Undone by her tender touch




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DOCES CARÍCIAS

UNDONE BY HER TENDER TOUCH

Maya Banks


VIDA & PAIXÃO 4/4

Tudo não passara de uma noite?

Pippa Laingley deveria ter sido mais cautelosa. Engravidar de Cameron Hollingsworth a deixou em uma situação bem delicada. Afinal, Pippa sabia que ele era um homem difícil de expor seus sentimentos. Para completar, ela descobre que ele perdera esposa e filho em trágico acidente. Agora, Cameron corre o risco de arruinar tudo de novo se deixar Pippa se aproximar...




Digitalização: Simone R.

Revisão: Carmita


Querida leitora,

Doces carícias é o desfecho da minissérie Vida & Paixão, que envolve quatro homens que são amigos e parceiros de negócios. Esta foi uma série tão divertida de se escrever! Passei a amar os personagens e enxergá-los como amigos meus. Quis que eles fossem felizes e que triunfassem sobre a adversidade.

Cam e Pippa têm, talvez, o caminho mais difícil para seu “felizes para sempre”. Cam perdeu tudo e não tem o menor desejo de reviver aquele tipo de dor. Pippa o contraria em vários aspectos e o desafia a dar uma segunda chance à vida... e ao amor.

Dentre todas as heroínas desta série. Pippa ocupa um lugar especial no meu coração por seu equilíbrio e sua determinação de não se contentar com nada menos que o melhor possível para si e para seu filho. E a mensagem que deixo para você, leitora, é para que seja exatamente como Pippa. Para que jamais se contente com menos e não tenha medo de ir buscar o que quer.

Como sempre, com amor,



Maya
Tradução Leandro Santos
HARLEQUIN

2013

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.


Título original: TEMPTED BY HER INNOCENT KISS

Copyright © 2012 by Maya Banks

Originalmente publicado em 2012 por Harlequin Desire
Título original: UNDONE BY HER TENDER TOUCH

Copyright © 2012 by Maya Banks

Originalmente publicado em 2012 por Harlequin Desire
Projeto gráfico de capa:

Nucleo i designers associados

Arte-final de capa:

Ô de Casa

Diagramação:

Editoriarte

Impressão:

RR DONNELLEY



www.rrdonnelley.com.br
Distribuição para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil:

FC Comercial Distribuidora S.A.

Editora HR Ltda.

Rua Argentina, 171, 4o andar

São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380

Contato:


virginia.rivera@harlequinbooks.com.br

CAPÍTULO UM

Ela não devia estar tão nervosa por preparar um bufê para um bando de ricaços, mas Pippa Laingley queria que tudo estivesse perfeito para a festa de boas-vindas na casa de sua amiga Ashley Carter.

Claro, também havia o fato de que Pippa estava prestes a abrir seu próprio café e sua própria empresa de bufê, e, sendo assim, não podia haver nenhum problema, dessa forma todos falariam bem dela e a recomendariam.

Na imensa cozinha de Ashley, ela repassou em sua mente os suprimentos que iria usar. Onde estavam os malditos garçons?

Naquele exato instante, a porta se abriu, e um rapaz que não deveria ter mais de 20 anos entrou.

— Onde está seu uniforme?

Ele a olhou apaticamente.

Ela suspirou.

— Camisa branca? Calça preta? Sapatos bem engraxados?

— Sinto muito, senhora. Sou um substituto de emergência. Imaginei que tudo de que eu precisaria estivesse aqui.

Ótimo. Ela sequer recebera um funcionário oficial. Não havia como aquele palerma cuidar de um salão cheio de gente. O que significava que ela precisaria ajudar.

E lá se ia sua ideia de tomar uma bela taça de vinho com as garotas e tagarelar sobre a nova casa de Ashley.

Ela puxou o rapaz pela escadaria.

— Vamos. Você precisa vestir algo melhor que isso.

Ele piscou os olhos, mas permitiu que ela o arrastasse até o quarto de Ashley e Devon. Pippa entrou no closet de Devon e vasculhou rapidamente as roupas dele até encontrar algo adequado.

— Tire a roupa — ordenou.

Um rubor subiu pelo pescoço do rapaz.

O som de alguém pigarreando avisou a Pippa que eles não estavam sozinhos ali.

— Talvez seja melhor eu voltar depois.

O jeito grave e lento de falar fez a nuca de Pippa se arrepiar. Agora, tanto ela quanto o jovem estavam corados. Ela se virou e avistou Cam Hollingsworth apoiado preguiçosamente na porta, divertindo-se.

— Ora, Pippa, vejo que gosta de homens mais novos.

Ela não conseguia entender como Cam sempre a pegava em desvantagem. Ela era uma mulher inteligente, bem resolvida e muito articulada. Tinha seu próprio negócio e nunca levava desaforo para casa. Contudo, toda vez que seu caminho se cruzava com o do amigo de Devon, ela sempre fazia papel de idiota.

Pippa foi até Cam, jogando a camisa e a calça em sua direção.

— Faça com que ele vista isto. Preciso dele lá embaixo daqui a dois minutos.

Para o deleite dela, Cam piscou, surpreso. Ela o pegara desprevenido.

— Mas que diabos...? Essas roupas não são do Devon?

— Preciso de um garçom, ou ninguém vai beber e comer. Ele é tudo o que tenho. Não vou decepcionar Ashley, e você também não vai. Então, mexa-se.

Ela passou por ele e desceu a escadaria.

Ao voltar para a cozinha, arrumou rapidamente as bandejas, o vinho e as taças e resmungou por ter de levar comes e bebes para os convidados de Ashley.

