Avaliação histoquímica e fitoquímica de Psidium guineense sw. (Myrtaceae)




Дата канвертавання25.04.2016
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Avaliação histoquímica e fitoquímica de

Psidium guineense SW. (Myrtaceae)


Cíntia Sorandra Oliveira Mendes1, Cínthia Gracielly Rodrigues2, Perácio Rafael Bueno Ferreira3, Sarah Barbosa Reis4, Dario Alves de Oliveira5, Maria Olívia Mercadante Simões6


Introdução


A utilização de plantas com fins medicinais, para tratamento, cura e prevenção de doenças, é uma das mais antigas formas de prática medicinal da humanidade [1].

A espécie estudada no presente trabalho, pertence à família Myrtaceae, de importância nos ecossistemas brasileiros, e que possui numerosos exemplos de plantas com propriedades farmacodinâmicas. Representantes dessas famílias são árvores ou arbustos, com folhas simples, geralmente opostas, com margens inteiras, de coloração sempre verde, e caracteristicamente provida de glândulas produtoras de óleos essenciais [2].

Estudos demonstram a utilização de extratos e óleos essenciais de espécies da família Myrtaceae contra microorganismos de natureza patogênica a humanas, contra pragas agrícolas e na extração de fármacos [3].

Psidium guineense é uma espécie arbórea de 2 a 2,5m de altura e com ampla dispersão na América tropical. Possui tronco de coloração parda e descamada.

O potencial medicinal das plantas se deve principalmente aos seus princípios ativos denominados metabólitos secundários, o que justifica a importância do estudo da biogênese, regulação e atuação desses compostos além dos métodos de extração, purificação, isolamento e identificação dos mesmos [4]. O estudo de substâncias ativas é complexo e longo, por isso a necessidade de estudos fitoquímicos preliminares, onde as principais classes de compostos ativos são qualificadas. Esses estudos servem de base para trabalhos multidisciplinares e complexos visando à avaliação do principal componente responsável por determinada atividade. Isso é possível com técnicas cromatográficas e de ressonância sofisticadas [5].

O estudo histoquímico de plantas medicinais auxilia na ecofisiológica da espécie e no fornecimento de elementos para a identificação macro e microscópica de fitoterápicos produzidos a partir dos órgãos vegetais. Além disso, os resultados desses testes servem como elementos de comparação qualitativa para identificação de drogas fitoterápicas e para a prospecção de princípios ativos de vegetais [6].

Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi caracterizar fitoquímica e histoquímicamente folhas de Psidium guineense.



Material e métodos

A. Preparação do extrato vegetal

O material vegetal foi composto por folhas P. guineense coletadas em abril de 2008. As amostras foram secas em temperatura ambiente, em local seco e arejado, por 72 horas. A pulverização foi efetuada em moinho tipo willey. O material foi acondicionado em sacos de papel e conservado em freezer a temperatura de -20ºC. Foram adotados os protocolos estabelecidos por Mouco, Bernardino & Cornélio [7] e Barbosa et al. [8] visando extrair e identificar os constituintes químicos de interesse, presente nos extratos da planta. As folhas para análise histoquímicas foram conservadas em câmara fria à 5° C.

B. Análises fitoquímicas e histoquímicas


As prospecções fitoquímicas dos extratos de folhas de Psidium guineense foram desenvolvidas por avaliações qualitativas para taninos, flavonóides, alcalóides, saponinas espumídicas, catequinas, depisídeos e depsidonas, antraquinonas, glicosídeos cardiotônicos e triterpenos e/ou esteróides.

Foram feitos cortes histológicos à mão livre da nervura central, do limbo e da margem da folha com auxílio de lâminas de barbear. Os cortes foram submetidos aos testes hitoquímicos de Sudam IV para lipídios, Lugol para amido, Floroglucinol para lignina, Cloreto férrico para fenólicos em geral, Vanilina Clorídrica para taninos, Ellran e Wagner para alcalóides. Foram montadas lâminas semi-permantes em gelatina glicerinada, exceto para os testes de Floroglucinol e Vanilina Clorídrica. As lâminas foram fotografadas com câmera digital Sony DSC-P52, em microscópio óptico Nikon, modelo Eclipse E-200.


