Efeito de reguladores vegetais na qualidade fisiológica de sementes de crambe




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Efeito de reguladores vegetais na qualidade fisiológica de sementes de crambe
Giovana Scalcon Fernandes(PIBIC/Ações Afirmativas/Fundação Araucária/Unioeste), Nayara Parisoto Boiago, Carlos Henrique de Oliveira Paz, Leonardo Henrique Rota, Silvia Renata Machado Coelho (Orientadora), e-mail: giovanafscalcon@gmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas/Cascavel, PR
Grande área e área: Ciências Agrárias - Engenharia Agrícola
Palavras-chave: Crambe abyssinica Hochst, condutividade elétrica, germinação.
Resumo
O presente trabalho objetivou avaliar o efeito da aplicação de diferentes reguladores vegetais na qualidade fisiológica das sementes produzidas pela cultura do crambe. O experimento foi desenvolvido com quatro tratamentos: 1) testemunha (água destilada); 2) IAA - ácido indol-3-acético (100 mg L-1); 3) GA3 - ácido giberélico P.A. (100 mg L-1) e 4) Stimulate® - cinetina + GA3 + ácido 4-indol-3-ilbutírico (9 mL L-1). Os parâmetros avaliados foram teor de água, a porcentagem e índice de velocidade de germinação e a condutividade elétrica de sementes de crambe. A aplicação de Stimulate® nas plantas de crambe aumentou a qualidade fisiológica das sementes produzidas segundo o observado no teste de germinação, sem alterar a integridade das membranas celulares.
Introdução
A auxina, giberelina e a citocinina são reguladores vegetais produzidos pelas plantas ou seus análogos sintéticos (Dantas et al., 2012) que, quando aplicados, afetam diretamente os processos morfofisiológicos das plantas (Giannakoula et al., 2012). Nesse contexto, a qualidade fisiológica das sementes cultivadas com a aplicação de reguladores vegetais pode ser alterada.

O Crambe abyssinica Hochst. é uma oleaginosa pertencente à família Brassicacea, a mesma da colza e canola (Souza et al., 2009), cujo óleo é visado industrialmente para a fabricação de películas plásticos, lubrificantes e biocombustíveis (Li et al., 2011; Lalas et al., 2012). Porém, o crambe ainda é considerado uma cultura relativamente nova no cenário agrícola (Pitol et al., 2010).

Considerando que o uso de sementes com potencial fisiológico elevado é fundamental para obtenção de resultados satisfatórios na produção de culturas de expressão econômicas (Binotti et al., 2008), objetivou-se avaliar a qualidade fisiológica de sementes de crambe cultivado com aplicação de diferentes reguladores vegetais.

Materiais e Métodos
O projeto foi desenvolvido no Laboratório de Controle de Qualidade de Produtos Agrícolas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), campus Cascavel – Paraná. O cultivo das plantas de crambe cultivar FMS Brilhante foi conduzido em delineamento de blocos casualizados com parcelas e quatro repetições por tratamento, nos meses de abril a agosto de 2014. Na transição do estádio vegetativo para a floração, aplicou-se 2 litros de solução/parcela sendo quatro diferentes tratamentos: 1) testemunha (água destilada); 2) IAA - ácido indol-3-acético (100 mg L-1); 3) GA3 - ácido giberélico P.A. (100 mg L-1) e 4) Stimulate® - cinetina + GA3 + ácido 4-indol-3-ilbutírico (9 mL L-1).

As sementes foram colhidas manualmente, levadas para o laboratório e beneficiadas. As análises laboratoriais foram realizadas em triplicata. O teor de água foi avaliado pelo método de estufa de secagem à 105 ± 3°C por 24 horas e expresso em porcentagem. Para o teste de germinação foram utilizadas 25 sementes por replicata em placas de Petri com 2 folhas de papel filtro e água destilada, acondicionadas em câmara de germinação do tipo B.O.D. à 20°C, fotoperíodo de 12 horas. As avaliações foram diárias e calculou-se a porcentagem de germinação e o índice de velocidade de germinação (IVG).

Para aferir a condutividade elétrica, utilizou-se condutivimetro de bancada e 50 sementes/replicata foram imersas em 75 mL de água por 24 horas, a 20°C. Os dados foram expressos em mS cm-1 g-1.

Os dados foram analisados quanto à homocedasticidade pelo teste Anderson-Darling (p>0,05). As médias foram submetidas à análise de variância e comparadas pelo teste Tukey, 5% de propabilidade.


Resultados e Discussão
O teor de água das sementes de crambe não diferiu estatisticamente entre os tratamentos, com média de 6,38% (Tabela 1). Observa-se que a porcentagem de germinação das sementes cultivadas com o regulador vegetal Stimulate® foi estatisticamente maior em relação a testumunha, enquanto a aplicação dos reguladores IAA e GA não diferiram estatisticamente da testemunha. O mesmo foi observado para as médias de índice de velocidade de germinação. Os resultados de teor de água obtidos Amaro et al. (2014) são semelhantes aos desse trabalho, porém esses autores observaram 42% de germinação.