Ela pedira três garçons. Recebera um universitário. Ótimo!

Instantes depois, o universitário reapareceu e, para a surpresa de Pippa, tinha ficado apresentável com aquelas roupas.

Ela pôs uma bandeja de aperitivos de lagosta nas mãos dele e o empurrou porta afora, rumo à sala de estar, onde Ashley e Devon estavam fazendo sala para os convidados.

Retornou à bancada e começou a colocar vinho em metade das taças, enchendo o restante com champanhe.

— Quer alguma ajuda?

Ela se virou, ainda segurando a garrafa, e quase derrubou o conteúdo no chão.

— Ajuda?


Cam assentiu lentamente.

— Parece que você está precisando. Como achou que conseguiria fazer tudo isso sozinha? Ashley foi louca de deixar você organizar o bufê.

Pippa ficou horrorizada com a oferta e então processou o resto da declaração, irritadíssima.

— Eu detestaria ver você sujando essas lindas mãozinhas — disparou ela. — E, para seu governo, tenho tudo sob controle. Os garçons não apareceram. Não tenho culpa. A comida está impecável, modéstia à parte. Só preciso de um jeito de pô-la nas mãos dos preciosos convidados.

— Acabo de oferecer minha ajuda, e você me insulta? — esbravejou Cam secamente.

As sobrancelhas dela se juntaram. Ah, por que ele tinha de ter aquela aparência tão deliciosa? Por que não podia parecer um sapo? Por que ela nunca conseguia fazer nem as coisas mais simples perto dele?

— Você é convidado de Ashley. E essa não é a sua especialidade. Você está acostumado a ser servido, não a servir.

— Como você sabe qual é a minha especialidade? — perguntou ele enquanto pegava uma das bandejas.

Pippa não tinha resposta para aquilo e, perplexa, observou-o levantar a bandeja e sair da cozinha.

Ela desabou contra a pia, sua pulsação em disparada a deixou tonta.

Cameron Hollingsworth era lindo, rústico de um jeito totalmente sexy, arrogante e inadequado para ela em vários aspectos, mas havia algo nele que simplesmente a atraía.

Desde que Ashley se envolvera com Devon Carter, Pippa o via com bastante frequência. Cameron e Devon eram amigos íntimos e parceiros de negócios num consórcio de hotéis e resorts de luxo. Sendo a melhor amiga de Ashley, Pippa fora a vários eventos sociais nos quais Cameron também estivera presente. Ele tinha sido o par dela no casamento de Ashley, e fora infernal estar perto dele o suficiente para sentir seu cheiro, enquanto ele parecia indiferente a ela.

Ela suspirou. Devia ser aquilo o que mais a irritava. Ele era um luxurioso espécime masculino e não tinha o menor interesse nela.

Talvez ela simplesmente não fizesse o tipo dele. O problema era que ela não sabia qual era o tipo dele. Nunca o vira com outras mulheres. Ou Cam era intensamente reservado ou não tinha muita vida social.

Pippa estava louca para agitar um pouco o mundo dele.

Ela pegou outra bandeja, respirou fundo para se recompor e saiu.

Sorriu radiantemente enquanto atravessava o recinto, aliviada por ver que muitos dos convidados já estavam com taças nas mãos. Cameron cumprira mesmo o prometido.

— Pip, o que está fazendo? — sussurrou Ashley.

— Oi, Ash, como estão as coisas? Todos os convidados já chegaram?

— Pare de agir como se fosse uma funcionária — disse Ashley de semblante franzido. — Por que você e Cam estão servindo drinques e aperitivos? E quem é o rapaz que está usando as roupas de Devon?

— Não se estresse, Ash. Não é bom para o bebê.

Ashley cruzou os braços sobre o perceptível e adorável calombo em sua barriga e perfurou Pippa com o mais feroz de seus olhares. Não que fosse possível chamar de feroz alguma ação de Ashley.

— Pip, pedi para você fazer isso porque eu queria ajudá-la. Talvez pudesse divulgar o seu trabalho, mas não gosto de ver você trabalhando como uma louca na minha festa. Preciso da minha melhor amiga ao meu lado, não me servindo!

Pippa suspirou e entregou a Ashley um dos apetitosos petiscos.

— Os funcionários não apareceram. Tudo o que restou fui eu, o rapaz com as roupas do seu marido e o sr. Lindo de Morrer ali.

Os olhos de Ashley se arregalaram

— Cam? Você está falando de Cam? Eu não fazia ideia. Quero dizer, sim, ele é bonito, de um jeito meio soturno, mas eu não tinha ideia de que ele fazia seu tipo.

Pippa mal conseguia olhá-lo sem sentir frio na barriga.

— Eu adoraria lamber aqueles lábios soturnos.

Ashley sorriu.

— Pare de olhar para ele! — exclamou Pippa. — É como se você estivesse segurando um cartaz dizendo que estamos falando dele.

— Então, como você conseguiu convencê-lo a ajudar? Ficou piscando esses lindos olhos verdes?

— Nem sei. Ele se ofereceu. Eu fui meio mal-educada com ele.

— Você? Mal-educada? — zombou Ashley.

— Ah, fique quieta.

Ashley pôs a mão no braço de Pippa e olhou por cima de seu ombro.

— Acho que estão me chamando. Mas, falando sério, Pippa, não estou preocupada com a comida a ponto de querer que minha melhor amiga fique servindo. Vá deixar a bandeja lá para ficar conosco.

Pippa analisou o recinto. Havia muitos clientes em potencial ali. Ashley lhe dera aquela chance, e ela não a desperdiçaria.

— Falo com você depois, Ash. Preciso me socializar. Seus convidados estão com fome.

