Undone by her tender touch



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Дата25.04.2016
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CAPÍTULO VINTE E UM

Assim que Cam virou na rua de Pippa, seu estômago desabou e sua boca secou. Ele apertou o volante enquanto acelerava.

O mundo inteiro fulgurava com luzes piscantes. Viaturas policiais, ambulâncias, caminhões dos bombeiros. O cheiro de fumaça estava pesado, e o céu estava tingido de laranja com a luz das chamas.

Ele parou derrapando diante de uma barricada da polícia e saiu de sua picape correndo na direção do edifício de Pippa.

— Ei! Você não pode entrar lá!

Ele ignorou o grito, pensando apenas em chegar até Pippa. Ah, Deus, de novo, não. Tudo menos aquilo. Ele não poderia perdê-la!

Cam tinha acabado de chegar à linha de frente de caminhões dos bombeiros e ambulâncias quando alguém o derrubou no chão. Ele já se levantou socando. Um policial estava sobre ele, gritando algo que Cam não conseguia ouvir nem entender.

Outro policial chegou, ajudando a segurar Cam no chão.

— Saiam de cima de mim! — esbravejou ele roucamente. — Preciso ir até ela. Pippa! Ela está grávida! Preciso salvá-la.

— Você não vai a lugar algum — rosnou o policial enquanto punha mais pressão sobre o pescoço de Cam. — Recomponha-se, filho. O quarteirão inteiro está em chamas. Você só vai acabar se matando.

— Não nos obrigue a prendê-lo — ameaçou o outro policial. — Entendo a sua preocupação, mas estão fazendo tudo o que podem para garantir que todos saiam. Deixe que façam o trabalho deles.

— Preciso saber se ela está bem Eles a tiraram de lá?

Lentamente, o primeiro policial tirou o braço do pescoço de Cam Olhou de forma preocupada para Cam enquanto, junto com o outro policial, colocava-o de pé.

— Nada de movimentos bruscos — avisou o policial.

Cam levantou as mãos, seu coração martelando de terror ao passo que ele olhava à volta. Seu pior pesadelo em tempo real.

O destino o atacava novamente, e talvez ele jamais se recuperasse dessa vez. Mas não, não era o destino. Ele poderia ter evitado aquilo. Se ao menos tivesse se aberto como ela fizera. Se tivesse se disposto a arriscar, como ela fizera ao procurá-lo.

A culpa era toda dele. Se algo acontecesse com Pippa e com o filho deles, sua vida estaria acabada.

— Pippa Laingley. Ela morava ali. — Ele apontou para o apartamento dela com a mão trêmula. — Por favor, podem me dizer se a encontraram?

— Fique aqui. Vou ver o que consigo descobrir. — O policial gesticulou para que o outro ficasse com Cam

O policial que ficara a seu lado o olhou com solidariedade.

— Eles já tiraram várias pessoas. Muitas foram levadas para o hospital. Tenho certeza de que a encontraram também.

Poucos momentos depois, o primeiro policial retornou com uma expressão soturna no rosto.

— Eles a levaram de ambulância há mais ou menos meia hora. Foi uma das primeiras a serem retiradas. Não tenho mais detalhes. Está uma loucura aqui, mas eles disseram que ela estava consciente e parecia ilesa.

Os joelhos de Cam cederam, e ele quase desabou de alívio.

— Para onde a levaram?

Ele saiu correndo até sua picape quando o policial gritou o nome do hospital. Cam entrou no carro e se afastou do caos.

Precisou se conter para não dirigir de forma inconsequente. Ele necessitava ver Pippa, saber se ela estava bem. Tinha de abraçá-la novamente e lhe dizer tudo o que havia em seu coração. Tudo que sua teimosia e burrice extremadas o tinham impedido de contar.

Ele só torcia para que ela o ouvisse.

Pippa estava deitada numa cama desconfortável num pequeno cubículo da sala de emergência, enquanto enfermeiras iam e vinham. Seu horrendo pânico se acalmara um pouco quando o médico dissera que o bebê estava bem.

Porém, ela não parava de imaginar o que poderia ter acontecido.

Ela massageou sua barriga, confortada pelos movimentos do bebê. A última hora se passara num borrão enquanto todos a verificavam. Ela faria um ultrassom e poderia ver por si mesma que seu bebê continuava bem A porta se abriu e, para surpresa de Pippa, a cabeça de Devon apareceu. Surpreendendo-a ainda mais, Ashley entrou atrás dele.

— Pippa! Ah, meu Deus — arfou ela.

Ashley a abraçou.

— Ashley, o que está fazendo aqui? Você acabou de ter um bebê! Deveria estar na cama.

Devon chegou pelo outro lado da cama de Pippa e lhe deu um beijo na testa.

— Estávamos preocupados, Pippa. Quando soubemos, Ashley quis vir imediatamente. Não pude negar.

Pippa franziu o semblante.

— Deveria ter negado. Onde está Katelynn? Ash, você está bem?

Ashley abraçou Pippa ferozmente e recuou.

— Estou bem! A questão é como você está. Tive um bebê, Pip. Parto normal. Passei o dia inteiro andando por aqui. E Katelynn está no berçário. Diga o que diabos aconteceu!

Ashley apertou a mão de Pippa, que começou a chorar.

Devon acariciou delicadamente o cabelo de Pippa. Ashley parecia preocupada.

— Ah, Ashley. Foi uma noite tão horrível...

— Espere, você foi encontrar Cam? Ah, não. O que aconteceu?

— Está tudo acabado — disse Pippa, sua voz falhando com a tensão emocional e a ardência da fumaça. — Fui até a casa dele, disse que o amava e, agora, está tudo terminado.

— Vou dar um tempo a sós para vocês — murmurou Devon. — Se precisarem de alguma coisa, estou ali fora.

Ele deu um último toque afetuoso no braço de Pippa e saiu.

Ashley afastou o cabelo de Pippa do rosto.

— Conte tudo, começando pelo que o médico disse. Você me deixou morta de medo. Primeiro, quero saber se você está bem Depois, quero saber tudo que aconteceu na casa de Cam

— O médico disse que estou bem. Que o bebê está bem. Fui dormir no sofá e, quando acordei, o apartamento inteiro estava em chamas. Mas saí antes de inalar fumaça demais. Tive sorte. Estou um pouco ralada por ter rastejado, mas vou ficar bem. O médico disse que posso ir para casa amanhã à tarde.

A voz dela desapareceu quando Pippa percebeu que não tinha mais uma casa.

Novas lágrimas se derramaram pelo rosto dela.

Vai ficar tudo bem, Pip. Eu prometo. Não quero que se preocupe. Minha mãe vai chegar aqui de manhã. Ela já está fazendo planos para levar você para casa com ela e cuidar de você.

Pippa sorriu tremulamente.

— Você não faz ideia de como preciso dela neste momento. — Ela suspirou. — Eu deveria estar feliz. Tomei uma decisão. Dispensei Cam. E com razão. Mas estou tão triste. Amo aquele idiota e estou com raiva por não conseguir parar de amá-lo.

— Conte.

A humilhação e a devastação a atingiram novamente.

— Ele me disse que não queria me amar, nem amar nosso bebê. Não que não fosse capaz ou que não acreditasse que nunca encontraria outra alma gêmea. Simplesmente que não queria nos amar. Ele foi tão... frio.

Ashley fez cara feia.

— Eu o odeio. Não me importo se ele é o melhor amigo de Dev.

— Deus, tudo parece tão surreal.

