Ocorrência do zooplâncton gelatinoso (cnidaria: medusozoa: scyphozoa & ctenophora) em estuários do litoral cearense, ce-brasil ocurrence of Gelatinous Zooplankton




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OCORRÊNCIA DO ZOOPLÂNCTON GELATINOSO (CNIDARIA: MEDUSOZOA: SCYPHOZOA & CTENOPHORA) EM ESTUÁRIOS DO LITORAL CEARENSE, CE-BRASIL

Ocurrence of Gelatinous Zooplankton (Cnidaria: Medusozoa: Scyphozoa & Ctenophora) in estuaries from Ceará coast, CE-Brazil

Autores: Marcelo de Oliveira Soares ¹; André Carrara Morandini ²; Helena Matthews-Cascon ¹* &

Antônio Carlos Marques ²

Resumo
Estuários rasos são regiões costeiras semifechadas sujeitas tanto à água doce dos rios quanto às marés do mar. Devido à sua alta produtividade e aos locais de abrigo que oferecem aos organismos predados, os mangues e os estuários são áreas de alimentação importantes para as larvas e fases de vida de muitos peixes e invertebrados, inclusive de medusas e ctenofóros. O Zooplâncton gelatinoso é formado por medusas (Cnidaria: Medusozoa) além de Ctenóforos, Sifonóforos e Salpas sendo um importante constituinte para a dinâmica trófica do plâncton marinho e estuarino. O objetivo do trabalho consiste em registrar a ocorrência de ctenofóros (Ctenophora: Lobata) e medusas (Cnidaria: Scyphozoa) em estuários do litoral cearense. O material foi coletado no estuário do Jaguaribe em dezembro de 2003. Após a coleta foi levado ao Laboratório de Zoobentos sendo fixado em formol 4%. Também houve a análise da coleção de Cnidaria do LABOMAR (Laboratório de Ciências do Mar) de material oriundo do estuário do Rio Pacoti. Os resultados demonstram a presença da espécie Mnemiopsis leidyi A. Agassiz, 1860 (Ctenophora: Lobata) e da espécie Stomolophus meleagris L. Agassiz, 1862 (Cnidaria: Scyphozoa) no estuário do Rio Pacoti. No estuário do Rio Jaguaribe foi encontrado uma população de medusas da espécie Lychnorhiza lucerna Haeckel, 1880 sendo predominantemente formada de indivíduos jovens sugerindo recrutamento. A média e o desvio padrão do diâmetro da umbrela foram, respectivamente, 5,67 cm e 3,12 cm. Foram gerados dados morfológicos com o tamanho dos braços orais e diâmetro da umbrela. A ocorrência das medusas da espécie Lychnorhiza lucerna no estuário do Jaguaribe pode ser explicada pela alta salinidade do local (35 ppm) provocada pela baixa vazão do rio, acentuada pelo impacto ambiental das barragens ao largo do Jaguaribe, e o aporte de água salgada vinda do mar além da estação seca com baixa pluviosidade e alta evaporação. Fatores abióticos como temperatura, salinidade e pluviosidade regulam a ocorrência de medusas e ctenóforos.