— Ficou louco?

Cameron se virou para ver Devon e sorriu.

— Não é a primeira vez que me perguntam isso.

— Está bancando o garçom hoje?

— Pippa precisava de ajuda. Parecia prestes a entrar em colapso. Imaginei que Ash não fosse ficar muito feliz com isso.

— Mentira.

Cameron, todavia, ignorou Devon quando seu olhar encontrou Pippa. Ela se movia com graça. Algo hipnotizante. Ela riu, e ele se irritou por não poder ouvir o som daquela risada.

Ele vinha observando Pippa havia meses. Ela chamara sua atenção na primeira vez em que a viu. Cam a tratava com a mesma cordial educação com a qual acolhia todas as outras pessoas. Um leve desinteresse. Entretanto, desinteresse era a última coisa que ele sentia por ela.

Desde o início, ele a marcara como um predador marca a sua presa. Esperando o momento perfeito para levá-la para a cama e se perder naquela pele de cetim e naquele sedoso cabelo escuro.

Ele até já conseguia senti-lo em seus dedos enquanto ela ficava por cima dele.

Cam sussurrou um palavrão quando seu corpo reagiu plenamente à fantasia erótica.

Mas ele tinha certeza de que ela se sentia tão atraída por ele quanto ele se sentia por ela. Ele gostava daqueles olhares sorrateiros dela, pois assim era possível ver a honestidade em seus olhos.

Ele mal podia esperar para passar os dedos no corpo dela, arrancando um gemido de prazer.

— Cam? Ei? Está ouvindo?

Ele percebeu que Devon ainda estava ali e franziu o semblante.

— Vá cuidar da sua esposa.

Devon balançou a cabeça.

— Você tem ideia de como está patético babando por ela do outro lado do salão?

— Não sei do que você está falando.

— Acredite no que quiser. Deus, vá logo lá e resolva isso de uma vez. E, depois, arrumem um quarto.

— Ah, sim, ela vai passar a noite inteira trancada no meu.

Devon fez um som irritado e se afastou. Cam, no entanto, estava ocupado demais observando Pippa para dar importância àquilo. A bandeja dela estava vazia. O olhar dela analisava o resto do recinto, o semblante estava levemente franzido. Ela estava procurando o rapaz e não parecia feliz.

Ela foi para a cozinha, e Cameron disparou atrás dela.

Encontrou-a resmungando palavrões que causariam inveja a um especialista.

— Onde está o jovem? — perguntou ele.

Ela deu um salto, quase fazendo o prato que estava em suas mãos voar na direção oposta. Virou-se com uma expressão feroz no rosto.

— Quer parar de fazer isso?

Ele levantou as mãos e recuou.

— Ele se mandou — bradou ela. — Nem devolveu as roupas do Devon! Como vou ter dinheiro para comprar outras iguais?

Cameron pôs a mão no braço dela, e Pippa ficou paralisada. Ele tinha razão; ela era macia como cetim, mas firme. Provavelmente, frequentava uma academia, ou fora especialmente abençoada com um excelente tônus muscular.

— Creio que Devon não vai sentir falta de uma camisa branca e uma calça preta. Ele deve ter mais de duas dúzias de roupas iguais. Ele é muito ordenado, não gosta muito de variedade.

— Não é verdade. Ele tem um guarda-roupa muito casual. Caro, mas muito casual.

— Nunca analisei o guarda-roupa dele.

Ela sorriu subitamente, mas se obrigou a parar.

— Fico feliz por me achar tão engraçado.

— Você tem de admitir que a ideia de você analisar o guarda-roupa dele é bem engraçada.

Ele passou o polegar pelo cotovelo dela, e Pippa ficou novamente em silêncio.

— Quer que eu leve a comida dessa vez, ou prefere que eu vá de novo com as bebidas? Ah, está tudo na conta de Dev. Acho que deveríamos levar umas garrafas para lá e deixar todos se servirem à vontade. Nós dois podemos circular com a comida e ver todo mundo se embebedando.

— Não sabia que você tinha senso de humor.

Ele ergueu uma das sobrancelhas, e Pippa corou. Quando ele pensou que ela gaguejaria um pedido de desculpas, ela os abriu e olhou fixamente.

Cam riu.


Aproximou-se dela até que seus corpos estivessem quase se tocando. Passou a mão pelo rosto dela, empurrando aquela aveludada cascata de cabelo para trás, tão sedosa quanto ele imaginara.

— Vou fazer uma proposta — murmurou ele. — Vamos levar mais uma rodada, deixamos algumas bandejas com comida e bebida e, em seguida, saímos daqui e vamos para a minha casa.

Os lábios dela se entreabriram, seus olhos ficaram vidrados.

— Acredito que você pode fazer uma proposta melhor do que essa.

As duas sobrancelhas dela se ergueram.

— Se não fizer, vou para casa. Sozinha.

Ah, mas ele adorava quando ela ficava audaciosa.

Ele curvou-se para perto, tocou seus lábios nos dela. Pôs a mão na lateral do pescoço de Pippa, deslizando os dedos para seu cabelo. Puxou-a para mais perto, moldando seu corpo ao dela enquanto tomava plena posse de sua boca.

O calor subiu como lava por suas veias. Ele a desejava. Desesperadamente.

Quando finalmente recuou, os dois estavam respirando pesadamente.

— O que acha de eu levar você para casa comigo e fazermos amor a noite toda? — murmurou ele.

Ela lambeu aqueles deliciosos lábios.

— Assim está melhor.

A voz enrouquecida dela quase o fez tomá-la ali mesmo.

— Sirva a comida — ordenou ele. — Eu sirvo o vinho.

