Undone by her tender touch




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CAPÍTULO OITO

— Quando você ia me dar essa notícia? — interrogou Devon com uma voz irritada.

Cam se virou para encontrar seu amigo apoiado na porta do escritório.

Apesar de compartilharem um conjunto de escritórios, Cam não via seu amigo havia algum tempo. Com os outros parceiros, isso era compreensível; desde que haviam se casado, Rafe e Ryan passavam a maior parte do tempo supervisionando projetos em suas respectivas ilhas, onde tinham se estabelecido com as esposas. Cam, entretanto, precisava admitir que vinha evitando Devon desde a noite em que ele e Pippa tinham saído da festa de Ashley. Pippa era muito amiga de Ashley, e Ashley era intensamente leal. Provavelmente, já enchera a cabeça de Devon dizendo que Cam era um idiota de primeira classe.

Cam suspirou e gesticulou para que Devon entrasse. Devon sentou-se diante da mesa de Cam

— Então?

— Então o quê? Tenho certeza de que você já sabe da história inteira a esta altura. Com Pippa me evitando, é provável que você saiba mais do que eu.

— Evitando você? Não me diga que aquele seu charme fatal é um fracasso.

— Charme não tem nada a ver com isso.

— Evidentemente.

Cam suspirou.

— Você veio só para zombar de mim ou quer alguma coisa?

— Na verdade, estava me perguntando por que meu melhor amigo não se deu ao trabalho de me contar que engravidou a melhor amiga da minha esposa.

— Deus, Dev, acha que fiz isso de propósito? Você deveria ser a primeira pessoa a saber que é a última coisa que eu poderia querer.

— Sim, eu sei. E é por isso que achei tudo isso meio estranho.

— Era para ter sido uma única noite. Eu me senti atraído por ela. Ela se sentiu atraída por mim. As coisas chegaram ao ápice na noite da sua festa, e fomos para a minha casa.

— Você levou uma mulher para a sua caverna? Eu sabia que você tinha uma quedinha por ela, mas não achei que fosse chegar ao ponto de levá-la para sua casa.

— Não fazia sentido levá-la até um hotel na cidade ou voltar para a casa dela, já que a minha casa ficava mais perto.

— Claro — disse Devon, provocando.

— A questão é que nada disso foi planejado. Na verdade, fizemos esforços para evitar. Infelizmente, o maldito preservativo estourou. Só não estamos felizes com a maneira como tudo aconteceu. Queremos o bebê. Só não concordamos. Bem, não concordamos em nada até agora.

— Sinto muito — declarou Devon sinceramente.

— Você a tem visto? Ashley disse alguma coisa sobre ela? Ela vem me evitando, e isso está começando a me irritar.

— Pippa esteve lá em casa há umas noites. Está bem estressada.

— Com a gravidez? Ela mudou de ideia?

— Calma. Não é nada disso. Até onde sei, ela está aceitando muito bem a gravidez. Mas as coisas não estão dando tão certo para os planos de negócios dela. Aparentemente, o aluguel da loja não deu certo, e ela não está conseguindo encontrar outro lugar. O orçamento dela está bem apertado, e agora, com o bebê a caminho, ela está entrando em pânico.

— Maldita mulher cabeça-dura. Ela só precisava concordar em se casar comigo. Ou ir morar comigo. Havia muitas opções.

Devon o olhou como se Cam tivesse enlouquecido.

— Casar? Morar com você?

— Sei o que está pensando, e sim, obviamente, enlouqueci. Mas, droga, Dev, só consigo pensar na possibilidade de algo acontecer. Algo que eu possa impedir. Só preciso...

— Eu sei, cara. O que vai fazer?

— Não sei. O que posso fazer? Ela parece não querer nada comigo. Ao menos ainda não. E tentei de verdade dar a Pippa o espaço que ela parecia querer, mas estou ficando impaciente. Tentei telefonar. Marcar um jantar. Ela sempre tem outra coisa para fazer. Preciso saber que ela está em segurança, cuidando de si e do bebê.

— Tente parar de deixar o passado afetar todos os seus pensamentos e decisões. Você não pode mudar o passado, mas, sem dúvida, pode estragar seu futuro.

Uma fúria cega dominou Cam. Ele sabia que Devon só queria seu bem, mas também acreditava que acabaria fazendo ou dizendo algo de que se arrependeria se não tomasse cuidado.

Como Devon poderia compreender? Cam queria dizer a Devon que ele não estaria tão pronto a dar conselhos se algo acontecesse com Ashley e o filho deles, mas não podia ser cruel a ponto de fazer Devon pensar num futuro assim.

— Sinto muito — disse Devon. — Ninguém espera que você esqueça. Só acho que, em algum momento, você precisa estar disposto a seguir em frente e arriscar novamente.

Cam assentiu.

— Se servir de consolo, Pippa está dedicando a maior parte do tempo dela para conseguir abrir a empresa. Ashley vem ajudando com ideias. Duvido que o fato de ela estar evitando você seja pessoal.

— Ela não precisaria passar por isso se tivesse aceitado minha ajuda.

— Você já ofereceu? De um jeito sem compromisso?