Palavras-chave: Estuários, Zooplâncton, Medusas, Ctenóforos, Ocorrência
Abstract
Flat estuaries are coastal regions semiclosed citizens in such a way to the water candy of the rivers how much to the tides of the sea. Due to its high productivity and to the places of shelter that offer the pregiven organisms, the fens and the estuaries is important areas of feeding for the larvae and phases of life of many fish and invertebrates, also of jellyfishes and ctenophores. The gelatinous Zooplâncton is formed by jellyfishes (Cnidaria: Medusozoa) beyond Ctenóforos, Sifonóforos and Salpas being an important constituent for the trophics dynamics of marine and estuarine plankton. The objective of the work consists of registering the occurrence of ctenophores (Ctenophora: Lobata) and jellyfishes (Cnidaria: Scyphozoa) in estuaries from Ceará coast, Northeast of Brazil. The material was collected in the estuary of the Jaguaribe in December of 2003. After the collection was taken to the Laboratory of Zoobentos being settled in formol 4%. It had the analysis of the collection of Cnidaria of the LABOMAR (Laboratory of Sciences of the Sea) to register the occurrences from the estuary of Pacoti. The results demonstrate to the presence of the specie Mnemiopsis leidyi A.Agassiz, 1860 (Ctenophora: Lobata) and Stomolophus meleagris L. Agassiz, 1862 (Cnidaria: Scyphozoa) in the estuary of the River Pacoti. In the estuary of the River Jaguaribe was found a population of jellyfish of the specie Lychnorhiza lucerna Haeckel, 1880 being predominantly formed of young individuals suggesting conscription. The average and the standard deviation of the diameter of umbrela had been, respectively, 5,67 cm and 3,12 cm had been generated given morphologic as so great of the verbal arms and diameter of umbrela. The occurrence of the jellyfishes of the species Lychnorhiza lucerna in the estuary of the Jaguaribe can be explained by the high salinity of the place (35 ppm) provoked by low the outflow of the river, accented for the environment impact of the barrages along the Jaguaribe river, and it coming of the sea beyond the dry station with low rainfall and high evaporation . Abiotic factors as temperature, salinity and rainfall regulate the occurrence of jellyfishes and ctenophores.
Keywords: Estuaries, Zooplankton, Jellyfish, Ctenophores, Occurrence
1- Laboratório de Invertebrados Marinhos, Departamento de Biologia, Centro de Ciências, Campus do Pici, Universidade Federal do Ceará, C.P.D-3001, 60455-760, Fortaleza, CE, Brasil.

1*- Prof. Dra. Do Departamento de Biologia, Universidade Federal do Ceará

2- Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, C.P. 11461, 05422-970, São Paulo, SP, Brasil.

Introdução
Estuários rasos são regiões costeiras semifechadas sujeitas tanto à água doce dos rios quanto às marés do mar. Devido à sua alta produtividade e aos locais de abrigo que oferecem aos organismos predados, os mangues e os estuários são áreas de alimentação importantes para as larvas e fases de vida de muitos peixes e invertebrados, inclusive de medusas e ctenofóros (Dantas-Neto, 2001; Oliveira et al, 1988).

O Zooplâncton gelatinoso é formado por medusas de Hydrozoa, Scyphozoa e Cubozoa além de Ctenóforos, Sifonóforos e Salpas sendo um importante constituinte para a dinâmica trófica do plâncton marinho e estuarino (Shiganova e Bulgakova, 2000; Mianzan & Cornelius, 1999).

O filo Cnidaria é um grupo razoavelmente diverso que inclui as águas-vivas, anêmonas-do-mar, corais e as hidras com cerca de 11.000 espécies existentes (Brusca & Brusca, 2003). Apesar dessa diversidade, eles são relativamente animais simples caracterizados por possuirem nematocistos, muito provavelmente resultado de um ancestral comum (Collins, 2002).

Os ciclos de vida dos cnidários comumente incluem um estágio bentônico denominado pólipo e uma fase pelágica livre natante denominado medusa (Mianzan & Cornelius, 1999). Os cnidócitos tem diferentes funções de acordo com a morfologia; muitos possuem potentes toxinas (neurotoxinas ou hemolíticas) que são injetadas na presa ou no agressor através de filamentos ejetáveis depois de um estimulo químico ou mecânico (Haddad Jr. et al, 2002; Marques et al, 2002; Bonnet, 1999).

Cubozoa e Scyphozoa, classes de Cnidaria, incluem a maior parte dos grandes invertebrados marinhos (Buecher et al, 2001; Mianzan & Cornelius, 1999). Nessas classes, a fase pelágica de medusa é mais conspícua no ciclo de vida e a forma polipóide restringe -se a um estágio séssil e pequeno (Arai, 1997). As mudanças na biomassa de medusas tendem a ocorrer rapidamente promovendo um forte efeito na ecologia de comunidades pelágicas (Pitt & Kingsford, 2003; Segura-Puertas & Damas-Romero, 1997). Casos de envenenamentos em humanos por cnidários são um problema de saúde pública em muitas regiões do mundo, sendo geralmente causados pelas medusas (Hadda0d Jr., 2003; Haddad Jr. et al, 2002; Burnett & Calton, 1987). “Blooms” de medusas afetam muitas atividades econômicas humanas como o turismo, a pesca e várias indústrias costeiras (Purcell et al., 2001).

