Associação da arruda com alface em dois arranjos de plantas




Дата канвертавання26.04.2016
Памер52.09 Kb.

16 Workshop de Plantas Medicinais do Mato Grosso do Sul

Associação da arruda com alface em dois arranjos de plantas
Dayane Gonzaga Moreira1; Sergilaine de Matos da Silva1; Maria do Carmo Vieira2; Néstor Antonio Heredia Zárate2; José Hortêncio Mota3; Gracyely P. de Carvalho4

1Mestranda em Biologia Geral/Bioprospecção, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais, UFGD, Dourados – MS; 2Professores UFGD, Bolsistas de Produtividade em Pesquisa CNPq; 3Engenheiro Agrônomo; 4Bióloga. E-mail: day-gonzaga@hotmail.com
RESUMO
A associação/consorciação de culturas é um sistema de cultivo em que se procuram maximizar os lucros, buscando melhor aproveitamento dos insumos e da mão-de-obra, em capinas, aplicações de defensivos e outros tratos culturais. O objetivo deste trabalho foi estudar a produção da arruda (Ruta graveolens L.), e da alface (Lactuca sativa L.) ´Verônica’ em cultivo solteiro e consorciado. Foram constituídos os seis tratamentos: três fileiras de arruda, duas fileiras de arruda, quatro fileiras de alface, três fileiras de alface, três fileiras de arruda alternadas com quatro fileiras de alface, duas fileiras de arruda alternadas com três fileiras de alface. O delineamento experimental utilizado foi blocos casualizados, com quatro repetições. As plantas de arruda foram colhidas inteiras, no início dos florescimentos, o que ocorreu aos 165 e 210 dias após o transplante. A alface foi colhida aos 60 dias após o transplante. As alturas das plantas da arruda apresentaram o crescimento variado, em função dos tratamentos, atingiram cerca de 50 cm de altura aos 210 dias após o transplante. As produções de massas frescas e secas das folhas da arruda (média de 490 e 146 g 3 m-2, respectivamente) não foram influenciadas pelo consórcio nem pelo arranjo em duas ou três fileiras no canteiro. A produção de massa fresca das cabeças da alface foi maior no cultivo solteiro (2809,80 g 3m-2, comparados com 1210,46 g m2, respectivamente), mas não foi influenciada pelo arranjo em três ou quatro fileiras de plantas no canteiro. Considerando a razão de área equivalente de 1,87, conclui-se que para o produtor de arruda, é viável consorciá-la com alface.
Palavras-chave: Ruta graveolens L., Lactuca sativa L., associação de culturas

INTRODUÇÃO


A arruda (Ruta graveolens L.) possui cerca de 0,15% de óleo essencial, especialmente, em folhas e flores. Os principais princípios ativos são: rutina, metilnonilcetona (cerca de 80 a 90% do óleo essencial), bergapteno, xantotoxina e psoraleno. Segundo Correa (1974), à rutina são atribuídas, em grande parte, as múltiplas atividades medicinais da planta, dentre elas, a capacidade de proteger o endotélio capilar e reduzir os níveis de triacilglicerol, além de apresentar características antioxidantes e de grande aceptora de radicais livres. (FONT QUER, 1993; KOSTOVA et al., 1999; BERNARDO et al., 2000).

A alface (Lactuca sativa L.) é uma hortaliça com propriedades medicinais, suas folhas são laxante, diurética, depurativa, calmante, vitaminizante e desintoxicante, sendo indicada nos casos de afecções dos rins, enfermidades das vias urinárias, dismenorréia, hemorróidas, bócio exoftálmico, enfermidades da pele, anemia (simples e permiciosa), prisão de ventre, gastralgia, reumatismo, tosse, bronquite, etc. (BALBACH,1993). A faixa de temperatura ótima para a produção varia de 7 a 240C (PAULA JÚNIOR e VENZON, 2007).

A associação/consorciação de culturas produz alimentos de maneira competitiva e sustentável, com maior produtividade, qualidade e lucratividade e com um mínimo de impacto ao meio ambiente, diminuindo os riscos e as incertezas do setor agrícola (DAREZZO et al., 2004). A avaliação do consórcio é feita utilizando a Razão de Área Equivalente (RAE), sendo o consórcio considerado eficiente quando a RAE é maior que 1,00 (CAETANO et al., 1999).

