"Habemus papam!"




Дата канвертавання21.04.2016
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"HABEMUS PAPAM!"

Por: Maria Clara Lucchetti Bingemer


Não se pode negar que as primeiras reações foram de espanto e perplexidade.  Muitos de nós, boa parte dos católicos, não esperava ver no balcão do Vaticano, revestido das vestes papais, o ex-cardeal Joseph Ratzinger.  Por sua idade um tanto avançada, por seu perfil de intelectual e teólogo, enfim por muitas razões, não acreditávamos que a escolha do colégio cardinalício recaísse sobre seu nome. E no entanto assim foi. Joseph Ratzinger, aliás Bento XVI é o novo Papa, o bispo de Roma, o Pastor Supremo da Igreja Católica, a figura para a qual agora o mundo inteiro se volta e que se encontra sob os holofotes da mídia, dos chefes de estado e do mundo católico e religioso, endente de cada palavra sua. À perplexidade, se junta a inquietação e sobretudo as especulações.

Tratar-se-ia de um pontificado de transição?  Sem conseguir fechar consensos em torno de outro nome teriam os cardeais optado pelo nome do mais fiel e próximo colaborador de João Paulo II a fim de assegurar uma continuidade para seu longo e marcante pontificado? Parece-me que todas essas suposições não levam a grande coisa.  Em qualquer começo impõe-se uma atitude positiva e aberta, enquanto se espera que o recém-chegado se manifeste e deixe claro o que pretende fazer em sua nova missão.  E Bento XVI já começou a fazer  isso.

Em sua primeira mensagem à multidão reunida na Praça de São Pedro, exaltou a figura de seu predecessor e deixou  aflorar sua emoção e perplexidade pelo fato de seus irmãos cardeais terem feito recair sua escolha sobre ele, um "humilde trabalhador da vinha do Senhor".  Esta declaração dá um certo animo a quem a escuta.  Encerra, na sua simplicidade, todo um programa.  Um Papa que se apresenta como um "humilde trabalhador da vinha do Senhor" está declarando que se coloca na atitude de servidor.  Aliás, este é um dos títulos aplicáveis ao Sumo Pontífice: Servo dos Servos de Deus.  Isso é chamado a ser aquele que é colocado à frente do rebanho de Cristo: um trabalhador, um servo. Fiel ao desejo do próprio Mestre que uma e muitas vezes diz no Evangelho que só há um mestre na terra e um Pai no céu.  Todos, portanto, não importa o cargo que ocupem, são discípulos e servidores.  Essa é sua  identidade e sua missão. No dia seguinte a sua eleição, Bento XVI fez sua primeira homilia.  Nela também podemos encontrar  sinais do que será sua atuação como Papa.  Apesar da ênfase sobre o desejo primordial de reconstituir a unidade da Igreja, que é sua meta principal desde muitos anos à frente da Sagrada Congregação para a doutrina da fé, o Papa se detém longamente sobre o ecumenismo e o diálogo com toda a família humana.

Como segundo grande objetivo de seu pontificado, o Papa declara seu desejo profundo e prioritário de trabalhar sem economizar energias para reconstituir a unidade plena e visível dos cristãos de todas as confissões.  Declara ser esta sua ambição e seu urgente dever. E vai mais além.  Declara estar consciente de que para isso não bastam manifestações epidérmicas de bons sentimentos, sendo necessários gestos concretos que penetrem os espíritos, movam as consciências, e levem à conversão, purificando a memória e superando as feridas do passado.

Deve conhecer bem, e de perto, essas feridas e essas dificuldades o recém eleito Papa.  Alemão da Baviera, deve ter sido testemunha ocular em sua terra natal da tristeza que são os embates entre católicos e protestantes e o dano que isto faz à vivência do Evangelho .  Por isso, merece credibilidade  sua declaração de que "está plenamente determinado a cultivar toda iniciativa que possa parecer oportuna para promover contatos e o entendimento com os representantes das diferentes igrejas e comunidades eclesiais." Seu desejo expresso de dialogar com a família humana como um todo, dizendo expressamente desejar dirigir-se a todos, "também aos que seguem outras religiões ou que simplesmente buscam uma resposta às perguntas fundamentais da existência e ainda não a encontraram"  alarga ainda mais o alcance desta primeira declaração do Papa Bento XVI.