— Não quero que você se estresse com isso. Sei que parece absurdo. O tapete foi tirado debaixo dos seus pés, e você pode acabar pensando que seu mundo inteiro está desmoronando. Mas vai ficar tudo bem. Você tem a mim. Tem minha mãe. Tem Sylvia, Carly e Tabitha. Devon vai fazer tudo que puder. Por favor, não se preocupe demais. Neste momento, você só precisa se concentrar em você e no bebê, e em ficar saudável.

Pippa sorriu em meio às lágrimas.

— Obrigada. Amo você, Ash. Não sei o que faria sem você.

— Quero que você descanse um pouco agora, está bem? Está quase na hora de amamentar Katelynn. Então, vou voltar lá para cima, mas vou pedir para Dev ficar de olho em você. Minha mãe vai trazer uma roupa para você usar na volta. Quero saber assim que você for liberada. Também devo ir para casa hoje. Talvez possamos dar o fora daqui juntas.

— Obrigada, Ash. De todas as minhas amigas, você é a melhor. Dê um beijo em Katelynn por mim

Assim que Ashley desapareceu de vista, Pippa fechou os olhos. A exaustão a atingiu. Ela chegara a seu limite. Estava física e emocionalmente esgotada. Não restava nada, a não ser um vasto vazio e uma enervante dor em seu coração.

CAPÍTULO VINTE E DOIS

Cam atravessou as portas da emergência e foi à recepção perguntar a respeito de Pippa. Mentiu descaradamente, dizendo que era o marido dela, e exigiu vê-la. Uma das enfermeiras o chamou e lhe disse onde ela estava.

Enquanto avançava às pressas, ele percebeu que Devon estava no corredor. Cam estava prestes a chamá-lo quando a porta do quarto de Pippa se abriu e Ashley saiu.

Devon abraçou sua esposa e começou a levá-la pelo corredor quando os dois o viram. Ele não esperava ser muito bem tratado por Ashley no momento, mas a raiva na expressão de Devon o surpreendeu.

— Como ela está?

Ele teria simplesmente passado por eles e entrado no quarto dela, mas Devon o bloqueou. Então, Ashley pôs a mão no braço de Cam, o que o fez parar imediatamente. Ela não deveria estar andando pelo hospital logo depois de ter tido um bebê.

— Cam, por favor — disse Ashley em voz baixa. — Deixe Pippa em paz.

Ele recuou e passou a mão no cabelo.

— Deixá-la em paz? Preciso vê-la. Preciso ver por conta própria se ela está bem Vocês não sabem como foi chegar ao edifício dela e imaginá-la presa naquele inferno.

Ele se sentiu novamente nauseado ao pensar naquilo, uma imagem que carregaria consigo por muito tempo.

— Ela está exausta. Precisa descansar. Cam, ela está tão frágil agora.

A descrição hesitante dela só o deixou mais determinado.

— Deixe Pippa descansar. Já chega por hoje. Você não pode entrar lá e deixá-la chateada. Ela passou por maus bocados. Não sabe que foi você quem telefonou para nós. Nem perguntou como sabíamos que ela estava aqui.

Ele fechou os olhos quando a tristeza o dominou.

— Ela me odeia.

— Não, ela ama você — disse Ashley delicadamente. — E esse é o problema. É por isso que você não pode entrar lá e se aproveitar do estado dela. Nunca vou perdoar você se não permitir que ela durma ao menos por algumas horas. Ela está com uma aparência horrível, Cam. Parte disso é culpa sua.

— Não a incomode — falou Devon. — Ashley tem razão. Ela está extremamente frágil. Entrar lá para amenizar sua culpa não vai melhorar nada.

— Isso não tem nada a ver com culpa — respondeu ele, frustrado. — Droga, eu a amo! Preciso contar isso a ela. Não posso deixar as coisas do jeito como terminaram entre nós.

Devon pôs a mão no ombro de Cam.

— Se você a ama, pode esperar. Não force agora, Cam. O resultado não vai ser bom. Pippa já está além do limite dela.

— Não vou embora — falou Cam ferozmente.

— Ninguém disse para você ir.

Cam fechou os olhos.

— Certo. Não vou entrar agora.

Pensar em Pippa exausta, fraca e emocionalmente esgotada o dilacerava. Tudo que ele queria era abraçá-la. Acolhê-la em seus braços, sussurrar que a amava e que tudo ficaria bem.

Não estivera presente para ela antes. Entretanto, não a abandonaria agora.

O olhar de Ashley encontrou o dele, suplicante, ainda que também transmitisse um aviso.

— Conserte tudo com ela, Cam. E não ouse magoá-la novamente.

— Vou passar o resto da minha vida amando e protegendo Pippa, se ela me aceitar.

Devon suspirou.

— Essa é a questão, cara. Isso não vai ser fácil.

Cam sabia disso, mas seu coração afundou com a convicção na voz de Devon.

— Desço mais tarde para ver como ela está — falou Devon.

Era um aviso. Devon voltaria e não iria querer encontrar Pippa chateada. Cam reconheceu aquilo com um movimento de cabeça e observou enquanto Devon e Ashley desciam lentamente pelo corredor.

Cam olhou para a porta fechada, desejando loucamente poder ver Pippa. Apenas tocá-la. Foi até o fim do corredor, pegou uma cadeira e a pôs diante da porta de Pippa, sentando-se para começar sua vigília.

Não iria embora.

Num determinado momento, uma enfermeira entrou, lançando um olhar apreensivo para ele. Um instante depois, ela saiu, e Cam se levantou imediatamente.

— Como ela está?

De semblante franzido, a enfermeira o observou durante um momento.

— Sinto muito, mas não tenho permissão para dar essa informação.

— Sou o marido dela — disse ele, e percebeu como seria idiota estar sentado no corredor se ele fosse casado com ela.

— Eu... só queria que ela descansasse. Estou tão preocupado. Não queria deixá-la mais tensa.

A expressão dela se suavizou.

— Ela está dormindo. Bem profundamente. Nem se mexeu quando fui verificar os sinais vitais.

Cam assentiu e agradeceu. Enxugou suas nervosas palmas na calça enquanto a enfermeira ia embora às pressas. Então, hesitantemente, ele abriu a porta, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho.

Se ela estava dormindo, não saberia que ele tinha entrado. Ele poderia observá-la durante um tempo e saber que ela permanecia em segurança. Cam entrou.

Pippa estava deitada numa cama estreita com as costas elevadas. Estava dormindo, como dissera a enfermeira, contudo, não parecia nada confortável. Seu corpo pendia para um dos lados e parecia precariamente perto de cair da cama.

Ele se aproximou mais um passo e, por um instante, não conseguiu respirar. Frágil fora uma descrição generosa. Ela parecia tão pequena na cama. Seu cabelo estava bagunçado. Cam conseguiu sentir o leve cheiro de fumaça.

Pippa estava pálida, e seu rosto parecia mais magro. Havia manchas escuras abaixo de seus olhos. Cam franziu o semblante ao ver os arranhões nas mãos dela.

Ela parecia inteiramente esgotada. Como Devon dissera, além de seus limites. Cam provocara aquilo.

Incapaz de resistir, ele baixou os dedos, simplesmente querendo tocá-la. Percorreu as linhas do rosto dela, afastando delicadamente uma mecha de cabelo que estava perto da boca.

Então, curvou-se e deu um delicado beijo na testa dela, fechando os olhos e permitindo que sua boca permanecesse um pouco ali.

— Amo você — sussurrou ele.

