Undone by her tender touch




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CAPÍTULO QUINZE

— Já estou saindo — disse Pippa a Cam no celular.

— Não precisa ter pressa. Estou dando a volta no quarteirão. Vou parar aí na frente. É só sair.

Cam percebeu como estava ansioso por vê-la novamente.

Não fazia sentido. Ele queria ficar o mais longe possível dela. Ela o deixava nervoso. Olhava-o como se pudesse enxergar além da fachada que ele criara.

Ao mesmo tempo, quando ficava longe dela, mesmo que por um curto tempo, ele ficava ansioso. Precisava saber se ela estava bem, se tinha tudo de que precisava. Se estava em segurança. E, droga, ele simplesmente queria vê-la novamente.

Ele precisava deixar a dor de lado, seguir em frente. Mas em que momento a dor se encerrava? Quando uma pessoa deixava de ser tomada pelo medo de perder alguém de quem ela gostava?

Cam não tinha respostas para isso, e aquela história entre ele e Pippa só daria certo quando ele as encontrasse. E ele não queria que desse certo.

O que não explicava por que ele estava contornando o quarteirão, ansioso por vê-la novamente. Ele devia estar em casa. Nunca devia ter pedido desculpas, ainda que certamente as estivesse devendo. Entretanto, devia ter deixado que ela continuasse com raiva dele. Seria melhor para eles dois. Um fim rápido. Sem remorsos. Sem recriminações.

Mas ele queria vê-la. Queria. Queria Pippa. À sua própria maneira. Reconhecia que isso era egoísmo, mas não conseguia parar de desejá-la. Na cama ou não. Não importava. Ele simplesmente queria ficar perto dela, pois, que Deus o ajudasse, sentia-se mais vivo quando ela aparecia.

Ele reduziu a velocidade ao se aproximar da loja. Pippa estava trancando a porta, o vento soprava seu cabelo escuro. Então, ela se virou, e Cam foi atingido pela imagem. Jovem, vibrante, linda.

Ela o viu e acenou, seu rosto se iluminando com um deslumbrante sorriso. Correu com uma das mãos segurando a barriga e a outra segurando a bolsa. Ele parou e se esticou para abrir a porta para ela. Pippa entrou, derreteu-se no banco com um doce suspiro e voltou aquele exuberante sorriso para ele.

— É tããão bom sentar — disse ela.

Cam percebeu que estava parado enquanto raivosas buzinas soavam atrás dele. Pôs o carro em movimento, ouvindo ela falar animadamente sobre seu dia e o sucesso com os clientes.

O sangue dele vibrava de desejo. Ele a queria. Não queria desejá-la.

Subitamente, a ideia de passar tanto tempo num restaurante não o agradava mais. Ela parecia cansada. Ele estava impaciente. Precisava tê-la para si.

— Mudança de planos — disse ele ao virar à esquerda, para poder dar a volta para o apartamento dela.

— O que foi? Vai furar comigo?

Ele sorriu.

— Ah, não, de jeito nenhum. Vou levar de volta para a sua casa para você poder relaxar no sofá enquanto peço o melhor bife que o dinheiro pode comprar. Depois, vou levar você para a cama, fazer uma massagem completa e fazer amor até você desmaiar.

Os olhos de Pippa se arregalaram.

— Então, tudo bem — respondeu por fim.

Ao entrarem no apartamento de Pippa, o ar estava elétrico de expectativa. Ela sequer olhava nos olhos dele, pois tinha certeza de que deixaria claro o que estava pensando e, afinal, uma mulher precisava manter algum mistério, certo?

Entretanto, não era nenhum mistério o fato de ela desejá-lo.

O cansaço fora embora, e Pippa se sentia energizada. Pronta. Ficava arrepiada toda vez que ele a olhava.

— Por que não se senta e relaxa? — inquiriu ele. — Vou telefonar para fazer nosso pedido e arrumar as coisas. Quer algo para beber?

Aquele repentino lado solícito de Cam a estava confundindo. Ela gostava muito, muito mesmo daquele novo Cam, e poderia se acostumar com ele.