CAPÍTULO DOIS

Cameron puxou Pippa pela porta dos fundos, e o ar frio do inverno soprou sobre as orelhas dela enquanto ele a levava para seu carro.

— Você veio de carro?

De carro? Ela sequer tinha um. Também não tinha habilitação, o que era problemático, já que ela precisava de uma van para organizar os eventos.

Ela balançou a cabeça.

— Ashley mandou um carro me buscar.

— E como você trouxe todas aquelas coisas de Nova York para cá?

Ela corou, sentindo-se como se suas habilidades estivessem sendo julgadas.

— Fiz compras aqui. Pedi que o vinho fosse entregue. Ashley tem uma cozinha excelente.

Cameron abriu a porta do carona de sua picape Cadillac e praticamente a empurrou para dentro.

— Perfeito. Peço para um carro levar você de volta à cidade pela manhã.

Com aquilo, ele fechou a porta, deixando-a um pouco incomodada com sua avidez por se livrar dela antes mesmo de terem feito sexo.

Ele entrou do outro lado e deu a partida no carro antes mesmo de se sentar.

Por outro lado, o orgulho feminino dela foi massageado pelo desespero com que ele agia para levá-la dali.

Cameron dirigiu por cerca de 400m antes de parar diante de um portão. O portão se abriu, e Cameron acelerou pelo caminho sinuoso que levava à casa.

Pippa não conseguia ver muita coisa no escuro. Não havia nenhuma luz acesa. A mansão assomava nas sombras. Não parecia acolhedora. Ela se perguntou se seria uma monstruosidade construída em pedra, como uma morada medieval. Ouvira Devon provocar Cameron falando de sua “caverna” e ficou curiosa.

Pouco antes de chegarem à casa, luzes começaram a se acender. Pippa percebeu que Cameron as estava ligando de dentro do carro. Ela se inclinou, tentando ver, mas foi impedida quando Cam entrou na garagem.

Determinada a não sucumbir ao nervosismo e nem ser pega em desvantagem, ela saiu e foi encontrá-lo na porta. Ele a levou para dentro às pressas com uma das mãos na base de suas costas.

Entraram numa extensa cozinha que a fez babar de inveja. Era o nirvana para alguém como ela, que preferia dar duro diante de um fogão a qualquer outro lugar.

Ele sequer parou. Continuou em frente, passando por uma imensa sala de estar, indo para a escadaria de madeira que se abria para o foyer onde ficava a entrada principal. Puxando-a atrás de si, ele subiu os degraus.

Quando chegaram ao espaçoso quarto principal, Pippa estava levemente arfante. Contudo, antes que ela pudesse se recuperar, ele a puxou para si, moldando seu corpo contra o dele. Seus lábios encontraram os dela num beijo voraz que confundiu os sentidos de Pippa.

— Você é tão linda — murmurou ele enquanto sua boca ia até a orelha dela. — Você me deixa louco. Até do outro lado de um salão.

Ela abriu um pequeno sorriso de satisfação. Que mulher não adoraria ouvir aquilo?

Resfolegante, Cam a afastou de si.

— Precisamos discutir algumas coisas antes de deixarmos o momento nos levar.

Apesar de suas palavras serem calmas, seus olhos fulguravam com uma selvageria que a fez estremecer. Ele a desejava. Não havia dúvida.

— Você precisa saber de algumas coisas. Coisas que preciso deixar claras, para não haver mal-entendidos.

A curiosidade dela foi despertada. Pippa se acomodou na beira da cama e cruzou as pernas.

— Estou ouvindo.

Ele franziu o semblante, como se não soubesse se ela o estava provocando ou não. Certo, estava, mas o que poderia ser importante a ponto de ele impedir preliminares tão ardentes?

Ele levou a mão ao queixo por um breve momento.

— Não gosto de compromissos. Preciso que você entenda que, se formos para a cama, será só por uma noite. Não vou ligar para você daqui a uns dias. Não vou ligar, e ponto final. Espero que você vá embora pela manhã. Vou providenciar um carro para transportar você de volta à cidade.

Pippa sorriu. Estava claro que aquela era a última coisa que ele esperava dela.

Ainda sorrindo, ela se levantou e foi até ele. Seus dedos subiram para os botões da camisa de Cam, para o pescoço, o rosto.

— Você é sério demais, Cam. Eu não estava esperando um pedido de casamento. Se espera que eu me apegue a você e implore por mais depois desta noite, vai se decepcionar. O que quero é um sexo ardente. Pode me dar isso?

O alívio lampejou naqueles lindos olhos azuis. Ele estava estendendo a mão para ela quando Pippa pôs a mão em seu peito.

— Ainda não, bonitão. Também quero deixar algumas coisas claras.

Ele pareceu ter sido pego de surpresa, e seu semblante se franziu.

— Imagino que você tenha preservativos. Quero dizer, não imagino nada. Sem preservativos? Sem sexo. Caso você esteja pensando nisso, não tenho nenhuma doença. Não é da sua conta quando foi a última vez que fiz sexo ou com quem. E nunca faço sem proteção.

— Tenho preservativos. Não tenho nenhuma doença. E não dou a mínima para com quem ou quando você fez sexo pela última vez. Também já faz algum tempo para mim. E sempre uso preservativos.

Pippa o segurou pela camisa.

— Então, não temos mais nada a dizer — falou ela antes de puxá-lo para seu beijo.

Com desejo, ela agarrou Cameron pelo pescoço e o apertou até que ele se sentisse tonto. Ela era tudo que ele imaginara e muito mais. Era meiga, empolgada, loucamente provocante, e o estava seduzindo em seu próprio quarto.

