IS: por uma engenharia mais humana




Дата канвертавання25.04.2016
Памер35.05 Kb.





A INCLUSÃO DA DISCIPLINA DE TECNOLOGIA SOCIAL NOS CURRÍCULOS PROFISSIONAIS: POR UMA ENGENHARIA MAIS HUMANA.

Rita Rocha - ritadecassia3@yahoo.com.br

Universidade Federal Fluminense - Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo
Rua Passos da Pátria, 156 - Bloco D - sala 541
Cep: 24210-240, Niterói – Rio de Janeiro

Resumo: O trabalho tem por objetivo refletir sobre a importância da formação do profissional de engenharia na construção de uma nação mais justa e igualitária. Em uma sociedade extremamente desigual como a brasileira onde os elevados índices de pobreza sustentam uma violência indiscriminada há que se pensar que tipo de currículo está sendo oferecido aos profissionais responsáveis pela aplicação da ciência e da tecnologia na resolução de problemas conforme as necessidades do ser humano. Parte-se, primeiramente, da análise do papel da educação cidadã dentro do ensino superior brasileiro e do compromisso da Universidade enquanto instituição responsável pela formação profissional do quadro intelectual e técnico que promove o desenvolvimento do país. E, discute-se a relevância de se incluir a disciplina de tecnologia social dentro dos currículos dos profissionais de Engenharia como forma de disseminar o conceito de responsabilidade social.



Palavras-Chave: Universidade, Engenharia, Responsabilidade Social e Tecnologia Social.

1 INTRODUÇÃO

Em clima de copa do mundo, assim como outros países, o Brasil, já veste as cores de sua bandeira. O verde-amarelo em ruas e avenidas denuncia a expectativa por mais um título. Mas o que será que nos faz favoritos e crentes de que levaremos mais essa? Afinal já nos basta o famoso jargão “somos o país do futebol”? Se avaliarmos o aspecto mais representativo da nação, nossa bandeira, uma verdade parece incontestável: podemos não ser melhores, mas somos no mínimo diferentes. Foram muitas as versões desde o descobrimento do país até a efetivação da atual feita quando da proclamação da República em 1889. O projeto de autoria de Raimundo Teixeira Mendes, assessorado tecnicamente pelo astrônomo Manuel Pereira

Reis e, artisticamente, pelo pintor Décio Vilares, carregado de simbolismos apresenta um retângulo verde, simbolizando a pujança de nossas matas; sobre esse retângulo um losango amarelo, representando as riquezas minerais do nosso solo; ao centro um círculo azul representando o céu do Rio de janeiro no ato da proclamação; cortado por uma faixa branca, com uma ligeira inclinação; e no círculo, estrelas representam os Estados e o Distrito Federal. Mas, o detalhe que nos torna originais é o dístico de caráter positivista "Ordem e Progresso" que, estampado em nossa bandeira, coloca o Brasil em posição de destaque pela inclusão de palavras na representação de uma nação quando comparado com outros países. Implicitamente, também valoriza a língua portuguesa como aspecto fundamental da cultura nacional.

E quando se fala em “Ordem e Progresso” por onde começar? A resposta se define em um direito considerado requisito indispensável para promover o desenvolvimento do ser humano e de qualquer país: a educação. Avaliando quantitativamente o panorama de acesso à Educação, desde o nível básico até o superior constata-se que o Brasil ainda precisa avançar muito. A educação é um direito apresentado pela Constituição Federal como fundamental para garantir a realização plena do ser humano, inserindo-o no contexto do Estado Democrático e qualificando-o para o mundo do trabalho. E, neste sentido, dentro do sistema educacional brasileiro, merece destaque a contribuição do ensino superior, mais especificamente da Universidade enquanto instituição social, para a formação não somente do profissional, mas do cidadão que se prestará a atender à sociedade em suas múltiplas e distintas classes em prol da construção de um desenvolvimento centrado na lógica do progresso sim, mas, sobretudo no bem estar humano.