Pippa acordou com a incômoda sensação de que algo havia acontecido sem que ela percebesse. Seus sonhos tinham sido ocupados por Cam e uma infinita ternura, em vez de chamas, fumaça e medo.

Não havia relógio no quarto e, se não fosse pela brilhante luz do sol que entrava pela pequena janela, ela não faria ideia de que era dia.

Pippa passou automaticamente as mãos na barriga e sorriu quando o bebê chutou.

Então, a porta se abriu, e Gloria Copeland entrou, determinada e agitada. Entretanto, no instante em que os olhos delas se encontraram, seu olhar se abrandou, e ela correu para a cama para abraçar Pippa.

— Pobrezinha. Você está bem? Devon me contou o que o médico disse, mas eu estava tão preocupada.

Para sua infinita vergonha, Pippa começou a chorar novamente.

— Ah, querida — falou Gloria. — Não chore. Você sabe que vai ficar comigo. Já deixei um quarto pronto para você, ao lado do antigo quarto de Ashley. Espero que ela e Katelynn passem alguns dias lá, e vai ser como nos velhos tempos. Ter minhas meninas por perto vai ser tão bom. Vou poder mimar vocês.

— Amo você, sra. Copeland — fungou Pippa.

Gloria lhe deu um beijo na testa.

— Também amo você, meu amor. Vai ficar tudo bem. Eu prometo. As coisas podem parecer ruins agora, mas vamos fazer você se reerguer bem rápido.

Pippa apertou a mão de Gloria.

— Tenho tanta sorte de ter você e Ashley. São minha única família.

E Pippa sabia que era verdade. O sangue não queria dizer muita coisa. Miranda podia tê-la trazido ao mundo, mas uma família tinha a ver com amor e apoio incondicionais. Com estar sempre presente, por mais difíceis que as coisas estivessem.

Era aquilo que Pippa queria para seu filho. E daria isso a ele, houvesse o que houvesse.

— Vou lhe dizer o que vamos fazer. Vou levar você para casa e pôr você na cama. Assim que se sentir melhor, vamos passar um dia no spa. Se isso não fizer você se sentir melhor, não sei o que vai. Vamos levar Ashley também

Pippa sorriu. Um dia com Ashley e a mãe dela soava maravilhoso.

— Viu? Você já está sorrindo. É sério, querida, não quero que você se preocupe com nada. Vou pedir para William pagar a conta do hospital. Você vai ficar conosco até o bebê nascer. Não faz sentido você suportar o estresse de tentar encontrar um novo apartamento quando deveria estar se concentrando no seu bebê. Vamos nos divertir muito. Você vai ver.

Pippa não recusaria a hospitalidade de Gloria Copeland, mesmo se quisesse. Ninguém era páreo para ela. Era uma força da natureza, e Pippa a amava por isso.

Então, ela franziu o semblante quando a realidade a atingiu.

— E minha confeitaria? Não posso simplesmente abandoná-la.

— Claro que não. Vamos dar um jeito. Você tem funcionários que podem cuidar das coisas por alguns dias enquanto você descansa e se recupera. Depois, vamos dar um jeito de você ir trabalhar todas as manhãs. William vai ficar feliz em providenciar um motorista para você.

— Obrigada. De verdade. Não sei o que faria sem você, o sr. Copeland e Ashley.

Gloria ficou radiante.

— William vai ficar feliz por saber disso. Você sabe que ele a ama tanto quanto eu, apesar de ser um bode velho às vezes.

Pippa riu.

— Agora, vou descobrir quando você vai ser liberada. Quanto mais rápido levarmos você para casa, melhor. Vamos pedir para nosso médico examinar você todos os dias, só para termos certeza de que está tudo bem.

Pippa se recostou no travesseiro e suspirou. As coisas já estavam melhorando. Ela superaria aquilo com a ajuda das pessoas que amava.

Alguns momentos depois, Gloria retornou. Novamente, estava com aquela expressão estranha ao entrar.

— O que o médico falou? — perguntou Pippa.

— Ah, não falei com ele. Falei com a enfermeira. Ela disse que você vai estar pronta para ir para casa daqui a algumas horas.

Uma sensação desconfortável dominou Pippa. Havia algo estranho com a sra. Copeland.

— Algo errado?

Gloria suspirou.

— Você logo ia saber mesmo. Cam está lá fora. Parece que passou a noite inteira ali. Ele se recusa a sair. Simplesmente está sentado naquela cadeira, de cara triste. Ele quer entrar, mas eu disse para ele não fazer isso. Não quero chatear você.

O coração de Pippa martelou. Seus punhos se cerraram imediatamente. Sua respiração ficou ruidosa no quarto silencioso.

— Não quero vê-lo.

Gloria pôs o braço em torno dos ombros dela.

— Não precisa ver, querida. Eu só não queria que você tomasse um choque quando saísse e o encontrasse na sua frente.

— Não, está tudo bem. Obrigada pelo aviso. É que não temos mais nada para dizermos um ao outro.

Gloria lhe deu um beijo na têmpora.

— Ashley vai receber alta hoje, e vai levar Katelynn para casa. Vamos todos juntos para o meu apartamento quando você for liberada.

Pippa assentiu, ainda pensando em Cam Não era uma covarde. Todavia, a última coisa que ela queria naquele momento era outro confronto. As palavras dele a tinham atingido profundamente, uma ferida da qual ela não se recuperaria num dia ou numa semana.

Um dia de cada vez. As coisas melhorariam. Ela precisava acreditar nisso.

CAPÍTULO VINTE E TRÊS

Cam ergueu o olhar e viu Devon chegando pelo corredor.

— Já entrou para vê-la? — interrogou Devon ao parar diante da porta do quarto de Pippa.

Cam balançou a cabeça.

— A mãe de Ashley está com ela. Não me quer perto de Pippa. Não a culpo. Onde estão Ashley e Katelynn?

— No carro. Estacionei na frente da saída. O pai de Ashley está com ela. Vai levar Pippa e Gloria para casa.

Cam fechou a expressão. Pippa não tinha mais uma casa. No entanto, deveria ter. Seu lugar era junto dele. Sempre com ele.

Ele suspirou, sem saber o que fazer. Não estava acostumado com aquela sensação.

Então, a porta se abriu e Pippa apareceu, com Gloria logo atrás. O olhar de Cam se fixou em Pippa. Ela estava pálida e abatida. Seu cabelo estava preso num rabo de cavalo. Seus braços pareciam mais finos. A única parte dela que parecia normal era o ventre onde o filho deles repousava.

— Pippa — disse ele com uma voz baixa e trêmula. — Graças a Deus, você está bem.

Ele estendeu a mão, querendo tocá-la, confirmar que ela estava mesmo diante dele, mas Pippa recuou. Cam recolheu a mão.

Ela começou a passar por ele, e Cam fechou os olhos, sabendo que não poderia deixá-la ir embora. Não de novo. Não daquele jeito.

— Pippa, espere, por favor.

Ela parou e ficou ali durante um longo instante, de costas para ele. Então, virou-se devagar, os olhos apáticos ao olhá-lo. Então, ela empinou o queixo e empertigou os ombros.

— Podem me esperar lá fora — disse ela a Devon e Gloria. — Não demoro.

Gloria pareceu querer argumentar, mas ficou de boca fechada.

— Vou esperar no fim do corredor, para poder acompanhar você até lá fora — disse Devon.