Não que ele nunca tivesse sido generoso com ela. Pelo contrário. Esforçava-se para satisfazer todas as necessidades dela, mas fazia isso da forma mais impessoal possível.

Agora, todavia, seus cuidados pareciam muito pessoais.

— Vou beber água mineral. Tem uma na geladeira — disse ela ao se acomodar no sofá.

Recostou a cabeça e fechou os olhos enquanto o ouvia na cozinha. Em seguida, ouviu-o fazendo o pedido pelo telefone. Um instante depois, Cam voltou à sala e lhe entregou a bebida.

— Obrigada.

— Sua inauguração foi um sucesso e tanto.

Ele se sentou na poltrona e repousou os pés a poucos centímetros do dela, no apoio para pés.

— Devo muito desse sucesso a você. Talvez todo ele.

— Dei um lugar a você, mas foi o seu talento e o seu trabalho duro que fizeram tudo acontecer.

— Obrigada por dizer isso. Significa muito. Venho trabalhando para isso há muito tempo.

— Já pensou no que vai fazer depois que o bebê nascer?

— Como assim?

— Vai continuar trabalhando assim ou vai contratar outras pessoas para administrar a loja, para poder ter mais tempo com nosso filho?

Por um instante, ela não conseguiu responder. Estava abalada demais com a referência ao filho deles. E lembrou que ela e Cam não eram um casal. Era claro que ele iria querer saber que providências ela tomaria, pois ele não estaria presente o tempo todo.

Pippa ficou chocada com a mágoa que aquilo lhe causou. Com sua vontade de que tudo fosse diferente.

— Ainda não decidi. Vai depender muito de como o café vai estar se saindo e se vou poder contratar mais funcionários. Preciso treinar minha assistente, para que ela possa reproduzir minhas receitas enquanto eu estiver de licença-maternidade. Mas não posso fechar. Isso nem é uma opção.

— Claro que não. Se me permitir ajudar, posso usar alguns dos meus contatos. Temos vários chefs confeiteiros que trabalham em nossos hotéis. Tenho certeza de que podemos emprestar um a você por algumas semanas.

Ela o olhou, boquiaberta.

— Cam, vocês têm resorts cinco estrelas. Eu nunca conseguiria pagar nem três semanas de salário para um chef confeiteiro de nível internacional como os que vocês têm.

— Ele continuaria na nossa folha de pagamento, claro.

Ela suspirou.

— Não posso ficar dependendo de você, Cam Isso vai me fazer fracassar terrivelmente. O que você fez foi maravilhoso demais, mas também altera os resultados. Quando todo o seu apoio acabar, vou ficar perdida.

Ele franziu o semblante.

— Ninguém disse que ele vai acabar.

— Eu disse que vai — falou ela delicadamente. — Preciso me virar sozinha, Cam.

Ele não discutiu, ainda que Pippa tivesse a distinta sensação de que ele ainda não encerrara o assunto. Então, outro pensamento lhe ocorreu.

— Não emoldurei meu primeiro dólar.

Ele pareceu confuso com a tristeza dela.

— Você tem de emoldurar o primeiro dólar que ganha quando abre seu próprio negócio. Você não fez isso?

— Sua primeira venda deve ter sido com cartão, Pippa. Ninguém anda mais com dinheiro. Mas você pode emoldurar o recibo do cartão.

— Você é tão estraga-prazeres. Não tem mais o seu primeiro dólar?

— Ainda tenho meu primeiro milhão.

Ela revirou os olhos.

— Dinheiro não significa nada para você, ou ele já perdeu todo o valor?

— Claro que significa alguma coisa. Quer dizer que posso sustentar nosso filho e você. Posso viver confortavelmente e não me preocupar com a minha próxima refeição. E que você não precisa se preocupar por não ter plano de saúde.

— Certo, certo, eu estava só provocando você. As pessoas que não têm muito dinheiro costumam não entender as que têm. Ou ao menos a atitude delas com relação ao dinheiro.

— Espero que você não esteja insinuando que sou esnobe.

— Não. Realmente não acho que você seja. Pode ser um idiota de primeira linha, mas não é esnobe.

Cam lançou um olhar sério para ela, e Pippa riu.

