do mesmo, o moko é visualizado pela descoloração dos feixes vasculares, representados pontos escurecidos, de coloração variando de pardo ao vermelho-tinto, dispersos por todo o rizoma, na maioria das vezes concentrando-se na parte central e formando um anel de coloração marrom. Pode-se também observar tais feixes vasculares descoloridos lias conexões do rizoma com as brotações laterais. (b) Pseudocaule - os sintomas de descoloração vascular podem ser observados através de corte transversal (pontos escurecidos) ou longitudinal (estrias escurecidas). Os sintomas geralmente concentram-se nas bainhas mais centrais e no eixo floral, no caso das plantas em produção. Nos estádios mais avançados da doença, a necrose atinge toda a parte central, que torna-se completamente escurecida, contrastando com as bainhas mais periféricas, ainda com aparência normal ( Prancha 13.2). (c) Cacho - o engaço cortado transversal ou longitudinalmente apresenta os feixes vasculares avermelhados. Tais sintomas estão presentes também nas ráquis feminina e masculina. Os frutos seccionados (Prancha 13.3) exibem podridão seca e escurecimento da polpa. Através de corte transversal dos mesmos, pede-se observar a presença de feixes vasculares escurecidos na casca.

A diagnose diferencial da murcha bacteriana como a murcha de Fusarium parece complicada a primeira vista, principalmente quando os sintomas ocorrem em plantas que ainda não entraram em produção, mas existem alguns aspectos diferenciais seguros, mesmo em condições de campo: (1) Idade da Planta - os sintomas de moko manifestam-se em plantas de todos os estádios de desenvolvimento, enquanto os do mal-do-panamá geralmente ocorrem em plantas acima do quarto mês de idade: (2) Origem e evolução dos sintomas - de maneira geral, os sintomas de moko iniciam-se na parte central e evoluem rumo à periferia, contrariamente aos causados pelo mal-do-panamá, que evoluem da periferia para o centro. Assim, as primeiras folhas a mostrarem sintomas de murcha, amarelecimento e necrose são as mais jovens nos casos de moko e as mais velhas nos casos de mal-do-panamá. Através de corte transversal do pseudocaule, observa-se que os sintomas de descoloração vascular são mais concentrados na região central, no caso de moko, ao contrário do mal-do-Panamá (Pranchas 13.2 e 13.6); (3) Sintomas no cacho - como anteriormente descrito, o moko afeta diretamente todos os órgãos da planta, enquanto que nos casos de mal-do-Panamá não se observam sintomas da doença no cacho; (4) Rachaduras no pseudocaule - encontram-se com freqüência rachaduras no pseudocaule de plantas afetadas pelo mal-do-Panamá porque as bainhas externas, por serem as mais afetadas, paralisam o desenvolvimento, enquanto a parte central, aparentemente normal, continua se desenvolvendo, provocando assim o fendilhamento das bainhas mais externas; (5) Teste do copo - o moko e o mal-do-Panamá podem ser facilmente diferenciados por este teste, que consiste em obter fatias delgadas de aproximadamente 3,0 cm de comprimento por 0,2 cm de largura de qualquer um dos órgãos afetados, de modo a retirar parte dos feixes vasculares descoloridos. Toma-se um copo de vidro liso e transparente com água limpa até dois terços da altura e adere-se a fatia obtida à parede do mesmo, mantendo-a alguns milímetros dentro da água no sentido longitudinal. Nos caso de moko, dentro de aproximadamente um minuto, pode-se observar a descida de um ou mais filetes densos e contínuos de fluxo bacteriano de coloração leitosa, partindo dos vasos seccionados em direção ao fundo do copo. Nos casos de mal-do-Panamá este fenômeno não ocorre.