Ele adorava a impaciência dela, puxando sua camisa, tirando-a de dentro da calça. Estava acostumado a ser o agressor na cama, mas era algo imensamente excitante ver Pippa ousadamente buscando o que queria.

Quando os dedos dela adentraram a cintura da calça dele e começaram a abrir o zíper, ele quase enlouqueceu. Inspirou fundo, tentando acalmar a adrenalina que fervia em suas veias.

Então, assim que o zíper foi aberto, ela segurou sua ereção.

Ficou nas pontas dos pés para beijá-lo enquanto acariciava toda a extensão com dedos macios e sedosos.

— Eu adoraria ficar de joelhos e dar a você a melhor experiência da sua vida, mas não na primeira vez. Sou um pouco mais exigente na primeira vez. Espero que você estremeça o meu mundo.

Um desafio. Ele a afastou de si por tempo suficiente para poder levá-la de volta à cama. Tirou impacientemente as roupas dela, até que Pippa estivesse vestida apenas com a lingerie mais sexy que ele já vira.

Ela era absolutamente tentadora.

Cabelo preto e um conjunto de calcinha e sutiã de renda preta que mal lhe cobria os mamilos. Seu cabelo estava deliciosamente bagunçado. E seus olhos. Tão luxuriantes, cheios de erotismo líquido. Ela não era apenas linda. Era deslumbrante!

Ele a derrubou no colchão. Queria aproveitar tudo. Toques, visões, cheiros. Queria ouvi-la sussurrar seu nome. Porém, acima de tudo, queria provar cada centímetro de sua pele.

Sabendo que, se não providenciasse os preservativos imediatamente, não conseguiria parar no calor do momento, ele pegou uma caixa inteira no criado-mudo e a jogou sobre a cama.

Em seguida, desceu sobre ela, capturou sua boca e moldou o corpo dela ao dele.

Foi como ser atingido por um relâmpago. Uma carga elétrica explodiu pelo corpo dele. Pippa reagia aos beijos de forma apaixonada. Suas mãos percorriam as costas dele.

Lembrando-se da vívida fantasia que tivera mais cedo, Cam rolou, levando-a consigo até que ela ficasse montada nele.

A realidade era muito melhor que a fantasia.

— Tire a roupa para mim — suplicou ele roucamente. — Quero ver.

Um sorriso malicioso reluziu em seus lábios fartos. Lentamente, ela levou a mão às costas para soltar o sutiã. Em vez de deixá-lo cair imediatamente, ela segurou a minúscula peça de renda junto ao peito, permitindo que as alças deslizassem lentamente pelos braços.

Ele mal conseguia respirar. A expectativa o estava matando. Então, ela finalmente afastou o sutiã, desnudando seus fartos seios para o ávido olhar dele.

Seios perfeitos. Forma perfeita. Tamanho perfeito. Firmes. Deliciosos mamilos que imploravam por sua boca.

— Vou precisar de sua ajuda com a calcinha — murmurou ela.

Ele sequer conseguiu gaguejar uma resposta. Assentiu; naquele momento, concordaria com qualquer coisa.

Pippa se curvou à frente, deixando seus lindos seios a meros centímetros da boca de Cam. Deslizou uma das pernas por cima dele, virou-se e começou a baixar lentamente a calcinha.

Ele não sabia ao certo como deveria ajudar, mas estava disposto. Segurou a cintura dela, deixando que seus dedos vagassem pela base das costas, desfrutando da sensação.

Quando a calcinha dela já estava em seus joelhos, presa ali pelo colchão, ela se virou de costas para o colchão, esticando as pernas sobre o peito dele.

Cam assumiu o comando, puxando a calcinha até que ela saísse pelos pés dela. Jogou-a do outro lado do quarto e atacou Pippa como um predador faminto.

Beijou o pescoço dela, mordiscou, provou e provocou. Em seguida, desceu, querendo apenas ter os seios dela sob sua língua e seus lábios.

Ela era a pura perfeição. Curvilínea, nem magra nem gorda demais. Simplesmente. perfeita.

Um suspiro escapou dela quando os lábios dele se fecharam sobre um rígido mamilo. Cam sugou delicadamente, rolando-o entre os lábios. Lambeu repetidamente a ponta, deixando-a ainda mais rígida.

Então, deslizou a boca pelo espaço entre os seios até o outro mamilo. Durante vários segundos, brincou com ele. Pippa se contorcia, inquieta, debaixo dele.

— Você é tão perfeita. Não consigo me satisfazer. Seu gosto é melhor do que qualquer comida.

— Então, você ainda não provou minha comida. Sou uma cozinheira maravilhosa.

Ele riu.

— Foi um elogio.

Cam segurou o seio dela na mão, moldando-o, observando o mamilo enrijecer novamente.

— Você gosta disso. Do que mais, Pippa? Diga como dar prazer a você.

— Ah, você está se saindo muito bem Não tenho nenhuma reclamação. Adoro quando um homem vai devagar, sem pensar só no próprio prazer.

— Ah, mas estou tendo prazer. Adoro tocar você. Provar você. Ver você reagir. E esse sorriso travesso me diz que vou me divertir muito.

Ela pegou a mão dele e deslizou pela barriga, até a junção das pernas. Guiou os dedos de Cam sobre a maciez de seu centro e o acariciou delicadamente com a ponta de um deles.

E gemeu quando ele assumiu o comando.

Ele podia ser tão malicioso quanto ela. Ainda acariciando as macias e aveludadas dobras da feminilidade dela, Cam baixou a cabeça e sugou o mamilo.