O objetivo deste trabalho foi estudar a produção da arruda e da alface em cultivo solteiro e consorciado.


MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi desenvolvido no Horto de Plantas Medicinais, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no período de setembro de 2004 a setembro de 2005. Foram estudadas a arruda (Ruta graveolens L.) em cultivo solteiro e consorciado com a alface (Lactuca sativa L.) ´Verônica´, constituindo-se seis tratamentos, da seguinte forma: três fileiras de arruda (A3), duas fileiras de arruda (A2), quatro fileiras de alface (Al4), três fileiras de alface (Al3), três fileiras de arruda alternadas com quatro fileiras de alface (A3Al4), duas fileiras de arruda alternadas com três fileiras de alface (A2Al3). Os tratamentos foram dispostos no delineamento experimental blocos casualizados, com quatro repetições.

Durante o ciclo de cultivo, foram medidas as alturas de todas as plantas de arruda das parcelas, a cada 15 dias, a partir de 60 até 210 dias após o transplante. As plantas foram colhidas inteiras, no início dos florescimentos, o que ocorreu aos 165 e 210 dias após o transplante. Foram avaliadas as massas frescas e secas das partes aéreas das plantas. A alface foi colhida aos 60 dias após o transplante, quando foram avaliadas as massas frescas e secas das cabeças comercializáveis e não-comercializáveis, além do diâmetro e altura.

Às médias dos dados de altura de plantas de arruda foram ajustadas as equações de regressão. Os outros dados foram submetidos à análise de variância, até 5% de probabilidade (RIBEIRO JÚNIOR, 2001).


RESULTADOS E DISCUSSÃO

As plantas da arruda cresceram em geral linearmente no período em estudo e as alturas variaram pouco em função dos tratamentos, demonstrando que prevaleceu o efeito do componente genético característico da espécie (Figura 1).

As produções de massas frescas e secas das folhas da arruda não foram influenciadas pelo consórcio nem pelo arranjo em duas ou três fileiras no canteiro (Quadro 1). O fato de não ter ocorrido redução da produção sob consórcio provavelmente esteja relacionado com a manutenção da eficiência na absorção e/ou, no uso da água, dos nutrientes e do dióxido de carbono (CO2 ), já que, na maioria das culturas consorciadas é notada redução de produtividade (SILVA, 1983). No consórcio da arruda (A) com cenoura (C), observou-se que não houve diferença significativa na produção da arruda no cultivo solteiro e consorciado (VIEIRA et al.,2005).

A maior produção da alface sob cultivo solteiro (Quadro 2) confirma a citação de Silva (1983) de que, sob consórcio, a produção é menor (SULLIVAN, 2003). Os diâmetros e os comprimentos das cabeças das alfaces não foram influenciados pelos tratamentos. As RAEs para os consórcios arruda e alface arruda e alface (A2Alf3 = 1,23 e A3Alf4 = 1,87) tiveram valores maior que 1,0 (Quadro 3), indicando que os consórcios foram efetivos. Considerando a maior produção do consórcio concluiu-se que, para o produtor de arruda, é viável seu consórcio com alface, mas para o produtor de alface, é melhor cultivá-la solteira, por causa da menor produção sob consórcio.


