Undone by her tender touch




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CAPÍTULO DEZOITO

Pippa já não conseguia mais fingir que tudo estava bem. Estava morrendo por dentro.

Em meio à empolgação, ela conseguiu sair discretamente. Entrou no elevador, virando-se para ver a alegria na outra ponta do corredor. Lágrimas ardiam em seus olhos quando ela apertou o botão para descer.

Quando as portas começaram a se fechar, Cam ergueu os olhos, e os olhares deles se fixaram. A testa dele se franziu, e ele começou a avançar, mas o elevador começou a descer.

Deduzindo que Cam iria atrás dela, Pippa saiu e atravessou a rua, resolvendo caminhar por alguns quarteirões antes de pegar um táxi.

O ar da noite estava frio, apesar do sol e do calor do dia. Que dia perfeito para o nascimento do bebê de Ashley! Primavera. O início de uma nova vida. Um novo começo. A vida depois do longo inverno.

Tão simbólico. Para ela, todavia, a primavera significava a morte.

Certo, talvez estivesse sendo um pouco dramática, mas a tristeza a dominava completamente.

Ela amava Cam. Apesar de seus muitos defeitos.

Queria que ele sorrisse para ela e para o filho deles como fizera com a filha de Devon e Ashley. Queria vê-lo... feliz.

Fora como se ele fosse uma outra pessoa. Ele era daquele jeito com as pessoas que amava? Ashley dissera que ele sempre era gentil e até terno com ela.

Então, ele não era incapaz de amar. Era como ele dissera. Não queria amá-la. Nem amar o filho deles.

Lágrimas escorriam pelo rosto dela, mas Pippa não as enxugou. De que adiantaria?

Ela chamou um táxi e entrou, dizendo o nome da rua onde morava. O celular dela tocou, mas Pippa não se deu ao trabalho de pegá-lo na bolsa. Era Cam. Ela sabia que ele ligaria. Depois de um instante, o telefone parou de tocar e uma notificação soou, indicando uma mensagem de texto.

Ela já estava perto de seu edifício quando o telefone tocou novamente. Era o toque de Ashley.

— Ash?

— Não, é Devon.



— Está tudo bem com Ashley e o bebê?

— O que está me preocupando é se você está bem — disse Devon em voz baixa.

— E-estou — balbuciou ela com a voz trêmula. — De verdade. Espero não ter magoado Ashley ao ir embora. Imaginei que ela estivesse cansada e, com todos os parentes dela aí, eu só atrapalharia.

— Você nunca atrapalha, Pippa. Eu só queria saber se estava tudo bem com você. Sei que... deve ter sido difícil para você ver Cam daquele jeito.

Foi então que Pippa percebeu que Devon também notara que ela havia percebido. Ela fechou os olhos, um novo surto de lágrimas deslizando por suas faces.

— Agradeço pela preocupação, Dev. Mas estou bem. Você deveria se concentrar em Ashley e naquela linda menininha. Diga a Ash que vou vê-la amanhã, quando as coisas estiverem menos caóticas. Prometo. Mas você tem razão. Eu não conseguiria ficar aí hoje. Simplesmente... tive de sair.

— Entendo. Seja forte, Pippa. A única coisa que me impede de jogá-lo de cima de uma ponte é o fato de eu ter sido o mesmo tipo de idiota no passado.

Pippa sorriu quando o táxi parou.

— Obrigada, Dev. Já estou em casa. Vou deixar você voltar para a sua família. Diga a Ash que eu a amo e que eu a vejo amanhã.

— Cuide-se, Pippa. Se precisar de nós, sabe que estamos aqui.

— Sei, sim

Ela pagou o taxista e foi às pressas na direção de seu edifício. Olhou de relance para o celular e viu que tinha várias mensagens de texto. Todas de Cam.

A última?

Droga, Pippa. Atenda o telefone. O que houve? Você está bem?

Não, ela não estava bem. Nunca estivera tão longe de estar bem em toda a sua vida.

O dia seguinte foi um teste de resistência. Ela acordou cedo depois de não ter dormido nada bem e foi para o café começar a confeitar.

Houve um constante fluxo de clientes, muitos efusivos em seus elogios. Ela deveria estar felicíssima.

Contudo, a única coisa que tornara o dia suportável fora o fato de Cam não ter aparecido.