Etiologia - O moko-da-bananeira é causado pela bactéria Pseudomonas solanacearum, raça 2. São conhecidas até o momento cinco estirpes desta raça que são patogênicas à bananeira. As mesmas têm sido separadas através de hospedeiros diferenciais, aspecto das colônias em meio de tetrazólio, pelo hábitat e pela maior ou menor capacidade de ter, como vetores, os insetos visitadores de inflorescências. São caracterizadas como: estirpe D (“distortion”), isolada de Heliconia, causa distorção foliar e murcha lenta cm bananeiras; estirpe B (banana), provavelmente um mutante de D, causa murcha rápida em bananeiras; estirpe SFR (“small, fluidal, round”) provavelmente é oriunda de Heliconia ou é mutante de B, sendo facilmente transmitida por insetos em países da América Central; estirpe H (Heliconia) é uma estirpe presente na Costa Rica que afeta plátanos (AAB) sem afetar outras bananas (AAA); estirpe A (Amazônia) ocorre apenas nas margens de rios sujeitas a inundações periódicas (Peru, Colômbia e Venezuela) e pode ser facilmente transmitida por insetos.

Em condições de terra firme, no Estado do Amazonas, a bactéria sobrevive cerca de dois meses na ausência do hospedeiro durante o período seco, atingindo quatro meses durante o período chuvoso. Isto indica que o teor de umidade do solo é de grande importância na sobrevivência desta bactéria.

O material de plantio desempenha papel importante na disseminação da murcha bacteriana, tanto a curta como a longa distância. Dentro do plantio, a bactéria pode se disseminar de planta a planta através de contatos inter-radiculares de touceiras doentes com touceiras sadias. As ferramentas usadas na capina, desbaste, desfolha, corte do coração e colheita são também de grande eficiência na disseminação da bactéria. Os insetos visitadores de inflorescências também se constituem em eficientes vetores, principalmente das estirpes “SFR” e “A”, que escoam com maior facilidade de cicatrizes de brácteas florais ou de outros ferimentos em qualquer parte da planta onde a bactéria esteja presente.

A bactéria apresenta uma vasta gama de hospedeiros alternativos que podem ser fator decisivo na manutenção do patógeno no campo e, conseqüentemente, no estabelecimento de um novo foco da doença. Cerca de 39 espécies de ervas hospedeiras deste patógeno foram identificadas em bananais da América Central, embora nem todas sejam hospedeiras de estirpes que atacam a bananeira. Através de inoculação artificial, foram encontradas 12 espécies de ervas, na Colômbia, capazes de conduzir a estirpe B, sem mostrarem sintomas externos. Em Honduras, foram feitos isolamentos a partir de plantas crescendo no campo e em inoculações em casa-de-vegetação, concluindo-se que de 64 espécies testadas, além de espécies de Musa e Heliconia, as dez listadas a seguir se comportaram como hospedeiras potenciais da estirpe SFR de P. solanacearum: Asclepias curassavica L., Cecronia peltata L., Piper aurantium HBK, Piper peltatun L., Ricinus communis L., Solanum hirsutum Vahl., S. nigrum L., S. umbelatum Mill., S. verbascifolium L. e Xanthosoma roseum Schott. No Brasil, a cana-da-índia (Canna generalis L.), através de inoculação artificial, revelou-se como hospedeira de isolados de P solanacearum de bananeiras provenientes de várzeas do Estado do Amazonas.



