Volume 2: Doenças das Plantas Cultivadas



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DOENÇAS DE ANONÁCEAS E DO URUCUZEIRO

A. M. Q. Lopez



GRAVIOLA - Annona muricata L.

Árvore de porte pequeno a mediano, com caule reto (4-6 m de altura) e pertencente à família Annonaceae, a graviola é originária da América Central e dos vales peruanos, sendo cultivada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Seus frutos são ovóides, verdes (mesmo quando maduros) e conhecidos pelos nomes de jaca-de-pobre, jaca-do-Pará, coração-de-rainha, araticum-manso, araticum-grande ou graviola. Variam de forma e tamanho, os menores com cerca de 750 g e os maiores com até 10 kg como, por exemplo, na variedade “Morada”, que foi trazida da Colômbia. Existem muitas variedades de graviola, sendo os cultivares “A” e “B” os mais plantados no Nordeste. A polpa é branca, sucosa, agridoce, de cheiro e sabor muito agradáveis, contendo proteínas, cálcio, fósforo, ferro e vitaminas A, B1, B, e C. E utilizada na produção de sucos, xaropes, sorvetes, cremes e geléias. Quando consumida ao natural, a graviola é de difícil digestão, devido à alta porcentagem de celulose (1,8%). Prefere os climas quentes e úmidos e solos com pH de 5,5-6,5. Comercialmente, a colheita começa só depois de três ou quatro anos e a produção dura cerca de dez a doze anos. No período inicial, portanto, é possível encontrar consórcios com culturas de ciclo curto (feijão, soja, amendoim, batata, cebola, abóbora ou milho).


MANCHA ZONADA - Sclerotium coffeicola Bull.

A mancha zonada é a doença mais relevante da graviola na Amazônia. O patógeno afeta também outras espécies de plantas, como Eugenia malaccensis, Mangifera indica, Coffea arabica, Calliandra sp., Mussaendria sp., Nauclea diderichii, Bauhinia sp. e Paraqueiba sericeae. A elevada incidência da doença reduz a produção de frutos, pois ocasiona a queda prematura das folhas e desfolhamento ascendente da planta que, em condições de clima favorável, pode ser total.



Sintomas - Os sintomas, exclusivamente foliares, caracterizam-se, inicialmente, por lesões necróticas circulares, com centro marrom-claro, bordas bem definidas de tonalidade marrom escura e diâmetro aproximado de 4 mm (Prancha 9.1). Posteriormente, as lesões tornam-se irregulares, formando linhas concêntricas características, claras e escuras (1 a 2 mm de largura). Atingem diâmetro superior a 3 cm e podem coalescer. Em alguns casos, há perfuração no centro da lesão. Na face abaxial das folhas, observam-se, a olho nu, as estruturas do patógeno, representadas por uma massa de hifas espessas (2-5 mm de comprimento), de coloração branca. Esses propágulos, formados por uma agregação de micélio, assemelham-se a espículas e são encontrados em folhas doentes, presas na árvore ou caídas ao solo.

Etiologia - O agente causal da doença é o fungo Sclerotium coffeicola. A fase sexuada do patógeno ainda não foi encontrada nas condições do Norte e do Nordeste. As características morfológicas mais importantes são os escleródios, observados em folhas destacadas mantidas em câmara úmida e em meios de cultura. São isolados ou agrupados, globosos, com superfície externa rugosa, a princípio de coloração amarelo-alaranjada a marrom-clara e mais escuros quando maduros, com 2 a 15 mm de diâmetro. Os propágulos vegetativos, semelhantes a agulhas brancas (espículas), medem 1-4 mm de comprimento. Disseminados pelo vento, são responsáveis pela propagação da doença, que ocorre cm várias espécies de árvores exóticas da região Amazônica e da Venezuela. A umidade elevada permite a germinação destes, dando origem a primórdios de hifas que penetram e colonizam o limbo. A incidência da doença é extremamente alta no período chuvoso, desaparecendo quase por completo no período seco.