A campainha os interrompeu, e Cam se levantou rapidamente para atender. Retornou um instante depois, seguido por um entregador, que pôs a comida na mesa de centro. O jovem sorriu para Pippa e saiu da sala novamente com Cam.

Ela esperou, inspirando o aroma de dar água na boca que flutuava dos pratos cobertos. Curvou-se para dar uma espiada quando Cam a censurou da porta.

— Não tão rápido.

Ela recuou, sentindo-se culpada.

— Quer comer aqui ou na cozinha?

— Estou confortável aqui.

Ele descobriu os pratos. Serviu um copo de água gelada para Pippa e pôs o prato diante dela. Então, entregou-lhe os talheres.

— Pode atacar.

Ele não precisou falar duas vezes. Encomendara um filé, que estava muito macio. Ao dar a primeira mordida, Pippa fechou os olhos e suspirou de prazer.

— Bom? — perguntou Cam.

— Nem tenho palavras. Melhor bife que já pus na boca.

Ele assentiu, satisfeito.

Eles comeram em silêncio. Em seguida, Cam terminou seu bife antes que Pippa chegasse à metade do dela. Ele levou seu prato para a cozinha. Ao voltar, pegou o prato dela.

Pippa franziu o semblante, protestando, mas ele gesticulou para que ela se recostasse. Então, pôs as almofadas do sofá sobre o colo dela, colocando o prato sobre as almofadas. Sem que ela tivesse ideia do que ele estava tramando, Cam levantou os pés dela e os pôs de volta no apoio.

Fechou as mãos em torno do pé esquerdo e aplicou pressão na parte interna. O corpo dela se curvou precariamente, aliviado, e Pippa soltou um glorioso suspiro quando o prazer adentrou seus músculos.

— Como vou conseguir comer com você fazendo isso?

Ele sorriu.

— Fácil. É só pegar o garfo. Você passou o dia todo em pé. Deve estar dolorida. Então, relaxe e me deixe cuidar disso para você.

Ah, claro que sim. Ela não diria mais nada. Ficaria sentada ali, comendo seu delicioso bife, enquanto o homem mais lindo do mundo lhe fazia uma massagem nos pés.

— Lembra-se do que eu prometi? — murmurou ele.

Ela quase se engasgou. Assentiu.

Quando Cam segurou o calcanhar dela com uma das mãos e, com a outra, acariciou a parte de cima do pé, subindo pela perna, o calor do toque aquecendo a pele dela.

— Assim que você terminar, vou levar você para a cama, Pippa. Depende de você quanto tempo vai querer dormir.

Oh, céus.

Ela deixou o prato de lado. Cam a olhou por um instante, como se estivesse analisando se ela estava pronta ou não. Para Pippa, mais pronta que aquilo, só ela estivesse nua e com um cartaz dizendo Sou Sua.

CAPÍTULO DEZESSEIS

Assim que Cam pôs Pippa de pé, a adrenalina a percorreu. Ele a puxou para perto, os corpos se tocando. Seu calor passou para ela e envolveu-a. Então, ele passou a mão pelo cabelo dela e a beijou.

Um leve toque dos lábios, mas Pippa o sentiu até a ponta dos pés. Cam recuou.

— Na sua cama — disse ele.

Engolindo em seco, ela começou a soltar a mão dele para ir até o quarto. Cam, entretanto, apertou sua pegada, passando o polegar no punho dela.

Pippa foi na frente, puxando-o atrás de si. Parou ao chegar diante da cama, sem saber o que ele iria querer em seguida.

Cam passou por ela, levando-a consigo. Colocou-a sentada na beira da cama e desabotoou a blusa dela.

Ajoelhou-se ao tirar a blusa dos ombros dela, revelando o sutiã de renda. Seu olhar baixou para a barriga de Pippa, e ele ficou paralisado. Ela prendeu a respiração, imaginando se o momento se perdera. Contudo, para seu total choque, ele apoiou o rosto na barriga dela e deu um beijo na pele esticada.

A emoção a atingiu. Ela deslizou os dedos pelo bagunçado cabelo dele.

Lentamente, Cam se afastou e a ergueu apenas o suficiente para poder tirar a calça dela.