Controle - (1) Medidas de exclusão: as medidas de exclusão devem ser tomadas para evitar a entrada da doença em uma região onde a mesma ainda não se faz presente. Esse controle é feito principalmente através da vigilância fitossanitária no sentido de impedir, por vias legais ou disciplinares, a entrada da doença numa nova área pelas diferentes vias de introdução. (2) Medidas de erradicação: após a entrada da murcha bacteriana da bananeira em uma região até então indene, a medida a se tomar é a erradicação imediata dos focos, visando impedir o estabelecimento da doença. Nos grandes plantios da América Central, a convivência com o moko tem sido feita mediante detecção antecipada da doença. O sucesso de qualquer programa de controle, via erradicação, está na detecção antecipada das plantas doentes e sua imediata erradicação. A erradicação das plantas doentes deve sempre ser seguida de um período de pousio para garantir a eliminação da bactéria. Em nossas condições, pode-se fazer a erradicação usando os produtos glifosato e a mistura picloran + 2,4D. Os métodos de aplicação podem ser por injeção da suspensão herbicida ou de palitos impregnados com os produtos no pseudocaule. O glifosato, na forma de suspensão, pode ser aplicado a 20%, na dosagem de 20 ml para plantas adultas e 5 ml para brotação. A mistura picloran mais 2,4D deve ser aplicada na concentração de 0,5 + 1,9% dos respectivos componentes na dosagem de 10 ml para plantas adultas e 2 ml para as brotações. Nas aplicações, utilizar seringa veterinária para bovinos equipada com agulha longa e grossa. Nos tratamentos com espetos, os mesmos deverão ser embebidos na formulação comercial dos herbicidas (glifosato 48% ou picloran 8,9% + 2,4D 34,7%) por um período de 12 horas e posteriormente secos à sombra por igual período. Depois de drenados, introduzir 2-3 espetos impregnados com glifosato por planta adulta e um por brotação ou um espeto tratado com a mistura de picloran + 2,4D por planta adulta ou jovem. Na aplicação de qualquer um dos métodos, necessário se faz a abertura de furos no pseudocaule com chave de fenda de calibre ligeiramente superior ao diâmetro da agulha ou do espeto. (3) Medidas profiláticas: após a entrada da doença em determinada região, além da erradicação, existem outras medidas de grande eficiência no controle de murcha bacteriana da bananeira que, quando devidamente adotadas, não só conduzem a um retardamento na entrada da doença num bananal, mas também desaceleram a disseminação do patógeno. São elas: (3.1) uso de mudas sadias - o material propagativo deve ser adquirido em plantios isentos da doença; (3.2) desinfestação de ferramentas utilizadas em capina, desbaste, desfolha, corte do coração e colheita, as quais desempenham um relevante papel na disseminação da bactéria. A desinfestação, ao passar de uma planta ou de uma touceira para outra, poderá ser feita em solução de formaldeído/água 1:3, formaldeído 5% ou formol 10%. Além do formaldeído, podem ser usados outros produtos de ação biocida, como a creolina e similares; (3.3) evitar as capinas manuais ou mecânicas, que freqüentemente são responsáveis por injúrias do sistema radicular, acelerando a disseminação da doença no plantio. Na medida do possível deve-se dar preferência ao uso de herbicidas e às roçagens. Em trabalho realizado em Manacapuru-AM, observou-se que roçagem, além de evitar a disseminação da doença, propiciou aumentos de 41% na produção; (3.4) eliminar o coração, que se constitui em atrativo aos insetos visitadores de inflorescência, como a abelha irapuá (Trigona spp.) e as vespas de gênero Polybia, capazes de disseminar a doença com grande eficiência, principalmente as estirpes que fluem com maior facilidade das superfícies de abcisão da planta, resultante da queda das brácteas e flores masculinas. Nesse caso, as infecções aéreas podem ser reduzidas através da eliminação do coração logo após a emissão da última penca, cortando-o com ferramenta desinfestada ou quebrando-o manualmente. (4) Resistência varietal: a longo prazo, talvez a resistência varietal seja a alternativa mais promissora e viável para o controle do moko. Sabe-se que existem fontes de resistência, embora todas as variedades comerciais sejam suscetíveis às estirpes B e SFR da bactéria. Mesmo dentro das variedades comerciais, aquelas com brácteas persistentes, como Terra, Prata Anã e Nanica, são menos sujeitas às infecções aéreas comparadas àquelas de brácteas caducas. De 345 acessos inoculados com a estirpe SFR, apenas 34 mostraram algum grau de resistência. O cultivar Pelipita (ABB) mostrou-se resistente ao moko, tendo sido recomendado, na América Central, como substituto do Bluggoe (ABB), bastante suscetível à estirpe SFR, transmitida por insetos. Também moderada resistência foi encontrada no cultivar Manang (AA).
PODRIDÃO MOLE - Erwinia spp.

Foi descrita em Honduras, em 1949, como uma destrutiva doença sobre plantações de banana Gros Michel. Na ocasião foram noticiados também severos ataques no Panamá, Costa Rica e Guatemala. A literatura internacional, entretanto, não dá destaque à doença, sinal de que a mesma tem importância secundaria. Observa-se, porém, que o número de casos tem aumentado gradativamente no Brasil nos últimos anos. Tem sido constatado na Região Norte do país, no perímetro irrigado governador Nilo Coelho, no médio São Francisco e no perímetro irrigado do Jaíba, norte de Minas Gerais. Vale ressaltar, no entanto, que em nenhum dos casos a ocorrência teve caráter de epidemia, embora nas áreas irrigadas o problema represente um perigo potencial, exigindo um maior controle da umidade do solo.