Controle - Até o momento, não se tem adotado medidas de controle. Os cultivares “Morada” e “FAO II”, têm sido os menos afetados pela doença.
PODRIDÃO SECA DA HASTE OU CANCRO DOS RAMOS Botryodiplodia theobromae Pat (Syn. Lasiodiplodia theobromae (Pat.) Griff. & Maubl

Sintomas - Em plantas novas, a infecção incide na haste principal, usualmente na região do colo, induzindo uma podridão seca deprimida na forma de lesão pardo-escura a negra, em cuja superfície brotam pontuações negras e salientes, os picnídios do patógeno. Com o progresso da doença, a lesão termina por anelar toda a haste, cuja casca se esfacela e se desprende, aprofundando-se para o lenho e danificando os vasos. Sobrevêm, então, os sintomas reflexos na parte aérea, tais como murcha, amarelecimento e seca da folhagem e, por fim, a morte da planta.

Em plantas adultas, a doença raramente incide sobre ramos tenros e frutos. Nos ramos, os sintomas assemelham-se aos descritos acima. Os frutos sofrem podridão seca que exterioriza-se na forma de lesões pronunciadas, negras, deprimidas e de contornos irregulares.



Etiologia - O agente causal da doença, tanto em ateiras quanto em graviolas, é o fungo Botryodiplodia theobromae, o qual pode ser isolado de ramos e frutos cm meio de cultura.

Controle - Como medidas de controle, recomenda-se corrigir a acidez do solo mediante calagem adequada, evitar umidade excessiva, reduzindo a irrigação, manter o colo da haste desenterrada, pincelar a haste com pasta bordalesa ou sucedâneo e remover, em caso de ataques ocasionais, os ramos e frutos infectados.

OUTRAS DOENÇAS

Antracnose ou Mancha Foliar - Glomerella cingulata (Stonem.) Spauld. et Schrenk (Colletotrichum gloeosporioides (Penz) Sacc.) - Ataca folhas e frutos, desde sua formação até o amadurecimento, preferindo tecidos jovens. Em frutos maduros, observam-se pontos escuros que coalescem, tornando-os enegrecidos e duros. O resultado é uma podridão de rápida evolução. E controlada pela pulverização de calda bordalesa.

Queima do Fio - Pellicularia koleroga Cooke - Doença caracterizada pelo aparecimento de rizomorfas de cor branco-amarelada, que se desenvolvem sobre as folhas e ramos, causando-lhes secamento.
PINHA - Annona squamosa L.

A árvore da fruta-do-conde, ata ou pinha é originária das Antilhas e, assim como a graviola (A. muricata), foi introduzida na Bahia em 1622, pelo Conde de Miranda. Pertence à família Annonaceae e apresenta porte pequeno, atingindo cerca de 5 m de altura. Os frutos apresentam polpa macia, de cor branca ou creme, desprovida de acidez, muito doce, contendo proteínas, cálcio, fósforo, ferro e vitaminas B1, B2 e C. Envolve múltiplas sementes pardo-escuras.

Vegeta melhor em clima quente, com poucas chuvas e estação seca bem definida, como ocorre no Nordeste. A pinha começa a produzir três anos após o plantio. O período de colheita vai de fevereiro a junho, podendo estender-se um pouco mais em culturas irrigadas. A produção varia de 150 a 200 frutos por pé/ano, sendo consumidos ao natural.


ANTRACNOSE OU MANCHA FOLIAR - Glomerella cingulata (Stonem.) Spauld. et Schrenk (Colletotrichum gloeosporioides (Penz) Sacc.)

O fungo ataca as folhas, galhos e frutos, desde sua formação até o amadurecimento, preferindo tecidos jovens. Na folhagem, produz lesões irregulares no limbo ou nas nervuras, sendo inicialmente pardo-escuras e, depois, esbranquiçadas no centro e cercadas de pontuações pretas e salientes. As folhas atacadas caem ou se tornam inúteis à frutificação. Em frutos maduros os sintomas são similares aos observados em graviola.