Pippa assentiu e se virou novamente para Cam, enquanto Devon e Gloria se afastavam

Já incapaz de evitar tocá-la, Cam capturou a mão de Pippa. Puxou-a para perto, para poder sentir o estável conforto do coração dela batendo contra seu peito. Ela desabou contra ele, seu suspiro o atingindo no estômago. Um suspiro desesperançado e cansado que dizia que ela estava no limite, tanto física quanto emocionalmente.

Pippa fechou os olhos e virou o rosto para o pescoço dele por apenas um instante antes de recuar, sua expressão novamente indiferente.

— Preciso ir. Estão me esperando.

— Você pode ir para casa comigo, Pippa. Vou cuidar de você. Temos muito a conversar, muitas coisas que preciso dizer. Mas minha prioridade é você.

— Não.

Ele esperava mais. Uma discussão.



Algo que ele pudesse rebater.

Seu coração disparou. Aquilo era muito pior do que ele imaginara. Toda a emoção que ele contivera desde a noite anterior explodiu com tudo.

Ele levou a mão ao rosto dela.

— Meu Deus, Pippa, achei que tivesse perdido você quando vi o incêndio, a fumaça e todos aqueles caminhões de bombeiros e ambulâncias.

Os olhos frios e apáticos que o olhavam lhe deram calafrios. Aquela não era a Pippa que ele conhecia. Aquela era outra pessoa. Uma pessoa que ele criara com sua indiferença e sua determinação a não se envolver emocionalmente com ela.

— Eu temia por isso. Sabia que algo aconteceria, e eu perderia vocês dois, e esse medo me consumiu. Ele me fez fazer e dizer coisas horríveis. Coisas que não eram verdade, Pippa.

— Você é um idiota — disparou ela. — Você já me perdeu. A única diferença é que não morri no incêndio. Mas, em todos os aspectos que interessam, estou morta para você. Você nos perdeu muito antes daquilo acontecer. Você passa tanto tempo tentando se proteger da mágoa e não dá a menor importância para quem você magoa com isso. Está gostando disso, Cam? Porque, para mim, isso é péssimo. Agora, se me der licença, quero ir para casa, para a cama.

Você já me perdeu.

Aquele fora um golpe incapacitante, ainda que ele soubesse ser verdade.

Quando Pippa passou por ele, Cam pegou a mão dela, permitindo que seus dedos a percorressem. Então, a conexão foi perdida, e ela lhe deu as costas.

Cam a observou ir embora, entorpecido. As palavras dela haviam penetrado a muralha em torno de seu coração, a que ele erguera depois de perder Elise e Colton.

Lágrimas arderam nos olhos dele. Ela vencera aquela suposta barreira na primeira vez em que ele a vira, do outro lado de um salão lotado. Não houve defesa, por mais que ele tivesse tentado. Não tinha como impedir que ela entrasse.

Ele a amava. Amara desde o início. Nunca acreditara em amor à primeira vista até conhecer Pippa. Desde o primeiro instante, soubera que ela era uma ameaça. Então, ele a afastara. Tentara de todas as formas dizer a si mesmo que não a amava, que não queria amá-la.

Mas amava. Queria amar Pippa mais do que queria viver.

E, agora, era tarde demais.

Ele sentiu a mão em seu ombro. Surpreso, viu que Devon voltara.

— Acho que está na hora de termos a mesma conversa que tive com Rafe logo depois que fiz uma besteira tão grande com Ashley a ponto de ter medo de nunca mais recuperá-la.

Devon o levou na direção da porta. Quando chegaram ao estacionamento, ele pôs Cam dentro do carro e deu a volta para se sentar ao volante.

Já no meio do caminho, Devon o olhou.

— Exagere ou desista.

Cam esfregou os olhos.

— Pare de usar charadas. Diga o que tem a dizer, cara.

— Estou dizendo. Você precisa exagerar ou desistir. É isso, Cam. Tudo depende disso. O seu futuro. O futuro do seu filho. É a sua última chance. Você não vai ter outra. É hora de se recompor e começar a viver novamente. Vai ter de rastejar até Pippa e lamber os pés dela se for necessário.

— Eu disse coisas imperdoáveis.

— Só são imperdoáveis se ela se recusar a perdoar. E você não sabe se ela vai, já que não implorou por isso.

— Eu não a culparia se ela nunca mais falasse comigo.

— Eu também não culparia, mas você vai jogar a toalha só porque é um idiota e não merece outra chance com ela? Droga, cara, todos nós já estragamos tudo. Rafe, Ryan, eu e, agora, você. Parece que temos em comum o fato de sermos os maiores canalhas do mundo com as mulheres que amamos. Mas sabe de uma coisa? Bryony perdoou Rafe. Kelly perdoou Ryan. Ashley me perdoou, e Pippa vai perdoar você. Só precisa dar a ela a oportunidade e motivo certos.

— Eu a amo.

— Sei disso. Acho que você é o único idiota que não sabia até agora.

— Não acredito no que quase fiz. Tentei repeli-la. Tentei fugir do meu próprio filho. Como alguém supera algo assim?

— A palavra-chave é quase. Diga a ela que você é uma besta e, depois, jure que vai melhorar e que nunca mais vai ser uma besta.

Cam suspirou.

— Só espero que ela me ouça.

— Faça com que ela ouça. Se ela significa o suficiente para você, você não vai desistir tão facilmente.

Significar o suficiente? Ela era o mundo dele. Ela e o filho deles. Era hora de arriscar. O maior risco da vida dele. Tudo poderia terminar mal. Eles poderiam ser tirados dele, como Elise e Colton tinham sido.

Entretanto, tudo poderia terminar de forma maravilhosa. Uma longa vida cheia de amor e risadas. Mais filhos. O amor e o sorriso de Pippa. Não valia o risco?

CAPÍTULO VINTE E QUATRO

— Pippa, querida, Cam veio ver você. Acho melhor eu avisar que ele jurou que vai dormir na frente da porta até você concordar em falar com ele.

De queixo caído, Pippa olhou fixamente para Gloria Copeland.

— Está falando sério?

— Sim. Ele parece bastante determinado. Eu teria considerado um blefe, mas ele trouxe uma bolsa de viagem.

— Ele não desiste — resmungou Pippa.

Nos últimos dois dias, Cam assombrara a existência de Pippa. Telefonara. Aparecera no apartamento dos Copeland. Fora até a confeitaria dela. Surgira em todos os lugares onde ela pudesse estar.

Quando nada daquilo parecera funcionar, ele recorrera a mensagens de texto. Amo você. Flores. Muitas flores. Todos os cartões assinados com Amo você. Nas poucas vezes em que ela ficara de fato frente a frente com ele, Cam simplesmente ficara parado, com uma aparência muito atormentada e determinada, sem tirar os olhos dela.

Pippa se sentia caçada, mas não ameaçada. Estava perplexa com a persistência dele, confusa com as mensagens.

Depois de ter se apegado durante tanto tempo a uma frenética esperança, ela tomara a dolorosa e difícil decisão de cortar relações com Cam. Agora, ele estava voltando com tudo, exigindo sua atenção. Querendo coisas que ele jurara jamais querer dela.

Ela mordiscou o lábio inferior e olhou nervosamente para a porta.

— O que eu faço? — A última coisa que ela queria era causar problemas para os Copeland.

Gloria sorriu e se sentou ao lado dela no sofá. Abraçou-a com força.

— Minha querida, faça o que quiser. Se quiser falar com ele, vou ficar feliz em convidá-lo para entrar e dar privacidade a vocês. Ou, caso não queira ficar sozinha, posso ficar de guarda. Se preferir não vê-lo, simplesmente peço aos seguranças que o tirem daqui.

