Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas




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BIBLIOGRAFIA

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DOENÇAS DA AVEIA


(Avena spp.)

C. A. Forcelini & E. M. Reis

Embora a cultura da aveia não seja recente no Brasil, somente nas últimas décadas é que foi verificado grande incremento no cultivo deste cereal. A área destinada à produção de grãos evoluiu de 23.000 ha em 1976 para 147.060 ha em 1989. Frustrações no cultivo de trigo em anos anteriores, preços favoráveis no mercado interno, o estabelecimento de preços mínimos e a disponibilidade de financiamento à implantação da cultura foram as causas que motivaram este incremento na produção. Entretanto, para que a cultura possa ser explorada em todo seu potencial, alguns obstáculos devem ser vencidos,, dentre os quais a falta de uma melhor estrutura de comercialização, o desconhecimento das qualidades nutricionais da aveia, sua pequena participação na dieta humana e a ocorrência de doenças de importância econômica. A este respeito, merecem maior atenção a ferrugem da folha, a ferrugem do colmo, a mancha do halo e o nanismo amarelo, entre outras descritas neste capítulo.


NANISMO-AMARELO DA CEVADA - “Barley yellow dwarf virus”- BYDV

Esta virose está mundialmente associada aos cultivos de aveia, trigo e cevada, razão pela qual é considerada a virose mais comum e mais importante nessas culturas. No Brasil, relatos de sua ocorrência estiveram sempre associados à cultura do trigo. Os sintomas caracterizam-se por alterações na cor normal da folha, a qual torna-se clorótica, amarelo intensa e, principalmente, roxo-avermelhada. Estes sintomas só se manifestam em folhas que se desenvolvem após a infecção viral e, normalmente, evoluem da parte mediana da folha até sua extremidade. São mais visíveis na aveia semeada entre março e maio, uma vez que a ausência de outros hospedeiros no campo motiva uma grande concentração de afídeos vetores sobre a cultura. A epidemiologia, etiologia, transmissão e controle desta moléstia são idênticos aos descritos adiante, no capítulo referente à cultura do trigo.


MANCHA DO HALO AMARELADO - Pseudomonas syringae pv. coronafaciens (Elliott) Young et al.

É a doença bacteriana mais freqüente e prejudicial, ocorrendo em quase todos os locais onde este cereal é cultivado. Após as ferrugens, é considerada a moléstia mais importante da cultura. No Brasil, foi primeiramente relatada em Passo Fundo (RS) em 1984, de onde evoluiu rapidamente, através de sementes contaminadas, para os estados do Paraná e São Paulo, respectivamente em 1986 e 1988. Sua introdução no Sul do país é atribuída à importação de material genético contaminado. Onde ocorre, a doença chama atenção pela severa destruição foliar, que é limitada somente pelas alterações nas condições ambientais verificadas ao final do ciclo da cultura, o que permite a formação e o enchimento de grãos.



Sintomas - A doença aparece precocemente em folhas novas na forma de manchas ovais, cloróticas, com 0,5 a 2,0 cm de diâmetro, que se formam em volta de pontos de infecção marrom-acinzentados. Em volta destas lesões são visíveis os halos, verde-claros no início e, posteriormente, amarelos. Várias manchas podem coalescer, tomando todo o tecido e matando a folha no sentido da base para o ápice. Além das folhas, os colmos, coleóptilos, glumas e bainhas podem ser afetados. Não é verificada exsudação bacteriana nas lesões. Estes sintomas sucedem-se rapidamente levando ao amarelecimento e declínio das plantas. Alguns cultivares muito suscetíveis, quando de ataques intensos, enrolam as folhas, semelhantemente ao sintoma provocado por estresse hídrico.

Etiologia - Morfologicamente, Pseudomonas syringae pv. coronafaciens caracteriza-se por apresentar bastonetes móveis agrupados em cadeias, de extremidades arredondadas, com um ou vários flagelos polares. Em meio de cultura comum, apresenta-se sob a forma de colônias brancas, lisas e lustrosas, enquanto que em meio B de King e sob luz ultra-violeta, mostram pigmento fluorescente. A bactéria sobrevive em sementes e restos culturais no solo por um período mínimo de dois anos. A partir destas fontes de inóculo, originam-se lesões primárias nas plantas, as quais se propagam rapidamente após períodos chuvosos. A doença é favorecida por clima frio e úmido, reduzindo de intensidade na primavera, à medida que a temperatura se eleva. Existem relatos da existência de diferentes raças na literatura internacional.