— Talvez meu erro seja perguntar a ela. Já me ocorreu que, quando têm oportunidade de dizer não, as mulheres dizem, só para contrariar. O segredo é não perguntar; simplesmente fazer. Não concorda, Dev?

Devon o olhou de forma desconfortável.

— Não me peça para me envolver nisso, cara. Não vou ajudar você a ser castrado.

— Medroso.

— Sou mesmo. Aprendi a tomar cuidado e descobri que a felicidade e a tristeza de Ashley me afetam diretamente.

Por um instante, a dor perfurou o peito de Cam Ele invejou Devon loucamente. Devon era feliz. Descobrira a alegria do casamento e o amor de uma mulher. Estava ansioso por ser pai com a inocência de um homem que não percebia que a felicidade era passageira. Que tudo poderia mudar num instante.

Cam sabia disso. E, se dependesse dele, jamais sentiria aquele tipo de dor novamente.

— Mas desejo sorte a você — disse Devon, empolgado. — Pelo menos você vai me entreter.

— Está me subestimando.

— O que você quer de verdade, Cam? Diz que não quer um relacionamento. Que não quer compromisso. Que não quer nada permanente. Mas está correndo sem parar atrás de Pippa e ficando frustrado por ela estar lhe dando exatamente o que você quer, dispensando as três coisas que acabei de mencionar.

Era uma ótima pergunta, e Cam não tinha resposta para ela.

— Quero fazer tudo que puder para garantir que ela e meu filho estejam em segurança e bem cuidados.

— Você não pode protegê-los de tudo. Coisas ruins acontecem. Você não pode viver sua vida inteira esperando um desastre.

Para Cam, a conversa estava encerrada. Ele desviou o assunto para os negócios. Contudo, Pippa continuou em sua mente.

Quanto mais rápido ele garantisse a segurança e o bem-estar dela, mais rápido sua vida voltaria ao normal. E ele continuaria dizendo isso a si mesmo até acreditar.

CAPÍTULO NOVE

Fora um dia terrível para Pippa numa longa série de dias terríveis, e, para piorar as coisas, ela estava duelando com os enjoos matinais e com um cansaço avassalador.

Ela suspirou de alívio; apenas mais dois quarteirões, e estaria em casa. Vestiria seu pijama, tomaria um chocolate quente e, em seguida, dormiria durante 12 horas.

Que mudança. A gravidez a transformara num fardo patético e entediante.

Ela estava tão absorta em seus pensamentos que, quando finalmente percebeu o carro que parara na rua a seu lado, seu coração deu um salto. No exato instante em que a mão dele se fechou em torno de seu cotovelo.

Pippa soltou um grito assustado, mas se acalmou quando viu quem era.

— Cam, você quase me matou de susto!

— Entre. Está congelando aqui fora.

— Falta só um quarteirão e meio!

Ignorando-a, ele a levou para a porta aberta do carro, e Pippa suspirou quando uma onda de ar morno a atingiu no rosto. Certo, talvez percorrer de carro o restante do caminho não fosse algo ruim. Cam entrou depois dela, fechou a porta e gesticulou para que o motorista pusesse o carro em movimento.

— Você não retornou minhas ligações. Sempre consegue não estar em casa quando apareço. Suas amigas, incrivelmente, nunca fazem ideia de onde você está.

O sarcasmo a deixou de cara feia, mas a culpa piorou ainda mais sua expressão.

Quando o carro não reduziu a velocidade ao passarem pelo edifício dela, Pippa se curvou à frente.

— É ali! Meu apartamento é ali.

— Não vamos para o seu apartamento.

Ela afundou de volta no banco e suspirou, cansada.

— Sei que tenho evitado você. Não vou dar nenhuma desculpa. Mas, Cam, por favor, não consigo falar com você hoje. Estou cansada. Com um humor terrível. Só vou irritar você.

Para surpresa dela, Cam sorriu.

— Ao menos você é honesta.

A repentina mudança no comportamento dele a pegou desprevenida. Ele era tão... atraente... quando sorria.

— Aonde vamos? — indagou Pippa, irritada.

— A um lugar que acho que vai fazer seu humor melhorar.

— Desgraçado misterioso — resmungou ela.

Para sua irritação, o sorriso dele se alargou. Todavia, suas sobrancelhas se uniram. Não havia raiva nos olhos dele; porém, sem dúvida, havia determinação.

— O que está havendo, Pippa? Por que você não retorna minhas ligações? Achei que tivéssemos um acordo. Nem sei quando é sua consulta com o médico. Ou você já foi?

— Claro que não fui. Eu disse que avisaria, para você poder ir comigo.

— Você disse muitas coisas que não se realizaram.

— Tenho estado ocupada. Estou com muitas coisas na cabeça, inclusive como diabos vou sustentar meu bebê. E a mim mesma. Estou incrivelmente tensa, Cam. Preciso de um descanso. Sua vida pode não mudar tanto, mas a minha vai mudar.

Os olhos dele ficaram tempestuosos, e seus lábios formaram uma linha fina. Ela sabia que fora longe demais. Não tomara cuidado com as palavras. Quisera atacar alguém, e Cam fora a infeliz vítima, pois calhara de estar no lugar errado na hora errada.