Sintomas - As observações indicam que a doença inicia-se no rizoma, progredindo posteriormente para o pseudocaule. Os sintomas caracterizam-se pelo apodrecimento do rizoma, evoluindo da base para o ápice. Ao se cortar o rizoma ou pseudocaule de uma planta afetada, pode ocorrer a liberação de grande quantidade de material líquido fétido, daí o nome podridão mole ou podridão aquosa. Na parte aérea, os sintomas podem ser confundidos com aqueles do moko ou do mal-do-Panamá. A planta normalmente expressa sintomas de amarelecimento e murcha das folhas, podendo ocorrer quebra da folha no meio do limbo ou junto ao pseudocaule. Os sintomas são mais típicos em plantas adultas, mas tendem a ocorrer com maior severidade em plantios jovens estabelecidos em solos infestados, devido à presença de ferimentos gerados pela limpeza das mudas.

Etiologia - A podridão mole descrita em Honduras foi atribuída à bactéria Erwinia musa, relacionada à espécie E. carotovora. E uma bactéria móvel, gram-negativa, que forma colônias branco-acinzentadas, sem brilho, sobre meio nutriente-ágar. Acredita-se que a bactéria perde rapidamente sua patogenicidade em cultura. Os casos registrados no Brasil referem-se a E. carotovora subsp. carotovora.

Controle - Corno medidas de controle, recomenda-se: (1) manejar corretamente a irrigação, de modo a evitar excessos de umidade no solo; (2) eliminar plantas doentes ou suspeitas; (3) utilizar, em locais com histórico de ocorrência da doença, mudas já enraizadas, para prevenir infecções precoces, que tendem a ocorrer via ferimentos provocados quando da limpeza das mudas; (4) utilizar práticas culturais que promovam a melhoria da estrutura e aeração do solo.
SIGATOKA AMARELA - Mycosphaerella musicola Leach (Pseudocercospora musae (Zimm.) Deighton. Sinonímia: Cercospora musae Zimm).

Descrita pela primeira vez em Java, em 1902, os primeiros prejuízos de importância foram relatados nas Ilhas Fiji, vale de Sigatoka, em 1913. No Brasil foi constatada inicialmente no Estado do Amazonas, em 1944, estendendo-se, posteriormente, a todos os estados brasileiros. Estima-se que as perdas médias da bananicultura nacional estão na faixa de 50% da produção. Os prejuízos são advindos da morte precoce das folhas e do enfraquecimento da planta, com reflexo imediato na produção. São observados, como conseqüência da doença, diminuição do número de pencas, tamanho de frutos, maturação precoce de frutos no campo e perfilhamento lento. Em alguns microclimas, a incidência da doença é tão alta que impede completamente o enchimento dos frutos, provocando perda total na produção.



Sintomas - As infecções do mal-de-Sigatoka ocorrem nas folhas jovens da planta, incluindo geralmente as folhas zero (vela), um, dois, três e, excepcionalmente, a quatro (as folhas são contadas das mais novas para as mais velhas; a folha zero corresponde àquela, ainda não aberta). A infecção inicial caracteriza-se por uma leve descoloração com forma de ponto entre as nervuras secundárias da segunda até a quarta folha a partir da vela. Este ponto descolorido amplia-se, formando uma estria de coloração amarela. Com o tempo, estas pequenas estrias crescem, formando manchas necróticas, elípticas, alongadas, dispostas paralelamente às nervuras secundárias da folha. Desenvolve-se, por fim, uma lesão com centro deprimido, de coloração cinza, circundada por um halo amarelo (Prancha 13.4).

A lesão passa, portanto, por vários estádios de desenvolvimento, conforme descrição a seguir: estádio I - é a fase inicial de ponto ou risca de no máximo 1 mm de comprimento com leve descoloração; estádio II - é uma risca já apresentando vários milímetros de comprimento, com um processo de descoloração mais intenso; estádio III - mancha nova, apresentando forma oval alongada e coloração levemente parda, de contornos mal definidos; estádio IV - caracteriza-se pela paralisação de crescimento do micélio, aparecimento de um halo amarelo em volta da mancha e início de esporulação do patógeno; estádio V - fase final de mancha, de forma oval-alongada, com 12 a 15 mm de comprimento por 2 a 5 de largura. O centro é totalmente deprimido, de tecido seco e coloração cinza.