Ela soltou um gemido alto e se arqueou, as mãos se entrelaçando no cabelo dele. Pippa sabia muito bem o que queria e exigia aquilo para si. Ele adorava essa característica.

Cam passou o polegar no clitóris dela uma última vez e pegou um preservativo. Curvou-se para beijá-la, enquanto ela abria as pernas. Ele queria que durasse, mas também sabia que aquela não seria a única vez daquela noite.

— Está pronta para mim?

Ela respondeu envolvendo a cintura dele com as pernas e se arqueando para cima.

Cam apoiou os antebraços na cama.

— Quero que me guie, Pippa. Mostre-me como quer.

As pupilas dela se iluminaram, e Pippa o envolveu com os dedos. Posicionou-o em sua abertura e arqueou apenas o suficiente para ele deslizar poucos centímetros para dentro.

Os dois soltaram um som angustiado, e Cam não conseguiu mais se segurar. Penetrou-a profundamente. No início, pensou que a tivesse machucado. Todavia, ela enterrou as unhas nos ombros dele e praticamente rugiu para que ele não parasse.

Ele sorriu, beijou aquela boca feroz e começou a se mover num ritmo frenético. O ato de amor deles não poderia ser descrito como gracioso ou leve. Longe disso.

Era algo selvagem, e Pippa exigia tudo que ele tinha e mais. Cam nunca fizera amor com uma mulher mais feroz que ela, e estava adorando.

Pippa fundiu sua boca à dele, mordiscou seu maxilar e cravou os dentes em seu pescoço. Ele ficaria com as marcas dela durante dias, e seu orgulho masculino foi massageado quando ele pensou que as outras pessoas poderiam ver as marcas da possessão dela.

Ela também seria marcada. Ah, sim.

— Está perto, Pippa? — arfou ele. — Preciso que esteja. Eu estou.

— Muiiito perto. Vá com força, Cam Não pare, por favor.

Cam soltou um urro e começou a investir para dentro dela de forma rápida e poderosa. Não pensava em nada além dela. Contorcendo-se debaixo dele. Envolvendo-o com sua doçura. Ele a cheirava, ouvia, sentia seu sabor na língua.

— Cam! — gritou ela.

Seus dedos apertaram os ombros dele, e Pippa estremeceu violentamente. Ele a puxou para os braços e também gritou quando seu corpo pareceu se partir em um milhão de pedaços.

Quando deu por si, estava em cima dela. Aquilo era tão bom, mas seu peso devia ser demais. Pippa, entretanto, não estava reclamando. Na verdade, ela o envolvia com tanta força que Cam não conseguiria se mexer mesmo se quisesse.

Depois de vários segundos, ele rolou para o lado para poder descartar o preservativo.

— Acho que você me matou — murmurou Pippa. — Quando poderemos fazer de novo?

CAPÍTULO TRÊS

Pippa abriu os olhos. Seu corpo parecia ter sido atingido por um trem, mas era uma sensação tão boa!

Ela se apoiou nos cotovelos. A cama estava vazia. Bem, quase. Ao pé dela, suas roupas estavam organizadamente dobradas, um sutil lembrete de que ela deveria ir embora assim que acordasse. Ela enrugou o nariz.

Com um suspiro, levantou-se ainda mais, segurando o lençol diante dos seios. Então, percebeu que aquilo não fazia sentido. Mesmo se ele aparecesse ali, ele já tinha visto os seios dela.

Não apenas visto, mas lambido, beijado, mordiscado...

Um calafrio a dominou, e seus mamilos se enrijeceram com a lembrança da força e da frequência do sexo deles.

Ela se sentiu tentada a tomar um demorado banho quente, mas Cam deixara claro que queria que ela fosse embora. Pippa verificou o relógio e grunhiu. Já passava das 21h.

Ela saiu da cama, fazendo uma careta quando todos os seus músculos protestaram contra o movimento. Vestiu a calcinha, pôs o vestido e os sapatos, indo rapidamente ao banheiro para arrumar o cabelo. Depois de penteá-lo, ela o prendeu num coque frouxo e pôs os óculos escuros.

Inspirando fundo, saiu do quarto e desceu a escadaria em silêncio. Não sabia se Cam estava ali, mas a última coisa que ela queria era chamar atenção para seu tardio despertar.

Ao chegar ao pé da escadaria, ela foi recebida por um homem alto e de aparência sombria, com uma idade difícil de precisar.

— Srta. Laingley, o carro está esperando para levá-la à cidade.

Ela fez cara feia.

— Desculpe. Ele está esperando há muito tempo? Infelizmente, dormi demais.

O homem sorriu gentilmente.

— De forma alguma. Não precisa se desculpar. Venha, vou acompanhá-la até lá fora.

Ele lhe ofereceu o braço, mas aquilo era algo constrangedor. Sendo assim, Pippa fingiu não ver e foi na frente, em direção às imensas portas duplas. Parou ao chegar lá, percebendo subitamente que não pegara seu casaco. Franzindo o semblante, ela se virou, apenas para ver o homem a segurá-lo aberto para que ela vestisse.

— Obrigada.

Apesar de Cam ter dito que não fazia sexo havia algum tempo, estava óbvio que ela não fora a primeira mulher que ouvira aquilo. O mordomo, ou fosse lá que diabos aquele cara fosse, já conhecia perfeitamente o procedimento.

Quando o homem abriu a porta, o ar frio entrou, e Pippa piscou para a repentina brancura. Então, sorriu.

— Nevou!

— De fato. Pelo menos 15cm, segundo a meteorologia.

Dessa vez, quando ele lhe ofereceu o braço, Pippa o aceitou para descer os degraus. Ainda estava usando aqueles saltos agulha da noite anterior.