Ele não merecia aquilo, e Pippa sabia disso. Cam se esforçara. Estava fazendo e dizendo todas as coisas certas. Mais ou menos. Entretanto, fora difícil para ela aceitar sua gravidez e o que ela significava. Talvez algumas pessoas conseguissem dar uma virada de 180 graus em sua vida e continuar firmes e fortes; Pippa não era uma delas.

— Acha que é a única que está abalada com isso, Pippa? Vou lhe dizer uma coisa. É péssimo não saber o que diabos está acontecendo com você, não saber se você está bem, se o bebê está bem. Você gostaria de viver com essa incerteza?

A culpa triturou Pippa. Talvez, se ela tivesse se mostrado um pouco mais disposta a incluí-lo, eles pudessem ter enfrentado tudo aquilo juntos, em vez de ela ter se preocupado incessantemente com como conseguiria sobreviver sozinha.

— Desculpe, Cam.

Ela se curvou à frente e envolveu os largos ombros dele com seus braços. No início, ele ficou rígido, como se não soubesse como receber aquele gesto impulsivo. Então, relaxou gradualmente e também a abraçou.

Pippa o abraçou ferozmente, enterrando o rosto no pescoço dele. Era bom simplesmente se apegar a alguém mais forte que ela, pois precisava daquele apoio.

— Não sou boa nisso. Você não merece ser tratado assim, Cam

Delicadamente, ele a afastou e levou um dedo aos lábios dela.

— O que acha de fazermos um pacto daqui em diante? Não me exclua das coisas e pare de me evitar.

Ela assentiu e retornou aos braços dele.

Cam acariciou os ombros de Pippa.

— Tenho uma surpresa para você. Acho que vai aliviar parte da sua tensão.

Ela se afastou, detestando abandonar aquele reconfortante abrigo, mas queria saber do que ele estava falando.

— Já vamos chegar. Não é longe do seu edifício.

Cam a puxou para junto de si e olhou pela janela.

Alguns quarteirões à frente, o motorista parou diante de um luxuoso conjunto de empresas de varejo. Cam saiu e pegou a mão de Pippa para ajudá-la a sair.

Assim que ela pisou na calçada, ficou boquiaberta ao ver a ousada placa da loja.

Casa da Pippa. Bufê À Sua Maneira.

Rosa-choque. Chamativo.

Contemporâneo. E feminino! Perfeito para ela.

Ela soltou a mão dele e correu para olhar a vitrine. O interior estava impecável. Já equipado com uma área com assentos à esquerda e um grande balcão, que ela encheria com várias coisas deliciosas. Havia dois caixas em cada ponta do balcão.

— Caramba, Cam, o que você fez?

Ela girou para vê-lo com um sorriso satisfeito no rosto.

— Quer entrar e ver se o resto recebe a sua aprovação?

Ele segurou as chaves diante dela.

— Ah, meu Deus, sim!

Pippa roubou as chaves dele e correu para destrancar a porta. Quase gritou de deleite quando um pequeno sino tocou acima da porta, indicando sua entrada.

O interior era lindo. As paredes tinham sido decoradas com imagens de cupcakes. Como ele soubera que aquilo lhe agradava tanto?

— Ashley ajudou — disse Cam, como se estivesse lendo a mente dela.

— Não acredito que você fez isso.

Ele gesticulou para a porta nos fundos.

— É melhor ver se sua cozinha vai ser aprovada na inspeção.

Pippa entrou com tudo na cozinha e parou imediatamente enquanto absorvia a perfeição diante dela.

Havia fileiras e mais fileiras de aparelhos do mais alto nível. Diversos fornos de aço inoxidável, duas imensas geladeiras e um gigantesco freezer nos fundos.

Tudo o que ela poderia querer estava bem ali. Em sua cozinha. Em sua loja.

Os joelhos dela bambearam. A parte prática de Pippa sabia que ela devia recusar tudo aquilo. Não teria como pagar por nada. Ela estremecia só de pensar no preço do aluguel. Sequer pensara naquele lugar, pois sabia que estava além de seu alcance.

A outra parte não gostava da ideia de recusar um presente tão generoso. Cam se esforçara para dar a ela o lugar perfeito onde trabalhar.

— Gostou?

O peito dela murchou com o toque de insegurança na voz dele. Ela jamais recusaria aquele gesto. Se ele estava tão disposto a se esforçar, ela faria o mesmo.

— Se gostei? Ah, meu Deus, Cam amei!

Pela segunda vez, ela se lançou nos braços dele e o abraçou com toda a sua força.

Pippa fechou os olhos enquanto o alívio a percorria. Aquela era a resposta para todos os seus problemas. Ela poderia começar a trabalhar imediatamente, ou assim que resolvesse todas as questões burocráticas, mas isso seria fácil.

— Vou transformar isto num sucesso. Não vou deixar seu investimento se perder.

— Não é um investimento. É um presente. Já deixei o aluguel pago por dois anos. Tempo bastante para você se estabelecer e começar a lucrar.

— Não acredito que você fez isso por mim. Depois da maneira como venho agindo. Não sei como agradecer.

