Leia a transcrição da apresentação de Ulisses Riedel, Presidente da ong união Planetária




Дата канвертавання27.04.2016
Памер19.25 Kb.
Leia a transcrição da apresentação de Ulisses Riedel, Presidente da ONG União Planetária

O SR. ULISSES RIEDEL - Eminente Sr. Presidente, Senador Paulo Paim, eminentes Senadores Pedro Simon e Vicentinho, é uma alegria muito grande tê-los aqui presentes neste momento. Pedro Simon, com quem há tantos anos temos acompanhado essa luta por um Brasil melhor, vejo com muito orgulho a sua figura neste plenário; e Paulo Paim, que tem sido um companheiro de luta durante tantos e tantos anos; minhas senhoras, meus senhores, é uma honra muito grande estar aqui nesta Comissão, especialmente por ser uma Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, hoje como Presidente de uma ONG, OSCIP União Planetária - com nome assim bastante pomposo, mas é porque realmente trabalha pela paz mundial, pela proteção ambiental no mundo, pelo entendimento entre as criaturas.


Essa ONG, há alguns anos, foi credenciada pela ONU para divulgar as metas do milênio no Brasil e, entre elas, encontramos como a primeira a da erradicação da miséria - tem toda razão de ser a primeira, porque é dela que decorrem todas as outras. A mortalidade infantil, o analfabetismo, as doenças endêmicas, todos esses e os outros problemas são decorrentes da miséria. Se solucionarmos o problema da miséria, praticamente solucionam-se todos os outros problemas que vivemos. Certamente, não há nada mais importante, para nenhum país do mundo, do que ter resolvida a questão da miséria. Um país que tem um povo saudável, um povo educado, um povo com oportunidade de trabalho, com oportunidade real de crescimento, é um país saudável, é um país que tem tudo para estar presente no concerto das nações de uma forma brilhante.

Por isso, há anos vínhamos trabalhando esse tema, fazendo palestras, debates, reuniões, conferências, discutindo a erradicação da miséria. Numa das últimas, fomos brindados com a presença do Ministro Carlos Ayres Britto, vice-Presidente do Supremo, como conferencista principal, numa promoção que fizemos aqui no IESB, uma das Universidades aqui de Brasília.


Diante disso, vínhamos fazendo reflexões a respeito da miséria, porque sempre nos pareceu que não seria adequado simplesmente pregar cartazes ou até fazer conferências sobre erradicação da miséria sem tentar entender as suas causas e como superá-la.
Assim é que, quando a nossa Presidenta Dilma Roussef apontou como sua meta principal a erradicação da miséria, já estávamos com o trabalho: As Causas da Miséria e sua Superação pronto, apenas fizemos uns acertos e, no dia 15, lançamos aqui na Biblioteca do Senado.
Esse livro, essas reflexões são dedicadas à Srº Dilma Roussef. Diz aqui na apresentação:
As presentes reflexões são dedicadas à Senhora Dilma Roussef, Excelentíssima Presidenta do Brasil, que, em seu discurso de posse, assegurou que a sua luta mais obstinada será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.
É uma tarefa que precisa ser abraçada com entusiasmo por todos e que se tornará realidade, graças à sua coragem e ao seu carinho, para com o povo brasileiro.
Deus a abençoe!
Essa é a nossa dedicatória do livro, porque o que mais desejamos, totalmente independente de colorações políticas e religiosas, é que realmente este nosso País grandioso possa ter o privilégio de ser um país sem pobreza.
Aliás, se examinarmos com simplicidade, é uma incoerência sermos a 7ª potência econômica mundial e, simultaneamente, a 73ª em condições de vida para nossa população. Isso indica que alguma coisa não está bem e que há uma montagem equivocada na organização da nossa sociedade, no sentido de permitir que exista essa situação.

Aqui lembro uma pequena história relatada no livro: dois amigos estavam na beira de um rio, debaixo de uma frondosa árvore, conversando amigavelmente, quando perceberam uma criança se debatendo na correnteza. Eles não pensaram. Instintivamente, eles se lançaram na correnteza. Como sabiam nadar, foram buscar aquela criança que se estava afogando. Quando retornaram com a criança, alegres, com a emoção de terem salvado, perceberam que havia uma segunda criança se debatendo no rio. Novamente, jogaram-se no rio e buscaram a outra criança. Depois dessa segunda, observaram que no rio havia centenas, milhares de crianças se debatendo. Então, um amigo diz ao outro: Vamos! Vamos salvá-los! O segundo diz: Vá você, porque alguém tem que tentar salvá-los. Eu vou rio acima. Eu vou ver quem está jogando essas crianças no rio e vou tentar impedir que isso aconteça. Vou lá à raiz.

É isso que encontramos na nossa sociedade. O trabalho de assistência social, de socorro, sobretudo a nossas crianças, a nossos adolescentes e mesmo a nossos desempregados, é de uma valia gigantesca, mas temos que ir às causas.

Temos que remover as causas para que nós tenhamos uma sociedade justa, e não deixar as nossas crianças nesse rio do abandono, como ocorre.