Ele foi solícito com ela o tempo inteiro, pondo-a no banco traseiro de um sofisticado sedã preto.

— Tenha uma viagem segura, senhorita.

— Obrigada.

Ele fechou a porta, e o motorista pôs o carro em movimento. Pippa se virou, dando uma boa olhada na casa. Uma construção gigantesca, mas não era nada intimidadora como ela imaginara. Parecia totalmente normal, no estilo das outras mansões daquela área.

Entretanto, era extremamente reservada, cercada por espessos bosques em todos os lados. Não havia como saber o tamanho total do terreno, mas ela imaginou que fosse grande. Não conseguiu avistar nenhuma outra casa enquanto desciam pela sinuosa pista particular.

Sim, parecia que Cam era mesmo o sr. Recluso, como Devon sugerira. Agora que ela provara toda aquela paixão soturna, Pippa se perguntava com que frequência Cam saía para conquistar uma mulher e levá-la para sua caverna.

E fazer do sexo um sonho. Ela sentiria seus efeitos durante uma semana.

Cam olhou por entre as persianas de seu escritório no segundo andar enquanto o carro que levava Pippa se afastava. Durante vários segundos, continuando olhando, mesmo depois de o veículo sumir de vista.

Sentia-se incomodado e perplexo por não ter ideia do que faria em seguida. Estava sentindo um súbito surto de inquietação, um ímpeto de fazer alguma coisa, ainda que não soubesse o quê! Só sabia que ficar ali, sozinho, tornara-se repentinamente... insuportável.

Ele franziu o semblante. Fora a maldita mulher. Ela o pegara desprevenido. Talvez ele tivesse esperado alguém mais parecida com Ashley. Meiga, tímida, inocente, um pouco vulnerável, precisando de proteção. Talvez ele tivesse pensado que estava fazendo um favor a Pippa.

Ela, porém, abalara o mundo dele. Era uma mulher confiante, segura de si mesma e que não tinha medo de pegar o que queria, e o que ela quisera fora ele. Seu ego devia estar nas alturas por isso. No entanto, Cam estava decepcionado, porque os malditos papéis tinham se invertido.

Era quase como se tivera sido ela quem dissesse. Quero você, mas não quero compromisso. Ela assumira o controle.

Ele agira como um fanático sexual, desesperado, descontrolado. Nada parecido com a imagem de homem comportado e sempre no comando que ele gostava de apresentar ao mundo.

E isso o incomodava. Muito.

Balançando a cabeça, ele voltou para o quarto. Ainda conseguia sentir o cheiro dela ali. Ele deveria tê-la levado para um dos quartos de hóspedes. Não levava mulheres para seu quarto. Jamais.

Maldita luxúria.

Quando Pippa Laingley estava envolvida, era impossível escapar do desejo. Talvez agora, depois de tê-la possuído de todas as formas, seu sangue esfriasse e ele não fosse perder a cabeça toda vez que se aproximasse dela.

Ele entrou no banheiro, fazendo cara feia ao ver a bagunça. A porta do boxe estava aberta. Toalhas tinham sido largadas no chão. A bancada estava uma bagunça, graças à impaciência dele. Jogara tudo dali no chão antes de erguer Pippa para a beira, para poder possuí-la novamente.

Havia ao menos dois preservativos descartados no chão.

Ele jogou um deles na lixeira e foi pegar o outro. Então, percebeu algo que fez o pânico perfurar seu estômago.

Cam ficou paralisado. Em seguida, uma série de obscenidades manchou o ar. Ele sentiu um nó no estômago. Sua testa começou a suar. Sua boca secou.

Ele fechou os olhos, desejando que não fosse verdade. Contudo, ao abri-los, viu em sua mão trêmula a prova irrefutável.

O preservativo se rasgara.

CAPÍTULO QUATRO

O que mais poderia dar errado naquele dia?

Ela encontrara o lugar perfeito para seu serviço de confeitaria e bufê. Uma bela área, termos satisfatórios, e já equipada com as instalações necessárias. Ela só precisava de uma pequena remodelação na fachada para acomodar os clientes e estaria tudo pronto.

Depois de ter passado tanto tempo realizando eventos apenas com a ajuda do boca a boca, ela estava pronta para dar um passo mais sólido. Um que lhe daria uma renda constante, em vez de nunca saber quando seria seu próximo trabalho.

Tinha certeza de que conseguiria um pequeno empréstimo de negócios, mas, para obter o financiamento necessário, ela precisava de um contrato de aluguel assinado. O que Pippa tinha, ao menos até o corretor ter telefonado para ela, informando que havia um problema.

Repentinamente, seus sonhos com lindos cupcakes, deliciosos doces e cheirosos pães evaporaram.

Ela estava tentando abrir a porta de seu apartamento quando o celular tocou.

Pippa entrou e, depois de fechar a porta com um chute, olhou para o aparelho. Não reconhecia o número, mas, como dera seu telefone para diversos clientes em potencial, ela não poderia se dar ao luxo de não atender.

— Pippa Laingley.

— Pippa, é Cam

Ela parou e soltou uma risadinha.

— Ora, olá, Cam Que surpresa. Eu me lembro perfeitamente de você dizendo que não ligaria. A que devo essa honra?

— Um dos preservativos estourou — disse ele tensamente.

Pippa tirou o casaco, largou-o perto da porta e foi para a sala, certa de que não ouvira direito.

— Repita isso — balbuciou tremulamente.

Afundou no sofá, segurando o celular com força contra sua orelha.