— Este presente vem com uma condição. Que você me prometa duas coisas. Número um: que vai parar de me evitar, para podermos cuidar juntos da sua gravidez. Número dois: que vai contratar funcionários, para não trabalhar demais.

Um inevitável sorriso se abriu no rosto dela. Cam ficava lindo demais quando estava todo sério e mandão.

— Eu prometo. — Com o dinheiro que ela economizaria no aluguel, poderia contratar funcionários!

Ele hesitou por um momento, suas mãos descendo pelos braços dela numa delicada carícia.

— Talvez eu não possa dar o que você quer ou merece, Pippa, mas o que eu puder dar será seu sem ressalvas. Você está esperando um filho meu, e vou fazer de tudo para manter vocês dois em segurança e felizes.

Como seria fácil amar aquele homem que jurava não ter amor para dar!

Incapaz de resistir, ela deu um beijo naqueles lábios firmes. Ele perdeu o fôlego e seu corpo ficou tenso contra o dela. Independentemente do que ele dissesse, Cam a desejava. Pippa, porém, recusava-se a usar essa atração contra ele.

— Obrigada.

Ele segurou a mão dela.

— Vamos jantar. Temos muito a conversar, e eu adoraria saber os seus planos para a loja.

Era uma oferta de amizade, uma que a aquecia, apesar de deixá-la com um vazio por dentro. Eles poderiam ser tão mais que aquilo. Ela desejava mais. No entanto, já era alguma coisa.

Talvez tudo o que ela fosse receber dele.

Ela sorriu e entrelaçou seus dedos aos dele.

— Eu adoraria.

CAPÍTULO DEZ

Na manhã seguinte, quando Pippa saiu de seu apartamento, percebeu um carro estacionado diante da calçada e um motorista recostado na porta do passageiro. Assim que ele a viu, endireitou-se e abriu a porta traseira.

— Srta. Laingley? O sr. Hollingsworth deseja que eu a leve a sua loja e a qualquer outro lugar aonde deseje ir.

Pippa suspirou. Certo, aquilo já era exagero. Eram apenas alguns quarteirões de caminhada.

O motorista pegou o celular no bolso e apertou apressadamente um botão. Então, entregou-o a ela.

— Ele disse para telefonar se parecesse que a senhorita fosse recusar.

Ela ouviu a profunda voz de Cam na linha:

— Vá de carro, Pippa. Está frio, as calçadas estão escorregadias, e estão dizendo que vai nevar mais tarde.

Ela sorriu, apesar de não querer. Havia algo encantador na mal-humorada preocupação dele.

— Cam, você não pode continuar fazendo isso.

— Não? Achei que tivéssemos um acordo. Já está encerrando nossa trégua?

Ah, o homem era astuto. Se ela recusasse, seria a vilã, e ele só estaria tentando cuidar da mãe de seu filho.

— Ah, está bem — resmungou ela. — Mas, Cam, pare com isso. Já chega. Você já fez demais.

Ficou claro que ele estava se divertindo quando respondeu:

— Creio que seja eu quem deva decidir isso.

Ele desligou, e Pippa ficou parada ali, segurando o telefone.

Resmungando sobre homens cabeças-duras, ela entrou no carro e esperou que o motorista desse a volta no veículo. Quando ele entrou, entregou-lhe um cartão de visita.

— Este é o número do meu celular. Sempre que precisar ir a algum lugar, seja qual for, a senhorita deve me ligar. As ordens do sr. Hollingsworth foram bem explícitas. Ele não a quer andando na calçada no frio.

Ela olhou o cartão e viu que o nome do motorista era John. Recostou-se à medida que ele saía com o carro.

— Certo, John. Vou ser uma boa menina. Por algum motivo, acho que você tem ordens para me dedurar se eu não usar seus serviços.

Ele teve a decência de corar enquanto a olhava pelo retrovisor.

— Sim, senhora. Desculpe, mas o sr. Hollingsworth paga meu salário. Então, obedeço.

Ela sorriu.

— Longe de mim ser responsável por você perder seu emprego. Prometo ligar quando precisar de uma carona.

Ele assentiu.

Começara a cair um misto de chuva e neve, e Pippa se sentiu feliz por não estar lá fora.

Alguns minutos depois, ele parou diante da loja dela e correu para abrir a porta para Pippa.

— Lembre-se de ligar quando estiver pronta para ir embora.

Ela acenou, despedindo-se, e correu para a porta. Para sua surpresa, estava destrancada. Teria sido uma completa idiota no dia anterior, não trancando ao ir embora com Cam?

Pippa abriu a porta, apertou o interruptor das luzes e saltou meio metro no ar quando todas as suas amigas surgiram de trás do balcão e gritaram:

— Surpresa!

Ela soltou um berro, largou as chaves e levou a mão ao peito.

— Ai, meu Deus, vocês me assustaram!

Ashley, Tabitha, Carly e Sylvia contornaram o balcão às pressas e imediatamente a cercaram, abraçando-a.

Carly a apertou com força.

— Sentimos muito. Só queríamos ajudar você a comemorar pela loja nova!

Pippa recuou e olhou para os rostos empolgados de suas amigas.

— Como souberam? E como entraram?

Ashley sorriu.