2 O PAPEL DA UNIVERSIDADE NA FORMAÇÃO CIDADÃ

Por definição universidade é “uma instituição pluridisciplinar de formação dos quadros de profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano” (ARONI, 2008). E quando inserimos a universidade dentro do contexto sócio-político e econômico brasileiro observamos que este conceito inicial se expande elevando sua participação na mudança do atual quadro de desigualdades sociais delineado no Brasil. Conforme cita Cremasco “a educação superior é uma instituição social, cujo papel fundamental é formar a elite intelectual e científica da sociedade a que serve” (CREMASCO)

A Universidade precisa atuar de maneira a preparar o homem qualificando-o para o trabalho inserindo dentro do universo acadêmico uma formação pautada na responsabilidade social de maneira a constituir um profissional que possa contribuir para o real desenvolvimento do país. Os variados discursos de Universidades que dizem advogar em favor do bem estar da sociedade desconsideram por vezes, muitas propositalmente, que ela não é uniforme nem muito menos homogênea. Ao contrário, vivemos hoje em uma sociedade extremamente desigual. E, neste sentido cabe analisar que conceito de sociedade vem sendo empregado dentro das Universidades, pois é sob esta lógica que podemos compreender a essência da formação oferecida e que se traduz nos currículos profissionais.

Para reconhecer o conceito de sociedade empregado dentro das Universidades é necessário um olhar mais atento além dos discursos prontos. Avaliar qualitativamente suas práticas, sua estrutura administrativa, o ambiente acadêmico e suas relações interpessoais e


ainda seu quadro docente, por exemplo, dão uma dimensão aproximada de sua visão de mundo, da relevância do bem estar social e de desenvolvimento defendido. Sabendo que, bem como qualquer outra instituição pertencente ao Estado Democrático, o espaço acadêmico não é sinônimo de igualdade de ideais. Portanto, fala-se aqui da predominância natural da maioria na definição conceitual. E, ainda, convém ressaltar a contribuição positiva destas mesmas diferentes visões para a transformação destas importantes intuições em espaços promotores de cidadania.

A ordem e o progresso devem constituir sim o objetivo principal da universidade assim como toda e qualquer instituição pertencente à República Federativa do Brasil. Mas a que preço? Subvertidos pela lógica de mercado o que se vê no atual quadro nacional do ensino superior brasileiro é uma realidade totalmente distinta dos princípios fundamentais constitucionais de contribuir para construção de uma sociedade livre, justa e solidária; de promover o desenvolvimento nacional; com erradicação da pobreza e a marginalização, contribuindo também para reduzir as desigualdades sociais e regionais, promovendo assim o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.1 E isso tem tudo a ver com a forma com que a Universidade constrói o conhecimento.

Falando sobre ciência e tecnologia Dagnino alerta afirmando que a idéia da ciência como um objeto construído não é muito bem aceita na instituição universitária. A maioria do corpo docente em Universidades, sendo de direita ou esquerda, “entende a ciência como livre de valores, como algo neutro e intrinsecamente positivo” (DAGNINO, 2004) e essa visão não favorece a aplicação diferenciada das tecnologias. É preciso investir em pesquisas que integrem o desenvolvimento científico-tecnológico e o humano dentro do contexto das reais necessidades do país. Os países desenvolvidos que utilizam os laboratórios das universidades como fonte de informação e aplicação de tecnologias só cresce. Encomendam e investem em pesquisas o que fortalece a universidade enquanto intuição. No Brasil, a relação mercado e universidade não existe. Ou melhor, existe, mas é totalmente distorcida das necessidades essenciais do povo brasileiro. Sobre isto afirma Dagnino: “Nossa universidade é disfuncional. Ela não serve nem para a classe dominante nem para a classe dominada...” E, focalizando na pesquisa de ponta realizada nos países centrais, a universidade, muitas vezes, busca um padrão de fazer ciência que “pouco tem a ver com nossa realidade.” (DAGNINO, 2004). Por isso, é preciso questionar se a maneira como a universidade se organiza para desenvolver conhecimento é favorável a construção do conceito de Responsabilidade Social. A Universidade precisa produzir um conhecimento que seja do interesse da sociedade.