Ela ouviu um suspiro. Então, ele falou:

— O preservativo que usamos no chuveiro. Ele estourou. Só vi isso depois que você foi embora. Como estávamos no chuveiro, não percebi na hora.

O coração de Pippa se alojou em sua garganta, e ela fechou os olhos. Ela também não percebera.

— Pippa?


— Estou aqui — disse ela fracamente.

— Precisamos discutir algumas coisas.

— Por que só está me ligando agora? Quando você descobriu isso?

— Ontem, depois que você foi embora.

— E só está me dizendo agora? — berrou ela. — Teria sido bom saber ontem, quando ainda havia algo que eu pudesse fazer.

Por mais que estivesse furiosa com ele, Pippa não sabia o que teria feito. Uma pílula do dia seguinte? Ela não conhecia como aquilo funcionava.

Poderia ao menos ter pesquisado e tomado uma decisão embasada.

— Calma, Pippa.

A condescendência no tom dele só serviu para irritá-la ainda mais.

— Não me mande ter calma. Não é você que vai ter de viver com as consequências daquele preservativo estourado.

— Não? Se acha que uma gravidez não planejada não me afeta tanto quanto afeta você, está delirando. Agora, pare de gritar comigo, para podermos discutir nossas opções como adultos. Bem, pela sua reação, imagino que você não esteja tomando nenhum tipo de anticoncepcional.

— Ao menos ninguém pode chamar você de burro.

— Sem palhaçadas, Pippa. Sei que você está assustada e foi pega de surpresa. Também não é fácil para mim. Mas descontar em mim não vai resolver nada.

Percebendo que ela estava fazendo exatamente aquilo do qual ele a acusara, Pippa se calou.

— Acho que você deveria vir morar comigo, ao menos até sabermos se você está grávida.

Ela ficou boquiaberta.

— O quê?!

Ele suspirou.

— Acho que não devíamos conversar isso pelo telefone. Posso buscar você daqui a uma hora.

— Não.


— Então, o que você prefere? — perguntou ele, impacientemente.

— Olhe, Cam, não vou morar com você. É a sugestão mais absurda que já ouvi. Não precisamos conversar pessoalmente. Neste momento, não estou com a menor vontade de ver você. Estou em choque. Preciso analisar minhas opções. Se eu estiver grávida, sei onde encontrar você. Até lá, eu agradeceria se você simplesmente se afastasse.

— Droga, não é isso que eu quero. Olhe, Pippa, preciso saber que você e o... bebê... estão em segurança. Quero dizer, se existir um bebê. O melhor jeito de fazer isso é ter você por perto.

Havia um leve desespero na voz dele e um estranho tom apático que sugeria que ele sequer estava se concentrando no verdadeiro problema em questão. Sua cabeça parecia estar em outro lugar, e isso a irritou ainda mais.

Ele estava se preocupando com a segurança dela e de um suposto bebê, e, àquela altura, ela simplesmente se preocupava com a possibilidade de haver um bebê.

— Não me importa o que você quer — comunicou ela diretamente e desligou a ligação e o celular.

Ficou sentada ali durante longos minutos, olhando para o nada enquanto tentava absorver as implicações daquele preservativo estourado.

Levantou-se, precisando fazer alguma coisa. Informações. Probabilidades. Ela sabia que o momento do ciclo era o certo, mas correu para o quarto para verificar em sua agenda.

Ao fazer os cálculos, ela grunhiu. Não que ela pudesse prever quando ovularia, mas, de acordo com a média, havia uma boa possibilidade de aquele final de semana ter sido seu melhor momento para conceber um bebê.

Agora, ela precisava descobrir suas opções, se houvesse alguma.

Ela ligou o maldito celular e ignorou os sons que indicavam ligações perdidas, mensagens de voz e de texto. Deviam ser todas de Cam Era provável que o homem estivesse a caminho dali.

Pippa digitou o número de Carly. Um instante depois, a animada voz da amiga se derramou pela linha e Pippa se derreteu de alívio.

— Pip! Como vai? Já resolveu a história do aluguel? Estou tão empolgada por você! Como foi a festa de Ashley? Fiquei tão triste por não poder ir.

— Carly, você está ocupada? Preciso das meninas. É uma emergência.

— Pip, você está bem? O que houve?

— Eu conto quando nos encontrarmos. Pode ligar para as outras?

— Claro. Oscar’s?

— Sim, mas consiga uma mesa num lugar reservado.

— Quer que eu chame Ashley? Ela ainda está em Greenwich?

Por mais que Pippa quisesse e precisasse de Ashley, não sabia se seria uma boa ideia.

— Veja se ela pode vir. Mas... diga a ela para tomar cuidado.

— Se ela souber que você precisa dela, vai vir. Todas vamos, Pip. Você sabe disso.

— Eu sei, e amo vocês por isso.

— Só preciso de um tempo para resolver tudo. Depois, envio uma mensagem de texto para você com um horário em que todas possamos nos encontrar. Enquanto isso, você sabe que pode vir até aqui. Só tenho uma hora marcada hoje à tarde. Você pode ficar aqui no salão. Eu até faço suas unhas.

Pippa sorriu.

— Obrigada, Carly, mas vou encontrar vocês mais tarde. Preciso analisar algumas coisas.

— Estou preocupada com você, Pip. Tome cuidado, está bem? Vejo você assim que possível.

Pippa desligou o telefone, aliviadíssima. Tinha as melhores amigas do mundo. Inteligentes. Elas conseguiriam ajudá-la a pensar no que fazer.

Enquanto isso, ela não ficaria no apartamento, caso o sr. Preservativo Estourado resolvesse aparecer. A última coisa que ela queria no momento era ver o potencial pai de seu suposto bebê.

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