— Cam ligou para mim. Achava que você gostaria de uma surpresa. Ele deixou uma chave na minha casa hoje de manhã.

— Este lugar é incrível, Pip! — exclamou Tabitha. — Já até imagino seus clientes sentados e desfrutando dos seus deliciosos quitutes.

Uma buzina insistente interrompeu a comemoração. As mulheres se viraram.

Um jovem que não devia ter mais do que 20 anos estava do lado de fora, gesticulando freneticamente para elas.

— Mas que diabos.? — murmurou Pippa.

— Tome cuidado, Pip! — aconselhou Sylvia quando Pippa foi até a porta.

As mulheres a cercaram quando ela abriu a porta.

O homem sorriu e gesticulou para a rua.

— Ah, meu Deus — arfou Carly. Chocada, Pippa olhou a van de entregas reluzentemente decorada estacionada na frente da loja.

Era absolutamente perfeita. Como diabos Cam teria conseguido?

Assim como a placa da loja, o nome Casa da Pippa estava estampado em rosa-choque na lateral da van branca. Havia flores lilás, amarelas e laranja envolvendo a frase em verde-limão: “Bufê À Sua Maneira”.

— Aqui estão as chaves — disse o homem com um sorriso ao entregá-las.

Lágrimas encheram os olhos de Pippa.

Suas amigas a abraçaram enquanto gritavam empolgadamente.

— Vamos dar uma volta! — sugeriu Tabitha.

Os olhos de Sylvia se iluminaram

— Aaah, vamos!

— Não preciso ter uma licença comercial ou algo assim? — perguntou Pippa. — Ou qualquer tipo de licença? — acrescentou ela com uma risada.

Ashley riu.

— Como vou saber? Acho que é para você contratar alguém para dirigi-la, mas deveríamos experimentar.

Pippa sorriu, dominada pela empolgação.

— Certo, vamos lá.

Pippa se acomodou no banco do motorista e lançou olhares para todas elas.

— Se alguma de vocês me dedurar para Cam, eu mato. Estou falando de você, Ash. Ele surtaria se soubesse que estou dirigindo pela cidade sem habilitação.

Ash piscou inocentemente.

— Quem é Cam?

— Vamos, Pip! — exclamou Sylvia do assento ao lado de Pippa.

Pippa deu a partida na van e entrou cuidadosamente no tráfego.

— Ligue o rádio — disse Carly da parte de trás. — Bote alguma música boa.

— Eu mexo no rádio. Você dirige — disse Sylvia.

A van logo passeava pelas ruas da cidade, o rádio tocando alto enquanto as mulheres riam e cantavam Fazia muito tempo que Pippa não se divertia tanto. A história da gravidez não era tão ruim assim. Nada mudara. A não ser pelo fato de que ela seria mãe.

Mas ela continuava tendo boas amigas. Sua carreira estava finalmente avançando. E parte de sua preocupação se fora.

Graças a Cam

Cam, que jurara não poder lhe dar nada. Que jurara que não gostava de compromissos, que não telefonaria e que só queria sexo.

— Vamos até o Oscar’s para almoçarmos — falou Tabitha. — Por minha conta. Depois, podemos voltar para a sua loja e fazer cupcakes.

Pippa sorriu. Parecia um plano perfeitamente maravilhoso.

Ela amou. Você foi ótimo, Cam.

Cam leu a mensagem de Ashley em seu celular e sorriu. Sentiu uma pontada ao imaginar os olhos de Pippa se iluminando ao ver a van. Ele conseguia imaginar perfeitamente a beleza do sorriso dela e como ela devia ter ficado radiante agora que estava grávida.

Ele já não conseguia mais tirá-la de seus pensamentos. Estava sendo consumido por ela o tempo inteiro, e não havia nada que ele pudesse fazer a respeito.

CAPÍTULO ONZE

Pippa ficou no degrau de seu edifício até ver o carro de Cam descendo a rua. Então, ela disparou para o meio-fio para esperar enquanto ele parava.

Entrou no lado do carona, segurando o vestido casual junto de seu abdômen arredondado para que as pontas não se levantassem. Era o início da primavera. Ainda ventava bastante, com chuvas geladas e a ocasional nevasca. Naquele dia, contudo, a temperatura tinha subido e o sol reluzia.

Os últimos meses tinham sido... bons. Parecia uma palavra morna, mas se encaixava. Fora difícil aceitar a amizade de Cam, ainda era. Havia momentos em que ela conseguia imaginá-los juntos a longo prazo. Então, era quase como se Cam percebesse que eles estavam se tornando íntimos, e ele recuava, erguendo novamente a barreira entre eles.

Aquele dia, entretanto, era especial, e Pippa torcia loucamente para que o relacionamento deles progredisse um pouco. Eles “conheceriam” o bebê deles e, pela primeira vez, veriam a pequena vida que crescia dentro dela.

— Está nervosa? — perguntou Cam enquanto dirigia rumo à clínica.

Pippa respirou fundo.

— Talvez.

Cam sorriu e pegou a mão dela.

— Ainda quer descobrir se é menino ou menina?

— Quero. Preciso saber. Quero poder estabelecer esse vínculo logo. Pensar num nome. Posso começar a comprar roupas e decidir a decoração.