3 ENGENHARIA E TECNOLOGIA SOCIAL

No primeiro semestre de 2010 a quantidade de fenômenos naturais que se materializou, sobretudo na América Latina impressiona: terremotos no Haiti e no Chile, chuvas intensas no Peru e no Brasil. O número de vítimas e a lista de prejuízos dão a dimensão das catástrofes que agravam a situação de pobreza apresentada nos países atingidos. A natureza se manifesta


levando o homem a se questionar sobre seu comportamento e ação sobre o meio ambiente. Dentro deste cenário destaca-se a aplicação da ciência e da tecnologia em favor do bem estar coletivo. Mais especificamente da participação do profissional de Engenharia para atendimento das demandas globais.

O profissional de engenharia é “aquele que procura aplicar conhecimentos empíricos, técnicos e científicos à criação e à modificação de mecanismos, estruturas, produtos e processos que se utilizam para converter recursos naturais e não-naturais em formas adequadas às necessidades do ser humano e do meio que o cerca.” (CREMASCO, 2005). Indispensável nos dias atuais, o engenheiro atua na resolução dos problemas e na busca de melhores soluções das instituições a que serve. Analisando as variadas áreas de atuação da engenharia verificamos currículos extremamente técnicos comprometidos com o estudo exaustivo de normas e procedimentos necessários à condução de processos e produtos. Mas, afinal, a quem serve o profissional de engenharia senão à própria sociedade? Sendo assim, sua formação precisa ser pautada também na visão sistêmica do mundo e do reconhecimento de sua atuação profissional como fator transformador de realidades.



Dentre as inúmeras habilidades que um engenheiro precisa absorver e desenvolver está o conceito de Responsabilidade Social. Grande parte da população tem acesso restrito a serviços técnicos indispensáveis a uma habitação saudável e segura, por exemplo. Logo, o conceito de sociedade sustentado dentro das Universidades é de fundamental importância para a construção dos profissionais que atuarão em favor dela.

Sobre a formação cidadã é preciso ter em conta que formar não é sinônimo de informar. Informação é quase tudo: é preciso saber o que fazer com elas. Dentro da engenharia de que adianta a tecnologia se ela não estiver inserida num contexto sócio-cultural que permita a apropriação pela sociedade? Um foguete serve para o homem ir à lua desde os Estados Unidos ao mesmo tempo em que os membros inferiores de muitos menores para caminhar quilômetros por dia para freqüentar uma escola no interior do Ceará. Tecnologia para que? E para quem?

Tendo em vista que, os currículos profissionais de engenharia são extremamente técnicos e objetivos, conforme preconiza a área de ciências exatas é quase impossível identificar disciplinas que se associem especificamente ao conceito de Responsabilidade Social. Uma proposta coerente para esta apropriação seria a inclusão de uma disciplina denominada Tecnologia Social. Segundo a Rede de Tecnologia Social o conceito compreende produtos, técnicas e/ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que represente efetivas soluções de transformação social. Desta maneira seriam levados ao conhecimento dos futuros engenheiros produtos e processos produzidos com participação e inclusão social em suas variadas áreas de atuação. Aprende-se na escola de engenharia que quanto maior a escala de um sistema tecnológico mais eficiente ela será. E é essa a idéia difundida através das Redes de Tecnologia Social.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em ano de eleição uma pergunta parece fundamental: por onde anda, afinal, a ordem e o progresso brasileiro? O voto de cada cidadão constitui instrumento determinante de mudança do cenário de pobreza e ignorância em que vive grande parte da população. Espera-se mais