Devo dizer que, apesar de termos tido dezenas, talvez centenas de reuniões, de debates sobre o tema, apesar de o tema ter sido profundamente examinado, sempre se acabou concluindo que o problema da miséria física é decorrente da miséria moral, é decorrente da miséria espiritual, é decorrente da miséria, da falta de valores na nossa sociedade. E sempre ficamos um tanto perplexos quanto a como enfrentarmos esse problema se nós queremos ir às raízes. Sentimos que era um problema complexo e que nós teríamos de mudar um pouco a mentalidade do mundo, porque a nossa mentalidade ainda é uma mentalidade competitiva. Nós somos preparados para competir uns com os outros e vivemos num mundo de mentalidade do levar vantagem, do cada um para si, do se eu estou salvo, minha família está salva, o resto está bem. Não, nós precisamos compreender que nós todos fazemos parte de uma mesma sociedade, de uma mesma vida, de uma mesma manifestação, que somos todos tripulantes dessa nave cósmica que é o planeta Terra e que precisamos ter uma vida harmoniosa, uma vida feliz entre todos, que a nossa democracia ainda é uma democracia da competitividade, uma democracia da competição de uns com os outros. Nós temos de criar a democracia da solidariedade, a democracia em que o mais forte não explora o mais fraco, em que o mais forte socorre o mais fraco. E compreender que, quando um homem fere outro homem, ele fere muito mais do que outro homem: ele fere toda a humanidade e fere a si próprio, porque ele faz parte dessa humanidade.

Nesse ponto, nós chegamos à conclusão, o grupo chegou à conclusão - como eu disse, o livro foi escrito por mim, mas eu escrevi como um pigmeu no ombro dos gigantes do presente e do passado que têm tanto falado sobre as coisas mais profundas da nossa sociedade - de que, para esse aspecto mais profundo da mudança, nós temos de fazer uma mudança de mentalidade da mídia, das informações. As informações sempre são voltadas para a desgraça, para a miséria, não para os valores. São coisas tão extraordinárias feitas na nossa Pátria, feitas no mundo inteiro e, no entanto, não se dá destaque para as coisas maravilhosas. E os antropólogos nos ensinaram que uma sociedade evolui e se transforma especialmente por meio da imitação e da sugestão. E aí, então, quando nós encontramos toda uma mídia voltada para as coisas da desgraça, do horror, da miséria, como críticas que nunca apontam para as coisas belas que são feitas, nós construímos uma sociedade com esses valores. Então, acima de tudo, cada um de nós também tem de buscar ser o exemplo daquilo que nós desejamos que o mundo seja.

Mas e daí? E o que vamos fazer de concreto, de imediato? Isso se discutiu muito e se chegou a um plano, apresentado aqui no livro e que estou apresentando aqui à Comissão, com uma proposta até de legislação específica sobre o assunto.

Primeiro, a conclusão a que se chegou é a de que é preciso uma mobilização de toda a sociedade para fazermos essa erradicação da miséria. Eu sempre me lembro dos idos de nosso Juscelino Kubitschek, quando ele quis fazer o impossível e fez o impossível tornar-se possível, que foi a mudança da Capital, do Rio de Janeiro para Brasília.

Imagine se hoje, com todo o arsenal e disposições técnicas que temos, resolvêssemos que vamos transferir a Capital, de Brasília para o interior lá de Goiás, de Mato Grosso, para algum lugar distante, sem estradas, faríamos isso, com facilidade, em três anos e meio, como Juscelino fez essa transferência. Foi um desafio gigantesco, quase impossível. Mas ele fez pela determinação, pela posição obsessiva de que tinha de fazer essa mudança. E ele conseguiu. Quem é mais velho lembra-se da emoção que o País viveu com essa transferência da cidade. Nós precisamos hoje dessa mesma emoção. Nós precisamos hoje que a sociedade esteja envolvida nesse desafio gigantesco, que é o da erradicação da miséria. E isso a própria Presidente disse, em seu discurso de posse: -Esta não é tarefa de um Governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda a sociedade. Para isso, peço com humildade o apoio de todas as instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e das pessoas de bem-. Ela fez esse apelo exatamente por perceber que essa erradicação da miséria só será possível através dessa mobilização da sociedade. E devo dizer que foi criado o Movimento Brasil sem Pobreza, um movimento que já tem apoio formal de entidades de peso, como a CNBB, a Federação Espírita Brasileira, o Grande Oriente do Brasil, o Grande Oriente do Distrito Federal, a OAB, e uma série de entidades. Inclusive, hoje à noite, e estão todos convidados, temos a primeira reunião do Movimento Brasil sem Pobreza, com dezenas de entidades que estarão presentes, para que nós possamos juntar forças e apoiar o Governo nessa tarefa. Não apoiá-lo política e partidariamente, não tem nada a ver com política nem com partido, é para todos os partidos, para todas as pessoas de bem que querem um País, sem miséria, como temos vivido.