— Você quer um menino ou uma menina?

— Depende do dia em que você me perguntar. Ontem, eu tinha certeza de que queria um menino. Hoje, estou tendendo mais para uma menina. E você?

Os olhos dele ficaram sombrios por um instante. Então, ele tentou sorrir, mas não obteve muito sucesso.

— Acho que quero uma filha.

— Sério? Achei que homens sempre quisessem meninos.

— Não. Acho que uma filha seria ótimo. Uma Pippa em miniatura. Todo aquele cabelo escuro, olhos verdes.

Ela sentiu um calor no rosto e sorriu por ele estar parecendo tão feliz com a ideia de ter uma filha igualzinha a ela.

Um momento depois, eles pararam no estacionamento da clínica, e Pippa sentiu um frio na barriga.

— Ah, meu Deus. Vamos descobrir daqui a pouco.

Cam abriu um sorriso fraco e apertou a mão dela.

— Vamos lá.

Talvez fosse o nervosismo dela, mas Cam parecia que preferia estar em qualquer lugar, menos ali, sentado na minúscula sala do ultrassom. Ele parecia... atormentado. Havia uma emoção crua em seus olhos.

Pippa mordeu o lábio e controlou o ímpeto de pegar a mão dele. Ele sequer estava prestando atenção. Não parava de olhar para o técnico, ficando mais desconfortável a cada minuto. Ela respirou fundo várias vezes para se acalmar, enquanto o técnico levantava sua camisola.

Ela sentiu o gel frio ser espalhado em sua pele, e o jovem sorriu para ela ao pôr o instrumento sobre sua barriga.

Pippa forçou os olhos à medida que a bolha assumia uma forma na tela. Lágrimas arderam em seus olhos quando o técnico explicou que ela estava vendo o coração batendo. Ela olhou para Cam e o viu igualmente maravilhado. Mas havia uma tristeza tão profunda nos olhos dele que Pippa se perguntou o que ele poderia estar pensando.

Vários longos minutos depois, o técnico moveu novamente o instrumento.

— Pronta para ver o sexo do bebê?

— Ah, sim — sussurrou ela.

— Vamos dar uma olhada. Com sorte, ele não vai ser tímido. Ah, olá! Nada de timidez. Vejam só.

Pippa se curvou à frente enquanto olhava fixamente, deslumbrada.

— Ah, meu Deus, é um menino! Cam, vamos ter um menino!

Sua empolgação murchou quando ela viu a expressão de Cam. Então, para seu choque, ele simplesmente se levantou e saiu da sala, deixando-a na mesa com a imagem de seu filho ainda vívida no monitor.

Cam saiu da clínica. Precisava de liberdade, de ar. Lágrimas ardiam em seus olhos, e ele estava desesperado para ficar o mais longe possível de todos.

Um filho. Outro menino.

Por que não poderia ter sido uma menina? Não seria ameaça à memória de Colton. E não pareceria tanto que ele estava substituindo seu primeiro filho por outro. Como ele suportaria sequer olhar para aquele filho, sabendo que perdera outro no passado?

Ele pegou seu celular, telefonou para o motorista e lhe disse para buscar Pippa na clínica. Estava sendo um idiota, abandonando-a quando ela mais precisava dele. Todavia, Cam não conseguia fingir. Não conseguia sorrir e ficar empolgado quando se sentia morto. Ele não ficaria ali para sugar a alegria dela.

Cam foi até onde seu carro estava estacionado. Nos últimos meses, ele passara mais tempo na cidade, para poder ficar mais próximo de Pippa, mas, naquele momento, queria mais do que tudo se trancafiar atrás dos portões de sua mansão em Connecticut.

— Ele simplesmente foi embora? — indagou Pippa, perplexa.

John parecia confuso enquanto levava Pippa para onde ele estacionara o carro.

— Creio que tenha surgido algo urgente, srta. Laingley.

— O que poderia ser mais importante que isso? E ele não poderia simplesmente ter me dito que precisava ir embora?

Quanto mais ela ponderava a respeito do assunto, mais irritada ficava. Durante todo o caminho até sua casa, ela bufou. Aquilo deveria ter sido especial. Eles deveriam estar comemorando naquele instante. Em vez disso, ela estava indo para casa sozinha, sem saber o que dera em Cam.

Os últimos meses tinham sido maravilhosos. Cam se animara. Parecera relaxar sua guarda perto dela e não agia mais tão rigidamente. Eles tinham se divertido juntos. No mínimo, haviam se tornado amigos, e, pela primeira vez, Pippa não olhara para seu futuro com uma incerteza torturante, sem saber se Cam ficaria a seu lado por muito tempo.

John parou diante do edifício dela, mas Pippa ficou por um longo momento no banco de trás. Franzindo o semblante, ela se curvou à frente.

— John, aonde Cam disse que estava indo? Você sabe onde ele está agora?

— Acredito que ele tenha voltado para Greenwich.

Mas que diabos.? A tal grande emergência o tinha levado de volta para casa? Ah, não. Ela já estava farta daquele humor inconstante dele.

— Pode me levar para Greenwich, John.

— Perdão?