Controle - Considerando que a bactéria sobrevive em restos culturais no solo e em sementes, recomenda-se a rotação de culturas, por um período mínimo de dois anos, e o uso de sementes sadias produzidas em campos livres da doença. Todos os relatos da ocorrência da bacteriose estavam, até o momento, associados ao cultivar UPF-5, sugerindo maior suscetibilidade deste. Entretanto, em observações realizadas em Passo Fundo (RS) durante o ano de 1990, todos os cultivares recomendados mostraram-se suscetíveis.
MANCHA ESTRIADA - Pseudomonas syringae pv. striafaciens (Elliott) Young et ai.

De forma semelhante à mancha do halo, a mancha estriada, detectada no Rio Grande do Sul em 1984, também foi introduzida no país através de material vegetal contaminado. Esta bacteriose, no entanto, é menos prevalecente e prejudicial que a anterior.

Sintomas - Lesões nas folhas aparecem, inicialmente, como pontos encharcados e levemente deprimidos que coalescem mais tarde, formando longas estrias ou manchas de tecido encharcado. As estrias variam em comprimento, desde poucos milímetros até o comprimento total da folha. Nesta fase, apresentam uma estreita margem amarela circundando o centro de cor ferruginosa ou marrom. Em condições de alta umidade relativa, aparecem pequenas gotas de exsudato bacteriano sobre as lesões, que posteriormente secam, formando escamas brancas. Além das folhas, outras partes da planta também são atacadas, porém, sem formação de halo. As manchas em forma de estrias e a presença de exsudatos da bactéria são as características que diferenciam, esta doença da mancha do halo amarelado.

Etiologia - A mancha estriada é causada por Pseudomonas syringae pv. striafaciens. Esta bactéria possui características morfológicas e fisiológicas muito semelhantes a P. s. coronafaciens. No caso desta última, os sintomas característicos da mancha do halo são devidos a uma toxina produzida pela bactéria, os quais são reproduzíveis mesmo na ausência do organismo. Após sucessivas repicagens em meio de cultura, a bactéria deixa de produzir a toxina, originando sintomas iguais aos causados por P s. striafaciens, razão pela qual a identificação das bactérias é dificultada. Entretanto, de acordo com a literatura, P. s. coronafaciens produz, em meio à base de tirosina, determinado pigmento, não formado por P. s. striafaciens, o que, segundo alguns autores, é suficiente para distingui-las em dois patovares diferentes. A existência de raças da bactéria é relatada.

Controle - De maneira geral, recomendam-se as mesmas medidas de controle prescritas para P syringae pv. coronafaciens.
FERRUGEM DA FOLHA - Puccinia coronata Cda. f. sp. avenae Erikss

A ferrugem da folha é a enfermidade mais importante da cultura, ocorrendo em todas as regiões onde este cereal é cultivado. Cultivares suscetíveis têm seus rendimentos severamente afetados, necessitando do uso sistemático de fungicidas, o que pode proporcionar acréscimos superiores a 2.000 kg/ha na produção. Em razão da alta variabilidade e especialização fisiológica do patógeno, a resistência dos cultivares não tem sido duradoura, motivo pelo qual um processo contínuo de seleção e melhoramento vem sendo realizado no Brasil e no exterior.



Sintomas - As pústulas desenvolvem-se principalmente nas folhas, podendo também aparecer nas bainhas e panículas. Tais pústulas são pequenas, ovais, isoladas e expõem uma massa alaranjada de uredósporos, os sinais do patógeno. A medida que finda o ciclo da cultura, aparecem pústulas mais escuras que permanecem cobertas pela epiderme. Dentro destas, desenvolvem-se teliósporos bicelulares e escuros. A ferrugem da folha se diferencia da ferrugem do colmo por apresentar pústulas menores amarelo-claras e ausência de tecidos epidermais levantados ao redor destas.

Etiologia - O agente causal da doença é o fungo Puccinia coronata f. sp. avenae, pertencente à família Pucciniaceae, ordem Uredinales e classe Basidiomycotina. Pústulas jovens produzem uredósporos unicelulares, de forma esférica ou ovalada, equinados, de coloração amarelo-alaranjada e diâmetro de 20-32jtm. Os uredósporos, que são facilmente disseminados pelas plantas, germinam em temperaturas que variam de 2 a 330C, com ótimo entre 18 e 220C, e umidade relativa de 100%, formando tubos germinativos que penetram através dos estômatos, tanto na presença como na ausência de luz. Internamente, o patógeno localiza-se na câmara sub-estomática e nutre-se a partir de haustórios curtos intracelulares. Com a maturidade da planta, as pústulas dão origem a teliósporos bicelulares, cujas células apicais são escuras, largas e com projeções em forma de coroa, razão pela qual a doença é, também, conhecida como ferrugem da coroa. Em regiões de clima quente, o fungo persiste, de uma estação para outra, através da contínua produção de uredósporos, os quais são disseminados pelo vento até 2.000 km de distância. Infecções iniciadas a partir de eciósporos produzidos sobre o hospedeiro intermediário (Rhamnus cathartica) não ocorrem no Brasil devido à ausência desta espécie em nossas regiões de cultivo.