O efeito da combinação de auxina, citocinina e giberelina do bioregulador Stimulate® na qualidade fisiológica das sementes de crambe pode ser explicado pela atuação dessas substâncias no metabolismo vegetal, regulando os eventos morfofisiológicos de diversos órgãos das plantas como, por exemplo, a formação de sementes (Santos, 2004).


Tabela 1. Teor de água (A%), porcentagem de germinação (G%), índice de velocidade de germinação (IVG), condutividade elétrica (C.E.) de sementes de crambe cultivado com diferentes reguladores vegetais. Cascavel – PR, 2015.

Tratamentos

A%

G%

IVG

C.E.

mS cm-1 g-1

Testemunha

6,00ns

47,67 b

4,48 b

94,01 ab

Ácido Indol-3-acético (IAA)

6,42

55,33 ab

5,05 ab

84,72 b

Ácido Giberélico P.A. (GA)

6,15

47,33 b

4,25 b

104,07 a

Stimulate®

6,94

66,67 a

6,29 a

99,51 a

Média

6,38

54,24

5,019

90,60

Teste “F”

ns

0,004

0,011

0,005

Médias seguidas da mesma letra na vertical não diferem estatisticamente entre si pelo teste Tukey, 5% de probabilidade.

ns – não significativo pelo teste Tukey, 5%de probabilidade



A menor condutividade elétrica foi observada para o tratamento de IAA, diferindo estatisticamente das médias dos reguladores GA e Stimulate®. Porém, estas não diferem da testemunha. O teste de condutividade elétrica avalia o grau de deterioração das membranas celulares das sementes sendo que quanto menor a quantidade de eletrôdos lixiviados, maior será a qualidade do lote de sementes (Vieira & Krzyzanowski, 1999). Assim, observa-se que a aplicação dos reguladores vegetais na produção de sementes de crambe não afetou a integridade da membrana celular dessas. Esses valores são consideravelmente inferiores aos apresentados em outros trabalhos (Bessa et al., 2015).
Conclusões
As sementes de crambe produzidas com a aplicação do biorregulador Stimulate® apresentaram melhor qualidade fisiológica perante teste de germinação. Não houve efeito dos reguladores vegetais na estruturação dos sistemas de membranas.
Agradecimentos
Os autores agradecem ao auxílio financeiro da Fundação Araucária.
Referências
Amaro, H.T.R., David, A.M.S.S., Silva Neta, I.C., Assis, M.O., Araújo, E.F., Araújo, R.F. (2014). Teste de envelhecimento acelerado em sementes de crambe (Crambe abyssinica Hochst), cultivar FMS Brilhante. Revista Ceres 61(2), 202-208.
Bessa, J.F.V., Donadon, J.R., Resende, O., Alves, R.M.V., Sales, J.F., Costa, L.M. (2015). Armazenamento do crambe em diferentes embalagens e ambientes: Parte I – Qualidade fisiológica. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental 19(3), 224-230.
Binotti, F.F.S., Haga, K.I., Cardoso, E.D., Alves, C.Z., Sá, M.E. & Arf, O. (2008). Efeito do período de envelhecimento acelerado no teste de condutividade elétrica e na qualidade fisiológica de sementes de feijão. Acta Scientia Agronomum 30(2), 247-254.
Dantas, A.C.V.L., Queiroz, J.M.O., Vieira, E.L. & Almeida, V.O. (2012). Effect of gibberellic acid and the biostimulant Stimulate on the initial growth of tamarind. Revista Brasileira de Fruticultura 34(1).
Giannakoula, A.E., Ilias, I.F., Maksimovic, J.J.D., Maksimovic, V.M. & Zivanovic, B.D. (2012). The effects of plant growth regulators on growth, yield and phenolic profile of lentil plants. Journal of Food Composition and Analysis 28, 46-53.
Lalas, S., Gortzi, O.; Athanasiadis, V.; Dourtoglou, E. & Dourtoglou, V. (2012). Full characterisation of Crambe abyssinica Hochst. seed oil. Journal of the American Oil Chemists’ Society 89, 2253-2258.
Li, X., Ahlman, A. & Lindgren, H. (2011). Highly efficient in vitro regeneration of the industrial oilseed crop Crambe abyssinica. Industrial Crops and Products 33, 170-175
Pitol, C., Brochi, D.L. & Roscoe, R. (2010). Tecnologia e produção: crambe 2010. Maracaju: Fundação MS. 60p.
Souza, A.D.V., Favaro, S.P., Ítavo, L.C. & Roscoe, R. (2009). Caracterização química de sementes e tortas de pinhão-manso, naboforrageiro e crambe. Pesquisa Agropecuária Brasileira 44, p. 1328-1335.
Santos, C.M.G. (2004). Ação de bioestimulante na germinação de sementes, vigor de plântulas e crescimento do algodoeiro. Dissertação de Mestrado em Ciências Agrárias, Escola de Agronomia, Universidade Federal da Bahia.
Vieira, R.D. & Krzyzanowski, F.C. (1999). Teste de condutividade elétrica. In Rzyzanowski, F.C., Vieira, R.D.; França Neto J.B. (Ed.) Vigor de sementes: Conceitos e testes. Londrina: ABRATES.




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