— Amo tanto a senhora, sra. Copeland. Se ao menos...

Ela suspirou e baixou o olhar.

— Se ao menos o que, querida?

Pippa ergueu os olhos e sorriu.

— Se ao menos minha mãe fosse como a senhora.

Gloria retribuiu o sorriso.

— Você sabe que é como uma filha para mim, e Miranda ama você do jeito que ela sabe amar.

Pippa inspirou fundo.

— Sabe de uma coisa? Não estou pronta para vê-lo. Ainda não. Ele simplesmente me atropelaria. Quando ou se eu resolver falar com ele, será nos meus termos.

— Essa é a minha menina. Certo, vou ligar para a segurança do prédio. Ah, não faça essa cara. Vai ser tudo tranquilo e discreto.

Mesmo assim, Pippa franziu o semblante enquanto Gloria saía do sofá para fazer a ligação.

Ela não estava sendo vingativa. Dissera o que quisera a Cam. Não havia mais nada.

Entretanto, mesmo depois de garantir aquilo para si mesma, a dúvida a atormentou, pois, por algum motivo, ela sabia que, dessa vez, Cam não iria embora como fizera no passado.

Exagerar ou desistir.

Os últimos dias tinham sido os mais frustrantes da vida dele. Tentara de tudo para fazer Pippa falar com ele. Ser expulso do edifício onde os Copeland moravam fora um belo fim para um dia já terrível.

No entanto, a contínua resistência de Pippa só aumentava a determinação de Cam. Ele não desistiria.

E foi assim que ele se flagrou na recepção de um exclusivo salão de beleza. Um salão muito feminino, cheio de mulheres de todos os tamanhos, formas e idades.

Em alguma daquelas salas dos fundos estava a mulher dele, e aquele seria o dia em que ela daria ouvidos à razão. Se ele precisasse desnudar sua alma diante de incontáveis estranhas, Cam faria isso. Mas Pippa o ouviria dessa vez.

Primeiro, contudo, ele precisaria passar pela mulher com cara de dragão que estava de guarda na porta.

Ele simplesmente seria honesto. As mulheres não tinham coração mole quando lidavam com homens suplicantes e os grandes gestos que eles faziam pelas mulheres que amavam?

Cam começou a se aproximar da Mulher-Dragão, apenas para vê-la cruzar os braços e fazer cara feia para ele. Ele suspirou. Aquilo não seria nada agradável.

O rosto e a barriga de Pippa estavam coberta com algum tipo de gosma lamacenta, mas ela não conseguia reclamar. Além do mais, a sensação era boa. Ela estava relaxada.

Alguém massageava seus pés. Ela fechou os olhos, deleitada, quando outra pessoa pôs frios círculos de pepino sobre seus olhos.

Ela quase riu de como sua aparência devia estar ridícula. Então, ocorreu-lhe que ela estava no paraíso, e não importava se ela parecesse um marshmallow de biquíni com olhos de pepino.

As mãos soltaram os pés dela, e Pippa resmungou seu protesto. Entretanto, um novo par de mãos, mais firmes, maiores, nada lisas como as anteriores, fechou-se em torno do calcanhar dela e começou a massagear.

O calor subiu pelas pernas dela, e um suspiro escapou de Pippa.

Ela gostava mais daquelas mãos. Não eram tão treinadas ou lisas. Mas acertavam todos os pontos.

As mãos subiram pela perna dela, aplicando ternamente a pressão correta. Massagearam, não deixaram nenhum ponto intocado enquanto subiam.

Pippa pensou que devia ficar alarmada com a familiaridade do toque daquela pessoa, mas, por ora, estava bom demais para que terminasse.

As mãos a abandonaram por um breve instante, e um pano morno limpou delicadamente a barriga dela.

Então, aquelas maravilhosas mãos tocaram a protuberante barriga dela, e Pippa suspirou novamente. Porém, quando lábios tocaram seu firme abdômen, ela se levantou, as fatias de pepino voando de seus olhos.

Para sua completa surpresa, era Cam quem estava ali, as mãos moldando a barriga dela. Eram os lábios dele pressionados em sua pele.

Ela tentou se levantar por completo, mas era difícil, e Cam pôs a mão no ombro dela, aplicando uma delicada pressão para que ela se deitasse novamente.

— Por que está aqui? — indagou ela. — E o que está fazendo? Onde está minha atendente? Há quanto tempo você está aqui?

— Eu sou seu atendente. Sou seu. Completamente a seu serviço, para atender cada capricho e desejo seu.

Os olhos dela se arregalaram

Ele parecia, arrasado. Esperançoso e desesperançado ao mesmo tempo. Cansado. Esgotado. Preocupado. Porém acima de tudo, determinado.

— Não vou conversar com você só de biquíni e com todos esses negócios na minha cara.

Ele se curvou, tomou o rosto dela nas mãos e a beijou até lhe tirar o fôlego. Quando finalmente a soltou, havia tanta gosma no rosto dele quanto no dela. Ele estava... ridículo.

Pippa não conseguiu evitar sorrir. Depois, gargalhou.

— Não me importo com a sua aparência. Você continua sendo a mulher mais linda que já vi.

Ela suspirou, ignorando a disparada de seu coração.

— O que está fazendo aqui, Cam? Sério. O que você quer? Já dissemos tudo o que havia a ser dito.

Os olhos dele se tornaram ferozes esferas azuis.

— Não. Ainda tenho muito a dizer e quero que você ouça, Pippa. Ouça de verdade.

Ela piscou ao ouvir a veemência dele. Bem, ela não teria aquela conversa deitada. A última coisa que queria era se sentir em desvantagem.

Pippa se esforçou por um instante e finalmente estendeu a mão para Cam.

— Pode me ajudar? Se vamos conversar, não quero que façamos isso parecendo dois marshmallows.

Ele segurou a mão dela e a ajudou a se sentar de lado na cadeira reclinável. Pippa foi até a pia para lavar o restante do creme de seu rosto. Então, molhou um pano e voltou para limpar o rosto de Cam.

Ele ficou completamente imóvel enquanto ela o limpava, mas seus olhos não a abandonaram. Quando Pippa terminou, ela recuou, sentindo uma súbita necessidade de se cobrir para não se sentir tão vulnerável. Pegou um roupão e se enrolou nele.

E Cam continuava a olhá-la.

Então, foi como se ele não conseguisse mais se conter. Puxou-a para seus braços e a beijou como se fosse a última vez.

Abraçou-a fortemente. Estremeceu contra ela. Seus lábios se moveram sobre os dela, devorando, sedentos, desesperados.

Quando Cam finalmente recuou, Pippa ficou chocada com a emoção em seu olhar. Ele parecia um homem torturado, alguém que perdera tudo.

— Não consigo viver sem você, Pippa. Não me obrigue a viver sem você e sem nosso filho. Amo vocês dois demais. Isso está acabando comigo. Acordo pensando em você. Fico preocupado com você o dia inteiro. Vou dormir à noite louco de vontade de abraçar você. Você é tudo para mim. Tudo.

Ela engoliu em seco, tentando controlar suas próprias emoções. Queria atacá-lo com palavras, mas sabia que isso não resolveria nada. Mas as palavras dele, palavras que ele tinha como retirar, ainda magoavam. Uma ferida profunda que ainda estava aberta.

— É muito clichê perceber que você não consegue viver sem mim e que teve uma revelação depois que corri risco de vida.