— Você ouviu. Pode me levar para a maldita caverna dele.

— Talvez fosse melhor se a senhorita telefonasse para ele antes. O sr. Hollingsworth não gosta de ser incomodado quando está em casa.

— Não dou a mínima para o que o sr. Hollingsworth gosta. Ou você me leva até lá, ou pego um táxi.

Com um suspiro resignado, John retornou ao tráfego.

Pippa passou mais uma hora bufando e, quando eles subiram a longa pista particular até a casa de Cam, estava com um péssimo humor. Ele estragara tudo, e ela ouviria a desculpa dele, senão.

Quando John parou diante da casa, Pippa saiu antes que ele pudesse sequer abrir a própria porta. Ela subiu os degraus, empurrou a porta e entrou.

— Cam? — berrou. — Onde diabos está você?

Ela esperou um momento. Silêncio.

— Cam! — gritou, mais alto. — Desça imediatamente!

Um instante depois, ela ouviu passos, e ele apareceu no alto da escadaria, de semblante franzido.

— O que diabos você está fazendo aqui, Pippa? Algo errado?

Caso não fosse necessário tanto esforço, ela subiria a escada e lhe daria um soco. Ele tinha a audácia de agir como se não tivesse feito nada?

Pippa balançou a cabeça, cerrando os punhos. Já estava fantasiando arrebentá-lo.

— Você estragou a coisa mais empolgante que já me aconteceu e tem coragem de perguntar se tem algo errado?

Ele desceu a escadaria lenta e metodicamente. Postou-se a uma curta distância dela e a olhou friamente.

Pippa estremeceu sob o olhar dele. Não havia calor em seus olhos. Nem a amizade e o carinho que ele demonstrara nas últimas semanas.

— Qual é o seu problema?

— Veio até aqui para perguntar isso?

Ela pôs o dedo no peito dele.

— Achei que fôssemos amigos. Que você se importasse um pouco comigo, ou ao menos com nosso filho. Amigos não fazem o que você fez hoje.

— Nem tudo tem a ver com você, Pippa.

O gelo na voz dele só serviu para irritá-la mais, pois sabia que ele estava escondendo alguma coisa. Sabia que havia algo errado e que Cam não confiava nela o suficiente para lhe contar. Porém, que direito ela tinha de querer saber? Eles eram “amigos”. Nada mais. Ele não lhe devia nada. E doía lembrar isso.

— Achei que fôssemos ao menos amigos — sussurrou ela, a voz falhando de emoção.

Ela lhe deu as costas, percebendo como fora idiota por ter ido até ali. Não era bem-vinda. Nunca fora, desde a noite em que eles haviam dormido juntos. Ele nunca a levara de volta para lá. Sempre haviam se encontrado na cidade.

Ela precisava daquele lembrete, pois chegara perigosamente perto de ter expectativas maiores. De criar uma fantasia na qual tinha uma chance de um futuro com aquele homem

— Nem precisa se dar ao trabalho de ir à próxima consulta — falou Pippa, ainda de costas. Começou a caminhar para a porta. Cam, entretanto, segurou a mão dela.

— Pippa.

Aquela única palavra transmitiu muitas emoções. Arrependimento. Tristeza.

Ela parou, a mão trêmula na dele.

— Desculpe. Por favor, não vá embora assim.

Pippa puxou a mão, lutando para controlar a raiva, as lágrimas frustradas.

— Por quê, Cam? Você não me quer aqui. Nem sei por que estamos fingindo ter algum tipo de relacionamento. Vamos simplesmente parar de nos magoar e acabar logo com isso.

— Não gosto que ninguém venha aqui. Não é pessoal com você. Mas... Apenas fique. Desculpe pelo que fiz na consulta. Fui um idiota. Destruí seu momento.

— Nosso momento. Era o nosso instante, Cam. O momento do nosso filho, quando ele foi revelado aos pais. Um instante que nenhum de nós deveria ser capaz de esquecer, mas, com toda a honestidade, já não quero me lembrar. Como vou explicar ao meu filho que o pai dele foi embora quando nos disseram que teríamos um menino?

Cam fez uma expressão de dor e empalideceu. Aqueles olhos azuis vívidos a olharam, faiscando com tantas emoções sombrias.

As lágrimas que ela se esforçara tanto para conter escorreram por seu rosto. Então, Pippa se viu nos braços dele. Cam a abraçou com força. Seu corpo tremia contra o dela.

— Não chore — sussurrou. — Sinto muito, Pippa. Por favor, fique. Eu sinto muito. Você não merecia isso.

E ele a beijou. Ardentemente, quase com desespero. Tocou-a como se a necessidade por ela fosse a coisa mais importante do mundo. Como se ela fosse a coisa mais importante no mundo dele.

Pippa sentiu a tristeza, a incerteza dele. O desespero. O arrependimento. Havia tantas emoções se revirando dentro de Cam.

Então, o toque dele se tornou mais delicado, quase como se ele estivesse implorando para que ela não o recusasse. Para que retribuísse o toque. Para que lhe oferecesse o conforto de que ele parecia necessitar.