As medusas (Scyphozoa, Cubozoa) são importantes membros da comunidade pelágica. Elas são essencialmente carnívoras sendo capazes de consumir uma grande variedade de presas incluindo copépodes, pequenos crustáceos, ovos e larvas de peixe (Ballard & Myers, 2000;Mianzan & Cornelius, 1999; Duffy, 1997; Larson, 1967). A hipótese de Greve & Parson (1977) sobre a transferência de energia nas redes tróficas marinhas implica que são predadores de topo sendo comumente predadores ou presas de peixes e competindo por zooplâncton com diversas espécies de peixes (Brodeur et al, 1999; Arai, 1988;).

Ctenóforos constituem um filo de animais com simetria bilateral com cerca de 150 espécies distribuídas mundialmente. Eles são exclusivamente marinhos, planctônicos ou bentônicos, organismos solitários com planos corporais gelatinosos (Mianzan,1999; Ruppert, Fox & Barnes, 2004). Os ctenóforos ocorrem com altas biomassas em zonas costeiras e estuarinas com forte efeito no ecossistema pelágico (Gucu, 2002; Shiganova & Bulgakova, 2000;). Todos os ctenóforos são carnívoros sendo predadores vorazes de zooplâncton, alimentando-se de ovos e larvas de peixe e copépodes (Weisse et al, 2002; Ates, 1988). Mianzan (1999) em revisão para o atlântico sul observa que a fauna é muito pouco conhecida para esta região com cerca de 20 espécies. Otto & Migotto (2004) descrevem o ciclo de vida de Mnemiopsis maccradyi que é considerada sinônimo de Mnemiopsis leidyi.

Apesar da importância ecológica, econômica e de saúde pública das medusas e ctenóforos (Bengston et al, 1991; Ramasamy et al, 2003; Graham et al, 2003) existem poucos estudos no Brasil (Migotto et al, 2002; Migotto et al, 2003) e não existem estudos sobre a ocorrência desta porção do zooplâncton gelatinoso em regiões estuarinas no litoral cearense.




Objetivo
O objetivo desse estudo foi:

Registrar a ocorrência do zooplâncton gelatinoso (Cnidaria: Medusozoa: Scyphozoa & Ctenophora: Lobata) em estuários do litoral cearense, CE-Brasil


Material & Métodos
Área de Estudo

O Rio Pacoti é o maior dos cursos d’água que atravessam a região metropolitana de Fortaleza e abriga uma área de drenagem de 1.359,9 km², com um percurso de aproximadamente 150 km desde sua nascente, na Serra de Baturité, até a foz. O estuário do Rio Pacoti, definido em função dos níveis médios de penetração da maré e ocorrência da vegetação de mangue, abrange uma extensão de 16,4 km, entre um ponto próximo à cidade de Aquiraz e a desembocadura, a sudeste de Fortaleza. Neste trecho, o leito do rio apresenta característica granulométrica predominantemente areno-lodosa em função da elevada taxa de sedimentação e da presença de extensos cordões de dunas paralelos, em parte de seu percurso. Observações preliminares indicam que o estuário apresenta profundidades moderadas, inferiores a 5 metros (Oliveira et al, 1988).

A região estuarina do Rio Jaguaribe é composta por uma exuberante vegetação de mangue, limitada praticamente à margem direita do rio, já que a margem esquerda, onde se situa a sede da cidade de Fortim, é caracterizada pela ocupação urbana e pela ocorrência de ações antrópicas que já modificaram bastante a paisagem local. Alia-se a isto a especulação imobiliária nesta margem, que já ocasionou muitas vendas de casas de pescadores nativos para a construção de verdadeiras mansões, além da degradação ambiental causada pela derrubada de vegetação nativa (Dantas-Neto, 2001).

Atividades de Campo

Foram feitas coletas em dezembro de 2003 no estuário do Jaguaribe próximo a barragem de Itaiçaba através de coleta manual. Uma vez capturados e separados todos os animais com características de cnidários, identificados com uma chave de caráter morfológico artificial (todos os animais de aspecto gelatinoso, por exemplo), eles foram acondicionados em baldes já devidamente etiquetados. Foram feitas medições de salinidade através de refratômetro na região coletada.