A partir do estádio de mancha pode-se observar frutificações do fungo em forma de pontuações negras. Em estádios avançados da doença, principalmente em ataques severos, ocorre a coalescência das lesões e, conseqüentemente, uma grande área foliar é comprometida, caracterizando o efeito mais drástico da mesma, que é a morte prematura das folhas. Manchas oriundas de infecções por ascósporos apresentam predominância apical, enquanto aquelas originadas a partir de conídios apresentam distribuição casualizada, mas com predominância basal, sendo comum a formação de linhas de infecção sobre o limbo foliar.

Etiologia - O mal-de-Sigatoka é causado por Mycosphaerella musicola, forma perfeita ou sexuada de Pseudocercospora musae. Estão envolvidos, portanto, dois tipos de esporos, um de origem sexuada, o ascósporo (bicelular e hialino), e outro de origem assexuada, o conídio (longos e multiseptados, produzidos em conidióforos reunidos em esporodóquio).

A infecção ocorre através dos estômatos, abertos ou não. O esporo depositado sobre a folha germinará em presença de um filme de água. Dependendo da temperatura, isto ocorrerá em 2-6 horas. Posteriormente, a hifa crescerá sobre a folha por 2 a 6 horas até encontrar um estômato, onde um apressório será formado, seguindo-se a penetração. O período de incubação tem se mostrado extremamente variável em função do ambiente, havendo registros de 15 até 76 dias. Além da infecção, a produção e disseminação dos esporos sexuados e assexuados são fortemente influenciadas pelas condições climáticas, podendo ser destacados três componentes fundamentais do clima: chuva, orvalho e temperatura, que exercem ação decisiva no desenvolvimento de epidemias.

Os esporos sexuais (ascósporo) e assexual (conídio) apresentam diferenças comportamentais (Tabela 13.1) que refletirão na epidemiologia da doença.

Em estações bem definidas, a produção diária do inóculo pode ser relacionada com presença de água livre sobre a folha e temperatura mínima. Temperaturas máximas são raramente limitantes. De modo geral, temperaturas abaixo de 210C provocam considerável declínio na taxa de infecção e no desenvolvimento da doença, mesmo se as condições de umidade forem adequadas. O mesmo ocorre em estações secas com baixa produção de orvalho à noite, mesmo se a temperatura for adequada.



A produção de ascósporos é maior nas folhas que ocupam as posições de cinco a dez e quando ocorrem períodos chuvosos, com temperaturas de 210C, atingindo o máximo de produção no início da estação seca. A água de chuva é essencial para a liberação dos ascósporos e a disseminação é feita principalmente pelo vento, sendo este o responsável pela disseminação a grandes distâncias.
Tabela 13.1
Os esporodóquios (estruturas onde são formados os conídios) são produzidos em maior número que os peritécios em plantações comerciais e, onde o controle é adequado, os conídios são provavelmente a maior fonte de inóculo. Durante a estação seca, a produção de conídios baixa sensivelmente, mas os mesmos se encontram presentes em lesões, sendo produzidos em noites com 10 a 12 horas de orvalho. Na ausência de um período chuvoso favorável à produção de ascósporos, os conídios são a maior fonte de inóculo, uma vez que são menos exigentes do que os ascósporos. Por outro lado, a produção de conídios é muito sensível às temperaturas abaixo de 220C. Em manchas velhas, a produção de conídios pode se estender por até 30 dias se houver alta umidade.