Depois de fechar a loja, ela foi para casa e tirou um longo cochilo. Ou ao menos tentou, pois sua mente não parava de relembrar o sorriso e a alegria de Cam na noite anterior.

Pippa sabia que era hora de tomar uma decisão. Não podia mais ficar esperando que, um dia, Cam acordasse e percebesse que sua vida não havia acabado.

Ela se levantou. Primeiro, faria uma visita a Ashley e compensaria o fato de ter ido embora no dia anterior. Suas amigas vinham em primeiro lugar.

Sem se dar ao trabalho de vestir um casaco, esperando que o ar frio do início da noite a despertasse, Pippa foi até o fim do quarteirão para chamar um táxi.

O horário de visita já tinha quase acabado quando ela chegou ao hospital, mas Pippa foi à maternidade mesmo assim.

Bateu fracamente na porta de Ashley. Um instante depois, a porta se abriu e Devon surgiu.

— Entre — disse ele com aparente alívio. Seu olhar se aguçou quando ele observou a aparência de Pippa, e, sem dizer mais nada, ele simplesmente a abraçou com força.

Até aquele momento, ela não soubera o quanto precisava daquilo. Mordeu o lábio para evitar explodir em lágrimas. Estava ali para ver Ashley e o bebê, não choramingar para ela e o marido.

— Obrigada — sussurrou Pippa. — Como está Ash?

— Vá ver — disse ele ao se afastar. — Ela está segurando Katelynn.

Pippa correu para a cama. Parou e observou a linda visão de Ashley com sua filha nos braços.

Ashley abriu um largo sorriso.

— Ei, Pip. Venha vê-la. Ela é tão linda.

— Está amamentando? — indagou Pippa em voz baixa ao chegar ao lado da cama. — É difícil?

Ashley sorriu.

— No início, um pouco, mas as enfermeiras daqui são ótimas. Elas ajudaram muito, e Katelynn fez o resto. Já está com muita prática agora.

Devon empurrou uma cadeira para o lado da cama e gesticulou para que Pippa se sentasse.

— Devon disse que Cam foi um verdadeiro idiota ontem.

Pippa suspirou.

— Não vamos falar dele, Ash. É hora de você ficar feliz e aproveitar sua linda filha sem ouvir reclamações da sua amiga.

Ashley interrompeu delicadamente a sucção e olhou para Devon.

— Quer ver se ela arrota?

Devon pegou sua filha e foi se sentar na poltrona perto da janela.

— Agora — falou Ashley —, pode dizer tudo. Você está horrível, Pip. Claramente infeliz.

O nó na garganta de Pippa ficou maior.

— Estou péssima, mas a culpa é só minha. Aceitei isso tudo já sabendo como seria. Só estou frustrada e de coração partido. Vou confrontá-lo, Ash. É idiotice, mas preciso fazer isso.

Ashley pegou a mão dela.

— O que vai dizer a ele?

Pippa soltou uma forte risada.

— Vou dizer que o amo.

— Você é tão mais corajosa que eu. Sempre foi.

— Mas você é mais inteligente. Então, estamos quites.

— Não é verdade. Certo, depois que você disser que o ama, o que vai fazer?

Pippa suspirou.

— Nada. Ele vai fazer o que sempre faz, ir embora, mas, dessa vez, será definitivamente. Só acho que preciso dar uma última chance a ele. Ou talvez eu queira essa chance. De qualquer forma, vai ser definitivo. Não posso continuar nessa situação. Meus olhos se abriram ontem Percebi que ele fica feliz perto de outras pessoas. Menos de mim. E isso doeu.

— Ah, Pip. Como eu queria que...

— Eu também queria. Mas querer não é poder. Cam não é nenhum príncipe encantando, e eu não sou nenhuma princesa que vai viver feliz para sempre.

Ashley estava à beira das lágrimas, e a última coisa que Pippa queria era deixar sua amiga triste. Então, Pippa se obrigou a falar mais animadamente e sorriu ao se levantar para abraçar Ashley:

— Vou roubar aquele bebê de Devon só por um minuto e, depois, vou embora e deixar você descansar.

Ela se virou para Devon, que pôs sua filha nos braços de Pippa.

Pippa segurou o bebê. Tocou o tufo de cabelo no alto da cabeça de Katelynn. Alguém pusera um minúsculo arco cor-de-rosa. Ela era tão parecida com Ashley!