— Prometi uma massagem. E acho que vou aproveitar mais do que você.

Ela lançou um olhar de dúvida para ele, mas certo, se aquilo era o que ele queria pensar.

Ele a levantou para poder colocá-la de lado. Então, soltou o sutiã e puxou cuidadosamente a calcinha, deixando-a nua, de costas para ele.

Durante uma longa pausa, ela olhou por cima do ombro para ver Cam se despindo. Ele tinha um corpo esbelto e deslumbrante, o suficiente para enlouquecer uma mulher.

Cam voltou para a cama e se ajoelhou atrás dela. Quando sua mão deslizou pelo quadril de Pippa, subindo para as costas e para o ombro, ela fechou os olhos e suspirou.

A boca dele veio em seguida, no pescoço dela, deslizando pela curva até seu ombro. Quando ele se afastou, pôs as duas mãos nas costas de Pippa e começou a massagear até que os olhos dela se revirassem.

Não deixou nenhuma parte do corpo dela intocada. Desceu massageando para as nádegas, moldando os fartos globos com as palmas antes descer para as coxas.

Fazendo com que ela se deitasse com as costas no colchão, Cam levantou uma das pernas de Pippa e começou a trabalhar nos músculos com aquelas incríveis mãos. Desceu até o tornozelo e começou a massagear o pé, beijando sua parte interna em seguida.

Pippa quase enlouqueceu naquele instante. A sensação mais erótica que ela já tivera, e era apenas o seu pé!

Ele foi para a outra perna. Pippa, entretanto, estava apenas ligeiramente consciente. Ela soltou um deleitado suspiro.

Cada carícia levava calor à sua alma. Ela abriu os olhos e, fascinada, observou enquanto ele se punha acima dela, abrindo delicadamente suas coxas antes de acomodar a parte de cima de seu corpo entre elas.

Durante um breve momento, ele ergueu o olhar, e aqueles ardentes olhos azuis se fixaram nos dela. Ele sorriu e baixou a cabeça para a parte mais íntima dela.

Pippa não conseguiu segurar o gemido. Contorcia-se inquietamente, mas ele a mantinha firmemente no lugar com aquelas mãos nos quadris dela. Beijou, lambeu e fez amor com ela com aquela deliciosa boca.

Com uma força desesperada, ela entrelaçou os dedos no cabelo dele, arqueando-se para Cam. Ele foi mais fundo com a língua. Então, deslizou os dedos para bem fundo no calor dela.

Era mais do que ela conseguia suportar, e Pippa atingiu o clímax com uma rápida e caótica explosão.

Ele beijou ternamente aquele trêmulo ponto sensível, arrancando outro calafrio dela antes de subir com a boca para a barriga, dando toda a sua atenção a ela. Havia uma reverência tão grande no toque dele que Pippa precisou engolir em seco para vencer o nó que se formava em sua garganta.

Queria tanto acreditar que ele estava mudando de ideia. Que talvez estivesse começando a se desapegar do passado. Todavia, tinha medo de tocar no assunto. Medo da rejeição dele. E ela não conseguiria ser paciente e compreensiva. Não esperaria eternamente que ele resolvesse lutar pelo futuro deles.

— Avise se eu machucar você.

Cam se posicionou entre as coxas dela. Manteve seu peso longe dela, com uma das palmas pressionadas no colchão, enquanto usava a outra mão para guiar sua ereção até a abertura.

Hesitantemente, ele avançou sem que seu olhar jamais abandonasse o rosto dela. Pippa pulsava em torno dele, ainda hipersensível após o orgasmo. Quando ele a penetrou ainda mais profundamente, ela fechou os olhos e cravou os dedos nos musculosos ombros dele.

— Demais? — perguntou Cam.

Ela abriu os olhos para vê-lo preocupado.

— Ah, não. Nem perto.

Ele inspirou fundo, como se estivesse lutando bravamente para manter o controle.

Pippa segurou o rosto dele nas mãos enquanto o olhava.

— Faça amor comigo, Cam. Não se contenha. Você não vai me machucar.

Ele fechou os olhos e emitiu um forte grunhido. Então, beijou a palma da mão dela. Cuidadosamente, ele baixou seu corpo até tocar a barriga dela na dele. Apoiou os antebraços no colchão e foi mais fundo.