— Você está enganada. Eu já sabia disso. Resisti. Mas sabia. Eu já amava você. Nunca falei que não amava, Pippa. Nunca. O que eu disse foi que não queria amar você. Não percebi isso só por causa de um maldito incêndio. Aquilo me deixou com medo? Ah, sim. Não tenho conseguido dormir, imaginando você naquele apartamento e o medo insuportável que você deve ter sentido. Eu estava a caminho da sua casa naquela noite. Pergunte como eu sabia que você estava no hospital, Pippa. Pergunte!

Os dedos dela tremiam

— C-como?

— Porque saí dirigindo como um louco para buscar você depois que você foi embora. Eu sabia que tinha cometido o maior erro da minha vida por ter deixado você ir. Eu estava arrasado. Mas sabia que, se conseguisse alcançar você, poderia consertar tudo. Então, quando cheguei à sua rua, tudo o que vi foram aquelas luzes, as chamas e a fumaça, e tive vontade de morrer, uma vez que achei que tinha acontecido tudo de novo, só que, dessa vez, eu podia ter evitado. Simplesmente dizendo o que eu sentia, e não tendo tanto medo.

Pippa ficou boquiaberta.

— Ah, sim, fiquei aterrorizado achando que tinha perdido você. Mas não é por isso que estou aqui. Não é por isso que estou aos seus pés, torcendo loucamente para que você me dê outra chance. Amo você, Pippa. Amo há muito tempo e não queria amar. Resisti a isso. Mas algumas coisas simplesmente acontecem, e uma delas é meu amor por você e por nosso filho.

Ela abriu a boca para responder. Entretanto, Cam se aproximou novamente e, delicadamente, levou um dedo aos lábios dela.

— Não fale. Só me ouça. Por favor. Tenho tanto a dizer. Tanto a compensar.

Em silêncio, ela assentiu.

Cam tomou o rosto dela nas mãos e a olhou com tamanho tormento nos olhos que Pippa sentiu uma dor no peito.

— Estou cansado de lutar comigo mesmo. Quero uma vida com você e com nosso filho. Estou cansado de sempre esperar o pior, de tentar esquecer a dor de perder alguém e de me proteger do pior tipo de agonia. Se eu só tivesse um ano com você, eu o aceitaria e o guardaria comigo pelo resto da minha vida, e morreria feliz por ter tido esse tempo com você, mesmo se significasse viver o resto da minha vida sozinho.

As palavras, tão emocionadas, tão tristes, cruas e poderosas, abalaram o íntimo de Pippa. Não havia como confundir a sinceridade. A verdade estava nos olhos dele.

Os polegares de Cam acariciaram o rosto dela, e ele a olhou com tamanho amor que ela sentiu um embargo na garganta e lágrimas arderam em seus olhos.

— Tenho sido um canalha com você, Pippa. Fiz tudo o que era possível para afastar você. Não mereço outra chance, mas estou implorando. Fico de joelhos. Faço o que for preciso para convencer você de que não sou aquele homem. Sou melhor que isso. Quero ser melhor. Vou passar o resto do tempo que eu tiver com você provando que você pode contar comigo.

O coração dela disparou de amor.

— Ah, Cam, o que você pode fazer por mim é parar de esperar sempre o pior.

Se depender de mim, nunca vou abandonar você. Eu e nosso filho vamos amar e ficar com você.

Ela acariciou o rosto dele.

— Sinto muito pelo que aconteceu antes. Mas você ganhou outra chance. E é você quem escolhe o que fazer com ela.

Cam pegou a mão dela e beijou a palma.

— Você é uma dádiva, Pippa. Nunca imaginei que pudesse ter alguém como você. E, agora, nosso filho. — Ele passou longos momentos recuperando o fôlego, respirando na mão dela. — Amo você. Por favor, pode me perdoar?

Com o coração quase explodindo, ela foi para os braços dele e o abraçou com força até que ele não tivesse escolha a não ser sentir o amor dela por todos os ângulos.

— Perdoo você, sim — sussurrou ela. — Amo você, Cam. Amo demais.

Ele alisou o cabelo de Pippa e beijou o alto de sua cabeça.

Então, de trás deles, veio o som dos aplausos. Os dois se viraram e viram Gloria, Ashley e várias outras mulheres na porta da sala.

Havia sorrisos e lágrimas nos rostos das mulheres.

— Muito bem, meu garoto! — disse Gloria, levantando o polegar.

Cam sorriu e puxou Pippa para ainda mais perto. Estava trêmulo. Ela o olhou, chocada ao ver como ele estava prestes a desmoronar.

Pegou a mão dele, entrelaçando os dedos, e o puxou na direção da porta que levava para o pequeno jardim. Gesticulou para as outras, indicando que estava tudo bem, e arrastou Cam até lá fora.

O único som no exuberante jardim era o da água que cascateava numa fonte. O ar estava fortemente perfumado por flores.

— Vá se sentar — ordenou ela.

Cam desabou no banco ao lado da fonte, mas não soltou sua mão. Puxou-a para si, como se tivesse medo de que ela fosse embora.

— Amo você — disse com a voz rouca.

— Diga outra vez, Pippa. Diga que me ama e que me perdoa por ter sido um canalha com você. Preciso ouvir você dizendo.

Ela sorriu e se curvou à frente entre as pernas dele. Cam a envolveu com os braços e apoiou o rosto na redonda barriga dela. Pippa passou os dedos pelo cabelo bagunçado dele.

— Amo você, Cam. E perdoo você. De verdade.

Ele soltou um grunhido e a segurou com mais força. Então, levantou a cabeça para que os olhares se encontrassem.

— Venha para casa comigo, Pippa. Fique comigo. Não quero passar mais nem uma hora sem você. Quero que se case comigo, que me ame, que passe a sua vida comigo. Juro que vou fazer você feliz.

O peito dela doeu ainda mais, e Pippa sorriu até suas bochechas doerem.

— Ah, sim Também não quero passar mais nem uma hora longe de você.

— E vai se casar comigo? Sei que não foi o melhor pedido de casamento de todos. Mas vou fazer do jeito certo, eu prometo. Vou comprar o anel e me ajoelhar. Qualquer coisa para deixar você feliz.

Ela tocou as linhas da testa dele, tranquilizando-as com as pontas dos dedos.

— O que me deixa feliz é o seu amor.

— Então, você vai ser muito feliz — jurou ele. — Porque vou amar você com todas as minhas forças, a cada minuto de cada dia pelo resto das nossas vidas.

EPÍLOGO

A sala estava fervilhante com conversas e risadas. A casa de Cam já não parecia mais uma caverna soturna; em vez disso, estava iluminada e arejada. Uma casa cheia de amor e felicidade.

Ela se acomodou no sofá e pôs os pés no apoio, observando, feliz, enquanto Cam e seus amigos paparicavam o grupo de bebês.

Rafael de Luca e sua esposa, Bryony, tinham chegado dois dias antes, com a filha deles, Amy. Ryan Beardsley e sua esposa, Kelly, haviam sido os últimos a aparecer, chegando naquele mesmo dia de avião de St. Angelo, onde moravam. A filha deles, Emma, era quase da mesma idade de Amy. As duas tinham nascido com poucas semanas de intervalo.

Pippa sabia que Cam tinha providenciado para que ela tivesse o tipo de parto cercado por amigos e familiares com que ela sempre sonhara.