Pippa tocou os minúsculos dedos e, fascinada, observou-os se fechando em torno de um dos dela.

Sentiu-se imediatamente conquistada. Estava absolutamente apaixonada por aquela menininha. Quem não ficaria? O mesmo acontecera quando ela vira seu filho pela primeira vez no monitor do ultrassom. Amor instantâneo.

Incondicional. Um vínculo que não podia ser quebrado.

Ela fechou os olhos, tocou os lábios na testa de Katelynn e a entregou a Ashley.

— Ela é perfeita, Ash.

Ashley ficou radiante.

Vai ficar tudo bem, Pippa.

Pippa assentiu, pois não havia mais nada a fazer. Acenou para Devon.

— Vejo vocês depois.

— Ligue se precisar de alguma coisa — falou Devon.

Pippa assentiu novamente e saiu. Ficou ali por um longo momento, simplesmente apoiada na parede do corredor.

Seria impossível dormir antes de resolver tudo com Cam. Ela precisava pôr um fim logo naquilo antes que isso acabasse com ela.

Seria uma longa viagem e já estava tarde, e ela também precisaria acordar Cam No momento, entretanto, ela não se importava. De uma forma ou de outra, aquilo seria resolvido naquela noite.

CAPÍTULO DEZENOVE

Quando ela chegou de táxi ao portão da casa de Cam, já passava da meia-noite. O taxista falou com alguém no interfone. Não fora Cam quem atendera. Pippa tinha certeza de que era John. Um instante depois, o portão se abriu e o táxi entrou. Estacionou diante da casa, e Pippa pagou pela corrida e saiu.

John abriu a porta e saiu para recebê-la com uma expressão preocupada.

— Cam está em casa?

— Está. Foi dormir há uma hora — respondeu John enquanto a levava para dentro.

— Preciso vê-lo. Vou esperar no escritório.

Ela não deu oportunidade de John argumentar. Simplesmente foi até o escritório. Nem se deu ao trabalho de ligar a luz. Havia algo de tranquilizador na escuridão.

Pippa ficou olhando pela janela, para o céu estrelado. Um milhão de desejos. Ela só precisava de um. Apenas um.

A porta se abriu atrás dela. Ela fechou os olhos por um breve momento, e se virou para ver Cam parado ali, no escuro.

— Pippa?

Havia preocupação e surpresa em sua voz. Ele avançou outro passo e ligou um abajur.

Pippa recuou com a repentina luz e se virou de costas, sem querer permitir que ele visse o que havia em sua expressão. Mas como ela poderia esconder sua devastação?

— O que houve, Pippa? O que está fazendo aqui a esta hora da noite?

Ela engoliu em seco, empertigou os ombros e inspirou fundo. Virou-se para ele.

— E então, Cam? — perguntou ela francamente.

Ele piscou os olhos, surpreso.

— Não sei o que dizer.

Ela avançou um passo.

— Vou facilitar as coisas, Cam. Amo você.

Ele empalideceu e recuou. Sua reação dizia muita coisa, tudo que Pippa precisava saber. Porém, ela persistiu. Chegara até ali e iria até o fim, mesmo que saísse humilhada.

— Preciso saber o que sou para você. Num minuto, você parece me querer e nós agimos como, e nós somos amantes. No seguinte, você mal consegue esperar para ficar longe de mim e é frio, como se eu fosse uma estranha qualquer.

Os lábios dele se contraíram.

— Fui honesto com você desde o início.

— Sim, foi. Mas está me confundindo. Suas ações contradizem suas palavras. Preciso saber se tenho chance, Cam.

Ele começou a lhe dar as costas, e aquilo a enfureceu.

— Não me dê as costas — disparou. — Ao menos isso. Quero que me enfrente e me diga por que não pode se comprometer comigo, por que não pode me amar. Entendo que você perdeu pessoas que amava. Mas está na hora de seguir em frente. Você tem um filho que precisa de você. Eu preciso de você.

Cam se virou novamente, seus olhos faiscando furiosamente.

— Seguir em frente? Você entende? Como diabos você entende, Pippa? Acha que é só soltar um clichê psicológico qualquer para que eu diga “ah, você tem razão” e viva feliz para sempre?