Atividades em Laboratório e Consulta das Coleções Científicas


Os animais capturados foram levados ao laboratório e uma triagem primária foi feita com o intuito de separar os animais que pertençam a classe Scyphozoa. Uma vez separados dos demais, os animais da classe Scyphozoa foram submetidos às atividades de fixação e posterior identificação. Os animais vivos foram anestesiados com uma solução de 1:1 de água do mar e 7,5% de cloreto de magnésio antes de serem fixados. A fixação dos animais foi feita com formaldeído 4% em solução de água do mar. O material já depositado, de anos anteriores na Coleção de Cnidaria do Laboratório de Zoobentos-LABOMAR da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi analisado para obter mais dados sobre as espécies existentes na região no estuário do Rio Pacoti. Foram feitas fotografias dos animais in vivo e fixados, com o intuito de manter um registro das condições do animal quando vivo. Tais fotografias foram feitas com o uso de câmera digital (Nikon) livre ou acoplada a um microscópio estereoscópico.
Identificação e Catalogação

Os organismos foram identificados até o nível taxonômico específico utilizando-se trabalhos sobre os animais em estudo como Mianzan & Cornelius (1999), Cornelius (1997), Mianzan (1999) e Morandini & Ascher (submetido). O material foi incorporado as coleções Zoológicas do Laboratório de Invertebrados Marinhos do Departamento de Biologia, da Universidade Federal do Ceará e do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP).




Resultados e Discussões

Os resultados indicam a presença de 3 espécies do zooplâncton gelatinoso em estuários do litoral cearense. No estuário do Rio Pacoti foram encontradas as espécies de medusa Stomolophus meleagris L. Agassiz, 1862 e o ctenofóro Mnemiopsis leidyi A. Agassiz, 1862 sendo tais dados obtidos da coleção de Invertebrados do LABOMAR (Laboratório de Ciências do Mar). No estuário do Rio Jaguaribe foi encontrada uma população da espécie de medusa Lychnorhiza lucerna Haeckel, 1880 próximo a barragem de Itaiçaba.

Abaixo seguem-se informações taxonômicas, de distribuição e de biometria da população estuarina de Lychnorhiza lucerna:
Classe Scyphozoa Goette, 1887

Subclasse Discomedusae Haeckel, 1880

Ordem Rhizostomeae Cuvier, 1799

Família Lychnorhizidae Haeckel, 1880

Gênero Lychnorhiza Haeckel, 1880

Lychnorhiza lucerna Haeckel, 1880
Sinonímia em Kramp (1961)
Referências para o Brasil – Haeckel (1880); Vannucci (1951; 1954; 1957); Mianzan & Cornelius (1999); Silveira & Cornelius (2000); Migotto et al. (2002); Morandini et al. (submetido).

Ocorrência e comentários: A distribuição compreende a costa atlântica da América do Sul. A espécie é endêmica da América do Sul (Mianzan & Cornelius). Silveira & Cornelius (2000) e Morandini et al (submetido) discutem sobre materiais coletados no sul do Brasil e no Nordeste, respectivamente. A espécie é observada no litoral brasileiro, do nordeste ao sul, formando grandes agregados entre outubro e março (Morandini, 2003). Primeiro registro da espécie para o estado do Ceará, segundo Morandini et al (submetido).

Família Stomolophidae Haeckel, 1880

Gênero Stomolophus L. Agassiz, 1862

Stomolophus meleagris L. Agassiz 1862;

Sinonímia em Kramp (1961)


Referências.– Vannucci (1954; 1957); Mianzan & Cornelius (1999); Migotto et al. (2002); Morandini et al. (submetido).

Ocorrência e comentários: A distribuição compreende as costas atlântica e pacífica da América. Calder (1982;1983) descreveu o ciclo de vida da espécie em laboratório e comentou sobre os nematocistos nos diferentes estágios de vida. Bigelow (1914) reconheceu que todas as espécies do gênero devem ser consideradas meleagris. Os espécimes do litoral norte da América do Sul são consideradas uma variedade distinta (Stomolophus meleagris fritillaria), segundo Kramp (1955). Os exemplares estudados pertencem à variedade distinta. Soares et al (submetido) discutem sobre materiais coletados no Rio Grande do Norte. Primeiro registro da espécie para o estado do Ceará, segundo Morandini et al (submetido).
Filo Ctenophora Eschscholtz, 1829