Resultados e Discussão

Os resultados das análises fitoquímicas das folhas de P. guineense encontram-se dispostos nas Tabelas 1.

O reativo de Cloreto Férrico demonstra coloração azul escuro. Os reativos de acetato de cobre e acetato de chumbo adicionados de ácido acético caracterizam um precipitado castanho avermelhado. Em todos os testes é evidenciada a presença de taninos. Esse metabólito secundário é amplamente aplicado no curtume de couros [9] e no que tange à aplicação terapêutica, os taninos aceleram o processo de cicatrização [10].

Nos testes realizados para identificação de compostos flavonóidicos em folhas de P. guineense foram positivos, com o desenvolvimento das colorações rosa-avermelhada na presença do reativo de Shinoda, da coloração amarela, de intensidade variável na presença de hidróxido de sódio 5% , da coloração violeta, para o reativo de cloreto férrico e da fluorescência para a reação com cloreto de alumínio. Inúmeras atividades biológicas estão associadas ao grupo dos flavonóides, como, por exemplo, funções antioxidante, antiinflamatória e anticancerígena [11].

Nas folhas de P. guineense as reações de Bouchardat, Mayer, Dragendorff e Bertrand para alcalóides foram todas negativas.

A formação de espuma estável, porém em quantidade reduzida, em tubo de ensaio, por intermédio de agitação vigorosa dos extratos, revelou a presença de saponina espumídica. As saponinas têm sido associadas às atividades hemolítica, antiviral, antiinflamatória [4].

Com o reativo de vanilina e ácido clorídrico foi possível identificar a presença de catequinas devido ao surgimento de coloração laranja no extrato de folhas de araçá. Esta substância possui atividade em tratamentos do sistema gastrintestinal[12]

Depisídios e depsidonas foram identificadas nos extratos de folha de araçá quando submetidos ao reativo de cloreto férrico; a reação pode ser observada através do surgimento de coloração azul. Esses grupos têm sido reconhecidos por apresentarem propriedades antioxidantes [13], antivirais [14], antitumorais [15], analgésicas e antipiréticas [16]. Extrato de P. guineese em contato com o reativo de hidróxido de sódio apresentou coloração avermelhada, o que indica a presença de antraquinonas do tipo oxidada. As antraquinonas possuem propriedades laxativas e estimulantes da movimentação peristáltica [17].

Os glicosídeos cardiotônicos puderam ser identificados em extrato de P. Guineense quando este foi submetido ao reativo de Salkowski, devido ao surgimento de coloração amarelo claro. Os glicosídios cardiotônicos, são hoje armas obrigatórias no combate de certas doenças do coração [18].

A coloração marrom revela a presença de triterpenos na reação de Sakowski que identifica triterpenos e/ou esteróides. Sua utilização é amplamente difundida, sendo usado na medicina popular como analgésico cicatrizante e expectorante, na indústria de verniz, na calafetagem de embarcações e na fabricação de incenso [19].

Os resultados das análises histoquímicas encontram-se na tabela 2.

O resultado do teste para lipídios é positivo, para a cutícula que se espessa na borda da folha, bem como no conteúdo das cavidades secretoras, na região da nervura central. Plantas da família Myrtaceae possuem numerosos canais oleíferos, em toda a extensão do mesofilo [20].

O teste com lugol para amido apresenta reação negativa.

O reagente floroglucinol demonstra a presença de lignina na bainha do feixe vascular e no xilema, tanto da nervura central como nas nervuras do limbo. As ligninas enquadram-se entre as substâncias naturais mais abundantes da terra, ocupando cerca de 30% dos carbonos da biosfera [21].

A reação com cloreto férrico para fenólicos é positiva. Nas células da epiderme, na bainha do feixe vascular, nos tricomas tectores, no parênquima paliçádico e nas cavidades secretoras. Neste teste, simplificadamente, para detecção de fenóis simples, os orto-dihidroxifenóis complexam com o íon ferro, originando precipitados intensamente corados [22]. Os taninos foram identificados através de reação com vanilina clorídrica, apresentando coloração avermelhada bastante característica, na epiderme e nos tricomas.