uma vez que a escolha dos nossos dirigentes possa ser pautada na consciência e no bom-senso para que venha o progresso mas que ele também seja democrático assim como o processo eleitoral. Em ritmo de Copa do Mundo o brasileiro ainda não voltou suas atenções para as disputas eleitorais de 2010. Depois de julho o jogo será outro, o político, e esse sim merece atenção especial. Em outubro, a sociedade brasileira precisa entrar em campo e dar sua contribuição, através do voto, para a construção de uma sociedade mais igual exercendo com consciência sua cidadania. É preciso avaliar os candidatos e seus ideários e as políticas propostas, sobretudo no âmbito educacional.

A educação é a essência do cidadão. Informação e formação determinam o ser humano que constrói o país. A Universidade tem de ser protagonista na agenda de desenvolvimento brasileira. E, a construção do currículo do profissional de Engenharia precisa ser pautada no progresso sim, mas com responsabilidade social de modo a atender as necessidades da sociedade como um todo. Difundir o conceito de Tecnologia Social no currículo profissional do Engenheiro significa construir uma engenharia mais humana para que o mesmo dístico de nossa bandeira que nos torna especiais não se limite ao seu original papel simbólico tornando-se apenas mais um conhecido jargão dentro da sociedade.



5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARONI, Allan. O ensino superior como atividade empresarial e o cidadão mínimo no Brasil: o peso da mão liberal e a marca de uma aliança não visível. Uma análise do ensino superior brasileiro a partir dos dilemas que envolvem as políticas públicas. São Paulo. 215 p., Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, 2008.

BRASIL, Constituição (1988) Constituição Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988.

COLOSSI, Nelson; CONSENTINO, Aldo; QUEIROZ, Etty Guerra. Mudanças no contexto do ensino superior no Brasil: uma tendência ao ensino colaborativo. Rev. FAE, Curitiba, v.4, n.1, p.49-58, jan./abr. 2001. Disponível em: http://www.unifae.br/publicacoes/pdf/revista_da_fae. Acessado em: 30/04/2010.

CREMASCO, Marco Aurélio. A responsabilidade social na formação de engenheiros.

Disponível em: http://www.ethos.org.br. Acessado em: 09/05/2010.

DAGNINO, Renato. A tecnologia social e seus desafios. Disponível em: http://www.ige.unicamp.br/site/publicacoes/138

Acessado em: 30/05/2010.

FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira. São Paulo: Olho d'água, 120 p., 1995.

RAPOSO, Gustavo de Resende. Disponível em: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp Acessado em: 09/05/2010.

Manual de Capacitação da Tecnologia Social País. Disponível em: http://www.rts.org.br.

Acessado em: 02/06/2010.

Mostra de Tecnologias Socias. Disponível em: http://www.rts.org.br.

Acessado em: 02/06/2010.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade

http://www.calendario.cnt.br/bandeirabrasileira.htm
INCLUSION OF DISCIPLINE OF SOCIAL TECHNOLOGY IN THE PROFESSIONAL CURRICULUM: TOWARDS A MORE HUMAN ENGINEERING.

Abstract: The paper aims to reflect on the importance of training of professional engineering in building a nation more just and equal. In an extremely unequal society like Brazil where the high levels of poverty support indiscriminate violence must be thinking what kind of curriculum is being offered to professionals responsible for application of science and technology to solve problems according to the needs of human beings. First, examining the role of the Citizen Education in the teaching level, and the commitment of the university as an institution responsible for training of technical and intellectual framework that promotes the development of the country. It discusses also the relevance of including the discipline of Social Technology in the curriculum of engineering professionals as a way to disseminate the concept of Social Responsibility.

Key-words: University, Engineering, Social Responsibility and Social Technology.

1 Valores constitucionais conforme declara o Artigo 205 da Constituição Federativa do Brasil.


База данных защищена авторским правом ©shkola.of.by 2016
звярнуцца да адміністрацыі

    Галоўная старонка