Classe Tentaculata Mills, 1998


Ordem Lobata L. Agassiz, 1860


Família Bolinopsidae Bigelow, 1912

Gênero Mnemiopsis L. Agassiz, 1860



Mnemiopsis leidyi A . Agassiz, 1860
Sinonímia em Mianzan (1999)
Referência.- Mianzan (1999).
Ocorrência e comentários:
Mianzan (1999) comentam sobre a distribuição geográfica das espécies de Ctenophora no Atlântico Sul. A distribuição de Mnemiopsis leidyi compreende o sul da América do Sul (litoral sul da Argentina na porção atlântica) e há dúvidas quanto a distribuição no norte do Continente. Mnemiopsis maccradyi é considerada sinônimo de Mnemiopsis leidyi segundo Seravin (1994) e Mianzan (1999).
N
o estuário do Rio Jaguaribe foi encontrado uma população de medusas da espécie Lychnorhiza lucerna Haeckel, 1880 sendo predominantemente formada de indivíduos jovens sugerindo recrutamento (ver tabelas 3 e 4). A média e o desvio padrão do diâmetro da umbrela foram, respectivamente, 5,67 cm e 3,12 cm (Tabela 1 e 2). Foram gerados dados morfológicos como tamanho dos braços orais e diâmetro da umbrela. A ocorrência das medusas da espécie Lychnorhiza lucerna no estuário do Jaguaribe pode ser explicada pela alta salinidade do local (35 ppm) provocada pela baixa vazão do rio, acentuada pelo impacto ambiental das barragens ao largo do Jaguaribe, o aporte de água salgada vinda do mar e a estação seca que devido ter como características a baixa pluviosidade e a alta taxa de evaporação modifica as propriedades físico-químicas de salinidade estuarina.
Tabela 1. Biometria (diâmetro da umbrela e braços orais) da população estuarina de Lychnorhiza lucerna

Tabela 2. Gráfico de linha para os dados morfológicos da população estuarina de Lychnorhiza



lucerna.

Tabela 3. Histograma da distribuição de freqüência do diâmetro da umbrela da população

estuarina de Lychnorhiza lucerna.

Tabela 4. Histograma da distribuição de freqüência dos braços orais da população estuarina

de Lychnorhiza lucerna
Kraeuter (1975) estudando uma população de Chiropsalmus quadrumanus no estuário da Geórgia demonstrou uma ocorrência associada a altas salinidades. Kraeuter (1975); Haddad & Nogueira (2004) & Barnes (1966) observaram o aparecimento de um maior número de medusas de Cubozoa com a estação do verão.

Morandini (2003) estudando populações de Chrysaora lactea e Lychnorhiza lucerna no sistema estuarino-lagunar de Cananéia (SP) observa uma grande variação interanual na ocorrência, número de indivíduos e diâmetro umbrelar, com as espécies ocorrendo em todas as estações do ano. O recrutamento ocorre na primavera devido à presença de um elevado número de indivíduos de pequeno tamanho umbrelar estando normalmente associado a um aumento da temperatura e ligeiro decréscimo da salinidade.

Diversos autores (Morandini, 2003; Kraeuter, 1975; Barnes, 1966; Pitt & Kingsford, 2003; Grondahl, 1988; Arai, 1997; Buecher, 2001) observaram fatores abióticos como aumento da temperatura ambiental e ligeira queda da salinidade como fatores que influenciam no aparecimento das espécies de Scyphozoa e Cubozoa. A abundância das espécies pode também estar correlacionada com a abundância de alimento no período de maior produtividade no ecossistema com altas biomassas de zooplâncton, inclusive de medusas (Segura-Puertas & Damas-Romero, 1997; Arai, 1997; Mutiu, 2001 & Graham, 2001).
Conclusões
Registrou-se a ocorrência das espécies de medusa Lychnorhiza lucerna e Stomolophus meleagris e do ctenóforo Mnemiopsis leidyi nos estuários do Rio Pacoti e Jaguaribe do litoral cearense, CE-Brasil.

Agradecimentos

Marcelo de Oliveira Soares agradece ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) pela concessão de bolsa e por possibilitar a realização do presente trabalho. André Carrara Morandini agradece à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP 99/ 05374 -7) pela concessão de bolsa.



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