Pode-se observar a presença de alcalóides na bainha do feixe vascular, na epiderme e no parênquima paliçádico através dos testes de Wagner e Ellram.

Na espécie Psidium guayava foram identificados compostos químicos da classe dos taninos e dos alcalóides, dentre outros [23].
Conclusão

Os testes fitoquímicos e histoquímicos possibilitaram a confirmação da presença de compostos secundários.


Referências Biblográficas

  1. VEIGA JUNIOR, V. F.; PINTO, A. C. 2005. Plantas medicinais: cura segura?. Química Nova. n.28, p.519-528.

  2. DONATO, A. M.; MORRETES, B. L. 2005. Estudo anatômico das folhas de Psidium widgrenianum Berg.(Myrtaceae), uma potencial espécie medicinal. Revista Brasileira de Farmacognosia. N.86, p.65-70.

  3. CHAGAS, A.C.S; PASSOS, W. M; PRATES, H. T; LEITE, R. C; FURLONG, F; FORTES, I. C. P. 2002. Efeito acaricida de óleos essenciais e concentrados emulsionavéis de Eucalyptus spp em Boophilus microplus. Brazilian Journal of Veterinary Research Animal Science. n.39, p.247-253.

  4. SIMÕES, C. M. O; SCHENKEL, E. P; GOSMANN, G; MELLO, J. C. P; MENTZ, L. A; PETROVICK. P. R. 1999. Farmacognosia: da planta ao medicamento.1102p.

  5. CECHINEL FILHO, V; YUNES, R. A.1998. Estratégias para a obtenção de compostos farmacologicamente ativos a partir de plantas

medicinais. Conceitos sobre modificação estrutural para otimização da atividade. Química Nova. . n. 21, p.99-105

  1. FANK-DE-CARVALHO, S. M; GRACIANO-RIBEIRO, D. 2005. Arquitetura, anatomiae histoquímica das folhas de Gomphrena arborescens L.F. (Amaranthaceae). Acta Botânica Brasileira. n.19, p.377-390.

  2. MOUCO, G.B.; BERNARDINO, M.J. & CORNÉLIO, M.L. 2003. Controle de qualidade de ervas medicinais. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento. n.31, p.68-73.

  3. BARBOSA, W. L. R. et al. 2001. Manual para Análise Fitoquímica e Cromatográfica de Extratos Vegetais. Belém, Universidade Federal do Pará. n. 4.

  4. PIETTA, P.G. 2000. Flavonoids as antioxidants. Journal of Natural Products. n.63, p.1035-1042.

  5. PANIZZA, S.; ROCHA, A. B.; GECCHI, R.; SOUZA, E. & SILVA, R. A. P. 1988. Strypnodendron barbadetiman (vellozo) martius: teor em tanino na casca e sua propriedade cicatrizante. Revista de Ciências Farmacêuticas, n.10, p.101-106.

  6. VERDI, L. G.; BRIGHENTE, I. M. C. & PIZZOLATTI, M. G. 2005. Gênero Baccharis (asteraceae): aspectos químicos, econômicos e biológicos. Quimica Nova, n. 28, p. 85-94.

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  9. NEAMATI, N.; HONG, H.; MAZUMDER, A.; WANG, S.; SUNDER, S.; NICKLAUS, M. C.; MILNE, G. W. A.; PROKSA, B. & POMMIER, Y. 1997. Depsides and Depsidones as Inhibitors of HIV-1 Integrase: Discovery of Novel Inhibitors through 3D Database Searching. J. Med. Chem. n.40, p.942–951.

  10. YAMAMOTO, Y.; MIURA, Y.; KINOSHITA, Y.; HIGUCHI M.; YAMADA, Y.; MURAKAMI, A.; OHIGASHI, H. & KOSHIMIZU K 1995. Screening of tissue culture and thalli of lichens and some of their active constituents for inhibition of tumor promoter-induced Epstein-Barr virus activation. Chem. Pharm. Bull. n.43, p.1388–1390.