— Acho ridículo acreditar que você não pode amar mais ninguém

Ele fechou os olhos e contraiu o maxilar. Quando os abriu novamente, olhou diretamente para Pippa, e falou com um tom tranquilo:

— Não é que eu não possa amar novamente. Não sou daqueles que acreditam que só se tem uma chance, que só existe uma alma gêmea e que, se você estragar essa chance, acabou para o resto da sua vida.

— Então, por quê? — sussurrou ela. — Por que não pode me amar, amar nosso bebê?

Ele bateu com as mãos espalmadas na mesa e a olhou com olhos tão atormentados que Pippa recuou.

— Não é que eu não possa amar você, Pippa. Eu não quero amar. Está entendendo? Não quero amar você.

Ela ficou tão perplexa que não conseguiu sequer reagir. Envolveu sua barriga com os braços e recuou, a mágoa se espalhando por toda a sua alma.

— Se eu não amar você, não vou sentir dor se algo acontecer com você. Se eu não amar você, nada do que você faça vai me atingir. Nunca mais quero me sentir como me senti ao ver Elise e Colton morrerem diante de mim. Você não tem como entender isso. Espero que nunca precise entender.

— Você não se permitiria me amar e amar nosso filho porque tem medo demais de assumir esse risco? Que tipo de monstro insensível você é?

Ele apontou um dedo na direção dela.

— Exatamente isso. Insensível. É exatamente o que quero ser. Não quero sentir nada.

A raiva vibrou pelas veias dela, substituindo o gelo.

— Seu desgraçado manipulador e frio! Se estava tão determinado a não ter um relacionamento, por que continuou fazendo amor comigo nos últimos meses?

Ele baixou o olhar e a culpa cobriu seu rosto.

— Tenho que me sentir mal por você? Que ser solidária e cuidar do seu pobre coração partido só porque algo de ruim aconteceu com você no passado? Tenho uma notícia para você, Cam. A vida não é perfeita para ninguém, e você não é especial. Coisas ruins acontecem o tempo todo, mas as pessoas não viram idiotas sem coração, não desprezam todos à volta delas. Elas se levantam, sacodem a poeira e continuam vivendo.

— Já chega.

— Ah, não chega, não. Só estou começando, e você vai ouvir tudo o que tenho a dizer. Você me deve isso. Um dia, vai se arrepender de ter dado as costas a mim e ao nosso bebê. Vai encontrar alguém com quem queira se casar e vai lembrar que tem um filho que nunca teve um pai porque você foi covarde.

— Por algum motivo, acho que minha futura esposa não gostaria que eu ficasse muito próximo da minha amante e do nosso filho — disparou ele.

O sangue se esvaiu do rosto de Pippa, e ela recuou outro passo, como se tivesse sido fisicamente atingida. O rosto dele empalideceu, e Cam foi na direção dela, como se soubesse que fora longe demais.

Ela levantou a mão para impedi-lo. Eles eram como dois cães raivosos, um tentando machucar o outro com palavras rápidas e iradas. Aquilo nunca resolveria nada.

— Já chega — disse Pippa com uma voz fria. — Não quero nada de você, Cam. Seu apoio, seu dinheiro, sua presença. Não quero você perto de mim, nem do meu filho. Meu filho. Não seu. Você não nos quer, e, francamente, não precisamos de você.

— Pippa.

— Não quero ouvir. Mas fique sabendo de uma coisa, Cam: um dia, você vai acordar e perceber que cometeu um erro terrível. Não vou estar ao seu lado. — Ela levou a mão à barriga. — Nós não vamos estar ao seu lado. Mereço um homem que me dê tudo e não apenas dinheiro ou conveniência. Meu filho merece um pai que o ame incondicionalmente, não um pai que só é capaz de amar a si mesmo.

Pippa se virou para sair, mas parou à porta. Olhou-o uma última vez, ignorando a total tristeza em seus olhos.

— Amei você, Cam. Nunca pedi nada. E sim, você foi franco desde o início. Sendo assim, a culpa foi minha por mudar as regras. Sou tão responsável quanto você por esse desastre. Mas o fato de eu ter cometido um erro não significa que vou castigar a mim mesma pelo resto da minha vida e, definitivamente, não vou fazer meu filho sofrer pela minha burrice. Eu desejaria uma boa vida a você, mas acho que isso não vai ser possível, porque você está satisfeito demais com a sua tristeza.