Controle - Como a moléstia incide mais na região da copa densa, recomenda-se poda de ramos secos para arejamento e incidência de luz. É indicada aplicação constante de calda sulfo-cálcica a 320C Bé, diluindo-se cada litro em 8 litros de água. Esta aplicação deve ser feita no inverno, quando as folhas da planta caem. Pulverizações regulares na folhagem com zineb, maneb ou mancozeb (2 g/l) são, também, recomendadas.
PODRIDÃO DAS RAÍZES - Phytophthora palmivora (Butl.) Butl.

Sintomatologia - Doença bastante limitante da cultura, inicia-se, geralmente, na região do colo da planta, causando o escurecimento e posterior apodrecimento da casca do tronco e das raízes, culminando com a morte da planta após algum tempo.

Em plântulas, a infecção resulta em podridão das raízes, sendo que o micélio atinge as células do parênquima. Em plantas adultas, cancros podem ocorrer na casca das árvores e o micélio pode estar livre ou compactado. Quando a podridão circunda o lenho, a planta pode morrer. A invasão do lenho tende a ser bloqueada em plantas velhas. Sintomas nas folhas variam de discretas manchas necróticas a uma queima típica com margens crestadas. Nos frutos, ocorrem lesões necróticas que coalescem e geram uma podridão mole de cor marrom. Dependendo da umidade, hifas aéreas e esporângios podem ser produzidos.



Controle - Como medidas de controle, além das práticas culturais, recomenda­se que o colo da planta esteja sempre acima do nível do solo. Também é indicado o tratamento de sementes com hidróxido de cobre (21 g/l) ou a pulverização das plantas com fungicidas cúpricos, 2 a 3 vezes por semana, durante o pico de incidência da doença.
PODRIDÃO SECA DA HASTE OU CANCRO DOS RAMOS - Botryodiplodia theobromae Pat. (Syn. Lasiodiplodia theobromae (Pat.) Griff. & Maubl.)

Embora em plantas adultas as lesões causadas por B. theobromae sejam escassas ou ocasionais, a haste principal de mudas de graviolas e ateiras, habitualmente à altura da linha do solo, tem sido alvo de infecção. A sintomatologia, etiologia e controle são idênticos aos descritos para a graviola.


URUCUZEIRO - Bixa orellana L.

Planta pertencente à família Bixaceae, o urucuzeiro - também conhecido por urucu, urucu-uva, urucu-bravo, colorau, açafroa, urucuaba, kisafu, bixa, roncon, bija ou anatto - é uma espécie arbustiva perene, que cresce espontaneamente em regiões tropicais e subtropicais, desde a Guiana Francesa até a Bahia e o Espírito Santo. As variedades cultivadas são a “Peruana”, a “Cabeça-de-Moleque”, a “Vermelha” e a “Comum”. Apresenta altura variável (2-9 m), tronco aproximadamente linheiro revestido de casca parda e copa ramificada. As folhas, longamente pecioladas, são verdes, alternas, cordiforme-acuminadas (8-20 cm de comprimento x 4-15 cm de largura). As flores rosadas são cobertas na face inferior por escamas filiformes e vermelhas, dispostas em panículas terminais (4-5,5 cm de diâmetro). Os frutos são abundantes, vermelhos ou esverdeados, na forma de cápsulas ovóides (3-4 cm de comprimento x 3-4,5 cm de diâmetro) cobertas por longos espinhos flexíveis. Cerca de 40% do peso de tais frutos deve-se a dezenas de pequenas sementes (5-6 mm de comprimento) por eles encerradas, cobertas por um arilo polposo e avermelhado (10% do peso das mesmas). A polpa das sementes, além de matéria oleosa empregada na fabricação de margarinas, encerra dois tipos de corantes: a bixina (líquido vermelho escuro, viscoso e lipossolúvel) e a norbixina (pó castanho-avermelhado e hidrossolúvel). Tais corantes naturais representam, respectivamente, no Brasil e no Mundo, 90% e 70% daqueles utilizados nas indústrias têxteis, farmacêuticas, de cosméticos e de alimentos, sendo comprovadamente dos poucos corantes que não são nocivos à saúde. No arilo, encontra-se também regular percentagem de cálcio, ferro, fósforo e vitaminas A,B2 e C. Quanto ao uso medicinal, índios da Amazônia costumam revestir seus corpos com uma pasta de polpa de semente para protegê-los contra os efeitos causticantes dos raios solares e picadas de insetos. Também recomendam as folhas como analgésicas, hemostáticas e antibióticas. As raízes são diuréticas.