Sua boca encontrou a dela. Faminta. Ardente.

Ele encontrou um ritmo lento e sensual. Foi paciente, fazendo com que ela se aproximasse do clímax novamente.

Dessa vez, foi menos urgente. Uma lenta escalada enquanto o prazer a preenchia. Ela se sentia leve ao ser envolvida por ele. Sentia-se... amada.

Mesmo sabendo que era tolice ter a fantasia de que ele a queria e precisava dela, Pippa não conseguiu evitar mergulhar naquele momento, no qual tudo estava completamente perfeito em seu mundo.

Cam roçou os dentes na pele sensível abaixo da orelha dela. Então, ergueu seu corpo apenas o suficiente para penetrá-la mais fundo.

Pippa arfou e segurou os ombros dele, cravando as unhas na carne. Arqueou-se para cima, querendo mais, precisando de mais.

— Isso, querida. Adoro a sua reação. Sempre junto de mim.

Ah, se ele soubesse como ela estava junto dele, como queria estar. Pippa mordeu o lábio para impedir que as malditas palavras escapassem no calor do momento. Ele não gostaria delas.

Amo você.

Ele estremeceu contra ela. Soltou um grito rouco. Pippa gemeu levemente e sussurrou o nome dele quando o mundo desabou a seu redor. Arqueando-se. Suspirando. Os corpos se moveram num uníssono tranquilo até que eles estivessem totalmente unidos.

Ela desabou de volta no colchão, tão saciada que mal pensava em se mexer. Cam rolou para o lado, levando-a consigo.

Puxou-a para perto, apoiando a cabeça de Pippa na curva de seu pescoço. Seu coração batia freneticamente contra o rosto dela, e Pippa inspirou fundo, querendo capturar a essência dele e marcá-la em sua memória.

Cam não falou nada. Ela também não. Qualquer coisa que ela dissesse apenas estragaria o momento, e qualquer coisa que ele provavelmente pudesse dizer não agradaria a Pippa. Sendo assim, ela estava feliz em deixar as coisas daquele jeito.

Fechou os olhos e abraçou Cam, querendo mantê-lo por perto, mas sabendo que, quando ela acordasse novamente, ele teria ido embora. Como nas outras vezes. Sua cama estaria vazia; seu coração, ainda mais.

Cam acordou suando frio, o horror de seu sonho ainda vívido em sua mente.

O acidente que tirara Elise e Colton dele fora revivido em câmera lenta. Ele vivenciara a horrenda impotência de saber que não poderia salvá-los. Ainda assim, correra na direção das ferragens, rezando com todas as suas forças para que tudo fosse diferente dessa vez, para que ele os encontrasse vivos.

No entanto, ao chegar, o que ele vira fora o corpo de Pippa ensanguentado, e o que ouvira fora o último grito de dor do filho recém-nascido deles.

Desesperado para fazer aquela cena terrível desaparecer, ele saiu da cama às pressas.

Vestiu-se e saiu para a noite, respirando fundo por várias vezes.

Levou a mão à testa enquanto ia até seu carro. Entrou e desabou no banco. Ficou sentado ali durante longos minutos, olhando pelo para-brisa, tentando relembrar as feições de Elise.

Contudo, não era sua amada esposa quem ele via toda vez que fechava os olhos. Era Pippa.

CAPÍTULO DEZESSETE

Pippa se esforçou para sair da cama na manhã seguinte. Deveria estar eufórica. Tivera um incrível público em sua inauguração. Passara um maravilho entardecer com Cam e uma noite ainda melhor na cama. Todavia, como ela já sabia, apesar de ela ter acordado antes do amanhecer para ir a seu café, Cam fora embora.

Ela entrou na loja, sentindo-se totalmente para baixo. As duas pessoas que ela contratara para ajudá-la a trabalhar na cozinha pela manhã chegaram pouco depois dela e trabalharam em silêncio, pois Pippa estava dispensando qualquer conversa.

Precisava de tempo para pensar. Cam a estava enlouquecendo. Ela não poderia continuar daquele jeito.