Ela abriu a porta e a bateu ao sair.

— Srta. Laingley, deseja que eu a leve para casa?

Pippa se virou para ver John com olhos solidários. Aquela foi a gota d’água. Ela explodiu em lágrimas e permitiu que ele a levasse para o carro.

CAPÍTULO VINTE

Cam afundou na cadeira de sua mesa e enterrou o rosto nas mãos.

Seguira Pippa até a porta e vira que John a levara para casa. Observara até que as luzes do carro desaparecessem ao longe.

Não sabia quanto tempo tinha passado ali. Percebera que a porta ainda estava aberta e que o vento ficara mais forte. O frio o dominara, mas ele sabia que aquilo nada tinha a ver com a temperatura. Sentia-se frio por dentro. Morto. E já fazia muito tempo.

Seu peito doía. Isso não devia acontecer. Ele devia estar aliviado. Estava tudo terminado. Não havia como Pippa ter entendido de forma errada.

Um fim definitivo. Ele fizera o que deveria ter feito desde o início.

Sendo assim, por que não se sentia satisfeito? Nem mesmo aliviado? Ele sentia tanta dor que mal conseguia respirar.

Perdera Pippa.

Tentara se proteger da dor da perda. O desespero e a frustração de não poder manter um ente querido em segurança eram sua realidade naquele instante.

Perdera Pippa. Perdera seu filho.

Seu filho.

Uma vida inocente, preciosa.

Uma criança que merecia ter o mundo a seus pés. Pais que o amassem. Um pai que o protegesse de todas as mágoas e decepções que a vida tinha a oferecer.

Ah, Deus, ele era um canalha. Um monstro insensível que Pippa o acusara de ser. Entretanto, ele não era insensível. Naquele instante, faria qualquer coisa para ser incapaz de sentir aquela agonia.

Ver Pippa naquela noite e a prova de como ele lhe fizera mal o deixara com vontade de morrer. Ela arriscara, revelara tudo.

E ele a desprezara, pois tinha medo.

Era humilhante perceber como ele fora covarde. Como vinha sendo covarde havia muito tempo.

Ganhara algo que muitas pessoas nunca teriam. Algo que elas desejavam, algo pelo qual matariam, pelo qual agradeceriam durante cada dia de suas vidas.

Uma segunda chance de ter algo tão especial e maravilhoso.

Pippa era uma revigorante lufada de ar numa vida que ele desistira de viver.

Ela mudara tudo. Desde o momento em que ele a vira pela primeira vez, ela fora como um relâmpago em seus sentidos.

Seu sorriso, sua risada, sua atitude. Sua confiança. Sua beleza interior. E sua coragem

Ela era jovem, tinha planos. Poderia ter qualquer homem; todavia, ela o escolhera. Ele a engravidara, e ela seguira em frente, firme e forte, melhorando ao máximo uma situação difícil.

Lutara bravamente, continuava lutando, por seu filho. Ele sentia tanto orgulho dela e tanta vergonha de si mesmo que mal conseguia pensar nisso.

Ele não a merecia. Pippa tinha razão.

Entretanto, ele a desejava. Ah, Deus, como a desejava!

Era visível o fato de ele ter achado que poderia se poupar da dor da perda ao se fechar, ao recusar um relacionamento com Pippa.

Estivera tão preocupado com a possibilidade de perdê-la que o que ele mais temia acontecera. Por culpa dele!

Cam se levantou, subitamente agitado e mais determinado do que nunca em sua vida.

Ele a amava.

Mentira para si mesmo e para ela.

Dissera todos os tipos de besteira sobre não querer amá-la. Sim, ele não queria amá-la, mas amava mesmo assim, e isso não mudaria.

Cam foi às pressas até a garagem. Sem se preocupar nem um pouco com sua aparência, entrou na picape.

Iria até o apartamento dela e não dava a mínima se fossem 4h. Aquilo não poderia esperar. Ele não poderia esperar.

Certas coisas precisam ser feitas imediatamente. Ele a fizera esperar todo aquele tempo. Não esperaria mais nem um segundo.

Fora necessária uma imensa coragem para que ela fosse à casa dele, dissesse que o amava e esperasse com o coração na mão.

Como ele poderia não fazer o mesmo por ela?