Então, hoje, às 20 horas, na sede cultural da União Planetária, que fica no Lago Norte, teremos a primeira reunião para o Movimento Brasil sem Pobreza, que quem apoia, de certa forma, também pressiona. Queremos que o Governo realmente faça, que isso realmente seja uma verdade, que, terminado o mandato da Presidente Dilma, possamos ter um Brasil diferente, um Brasil sem miséria.


Mas nós fizemos uma análise e chegamos à conclusão também de que há algumas medidas importantes, porque, para se fazer essa transformação e acabar com a miséria, há aspectos que envolvem a questão social, que envolvem o nosso Ministério do Desenvolvimento Social, em primeiro lugar, de uma forma muito expressiva e muito forte. Mas nós temos também o Ministério da Educação, porque nós não vamos conseguir fazer uma mudança dessa situação sem a educação, sem dar oportunidade de educação, de aprendizado, de educação formal, de educação de base. Envolve o Ministério da Saúde, porque todas essas pessoas mais pobres são originárias de uma vida de alimentação carente, de viver em condições deprimentes e com saúde que não é a adequada. Precisamos ter o Ministério da Saúde. O Ministério da Defesa tem um trabalho chamado Segundo Tempo, que é o de atender os jovens que estão em estado de risco e que precisam ter oportunidade.
Então, uma série de Ministérios envolvidos e, embora...
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - V. Exª tem mais cinco minutos.
O SR. ULISSES RIEDEL - Devo dizer que eu gostaria de falar umas quarenta horas. Devo dizer isso com honestidade, mas vou me inscrever dentro dos cinco minutos, porque há um projeto todo que passa, em primeiro lugar, pela... Se tivemos a criação da autoridade pública olímpica para resolver o problema das Olimpíadas, temos de ter uma autoridade pública para inclusão social, uma autoridade pública com poderes efetivos, reais, para isso fazer. Depois, temos de pegar aquelas pessoas que estão em estado de miserabilidade, analfabetas, despreparadas, e, ao mesmo tempo verificar em que elas querem se capacitar e buscar meios, modos para que elas possam se capacitar,

Mas capacitar-se profissionalmente, educacionalmente, do ponto de vista da educação formal, e se capacitar vivencialmente. Elas precisam ter aulas não só para aprenderem uma profissão, mas também precisam aprender a ler, a escrever, a viver socialmente, com dança, com música, com esporte, com ações que congregam pessoas.

Terminado esse prazo de capacitação, elas terão muito dificuldade de competir neste mercado injusto que está aí; então o Estado precisa organizá-las em empresas de economia solidária protegidas, em empresas como cooperativas, mas protegidas pelo Estado. Um exemplo: pegamos em um núcleo hipotético um grupo de senhoras que se interessam em se desenvolver em corte e costura. Muito bem. Elas tiveram aulas de corte e costura, se aprimoraram, tiveram aulas de português e matemática, tiveram aulas de vivência e estão prontas. Em vez de jogá-las simplesmente no mercado, elas serão organizadas em uma empresa de economia solidária protegida. O próprio Estado vai verificar que o produto do trabalho delas tenha saída, tenha mercado; que não sejam elas a saírem correndo atrás desse mercado. O Estado vai ajudar nisso, até com exportação, contratando essas empresas, no caso, de corte e costura, para fazer uniforme escolar para essas milhões de crianças das escolas públicas do Brasil, para o próprios militares. De maneira que é uma cadeia perfeita: quem não tinha nada se torna preparado, se torna autossuficiente, tem maior amor próprio e tem uma saída para aquele seu produto, colocado pelo próprio Estado, que se encarrega de ajudar.

Dentro de uma visão de solidariedade, de fraternidade, que tem que ser a base fundamental da organização de uma sociedade humana, nós podemos fazer isso. E o Estado tem a obrigação de fazer isso porque se não o fizer vai gastar muito mais com penitenciárias, com polícia, com hospitais e outras coisas. Isso olhando de forma fraterna os nossos irmãos brasileiros que precisam de amparo; aqueles que chamamos de marginais, como regra, eles foram marginalizados, e somos nós os que temos responsabilidades de criar oportunidades para todos eles.



Teria muitas coisas porque é todo um projeto completo, mas vocês terão oportunidade de ler o livro, já que o nosso tempo aqui não é tão abrangente. Uma coisa importante são as parcerias; o Estado precisa fazer parcerias públicas e privadas, seja para educação, seja para qualquer setor, tem que haver parcerias, mas deve ser num trabalho concentrado. Se não houver esforço específico, como aquele para se construir Brasília, não terminaremos este mandato com erradicação da miséria. Mas é possível fazê-lo; é possível e imprescindível que se faça. Não podemos admitir como normal que nossas crianças, nossas famílias estejam vivendo no rio do abandono. Precisamos realmente criar condições. Para isso esperamos que a nossa Presidenta, com o apoio de todos nós, realmente o faça.


База данных защищена авторским правом ©shkola.of.by 2016
звярнуцца да адміністрацыі

    Галоўная старонка