Controle - O mal-de-Sigatoka é uma doença de controle difícil. A integração de ações é, portanto, o melhor caminho para que o objetivo seja atingido e a harmonia do ambiente seja preservada, como se verá a seguir:

(1) Controle cultural - embora o controle químico ainda seja o principal método de controle do mal-de-Sigatoka, algumas práticas culturais são freqüentemente mencionadas como importantes ferramentas auxiliares para se atingir um bom nível de controle. Os principais aspectos a considerar são: (a) Drenagem - a rápida drenagem de qualquer excesso de água no solo, além de melhorar o crescimento das plantas, reduz as possibilidades de formação de microclima adequado ao desenvolvimento do fungo. (b) Combate às plantas daninhas - altas populações de plantas daninhas no bananal, além da competição, favorecem a formação de microclima adequado ao patógeno. (c) Desfolha - a eliminação, de forma racional, de folhas atacadas ou parte destas folhas, é de grande importância, já que reduz a fonte de inóculo no bananal. Contudo, deve ser feita com bastante cuidado para não provocar danos maiores que a própria doença. Para infecções concentradas, recomenda-se a eliminação apenas da parte afetada. Quando a incidência for alta e bem distribuída sobre a folha recomenda-se a eliminação total da mesma. (d) Outros fatores - diversos fatores, como densidade populacional, observando tanto a quantidade como a distribuição das plantas, e uma adubação bem balanceada contribui para atingir um nível ideal de controle.

(2) Controle químico - a adoção desta medida deve ser precedida de alguns cuidados e procedimentos importantes para a segurança da aplicação e a eficiência do controle, tais como: (a) Horário da aplicação - fazer as aplicações nas horas mais frescas do dia, realizando-as pela manhã e pela tarde. Somente em dias mais frios ou nublados poder-se-ia estender a aplicação por todo o dia. As pulverizações em temperaturas altas, além de representarem maior perigo para o aplicador, perderão em eficiência, principalmente pela evaporação do produto. (b) Condições climáticas - dias ou períodos de muito vento devem ser evitados. A aplicação com ocorrência de vento provocará grande deriva do produto e, conseqüentemente, redução na eficiência do controle. Da mesma forma, não deve ser feita a pulverização com a ocorrência de chuva, mesmo em pequena quantidade. Elas provocam a lavagem do produto, reduzindo a eficiência do controle. A ocorrência de chuvas fortes logo após uma aplicação praticamente invalida o efeito da mesma. (c) Direcionamento do produto - a eficiência da aplicação dependerá em grande parte do local de deposição do produto na planta. Como o controle é basicamente preventivo, é importante que as folhas mais novas sejam protegidas. Portanto, em qualquer aplicação, o produto deverá ser elevado acima do nível das folhas, para que o mesmo seja depositado nas folhas da vela, 1, 2 e 3 e, assim, protegê-las da infecção. Por este motivo, as pulverizações aéreas são mais eficientes. (d) Monitoramento do controle - a utilização do controle sistemático cm Sigatoka, com aplicação continuada de um mesmo produto, leva ao aparecimento de populações do patógeno resistentes a determinados fungicidas. Isto tem ocorrido principalmente com fungicidas que atuam na divisão celular, como é o caso dos benzimidazóis. Para prevenir tais fatos, é importante que se faça a alternância de produtos e, além disto, o monitoramento da resistência através de bioensaios. (e) Produtos utilizados no controle: (e.1) Fungicidas de contato - Estes produtos atuam, principalmente, inibindo a germinação de esporos na superfície foliar. Fazem parte deste grupo produtos a base de mancozeb, utilizados em doses que variam de 0,75 kg a 1,5 kg de ingrediente ativo por hectare, e o clorotalonil, em doses que variam de 875 e 1625 g de ingrediente ativo por hectare. Este último não deve ser utilizado com óleo mineral, uma vez que a mistura é fitotóxica. Produtos à base de mancozeb são utilizados, principalmente, em mistura com óleo mineral em doses que variam de 10-15 l/ha. Vale destacar ainda a importância do óleo mineral no controle do mal-de-Sigatoka no Brasil e no mundo. O mesmo pode ser usado puro, cm dosagens que têm variado de 10 a 15 l/ha. Quando aplicado sobre a folha, penetra, atingindo ambas as faces da mesma, exercendo ação fungistática capaz de paralisar o desenvolvimento do patógeno no interior da folha, aumentando o período de incubação e o período de desenvolvimento da lesão. Nas folhas novas da planta oferece boa proteção. O óleo mineral, no entanto, tem sido mais utilizado como veículo de fungicidas sistêmicos ou em misturas de óleo, fungicida e água. Em mistura, ele facilita a dispersão e penetração dos produtos, assim como a sua permanência sobre a folha. A dosagem de óleo mineral, para misturas de óleo + fungicida, é a mesma para óleo puro. Nas misturas óleo, fungicida e água, o óleo tem participado em geral com 51, entrando ainda um emulsificante, na quantidade de 0,5 a 1,0% do volume de óleo. Foi um sistema bastante utilizado na América Central para Sigatoka amarela e ainda hoje o é para Sigatoka negra, com volume de calda a ser aplicada por hectare na faixa de 22 a 23 litros. (e.2) Fungicidas sistêmicos - neste grupo estão os produtos mais importantes para o controle do mal-de-Sigatoka. Os principais produtos sistêmicos estão incluídos em dois grupos químicos: os benzimidazóis e os triazóis. Os benzimidazóis atuam impedindo a divisão celular, na mitose, sendo considerados de baixa translocação lateral. Deste grupo, o mais conhecido e utilizado é o benomyl, em doses de 140 g/ha. Em menor escalas são utilizados o metiltiofanato e o tiabendazol. É grande o risco de ocorrência de resistência com a aplicação destes produtos. Os mesmos devem ser usados sempre em mistura ou em alternância com outros produtos. O produto mais importante do grupo triazol é o propiconazol, aplicado em dosagens de 100g/ha. (f) Intervalos e épocas de aplicação - recomendam-se duas a três semanas, quando se usa óleo puro, e três a seis semanas, para misturas de óleo + fungicida. A variação nos intervalos depende basicamente da eficiência conseguida na aplicação (pulverizações aéreas são mais eficientes do que as costais motorizadas) e das condições climáticas (períodos chuvosos são mais propícios à doença, requerendo intervalos menores entre aplicações). De modo geral, para as condições brasileiras, onde há urna boa definição entre período chuvoso e período seco, as pulverizações se estendem por todo o período chuvoso. Esta recomendação é válida principalmente para regiões que têm chuvas de verão ou mesmo chuvas de inverno, desde que a temperatura não seja fator limitante para o desenvolvimento da doença. (g) Sistemas de previsão - Tem sido colocado em prática, nas Ilhas de Guadalupe e Martinica, um sistema de previsão que permitiu reduzir o controle para quatro a cinco aplicações anuais. Basicamente duas linhas foram exploradas: a previsão biológica, que se fundamenta na análise de parâmetros biológicos, como o estádio de evolução da doença em relação ao desenvolvimento da planta, e a previsão climática, que está baseada na evaporação piche, tomada em abrigo meteorológico simples, e na temperatura. Onde a temperatura não é fator limitante para o desenvolvimento da doença, apenas a medição da evaporação piche explica a evolução da doença. Não se duvida das vantagens que um sistema de previsão biológica, climático ou bioclimático poderia trazer para qualquer sistema de produção de banana. Para que isto ocorra, entretanto, será necessário a realização de estudos regionalizados, a fim de promover as adaptações do sistema idealizado às condições locais.