Seria a coisa mais fácil e a mais difícil que ele faria em toda a sua vida, pois, ao se deparar com a alternativa de viver sem ela e o filho deles, rastejar pedindo perdão já não parecia tão ruim assim.

O cansaço dominou Pippa quando ela entrou em seu apartamento.

Sentia-se... perdida. Como se não soubesse o que fazer em seguida. Houvera um caráter definitivo naquele confronto com Cam.

Ela afundou no sofá e fechou os olhos. Sua cabeça latejava. Ela precisava dormir. Com a inauguração da loja, o parto de Ashley e o problema com Cam, ela não dormia bem fazia muito tempo.

Pippa pegou seu celular, olhou a hora e fez uma careta. Precisaria acordar dali a umas duas horas. Ela ativou o alarme para não perder a hora e pôs o telefone na mesa de centro.

Fechou os olhos e deixou que a confortável manta do sono a cobrisse.

O cheiro de fumaça fez Pippa acordar. Ela abriu os olhos, confusa com a escuridão e o cheiro de algo queimando. Horrorizada, levantou-se do sofá.

Chamas a cercavam, e o calor escaldante ardia em sua pele. Por todos os lados, havia uma parede de fogo alaranjado e fumaça. Era tão densa que Pippa não fazia ideia de onde estava ou para que lado ficava a saída, ou se sequer havia uma saída.

Ela inspirou e tossiu quando seus pulmões arderam O pânico a atingiu quando ela percebeu o terrível perigo.

Levando a mão à barriga, ela tentou enxergar além das chamas e da fumaça para saber se conseguiria chegar até a porta.

Então, lembrou que, num incêndio, o lugar mais seguro era o mais próximo possível do chão. Ela se abaixou o máximo que podia com sua protuberante barriga e levantou a camisa para cobrir o nariz e a boca.

O celular. Onde ele estava?

Ela se virou para trás, mas perdeu o sofá de vista em meio à fumaça. Estava ficando tão desorientada que, se não fizesse algo imediatamente, morreria.

Pippa fechou os olhos e visualizou a disposição da sala. Conhecia cada centímetro de seu apartamento e não deixaria que a histeria a levasse a fazer algo idiota.

Precisava salvar seu bebê. Precisava se salvar.

Ainda segurando a camisa sobre o rosto, ela começou a rastejar na direção da porta do apartamento. Acima dela, as chamas lambiam o teto. Estava ficando cada vez mais difícil respirar, e ela estava morta de preocupação com o que aquilo poderia causar a seu bebê.

Pensar em seu filho renovou sua determinação. Ela passou por cima de destroços quentes e fumegantes e chegou ao foyer. Só mais um pouco. Não parecia haver tanta fumaça perto da porta, e ela acelerou loucamente seu avanço, ignorando os cortes e queimaduras em suas palmas e joelhos.

Ela estava quase chegando quando a porta se rachou para dentro. A fumaça começou a sair pela abertura, envolvendo Pippa. Ela ouviu um grito, e mãos fortes a seguraram, puxando-a para cima.

O bombeiro a acomodou nos braços e saiu para o ar frio da noite. Em torno dela, o mundo era um mar de luzes piscantes, fumaça e chamas.

— Tem mais alguém no seu apartamento? — gritou o bombeiro.

Ela balançou a cabeça.

— Não.


Ele a carregou para uma ambulância, onde Pippa foi entregue a outro homem, que a pôs imediatamente numa maca.

— O bebê — disse ela com a voz rouca. — Estou grávida.

Uma máscara de oxigênio cobriu o rosto de Pippa. Quando ela deu por si, estava deitada, sendo posta dentro da ambulância, e dois paramédicos a olhavam ansiosamente.

Sentiu uma picada no braço. Gritando, eles lhe fizeram perguntas. Pippa tentou lhes dizer que estava bem, mas não conseguia dizer nada com a máscara, e sua garganta doía demais.

Entorpecida, ela ficou ali, tentando processar o que acabara de acontecer. A escuridão começou a dominar os cantos de sua visão, e um dos paramédicos se curvou para perto, gritando para que ela permanecesse acordada, com eles.

— Não tem nada de errado comigo — tentou dizer ela, mas não conseguiu fazer sua boca funcionar.

Piscou duas vezes, e o mundo enegreceu ao seu redor.

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