Controle - Os cultivares resistentes têm sido pouco efetivos, uma vez que a resistência é governada por poucos genes e pode ser facilmente vencida pelo patógeno. Por esta razão, são necessários levantamentos das raças prevalecentes para orientar os programas de seleção. Até 1969, 27 raças já haviam sido descritas no RS, sendo mais freqüente a 263. Recentemente, estes estudos foram recomeçados, utilizando uma série diferencial composta de linhagens e cultivares adaptados às nossas condições. A eliminação de plantas voluntárias infectadas, muito comuns durante o verão, também é recomendada, embora não seja medida que, isoladamente, resolva o problema. O controle químico é bastante empregado nas lavouras destinadas à produção de grãos e sementes, destacando-se os fungicidas triadimefon, triadimenol, propiconazole e tebuconazole. Técnica e economicamente, os melhores resultados são obtidos com duas aplicações, a primeira no aparecimento dos primeiros sinais (0 a 5% de severidade) e a segunda aproximadamente 20 dias após.
FERRUGEM DO COLMO - Puccinia graminis Pers. f. sp. avenae Eriks & Henn

Doença de grande importância para a cultura da aveia tem sua manifestação vinculada à ocorrência de temperaturas altas durante a primavera, motivo pelo qual, em locais de clima frio, não ocorre todos os anos. Quando presente, entretanto, causa severos prejuízos à cultura, uma vez que afeta todos os órgãos aéreos da planta.



Sintomas - Os sintomas e sinais verificados são idênticos aos da ferrugem do colmo do trigo, descritos com detalhes no capítulo correspondente.

Etiologia - A doença tem como agente causal o fungo Puccinia graminis f. sp. avenae, morfologicamente igual às demais formae speciales, diferenciando-se destas apenas por sua patogenicidade em aveia.

Controle - Recomendam-se as mesmas medidas de controle empregadas contra a ferrugem do colmo do trigo.
CARVÕES - Ustilago avenae (Pers.) Rostr e Ustilago kolleri Wille

Dois tipos de carvões, o nu e o coberto, podem ocorrer na cultura da aveia. Estas doenças têm se restringido a lavouras estabelecidas com cultivares suscetíveis e sementes infectadas. Embora pouco prejudiciais economicamente, os carvões podem comprometer ou condenar um campo destinado à produção de sementes, motivo pelo qual cuidado devem ser tomados em relação ao seu controle.



Sintomas - Os carvões são facilmente reconhecidos pelos sinais dos patógenos, que consistem em massas escuras de teliósporos localizadas nos espaços destinados à formação dos grãos. Estas massas tornam-se visíveis à medida que o tegumento que as envolve se abre para permitir a liberação dos esporos. Quando isto acontece, as brácteas se apresentam com cor cinza-claro e aspecto translúcido.

Etiologia - O fungo Ustilago avenae é o agente causal do carvão nu, enquanto que o carvão coberto é causado por Ustilago kolleri (sin. U. hordei Pers. Lagerh.), ambos pertencentes à família Ustilaginaceae, ordem Ustilaginales e classe Basidiomycotina. Ambos sobrevivem na forma de teliósporos no solo e micélio dormente no interior da semente. Esta última forma de sobrevivência é mais importante sob o ponto de vista epidemiológico. Os ciclos biológicos destes patógenos e os ciclos das doenças assemelham-se aos descritos para Ustilago tritici no capítulo referente às doenças do trigo.

Controle - Recomendam-se as mesmas medidas preconizadas ao controle do carvão do trigo.
HELMINTOSPORIOSE - Pyrenophora avenae Ito & Kurib (Drechslera avenae (Eidam) El Sharif)

A helmintosporiose é uma doença comum da aveia e, aparentemente, seus ataques restringem-se a esta cultura. Embora presente em todas as regiões produtoras, causa prejuízos menos expressivos que as ferrugens, motivo pelo qual é considerada doença de importância secundária.



Sintomas - Os sintomas caracterizam-se por manchas foliares largas, elípticas ou oblongas, de coloração marrom ou roxa. As lesões se difundem pelo limbo foliar, coalescendo e, eventualmente, necrosando todo o tecido. Sob condições favoráveis, o fungo avança para as brácteas e panículas, estabelecendo-se nos grãos, onde permanece de um ano para outro. Quando sementes infectadas são utilizadas, lesões necróticas, estreitas e marrons podem ser visualizadas no coleóptilo das plântulas, as quais muitas vezes mostram-se retorcidas.