Ah, quem ela queria enganar? Tudo o que o homem precisava fazer era sorrir, pedir desculpas e levá-la para a cama.

Faltavam poucos minutos para abrir a loja quando o celular dela tocou. Era Ashley, que sempre fazia com que Pippa se sentisse melhor.

— Acordou cedo hoje. O bebê não está deixando você dormir? — questionou Pippa.

— Pippa, é Devon.

Ele soava abalado, e havia tensão em sua voz.

— Onde está Ashley? — Pippa exigiu saber.

— Estamos no hospital. Ela está em trabalho de parto e me pediu para telefonar. Não consegui falar com a mãe, e ela está em pânico. Acho que só quer alguma companhia feminina. Eu a estou deixando louca.

Pippa sorriu.

Tudo bem, Dev. Estou indo. Aguente firme.

O alívio de Devon foi palpável.

— Obrigado, Pippa.

Ela desligou e deu instruções a seus funcionários sobre como administrar a loja em sua ausência. Abandonar sua loja no segundo dia não era o que ela queria, mas Pippa não deixaria Ashley na mão quando ela mais precisava.

Ela saiu correndo para pegar um táxi. Poderia ligar para John, mas não queria esperar. Estava nervosa e empolgada para estar com Ashley no grande dia. Entretanto, se fosse honesta, admitiria que toda aquela história de parto a assustava.

Ela sempre pulava aquela parte nos livros sobre gravidez. Sabia tudo sobre os nove meses anteriores. Sabia tudo sobre o que acontecia após o parto. Contudo, bloqueara todas as informações sobre o parto.

Ao chegar ao hospital, ela parou na recepção para descobrir o número do quarto de Ashley. Em seguida, foi para a maternidade e bateu na porta de Ashley.

Devon abriu e pareceu aliviado ao vê-la. Hesitantemente, Pippa olhou para além dele, feliz ao ver Ashley sentada na cama, parecendo bem. O rosto de Ashley se iluminou quando ela viu Pippa.

— Pippa! Estou tão feliz por você estar aqui!

Pippa sorriu e foi abraçá-la.

— Como você está? Quando esse bebê vai chegar?

Ashley fez uma careta.

— Ainda pode levar horas. Só estou com quatro de dilatação.

Pippa piscou os olhos.

Ashley franziu o semblante.

— Centímetros.

— Ah.


Pippa realmente não queria saber o que aquilo significava. Parecia doloroso. Eram coisas que ela evitava. Preferia ler a respeito dos primeiros movimentos do bebê e de todos os estágios de desenvolvimento depois do nascimento.

— Quer que eu traga alguma coisa, Ash?

Ashley balançou a cabeça.

— Não, só fique comigo. Estou enlouquecendo o coitado do Devon. Ele quer melhorar tudo, e estou mal-humorada.

Pippa riu.

— Você? Mal-humorada?

— Pode se sentar aqui, Pippa — disse Devon ao empurrar uma cadeira para trás dela.

Pippa se acomodou na cadeira ao lado da cama de Ashley, enquanto Devon continuava andando de um lado para o outro na pequena área atrás delas. Ela pegou a mão de Ashley.

— Está empolgada?

Ashley inspirou fundo.

— Empolgada. Morta de medo. Só quero saber de tomar logo minha epidural.

Pippa estremeceu.

— Agora fico querendo saber se é menino ou menina — disse Ashley, entristecida. — Achei que seria empolgante ser surpreendida quando o médico dissesse “é um menino” ou “é uma menina”, mas já estou achando que o melhor é não ter surpresas.

Pippa assentiu. Claro, se ela tivesse escolhido não saber, talvez Cam não tivesse surtado. Por outro lado, talvez não fizesse bem a ele descobrir no dia do parto. Quanto mais tempo ele tivesse para se acostumar ao fato de que teria outro filho, melhor.

Devon foi para o outro lado da cama e se curvou para beijar a têmpora de Ashley.

— Vai ficar tudo bem, Ash. Você vai se sair muito bem.