(3) Controle genético - a busca de variedades resistentes, seja mediante a seleção dentro dos recursos genéticos existentes, seja mediante a geração de novas variedades por hibridação, é hoje a principal linha de ação visando o controle do mal-de-Sigatoka. Existem, pelo menos, cinco programas de melhoramento em execução, que buscam a resistência ao mal-de-Sigatoka amarela ou negra. O programa brasileiro é provavelmente o que dedica maior atenção à Sigatoka amarela, dada sua maior importância para o país. Foram gerados, a partir de 1982, diversos híbridos resistentes, culminando com o lançamento da variedade Pioneira (AAAB), resultante do cruzamento da Prata Anã (AAB) com Lidi (AA). Será recomendada ainda a variedade Yangambi (AAA), com alta resistência à Sigatoka amarela; a outras doenças importantes. Pode-se citar ainda como resistentes as variedades Mysore (AAB), Terra, Terrinha e D’Angola, todas AAB, e Figo (ABB). A Tabela 13.2 resume o comportamento dos principais cultivares. Os progressos obtidos pelos programas de melhoramento, principalmente o brasileiro e o hondurenho, permitem prever que em um futuro próximo o uso de variedades resistentes deixará de ser apenas uma alternativa ideal e promissora para tornar-se a principal arma de controle à disposição dos bananicultores.

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