Além do amor e da atenção que ele lhe dava o tempo todo, Cam contratara funcionários para administrar o café durante o último mês de gravidez dela e por um período de três meses depois do nascimento, até que Pippa resolvesse voltar a trabalhar em tempo integral, ou não.

Ela finalmente vivia um conto de fadas, o que ela achara que nunca aconteceria. Era a sensação mais maravilhosa do mundo.

Pippa gostara dos amigos de Cam. Eles não eram exatamente como ela imaginara. Achara que seriam mais parecidos com Cam quando o conheceu. Reservados. Distantes. Todavia, eram pessoas ternas, extrovertidas e exuberantes. Ela os conhecera quando todos tinham vindo para o casamento dela com Cam. Não fora nada grande. Os dois tinham optado por uma reunião tranquila, apenas com amigos próximos e familiares.

Kelly devia ser a mulher mais quieta do grupo, mas Pippa gostava muito dela. Tinha um sorriso meigo e claramente venerava sua filha. O marido dela, Ryan, nunca se afastava demais delas.

Pippa sorriu e, imediatamente, fez uma expressão de dor quando foi atingida por outra contração. Recuperou-se rapidamente, retomou seu sorriso sereno e olhou para Cam.

Ele estava ao lado de Ryan, segurando Emma nos braços, à medida que os homens conversavam e riam. O interessante era que eles não estavam discutindo negócios; estavam todos compartilhando histórias com os bebês e se gabando de como suas filhas eram os bebês mais inteligentes, bonitos e espertos do mundo.

Bryony revirou os olhos e desabou no sofá ao lado de Pippa. Ashley se acomodou do outro lado, enquanto Kelly se sentou numa poltrona do lado do sofá.

— Estou impressionada com a mudança de Cam — falou Bryony em voz baixa. — Ele parece tão... feliz. Não está mais tão soturno e sério como antes. Não me lembro de já ter ouvido a risada dele. Ele raramente sorria. Você fez um milagre, Pippa.

— Ele é ótimo. Continua superprotetor e pode enlouquecer quando acha que algo pode acontecer comigo ou com o bebê, mas aprendeu mesmo a não se preocupar tanto com o lado negativo.

Ashley pegou a mão dela.

— Ele ama você, Pip. Você tem sido tão boa para ele. Você o salvou.

Ela sentiu outra contração e quase grunhiu. Kelly franziu o semblante e se curvou à frente.

— Pippa, o que houve?

— Shhh! — falou Pippa. — Não deixe Cam ouvir. Ele vai surtar.

— Então, diga o que houve — disse Ashley em voz baixa. — Também vi a sua expressão. Está tendo contrações?

Pippa suspirou.

— Sim, já faz algum tempo.

— O quê?! — falou Bryony. — Por que não disse nada?

— Porque não quero que Cam surte e fique mais tenso do que o necessário. E só devo ir para o hospital quando elas vierem com intervalos de dois minutos.

— Hã... Pip, tenho quase certeza de que você já tem de estar lá antes de elas chegarem com tanta frequência — disse Ashley.

— Meu médico me falou que eu deveria ir para lá quando minhas contrações estivessem com um intervalo de cinco minutos, regulares e durante ao menos um minuto — explicou Kelly.

Bryony franziu o semblante, tentando se lembrar.

— Acho que o meu me disse que eram de cinco a sete minutos de intervalo, com contrações regulares.

Pippa engoliu em seco e pôs a mão na barriga.

— Outra? — perguntou Ashley. — Pippa, com que intervalo elas estão vindo?

— Menos do que cinco a sete minutos — resmungou ela. — Sei que li em algum lugar que era para esperar até que o intervalo fosse de dois minutos.

Irritada, Ashley a olhou.

— Onde você teria lido isso? Você se recusava até a olhar o capítulo que falava do nono mês ou de qualquer parte do parto.

Bryony já estava de pé, puxando o braço de Pippa.

— Cam! — chamou ela. — Pippa precisa ir para o hospital.

Todos os quatro homens se viraram, e a testa de Cam se franziu imediatamente. Então, quando ele pareceu perceber o significado daquilo, empalideceu, e a preocupação fulgurou em seus olhos.

Ele entregou Emma de volta a Ryan e correu até Pippa.

— Querida, está na hora?

— Droga, já estava na hora antes — disse Ashley, exasperada. — Ela já deveria ter ido há horas.

O olhar de Cam foi de Ashley para Pippa.

— Do que ela está falando?

— Talvez eu tenha entendido errado o momento em que eu deveria ir para o hospital — murmurou Pippa.

Ela fez uma expressão de dor e fechou os olhos quando outra contração começou. Quando abriu novamente os olhos, estava arfando levemente, e todos no recinto estavam com uma expressão de preocupação.

Cam a ergueu nos braços.

— Vamos — disse enquanto atravessava o cômodo.

Ela riu, mas se acomodou contra o peito dele durante o tempo em que Cam ia para a garagem Atrás deles, havia um caos, todos fazendo malabarismos com bebês e bolsas de fraldas, correndo para chegarem até os carros.

Cam a pôs no banco do carona e prendeu o cinto com cuidado. Quando ele estava prestes a recuar, ela levou a mão ao rosto dele, segurando amorosamente.

— Ei — disse em voz baixa. — Vai ficar tudo bem. Vamos ficar bem.

Ele a beijou ardentemente.

— Eu sei. Agora, vamos levar você para o hospital para podermos conhecer nosso filho.

— Força, Pippa! Isso. Agora, respire. Certo, mais uma vez, respire fundo. Segure! Agora, faça força e conte até dez.

Deus, aquela história de parto não era para ela. Pippa arfava, fazia força e tentava de verdade prender o fôlego, mas o perdia por completo quando estava no cinco.

Se não fosse pelas epidurais, ela já teria desistido e pedido para que alguém lhe desse uma anestesia geral.

— Você está indo muito bem, meu amor.

A voz de Cam, baixa e reconfortante, deu a Pippa a energia de que ela precisava. Ele estava com o braço nas costas dela, segurando-a firmemente enquanto respirava junto com ela a cada contração. Sua mão envolvia a de Pippa, e ele murmurava palavras de incentivo em seu ouvido entre os beijos.

— Quando ele vai chegar? — choramingou Pippa.

A enfermeira à direita dela sorriu, e o médico ergueu os olhos dentre as pernas dela.

— Mais um empurrão, e a cabeça sai. Concentre-se e aproveite a próxima contração.

Aquilo já parecia melhor. Já estava quase acabando.

Quando a contração começou, ela sentiu a crescente urgência de empurrar, quase como se seu corpo assumisse o controle.

Pippa inspirou fundo, fechou os olhos e apoiou o queixo no peito.

— Força, meu amor. Força — sussurrava Cam sem parar. — Você consegue. Está quase lá.

— A cabeça saiu. Certo, Pippa, relaxe um instante enquanto faço a sucção. Vamos tirá-lo totalmente no próximo empurrão, mas a parte mais difícil já acabou.

— É o que você diz — resmungou ela.

A enfermeira riu, e o médico simplesmente sorriu.

Um instante depois, o médico lhe disse para fazer força novamente, e, de repente, foi como se a barriga dela desmoronasse. A enorme pressão desapareceu quando o bebê deslizou para fora do corpo dela.

Pippa arfou, dominada pela sensação, e o choro de um bebê ecoou na sala.

— Ah, meu Deus — sussurrou ela.

— Pronta para conhecer seu filho, Pippa? — perguntou o médico.