Ashley o olhou com tanto amor nos olhos, um amor francamente refletido no terno olhar de Devon. Pippa precisou desviar os olhos. Queria aquilo. Ela e Cam sequer tinham discutido se ele estaria presente quando o bebê chegasse. Ela presumia que sim, porém, estava descobrindo que era perigoso presumir qualquer coisa com ele.

Ela se levantou abruptamente, as lágrimas ardendo em seus olhos.

— Já volto. Preciso dar um telefonema. Saber como está a loja.

Pippa foi às pressas até a sala de espera, torcendo para que fosse capaz de recuperar sua compostura. Ashley precisava da força dela naquele dia.

Durante todo o dia, visitas foram e vieram, mas não se demoraram muito, já que o quarto estava ficando cada vez mais lotado com a família de Ashley. A própria Pippa já decidira que ficaria no corredor, para não atrapalhar.

Ela saiu, pegou um copo de água e se sentou numa confortável cadeira para esperar a chegada do bebê.

Ashley tinha uma grande família, e parecia que todos estariam presentes para o nascimento.

O coração de Pippa se apertou, pois ela não conseguia imaginar uma atenção tão maravilhosa quando fosse a hora de o bebê dela nascer. Como devia ser incrível ter uma família imensa e amorosa!

Ela nunca se sentira tão sozinha quanto ali, cercada de pessoas ternas e amistosas.

— Comeu alguma coisa hoje?

Os pensamentos de Pippa foram interrompidos pela voz de Cam.

— Vamos até a lanchonete — disse ele.

— Não vou agora. Ashley vai dar à luz a qualquer momento. Não vou perder isso de jeito nenhum

Cam pareceu perceber o ar de expectativa que permeava o local.

— Vou comprar algo. Você precisa comer.

Ela deu de ombros, o que pareceu irritá-lo.

Com outro olhar inquisidor em sua direção, Cam se virou e saiu da sala de espera. Pippa suspirou. Ele devia se sentir confuso com o mau humor dela. Não tinha ideia de como se encontravam caóticos os sentimentos de Pippa, nem quão perto ela estava à beira de um colapso nervoso.

Quinze minutos depois, ele retornou com um recipiente de isopor e entregou a ela, juntamente com talheres de plástico.

— Eu não sabia que bebida comprar. Então, comprei uma garrafa de água.

— Está ótimo. Não vai comer?

— Comi antes de vir.

Ele se acomodou na cadeira ao lado da dela, estendendo as longas pernas enquanto ela abria o recipiente. O espaguete e o pão de alho pareciam gostosos, mas o estômago de Pippa estava se revirando.

Ela conseguiu comer algumas garfadas e ficou revirando a comida, para dar a impressão de que estava comendo. O problema era que ela sentia o olhar de Cam e sabia que ele não estava sendo enganado.

Pippa foi salva quando o pai de Ashley, William Copeland, entrou com tudo na sala de espera com um sorriso de orelha a orelha.

— É uma menina! Ganhei uma neta!

O local explodiu de felicidade. Pippa deixou a comida e se levantou com as outras pessoas para se juntar ao sr. Copeland. Os sorrisos eram imensos. Muitos abraços. Tudo o que Pippa queria em seu próprio parto.

Alguns minutos depois, Devon apareceu segurando um minúsculo bebê. Estava com um sorriso tão grande que seu rosto devia estar doendo. Pippa viu Cam se aproximar do amigo, o próprio sorriso dele se igualando ao de Devon.

Ela ficou de queixo caído quando Cam olhou para o bebê, seus olhos reluzindo enquanto ele e Devon trocavam comentários. Pior ainda, Devon entregou prontamente o bebê para Cam, e eles ficaram ali juntos, mimando e falando como bebês.

Pippa não imaginava que fosse possível sentir uma dor maior do que sentira no dia do ultrassom. Ficou petrificada à medida que via o mesmo homem que abandonara tanto ela quanto seu bebê fazer papel de bobo ao ver aquela menininha.

Cam devolveu o bebê, deu um tapinha nas costas de Devon e lhe deu parabéns. O local estava um tumulto de sons felizes e empolgados. Pippa, entretanto, estava concentrada em Cam, que sorria, que estava feliz, que claramente tinha amor a dar.

Sendo assim, por que ele não podia amá-la, amar o filho deles?

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