O urucuzeiro vegeta melhor em locais onde a temperatura varia em tomo de 280C e a precipitação pluviométrica é superior a 1.200 mm, com chuvas bem distribuídas durante o ano todo. Não suporta geadas nem altitudes superiores a 800 m, ocorrendo em diferentes tipos de solos do Norte e Nordeste. Na Amazônia, devido às condições climáticas favoráveis, a planta começa a frutificar aos 2 anos, com duas safras anuais. A produção comercial do urucuzeiro inicia-se depois dos 18 meses, estabilizando-se entre o terceiro e o quinto ano e prolongando-se economicamente por até 50 anos.

Nos dois primeiros anos, enquanto a área ainda está bem ensolarada, é comum a consorciação com grãos e outras culturas de ciclo curto (feijão, arroz, milho, amendoim e abacaxi).



Tais vantagens do urucuzeiro, aliadas à sua relativa resistência a pragas e doenças, elevaram sua importância agrícola, sobretudo nos últimos doze anos, quando a Organização Mundial da Saúde despertou atenção para o fato de que muitos corantes sintéticos possuem propriedades cancerígenas. Estimativas revelam que as cifras de exportação brasileira de urucu, no final da década de 80, alcançaram 715 mil dólares, sendo os Estados Unidos, o Reino Unido e a Venezuela os principais importadores. Assim, por ser o urucuzeiro cultura de exploração racional recente, poucas informações existem em termos agronômicos e os agricultores ressentem-se de dados de pesquisa, em especial fitopatológica.
OÍDIO OU CINZA DO URUCU - Oidium bixae Viégas

Sintomas - As manchas características do oídio do urucuzeiro são circulares e branco-acinzentadas, de superfície pulverulenta. O diâmetro das lesões varia de poucos milímetros a alguns centímetros. Podem coalescer e tomar todo o tecido foliar, porém, no estágio inicial da infecção, o fungo só é observado na face inferior. A coloração da face adaxial, na região correspondente ao ataque, torna-se verde-pálida. Com o progresso da doença, a superfície foliar torna-se ondulada e deformada.

Etiologia - A fase imperfeita do agente causal desta moléstia, que corresponde à espécie Oidium bixae, é a principal responsável pela ocorrência da mesma. Nessa turma, o tungo produz hifas hialinas, septadas e ramificadas que formam o micélio esbranquiçado que cobre as lesões. Tais hifas são externas às células epidérmicas, sendo que a invasão das mesmas ocorre por meio de haustórios. O conidióforo, não ramificado e clavado, sustenta os conídios de morfologia típica do gênero (micélio com 4 mm de diâmetro, conidióforo com 25-30 mm x 4-6 mm e conídio com 32-24 mm x 12- 19 mm). A forma teleomórfica é desconhecida.

Controle - Uma vez que o urucuzeiro apresenta folhas caducas, a doença tem seu ciclo interrompido. Caso seja necessário um controle, em especial se ocorrer ataque nas flores ou frutos jovens, deve-se aplicar fungicidas de mesma base química do benomil, pirazofós ou outro oidicida de comprovada eficiência em outras culturas.
OUTRAS DOENÇAS

Antracnose - Colletotrichum gloeosporioides (Penz) Sacc.- A doença caracteriza-se por queima da ponta das folhas, atingindo parte do limbo foliar, deixando-as quebradiças. Em conseqüência da queima dos brotos novos, ocorre o desenvolvimento de excessivas brotações laterais. Por tal razão, a moléstia pode também ser denominada ramulose, como ocorre na cultura do algodão. O controle imediato, caso a antracnose se alastre, é a aplicação de fungicida à base de cobre. Tratos culturais, adubação balanceada e seleção de plantas matrizes resistentes são também recomendados.