Pippa não conseguia permanecer fria e distante com ele desmoronando diante dela. Retribuiu o beijo e deslizou a palma pela leve barba por fazer, segurando o rosto dele num simples gesto de aceitação e compreensão. De perdão.

Cam a ergueu nos braços como se ela não pesasse nada e a carregou para um dos quartos do primeiro andar.

Deixando a porta aberta, colocou-a no colchão.

Postou-se sobre ela de olhos ferozes e sedentos. Ela perdeu o fôlego quando ele desceu sobre ela, implacável. Sua boca tomou a de Pippa mais uma vez, e vários segundos se passaram até que ela conseguisse respirar novamente.

Impacientemente, ele puxou o vestido dela, tirando-o de seu corpo antes de jogá-lo para longe. Tirou rapidamente a calcinha, deixando-a nua.

Então, sua expressão se alterou. Parte da escuridão desapareceu, e Cam a olhou, maravilhado. Cuidadosamente, suas palmas deslizaram pela forma esbelta dela, indo até o delicado inchaço na barriga. Ele a envolveu com as mãos e, para o choque de Pippa, baixou a cabeça e beijou o firme calombo.

— Sinto muito — sussurrou ele novamente.

A emoção embargava a voz dele, deixando as palavras quase indistinguíveis, mas o feroz pedido de desculpas a atingiu diretamente no coração. Ninguém que o ouvisse poderia achar que ele não se arrependia de suas ações com todo o seu coração.

Ela o envolveu com os braços.

— Está tudo bem, Cam

Puxou-o para fundir sua boca à dele.

As línguas flertaram e brincaram. Então, ele mergulhou mais profundamente, dominando-a com sua essência. Seu corpo se moveu possessivamente sobre o dela, ainda que ele tomasse cuidado para não pôr peso no abdômen de Pippa.

Beijou o pescoço dela delicadamente e, depois, com mais força, até Pippa ter certeza de que ficaria com marcas no dia seguinte. Lambeu e mordiscou sua pele, sugando lentamente enquanto descia.

Quando chegou aos seios dela, flutuou acima de uma das pontas e levantou a cabeça para olhá-la nos olhos.

— Eles estão mais sensíveis agora?

Cam passou o polegar sobre um dos bicos ao passo que esperava a resposta. Um tremor dominou o corpo dela.

— Sem dúvida.

— Então, vou tomar mais cuidado.

Com uma infinita ternura, ele passou lentamente a língua sobre o mamilo antes de sugá-lo. Pippa se ergueu da cama, arqueando-se inevitavelmente na direção dele.

Fazia muito tempo desde aquela noite inconsequente entre eles. Ela o desejava desesperadamente. As últimas semanas tinham sido uma tortura. Ele fora tão atencioso e carinhoso. Contudo, houvera uma barreira entre eles.

Pippa acreditava que aquilo não resolveria nada. Entretanto, desejava o contato físico. Precisava dele.

Com um suspiro de felicidade, ela se rendeu aos hábeis lábios dele.

Cam, porém, desceu, envolvendo a barriga dela com suas grandes mãos, beijando cada centímetro dela até as lágrimas arderem nos olhos de Pippa.

Desceu ainda mais, abrindo as coxas dela. Sua boca encontrou o calor dela, e Pippa quase se derreteu.

Ele segurou o traseiro dela, mantendo-a fixa para sua exploradora língua. Fez longos e sensuais movimentos com ela.

— Cam, por favor. Preciso de você.

Ele se levantou, puxou-a para a frente, deixando o traseiro de Pippa na beira do colchão.

— Ponha as pernas em torno de mim.

Assim que ela obedeceu, ele deslizou para dentro dela.

O choque da rigidez dele a fez arfar. Pele com pele. Sem barreiras dessa vez.

Cam segurou os quadris dela, puxando-a para si. Então, soltou-a e passou delicadamente as mãos pela barriga de Pippa.

— Não me deixe machucar você.

Ela o puxou para baixo, para que os corpos se encontrassem e o calor dele a envolvesse.

— Sei que você não vai me machucar, Cam. Pode me amar.

Era o mais próximo que ela chegaria de dizer o que sentia em seu coração. Contivera-se por saber que ele não receberia bem os sentimentos dela.

Cam tomou a boca de Pippa. Seus movimentos eram urgentes. Suas mãos acariciavam, tocavam, como se ele não conseguisse se saciar. Como se a quisesse ainda mais perto.

Aquilo não era sexo. Era muito mais.

Ela beijou a lateral do pescoço dele e mordeu o lábio para conter as palavras que queria tanto dizer.

O prazer era quente e doce ao deslizar pelo corpo dela. Seu clímax foi uma lenta subida. Pippa ascendeu cada vez mais, até todos os músculos de seu corpo se contraírem na expectativa.

— Cam!


Foi um grito de necessidade. Uma súplica por ajuda.

Ela o sentia em cada parte de seu corpo. Rígido, tão poderoso. Os músculos dele se contraíram. Cam sussurrou o nome dela, e Pippa sentiu a liberação dele.

Quando ele baixou o corpo para o dela, foi como uma cálida manta, a melhor de todas. Tocou sua testa na dela, beijando-a.

— Pippa — resmungou.

E aquela única palavra transmitiu uma infinidade de coisas.

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