Foi necessário só mais um momento para terminar a sucção e envolver o bebê em uma manta antes de a enfermeira colocá-lo nos braços de Pippa. Lágrimas surgiram nos olhos dela quando ela olhou para o choroso bebê de rosto vermelho.

Então, olhou para Cam e estendeu lentamente seu filho para ele.

Hesitantemente, Cam pegou o bebê com uma expressão de total deslumbramento. Fascinado, ele o olhou e sorriu.

O sorriso mais lindo e honesto que Pippa já tinha visto. Havia tanta alegria na expressão dele que ela sentiu um nó na garganta.

— Ele é lindo — sussurrou Cam.

Então, para completa surpresa de Pippa, uma lágrima escorreu pelo rosto de Cam, seguida por outra, e mais outra. Suas mãos tremiam enquanto ele aninhava o bebê mais próximo de seu peito.

Então, curvou-se à frente, tocando sua testa na dela à medida que segurava o bebê entre eles.

— Amo você. Obrigado por isso, Pippa. Obrigado pelo meu filho. Deus, ele é tão parecido com você. Tão perfeito.

Pippa fechou os olhos ao passo que suas próprias lágrimas escorriam pelas faces. Nunca houvera um momento mais perfeito que aquele. Ela jamais esqueceria aquele instante.

— Que nome vamos dar a ele? — sussurrou ela.

Com cuidado, Cam pôs seu filho de volta nos braços de Pippa.

— O que acha de Maverick? — sugeriu ele. — Maverick Hollingsworth.

— Nosso pequeno Mav — falou Pippa com um sorriso. — Gostei.

Cam encontrou novamente os lábios dela, enquanto o bebê se acomodava para dormir junto da mãe. Ao se afastar, Cam acariciou o rosto dela com mãos trêmulas.

— Vou amar você e Maverick todos os dias, com todas as minhas forças, pelo resto da minha vida. Cada lembrança que criarmos será uma glória para mim

Apesar do cansaço, Pippa abriu um sorriso tão grande que suas bochechas doeram.

— Sei disso, Cam Mas sabe de uma coisa? Vou amar você durante cada minuto de cada dia da minha vida, e planejo ter uma vida muito longa. Quando você tiver 80 anos, vou ser a maior chata que você já viu, e juro que você vai adorar cada minuto disso.

Cam gargalhou. Seus olhos cintilaram de felicidade.

— Acredito totalmente. Não tenho a menor dúvida de que, quando eu ficar velho, você vai continuar me dizendo para tomar jeito.

A enfermeira interrompeu para dar instruções a Pippa e prepará-la para ir para o quarto.

— Por que não leva Mav para ver a família dele? — sugeriu Pippa. Àquela altura, os Copeland já teriam chegado, e todos os amigos de Cam os tinham seguido até o hospital.

Cam se levantou e, novamente, pegou Maverick dos braços de Pippa. Olhou fixamente para sua esposa, ele jamais se cansaria dessa palavra. e pensou que nunca a tinha visto tão linda quanto naquele momento.

Cansada, linda, tão corajosa! Ele se curvou e deu um beijo na testa dela.

— Não vamos demorar.

Ela sorriu cansadamente e o olhou com tamanho amor que foi como um soco no estômago de Cam. Ela ainda tinha esse efeito sobre ele. Todas as vezes.

Ele se virou e foi para a porta. O nó em sua garganta cresceu enquanto ele percorria o corredor até onde os outros estavam esperando.

Seu filho. Seu milagre. Sua segunda chance de viver e ser feliz. De ser pai.

Seus olhos arderam, e ele piscou para manter a visão nítida.

Os outros ergueram os olhares e se levantaram imediatamente quando Cam entrou na sala de espera. Ele parou e sorriu. Um sorriso tão grande que era como se ele estivesse saindo ao sol depois de passar sua vida inteira vivendo na escuridão.

— Apresento a todos vocês o meu filho.

Próximo Lançamento

AMOR PROIBIDO

PEGGY MORELAND



14 de junho, 1971

Era uma maneira terrível para um homem passar sua última noite nos Estados Unidos. Se tivesse uma chance, Larry Blair teria preferido estar com a esposa em vez de ficar sentado em um bar enfumaçado, vendo os amigos se embriagarem.

Mas o Exército não dava escolhas. A ordem era para Larry se apresentar no Aeroporto Internacional de São Francisco, no dia 15 de junho, às 5h. Cinco novos soldados designados para seu pelotão, todos rapazes do Texas, combinaram de se encontrar na segunda-feira, em Austin, Texas, a fim de pegar o último voo para São Francisco. Lá, eles tomariam um outro avião para o Vietnã, destino final da jornada.

Larry olhou em volta da mesa, na qual os rapazes estavam sentados. Fast Eddie, T.J., Preacher, Pancho e Romeo — todos cognomes, é claro. Nomes verdadeiros eram esquecidos dois dias após a chegada no campo de treinamento para novos recrutas, e substituídos por um que combinasse mais com a personalidade do jovem. Desde que se encontrara com os soldados, Larry havia perdido um apelido, Tex, e recebido um outro, Pops. Supôs que o novo apelido, que significava “pai”, lhe caísse melhor, pois era o membro mais velho do grupo.

Ele meneou a cabeça com tristeza. Tinha apenas 21 anos e era o mais velho! Prova suficiente da juventude e inexperiência dos soldados lutando naquela maldita guerra.

Pensativo, enquanto estudava os soldados à mesa, imaginou se algum deles tinha ideia do que aconteceria quando chegassem no Vietnã. Ele, com certeza, sabia. Diferentemente dos outros, esta era sua segunda viagem a serviço lá. Quando completou a primeira missão, requisitou mais seis meses de serviço militar. Na época, pareceu a coisa certa a se fazer. De muitas maneiras, o Vietnã era o sonho de muitos jovens. Prostitutas, bebidas e drogas, além da adrenalina advinda do combate e a excitação de enganar a morte por mais um dia. Sem família para esperá-lo, nenhum emprego para o qual voltar. Por que não ficar mais seis meses?

Todavia, durante a licença de 30 dias que recebeu como bônus por se realistar, conhecera e se apaixonara por Janine Porter, com quem se casou duas semanas depois. Agora, daria o braço direito para poder voltar atrás. Tinha uma esposa, e esta era uma forte razão para permanecer vivo.

Com ar resignado, levou o copo de cerveja aos lábios, mas, antes que pudesse dar um gole, Romeo se levantou e se dirigiu para o bar e para uma mulher sentada lá. Os soldados à mesa imediatamente começaram a fazer apostas se o jovem conquistador ia ou não conseguir o que queria. Larry não se incomodou em pegar a carteira. Se o que ouvira falar sobre a reputação de Romeo fosse verdade, a moça não tinha chance. Segundo os rapazes, Romeo podia conquistar até uma freira.

Uma sombra surgiu na mesa e Larry olhou por sobre o ombro para descobrir um homem em pé atrás dele.

— Vocês vão para o Vietnã? — perguntou o estranho.

Larry hesitou, incerto sobre o propósito da aproximação do homem. A visão dos americanos sobre a guerra do Vietnã variava e ele já fora chamado de tudo, desde herói até assassino. Porém, não sentia vergonha do uniforme que usava ou do trabalho que fazia para seu país. E certamente, não fugiria de uma briga, se pressionado.

— Sim, senhor. Vamos pegar um avião para São Francisco esta noite, então seguiremos para o Vietnã amanhã.



E leia também em Desejo Dueto 36, Quando um homem ama... de Peggy Moreland. Não perca!


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