REFERÊNCIAS
BALBACH, A. As hortaliças na medicina natural. 1. ed. rev. e ampl. Itaquaquecetuba-SP: Missionária. 1993. 221 p.
BERNARDO, L. C.; OLIVEIRA, M. B. N.; MOURA, R. S.; FILHO, M. B. Estudo da marcação do flavonóide rutina com tecnécio-99m. In: SIMPÓSIO DE PLANTAS MEDICINAIS DO BRASIL, 16, Recife, 2000. Livro de Resumos... Recife: SBPM.
CAETANO, L.C.S.; FERREIRA, J.M.; ARAÚJO, M. de. Produtividade da alface e cenoura em sistema de consorciação. Horticultura Brasileira, v. 17, n. 2, 143-146 p, 1999.
DAREZZO, R. J.; AGUIAR, R. L.; AGUILERA, G. A. H.; ROZANE, D. E.; SILVA, D. J. H. Cultivo em ambiente protegido: histórico, tecnologias e perspectivas. Viçosa: DFT, 2004. p. 195-196.
FONT QUER, P. Plantas medicinales: el dioscórides renovado. Espanha: Editorial Labor S.A. 3v., 1993.152 p.
KOSTOVA, I.; IVANOVA, A.; MIKHOVA, B.; KLAIBER, I. Alkaloids and coumarins from Ruta graveolens. Monatshefte fur chemie, v. 130, n.5, p.703-707, 1999.
PAULA JÚNIOR, T. J. P.; VENZON, M. Culturas: manual de tecnologias agrícolas. Belo Horizonte: EPAMIG, 2007. 53-54p.
RIBEIRO JÚNIOR, J.I. Análises estatísticas no SAEG. Viçosa: UFV, 2001. 301 p.
SILVA, N. F. Da. Consórcio de hortaliças. In: HEREDIA, M. C. V. de; CASALI. V. W. D. (Coord.). Seminário de Olericultura. Viçosa: UFV, v.7, p.01-19, 1983.
SULLIVAN, P. Intercropping principles and production practices. 1998. Site: Apropriate Technology Transfer for Rural Areas-ATTRA. Disponível em http://www;.attra.org./attra-pub/intercrop.htm#abstract.Acesso em Ago 2003.
VIEIRA, M.C.; HEREDIA Z., N.A.; MOTA, J.H.; MOREIRA. D.G.; CARVALHO, G. P.; KODAMA, L. Produção de arruda e cenoura em cultivo solteiro e consorciado sob diferentes arranjos de plantas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 54, 2005, Brasília. Horticultura Brasileira, v. 23, n. 2, jul. 2005. Suplemento, CD ROM.



FIGURA 1- Altura de plantas de arruda cultivadas solteiras ou consorciadas com alface, em duas ou três fileiras no canteiro.

Quadro 1.- Produções de massas frescas e secas das folhas da arruda, em cultivo solteiro e em consórcio com alface, sob duas ou três fileiras no canteiro. UFMS, Dourados, 2004.


Fator




Massa fresca (g 3m-2)

Massa fresca das folhas

Massa seca das folhas

Arranjo de plantas


Solteiro




469,21 a

134,13 a

Consórcio

509,99 a

158,34 a

Fileiras no canteiro

Três




493,66 a

141,51 a

Quatro

485,54 a

150,95 a

C.V. (%)

33,52

32,49

Médias seguidas pelas mesmas letras, nas colunas, não diferem, pelo teste F, a 5% de probabilidade.

Quadro 2.- Produções de massas frescas e secas e diâmetros e comprimentos de cabeças de alface, em cultivo solteiro ou consorciado com a arruda, sob três ou quatro fileiras no canteiro. UFMS, Dourados, 2004.


Fator




Massa das cabeças

(g 3m-2)

Cabeça (cm)

Massa fresca

Massa seca


Diâmetro

Comprimento

Arranjo de plantas

Solteiro




2809,80 a

245,28 a

25,35 a

13,61 a

Consórcio

1210,46 b

86,77 b

24,53 a

13,78 a

Fileiras no canteiro

Três




2001,76 a

173,68 a

25,31 a

13,91 a

Quatro

2018,50 a

158,37 a

24,56 a

13,48 a

C.V.

28,56

51,85

15,89

23,11

Médias seguidas pelas mesmas letras, nas colunas, não diferem, pelo teste F, a 5% de probabilidade.

Quadro 3.- Razão de área equivalente de folhas da arruda, em cultivo solteiro e em consórcio com a alface, cultivada sob três ou quatro fileiras no canteiro. UFMS, Dourados-MS, 2004.



Cultivo


Espécie

Fileiras no canteiro

MFF (g 3m-2)

RAE1/

Solteiro


Arruda

2*

529,65

1,0

3**

408,78

1,0

Alface

3

2914,35

1,0

4***

2596,6

1,0

Consórcio

A2Al3


Arruda

2

457,68

1,23


Alface

3

953,38

Consórcio

A3Al4


Arruda

3

562,30

1,87


Alface

4

1070,85

* 0,50 m entre as duas fileiras no canteiro; **0,36 m entre as três fileiras no canteiro; *** 0,25 m entre as quatro fileiras no canteiro

1/ Razão de área equivalente



База данных защищена авторским правом ©shkola.of.by 2016
звярнуцца да адміністрацыі

    Галоўная старонка