Há ainda um novo aspecto da história e da pessoa do novo Papa que não pode ser esqueido.  Para aqueles que, como eu, estudaram teologia nos anos 70, o nome de Joseph Ratzinger era uma constante presença nos textos e livros com os quais aprendíamos os diferentes tratados ou disciplinas teológicas.  Seu belíssimo livro "Introdução ao Cristianismo", um profundo comentário teológico sobre o Credo marcou meu estudo do tratado de Deus Uno e Trino.  Assim também seu outro livro, "O novo povo de Deus" foi meu manual de curso ao estudar o tratado de Eclesiologia. Não se restringem apenas a estes títulos, evidentemente, as obras do teólogo Joseph Ratzinger.  São inúmeros livros, artigos, textos que refletem uma teologia sólida, que recolhe o melhor do Concílio Vaticano II  com uma beleza e clareza de estilo raramente encontrada entre os de sua geração na teologia européia. Não foi portanto sem surpresa que ouvi seu nome anunciado pelo cardeal Medina como o novo Papa.  Sempre pensei no atual Papa como um intelectual que punha ao serviço da Igreja sua inteligência e a formação recebida para construir uma reflexão teológica.  Um pesquisador, um pensador, essa era a imagem que eu tinha do Cardeal Ratzinger.

Depois acompanhei seu desempenho à frente da Sagrada congregação para a Doutrina da fé. Assisti seus embates com teólogos da América Latina, Ásia e alhures, na preocupação da defesa da pureza da  doutrina.  Li também os documentos que produziu como prefeito dacongregação.  Destacaria "Sobre alguns pontos da meditação cristã", do ano 1989, sobre a oração, e a tão discutida "Dominus Iesus", do ano 2000. Apesar dos sentimentos que provocaram estes documentos e outros emanados de seu pensamento, ali estava, em plena atividade, o teólogo, ou seja, aquele que recolhe o dado revelado e procura pensá-lo em total fidelidade à revelação e à tradição da Igreja. Agora, enquanto o ouvia dirigir suas primeiras palavra aos fiéis ali reunidos, procurava vê-lo sob novo prisma, revestido de sua nova identidade: a de Papa Bento XVI, Pastor Supremo da Igreja Católica, responsável pelos muitos milhões de católicos do mundo inteiro.  Via os olhares da humanidade inteira, de oriente a ocidente voltados sobre sua pessoa e enquanto me acostumava a ver revestido das vestes brancas papais o não mais Cardeal Joseph Ratzinger, mas sim Papa Bento XVI, chefe da minha Igreja, sondava meu coração e as expectativas que tinha sobre seu pontificado. Evidentemente um papa teólogo é uma garantia de ter à frente da Igreja alguém inteligente, pensante e ciente dos desafios e pontos críticos com os quais a teologia deve dialogar hoje. Linguagem posterior à da revelação e da fé , a teologia é palavra humana aderente e aderida à Palavra de Deus, devendo expressar nas diferentes culturas e situações o que Deus está dizendo hoje aos homens e mulheres de hoje. Neste sentido, o desafio de Bento XVI, o papa teólogo, é imenso.  Como pontífice, recebe um mundo marcado pela pluralidade e pelas aceleradas mutações. Certamente não deixará de pensar sobre elas como teólogo, mas é agora chamado a faze-lo sobretudo como pastor.  E como pastor, seu foco sobre as questões doutrinárias será necessariamente diferente, uma vez que não estará mais dialogando apenas  com seus pares, mas com todo tipo de pessoas; sua atitude deverá ser outra, uma vez que, além de pensar, agora é sobretudo chamado a velar com paternal solicitude sobre todo o rebanho do Senhor que lhe foi confiado pelo colégio dos cardeais. Por isso, diante do papa teólogo, passada a primeira perplexidade, creio que a atitude correta é a esperança. Esperemos que de seu pontificado brotem frutos de tempos mais risonhos para o exercício da teologia, tão importante hoje para alimentar a fé e a esperança do povo de Deus.



Sua inteligência e cultura inegáveis poderão fazer com que, se realmente se empenha para tal, promova um real e fecundo diálogo com a ciência contemporânea e com a pluralidade das tradições religiosas. Confiando no Espírito, que distribui suas graças segundo as necessidades de cada ministério, esperamos que Bento XVI ponha em prática suas boas e explícitas intenções.  Habemus Papam!


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