Mancha Parda das Folhas ou Cercosporiose - Cercospora bixae Allesch et Noack. É a moléstia mais comum, embora não cause problemas tão sérios à cultura, pois atinge somente tecidos foliares senescentes. Provoca lesões circulares e pardo-negras.

Vassoura-de-Bruxa - Crinipellis perniciosa (Stahel) Singer - Afeta plantios situados próximos a cacaueiros fortemente infectados. Os sintomas caracterizam-se por uma proliferação anormal de brutos laterais seguida de hipertrofia e inchamento da base dos brutos vegetativos. Tais brutos, inicialmente, têm a coloração marrom escura. Testes efetuados em casa-de-vegetação evidenciaram que o urucuzeiro não se constitui em planta hospedeira alternativa com capacidade de produzir inóculo desse patógeno, já que os basidiocarpos não se expandem nem liberam basidiósporos, o que evita a perpetuação do fungo e o desenvolvimento de epidemias. Como medida de controle, recomenda-se evitar o plantio de urucuzeiros próximos às lavouras de cacaueiros.

Mancha Foliar - Mycoleptodiscus sp.- Caracteriza-se por lesões foliares arredondadas pardo-claras, circundadas por halo de tecido pardo-escuro e com a parte central mais necrosada. Leva à redução do porte da planta e morte. Em acérvulos das lesões necróticas, constatam-se conídios característicos de Mycoleptodiscus sp. Tais conídios são alantóides, hialinos, unisseptados e com apêndice filamentoso na extremidade de cada célula.

Mancha de Alga ou Ferrugem Amarela - Cephaleuros virescens Kunze. - Ocorre em grande número de hospedeiros, especialmente nas regiões de clima tropical, em geral incidindo na folhagem madura ou velha da parte inferior da copa e nas hastes. Tais lesões, irregularmente circulares a elipsoidais e de tamanhos variados, são, em geral, menores que 4 cm de diâmetro, podendo ser detectadas de forma isolada ou coalescente. Cobrem grandes extensões das hastes e apresentam coloração alaranjada com bordos castanhos. Somente as bordas não são revestidas pelas colônias alaranjadas da alga. Lesões velhas, após o desprendimento das estruturas filamentosas do parasita, perdem a aparência feltrosa e assumem o aspecto de crostas secas, trincadas, com a colônia da alga em tom verde-pálido ou cinza-creme. As folhas, como reflexo do rigoroso ataque às partes lenhosas, murcham gradativamente, sobrevindo o amarelecimento e a queda precoce. Tais sintomas, inicialmente restritos a setores da copa, tornam-se generalizados, culminando com a morte da planta. Quanto à morfologia das estruturas reprodutivas do parasita, além de filamentos estéreis, ocorrem filamentos férteis (zoosporangióforos) eretos, retilíneos ou curvos (130-346 mm x 13-19 mm) constituídos de células coradas e cilíndricas. Tais filamentos são encimados por uma estrutura vesicular, arredondada. Cada zoosporangióforo sustenta 3-6 zoosporângios ovóides ou globosos (33-45 mm x 36-41 mm), de cor amarela e presos à vesícula por pedicelos curtos. No seu interior, por fragmentação, formam-se numerosos zoósporos biciliados.

Murcha de Phytomonas - Phytomonas sp. - A incidência rara desse protozoário uniflagelado foi constatada em sementes de urucuzeiro. Esses flagelados medem cerca de 8-14 mm de comprimento x 1,5-2 mm de largura. O flagelo presente na região anterior mede 8-14 mm, sendo que 30% das formas são aflageladas.

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DOENÇAS DO ARROZ

(Oryza sativa L.)



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