Etiologia - A doença tem como agente causal o fungo Drechslera avenae (sin. Helminthosporium avenae Eidam; D. avenaceae (Curtis: Cooke) Shoemaker), pertencente à classe Deuteromycotina. Seus conídios são cilíndricos, retos ou ligeiramente curvos, com pontas arredondadas, cinza-amarelados quando jovens e escuros quando maduros. Possuem de 4 a 6 septos, medem 80-110m x 12-18m e apresentam uma cicatriz na célula basal. Os conidióforos são formados individualmente ou em conjuntos de dois ou três, medindo de 200m x 8-12m. A forma teleomórfica, Pyrenophora avenae, ocorre freqüentemente sobre restos culturais, formando peritécios cônicos, providos de numerosas setas, dentro dos quais originam-se ascósporos elipsoidais ou ovais, arredondados em ambas as extremidades e com 3 a 6 septos. De uma estação a outra o patógeno sobrevive em restos culturais, sementes infectadas e plantas voluntárias. A disseminação é passiva direta (sementes) ou indireta (ventos).

Controle - Dada à dificuldade de obtenção de fontes de resistência ao patógeno, causada pela existência de várias raças, ainda não foram obtidos cultivares resistentes. Por esta razão, como medidas de controle, recomenda-se a eliminação de plantas voluntárias, a rotação de culturas e o uso de sementes sadias. O tratamento de sementes só é recomendado em cultivos destinados à produção de sementes. São indicados os fungicidas iprodione + thiram, tebuconazole e triadimenol, sendo que estes últimos, pelo fato de serem sistêmicos, também têm como característica retardar em alguns dias o aparecimento das ferrugens. O controle químico da doença na parte aérea é, normalmente, desnecessário e anti-econômico.
OUTRAS DOENÇAS

A septoriose, também conhecida como talo negro, é uma doença infreqüente no Brasil.

As lesões aparecem sob a forma de pequenas manchas de cor chocolate que evoluem, adquirindo forma lenticular, e coalescem passando a uma coloração marrom-acinzentada. Nos colmos, verificam-se manchas elípticas e alongadas de cor escura. O agente causal é Septoria avenae f. sp. avenae ,Frank, fungo pertencente à classe Deuteromycotina. Sob condições de alta umidade, os picnídios exsudam profusa massa rósea de conídios. Estes são hialinos, retos ou ligeiramente curvos, cilíndricos, com extremidades arredondadas e medem 20-45m x 2,5-4m. A forma teleomórfica, Leptosphaeria avenaria f. sp. avenaria Weber, desenvolve-se sobre restos culturais na superfície do solo, produzindo peritécios e ascósporos, sendo estes últimos os responsáveis pelo ciclo primário da doença. Desconhece-se a possibilidade do patógeno ser disseminado pela semente. A princípio, a rotação de culturas é a medida mais eficaz para o controle da doença.

A antracnose da aveia é causada pelo mesmo fungo responsável pela doença em trigo, centeio e cevada (Colletotrichum graminicola (Ces.) Wils.), tendo pequena importância nestas culturas. As lesões foliares aparecem na forma de manchas elípticas, alongadas, levemente deprimidas e marrom-acinzentadas, sobre as quais aparecem acérvulos pretos. A epidemiologia, etiologia e controle desta moléstia encontram-se descritos no capítulo de doenças do trigo.

Diferentemente do trigo e cevada, o oídio da aveia é extremamente raro, não tendo importância à cultura. Quando ocorre, é identificado pelas frutificações brancas do patógeno sobre as folhas basais, bainhas e colmos. O agente da doença é o fungo Erysiphe graminis DC Ex Merat f. sp. avenae, cuja epidemiologia e controle são semelhantes aos do oídio do trigo.

A podridão comum de raízes é provocada por Bipolaris sorokiniana, o mesmo agente da moléstia em trigo e cevada. Todavia, os sintomas em aveia são bem menos intensos, uma vez que o fungo não se multiplica nesta cultura, o que permite a inclusão da aveia em esquemas de rotação com trigo ou cevada.

Como doenças da aveia, são citadas, ainda, algumas podridões de raízes provocadas por Pythium spp., Rhizoctonia solani Kühn e Fusarium spp., o míldio, causado por Sclerospora macrospora Sacc., o ergot, incitado por Claviceps purpurea (Fr.) Tul, e uma helmintosporiose, causada por Bipolaris victoriae (Meehan & Murphy) Shoemaker, entre outras.
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DOENÇAS DA BANANEIRA

(Musa spp.)
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