  11. GOBBO-NETO, l.; LOPES, N. P. Plantas medicinais: fatores de influência no conteúdo de metabólitos secundários. 2007. Química Nova, n.30, p. 374 – 381.

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  13. MORS, W. Plantas medicinais. 1982. Revista Ciência Hoje, n.45, p. 14 – 19.

  14. MAIA, R. M.; BARBOSA, M. P. R.; CRUZ, F. G.; ROQUE, N. F.; FASCIO, M. Triterpenos da resina de Protium heptaphyllum March (Bourseraceae): caracterização em misturas binárias. 2000. Química Nova, n.23, p.623 – 626.

  15. ROSÁRIO, A. S.; SECCO, R. S. Sinopse das espécies de Marlierea Cambess. (Myrtaceae) na Amazônia brasileira 2006. Revista Acta Botânica, 36(1): 37 - 52.

  16. ABREU, H. S.; OERTEL, A. C. Estudo químico da lignina de Paullinia rubiginosa. 1999. Cerne, n.5, p.52-60.

  17. ASCENSÃO, L. Métodos histoquímicos em vegetais. 2004. UFV, 22P.

  18. MARTINEZ, L. M. J.; MOLINA, L. N.; BOUCOURT, T. E. Evaluación de la actividad antimicrobiana del Psidium guajava L. (guayaba). 1997. Revista Cubana de Plantas Medicinais, n.2, p. 12-14.


Tabela 1. Resultados das análises fitoquímicas da folha de P. guineense. Presença (+) e ausência (-) do constituinte químico.

Grupo Químico

Reativo

Folha

Taninos

Cloreto férrico

+

Solução de acetato de cobre

+

Acetato de chumbo e ácido acético glacial

+

Flavonóides

Shinoda

+

Hidróxido de sódio

+

Cloreto Cloreto de Alumínio

-

Alcalóides

Bourchardat

-

Bertrand

-

Mayer

-

Dragendorff

-

Saponinas

Saponina espumídica

+

Catequinas

Vanilina e ácido clorídrico

+

Depsídeos e depsidonas

Cloreto férrico

+

Antraquinonas

Borntrager

+

Glicosídeos Cardiotônicos

Salkowski

+

Triterpenos e/ou Esteróides

Salkowski

+


Tabela 2. Resultados das análises histoquímicas da folha P. guineense. O sinal (+) indica presença e (-) ausência do constituinte químico.

Grupo Químico

Reativo

Coloração

Resultado

Epiderme

Parênquima

Cavidades secretoras

Feixes Vasculares

Tricomas

Lipídios

Sudan-IV

vermelho

+

+


-

+

-

+

Amido

Lugol

verde

-

-

-

-

-

-

Lignina

Floroglucinol

rosa

+

-

-

-

+

-

Fenólicos

Cloreto férrico

negro

+

+

+

+

-

+

Taninos

Vanilina clorídrica

vermelho

+

+

-

-

-

+

Alcalóides

Ellram

laranja

+

+

+

-

-

-

Wagner

Castanho avermelhado

+

+

-

-

-

-



_______________

1. Estudante de graduação em Ciências Biológicas, Bolsista de Iniciação Científica PROBIC – UNIMONTES, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Estadual de Montes Claros.E-mail: cintiasorandra@yahoo.com.br

2. Estudante de mestrado em Ciências Biológicas, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Estadual de Montes Claros. E-mail:cintiagracie@yahoo.com.br

3. Estudante de graduação em Ciências Biológicas, UNIMONTES, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Estadual de Montes Claros. E-mail: peracio.bueno@gmail.com

4. Estudante de graduação em Ciências Biológicas, Bolsista de Iniciação Científica PROBIC – UNIMONTES, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Estadual de Montes Claros. E-mail

5. Professor do Departamento de Biologia Geral, Bolsista de Incentivo a Pesquisa e ao Desenvolvimento Tecnológico_ BIPDT/ FAPEMIG_ Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Estadual de Montes Claros. E-mail: dario.oliveira@unimontes.br



6. Professora Adjunta do Departamento de Biologia Geral, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Estadual de Montes Claros. E-mail: omercadante@hotmail.com



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